Incêndio na Suíça. Porta de serviço do bar estava trancada por dentro

O proprietário do bar Le Constellation, na Suíça, confessou que uma porta de serviço estava trancada por dentro na noite do incidente. O incêndio resultou na morte de 40 pessoas – a maioria menor de idade.

O proprietário do bar Le Constellation, na Suíça, onde 40 pessoas morreram em um incêndio, confessou às autoridades que uma porta de serviço do estabelecimento estava trancada por dentro naquela noite.

Jacques Moretti, que está em prisão preventiva, revelou que só descobriu que a porta estava trancada ao chegar ao local após o incêndio, mas não conseguiu explicar o motivo.

Ao chegar ao bar na madrugada de 1º de janeiro, Moretti disse ter arrombado a porta em questão e encontrado vários corpos do outro lado, segundo a agência France-Presse (AFP).

As autoridades acreditam que o incêndio tenha sido provocado por velas de foguete colocadas em garrafas de bebidas alcoólicas. As faíscas teriam entrado em contato com a espuma de isolamento acústico no teto do bar, dando início ao fogo.

Durante o interrogatório, Moretti admitiu ter sido o responsável pela instalação da espuma durante as reformas do estabelecimento em 2015, quando comprou o espaço com a esposa. À época, garante ter feito testes para se certificar de que as faíscas das velas não eram fortes o suficiente para incendiar o material.

“Nós sempre usávamos uma vela de foguete quando servíamos uma garrafa de vinho no salão”, afirmou a esposa e coproprietária do Le Constellation. Jessica Moretti foi libertada na sexta-feira.

Jacques também foi questionado sobre a presença de menores no bar, já que a maioria das vítimas fatais eram adolescentes.

Moretti garantiu que a entrada de menores de 16 anos era totalmente proibida e que jovens entre 16 e 18 anos só poderiam frequentar o local se estivessem acompanhados por um adulto responsável.

Diante dos fatos, no entanto, ele admitiu que “é possível que tenha havido uma falha no protocolo”, apesar de afirmar que essas orientações haviam sido repassadas aos seguranças do Le Constellation.

O incêndio, vale lembrar, começou por volta da 1h30 (horário local; 0h30 em Lisboa) de quinta-feira, 1º de janeiro, seguido de uma explosão, no bar-discoteca Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana. Segundo a promotora do cantão de Valais, “o fogo se espalhou e, à medida que se intensificava, provocou uma explosão generalizada”.

No dia anterior à tragédia, o município de Crans-Montana havia proibido o uso de qualquer tipo de fogos de artifício, incluindo velas de foguete, alertando para um risco de incêndio “extremamente elevado” devido às condições de seca na região.

Além disso, o bar não passava por inspeções desde 2020, apesar de elas serem obrigatórias anualmente. Segundo Moretti, o Le Constellation teria sido inspecionado apenas “três vezes em dez anos”.

Jacques e Jessica Moretti são suspeitos de homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio criminoso também culposo.

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