Categoria: POLÍTICA

  • Presidente da CPI do INSS rebate Moraes e diz que comissão não vazou conversas do ministro

    Presidente da CPI do INSS rebate Moraes e diz que comissão não vazou conversas do ministro

    A manifestação foi publicada nas redes sociais após a nota a pedido de Moraes afirmar que conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia em que foi preso foram tornadas públicas pela CPI do INSS. No comunicado, Moraes nega que prints de mensagens atribuídos ao banqueiro tenham sido enviados a ele.

    Presidente da CPI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) rebateu nesta sexta-feira, 6, a nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido do ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a comissão parlamentar não divulgou material sigiloso envolvendo integrantes da Corte.

    A manifestação foi publicada nas redes sociais após a nota a pedido de Moraes afirmar que conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia em que foi preso foram tornadas públicas pela CPI do INSS. No comunicado, Moraes nega que prints de mensagens atribuídos ao banqueiro tenham sido enviados a ele.

    Segundo Viana, a comissão atuou dentro dos limites legais e não foi responsável pelo vazamento de qualquer conteúdo sigiloso. \”A CPMI sempre atuou dentro dos limites legais e regimentais\”, escreveu o senador. Ele acrescentou que é necessário identificar a origem das informações divulgadas antes de atribuir responsabilidade ao Parlamento.

    O texto, divulgado pela Secretaria de Comunicação do STF, afirma que uma análise técnica constatou que o diálogo divulgado foi travado com outra pessoa, e que \”as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes\”.

    Na nota, o ministro não nega, porém, que tenha conversado com Vorcaro em 17 de novembro do ano passado, dia no qual o banqueiro foi preso pela primeira vez – na primeira fase da Operação Compliance Zero. Pessoas ouvidas pelo Estadão confirmam que houve troca de mensagens entre ambos neste dia.

    A troca de mensagens se dava com prints no modo visualização única. Para manter o sigilo, tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam textos em seus blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens com o recurso que só permite uma única visualização antes de apagar o arquivo.

    Como mostrou o Estadão, várias dúvidas pairam no ar depois que a nota veio a público:

    – Moraes afirma que não foi o destinatário das mensagens de Vorcaro vazadas, mas não nega, na nota, que tenha conversado com banqueiro no dia em que ele foi preso, em 17 de novembro do ano passado.

    – Se Moraes não era o destinatário das mensagens nas quais Vorcaro pede ajuda para tentar salvar o Master, sobre qual tema ambos conversaram no dia 17 de novembro, data da prisão do banqueiro?

    – Quem realizou a análise técnica dos dados telemáticos do banqueiro? A nota do STF não menciona o autor da perícia.

    – Como o ministro teve acesso ao material que estava sob sigilo para proceder à análise dos dados?

    – Os contatos dentro das mesmas pastas com os prints do bloco de notas de Vorcaro são dos destinatários das mensagens de Vorcaro, segundo a análise citada pelo ministro?

    – Na troca de mensagens, as respostas do ministro a Vorcaro não são conhecidas por se tratarem de prints de visualização única. No entanto, em resposta à última comunicação do banqueiro registrada, às 20h48, Moraes responde com um emoji de \”joinha\”, em suposta concordância. Sobre o que ele concordou ou deu uma resposta afirmativa?

    – O ministro avalia como coincidência o fato de o horário dos prints de blocos de notas de Vorcaro ser muito próximo ou até o mesmo do registrado no envio das mensagens do banqueiro a Moraes no dia 17 de novembro, segundo registros obtidos pelo jornal O Globo?

    – Se Moraes conversou com Vorcaro – o que ele não nega -, por que se comunicou com mensagem de visualização única, que some após o interlocutor abri-la?

    – Por que um ministro do STF tinha contato pelo WhatsApp com um banqueiro que, publicamente, já era investigado pela PF?

    Questionada sobre esses pontos pela reportagem, a Secretaria de Comunicação do STF afirmou que a manifestação se restringe à nota divulgada mais cedo a pedido de Moraes.

    O conteúdo das mensagens

    Segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, confirmadas pelo Estadão, Vorcaro e Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal pela primeira vez.

    Dados extraídos do celular do executivo indicam que ele prestava contas ao ministro sobre negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito de um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

    A defesa do banqueiro apresentou ao STF um pedido para investigar o vazamento de informações do conteúdo de seu celular, incluindo \”conversas íntimas\” e \”supostos diálogos com autoridades e até com o ministro do STF Alexandre de Moraes\”. O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.

    Nesta sexta-feira, Mendonça determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a origem do vazamento de dados sigilosos de Vorcaro. As informações estavam sob a custódia da PF e foram compartilhadas com a CPI do INSS.

    O Estadão confirmou com fontes ligadas ao caso que Vorcaro efetivamente trocou mensagens com Moraes naquele dia por meio de fotos de visualização única. Na extração de dados do celular do banqueiro, há sete imagens de rascunhos com mensagens sobre negociações do Master com o Banco Central. Em alguns desses arquivos, o horário de criação é próximo ao horário de envio das mensagens de Vorcaro ao ministro.

    Nos textos, o banqueiro relata ter antecipado o negócio com o grupo Fictor para tentar salvar o banco e menciona que um possível vazamento de informações seria prejudicial, mas poderia servir de gancho para entrar no circuito do processo. Vorcaro questionou o magistrado por duas vezes se havia alguma novidade e chegou a perguntar diretamente: \”Conseguiu bloquear?\”.

    Um dos prints do bloco de anotações do celular de Vorcaro, registrado às 18h32, traz a pergunta: \”Conseguiu ter notícia ou bloquear?\”.

    A cronologia dos fatos indica que, enquanto falava com o ministro, o banqueiro monitorava o avanço das investigações. Segundo a PF, Vorcaro teria obtido informações sigilosas por meio de um acesso ilegal aos sistemas da própria corporação e tentou peticionar na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após a decretação de sua prisão, em uma tentativa de barrar medidas cautelares.

    Na última comunicação registrada, às 20h48, Vorcaro respondeu a uma possível dúvida sobre os negócios e afirmou que a movimentação poderia inibir algo não detalhado. Antes de encerrar, avisou que estava indo assinar com investidores estrangeiros, momento em que Moraes teria reagido apenas com um emoji de polegar levantado.

    O executivo acabou preso pela PF por volta das 22h, antes de decolar rumo a Malta, de onde seguiria para Dubai.

    Mendonça manda PF investigar vazamento

    Carlos Viana também reagiu à decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que determinou a abertura de investigação para apurar eventual vazamento de dados relacionados à CPI.

    O senador afirmou receber a medida \”com serenidade e respeito institucional\”, mas ressaltou que o Congresso possui prerrogativas constitucionais próprias para conduzir investigações.

    Presidente da CPI do INSS rebate Moraes e diz que comissão não vazou conversas do ministro

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  • Caso da 'rachadinha' de Flávio Bolsonaro foi encerrado com perguntas não respondidas

    Caso da 'rachadinha' de Flávio Bolsonaro foi encerrado com perguntas não respondidas

    As investigações foram encerradas após o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularem em 2021 as provas coletadas. O arquivamento deixou uma série de questões em aberto sobre a movimentação financeira de Flávio antes de chegar ao Senado.

    ITALO NOGUEIRA
    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – Uma das principais preocupações de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a campanha à Presidência da República deste ano são os efeitos do caso da “rachadinha” sobre a imagem do pré-candidato.

    As investigações foram encerradas após o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularem em 2021 as provas coletadas. O arquivamento deixou uma série de questões em aberto sobre a movimentação financeira de Flávio antes de chegar ao Senado.

    O senador foi denunciado em novembro de 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro sob acusação de liderar uma organização criminosa para recolher parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio. A prática, conhecida como “rachadinha”, teria desviado R$ 6 milhões de recursos públicos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

    O senador sempre negou as suspeitas. Afirmou, em nota, que ele e seus “colaboradores tiveram suas contas devassadas e a vida revirada”.

    “As investigações são prova irrefutável da honestidade de Flávio Bolsonaro. Ao contrário de Lula, que foi condenado por nove juízes diferentes. Atualmente, não existe qualquer inquérito que acuse ou investigue Flávio Bolsonaro por ilícito ou malversação”, afirmou sua assessoria, em nota.

    Abaixo, perguntas ainda não respondidas sobre o caso.

    QUAL ERA A FONTE DE DINHEIRO VIVO DE FLÁVIO BOLSONARO E SUA FAMÍLIA?

    A investigação do MP-RJ mostrou que boa parte das despesas do senador era paga com dinheiro vivo, apesar de ele não ter realizado saques em volume correspondente e, até 2014, não ter qualquer fonte de renda declarada fora da atividade parlamentar.
    A Procuradoria dividiu a apuração em três períodos.

    Entre 2007 e 2009, o então deputado comprou 12 salas comerciais na Barra (zona oeste do Rio de Janeiro). A investigação identificou que a transação, de R$ 297 mil, foi quase toda paga com dinheiro vivo.

    Nesse caso, não houve acusação de lavagem de dinheiro porque o senador declarou em seu Imposto de Renda empréstimos contraídos com seu irmão Carlos Bolsonaro e outros ex-assessores. Essas transações também ocorreram, segundo a Procuradoria, em dinheiro vivo.

    As acusações se referem ao período entre 2010 e 2014. Nesse intervalo, ele e a esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, exerceram apenas cargos públicos, sem fonte de renda em espécie declarada.
    Esse é o período mais intenso de transações imobiliárias do casal. Foi também quando a Procuradoria identificou ao menos R$ 977 mil em gastos sem origem comprovada.

    A quebra de sigilo bancário de Fernanda mostrou que o ex-assessor Fabrício Queiroz depositou R$ 25 mil em dinheiro vivo na conta da mulher do senador dias antes de quitar a entrada de um imóvel. Meses depois, às vésperas da segunda parcela, houve outro crédito em espécie, de R$ 20 mil.

    A Procuradoria também identificou uma série de depósitos em espécie na conta de Flávio em datas anteriores ao pagamento de parcelas na compra de imóveis da transação, que somaram R$ 281,5 mil.

    A investigação também apontou uso de dinheiro vivo para o pagamento de impostos, móveis, passagens aéreas, plano de saúde e escola das filhas do senador.

    Em relação aos anos 2015 a 2018, não foi apontado crime porque Flávio já havia se tornado sócio de uma loja de chocolates. O MP-RJ havia instaurado um procedimento a parte para aprofundar a investigação sobre o estabelecimento.

    O QUE EXPLICA O FATO DE A PESSOA QUE VENDEU DOIS APARTAMENTOS A FLÁVIO BOLSONARO TER DEPOSITADO EM SUA CONTA R$ 638 MIL EM DINHEIRO VIVO NO MESMO DIA DE TRANSAÇÃO, VALOR NÃO REGISTRADO OFICIALMENTE?

    Uma das transações que levantaram mais suspeitas foi a compra no mesmo dia de dois apartamentos em Copacabana (zona sul), em novembro de 2012.

    De acordo com as escrituras, os apartamentos haviam sido adquiridos por R$ 440 mil em 2011 pelos antigos proprietários. Em 2012, eles foram vendidos por R$ 310 mil ao senador. Em 2014, Flávio os revendeu por R$ 1,12 milhão.

    O lucro de 260% em dois anos chamou a atenção. Além disso, o vendedor fechou a transação com o senador por um valor 30% abaixo do que havia sido pago um ano antes pelos apartamentos.
    A Procuradoria afirma que a suspeita de “pagamento por fora” feita pelo senador foi confirmada.

    O MP-RJ identificou que o responsável pela venda dos imóveis, o corretor americano Glenn Dillard depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo em sua conta no mesmo dia em que fez a transação foi oficializada.

    O QUE FLÁVIO BOLSONARO GUARDAVA NO COFRE, JUNTO COM O IRMÃO CARLOS BOLSONARO?

    O senador manteve por 12 anos um cofre junto com o ex-vereador no Banco do Brasil. A existência dele foi revelada pela Folha em 2020. A titularidade conjunta com Flávio foi identificada na investigação sobre a existência de um esquema de “rachadinha” no gabinete de Carlos.

    Na abertura do cofre, em 2004, os funcionários do banco registraram que a situação merecia urgência, “pois nosso cliente necessita guarda de valores”. Eles não declararam à Justiça Eleitoral qualquer valor mantido ali quando registraram suas candidaturas naquela época.

    Ao comentar o tema, o senador afirmou que guardava “itens pessoais” no cofre “por razões de segurança”.

    HÁ RELAÇÃO ENTRE OS ACESSOS E AS AQUISIÇÕES DE IMÓVEIS?

    As datas de acesso ao cofre de Flávio e Carlos coincidem com operações imobiliárias da família Bolsonaro. Uma das transações foi justamente a compra dos dois imóveis em Copacabana, apontada como suspeita pelo MP-RJ.

    Eles também estiveram no banco nos dias em que o ex-presidente Jair Bolsonaro comprou as duas casas que mantém no Condomínio Vivendas da Barra. Como a Folha revelou em janeiro de 2018, uma das transações contém características suspeitas de lavagem de dinheiro pelos critérios do Coaf.

    POR QUE FLÁVIO OMITIU DA RECEITA FEDERAL INVESTIMENTO FEITO EM AÇÕES ENTRE 2007 E 2008?

    O MP-RJ afirma que Flávio não declarou à Receita Federal investimento em ações que afirmou à Justiça ter feito, por meio de uma corretora de São Paulo. O senador declarou ter feito aportes de R$ 90 mil.

    Ele processou a corretora em razão de prejuízos. Na ação, ele disse que quitou um débito de R$ 15,5 mil com dinheiro vivo.

    O QUE EXPLICA A DISPARIDADE ENTE A RECEITA DA LOJA DE CHOCOLATES E O VERIFICADO PELA ADMINISTRAÇÃO DO SHOPPING VIA PARQUE?

    O MP-RJ apontou que a receita da loja de chocolates da qual Flávio Bolsonaro se tornou sócio teve sua receita inflada para viabilizar a lavagem de dinheiro do esquema da “rachadinha” no montante de R$ 1,6 milhões.

    O valor se refere à diferença entre a receita apurada pelo Via Parque, onde ficava a loja, e os créditos na conta do estabelecimento. De acordo com a investigação, enquanto a administração do shopping apontou um faturamento de R$ 4,9 milhões entre 2015 e 2018, a empresa recebeu no banco R$ 6,5 milhões.

    Para os investigadores, a proporção de depósitos em dinheiro era maior do que em outras filiais da mesma marca. Além disso, enquanto os pagamentos feitos por cartão aumentavam na Páscoa -como era esperado para uma loja de chocolate-, o uso de recursos em espécie se mantinha no mesmo patamar.

    Caso da 'rachadinha' de Flávio Bolsonaro foi encerrado com perguntas não respondidas

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  • Moraes se pronuncia sobre suposta troca de mensagens com Vorcaro

    Moraes se pronuncia sobre suposta troca de mensagens com Vorcaro

    Em nota divulgada pela assessoria do Supremo na noite desta sexta-feira (6), o gabinete de Moraes afirmou que os prints dos textos enviados por Vorcaro “estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados” a Moraes.

    ISADORA ALBERNAZ
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou que tenham sido enviadas a ele as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, no dia de sua prisão, 17 de novembro, em que o dono do Banco Master faria referência a uma tentativa de evitar uma operação policial.

    Nos textos armazenados no telefone de Vorcaro e atribuídos a conversas com Moraes, o banqueiro narra negociações para tentar salvar o Master e pergunta “conseguiu bloquear?”, em possível alusão à sua prisão. Moraes não nega, contudo, que tenha travado outros diálogos com Vorcaro nessa data.

    Em nota divulgada pela assessoria do Supremo na noite desta sexta-feira (6), o gabinete de Moraes afirmou que os prints dos textos enviados por Vorcaro “estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados” a Moraes.

    O gabinete afirmou ainda que uma análise técnica nos dados teria constatado “que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 [data da primeira prisão do ex-banqueiro] não conferem com os contatos” de Moraes. A nota não informa quem são os autores da análise técnica.

    “No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, diz a nota.

    “A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes”, acrescenta.

    As informações extraídas do celular de Vorcaro foram encaminhadas à CPI do INSS. O conteúdo das mensagens de Vorcaro atribuídas a conversas com Alexandre de Moraes aparecem em prints do bloco de notas do celular dele.

    As mensagens eram enviadas por meio de prints dessas anotações em imagem que desaparece automaticamente após ser vista (a chamada mensagem de visualização única). Os textos são escritos no bloco de notas, depois transformados em print e enviados no formato instantâneo.

    A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, revelou que Vorcaro enviou mensagens a Moraes no mesmo horário em que as notas foram salvas no bloco de notas. A jornalista descreveu que houve nove mensagens trocadas entre os dois via WhatsApp entre as 7h19 e as 20h48 do dia 17 de novembro. A troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes no dia da prisão do ex-banqueiro foi confirmada pela reportagem.

    Os dados obtidos indicam que Moraes respondia às mensagens. Em uma das conversas, o então banqueiro aparentemente esclarece uma dúvida do ministro. “Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos, mas foi o que deu pra fazer dentro da situação”, escreveu.
    Moraes, no entanto, afirma que as pastas de arquivos enviadas à CPI com essas mensagens e contatos telefônicos não coincidem com o seu número de telefone.

    O argumento apresentado por Moraes se refere a 157 pastas que comportam pouco mais de 200 arquivos -entre imagens, planilhas, emails e contatos. Não há informações nesses arquivos sobre um vínculo direto entre os arquivos, como os prints, e contatos.

    As mensagens atribuídas a Moraes estão salvas como imagens em mais de uma pasta. Na maior parte dessas pastas, não há outros arquivos, nem contatos. Em três delas, há contatos salvos, mas não existem registros que demonstrem que os prints têm relação com aqueles contatos.

    Uma das imagens, com a pergunta “Alguma novidade?”, está armazenada na mesma pasta em que há o contato de Antônio Rueda, presidente do União Brasil. Em outro caso, a pergunta “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” está na mesma pasta onde está o contato de “Vivi Moraes”, advogada contratada pelo Master e mulher de Alexandre de Moraes. Uma outra reprodução dessa segunda mensagem foi feita uma hora depois e está salva na mesma pasta onde aparece o contato do senador Irajá Abreu (PSD-TO).

    Irajá Abreu negou que tenha recebido a mensagem do dono do Master. “A informação que Daniel Vorcaro enviou qualquer mensagem ao senador Irajá é completamente inverídica”, afirmou a assessoria do parlamentar. A reportagem procurou o STF para obter mais explicações sobre os argumentos, mas o tribunal não quis se manifestar. Rueda não respondeu aos contatos para dizer se recebeu as referidas mensagens de Vorcaro.

    Moraes se pronuncia sobre suposta troca de mensagens com Vorcaro

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  • Lula: Tem quem gosta de fazer política nas redes; quem governa de verdade mostra resultado

    Lula: Tem quem gosta de fazer política nas redes; quem governa de verdade mostra resultado

    “Tem gente que gosta de mentir de manhã até de noite, fantasiando. Quem governa de verdade mostra o resultado”, disparou o presidente Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou de maneira indireta, nesta sexta-feira, 6, políticos que exercem seus mandatos com foco nas redes sociais. A declaração foi feita pelo petista ao lado do prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes (PSD), durante entrega de moradias na Comunidade do Aço, no bairro de Santa Cruz.

    “Tem gente que gosta de fazer política no TikTok. Tem gente que gosta de fazer política no Instagram. Tem gente que gosta de fazer política mentindo”, disse Lula. “Tem gente que gosta de mentir de manhã até de noite, fantasiando. Quem governa de verdade mostra o resultado.”

    Mais cedo, em entrevista ao jornal O Dia, o presidente reiterou que Paes tem seu apoio na eleição para o governo do Rio, mas ressaltou a importância de “construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado”.

    “Sobre as eleições, temos que lembrar que não se escolhe adversários, mas sim aliados. Paes tem o meu apoio político e o importante agora é construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado, na Câmara e na Alerj e não deixar que o autoritarismo e o retrocesso voltem a ganhar espaço no Rio de Janeiro e em nosso País”, declarou.

    Paes deixará a prefeitura do Rio em abril para poder ser candidato ao governo do Estado. O PT declarou apoio a ele. Nos últimos meses, porém, petistas acenderam um sinal de alerta, receosos de que seriam alijados dos principais espaços na chapa que o prefeito vem montando.

    A reivindicação do PT é indicar um dos candidatos para o Senado. O nome da deputada Benedita da Silva (PT) é o que está na mesa. Os petistas gostariam que ela fosse a principal candidata ao Senado na chapa, já que o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), também será candidato à Casa Alta do Congresso.

    Lula: Tem quem gosta de fazer política nas redes; quem governa de verdade mostra resultado

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  • Nikolas Ferreira pede prisão de Moraes por mensagens de Vorcaro

    Nikolas Ferreira pede prisão de Moraes por mensagens de Vorcaro

    Nikolas Ferreira fez ataques ao ministro do STF por ter sido citado em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro; porém o parlamentar também foi, segundo documentos vazados na imprensa

    Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedem a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após a revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro trocou mensagens com o magistrado no dia em que ele seria preso pela Polícia Federal pela primeira vez, em novembro de 2025.

    “Por muito menos o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes. Esse cara precisa sair do STF. Não é impeachment, não, ele precisa ir direto para a prisão. Responder por esses atos que não condiz com o magistrado”, disse o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

    Já o líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO), criticou o fato de que não há, até o momento, conhecimento de troca de mensagens entre Vorcaro e a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, nas mensagens extraídas pela Polícia Federal no celular do banqueiro. O jornal O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de Viviane Barci.

    “O mais impressionante disso tudo é que Vorcaro pagava R$ 3,6 milhões para a esposa do Moraes por mês, mas não ligou ou trocou mensagem com ela nem uma vez”, afirmou o parlamentar.

    Dados extraídos do celular de Vorcaro revelam que ele prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

    Para o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), a situação de Moraes é “insustentável”. “Com essas provas, a situação do ministro Alexandre de Moraes, o ditador da toga, fica insustentável”, disse o deputado. “Congresso Nacional, PGR, Suprema Corte, vocês têm que fazer o seu papel urgentemente.”

    Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou a determinação à organização do fórum.

    “Cada vez mais entendo que Brasília não se trata de separação dos Poderes, mas sim de proteção dos amigos daqueles que ajudam a manter o status quo”, disse a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).

    Para manter o sigilo, tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam textos em seus blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens com o recurso de visualização única. Por essa razão, as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas de Vorcaro permaneceram acessíveis no histórico do aparelho.

    “A opinião de Alexandre de Moraes sobre quem apaga mensagens de WhatsApp no celular no caso da Débora do Batom: ‘desprezo com o Poder Judiciário e a ordem pública’. E como fica quem manda mensagem de visualização única para responder se ‘bloqueou’ algo ou não a um criminoso?”, questionou o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), em referência ao voto do ministro do STF no caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do batom”, condenada a 14 anos de prisão pela Corte.

    Também do Novo, o senador Eduardo Girão (CE) disse que o partido estuda reações institucionais. “Só falta dizer que as diversas mensagens temporárias apagadas automaticamente pelo ministro foi puro engano. Errou de destinatário como deve ter sido engano do Vorcaro contratar os ‘serviços advocatícios’ de R$ 129 milhões da esposa dele. Como deve ter sido engano estarem na mesma casa residencial e mesmo evento nos EUA, patrocinado pelo Banco Master. O Novo já estuda entrar com outras ações firmes para o resgate da ética na República a partir das revelações dessas conversas”, afirmou.

    Do lado governista, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) cobrou pela criação de um código de ética do STF. “Essas relações são tão impróprias que Moraes tratou de dizer que elas sequer existem, que é tudo mentira. Isso revela como elas são graves e podem ter desdobramentos, se o Vorcaro falar mais, falar tudo, que é o que desejamos”, disse Alencar. “É importante estabelecermos de uma vez por todas um código de ética ao STF a fim de vedar peremptoriamente relações de juízes com interessados em causas em andamento.”

    O líder do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta (RJ), defendeu transparência no caso e afirmou que “nenhuma autoridade está acima do escrutínio democrático”.

    “O que está vindo à tona precisa ser esclarecido com muita transparência. Quando surgem mensagens que levantam suspeitas de proximidade indevida entre agentes do Judiciário e interesses privados, isso afeta a confiança da sociedade nas instituições. É fundamental que todos os fatos sejam apurados, com serenidade e responsabilidade, para que não paire qualquer dúvida sobre a lisura das decisões. Defendo que o Brasil fortaleça suas instituições com mais controle público, mais transparência e respeito ao devido processo. Nenhuma autoridade está acima do escrutínio democrático”, disse.

    Já a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) pressiona pela CPI do Banco Master na Câmara. “Como a CPI é uma ferramenta aberta de monitoramento da sociedade, não haverá sigilos, provas fatiadas ou quaisquer outros mecanismos de proteção ao banditismo político – esteja onde estiver”, disse a parlamentar. “Estamos trabalhando muito para conseguirmos as últimas assinaturas na Câmara. Chega a ser inacreditável e repugnante o protecionismo ao Banco Master, que vai da covardia em não assinar até a covardia de não instalar.”

    Já foram protocoladas duas CPIs sobre o Banco Master. Uma, de origem no governo, foi protocolada na Câmara, e tem a autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A outra, protocolada no Congresso, veio da oposição, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ).

    Como mostrou o Placar do Estadão, há maioria que defende a abertura de uma comissão sobre o caso, mas há resistência da cúpula do Congresso.

    Nikolas Ferreira pede prisão de Moraes por mensagens de Vorcaro

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  • Lula diz que Eduardo Paes tem seu apoio, mas que é preciso 'construir chapa forte'

    Lula diz que Eduardo Paes tem seu apoio, mas que é preciso 'construir chapa forte'

    Presidente Lula diz que Eduardo Paes é um “excelente prefeito” e que os dois trabalham muito bem juntos; prefeito deixará o comando da cidade do Rio para poder ser candidato ao governo do Estado

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), tem seu apoio na eleição para o governo do Estado, mas ressaltou a importância de “construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado”.Lula cumpre agenda política no Rio nesta sexta-feira, 6.

    “Sobre as eleições, temos que lembrar que não se escolhe adversários, mas sim aliados. Paes tem o meu apoio político e o importante agora é construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado, na Câmara e na Alerj e não deixar que o autoritarismo e o retrocesso voltem a ganhar espaço no Rio de Janeiro e em nosso País”, declarou.

    Na entrevista a O Dia, Lula elogiou Paes. Disse que ele é um “excelente prefeito” e que os dois trabalham muito bem juntos.

    “O Eduardo Paes é um excelente prefeito e trabalhamos muito bem juntos. E dessa parceria com o governo federal vieram muitas ações importantes, verdadeiras conquistas para os cariocas, como a renovação da frota de BRT e a grande melhoria na rede hospitalar da cidade”, disse.

    Paes deixará a prefeitura do Rio para poder ser candidato ao governo do Estado. O PT declarou apoio a ele. Nos últimos meses, porém, petistas acenderam um sinal de alerta, receosos de que seriam alijados dos principais espaços na chapa que o prefeito vem montando.

    A reivindicação do PT é indicar um dos candidatos para o Senado. O nome da deputada Benedita da Silva (PT) é o que está na mesa. Os petistas gostariam que ela fosse a principal candidata ao Senado na chapa, já que o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), também será candidato à Casa Alta do Congresso.

    Lula diz que Eduardo Paes tem seu apoio, mas que é preciso 'construir chapa forte'

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  • União Brasil filia Pablo Marçal, que está inelegível; veja como estão os processos contra el

    União Brasil filia Pablo Marçal, que está inelegível; veja como estão os processos contra el

    A expectativa é que o influenciador ajude a puxar votos para a legenda; partido realiza uma cerimônia de filiação do novo quadro na noite desta sexta-feira (6), em São Paulo

    O empresário e influenciador Pablo Marçal filia-se ao União Brasil nesta sexta-feira, 6. Um ano e meio depois de concorrer à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Marçal foi condenado três vezes à inelegibilidade. Destas, reverteu uma condenação, enquanto recorre das outras duas. 

    Mesmo com os reveses no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Marçal aposta em um recurso que o permita concorrer no pleito deste ano até que os processos contra ele não estejam julgados em definitivo, ou seja, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    O União Brasil aposta em Marçal como puxador de votos. O partido realiza uma cerimônia de filiação do novo quadro na noite desta sexta-feira, às 18h, na Vila Olímpia, na capital paulista. 

    Segundo interlocutores da sigla, o plano é lançá-lo a uma vaga de deputado federal por São Paulo, um cargo ao qual o influenciador já concorreu nas eleições de 2022. Filiado ao extinto PROS, Marçal conquistou votos suficientes para se eleger, mas teve o registro da candidatura indeferido. 

    O Estadão procurou a defesa de Marçal para comentar os processos em trâmite na Justiça Eleitoral, mas não houve retorno.

    Pix de R$ 5 mil em troca de apoio político

    Em fevereiro de 2025, Marçal foi condenado em uma ação movida pelo PSB e pela coligação do hoje ministro Guilherme Boulos, que concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024 pelo PSOL. As partes denunciaram a promessa de Marçal de apoiar candidatos a vereador que doassem R$ 5 mil para sua campanha à Prefeitura.

    Durante o processo, Marçal alegou inconsistências nas preliminares do caso, ou seja, na forma como a ação foi julgada. No mérito da acusação, afirmou que não houve crime pois apenas cinco doações foram realizadas após o vídeo, as quais “foram prontamente devolvidas aos remetentes”.

    Para o juiz Antonio Patiño Zorz, embora o valor arrecadado com o anúncio tenha sido limitado, a disposição de Marçal em oferecer dinheiro por apoio político, por si só, configura crime. “Entendo que o discurso de Pablo Marçal (…) encerra em si mesmo conduta ilícita que ostenta a potencialidade de lesar o bem jurídico protegido, a legitimidade das eleições”, disse o magistrado.

    Marçal recorreu da decisão e obteve uma decisão favorável na segunda instância. Para o juiz Claudio Langroiva Pereira, que relatou a ação, apesar de ter havido conduta ilícita, seria necessário constatar que a prática influenciou o andamento do pleito. 

    “Embora o vídeo contenha proposta ilícita, os elementos probatórios carreados aos autos não foram suficientes para demonstrar a amplitude da divulgação, o volume de recursos efetivamente movimentados em decorrência direta da oferta, ou seu impacto concreto na campanha eleitoral, de forma a desequilibrá-la”, afirmou o desembargador.

    As proponentes da ação recorreram da decisão. A coligação de Boulos apresentou um recurso para enviar o caso ao TSE, mas o processo ainda não foi remetido pelo TRE de São Paulo para a nova instância.

    ‘Concurso de cortes’

    Em abril de 2025, dois meses após a primeira condenação, Marçal voltaria a ter um revés na Justiça Eleitoral. O ex-candidato a prefeito foi condenado pelo “concurso de cortes” que promoveu entre os seus seguidores. O influenciador oferecia compensações em dinheiro a quem produzisse vídeos que o promovessem. A ação foi proposta pelo PSB, pelo Ministério Público Eleitoral e por Silvia Ferraro, vereadora de São Paulo pelo PSOL.

    Para o juiz Antonio Patiño Zorz, o mesmo que o condenou pela promessa de Pix em troca de apoio político, a “estratégia” do concurso de cortes deu a Marçal “uma vantagem indevida” na corrida eleitoral, uma vez que o candidato “fraudou” conteúdo favorável a ele de modo a criar “a impressão de que havia uma onda genuína de apoio a suas ideias e plataforma política, mas que foi motivada pela perspectiva de ganhos financeiros conforme regulamento e premiação”. Segundo o magistrado, tratou-se de “compra de apoio político”.

    Na decisão, Marçal também foi condenado pelo descumprimento da liminar que suspendia seus perfis nas redes, incluindo a comunidade no Discord em que eram criados os cortes. Seus perfis foram suspensos nas demais plataformas, mas o servidor do Discord seguiu no ar. Segundo o juiz, a comunidade permaneceu ativa por 42 dias após a liminar, cabendo uma multa de R$ 10 mil por cada dia de desrespeito à medida, totalizando R$ 420 mil.

    Marçal recorreu e, dos quatro crimes pelos quais havia sido condenado, obteve o afastamento de duas imputações, mas a inelegibilidade foi mantida, assim como a multa de R$ 420 mil.

    Com a condenação na segunda instância, além das penas de inelegibilidade, o influenciador passou a ser considerado inapto a concorrer a cargos públicos também pela Lei da Ficha Limpa. Segundo a norma, para determinados tipos de crimes, o candidato torna-se inelegível por oito anos após a condenação por um órgão colegiado.

    A defesa de Marçal apresentou embargos à condenação em segunda instância. O caso segue em análise do TRE-SP. Se for mantido o teor do acórdão, cabe recurso ao TSE.

    Sorteio de boné

    Em julho de 2025, Marçal foi condenado pela terceira vez. Nesta ação, o PSB o processou por abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e captação ilícita de recursos. 

    Nas alegações, o partido citou ofensas proferidas por Marçal durante a campanha, como as referências, sem provas, de que o então candidato Guilherme Boulos seria usuário de drogas. A sigla também acusou o candidato de ferir a isonomia do pleito ao sortear bonés e dinheiro em troca de divulgação.

    Os advogados de Marçal recorreram, mas o caso ainda não foi apreciado na segunda instância do TRE de São Paulo. O caso deve ser avaliado pela Corte Eleitoral nas próximas semanas.

    Laudo falso contra Boulos

    Dois dias antes das eleições de 2024, Marçal divulgou um laudo médico falso atribuindo ao então candidato Guilherme Boulos uma overdose por uso de cocaína. O documento forjado utilizou a assinatura de um médico falecido. 

    Em fevereiro deste ano, Marçal assinou um acordo com a Procuradoria que suspendeu por dois anos a ação pela divulgação do laudo. No termo, o ex-candidato a prefeito foi condenado ao pagamento de uma indenização de R$ 5 mil a uma instituição filantrópica. Além disso, comprometeu-se a não frequentar bares, boates e casas de prostituição.

    Outros processos

    Durante a campanha a prefeito de São Paulo, Marçal envolveu-se em outras polêmicas que terminaram na Justiça. Em novembro de 2025, ele foi condenado por afirmar que a deputada federal Tabata Amaral (PSB) “abandonou” o pai para estudar no exterior. Segundo a Justiça, houve o crime de difamação eleitoral.

    Cadeirada

    O influenciador também teve embates ríspidos com José Luiz Datena (PSDB). A tensão entre os dois culminou na cadeirada do apresentador em Marçal no debate da TV Cultura. Como mostrou o Estadão, em outubro de 2025, um acordo entre as partes encerrou os processos que os ex-candidatos moviam entre si. O termo foi homologado em fevereiro deste ano.

    União Brasil filia Pablo Marçal, que está inelegível; veja como estão os processos contra el

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  • Primeira Turma do STF começa a julgar denúncia contra Silas Malafaia

    Primeira Turma do STF começa a julgar denúncia contra Silas Malafaia

    PGR diz que pastor imputou falsamente crimes a oficiais do Exército; denúncia foi apresentada por Paulo Gonet em 18 de dezembro

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta sexta-feira, 6, a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o pastor Silas Malafaia por injúria e calúnia dirigidas ao comandante do Exército, general Tomás Paiva.

    Em abril, Malafaia promoveu um ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, pedindo pela anistia dos condenados pelo 8 de Janeiro. Em um carro de som na Avenida Paulista, o pastor dirigiu críticas aos generais do Exército.

    “Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, gritou ao microfone.

    A PGR também sustenta que Silas Malafaia afirmou que oficiais do Exército teriam cometido crime militar, mesmo sem haver prova disso. Depois, o pastor publicou as declarações nas redes sociais, o que ampliou a divulgação do posicionamento dele.

    A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em 18 de dezembro. Caso o parecer seja aceito pela Primeira Turma do STF, Malafaia passará à condição de réu no processo.

    O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e pode se estender até o dia 13 de março. O julgamento foi pautado pelo ministro Flávio Dino, após pedido do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

    Nos últimos anos, Malafaia organizou manifestações em apoio a Jair Bolsonaro, criticou decisões do Supremo e defendeu a concessão de anistia a investigados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.

    Primeira Turma do STF começa a julgar denúncia contra Silas Malafaia

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  • TJ-RJ negou tentativa de retomada do caso 'rachadinha' contra Flávio Bolsonaro

    TJ-RJ negou tentativa de retomada do caso 'rachadinha' contra Flávio Bolsonaro

    Ministério Público buscava pela 3ª vez quebra de sigilos do senador, mas pedido foi negado pela Justiça do Rio de

    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou, no ano passado, uma nova tentativa de retomada das investigações sobre o caso da “rachadinha” no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

    Em setembro, a 2ª Câmara de Direito Público rejeitou um recurso do Ministério Público para realizar uma nova quebra de sigilo bancário e fiscal do senador.

    O processo corre sob segredo de Justiça. Segundo a reportagem apurou, o pedido havia sido feito junto com uma ação civil pública por improbidade administrativa proposta contra oito ex-assessores de Flávio na Alerj, entre eles Fabrício Queiroz, PM apontado como operador do esquema.

    Os desembargadores entenderam que Flávio deveria ser incluído no pólo passivo da ação para ser alvo da medida. Contudo, como o procedimento cível da Promotoria contra o senador já foi arquivado no fim de 2024, essa mudança dificilmente ocorrerá.

    Em nota, o senador, que hoje é pré-candidato à Presidência, afirma que teve “suas contas devassadas e a vida revirada” sem que nenhuma irregularidade fosse encontrada.

    “As investigações são prova irrefutável da honestidade de Flávio Bolsonaro. Ao contrário de Lula, que foi condenado por nove juízes diferentes. Atualmente, não existe qualquer inquérito que acuse ou investigue Flávio Bolsonaro por ilícito ou malversação”, diz a assessoria do senador, em nota.

    A nova tentativa de quebra de sigilo do senador foi feita em 2023, pouco antes da prescrição da possível improbidade administrativa no caso -intervalo de cinco anos após o fim do mandato em que a suposta irregularidade foi cometida, prazo que a Promotoria tem para propor ação civil pública.

    Na ocasião, o Ministério Público apresentou uma ação civil pública contra Queiroz e mais sete ex-funcionários do senador na Alerj. Ela teve como base principal o primeiro relatório do Coaf que apontava as movimentações suspeitas nas contas de Queiroz, origem de todo o caso. Essa foi a única prova não anulada por decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do STF (Supremo Tribunal Federal) contra a investigação criminal.

    Ao oferecer essa ação, o Ministério Público pediu também a quebra de sigilo de Flávio, a fim de ampliar as investigações sobre as transações. A avaliação foi de que, apenas com o relatório do Coaf, não era possível incluir o senador entre os acusados, já que o documento não aponta qualquer movimentação financeira dele.

    Na primeira instância, o entendimento foi de que a quebra de sigilo de Flávio só poderia ocorrer se ele fosse parte do processo. O Ministério Público recorreu da decisão, mas perdeu em setembro passado.

    No período entre as decisões de primeira e segunda instâncias, o Conselho Superior do MP-RJ arquivou o procedimento cível contra Flávio. O colegiado entendeu que a quebra de sigilo negada era imprescindível para o avanço da investigação e que, passados cinco anos do fim do mandato de deputado estadual de Flávio, o caso já estaria prescrito em relação a ele.

    Agora, cabe à Promotoria avaliar se mantém a ação proposta apenas contra Queiroz e os ex-assessores de Flávio.

    Essa não foi a primeira vez que o MP-RJ tenta reativar o caso da “rachadinha” após a anulação das provas obtidas contra o senador.

    Como a Folha de S.Paulo revelou em 2021, a Promotoria solicitou quebra de sigilo de Flávio e 38 ex-funcionários e empresas no âmbito deste mesmo procedimento cível. A medida, chamada de produção antecipada de prova, também foi negada na primeira e segunda instâncias da Justiça do Rio de Janeiro.

    As medidas visavam reconstituir as provas obtidas no procedimento criminal que embasaram a denúncia contra Flávio em novembro de 2020 sob acusação de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Ele foi apontado como o responsável pelo desvio de R$ 6,1 milhões dos cofres públicos por meio de um esquema que recolhia parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio -prática conhecida como “rachadinha”.

    O STJ anulou todas as decisões do juiz Flávio Itabaiana, que determinou a quebra de sigilo de Flávio e seus ex-funcionários. O entendimento foi que o senador deveria ser julgado pelo órgão especial do TJ-RJ, foro especial de deputados estaduais, cargo que ele ocupava à época dos fatos investigados.

    Posteriormente, o STF invalidou todas as provas colhidas pelo MP-RJ ao longo do procedimento.

    Com essas decisões, o próprio Ministério Público solicitou a retirada da denúncia, já que as provas que fundamentaram a acusação haviam sido anuladas. O órgão especial rejeitou a denúncia em maio de 2022.

    A Procuradoria-Geral de Justiça recorreu contra a forma como o arquivamento foi realizado, por entender que a decisão impedia a reabertura do caso. No ano passado, o ministro Gilmar Mendes negou esse recurso, impondo o fim das apurações criminais do caso.

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  • PGR pede arquivamento de investigação sobre joias de Bolsonaro

    PGR pede arquivamento de investigação sobre joias de Bolsonaro

    Paulo Gonet cita ausência de normas sobre o tema e decisões conflitantes por parte de órgãos de controle externo -ao longo dos últimos anos, o TCU (Tribunal de Contas da União) publicou uma série de acórdãos sobre o assunto

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) o arquivamento da investigação sobre as joias árabes recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A manifestação de Gonet cita ausência de normas sobre o tema e decisões conflitantes por parte de órgãos de controle externo -ao longo dos últimos anos, o TCU (Tribunal de Contas da União) publicou uma série de acórdãos sobre o assunto.

    “Não existe normação, por via de lei em sentido formal, sobre a destinação e a dominialidade de presentes recebidos pelo presidente da República de autoridades estrangeiras”, diz o documento submetido pelo PGR ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes.

    “Não há norma de lei que defina, com a clareza e abrangência imposta pelas exigências da segurança jurídica, o regime jurídico aplicável a esses bens.”

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, as investigações sobre as joias presenteadas pela Arábia Saudita a Bolsonaro tramitavam em ritmo lento em todas as frentes de apuração -criminal, administrativa e fiscal.

    O caso remonta a 2021, quando um conjunto composto por seis itens -relógio, caneta, anel, par de abotoaduras e rosário, todos da marca suíça Chopard- entrou no Brasil sem ser declarado nem detectado pelas autoridades brasileiras.

    Na mesma ocasião, um assessor do então ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) foi flagrado no Aeroporto Internacional de Guarulhos com outro kit de joias, que acabou apreendido pela Receita Federal.

    O estojo que passou despercebido foi entregue a Bolsonaro, que tentou vender as joias no exterior. Os bens foram avaliados pela PF em mais de R$ 6,8 milhões.

    O episódio gerou um procedimento no TCU (Tribunal de Contas da União), uma apuração aduaneira e uma investigação penal, na qual o ex-presidente foi indiciado perante o STF (Supremo Tribunal Federal). Desde que Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal, em julho de 2024, não havia novidades no caso.

    Como a Folha de S. Paulo mostrou em fevereiro, a Receita Federal pediu que as joias apreendidas no âmbito da investigação fossem transferidas para a sua responsabilidade, para que tenha início o procedimento fiscal de perdimento dos bens.

    A decisão caberá ao ministro Alexandre de Moraes. O perdimento dos bens pode resultar na transferência de propriedade para a União, de forma definitiva.

    As joias presenteadas estão depositadas em uma agência da Caixa Econômica Federal em Brasília. A Receita diz que não precisa da posse física, apenas da atribuição da custódia, para “possibilitar a adoção das medidas aduaneiras e tributárias cabíveis”.

    PGR pede arquivamento de investigação sobre joias de Bolsonaro

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