Categoria: ECONOMIA

  • Dólar cai a até R$ 5,32 e Bolsa sobe à espera da 'Superquarta', com decisões do Fed e do BC

    Dólar cai a até R$ 5,32 e Bolsa sobe à espera da 'Superquarta', com decisões do Fed e do BC

    Nesta segunda, o mercado repercute o Boletim Focus, com economistas consultados pelo Banco Central reduzindo suas estimativas para a inflação neste ano (de 4,85% para 4,83%) e ajustando para baixo suas projeções para a taxa básica de juros em 2026

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em queda e o Ibovespa em alta nesta segunda-feira (15), com os investidores começando a semana à espera da chamada “Superquarta” (17), quando o Banco Central e o Federal Reserve (o banco central americano) decidirão os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
    Por volta das 10h11, o dólar à vista cedia 0,55%, a R$ 5,324, e a Bolsa subia 0,53%, a 143.034 pontos.

    Nesta segunda, o mercado repercute o Boletim Focus, com economistas consultados pelo Banco Central reduzindo suas estimativas para a inflação neste ano (de 4,85% para 4,83%) e ajustando para baixo suas projeções para a taxa básica de juros em 2026.

    Além disso, o IBC-Br (índice de Atividade Econômica do Banco Central) de julho mostrou uma desaceleração maior que a esperada por analistas, com uma queda de 0,5% ante junho.

    Foi o terceiro mês consecutivo de recuo do índice, que é visto como um sinalizador do Produto Interno Bruto. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam contração de 0,2%. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) abriram em baixa nesta segunda-feira, após a divulgação do indicador.

    Na semana, nos EUA, a expectativa é do primeiro corte de juros deste ano pelo Fed, de 25 pontos na taxa básica, e por aqui o BC deve manter a Selic em 15% ao ano. Os comunicados das decisões serão acompanhados com atenção, na expectativa de sinalização dos próximos passos da política monetária de ambos os países.

    “A semana passada foi marcada por uma apreciação do real, principalmente por conta da crescente expectativa de que o Fed irá baixar juros, ainda mais em um cenário em que o Banco Central deve manter a Selic em 15%. Temos um diferencial de juros bastante favorável para o ingresso de fluxo de capital especulativo para o Brasil e isso favorece o real”, avalia Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

    “O dólar mostra tendência de queda nesta segunda, em linha com o movimento externo de enfraquecimento da moeda americana”, diz Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. “A moeda americana apresenta fraqueza desde sexta-feira, por conta da consolidação das apostas de um ciclo de cortes de juros pelo Fed.”

    No radar, estão ainda possíveis retaliações dos EUA após a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses. Na última quinta (11), o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o país responderá “adequadamente” ao que chamou de novo de “caça às bruxas” contra Bolsonaro.

    Na última sexta (12), beneficiado por fluxo estrangeiro, o dólar fechou o pregão em queda de 0,70%, a R$ 5,353, o menor patamar desde junho do ano passado, segundo dados da CMA. O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,61%, a 142.271 pontos.

    Para analistas, a perspectiva de cortes nas taxas de juros nas próximas reuniões do Federal Reserve (o banco central americano) ajuda a atrair recursos para o Brasil, valorizando o real. Durante o pregão, a moeda americana chegou a ser negociada no patamar de R$ 5,34.

    “O dólar está caindo principalmente por conta de três cortes de juros que o mercado já está precificando nos Estados Unidos, que devem acontecer neste ano”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

    É a mesma avaliação de Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank. “Temos um diferencial de juros bastante favorável para o ingresso de fluxo de capital especulativo para o Brasil e isso favorece o real”, afirma.

    A confiança do consumidor dos EUA, indicador divulgado pela Universidade de Michigan, caiu pelo segundo mês consecutivo em setembro, conforme os consumidores observaram riscos crescentes para as condições de negócios, o mercado de trabalho e a inflação.

    “Os consumidores americanos se mostraram mais pessimistas nesse mês de setembro, e isso ajudou a consolidar a perspectiva de que vai ter corte de juros nos Estados Unidos”, aponta Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

    Já o Ibovespa operou o dia todo em queda, em movimento de correção após renovar máximas nesta quinta (11).

    “Existe o risco de que os Estados Unidos coloquem mais alguma punição, seja sanção, seja tarifa”, diz Mattos, da StoneX. “O fato é que essa condenação dificulta uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos para tentar reduzir essas tarifas.”

    O mercado ainda avaliou os dados de serviços no Brasil em julho, divulgados pelo IBGE. O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 0,3% em julho sobre o mês anterior, em linha com o esperado por economistas. Foi a sexta alta mensal consecutiva do setor, que segue mostrando resiliência em meio ao aperto monetário.

    Para a equipe da Ágora Investimentos, o tom mais contido no exterior e um receio entre os investidores sobre uma possível reação dos Estados Unidos ao desfecho do julgamento de Bolsonaro no STF poderiam prejudicar o desempenho dos ativos locais nesta sexta-feira, conforme relatório a clientes.

    Dólar cai a até R$ 5,32 e Bolsa sobe à espera da 'Superquarta', com decisões do Fed e do BC

  • Trump reitera que Powell precisa cortar juros 'agora' e de forma mais agressiva

    Trump reitera que Powell precisa cortar juros 'agora' e de forma mais agressiva

    “‘O muito atrasado’ precisa cortar as taxas de juros agora, e com redução maior do que tinha em mente”, reiterou Trump, em postagem na Truth Social, referindo-se a Powell e sugerindo que o Fed deveria cortar os juros de forma mais agressiva

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer nesta segunda-feira, 15, que o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, precisa voltar a cortar juros.

    “‘O muito atrasado’ precisa cortar as taxas de juros agora, e com redução maior do que tinha em mente”, reiterou Trump, em postagem na Truth Social, referindo-se a Powell e sugerindo que o Fed deveria cortar os juros de forma mais agressiva.

    É amplamente esperado que o Fed corte os juros básicos dos EUA na quarta-feira, 17, no que seria a primeira redução este ano.

    De modo geral, porém, o BC norte-americano não costuma fazer ajustes maiores do que de 25 pontos-base nas taxas.

    Trump reitera que Powell precisa cortar juros 'agora' e de forma mais agressiva

  • Focus: Selic no fim de 2025 continua em 15,0% e diminui de 12,50% para 12,38% em 2026

    Focus: Selic no fim de 2025 continua em 15,0% e diminui de 12,50% para 12,38% em 2026

    A mediana para a Selic no fim de 2026 diminuiu de 12,50% para 12,38%, depois de 32 semanas de estabilidade. Considerando só as 102 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a mediana subiu de 12,38% para 12,50%

    A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,0% pela 12ª semana consecutiva, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros neste nível na mais recente decisão, no dia 30 de julho.

    No seu comunicado, o Copom afirmou que a incerteza demanda “cautela” na condução da política monetária. E informou que antecipa uma “continuação na interrupção do ciclo de alta de juros”, para avaliar se a manutenção da Selic em 15,0% por período “bastante prolongado” é suficiente para fazer a inflação convergir à meta.

    “O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, disse o Copom.

    Considerando apenas as 103 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano seguiu em 15%.

    2026

    A mediana para a Selic no fim de 2026 diminuiu de 12,50% para 12,38%, depois de 32 semanas de estabilidade. Considerando só as 102 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a mediana subiu de 12,38% para 12,50%.

    A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 31ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 38ª semana consecutiva.

    Focus: Selic no fim de 2025 continua em 15,0% e diminui de 12,50% para 12,38% em 2026

  • Inadimplência cai e derruba retomada de imóveis ao menor nível desde 2022

    Inadimplência cai e derruba retomada de imóveis ao menor nível desde 2022

    A Caixa Econômica reduziu em um terço o número de retomadas de imóveis no primeiro trimestre de 2025, registrando o menor patamar desde 2022. A queda está ligada à baixa inadimplência, ao mercado de trabalho aquecido e ao aumento das renegociações de contratos

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Caixa Econômica Federal, responsável por dois de cada três financiamentos imobiliários realizados no Brasil, reintegrou 8.762 imóveis no primeiro trimestre de 2025. O número 33,4% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (13.166 propriedades) se justifica pela redução da inadimplência dos contratos.

    Retomada de imóveis volta a cair no primeiro trimestre. O número de reintegrações é o menor para o mesmo período desde 2022 (812) e interrompe sequência de altas. Os dados obtidos pela reportagem via LAI (Lei de Acesso à Informação) mostram ainda que o valor total dos imóveis retomados somou R$ 1,15 bilhão, uma queda de 25,8% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 1,55 bilhão).

    Cenário econômico favorável justifica os números. A taxa de desemprego no menor patamar da história e a evolução do ganho médio dos brasileiros são consideradas determinantes para a redução das reintegrações. “Essa queda [das retomadas] reflete o mercado de trabalho mais aquecido e a ampliação das renegociações com os bancos. As famílias conseguiram se reorganizar financeiramente”, diz Bruno Pira, especialista em mercado imobiliário.

    Ambiente favorável derrubou índice de inadimplência. O percentual de atrasos por mais de 90 dias para a quitação dos financiamentos da Caixa recuou para 1,19% ao longo de todo o ano passado. Segundo os balanços do banco estatal, a taxa é 0,43 ponto percentual inferior à registrada um ano antes. Ainda que tenha voltado a subir no primeiro trimestre de 2025, para 1,42%, o cenário não afeta as recuperações, normalmente realizadas após períodos mais longos sem os pagamentos.

    HISTÓRICO

    Queda das retomadas vem após volume recorde registrado em 2024. No acumulado do ano passado, a Caixa reintegrou 49.935 imóveis (o banco não informa quantos imóveis financiados fazem parte da carteira). A quantidade superou o recorde do ano anterior, marcado pela retomada de 39.591 unidades.

    Número de recuperações foi praticamente nulo durante a pandemia. No período da pandemia de Covid-19, o governo autorizou medidas para não prejudicar quem foi afetado financeiramente pela emergência de saúde. Pausas e reduções temporárias nas parcelas reduziram as recuperações no período, levando às baixas históricas no início da década.

    INCERTEZAS

    Aumento dos juros tem pouca influência no número de retomadas. Apesar de encarecer e dificultar novos financiamentos, a elevação da taxa Selic para 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, não altera os pagamentos dos contratos já firmados com o banco. “Quem pega um empréstimo, mesmo que com juros altos, normalmente tem uma programação financeira, pelo menos para um curto prazo, e dificilmente deixa de honrar as primeiras parcelas”, avalia Marcelo Tapai, especialista em direito imobiliário.

    Juros mais altos levam a queda no número de novos financiamentos. Desde novembro do ano passado, foram adotadas regras mais restritivas para a liberação do crédito imobiliário no Brasil. As mudanças elevaram de 20% para 30% o percentual mínimo de entrada para a aquisição do imóvel. “Em alguns casos, o máximo que os compradores conseguem de financiamento é 50% do valor do bem”, ressalta Tapai.

    Carteira de crédito imobiliário da Caixa cresce em ritmo mais lento. Com as mudanças, o banco estatal firmou 164,2 mil contratos no primeiro trimestre deste ano, número 10,4% menor do que as assinaturas celebradas entre janeiro e março do ano passado. Como consequência, a carteira de crédito imobiliário da Caixa subiu 12,7%, de R$ 754,3 bilhões para R$ 850,4 bilhões, e registrou a evolução anual mais baixa desde o segundo trimestre de 2022 (12,4%).

    COMO FUNCIONA A RETOMADA

    Bancos podem notificar a inadimplência 15 dias após o atraso. O período é estipulado pela lei 9.514/97. Ainda assim, Lucas Bettim, especialista em direito imobiliário, afirma que a maioria dos bancos adota um intervalo de tolerância de até três parcelas em atraso antes de formalizar a notificação extrajudicial no cartório. “O intervalo constitui uma janela crítica para negociação antes do início oficial do processo de retomada”, explica.

    Prazo para a quitação integral da dívida varia em até 45 dias. Sem a quitação, o cartório assume o direito de transferir a propriedade em nome do credor, que assume o compromisso de direcionar o imóvel para ser leiloado em duas etapas: o primeiro para definir o lance mínimo do bem e, em seguida, ocorre um leilão com a adição do valor da dívida.

    “Entre a primeira parcela em atraso e a realização do segundo leilão, o prazo médio é de seis a oito meses, podendo variar conforme a agilidade do cartório e do credor. Em caso de judicialização, esse prazo se estende significativamente”, diz Lucas Bettim, especialista em direito imobiliário

    Especialistas afirmam que prazos podem ser flexibilizados. “Os procedimentos internos costumam demorar até que a instituição inicie efetivamente o processo de cobrança e leilão do bem”, destaca Tapai. Pira, por sua vez, entende que os juros altos abrem margem positiva para os clientes. “O valor presente do dinheiro permite um bom desconto, o que pode gerar condições vantajosas para quem busca comprar para morar, investir ou regularizar seu financiamento em atraso”, avalia.

    Os bancos costumam oferecer alternativas de renegociação para evitar a retomada, e o cliente tem sempre a possibilidade de fazer uma portabilidade caso a taxa diminua e outro banco tenha uma condição de taxa menor.Bruno Pira, especialista em mercado imobiliário

    Retomadas não ocorrem somente devido à inadimplência. Ainda que o atraso nas prestações represente a principal motivação, as recuperações também podem acontecer por outras razões. Entre elas, aparecem o uso do imóvel para uma finalidade diferente da contratada, a transferência da posse a terceiros sem autorização do credor, a falta de pagamento do IPTU ou seguros obrigatórios e a constatação de fraude na contratação. Segundo Bettim, as autorizações são determinadas em contrato e vale “sempre que a integridade da garantia estiver ameaçada”.

    Inadimplência cai e derruba retomada de imóveis ao menor nível desde 2022

  • Fator mais importante para investir é o medo, não o risco, diz estudo

    Fator mais importante para investir é o medo, não o risco, diz estudo

    Economistas Rob Arnott e Edward McQuarrie defendem que o medo, e não o risco, é o principal fator que guia investidores e define preços de ativos. A tese desafia décadas de teoria dominante e reacende o debate sobre emoções no mercado financeiro

    (FOLHAPRESS) – Os economistas Rob Arnott e Edward F. McQuarrie riem com gosto quando perguntados sobre a reação ao seu último trabalho publicado. Foi a pior possível.

    “Foi como se nos dissessem: como vocês ousam fazer uma coisa dessas?”, se diverte Arnott, fundador do Research Affiliates, empresa de consultoria financeira.

    O sucesso de público (dentro dos padrões de uma pesquisa econômica) compensou, para eles, a revolta dos críticos. São cerca de 4.000 downloads.

    A tese dos dois pesquisadores é uma proposta para mudar o paradigma para avaliar valores de ativos e de investimentos. O mais importante não seria a teoria de quanto maior o risco, maior a recompensa. O fator determinante, segundo eles, é o medo.

    Arnott e McQuarrie, professor emérito da Universidade de Santa Clara, nos Estados Unidos, são autores do estudo “Fear, not risk, explains asset pricing” (Medo, não risco, explica precificação de bens).

    “O risco simplesmente não é uma ferramenta eficiente para fazer o que se propõe. Mas é cômodo [para ser utilizado por consultores e economistas] porque é mensurável. Medo é outra coisa. É bem mais difícil”, afirma McQuarrie.

    A teoria do risco é a forma mais popular de precificação de ativos pela percepção de que as pessoas exigem compensação financeira para abrir mão da segurança de um investimento considerado mais conservador.

    A partir da década de 1950, pesquisadores como Harry Markowitz e William Sharpe desenvolveram o embasamento da teoria de risco, o CAPM (Capital Asset Pricing Model). Ele mostrava como risco e retorno se relacionavam. A tese passou a ser ensinada nas principais escolas de economia e se tornou dominante.

    Por questionarem este método, Arnott e McQuarrie afirmam terem encontrado silêncio na comunidade acadêmica após a publicação do trabalho.

    “Isso não nos surpreendeu em nada”, diz Arnott.

    “CAPM é uma medida incompleta para medir risco e retorno. Representa fé, não é ciência. Como pode uma teoria que tem sido de forma tão repetida contrariada por dados empíricos ser vista ainda como a melhor representação científica do comportamento humano?”, questiona McQuarrie.

    A teoria dos dois pesquisadores é que o foco para medir o valor do ativo é o investidor, não o investimento. O seu comportamento, os seus sentimentos são mais determinantes no preço de um bem do que o cálculo do risco.

    Dentro disso, dois receios se sobressaem e são centrais na tese de Arnott e McQuarrie: o medo de perder (FOL, fear of loss, em inglês) e o medo de ficar de fora (FOMO, fear of missing out, em inglês). São as duas sensações que guiariam de verdade as ações de investidores.

    “Medo é a resposta com o poder de motivar e guiar a ação humana. É o fator central”, diz Arnott.

    “A teoria do risco delineia o investimento racional sob a luz da matemática, mas ignora as confusões das emoções humanas e falha para entender a história. Quando você percebe isso, o medo surge como conceito poderoso”, afirma o estudo.

    O texto tem a ideia de colocar fatores humanos além da questão matemática, de algo mensurável, como faz a teoria do risco. O valor do ativo seria determinado, na verdade, pelo equilíbrio entre o medo de perder dinheiro e o medo de ficar de fora de um investimento que pode oferecer um retorno superior.

    Eles defendem ser uma bobagem querer colocar uma pecha de racionalidade no mercado financeiro.

    “O mercado é irracional. Vernon Smith ganhou o Nobel de Economia [em 2022], em parte, por demonstrar que escolhas irracionais podem criar bolhas e desastres, mesmoem mercado em que todos os participantes sabem que o preço está maior ou menor que o valor real”, afirma o documento dos economistas.

    Isso seria explicado não pelo risco, dizem, mas pelo medo de ficar de fora.

    “Um homem de economia puramente racional não existe () O medo entra no pensamento porque a teoria do risco faz um trabalho medíocre explicando dados de avaliação de preços”, completa o texto.

    Os pesquisadores consideram que o estudo é um chamado para que outros economistas e estudiosos se debrucem sobre o tema para tentar chegar a um modelo matemático.

    “Quem sabe até ganhar o Nobel de Economia com isso”, pensa Arnott.

    É um pedido para despertar a curiosidade, outro sentimento humano, e ir além da matemática. Porque, lembram, medo é autoconhecimento.

    “Nós nos conhecemos melhor do que qualquer pessoa”, define McQuarrie, lembrando que isso é decisivo na definição de valor de um bem ou investimento.

    É também uma mudança de paradigma. Risco remete à coragem. O medo tem o estigma da fraqueza. Não é uma imagem que o mercado financeiro deseja passar.

    “Mas é a verdadeira”, finaliza Rob Arnott.

    Fator mais importante para investir é o medo, não o risco, diz estudo

  • Careca do INSS muda de ideia e prestará depoimento à CPI nesta segunda

    Careca do INSS muda de ideia e prestará depoimento à CPI nesta segunda

    No sábado (13), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), tinha decidido que investigados não são obrigados a prestar depoimento à CPI, e tornou facultativa a participação de Antunes e de outro investigado, Maurício Camisotti, que tem oitiva agendada para quinta-feira (18).

    RAPHAEL DI CUNTO
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, prestará depoimento nesta segunda-feira (15), às 16h, à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do Congresso sobre desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), afirmou à Folha seu advogado, Cleber Lopes.

    No sábado (13), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), tinha decidido que investigados não são obrigados a prestar depoimento à CPI, e tornou facultativa a participação de Antunes e de outro investigado, Maurício Camisotti, que tem oitiva agendada para quinta-feira (18).

    Lopes disse à reportagem no sábado que Antunes não participaria, mas mudou de posição neste domingo e irá pessoalmente ao Congresso para explicar as acusações. “Ele quer falar”, afirmou, sem antecipar o conteúdo das declarações. “Ele vai responder às perguntas.”

    O Careca do INSS é apontado pela PF (Polícia Federal) como um dos operadores do esquema bilionário de desvios de aposentadorias e pensões, com descontos para bancar associações. A fraude teria gerado um prejuízo de até R$ 6,3 bilhões para aposentados e pensionistas, segundo a investigação.

    Ele e Camisotti -que é apontado como sócio oculto de uma das entidades que recebiam valores a partir dos descontos ilegais– foram presos preventivamente na sexta-feira (12) por ordem de Mendonça. Também foram cumpridos 13 de busca e apreensão, em São Paulo e no Distrito Federal.

    A operação de sexta-feira, segundo a PF, ocorreu para evitar o impedimento ou embaraço de investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além da possível obstrução da investigação por parte de alguns investigados.

    Apontado em investigação como “epicentro da corrupção ativa” e lobista profundamente envolvido no “esquema de descontos ilegais de aposentadorias”, Antunes recebeu, de acordo com a investigação da Polícia Federal, R$ 53,58 milhões de entidades associativas e de intermediárias.

    Segundo relatório de investigadores, o pagamento ocorreu por meio de empresas de Antunes, que teria repassado R$ 9,32 milhões a servidores e companhias ligadas à cúpula do INSS.

    Deputados e senadores querem extrair de Antunes nomes de envolvidos e outras informações que ajudem no avanço da apuração.

    “As associações captavam os associados, se tinha fraude ele não tinha como saber”, afirmou o advogado de Antunes. “Essa narrativa de que ele era operador é uma bizarrice”, declarou. Na última quinta-feira (11), a comissão decidiu quebrar seus sigilos bancário e telemático (de telefone e emails, por exemplo).

    A CPI tenta engrenar com o depoimento desta segunda-feira, depois de possíveis alvos da investigação participarem das primeiras oitivas e apresentarem poucas novidades.

    Integrantes da comissão ouvidos pela reportagem avaliam que os dois possíveis alvos da CPI que já prestaram depoimento, o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) e o ex-presidente do INSS Armed Mohamad Oliveira (que antes se chamava José Carlos Oliveira), acrescentaram pouco à investigação.

    Aliados do governo e da oposição consideram que Lupi prestou um depoimento quase sem brechas. No caso de Oliveira, a interpretação é de que ele não estava tão seguro quanto Lupi, mas que também não forneceu informações decisivas.

    O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Pode-MG), disse no sábado que as oitivas com Antunes e Camisotti eram importantes e solicitaria que Mendonça revesse a decisão que os dispensou de prestar depoimento caso não queiram participar. “É fundamental que eles compareçam para que possamos esclarecer, com mais rapidez, tudo o que aconteceu”, afirmou.

    A própria CPI solicitou ao ministro do STF autorização para ouvir os dois investigados, já que eles foram presos na sexta-feira. Mendonça os dispensou, segundo Viana –a decisão corre sob segredo de Justiça.

    Camisotti ainda não confirmou se prestará depoimento à CPI na quinta-feira ou se usará o direito autorizado pelo ministro para que falte à oitiva. A tendência, logo após a decisão, era de que o empresário não fosse ao Congresso esta semana, segundo pessoas próximas.

    Na sexta-feira, seus advogados disseram que não havia qualquer motivo que justificasse a prisão e que houve arbitrariedade na ação policial. “A defesa reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e assegurar o pleno respeito aos direitos e garantias fundamentais do empresário”, disseram em nota.

    Careca do INSS muda de ideia e prestará depoimento à CPI nesta segunda

  • PF prende oito hackers acusados de ataque ao Pix

    PF prende oito hackers acusados de ataque ao Pix

    Segundo os investigadores, o grupo é suspeito de praticar fraudes bancárias contra instituições financeiras, na tentativa de desviar valores do Pix, por meio do acesso indevido à conta mantida por instituições financeiras junto ao Banco Central.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal prendeu, em flagrante, oito suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável por ataque hacker contra o sistema financeiro nacional. A operação foi feita na última sexta-feira (12), em São Paulo.

    Segundo os investigadores, o grupo é suspeito de praticar fraudes bancárias contra instituições financeiras, na tentativa de desviar valores do Pix, por meio do acesso indevido à conta mantida por instituições financeiras junto ao Banco Central.

    As prisões em flagrante foram convertidas em preventivas, e os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa e tentativa de furto qualificado por meio eletrônico.

    De acordo com a PF, as investigações prosseguem para identificar outros envolvidos.

    Mesmo depois de o Banco Central apertar as regras aplicadas às instituições financeiras e reforçar a segurança do sistema financeiro nacional, os ataques de hackers continuam.

    No sábado passado (6), houve o quinto ataque em três meses. O desvio total conhecido das instituições é de cerca de R$ 1,5 bilhão.

    PF prende oito hackers acusados de ataque ao Pix

  • Mercosul e ETFA assinam acordo de livre comércio na terça-feira

    Mercosul e ETFA assinam acordo de livre comércio na terça-feira

    A cerimônia ocorrerá durante a reunião de chanceleres do Mercosul, que será presidida pelo ministro, embaixador Mauro Vieira. O Brasil está na presidência temporária do bloco.

    O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês), bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, será assinado nesta terça-feira, dia 16, no Rio de Janeiro. A cerimônia ocorrerá durante a reunião de chanceleres do Mercosul, que será presidida pelo ministro, embaixador Mauro Vieira. O Brasil está na presidência temporária do bloco.

    \”Na reunião de chanceleres do Mercosul, serão apresentadas as prioridades da atual Presidência Pro Tempore Brasileira (PPTB) e discutidas as perspectivas do processo de integração regional. Para o Brasil, a consolidação da união aduaneira, a diversificação das parcerias econômico-comerciais do Mercosul e a modernização e aprofundamento dos acordos regionais vigentes constituem objetivos essenciais, em meio a cenário internacional instável e complexo\”, informou o Ministério das Relações Exteriores (MRE), em nota.

    As negociações para o acordo entre Mercosul e EFTA tiveram início em junho de 2017, em Buenos Aires. No total, foram 14 rodadas de negociações até a conclusão, em julho deste ano. Na ocasião, o governo federal projetou que o acordo terá um efeito positivo de R$ 2,69 bilhões sobre o produto interno bruto (PIB) brasileiro em 2044, tomando como base o ano de 2023.

    Segundo o estudo do governo, os efeitos econômicos incluem ainda um aumento de R$ 660 milhões em investimentos, redução no nível de preços ao consumidor, crescimento nos salários reais e impacto de R$ 3,34 bilhões nas exportações totais do Brasil. Do lado das importações, a estimativa é de um impacto de R$ 2,57 bilhões.

    O comunicado do (MRE) também informou que a presidência brasileira vai enfatizar na reunião de terça-feira a importância do apoio ao processo de adesão plena da Bolívia ao Mercosul, assim como a dimensão social e cidadã do bloco, com atenção ao papel desempenhado pelo Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos (IPPDH) e pelo Instituto Social do Mercosul (ISM). Outra prioridade será o lançamento da \”Estratégia Mercosul de Combate ao Crime Organizado\”, com o objetivo de aperfeiçoar a cooperação na área da segurança pública.

    Mercosul e ETFA assinam acordo de livre comércio na terça-feira

  • Sucessão patrimonial sem planejamento pode subtrair 20% da herança

    Sucessão patrimonial sem planejamento pode subtrair 20% da herança

    Entre os principais custos estão o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), variando de 4% a 8% conforme o Estado, além de honorários advocatícios, custos judiciais e taxas cartoriais. Especialistas consultados destacam que um processo sucessório bem estruturado pode proporcionar eficiência tributária e ajudar na preservação do patrimônio para futuras gerações.

    A ausência de um planejamento de sucessão patrimonial pode resultar na perda de 10% a 20% do patrimônio a ser herdado, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. As opiniões variam dentro desse intervalo: Carlos Eduardo Fernandes, líder de Planejamento Patrimonial da Blue3 Investimentos, afirma que os gastos ficam entre 10% e 20%; Jonas Carneiro, responsável pelo planejamento sucessório na Petrópolis Invest-XP, também observa que essas perdas estão entre 15% e 20%; e Dennys Rosini, diretor de Produtos da Prudential do Brasil, acredita que esses custos ficam entre 12% e 15%.

    Entre os principais custos estão o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), variando de 4% a 8% conforme o Estado, além de honorários advocatícios, custos judiciais e taxas cartoriais. Especialistas consultados destacam que um processo sucessório bem estruturado pode proporcionar eficiência tributária e ajudar na preservação do patrimônio para futuras gerações.

    Entre as ferramentas mais recomendadas para esse processo, estão o seguro de vida, sobre o qual não incide o Imposto de Renda (IR), e a previdência privada do tipo VGBL, cuja alíquota de IR pode chegar a 10%. Ambos produtos têm outra vantagem: não passam pelo processo de inventário e podem ser acessados de forma mais rápida pelos herdeiros. Essa condição em si já garante uma boa eficiência tributária, segundo Jonas Carneiro, responsável pelo planejamento sucessório da Petrópolis Invest-XP.

    Rosini comenta que o seguro de vida é uma ferramenta essencial para garantir liquidez imediata aos beneficiários, permitindo que eles recebam uma indenização em dinheiro sem passar pelo \”processo lento e burocrático de um inventário e custos com impostos\”. Na sua visão, esse recurso garante a estabilidade financeira da família e permite que eles lidem com o luto sem a pressão de dívidas e problemas administrativos. \”Nesse sentido, o seguro de vida se torna parte de uma estratégia de proteção patrimonial mais ampla, pois, o planejamento sucessório é uma forma de pensar além da própria vida, assegurando um legado positivo para os familiares\”.

    A advogada do Candido Martins Cukier, Maria Paula Molinar, recomenda realizar parte da sucessão ainda em vida, permitindo que o proprietário dos bens possa arcar com parte dos impostos, aliviando os herdeiros desse fardo. Ela explica que, do total a ser transmitido para as futuras gerações, o titular dos recursos deve obrigatoriamente destinar 50% aos herdeiros necessários, que podem ser filhos, cônjuges ou pais, se ainda estiverem vivos. Os outros 50% têm destinação livre. No escritório, alguns clientes optam por destinar os 50% de destinação livre diretamente aos filhos, segundo Molinar. Ela explica que, com essa decisão, evita-se pagar o ITCMD duas vezes: primeiro, no falecimento do titular dos bens e direitos, e depois, quando o cônjuge também vier a falecer.

    Fernandes, da Blue3, acredita que o processo de transferência de riqueza traz várias oportunidades e desafios para as gestoras de patrimônio. Entre as oportunidades, destaca-se a chance de oferecer mais produtos e serviços, já que as novas gerações estão mais dispostas a ouvir os consultores, de acordo com o líder de Planejamento Patrimonial da Blue3 Investimentos. Ele diz que essas gerações tendem a ser mais abertas à inovação e a diversificar mais seus investimentos e soluções. Por outro lado, ele enxerga como um desafio o que chama de \”menor lealdade dos clientes\”, o que exige uma maior adaptação por parte dos consultores.

    O responsável pelo planejamento sucessório da Petrópolis Invest-XP, afirma que, famílias com patrimônios em torno de R$ 10 milhões já consideram essencial um planejamento sucessório estruturado. A EQI Investimentos destaca que clientes com esse perfil patrimonial frequentemente possuem um total de cerca de R$ 50 milhões, tornando o planejamento fundamental.

    Desafios das novas gerações

    O estudo \”Navigating the Future of Wealth 2024\” da Multipolitan prevê que as gerações Y e Z herdarão aproximadamente US$ 84 trilhões globalmente até 2045, marcando a maior transferência de riqueza intergeracional da história. Isso levanta a questão: estão essas gerações preparadas para gerir essas fortunas? Eduardo Fernandes alerta que a falta de preparo entre herdeiros é preocupante no Brasil, agravada pela tendência de casais terem filhos mais tarde, resultando em herdeiros jovens e sem a experiência necessária para administrar recursos familiares.

    Molinar observa que muitos herdeiros não têm interesse em gerir o patrimônio herdado após a perda dos patriarcas, mas não abrem mão dos recursos. Com frequência, a gestão de empresas e investimentos é terceirizada, enquanto os ativos permanecem no núcleo familiar.

    Já para Finelli, que possui 28 anos no mercado de sucessão patrimonial, afirma que percebe um contraste entre famílias do interior do Brasil, que geralmente mantêm seus negócios dentro do grupo familiar, e os herdeiros dos grandes centros, que preferem seguir caminhos próprios, sem abrir mão dos recursos herdados.

    Sucessão patrimonial sem planejamento pode subtrair 20% da herança

  • Sistema 150 vezes maior que Pix será usado para cobrar impostos

    Sistema 150 vezes maior que Pix será usado para cobrar impostos

    A plataforma terá capacidade para processar aproximadamente 70 bilhões de notas fiscais eletrônicas por ano, cada uma com muito mais informações do que as transações do PIX. “No PIX, só sabemos quem paga, quem recebe e o valor. Nas notas fiscais, há dados sobre produtos, emissores e créditos. Por isso, o volume é 150 vezes maior”, explicou Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal.

    O governo federal trabalha na criação de uma plataforma tecnológica inédita para operacionalizar os novos tributos sobre consumo previstos na reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional. De acordo com a Receita Federal, o sistema será 150 vezes maior que o PIX, ferramenta de transferências instantâneas do Banco Central, e vai substituir tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.

    A plataforma terá capacidade para processar aproximadamente 70 bilhões de notas fiscais eletrônicas por ano, cada uma com muito mais informações do que as transações do PIX. “No PIX, só sabemos quem paga, quem recebe e o valor. Nas notas fiscais, há dados sobre produtos, emissores e créditos. Por isso, o volume é 150 vezes maior”, explicou Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal.

    O desenvolvimento envolve técnicos da Receita, programadores do Serpro, representantes do mercado financeiro e engenheiros de grandes empresas de tecnologia. Um dos módulos centrais será o chamado split payment, que permitirá separar automaticamente, em tempo real, o valor dos tributos e direcioná-lo diretamente para União, estados e municípios. A expectativa é reduzir drasticamente a sonegação, já que os impostos não passarão mais pelo caixa das empresas.

    Outro recurso previsto é o cálculo dos créditos tributários pagos anteriormente na cadeia produtiva, permitindo ressarcimento rápido para evitar prejuízos no fluxo de caixa das companhias. A proposta é que isso ocorra em poucas horas, sem burocracia.

    Um projeto-piloto com cerca de 500 empresas já está em andamento. A previsão é que, em 2026, o sistema entre em operação com uma alíquota simbólica de 1%, apenas para testes. A cobrança efetiva começa em 2027, inicialmente para a CBS, o tributo federal, com foco nas transações entre empresas. Nesse mesmo ano, PIS e Cofins serão extintos. Entre 2029 e 2032, ocorrerá a transição gradual do ICMS e ISS para o IBS, o novo imposto estadual e municipal.

    O governo afirma que a plataforma também reduzirá erros no preenchimento de notas fiscais, já que contará com uma calculadora oficial e alertas para eventuais falhas antes da autuação. Além disso, será responsável pelo cálculo e aplicação do cashback previsto na reforma, que devolverá parte dos impostos para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único.

    Especialistas estimam que o split payment pode aumentar a arrecadação em até R$ 500 bilhões por ano, valor próximo ao total atualmente perdido com a sonegação. Barreirinhas destaca que o novo modelo também impedirá práticas ilegais, como empresas de fachada usadas para fraudar o fisco.

    Com a automatização e a integração nacional, o governo espera simplificar o sistema tributário, reduzir litígios e trazer mais eficiência para a arrecadação, ao mesmo tempo em que garante devoluções rápidas e maior transparência para empresas e contribuintes.

    Sistema 150 vezes maior que Pix será usado para cobrar impostos