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  • China defende controle de terras raras; impacto será "muito limitado"

    China defende controle de terras raras; impacto será "muito limitado"

    O Ministério do Comércio da China defendeu hoje a legitimidade das novas restrições impostas esta semana à exportação de terras raras, assegurando que o impacto nas cadeias de abastecimento vai ser “muito limitado”.

    As medidas são “uma ação legítima do governo chinês para ajustar o sistema de controle das exportações em conformidade com as leis e regulamentos”, afirmou um porta-voz do Ministério do Comércio em comunicado.

    “Os controles de exportação da China não são proibições de exportação, e serão concedidas licenças para pedidos que atendam aos critérios”, disse o porta-voz, acrescentando que Pequim informou antecipadamente os parceiros comerciais sobre as medidas “por meio de mecanismos de diálogo bilateral”.

    “As empresas não precisam se preocupar”, reforçou o porta-voz.

    Pequim reiterou que as restrições têm como objetivo impedir que as terras-raras e seus produtos derivados sejam usados na produção de itens militares ou de defesa, a fim de “defender a paz mundial, a estabilidade regional e cumprir suas obrigações internacionais de não proliferação”.

    O ministério afirmou ainda que a China avaliou detalhadamente o impacto potencial das novas restrições nas cadeias industriais e de suprimento e concluiu que esse impacto “é muito limitado”.

    Na quinta-feira, as autoridades chinesas anunciaram uma nova rodada de restrições à exportação de terras-raras, essenciais para a fabricação de tecnologia avançada, e adicionaram cinco novos metais à lista de produtos controlados.

    A China, que domina mais de 70% da produção mundial e quase 90% da transformação desse material estratégico, tem imposto restrições à exportação como instrumento de negociação desde que os Estados Unidos iniciaram a guerra tarifária, em abril. Ainda assim, recentemente, Pequim flexibilizou parte dessas medidas no contexto da trégua comercial entre as duas potências.

    As terras-raras têm sido um ponto de atrito nas negociações comerciais sino-americanas, com Washington acusando Pequim de atrasar deliberadamente a aprovação de licenças de exportação.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira a imposição de uma sobretaxa de 100% sobre importações da China a partir de novembro, em resposta a medidas comerciais que classificou como “extremamente hostis” por parte de Pequim.

    A partir de 1º de novembro — ou até antes, “dependendo de quaisquer ações ou mudanças futuras tomadas pela China” — os EUA imporão “uma tarifa de 100% sobre a China, além de qualquer tarifa já vigente”, declarou Trump na rede social Truth.

    Ainda no início do próximo mês, segundo o republicano, Washington também imporá controles de exportação contra Pequim sobre “todo e qualquer software crítico”.

    “O anúncio de Donald Trump é um exemplo típico de ‘dois pesos, duas medidas’”, reagiu a China.

    O Ministério do Comércio chinês afirmou que as ações de Washington “prejudicam gravemente os interesses da China e minam (…) o clima das discussões econômicas e comerciais entre as duas partes”.

    “Ameaçar constantemente com tarifas elevadas não é a forma correta de cooperar com a China”, acrescentou o ministério.

    As novas medidas surgem pouco antes da reunião dos líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul, onde se esperava um possível encontro entre os presidentes dos dois países — algo que agora está em dúvida.

    China defende controle de terras raras; impacto será "muito limitado"

  • Lula viaja para Roma para abertura do Fórum Mundial da Alimentação

    Lula viaja para Roma para abertura do Fórum Mundial da Alimentação

    A Aliança foi estabelecida como uma proposta da presidência brasileira do G20 para apoiar e acelerar os esforços para erradicar a fome e a pobreza e, ao mesmo tempo, reduzir as desigualdades.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca no final da tarde deste sábado (11), na Base Aérea de Brasília, para a Itália. O presidente participa da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, na segunda-feira (13), em Roma, evento promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Na sequência, participa da reunião presencial do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

    Copresidida por Brasil e Espanha, a Segunda Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza reunirá ministros, representantes de governos, agências da ONU, bancos multilaterais e organizações da sociedade civil. O encontro ocorrerá em formato híbrido e avaliará o progresso da iniciativa desde sua criação, em 2024.

    A Aliança foi estabelecida como uma proposta da presidência brasileira do G20 para apoiar e acelerar os esforços para erradicar a fome e a pobreza e, ao mesmo tempo, reduzir as desigualdades.

     

    Entre os principais temas estão os avanços da Iniciativa de Implementação Acelerada (Fast Track), que apoia planos nacionais de combate à fome e à pobreza em países como Etiópia, Quênia, Haiti, Ruanda e Zâmbia, com mais de 80 manifestações de interesse por parte de parceiros financeiros e técnicos. 

    Como parte da iniciativa, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza está apoiando ativamente o desenvolvimento de nove planos nacionais voltados para acelerar a ação contra a fome, a pobreza e os riscos climáticos.

    De acordo com o Itamaraty, a Aliança está prestes a contabilizar 200 membros, entre países e organismos como agências, programas, instituições universitárias e bancos de desenvolvimento – as principais fontes de financiamento de seus projetos e planos.

    Há, atualmente, 13 pedidos de novos integrantes no grupo, sendo sete do continente africano, dois da América Latina e Caribe, três do sudeste asiático e um do Oriente Médio.

    O presidente Lula também participará, em Roma, da inauguração do espaço onde funcionarão os mecanismos de apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, antes de retornar ao Brasil, ainda no dia 13.

    O convite para a participação de Lula no Fórum partiu do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, em julho, quando o presidente brasileiro foi informado, por ligação telefônica, de que o Brasil saiu do Mapa da Fome. 

    O Fórum Mundial da Alimentação vai até o dia 18, período em que também serão comemorados os 80 anos de criação da FAO. Criado em 1945, o Fórum Mundial da Alimentação é uma plataforma global para acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares, em consonância com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). 

    Estruturado nos pilares Juventude, Ciência e Inovação e Investimentos, o Fórum adota os “quatro melhores” (four betters) que orientam a gestão do diretor-geral, Qu Dongyu: melhor produção, melhor nutrição, melhor meio ambiente e melhor vida.

    A edição de 2025 será marcada por uma série de atividades comemorativas e de reconhecimento de boas práticas em segurança alimentar e agricultura sustentável. 

    “Como parte da iniciativa, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza está apoiando ativamente o desenvolvimento de nove planos nacionais voltados para acelerar a ação contra a fome, a pobreza e os riscos climáticos”, disse o Itamaraty.

     

    Lula viaja para Roma para abertura do Fórum Mundial da Alimentação

  • Trump anuncia tarifa adicional de 100% sobre produtos da China a partir de 1º de novembro

    Trump anuncia tarifa adicional de 100% sobre produtos da China a partir de 1º de novembro

    Os Estados Unidos vão aplicar uma tarifa adicional de 100% sobre as importações da China e impor controlos de exportação sobre todo o software essencial fabricado nos EUA a partir de 1 de novembro

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (10) que vai impor tarifas adicionais de 100% sobre produtos da China a partir do dia 1º de novembro. A tarifa dos EUA sobre produtos chineses em vigor atualmente é de 30%.

    Na mesma data, também serão aplicados controles de exportação para todos os tipos de software crítico, de acordo com a publicação de Trump na plataforma Truth Social.

    O presidente já havia adiantado mais cedo que avaliava um “aumento massivo” nas taxas e que não via motivo para se reunir com o líder da China, Xi Jinping, em três semanas na Coreia do Sul.

    As medidas, segundo o republicano, são uma resposta aos planos da China de “impor controles de exportação para todos os tipos de produtos”, em um movimento descrito por Trump como “obviamente um plano elaborado há muitos anos”. Ele acrescentou que as tarifas adicionais podem ser impostas até antes do dia 1º de novembro, a depender das ações ou mudanças de postura adotadas pela China.

    “Ninguém nunca viu nada parecido, mas, essencialmente, isso ‘entupiria’ os mercados e tornaria a vida difícil para praticamente todos os países do mundo, especialmente para a China”, disse ele na publicação.

    Mais cedo, Trump havia dito que não via motivos para se encontrar com Xi Jinping. “Eu deveria me encontrar com o presidente Xi, na Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em português), na Coreia do Sul, mas agora parece não haver motivo para isso.”

    A Casa Branca e a embaixada chinesa em Washington não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

    Um porta-voz do representante de comércio dos EUA recusou-se a comentar, enquanto um porta-voz do Tesouro dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Os dois escritórios lideraram as negociações com Pequim sobre comércio.

    Em setembro, ao anunciar um acordo para manter o TikTok ativo nos EUA, Trump afirmou que pretendia se encontrar com o líder chinês para discutir comércio, drogas ilícitas e a guerra da Rússia na Ucrânia.

    No começo de outubro, o presidente americano voltou a falar do encontro e disse que a soja seria um dos principais tópicos da conversa com Xi Jinping. Pequim nunca confirmou publicamente a reunião entre os líderes.

    Na última quinta-feira (9), a China anunciou novas políticas de controle para a exportação de terras raras, tema crucial na disputa comercial envolvendo as potências. O novo movimento tem como objetivo aumentar o domínio chinês sobre a cadeia de produção de itens que utilizam os minerais raros oriundos do país asiático.

    Com o anúncio, que tem efeito imediato, o país quer restringir o uso para fins militares, proibir cooperação não autorizada entre nações estrangeiras e atingir a fabricação de chips de alta tecnologia.

    Na prática, a China cria um tipo de jurisdição extraterritorial ao exigir licença de exportação para produtos fabricados no exterior que utilizem terras raras de origem chinesa.

    Segundo o porta-voz do Ministério do Comércio, o objetivo principal é salvaguardar a segurança e os interesses da China.

    MERCADO REAGE MAL

    O ataque de Trump à China nesta sexta-feira teve um forte impacto nos preços das Bolsas americanas. O índice S&P 500, composto por ações de grandes empresas, fechou em queda de 2,71%.

    A Bolsa Dow Jones encerrou em queda de 1,90%, enquanto o Nasdaq, com forte presença de empresas de tecnologia, desvalorizou 3,56%. Na semana, os índices caíram 2,73%, 2,43%, e 2,53%, respectivamente.

    Os índices S&P 500 e Nasdaq registraram as maiores quedas percentuais desde 10 de abril.

    No mercado doméstico, o dólar disparou 2,39% e encerrou a semana cotado a R$ 5,503, patamar que não alcançava desde o último mês de agosto. A Bolsa, seguindo as demais praças acionárias globais, fechou em queda de 0,72%, a 140.680 pontos.

    O nervosismo dos investidores acompanhou tanto o embate do presidente dos Estados Unidos com a China quanto o temor sobre o equilíbrio das contas públicas do Brasil.

    Trump anuncia tarifa adicional de 100% sobre produtos da China a partir de 1º de novembro

  • Funcionária fantasma de Motta acumulou salário na Câmara com o de médica em prefeituras

    Funcionária fantasma de Motta acumulou salário na Câmara com o de médica em prefeituras

    Louise Figueiredo de Lacerda é médica nas prefeituras de João Pessoa e Alhandra (PB), cidade a 40 km da capital da Paraíba, e seguia registrada como secretária parlamentar do presidente da Câmara

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Uma funcionária fantasma mantida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a acumular outros dois empregos públicos com as funções que deveria exercer no gabinete, mesmo após a Folha de S.Paulo revelar em julho que ela cursava faculdade em período integral e que chegou a morar em outro estado enquanto estava contratada para atuar como assessora.

    Louise Figueiredo de Lacerda é médica nas prefeituras de João Pessoa e Alhandra (PB), cidade a 40 km da capital da Paraíba, e seguia registrada como secretária parlamentar do presidente da Câmara. A exoneração dela passou a constar do site da Câmara após Motta ser questionado pela Folha de S.Paulo.

    Em julho, a Folha de S.Paulo mostrou que Motta mantinha três funcionárias fantasmas em seu gabinete. Louise, que é filha de um aliado político do presidente da Câmara, era uma delas, a única que havia sido mantida mesmo após a reportagem.

    Na época, ela estudava medicina na Faculdade Nova Esperança, em João Pessoa. Desde então, Louise se formou e conseguiu dois empregos como médica, sem abrir mão do cargo no gabinete de Motta.

    Ela começou no gabinete de Motta em agosto de 2018 com um salário de R$ 2.800, além de R$ 1.800 em auxílio. Ao todo, recebeu cerca de R$ 240 mil para trabalhar para o deputado desde aquele ano até este mês.

    Desde agosto de 2025, Louise também é contratada pela Prefeitura de João Pessoa como médica, com salário de R$ 9.400 mensais. Ela recebeu o pagamento em agosto e setembro, enquanto manteve o cargo no gabinete de Motta.

    Não há informação sobre quanto ela recebe em Alhandra, onde foi contratada em 18 de setembro deste ano, de acordo com sistema do Ministério da Saúde. A sua carga horária lá é de 20 horas semanais.

    O cargo de secretária parlamentar tem jornada de 40 horas semanais e proibição de exercer outra função pública. Não há necessidade de bater o ponto com biometria na Câmara, e Louise é contratada para auxiliar o deputado no estado, na Paraíba, sem qualquer controle efetivo de jornada.

    Procurado na quarta-feira (8), Motta afirmou que Louise não fazia mais parte do seu gabinete. No site da Câmara, atualizado após o contato da reportagem, consta que ela trabalhou até terça (7). O ato de demissão ainda não foi publicado nos boletins administrativos da Câmara.

    Em julho, o presidente da Câmara disse, por meio de sua assessoria, que prezava pelo “cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara”.

    Louise disse nesta quinta (9) à reportagem que não está mais no gabinete de Motta “tem um tempinho”, mas afirmou não se lembrar o mês em que foi exonerada.

    Ela negou ainda ter um vínculo com a Prefeitura de Alhandra. Questionada sobre quando saiu de lá, disse que “não vinha ao caso”. No sistema do Ministério da Saúde consta que ela ainda está ativa. Hoje, seu único vínculo é com a Prefeitura de João Pessoa, afirmou.

    Em julho, ela desligou o telefone ao ser informada sobre o tema da ligação, não respondeu aos questionamentos da Folha de S.Paulo e bloqueou o número da reportagem no WhatsApp.

    A Prefeitura de João Pessoa informou que ela foi contratada em 31 de julho, “passando a atuar em uma Unidade de Saúde da Família a partir de agosto do mesmo ano, exercendo regularmente suas funções”.

    “No ato da assinatura do contrato, a médica declarou não possuir outro cargo público inacumulável”, acrescentou a gestão municipal.

    A Prefeitura de Alhandra não respondeu aos questionamentos da reportagem.
    Louise entrou no gabinete de Motta em agosto de 2018. Na época, cursava faculdade de farmácia. No ano seguinte, foi aprovada em uma faculdade de medicina e passou seis meses em Mossoró (RN), mesmo contratada para atuar no gabinete na Paraíba.

    No começo de 2020, conseguiu a transferência para uma instituição em João Pessoa, na qual se formou no início de julho. No período, ela ainda foi aprovada para ingressar num curso de extensão em outra faculdade da capital paraibana.

    Louise é filha do ex-vereador Marcílio Lacerda (Republicanos-PB), do município de Conceição (PB).

    Seu pai foi vereador por três mandatos em Conceição. Em 2024, ele se candidatou pelo Republicanos para a prefeitura da cidade. O tio, Nilson de Lacerda, foi prefeito de Conceição e é suplente de deputado estadual, também pelo Republicanos. O presidente da sigla no estado é Motta.

    Há três semanas, Nilson postou em seu perfil no Instagram uma mensagem de parabéns a Motta pelo seu aniversário. Nela, ele diz que o presidente da Câmara é “um grande amigo que me inspira com atitudes, motiva com palavras e ensina com o exemplo”.

    As outras duas funcionárias fantasmas demitidas após reportagem da Folha de S.paulo acumulavam trabalhos.

    Gabriela Pagidis é fisioterapeuta e atendia em duas clínicas particulares em Brasília. Já Monique Magno acumulava o cargo de secretária parlamentar com o de assistente social na Prefeitura de João Pessoa.

    Além desses três casos, a Folha de S.Paulo revelou que Motta emprega em seu gabinete o caseiro de sua fazenda em Serraria (PB), cidade de 6.000 habitantes a 131 km de João Pessoa e a 225 km de Patos (PB), sua base eleitoral.

    O Metrópoles revelou que a chefe de gabinete de Motta, Ivanadja Velloso, tem procurações para movimentar a conta corrente de diversos funcionários do gabinete do parlamentar. O presidente da Câmara tem se recusado a responder sobre o caso a jornalistas.

    Funcionária fantasma de Motta acumulou salário na Câmara com o de médica em prefeituras

  • Dólar dispara 2% com mercado atento a risco fiscal e fim da guerra entre Israel e Hamas

    Dólar dispara 2% com mercado atento a risco fiscal e fim da guerra entre Israel e Hamas

    Governo Lula anunciou novo modelo de crédito imobiliário, que pode aumentar popularidade do presidente; Trump diz não ver razão para se encontrar com Xi Jinping e avalia ‘aumento massivo’ em tarifas

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em forte disparada nesta sexta-feira (10), com investidores temerosos sobre o equilíbrio das contas públicas no país.

    A manhã contou com o lançamento do novo crédito imobiliário do governo federal, considerado estratégico para aumentar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas das eleições de 2026.

    A medida segue a esteira da derrubada da MP dos Impostos no Congresso Nacional, e o mercado, pesando a possibilidade de aumento de gastos por parte do Executivo e a de uma reeleição, vê riscos para os ativos brasileiros e busca proteção no dólar.

    Na ponta internacional, o fim da guerra entre Israel e Hamas e o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, também influenciam nas cotações.

    Às 13h51, a moeda disparava 2,11%, cotada a R$ 5,488. No pico da sessão, chegou a 5,495. Já a Bolsa marcava queda de 0,98%, a 140.318 pontos.

    O novo modelo de crédito imobiliário, antecipado pela Folha e divulgado pelo governo federal nesta sexta-feira, prevê a liberação total dos depósitos compulsórios da poupança para ampliar o acesso da classe média à casa própria pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).

    As novas regras devem injetar, de forma imediata, pelo menos R$ 20 bilhões em recursos para a contratação de financiamentos para a compra da casa própria. O desenho ainda aumenta o valor máximo dos imóveis financiados por meio do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que permite o uso do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para a compra da casa própria. Desde 2018, esse teto é de R$ 1,5 milhão, e agora é de R$ 2,25 milhões.

    A Caixa, além disso, volta a financiar até 80% do valor da casa própria no sistema de amortização SAC (Sistema de Amortização Constante), no qual as parcelas são maiores no início e menores no fim, por causa da diminuição progressiva dos juros.

    O novo modelo deverá ter “plena vigência” a partir de janeiro de 2027.

    As mudanças são vistas como uma forma de alavancar a popularidade do governo Lula antes das eleições de 2026. Como divulgado pela pesquisa Genial/Quaest na véspera, o presidente mantém a liderança nas simulações de primeiro e segundo turno para o próximo ano.

    “Estamos a 12 meses da eleição, e ainda há muito o que acontecer até lá. Os investidores tendem a reagir positivamente quando há, digamos, notícias que mostram fraqueza do governo atual. O mercado acredita que uma mudança de governo pode levar a uma gestão mais responsável fiscalmente”, diz Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

    Com as medidas possivelmente colaborando para a popularidade do presidente, o sentimento é reverso -e investidores preferem fugir do risco de investir em ativos brasileiros.

    “O volume de negociações está um pouco maior que o normal por conta da tensão fiscal, mas dentro do esperado para um momento como esse”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

    Na análise de André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, o novo desenho injeta estímulos que podem aquecer a economia a um nível que o mercado não precificava até então.

    “Apesar da taxa Selic em 15%, o mercado imobiliário pode manter um ritmo de crescimento da economia num patamar talvez um pouco mais forte do que o precificado. Com consequência, as taxas de juros futuras sobem neste momento, talvez até precificando uma taxa Selic alta por um período mais prolongado”, afirma.

    O novo crédito imobiliário segue a esteira da derrubada da MP (medida provisória) dos Impostos na Câmara dos Deputados na quarta-feira, uma medida que o governo considerava importante para sustentar a arrecadação e reduzir despesas obrigatórias em ano eleitoral.

    A derrubada da medida deve causar um bloqueio nas despesas de 2025, incluindo emendas parlamentares, e obrigar um ajuste de R$ 35 bilhões no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2026. Para governistas, esse era justamente o objetivo de partidos do centrão e da bancada ruralista: restringir o espaço fiscal de Lula no ano em que ele deve buscar a reeleição.

    Ao retirar do horizonte uma fonte de arrecadação para os próximos anos, o Congresso torna mais desafiadora a tarefa do governo de cumprir as metas estabelecidas pelo arcabouço fiscal.

    Isso, “somado à percepção de que os gastos públicos continuam aumentando às vésperas das eleições, faz com que o real fique pressionado perante moedas mais seguras”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    “A questão fiscal saiu da pauta recentemente, e o real estava se fortalecendo apoiado no diferencial de juros [entre Brasil e EUA] e na expectativa de enfraquecimento global do dólar. Mas não dá para ignorar o endividamento brasileiro por muito mais tempo.”

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já afirmou que apresentará “várias alternativas” ao presidente.

    Ao mesmo tempo, o fim da guerra entre Israel e Hamas derruba os preços do petróleo no mercado internacional, fortalecendo o dólar ante moedas de países de forte exportação da commodity, como o Brasil.

    O barril do Brent, referência global de preços, caía 1,75%, cotado a US$ 64,08 na Bolsa de Londres.

    “Essa queda também reforça a pressão sobre moedas de países considerados menos seguros”, diz Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

    Além disso, o mercado também avalia os dados da confiança do consumidor dos Estados Unidos. A Pesquisa de Consumidores da Universidade de Michigan mostrou que o índice pouco se alterou, ficando em 55,0 este mês em relação a uma leitura final de 55,1 em setembro. Economistas consultados pela Reuters projetavam que o índice cairia para 54,2.

    O relatório mostrou estabilidade em outubro, com as famílias parecendo não se importar com a paralisação parcial do governo, embora as preocupações com o mercado de trabalho e a inflação continuem.

    Dólar dispara 2% com mercado atento a risco fiscal e fim da guerra entre Israel e Hamas

  • Tagliaferro tem circulação liberada por Justiça, mas não pode deixar Itália

    Tagliaferro tem circulação liberada por Justiça, mas não pode deixar Itália

    Com decisão da Justiça italiana, Tagliaferro fica livre para circular apenas no país europeu; ex-assessor de Moraes teve que entregar o passaporte a autoridades no último dia 1º

    SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Justiça italiana revogou a medida cautelar que impedia a circulação de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro do STF Alexandre de Moraes, pelo país. Porém, ele continua impedido de deixar a Itália.

    Com a decisão, Tagliaferro está livre para circular pelo território italiano. A informação foi divulgada pelo advogado Eduardo Kuntz nas redes sociais e confirmada pelo UOL por meio do documento.

    A Justiça do país europeu determinou ainda que seja emitido um novo documento de identificação para Tagliaferro. O objetivo da medida é que ele seja usado pelo réu apenas para viagens dentro do país e não ao exterior.

    O ex-assessor de Moraes teve que entregar o passaporte a autoridades no último dia 1º. A medida foi solicitada pelo ministro da Justiça italiano para evitar a fuga do brasileiro no país europeu.

    Tagliaferro estava proibido de sair da região onde mora sem autorização judicial. A restrição foi determinada por um colegiado formado por três desembargadores italianos.

    A prisão do ex-assessor chegou a ser solicitada, mas não foi concedida. O pedido foi feito pelo ministro da Justiça da Itália.

    “Esse é o primeiro passo para demonstrar que o processo de extradição é completamente viciado, desnecessário e visa, única e exclusivamente, a perseguição do senhor Eduardo Tagliaferro”, afirmou Eduardo Kuntz, advogado de Tagliaferro.

    O ministro Alexandre de Moraes pediu a extradição dele em agosto, mas, como não foi condenado pela Justiça brasileira, Tagliaferro não estaria sujeito à prisão na Itália para ser extraditado, como ocorreu com a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

    Moraes também determinou a prisão de Tagliaferro em 31 de julho. A medida foi levada em consideração também pela Justiça italiana, ao decidir pelas cautelares contra o ex-assessor.

    Tagliaferro foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) após o pedido de extradição. O pedido de prisão tem relação com o risco de ele tentar escapar da ação penal no Brasil, e não somente com a extradição. Ele teria vazado informações sigilosas e tentado prejudicar as investigações envolvendo os atos golpistas de 2023.

    Tagliaferro tem circulação liberada por Justiça, mas não pode deixar Itália

  • Trump ameaça China com aumento em tarifas e diz não ter motivos para se reunir com Xi Jinping

    Trump ameaça China com aumento em tarifas e diz não ter motivos para se reunir com Xi Jinping

    Nas redes sociais, Donald Trump disse que “parece não haver razão” para se reunir com o líder chinês, Xi Jinping; o ataque do presidente teve um impacto imediato nos preços das ações americanas

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (10) que não há motivo para se reunir com o líder da China, Xi Jinping, em duas semanas na Coreia do Sul, e que avalia um “aumento massivo” nas tarifas de produtos chineses.

    Trump disse, em publicação na plataforma Truth Social, que a China tem enviado cartas a países do mundo todo dizendo que planeja impor controles de exportação sobre todos os elementos de produção relacionados às terras raras.

    “Ninguém nunca viu nada parecido, mas, essencialmente, isso ‘entupiria’ os mercados e tornaria a vida difícil para praticamente todos os países do mundo, especialmente para a China”, disse ele na publicação.

    Em setembro, ao anunciar um acordo para manter o TikTok ativo nos EUA, Trump afirmou que pretendia se encontrar com o líder chinês na Coreia do Sul para discutir comércio, drogas ilícitas e a guerra da Rússia na Ucrânia.

    Era esperado que a reunião acontecesse na cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em português) no final de outubro.

    Nesta sexta, Trump afirmou que não há motivo para encontrar o líder chinês. “Eu deveria me encontrar com o presidente Xi em duas semanas, na Apec, na Coreia do Sul, mas agora parece não haver motivo para isso”, afirmou em seu post.

    Na última quinta-feira (9), a China anunciou novas políticas de controle para a exportação de terras raras, tema crucial na disputa comercial envolvendo as potências. O novo movimento tem como objetivo aumentar o domínio chinês sobre a cadeia de produção de itens que utilizem os minerais raros oriundos do país asiático.

    Com o anúncio, que tem efeito imediato, o país quer restringir o uso para fins militares, proibir cooperação não autorizada entre nações estrangeiras e atingir a fabricação de chips de alta tecnologia.

    Na prática, a China cria um tipo de jurisdição extraterritorial ao exigir licença de exportação para produtos fabricados no exterior que utilizem terras raras de origem chinesa.

    Segundo o porta-voz do Ministério do Comércio, o objetivo principal é salvaguardar a segurança e os interesses da China.

    MERCADO REAGE MAL

    O ataque de Trump nesta sexta-feira teve um impacto imediato nos preços das ações americanas, com o índice de referência S&P 500 .SPX caindo 2% após sua publicação nas redes sociais.

    As declarações levaram os investidores para o refúgio seguro dos títulos do Tesouro dos EUA, reduzindo os rendimentos desses ativos, bem como para o ouro. O dólar americano enfraqueceu frente a uma cesta de moedas estrangeiras.

    Os contratos futuros da soja negociados na bolsa de Chicago despencaram, caindo US$ 0,1825, para US$ 10,04 o bushel, por volta das 13h20 (horário de Brasília).

    A Casa Branca e a embaixada chinesa em Washington não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

    Um porta-voz do representante de comércio dos EUA recusou-se a comentar, enquanto um porta-voz do Tesouro dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Os dois escritórios lideraram as negociações com Pequim sobre comércio.

    Trump ameaça China com aumento em tarifas e diz não ter motivos para se reunir com Xi Jinping

  • Nunca deveria ter sido truncada, diz Lula sobre relação com Trump

    Nunca deveria ter sido truncada, diz Lula sobre relação com Trump

    “Nunca tratei presidente de outro país ideologicamente. Quem tem que tratar ideologicamente é o povo que o elegeu, eu não”, disse Lula

    Ao comentar sobre a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (10) que o Brasil e o país norte-americano estabeleceram uma relação que nunca deveria ter sido truncada.

    “Comecei a conversar com o Trump dizendo assim: estou completando 80 anos de idade e você vai completar 80 anos no dia 14 de junho do ano que vem. Ele é oito meses mais novo que eu, portanto, tenho idade pra falar mais grosso com ele”, brincou Lula.

    “Disse para o Trump: nós dois, com 80 anos, governamos as duas maiores democracias do Ocidente. A gente não pode passar discórdia, desavença para o restante do mundo. Precisamos passar harmonia, precisamos conversar. Tem divergência? Tem. Vamos colocar na mesa, sentar e conversar’. Não tem tema proibido pra conversar comigo.” 

    Durante a cerimônia de lançamento do novo modelo de crédito imobiliário, em São Paulo, o presidente avaliou que as divergências entre os dois países devem ser tratadas com democracia e respeito.

    “Nunca tratei presidente de outro país ideologicamente. Quem tem que tratar ideologicamente é o povo que o elegeu, eu não. Eu tenho que tratar com respeito alguém que foi eleito e ele tem que tratar com respeito alguém que foi eleito e fim de papo”, disse. “Gosto de conviver com desavenças, tratando democraticamente”, completou.

    “O Brasil não tem interesse de brigar com os Estados Unidos. Não quero brigar com a Bolívia, não quero brigar com o Uruguai, por que eu vou brigar com os Estados Unidos? Se a gente ganhar, o que a gente vai fazer? É melhor não brigar. É melhor fazer sentar numa mesa, conversar um pouquinho, assinar uns documentos e tudo fica bem.”

    Lula citou ainda que o Brasil não deve depender “de um país ou do humor de um presidente de outro país”. “Essa relação é importante porque, no mundo, ninguém respeita quem não se respeita. Se você acha que lamber botas te ajuda, vai cair do cavalo. As pessoas respeitam quando percebem que você tem autoridade moral, tem caráter”, concluiu.

    Nunca deveria ter sido truncada, diz Lula sobre relação com Trump

  • INSS proíbe Banco Master de conceder consignado a aposentados e pensionistas

    INSS proíbe Banco Master de conceder consignado a aposentados e pensionistas

    Segundo o INSS, entre os elementos considerados para a proibição estão o volume expressivo de reclamações em bases oficiais e públicas contra o banco

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) decidiu não renovar o ACT (Acordo de Cooperação Técnica) que autorizava o Banco Master a oferecer crédito consignado a aposentados e pensionistas. Com o término da vigência no último dia 18, a instituição deixa de estar credenciada para iniciar novas operações da modalidade nos sistemas do INSS.

    Segundo o instituto, a decisão, de caráter preventivo, decorre de análise técnica e jurídica e seguirá válida até a conclusão das apurações em andamento ou até que a instituição financeira comprove, de forma objetiva, o atendimento integral à legislação e aos regulamentos que regulam o crédito consignado.

    O INSS diz que já solicitou para a Dataprev a retirada dos acessos do banco aos ambientes operacionais do consignado.

    A reportagem procurou o Banco Master, que não respondeu até a publicação deste texto.

    Segundo o INSS, entre os elementos considerados para a proibição estão o volume expressivo de reclamações em bases oficiais e públicas -com relatos de dificuldades para cancelamento, cobranças indevidas e operações não reconhecidas.

    A autarquia também diz que há indícios de descompasso entre práticas adotadas e parâmetros normativos, que incluem exigências de autorização expressa, autenticação biométrica, guarda adequada de documentos e responsabilidade da instituição pela atuação de correspondentes bancários.

    O credenciamento das demais instituições financeiras segue normalmente, desde que todas as regras sobre o serviço sejam respeitadas. O INSS diz que a medida não altera os canais de atendimento ao cidadão nem os procedimentos de orientação sobre crédito consignado.

    “O credenciamento do Banco Master S.A. poderá ser reavaliado após a conclusão das apurações mencionadas e a apresentação de comprovação de conformidade integral às normas aplicáveis”, afirma, em nota, o INSS.

    O QUE É O CONSIGNADO DO INSS

    O crédito consignado é um empréstimo no qual a parcela é descontada diretamente da aposentadoria ou pensão. Como o risco de calote é praticamente zero, os juros são os menores do mercado.

    As regras são controladas pelo CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social).

    INSS proíbe Banco Master de conceder consignado a aposentados e pensionistas

  • Teto de imóvel com uso do FGTS sobe para R$ 2,25 milhões

    Teto de imóvel com uso do FGTS sobe para R$ 2,25 milhões

    A partir de 2027, está prevista uma liberação anual adicional de 1,5 ponto percentual, até que a fatia total dos 20% compulsórios esteja disponível ao setor em dez anos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta sexta-feira (10), em São Paulo, o novo modelo de crédito imobiliário que promete aproximar a classe média da casa própria.

    A medida, desenhada para modernizar o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), tem como foco tornar o uso da poupança mais eficiente, liberar recursos hoje parados no Banco Central e ampliar a oferta de financiamentos para a casa própria.

    O novo modelo de financiamento de crédito imobiliário viabiliza R$ 111 bilhões de recursos no primeiro ano, tornando disponíveis R$ 52,4 bilhões a mais, em relação ao modelo atual, para financiamento habitacional nesse período, dos quais R$ 36,9 bilhões de forma imediata.

    O ponto central é a liberação total dos depósitos compulsórios da poupança em um prazo de dez anos. Atualmente, 20% dos valores depositados nas cadernetas ficam retidos no Banco Central e não podem ser usados pelos bancos para crédito.

    A liberação dos recursos será escalonada, mas com um impacto imediato: 5% do compulsório foi destravado, injetando pelo menos R$ 20 bilhões no mercado -valor que pode chegar a R$ 25 bilhões, considerando a adesão da Caixa Econômica Federal, líder no segmento imobiliário. Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, até o final de 2026 a Caixa poderá financiar 80 mil unidades a mais para a classe média graças à nova regra.

    A partir de 2027, está prevista uma liberação anual adicional de 1,5 ponto percentual, até que a fatia total dos 20% compulsórios esteja disponível ao setor em dez anos.

    Até então, os bancos estão obrigados a direcionar parte dos recursos da poupança ao crédito imobiliário. Essa trava desaparece. O dinheiro da caderneta fica agora sem carimbo, mas com condicionantes: para ter acesso livre aos recursos, as instituições terão de comprovar que concederam financiamentos habitacionais equivalentes.

    A estratégia pretende incentivar o uso de instrumentos de mercado, como a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), para financiar os empréstimos. Na prática, cada R$ 100 emprestados em crédito imobiliário destrava R$ 100 da poupança para aplicação livre, com ganhos revertidos na manutenção de juros mais baixos para os mutuários.

    O governo quer garantir que o crédito irrigue prioritariamente o SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que tem teto de juros de 12% ao ano. Agora, 80% dos valores liberados -incluindo o compulsório- irão para o SFH, e 20% para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que opera com taxas de mercado.

    Segundo o Banco Central, como regra geral, uma operação de crédito imobiliário com prazo de 30 anos ou mais poderá ser computada para fins de atendimento do direcionamento por cinco anos, sendo reduzido esse período de forma proporcional para operações com prazos inferiores.

    Para incentivar a concessão de crédito à classe média baixa, os prazos para uso flexível da poupança serão escalonados conforme o valor do imóvel:

    – Sete anos para financiamentos de até R$ 1 milhão (SFH)
    – Seis anos para imóveis de R$ 1 milhão a R$ 2,25 milhões (SFH)
    – Cinco anos para operações fora do SFH, acima de R$ 2,25 milhões

    O modelo foi desenvolvido pelo Banco Central em parceria com o Ministério das Cidades e com o Ministério da Fazenda, além da Caixa.

    Para o Ministério das Cidades, o novo modelo aumenta a competição, pois incorpora os depósitos interfinanceiros imobiliários ao direcionamento, o que permite que instituições que não captam poupança também concedam crédito habitacional em condições equivalentes às demais.

    “Essa medida atende a uma faixa da população que estava sem acesso a crédito habitacional. Hoje, as famílias nas faixas de renda 1, 2, 3 e 4, que vão até R$ 12 mil, são atendidas pelo Minha Casa Minha Vida. Acima disso, as pessoas estavam sem alternativas. A não ser que ganhem muito bem para suportar juros de mercado”, disse Jader Filho.

    Para Bruno Amatuzzi, sócio do escritório Amatuzzi advogados, não há uma certeza de que esse ajuste resultará em redução de custos do financiamento aos adquirentes. “Mas ele sem dúvida contribui para aumentar a oferta de crédito no mercado, pois traz flexibilidade aos bancos”, diz o especialista investimentos imobiliários.

    “Considerando o nível atual da taxa Selic, o problema de base persiste. A poupança, principal vetor de captação de recursos do SBPE, não é atualmente uma alternativa atraente de investimento, então a sua participação no funding do crédito imobiliário vinha decrescendo com o tempo, enquanto instrumentos como LCI e CRI vinham crescendo na composição total -especialmente após flexibilizações do prazo de carência da LCI ocorridas no último ano”, afirma Amatuzzi.

    TETO PARA USAR O FGTS SOBE PARA R$ 2,25 MILHÕES

    O pacote de mudanças também inclui o reajuste do teto do SFH, que permite o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na compra do imóvel. O valor, congelado desde 2018 em R$ 1,5 milhão, passa para R$ 2,25 milhões, adequando-se ao aumento dos preços dos imóveis.

    A Caixa deve liderar a adesão ao novo modelo, que será testado até o fim de 2026. O funcionamento pleno está previsto para 2027, caso o desenho se mostre eficiente para expandir a oferta de crédito e reduzir custos.

    A norma editada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) estabelece ainda que os mutuários de financiamentos de imóveis avaliados até o novo teto utilizem os recursos de suas contas vinculadas do FGTS para redução do valor financiado, pagamento de prestações ou amortização extraordinária das operações.

    O presidente Lula disse para os brasileiros aguardarem, pois mais mudanças em relação à habitação serão anunciadas ao longo dos próximos meses do final do seu mandato.

    Jader Filho já anunciou que o teto das faixas 1 e 2 do Minha Casa Minha Vida serão ampliados nas próximas semanas em alguns municípios, para que a população consiga adquirir imóveis pelo programa federal. Em 2026, o governo pretende mexer também na faixa de renda mínima para as famílias acessarem o Minha Casa Minha Vida.

    O lançamento do novo crédito imobiliário contou ainda com a presença e falas do vice-presidente, Geraldo Alckmin, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Jader Filho (Cidades), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do presidente da Caixa, Carlos Vieira, do presidente da Abrainc (associação de incorporadoras) e do presidente da Cbic, Renato Correia. E foi acompanho pelo presidente da Febraban, Issac Sidney, o presidente do Secovi-SP, Rodrigo Luna, o político Eduardo Suplicy e o deputado federal Guilherme Boulos.

    “Essas mudanças mudam o cenário da habitação no Brasil. Hoje é um dia que a população se aproxima do sonho da casa própria. O que foi feito com o FGTS, junto com o novo crédito imobiliário, vai garantir acesso à moradia digna e de qualidade aos estratos mais carentes da população” afirmou Correia.

    Teto de imóvel com uso do FGTS sobe para R$ 2,25 milhões