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  • Preço de veículos usados desacelera para alta de 0,55% em fevereiro, aponta IBV Auto

    Preço de veículos usados desacelera para alta de 0,55% em fevereiro, aponta IBV Auto

    No acumulado em 12 meses concluídos em fevereiro, o índice avançou 6,60%, o nível mais elevado nesta métrica desde março de 2023

    Os preços de automóveis leves usados desaceleraram em fevereiro no País. O IBV Auto, produzido pelo banco BV, registrou alta de 0,55% no segundo mês de 2026 após expansão de 0,90% em janeiro, quando havia alcançando a maior variação para o mês em seis anos. No entanto, no acumulado em 12 meses concluídos em fevereiro, o índice avançou 6,60%, o nível mais elevado nesta métrica desde março de 2023, conforme relatório antecipado ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Segundo o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, o indicador mostra uma persistente alta, sugerindo força, resiliência e um possível reaquecimento econômico.

    A despeito de a inflação de automóveis em fevereiro ter sido mais branda na comparação com o mês anterior, a taxa acumulada em 12 meses corrobora a avaliação de um cenário em franca expansão, diz.

    “Mais do que apenas pela alta da inflação do automóvel usado, chama a atenção o ritmo de aceleração, já que o registrado até dezembro foi de 5,31%”, afirma Padovani.

    Ele alerta que se outros indicadores de atividade no Brasil confirmarem um quadro de reaquecimento econômico, requererá atenção por parte do Banco Central.

    Essa vigilância ocorreria num momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC está prestes a iniciar o processo de queda da taxa Selic. A expectativa no mercado é que o ciclo de baixa na taxa Selic, que está em 15,00% ao ano, comece neste mês.

    De acordo com o Índice BV Auto, o veículo que mais contribuiu para a alta dos preços em fevereiro foi o Chevrolet Onix, com 2,06%. Na contramão, o que registrou a queda mais significativa foi de 3,30%, da Hilux SW4.

    Fora da sazonalidade

    Os dados do IBV do primeiro bimestre contrariam a sazonalidade, mesmo no momento de juros elevados, quando costumeiramente as vendas de veículos usados são mais moderadas no período em relação aos demais meses do ano.

    Outro ponto destacado pelo banco é que em uma conjuntura em que os preços dos automóveis zero quilômetro estão pressionados, é esperado que parte dos compradores migre para o mercado de usados, em um movimento que contribui para o fortalecimento dessa dinâmica.

    “A maior alta de preços para fevereiro desde 2022, somada ao avanço em janeiro, reforça o aquecimento do mercado de veículos usados neste início de ano”, afirma a nota.

    Regiões

    Por região, o Centro-Oeste foi a que apresentou a maior inflação de veículos usados entre janeiro e fevereiro, de 0,77%. A alta foi influenciada principalmente pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    Houve avanço generalizado do IBV Auto em fevereiro ante janeiro de 2026 pelos Estados brasileiros, com destaque para a alta de 1,19% mensurada no Amazonas, enquanto a menor foi apurada em Rondônia, com elevação de 0,06%.

    Em 12 meses, terminados em fevereiro deste ano, as três maiores variações foram de 7,67% (Rondônia) e de 7,63% (Amazonas), além de 7,49% (Tocantins). A menor, por sua vez, foi no Espírito Santo, de 4,46% (0,21% na margem).

    Preço de veículos usados desacelera para alta de 0,55% em fevereiro, aponta IBV Auto

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  • Toffoli diz que quebras de sigilo de Vorcaro só chegaram ao STF após ele deixar caso Master

    Toffoli diz que quebras de sigilo de Vorcaro só chegaram ao STF após ele deixar caso Master

    O ministro do STF afirmou que, enquanto estava à frente das investigações, deferiu todas as medidas pedidas pela PGR e pela Polícia Federal

    O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta sexta-feira, 6, um histórico das investigações sobre o Banco Master para demonstrar que ele não se omitiu enquanto era relator do caso do caso. Depois das prisões determinadas por André Mendonça e das revelações de diálogos de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, Toffoli passou a ser alvo de críticas de parlamentares e da imprensa.

    Na nota, o ministro explica que, em 5 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) avocou um caso que estava em curso em São Paulo e deferiu parcialmente pedidos feitos pela Polícia Federal, com exceção da prisão de Daniel Vorcaro. Para a PGR, apenas a manutenção das medidas cautelares seriam suficientes.

    Toffoli afirma que em 6 de janeiro deferiu “centenas de pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de todos os investigados, buscas e apreensões de bens, prisão temporária de Fabiano Zettel e o sequestro e bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em bens”, a pedido da PGR.

    A operação foi realizada em 14 de janeiro. “Até o dia 12 de fevereiro, data em que deixei a relatoria do caso, nenhum material havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”, diz Toffoli na nota.

    O ministro acrescentou que, enquanto estava à frente das investigações, deferiu todas as medidas pedidas pela PGR e pela Polícia Federal. “As investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos e nenhum pedido de nulidade foi deferido”, concluiu o ministro.

    Toffoli explicou também que foi escolhido para a relatoria por sorteio em 28 de novembro de 2025 e, em 15 de dezembro, determinou diligências – entre elas, o depoimentos de investigados.

    Toffoli diz que quebras de sigilo de Vorcaro só chegaram ao STF após ele deixar caso Master

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  • Defesa pede que STF apure vazamento de mensagens íntimas de Vorcaro

    Defesa pede que STF apure vazamento de mensagens íntimas de Vorcaro

    Advogados afirmam que nem eles tiveram acesso ao material: “que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos”, disse a defesa do banqueiro

    A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que instaure investigação para apurar o vazamento de informações extraídas do celular dele, principalmente conversas íntimas e “supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes”. 

    Em nota, a defesa afirma que as conversas estão sendo divulgadas para os mais diversos meios de comunicação, “talvez editadas e tiradas de contexto”. Os advogados afirmam que nem mesmo eles tiveram acesso ao material que tem sido publicado pela imprensa. 

    “[Requeremos] que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos”, disse a defesa do banqueiro. 

     

    Segundo eles, o objetivo não é investigar os jornalistas que receberam as informações, mas apurar a responsabilidade de quem tinha o dever legal de custodiar o material, que ainda se encontra sob sigilo judicial. 

    Autoridades

    Entre as conversas divulgadas pela imprensa estão trocas de mensagens entre o banqueiro e Alexandre de Moraes. Prints da troca de mensagens atribuída aos dois foram publicados pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (6). 

    Ao jornal, Moraes negou ter recebido as mensagens. “O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, diz o comunicado. 

    Em conversas que teria mantido com sua ex-namorada, Martha Graeff, Vorcaro relata ainda um aparente contato próximo com parlamentares, políticos e autoridades do Judiciário, com quem diz ter discutido questões relativas ao Master, incluindo a tentativa de vender o banco para o Banco Regional de Brasília (BRB). 

    De acordo com a defesa de Vorcaro, o espelhamento dos dados dos aparelhos do banqueiro foi entregue à defesa em 3 de março. “O HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.”

    “Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõem pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos”, completa a defesa. 

    Histórico

    Daniel Vorcaro foi preso novamente na quarta-feira (4) de manhã pela Polícia Federal, na terceira fase da Operação Compliance Zero. 

    No ano passado, o empresário também foi alvo de um mandado de prisão da operação, mas ganhou direito à liberdade provisória, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

    A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. Nas mensagens, Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.

    A Compliance Zero apura fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores.

    Defesa pede que STF apure vazamento de mensagens íntimas de Vorcaro

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  • Toffoli deve votar em julgamento sobre prisão de Vorcaro

    Toffoli deve votar em julgamento sobre prisão de Vorcaro

    Sessão virtual da Segunda Turma começa na próxima sexta-feira (13); relatoria passou para Mendonça no início de fevereiro; ministros evitam comentar tema

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve participar do julgamento da manutenção da prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em sessão virtual da Segunda Turma, conforme ele próprio tem dito a interlocutores. Assim, ele deve seguir atuando no caso sempre que houver análise colegiada do processo.

    Na corte, os ministros têm evitado comentar o tema. A avaliação mais comum é a de que uma retirada do caso também nos julgamentos colegiados é de foro íntimo e caberia apenas a Toffoli definir a questão.

    O momento será o primeiro no qual o magistrado deve atuar novamente no caso do qual foi relator até ser substituído por André Mendonça, em 12 de fevereiro.

    Um magistrado afirma, sob reserva, que na próxima semana a questão talvez seja abordada. A sessão virtual terá início na próxima sexta (13).

    Toffoli deixou a relatoria do caso após uma reunião fechada de mais de duas horas com os demais colegas do STF. A pressão para ele se afastar aumentou principalmente depois que a Folha de S.Paulo revelou conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro. A decisão ocorreu após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatóro mostrando uma troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.

    Mendonça foi escolhido relator por sorteio, que deixou de fora apenas o próprio Toffoli e o presidente do tribunal, Edson Fachin.

    Desde então, discutiu-se a continuidade do ministro à frente do caso e a participação dele nos atos seguintes da tramitação dos processos ligados ao caso.

    Uma possibilidade era a de Toffoli se abster de votar, o que perdeu força com a indicação do próprio ministro de que pretende registrar sua posição.

    Ao votar nesta etapa, o ministro consolida seu retorno ao caso e reforça o argumento dado inclusive aos colegas de que jamais teve amizade com Vorcaro ou recebeu valores. Em nota, ele também disse fazer parte do quadro societário da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá.

    Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como revelou a Folha de S.Paulo, os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo Arleen. Ele afirma, no entanto, que nunca soube quem era o gestor do fundo Arleen.

    Na reunião que decidiu sobre a substituição na relatoria, o magistrado ouviu apelos para que se afastasse do caso em nome da preservação do tribunal. Toffoli se defendeu e disse não haver razões para deixar o caso.

    No entendimento da maior parte dos ministros, agora, o tema já foi sanado após o encontro no qual a corte decidiu manter as provas do caso e divulgar uma carta conjunta em defesa de Toffoli, na qual afirmaram “não ser caso de cabimento para arguição de suspeição”.

    A Segunda Turma, colegiado no qual o caso tramitará, é formada por Mendonça, Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e presidida por Gilmar Mendes. Esses magistrados ainda não discutiram o tema entre si.

    Mendonça passou a semana na Alemanha, para onde viajou para um congresso do qual participou na segunda (2) e onde permaneceu para não perder sessões do STF ou do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) -a viagem é de 12 horas, o que impediria o comparecimento em alguma delas. Seu retorno para o Brasil está previsto para esta sexta (6). O ministro decretou a prisão preventiva de Vorcaro na terça (3).

    Interlocutores do relator contam que o ministro considera que Toffoli poderia se afastar do caso, mas que ele não tratou do tema nem pretende levar isso adiante.

    Eventual declaração de impedimento é objetiva, ou seja, demanda a inclusão da indicação do enquadramento de um dos incisos legais. O impedimento ocorre quando o magistrado tem parentesco ou atuação prévia no caso, por exemplo. Já a suspeição é mais subjetiva e envolve relações próximas.

    Toffoli deve votar em julgamento sobre prisão de Vorcaro

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  • INSS retém R$ 118 milhões do PicPay por cobrança indevida em adiantamento a aposentados

    INSS retém R$ 118 milhões do PicPay por cobrança indevida em adiantamento a aposentados

    Órgão federal detectou que contratos de consignados não eram informados pelo BMG, que afirma ter aprimorado atuação, e multou Agibank, que diz ter retomado operações; banco dos donos da JBS diz que não se tratava de empréstimos e que não havia custo ou taxa

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) reteve R$ 118 milhões relacionados a adiantamentos a aposentados e pensionistas feitos pelo PicPay, banco digital dos donos da JBS, em razão de cobranças ilegais de taxas que chegavam a R$ 45, o equivalente a 10% do valor máximo autorizado para os repasses.

    A informação foi confirmada à reportagem pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Em maio de 2025, em um dos primeiros atos no cargo, Waller Júnior suspendeu o programa Meu INSS Vale+, que permitia os adiantamentos, em razão da identificação de irregularidades na cobrança de taxas.

    O programa foi lançado no fim de 2024 pelo governo Lula (PT), era operado pelo PicPay e permitia a aposentados, pensionistas e beneficiários permanentes do INSS acessarem um adiantamento de R$ 150, com pagamento no mês seguinte, sem juros nem taxas. O valor foi reajustado depois para R$ 450.

    “Não havia previsão de taxa de juros nem de consignação, porque não estava na lei”, disse o presidente do INSS. “Mas uma taxa era cobrada, podendo chegar a R$ 45, que equivalia a 10% do valor [máximo do adiantamento]. Se um aposentado pega no dia 10 e já é descontado no dia 28, existe uma taxa de juros de 10% para um período de 18 dias.”

    Os R$ 118 milhões retidos e não repassados ao PicPay equivalem ao total do valor emprestado mais as taxas aplicadas, e continuam bloqueados, conforme o INSS.

    Em nota, o PicPay afirmou que existia uma taxa de operação somente nos casos em que o cliente optava pela antecipação diretamente na conta corrente.

    “O Meu INSS Vale+ se tratava de uma antecipação opcional de parte do benefício. Funcionava no modelo do antigo vale ou adiantamento salarial. Não havia custo algum ou taxa e não se tratava de empréstimo. O valor era creditado em um cartão para uso do beneficiário sem qualquer cobrança”, disse a assessoria do banco.

    Waller Júnior é procurador federal e assumiu a presidência do INSS após a crise desencadeada pela descoberta do esquema de descontos indevidos de aposentadorias e pensões, feitos por associações que cadastravam aposentados. A fraude envolve o ex-presidente da autarquia Alessandro Stefanutto, segundo a PF. Ele foi preso em novembro por suspeita de participação no esquema.

    Desde maio, o presidente do INSS adota medidas relacionadas ao combate a taxas e descontos indevidos nos pagamentos a segurados.

    O Vale+, operado pelo PicPay, foi suspenso em maio, diante do risco de “prejuízos irreparáveis aos beneficiários do INSS”. Nos meses seguintes, a nova gestão da autarquia detectou que o banco BMG, um dos principais operadores de empréstimos consignados, deixava de subir contratos de crédito consignado no sistema da Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social).

    A apresentação desses contratos é exigida por normas internas, conforme o INSS, e permite controle e análise sobre a regularidade das contratações. Segundo o presidente do órgão federal, o BMG chegou a ficar sem subir 1,1 milhão de contratos na plataforma.

    Quando isso ocorreu, foram identificadas irregularidades em contratos. Em outubro, INSS e BMG firmaram um termo de compromisso para ajustes na operação de empréstimos consignados. Pelo acordo, o banco precisava ressarcir mais de R$ 7 milhões cobrados indevidamente de 100 mil beneficiários.

    “A formalização desse termo reforça o compromisso do banco com a transparência, a governança e o aprimoramento contínuo de sua atuação, contemplando medidas voltadas à maior segurança e clareza nas contratações com seus clientes”, disse o BMG, em nota.

    O banco disse ter adotado videochamadas, na formalização de contratos de cartão consignado, desde outubro de 2023, e estendido essa prática a todas operações de crédito.

    Em dezembro, o INSS suspendeu novos créditos consignados pelo Agibank, com base em auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) que identificou irregularidades e práticas lesivas aos beneficiários.

    Segundo o presidente do INSS, era comum haver migrações de empréstimos pessoais para crédito consignado, sem clareza sobre juros e valores cobrados. O banco foi multado e contratações foram suspensas, conforme Waller Júnior.

    Um termo de compromisso firmado em janeiro deste ano, entre INSS e Agibank, estabeleceu condições para a operação do crédito consignado pela instituição financeira.

    O Agibank disse ter retomado integralmente as operações de crédito consignado após a assinatura do acordo. A multa aplicada foi no valor de R$ 1 milhão, segundo o banco.

    “O acordo reforça práticas de governança, transparência e proteção ao beneficiário”, afirmou, em nota. “Quanto ao ressarcimento de valores, essa é uma dinâmica usual em instrumentos dessa natureza e ocorre apenas quando, em análises individualizadas, seja identificada alguma desconformidade pontual em contratos específicos.”

    O presidente do INSS considera irregulares as operações de benefícios consignados do banco Master, por meio do Credcesta, como a Folha de S.Paulo mostrou em reportagem publicada na última segunda-feira (2). Contratos não têm amparo legal e baseiam-se em migração de uma modalidade a outra, com possibilidade de incidência de juros sobre juros, conforme Waller Júnior.

    O produto, criado em 2018 por Augusto Lima, que viria a se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Master, se expandiu por 24 estados e 176 municípios, com foco em servidores públicos nas esferas estaduais e municipais. Em 2022, o modelo foi levado ao INSS, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

    Outra reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta (5), mostrou que o INSS detectou um outro produto do Master, na área de crédito e benefício consignados, que também era ofertado de forma irregular e que estava, até a semana passada, fora do radar das apurações internas tocadas pelo órgão federal.

    Há indícios de fraude em contratos do M Fácil Consignado, com nomes duplicados em um mesmo contrato, omissão dos juros cobrados e ausência de assinatura que permitisse uma conferência mínima sobre a validação do benefício consignado.

    Segundo o INSS, o Master interrompeu em janeiro os descontos de crédito e benefício consignados contratados.

    No caso de BMG e Agibank, houve compromisso de que as tratativas para novos créditos sejam gravadas, conforme o presidente do INSS. E outra mudança prevista é que exista uma anuência final nos contratos firmados.

    INSS retém R$ 118 milhões do PicPay por cobrança indevida em adiantamento a aposentados

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  • CPI expõe luxo, acesso ao poder e rede de intrigas de Vorcaro

    CPI expõe luxo, acesso ao poder e rede de intrigas de Vorcaro

    Diálogos mencionam casa em Miami que seria ‘melhor que a de Neymar’ e ideia de convidar filha de Trump para o Carnaval do Rio; investigadores encontram conversas no celular sobre viagens, compras, encontros políticos e planos para atacar adversários

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Documentos obtidos pela CPMI do INSS mostram uma rotina marcada por luxo e deslumbre do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele se aproximou de autoridades da cúpula dos três Poderes e adotou postura agressiva contra adversários.

    O dono do Banco Master foi preso na quarta-feira (4) pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de fraude e ameaças. Ele é conhecido na Faria Lima há anos por seu estilo expansivo de fazer negócios e patrocínios milionários a eventos.

    Cerca de dois anos antes da prisão, Vorcaro se gabava de discursar entre ministros e outras autoridades em evento em Londres. “Eu sou muito louco. Essa realidade. Todos ministros do Brasil. Do STF. STJ. Etc. E euzinho discursando”, disse ele para a então namorada Martha Graeff em abril de 2024.

    As conversas com Martha citam ao menos 11 encontros de Vorcaro com “ministros”, sem apontar os nomes deles, incluindo “inner circle com 10 pessoas apenas na casa de um ministro”, em fevereiro do ano passado, momento em que o banco Master já vivia uma crise irreversível. “Sem ninguém ver ou saber. Me prestigiaram muito e ficaram felizes de eu ter vindo prestigiar”, disse o empresário.

    Vorcaro também relata que um ministro saiu da sua casa às 2h da madrugada em uma ocasião. Eu tava pescando já.” Em outro trecho do diálogo, o dono do Master expõe um jantar em Nova York, no Rockfeller Center, em “evento de banco”, com “ministros e governadores.

    Os mesmos diálogos trazem discussões sobre compra de carros de luxo e imóveis, como uma casa em Miami que seria melhor que a dos jogadores David Beckham e Neymar, nas palavras do ex-banqueiro.

    Ele também afirma que recusou proposta de “100mm” de dólares por um barco que mandou fazer com o nome da namorada.

    Nas conversas, Vorcaro narra encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e diz que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), é um “grande amigo de vida”.

    Ainda diz que se encontrou com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), na noite de 29 de agosto do ano passado, quando o BRB negociava a compra da instituição, e que foi até a residência oficial de Davi Alcolumbre (União-AP), mesmo sem ser convidado. E que também foi ao Palácio do Planalto, para uma reunião com Lula, três ministros e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

    Em agosto de 2024, Vorcaro diz que mudou a rota de uma viagem em jatinho para conseguir dar carona para a namorada, depois de o voo dela apresentar problemas e voltar ao aeroporto de Miami. “Isso parece filme”, disse Martha. “Nada parece detê-los”, respondeu o empresário.

    As conversas sobre imóveis luxuosos se misturam com diálogos sobre autoridades. Em abril de 2025, após Vorcaro fazer menção a “Alexandre Moraes”, Martha pergunta se o ministro “gostou da casa”.

    “Sim. Falou que é bem melhor. E ele adorava o apartamento”, disse Vorcaro. “Falou pra te agradar. Que vergonha eu estava de pijama”, completou Martha.

    Em dezembro do ano anterior, o empresário havia dito que o presidente do Banco Central “já falou da nossa casa”, sem deixar claro se fazia menção a Campos Neto ou Gabriel Galípolo, que tomaria posse dias mais tarde.

    “Como assim, amor? Da casa de Miami? Como ele sabe?”, questionou Martha. “Nada demais. Só te dizendo. Todo mundo fica sabendo tudo hoje”, respondeu Vorcaro.

    Os documentos levados à CPI ainda expõem gastos milionários com viagens e festas de luxo. Apenas o cachê do DJ Alok para a festa de 15 anos de sua filha, que virou assunto de rede social em 2023, teria custado US$ 365,85 mil (mais de R$ 1,7 milhão pela cotação da época), segundo um email de Vorcaro.

    O ex-banqueiro ainda relata encontros com personalidades da mídia, como Luciano Huck, Roberto Justus e Fábio Faria, que é ex-deputado federal e genro de Silvio Santos.

    Em julho de 2024, ele diz ter se encontrado com o príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman. “Não esperava gente boa assim”, disse Vorcaro.

    Os relatos, porém, alternam com momentos em que Vorcaro se diz alvo de uma conspiração para impedir o sucesso do Master e promete contra-atacar.

    Em abril de 2024, ele afirmou a Martha que “esse negócio de banco” é “igual máfia” e que “ninguém” saía “bem”. “Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal.”

    Meses mais tarde, em julho, afirmou que estava no meio de uma “guerra política” e que adversários queriam um “banho de sangue”. O empresário estava sob pressão após parecer contrário barrar a Caixa Asset de comprar R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master.

    Ele ainda diria, em agosto, que havia uma “conspiração já atestada” contra ele e o Master, mas que estava “contornando” o caso, sem dar detalhes.

    Neste momento, agentes do setor bancário já desconfiavam da viabilidade do Master após uma expansão acelerada, baseada na emissão de CDBs que prometiam remunerações bem acima das praticadas no mercado.

    Em diversos trechos, Vorcaro ainda narra uma disputa com André Esteves, dono do BTG Pactual.

    No relatório que embasou a prisão do ex-banqueiro, a PF descreve outro perfil de Vorcaro. Ele mantinha, segundo os investigadores, uma milícia privada, chamada “A Turma”, que contava com a participação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, descrito como Sicário.

    As conversas encontradas no celular do ex-banqueiro citam a intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação, ainda de acordo com a Polícia Federal.

    Os documentos levados à CPI mostram uma captura de tela de conversa em que Mourão avisa Vorcaro sobre a retirada de uma página da internet que mencionava o relacionamento de Martha com o ex-jogador da NBA Rony Seikaly, com quem ela tem uma filha de seis anos.

    Dias antes, o empresário disse para a namorada que uma “turma minha do digital” conseguiu “tirar seu negócio do google de casada com Rony”.

    Vorcaro já havia mencionado o desejo de acompanhar os passos do ex-namorado de Martha. Em outubro de 2024, ele afirmou para Martha que contratou uma “equipe de solo e digital” para monitorá-lo.

    Os diálogos ainda mencionam a ideia de convidar Ivanka Trump, filha de Donald Trump, para o Carnaval do Rio de 2025. Vorcaro e a ex-namorada também esboçaram uma lista de convidados para a festa que menciona o jogador francês de futebol Paul Pogba, entre outros nomes.

    Em junho de 2024, ele afirma a então namorada que estava “todo mundo do Brasil” em Lisboa, no período em que acontecia o evento que ficou conhecido como “Gilmarpalooza” e que sugeriu também frequentar.

    CPI expõe luxo, acesso ao poder e rede de intrigas de Vorcaro

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  • Despesas médicas podem aumentar a restituição do IR; entenda como não cair na malha fina

    Despesas médicas podem aumentar a restituição do IR; entenda como não cair na malha fina

    Primeira declaração após a adoção do novo sistema para profissionais de saúde exige atenção do contribuinte. Veja os documentos necessários para informar despesas médicas!

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Incluir gastos com saúde na declaração do Imposto de Renda 2026 pode aumentar a restituição ou diminuir o imposto a pagar. Despesas com plano de saúde, consultas médicas particulares e tratamentos voltados à saúde física e mental estão entre as que são aceitas pela Receita Federal.

    Como essas despesas não têm um teto para dedução, o impacto pode ser relevante no resultado final da declaração. Mas como os gastos com saúde têm liderado a lista de motivos que levam à malha fina, os cuidados ao declará-los precisam ser redobrados.

    Neste ano, porém, a atenção precisa ser ainda maior. A declaração será a primeira após a implementação do Receita Saúde, novo sistema de emissão de recibos para profissionais de saúde pessoas físicas, o que deve refletir na prestação de contas dos contribuintes.

    De acordo com a Receita, no ano passado, foram emitidos 30,46 milhões de recibos pelos prestadores, totalizando um valor de R$ 18,38 bilhões. Os recibos por meio do novo sistema -que passou a ser obrigatório em 2025- poderiam ter sido emitidos até o dia 28 de fevereiro de 2026.

    Quando se considera este último prazo, o total de emissões chegou a 31,57 milhões de recibos, totalizando um valor de R$ 19 bilhões. “São esses recibos que serão utilizados na DIRPF [Declaração dO Imposto de Renda da Pessoa Física] 2026”, diz o órgão.

    A Receita irá divulgar as regras do IR 2026 no dia 16 de março. A entrega da declaração deverá ter prazo final até 29 de maio. O contribuinte obrigado a declarar o IR que não entrega o documento no prazo paga multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido no ano.

    Em 2025, esteve obrigado a entregar a declaração quem recebeu rendimentos tributáveis a partir de R$ 33.888. A expectativa é que, neste ano, este limite suba para R$ 36.432, segundo consultores. Essa, porém, é apenas uma das condições de entrega da declaração. Há outras regras, como ter bens de mais de R$ 800 mil no ano anterior ou ter recebido rendimentos isentos e não tributáveis acima de R$ 200 mil.

    O QUE MUDOU COM O NOVO SISTEMA DE RECIBOS DA RECEITA FEDERAL?

    André Adolfo da Silva, CEO e sócio da BWA Global, diz que desde 1º de janeiro de 2025, profissionais da saúde que atuam como pessoa física passaram a ser obrigados a emitir recibos exclusivamente pelo sistema eletrônico Receita Saúde, dentro do app da Receita Federal.

    Na prática, com a mudança, o recibo em papel deixa de ser o padrão: o atendimento gera um recibo digital, vinculado ao CPF do paciente e ao CPF do profissional, que vai direto para a base de dados da Receita.

    Segundo Silva, para o contribuinte, a principal mudança é que esses recibos tendem a aparecer automaticamente na declaração pré‑preenchida, como despesa dedutível de saúde, enquanto, do outro lado, entram como receita para o profissional no Carnê‑Leão.

    “Ou seja: ficou muito mais difícil “inventar” despesa médica ou deixar de declarar receita, porque o mesmo documento abastece as duas pontas do sistema”, afirma o especialista.

    Silva acrescenta que quem ainda trata “recibo médico” como forma de reduzir imposto sem ter de fato o gasto está assumindo um risco muito maior de cair em malha, com possibilidade de multa de até 150% em casos de fraude comprovada.

    COMO A RECEITA CRUZA OS DADOS SOBRE DESPESAS MÉDICAS?

    André Silva diz que a Receita cruza as despesas médicas basicamente em três camadas:
    – Informações da Dmed (declaração médica obrigatória de clínicas, hospitais, planos de saúde e profissionais), onde constam valores cobrados, CPF do paciente e CNPJ/CPF do prestador;
    – Dados do Receita Saúde, que agora registra em tempo real os recibos emitidos por profissionais pessoa física;
    – Outras fontes, como planos de saúde, hospitais, laboratórios, além de inteligência para comparar padrão de renda, gastos e pagamentos bancários.

    QUAIS SÃO OS REQUISITOS OBRIGATÓRIOS DE UM RECIBO MÉDICO PARA SER ACEITO COMO DEDUÇÃO?

    Mesmo com a digitalização, Silva diz que o padrão mínimo de informações continua valendo, seja para recibo eletrônico, seja para eventual documento físico. Neles, devem constar:
    – Nome e CPF do profissional de saúde (ou CNPJ da clínica/hospital), com indicação da especialidade
    – Número de registro no conselho profissional (CRM, CRO, CRP, CREFITO), quando se tratar de pessoa física
    – Nome e CPF do paciente que usufruiu o serviço (titular, dependente ou alimentando)
    – Data do atendimento ou do pagamento
    – Descrição do serviço prestado (consulta, exame, procedimento, fisioterapia, psicoterapia, internação)
    – Valor efetivamente pago, preferencialmente com indicação da forma de pagamento

    O QUE PODE SER DEDUZIDO COMO GASTO MÉDICO E O QUE NÃO PODE?

    David Soares, consultor tributário da IOB, diz que podem ser deduzidos:
    – Valores pagos a médicos de qualquer especialidade (dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais) e a hospitais
    – Gastos com exames de laboratório e com serviços radiológicos
    – Valores pagos a empresas destinados à cobertura de despesas médicas, odontológicas e com hospitalização (seguro-saúde), e a entidades que assegurem o direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza (plano de saúde)
    – Gastos com a aquisição de aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas, cadeiras de rodas, andadores ortopédicos, palmilhas ou calçados ortopédicos e qualquer outro aparelho ortopédico destinado à correção de desvio de coluna ou defeitos dos membros ou das articulações
    – Auisição de próteses dentárias
    – Gastos com parafusos e placas em cirurgias ortopédicas ou odontológicas, com marca-passo, com a colocação de lente intraocular em cirurgia de catarata, com aparelho ortodôntico (inclusive a sua manutenção), desde que os valores relativos a esses gastos estejam na conta do dentista, do médico ou do estabelecimento médico-hospitalar
    – Despesas com instrução de pessoas físicas com deficiência física ou mental, condicionadas cumulativamente a existência de laudo médico e comprovação de que a despesa foi efetuada com entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais
    – Pagamentos a médicos e a hospitais, assim como as despesas com exames de laboratório realizados em tratamento de reprodução assistida por fertilização in vitro
    – Despesas de internação em estabelecimento geriátrico
    – Gastos com serviços de acupuntura realizados por médico
    Não podem ser deduzidos:
    – Gastos reembolsados pelo plano de saúde
    – Gastos com enfermeiros, massagistas e compra de remédios, exceto quando constarem de conta hospitalar
    – Compras de óculos, lentes de contato, aparelhos de surdez e similares
    – Gastos com serviços de coleta, seleção e armazenagem de células-tronco de cordão umbilical
    – Gastos com serviços de acupuntura prestado por biomédico
    – Gastos com despesa com “barriga de aluguel”

    VALE A PENA INCLUIR TODAS AS DESPESAS MÉDICAS, MESMO VALORES PEQUENOS?

    Segundo a advogada tributarista Renata Soares Ferrarezi, vale a pena incluir todas as despesas médicas, mesmo as de valores pequenos pois não há um valor mínimo nem limite máximo para a dedução.
    “Neste caso, a soma de consultas, exames, dentistas e outros procedimentos, por menores que sejam, reduz a base de cálculo do imposto, aumentando a restituição ou diminuindo o valor a pagar”, afirma a especialista.

    O QUE DEVO FAZER SE O PROFISSIONAL DE SAÚDE NÃO ESTIVER UTILIZANDO CORRETAMENTE O NOVO SISTEMA DE RECIBOS?

    Renata Ferrarezi diz que o contribuinte pode informar na declaração o pagamento para o qual não tenha sido emitido o Receita Saúde, a fim de deduzir a despesa médica da base de cálculo do IR.

    Ela afirma, no entanto, que nos casos em que o Receita Saúde não tenha sido emitido, não será possível a Receita Federal fazer a verificação automática dos dados para inclusão dos pagamentos na declaração pré-preenchida e haverá uma maior probabilidade de retenção da declaração em malha fina, para que o contribuinte apresente os documentos que comprovem o pagamento.

    “O contribuinte deve sempre exigir a emissão digital, recusando recibos apenas em papel, pois eles podem não ser aceitos pela Receita Federal para fins de dedução na declaração. Se o profissional se recusar terminantemente a utilizar o sistema digital, a denúncia pode ser realizada nos conselhos regionais da categoria (CRM, CRO, CRP) ou à Receita Federal”, diz a especialista.

    MINHA DESPESA MÉDICA FOI QUESTIONADA. O QUE DEVO FAZER?

    De acordo com André Silva, se a Receita questionar uma despesa, o contribuinte será intimado a apresentar documentos que comprovem:
    – A prestação do serviço (recibos, notas fiscais, relatórios médicos, contratos e até prontuários)
    – A realização do pagamento (comprovantes de transferência, Pix, cartão de crédito ou débito, boletos quitados e extratos bancários)
    “No caso de despesas reembolsadas por plano de saúde, é fundamental apresentar também o extrato detalhando o que foi reembolsado e o que ficou a cargo do contribuinte”, diz o especialista.
    Ele alerta, no entanto, que não é recomendado esperar ser intimado para “organizar a papelada”. “O contribuinte deve guardar todos os comprovantes por, no mínimo, cinco anos contados do primeiro dia do ano seguinte ao da entrega da declaração”, diz Silva.

    QUEM DEVE DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA 2026?

    As regras finais ainda serão divulgadas. A expectativa é que o rendimento tributável que obrigue a declarar suba em relação a 2025. No ano passado, esteve obrigado a declarar o IR o cidadão que:
    – Recebeu rendimentos tributáveis -como salário e aposentadoria- a partir de R$ 33.888
    – Cidadão que recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como rendimento de poupança ou FGTS) acima de R$ 200 mil
    – Teve ganho de capital (ou seja, lucro) na alienação (transferência de propriedade) de bens ou direitos sujeitos à incidência do imposto; é o caso, por exemplo, da venda de imóvel com valor maior do que o pago na compra
    – Com isenção do IR sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguida de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias
    – Realizou vendas na Bolsa de Valores que, no total, superaram R$ 40 mil, inclusive se isentas. E quem obteve lucro com a venda de ações, sujeito à incidência do imposto. Valores até R$ 20 mil são isentos
    – Tinha, em 31 de dezembro, posse ou propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, acima de R$ 800 mil
    – Obteve receita bruta na atividade rural em valor superior a R$ 169.440 ou quer compensar prejuízos de anos anteriores ou do próprio ano-calendário
    – Passou a morar no Brasil em 2024 e encontrava-se nessa condição em 31 de dezembro
    – Optou por declarar bens, direitos e obrigações detidos por offshores
    – Era titular de trust e demais contratos regidos por lei estrangeira
    – Quem optou por atualizar o valor de imóveis com o pagamento de imposto menor instituído em dezembro de 2024
    – Contribuinte que obteve rendimentos em capital aplicado no exterior em aplicações financeiras ou lucros e dividendos de entidades controladas

    QUAL É O VALOR DAS DEDUÇÕES DO IR?

    Se os valores se mantiverem os mesmos de 2025, serão os seguintes:
    – Dedução por dependente: R$ 2.275,08 (valor mensal de R$ 189,59)
    – Limite anual de despesa com educação: R$ 3.561,50
    – Limite anual do desconto simplificado (desconto-padrão): R$ 16.754,34
    – Para despesas de saúde devidamente comprovadas não há limite de valores
    – Cota extra de isenção para aposentados e pensionistas a partir de 65 anos: R$ 24.751,74 no ano (R$ 22.847,76 mais R$ 1.903,98 relativos ao 13º salário)

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  • Guerra no Irã já começa a impactar preço dos combustíveis no país

    Guerra no Irã já começa a impactar preço dos combustíveis no país

    Postos em vários estados relatam reajustes sob o argumento de que cotações internacionais dispararam; principal fornecedora do país, Petrobras ainda não mexeu nos preços de venda em suas refinarias

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Embora a Petrobras ainda não tenha anunciado reajustes, os preços dos combustíveis no país já começam a ser impactados pela guerra no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada brasileira começaram a repassar a alta de custos aos clientes.

    As distribuidoras dizem que a escalada das cotações internacionais do produto encareceu as importações e vêm elevando os preços de venda aos postos. Com mercado concentrado no Nordeste, a refinaria de Mataripe promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito.

    A reportagem apurou que postos de ao menos quatro estados -Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná- estão pagando mais caros pelos combustíveis e, como consequência, subirão o preço ao consumidor final.

    Sindicatos de revendedores evitam falar em valores, mas um dono de postos na capital paulista disse que tem recebido diesel R$ 0,26 por litro mais caro desde o início da semana. O Paranapetro, que representa os postos do Paraná, fala em “alta expressiva”.

    “As atacadistas argumentam que também adquirem o derivado de importadoras”, disse em nota o sindicato de postos do Rio de Janeiro. “Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em razão da guerra em curso no Oriente Médio”, completa.

    Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga diz que, “devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março”.

    Em nota enviada à reportagem, a Ipiranga diz que os custos do setor de combustíveis são influenciados por diversos fatores.

    “No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências é que cerca de 30% do volume consumido no país é importado”, afirmou. “Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais”.

    “As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra”, questionou o Paranapetro. Raízen e Vibra, as outras duas grandes empresas do setor, não quiseram comentar o assunto.

    A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) alertou nesta quinta que as defasagens dos preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional atingiram níveis recordes e defendeu repasses ao consumidor interno.

    Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela entidade. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro em média no mercado e de R$ 0,47 por litro nas refinarias da Petrobras.

    “O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, afirmou.

    A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.

    Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.

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  • Petrobras registra lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025

    Petrobras registra lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025

    Os números refletem um ano de resultados considerados sólidos pela estatal; desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção de óleo e gás

    A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento da produção de petróleo e gás, e pela geração de caixa da empresa. O crescimento foi de 198,9% em relação a 2024.

    Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (5), no quarto trimestre do ano passado o lucro foi de R$ 15,6 bilhões. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve aumento de 52,3%. 

    Os números refletem um ano de resultados considerados sólidos pela estatal, mesmo em um cenário de queda no preço internacional do petróleo. Em 2025, o barril do Brent registrou retração de cerca de 14% em relação ao ano anterior, fator que pressionou parte das receitas da companhia. 

    A Petrobras destacou que o desempenho foi sustentado pelo aumento da produção total de óleo e gás, que cresceu cerca de 11% no ano, além do avanço de novos projetos no pré-sal. O relatório menciona o início da operação de plataformas como o FPSO Almirante Tamandaré e o avanço de unidades em campos como Búzios e Mero.

    Outro indicador relevante foi o EBITDA ajustado, que alcançou R$ 244,3 bilhões em 2025, mostrando estabilidade em relação ao ano anterior, apesar da queda do Brent. O resultado foi parcialmente compensado pelo aumento do volume produzido e pela maior eficiência operacional.

    “Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional. Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano. Continuamos a apresentar um fluxo de caixa robusto, apoiado por projetos de qualidade que ampliam a produção, com alto retorno e rápida geração de caixa”, disse Fernando Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras.

    Segundo a companhia, o desempenho operacional também contribuiu para um recorde nas exportações de petróleo no quarto trimestre, que chegaram a 999 mil barris por dia.

    No quarto trimestre, o lucro líquido atribuível aos acionistas da Petrobras foi de R$ 15,563 bilhões, abaixo do registrado no trimestre anterior, quando o resultado havia sido de R$ 32,7 bilhões. A variação foi influenciada por fatores como a oscilação cambial e mudanças no desempenho operacional ao longo do período.

    Além dos resultados financeiros, a Petrobras informou que pagou R$ 277,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios em 2025 e distribuiu R$ 45,2 bilhões em proventos aos acionistas ao longo do ano.

    Petrobras registra lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025

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  • Bancos vão antecipar pagamento de R$ 32,5 bi ao FGC a partir deste mês

    Bancos vão antecipar pagamento de R$ 32,5 bi ao FGC a partir deste mês

    Serão 60 meses de adiantamento, totalizando R$ 32,5 bilhões destinados a recompor o caixa após os desembolsos com a liquidação do Banco Master. São duas modalidades de pagamento: parcela única, neste mês, ou três parcelas, com as últimas duas em 25 de abril e em 25 de maio.

    JÚLIA MOURA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O conselho de administração do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) deliberou nesta quinta-feira (5) que a antecipação de contribuições ordinárias dos bancos ao fundo começará a ser feita em 25 de março.

    Serão 60 meses de adiantamento, totalizando R$ 32,5 bilhões destinados a recompor o caixa após os desembolsos com a liquidação do Banco Master. São duas modalidades de pagamento: parcela única, neste mês, ou três parcelas, com as últimas duas em 25 de abril e em 25 de maio.

    O valor sairá do depósito compulsório das instituições no Banco Central, de modo a minimizar o impacto no sistema financeiro. Compulsório é a fatia dos depósitos que cada banco deve deixar guardada no BC para assegurar sua liquidez e estabilidade.

    Para a instituição que escolher parcelar, há ainda uma contribuição extraordinária de 0,005% ao mês sobre os depósitos elegíveis tendo como com base os valores de abril de 2026 a ser recolhida até o 1º dia útil de junho.

    “A medida tem por finalidade assegurar a solidez patrimonial do FGC e garantir a plena capacidade de cumprimento de suas obrigações, em estrita observância à legislação vigente e às disposições estatutárias”, disse o fundo.

    Até esta quinta, o FGC já pagou R$ 38,4 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master (Banco Master, Master de Investimento e Letsbank), o que representa 94% do montante a ser pago. Em termos de números de beneficiários da garantia no caso Master, como os investidores dos CDBs do banco, aproximadamente 675 mil credores já receberam os valores, correspondente a 87% do número total.

    Em relação ao Will Bank, o FGC estima que serão pagos R$ 6,3 bilhões em garantias. O pagamento foi iniciado em fevereiro para quem tem até R$ 1.000 a receber. A estes clientes, já foram pagos R$ 115 milhões, o que representa 65% do montante das antecipações a ser pago.

    Em termos de números de beneficiários, aproximadamente 935 mil credores já receberam os valores, correspondente a 15% do total de 6 milhões de pessoas que atendem aos requisitos para receber a antecipação da garantia.

    Já o Banco Pleno, também liquidado, tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões.
    *
    O QUE É O FGC
    O FGC é uma associação civil, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado. É ele que protege o brasileiro contra a falência de todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a funcionar no Brasil.

    O fundo foi criado em 1995, após autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN), em meio a crise bancária que levou diversos bancos à falência. O seu objetivo final, além de garantir depósitos e investimentos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, é dar estabilidade ao sistema financeiro.

    SÃO GARANTIDOS PELO FGC:
    depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
    poupança;
    depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, como CDB e RDB
    depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
    LC (letra de câmbio)
    LH (letra hipotecárias)
    LCI (letras de crédito imobiliário)
    LCA (letras de crédito do agronegócio)
    LCD (letras de crédito do desenvolvimento)
    operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.

    Bancos vão antecipar pagamento de R$ 32,5 bi ao FGC a partir deste mês

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