Categoria: MUNDO

  • Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 anos

    Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 anos

    Magnata fundador da CNN foi velejador profissional, dono de clube de beisebol e se comparou a Cristo. Construiu império que abrangia primeira superestação da TV a cabo e canais de filmes e desenhos

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Ted Turner, o magnata da mídia que se destacou pelo pioneirismo no cenário americano do final do século 20 ao dominar a indústria de televisão a cabo, morreu na quarta-feira em sua casa perto de Tallahassee, na Flórida. Ele tinha 87 anos.

    Ele revolucionou a cobertura jornalística na televisão ao determinar que a CNN tivesse transmissão 24 horas por dia de notícias. Também marcaram a vida de Turner a atuação no esporte profissional, na filantropia e na militância ambiental. Sua família afirma que o empresário morreu cercado pelos familiares.

    A causa da morte não foi informada. A Turner, conglomerado que controla a CNN, anunciou em 2018 que tinha demência com corpos de Lewy, uma doença cerebral progressiva.

    O portfólio do fundador da CNN ia muito além do conglomerado de mídia e seu impacto na cultura americana foi considerável, de acordo com o New York Times.

    O empresário, que vivia em Atlanta, construiu um império midiático que abrangia a primeira superestação da TV a cabo e canais populares de filmes e desenhos animados, além de times esportivos profissionais como o Atlanta Braves.

    Dar às pessoas notícias quando e onde elas quiserem. Essa, diz Mark Thompson, CEO da CNN, foi uma das brilhantes percepções de Ted Turner ao começar a rede no início da TV a cabo. E, se a CNN não seguir esse conselho na era digital, Thompson afirma que a empresa pode deixar de existir.

    Como desdobramento da CNN, o Turner criou os canais CNN Headline News e CNN International. Ele fundou a “superestação” de esportes e entretenimento por cabo e satélite que ficou conhecida como TBS, que se desdobrou no canal de filmes TNT. Todas essas emissoras seguem no ar.

    Enquanto construía um império da mídia, o executivo encontrou tempo e energia para capitanear o iate vencedor da Copa América em 1977 e para assumir um papel ativo como proprietário do Atlanta Braves, dando à equipe uma exposição nacional prolongada na televisão de propriedade de Turner.

    Nascido em 1938, em uma família tradicional de Ohio, Turner também era um dos maiores proprietários de terras nos Estados Unidos, segundo levantamento da agência Bloomberg. Ele detinha uma área de cerca de 810 mil hectaes, na qual foi um dos responsáveis por repopularizar a criação de bisões nos EUA.

    “Estou tentando estabelecer o recorde de todos os tempos de realizações de uma única pessoa em uma única vida”, disse ele ao jornalista Dale Van Atta em um artigo da Reader’s Digest em 1998. “E isso me coloca em uma companhia e tanto: Alexandre, o Grande, Napoleão, Gandhi, Cristo, Maomé, Buda, Washington, Roosevelt, Churchill.”

    Nem mesmo seus admiradores mais fervorosos colocavam o Turner em um pedestal tão alto. Mas até um rival ferrenho como o magnata da mídia Rupert Murdoch -que certa vez publicou no seu New York Post a manchete “Turner é louco?”- teve que admitir que ele foi uma das figuras mais influentes da história dos meios de comunicação de massa.

    Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 anos

  • Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

    Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

    Governo argentino enfrenta queda de popularidade e acumula casos de corrupção; queda na produção industrial deixou a situação de Milei mais preocupante

    O governo do ultraliberal Javier Milei enfrenta o pior momento à frente da Argentina em meio a escândalos de corrupção, queda nos índices de popularidade e na atividade econômica e industrial. 

    A inflação, até então principal vitrine política da Casa Rosada, voltou a acelerar. Após reduzir a inflação mensal de dois dígitos, no final de 2023, para cerca de 2% ao mês, ao longo de 2025, os índices de preços voltaram a subir entre o final do ano passado e o início de 2026, chegando a 3,4% em março deste ano.

    A aceleração recente fez Milei reconhecer dificuldades econômicas publicamente. “O dado é ruim”, disse em uma rede social.Ao mesmo tempo, a atividade econômica na Argentina apresentou uma retração de 2,6% em fevereiro, se comparado a janeiro, com uma queda acumulada de 2,1% nos últimos 12 meses.

    Talvez a situação mais preocupante seja a queda na produção industrial, que registrou baixa de 4% em fevereiro, acumulando uma queda de 8,7% nos últimos 12 meses.  

    Plano econômico

    O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala comentou que o plano econômico de Milei é “simplista” e não tem dado conta de reverter completamente à situação econômica que herdou.

    “As pessoas não confiam mais no peso [moeda argentina]. Elas dolarizam [cotam em dólar] os contratos, um pouco parecido com o que aconteceu com o Brasil antes do Plano Real. Com isso, com qualquer coisa a inflação volta a acelerar. Reduzir o tamanho do Estado não resolve nada”, disse.

    O governo de Milei prega a redução do tamanho do Estado, com corte de gastos e austeridade fiscal, como medidas para conter a inflação e recuperar a economia.

    O economista Gala avalia que o plano de Milei não deve ir muito longe, argumentando que seriam necessárias outras medidas, como instituir uma nova moeda. 

    Ele destacou ainda que o peso argentino está sobrevalorizado, o que tem, segundo ele, destruído a indústria do país.

    “Esse mergulho da atividade manufatureira é fatal para o país porque esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológicos. Esse dado da indústria é muito ruim. Essa abertura comercial violenta que o Milei tem feito também destrói o pouco que restou de indústria na Argentina”, completou.

    Para o especialista, a tendência é a Argentina se desindustrializar cada vez mais, focando a economia apenas no setor agroexportador de matérias-primas. 

    “Não está descartado um cenário de recessão e, possivelmente, nova crise cambial com enorme dívida em dólares”, analisa Paulo Gala.

    A Argentina tem contraído novos empréstimos com bancos internacionais, em dólares, para segurar o valor do peso.

    Popularidade

    Além da situação econômica difícil, recentes casos de corrupção têm contribuído para a queda nos índices de popularidade do governo.

    Um dos exemplos é a investigação sobre suposto enriquecimento ilícito do chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, que tem tido que se explicar sobre viagens de luxo e compra e reforma de imóveis supostamente incompatíveis com sua renda.

    As pesquisas de opinião têm registrado índices de desaprovação superiores a 60%, marcando os piores números desde que assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023. 

    A da Atlas Intel do final de abril indicou uma reprovação de 63% da figura do Milei, com uma aprovação de 35%.

    A corrupção e o desempenho econômico são os fatores determinantes para a queda na popularidade. Segundo a consultoria Zentrix, 66,6% da população avaliam que se “quebrou” a promessa “anti-casta” de combate à corrupção de Milei.  

    “A corrupção surge como o principal desafio do país, mesmo entre aqueles que votaram no partido governante em 2025, superando o desemprego, a inflação ou os salários”, diz a empresa de pesquisas de opinião.

    O cientista político argentino Leandro Gabiati explicou à Agência Brasil que Milei foi eleito muito em cima do discurso de combate à corrupção, o que tem sido desconstruído ao longo do mandato.

    “Esse governo colocou a pauta da corrupção como uma política de Estado. Quando se observa que há casos envolvendo alguns funcionários do governo, como é o caso do chefe de gabinete, que seria uma espécie de primeiro-ministro, isso aí afeta a imagem do governo, desgasta o governo e cria problemas”, explicou.

    Ao mesmo tempo, Gabiati diz que a população reconhece a conquista do governo de reduzir a inflação, porém, pondera que os preços continuam subindo.

    “Obviamente, essa inflação, que dá uns 30% a 40% ao ano, é uma inflação importante. Reduzir demandaria mais esforço, tanto da sociedade, quanto do governo”, diz o especialista.

    Mas o que tem jogado à favor do governo Milei é a desorganização e a desaprovação da população em relação à oposição ao governo da Argentina.

    “Isso aí quer dizer que o governo terá problemas na eleição presidencial de 2027? Isso é algo que ainda está muito longe no radar. O governo tem alguns problemas que terá que resolver agora, mas a oposição ainda permanece desorganizada e sem ser uma opção política clara para o eleitor argentino”, avalia.

    Em uma notícia positiva para o governo, a consultoria de riscos Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva de estabilidade, ao reconhecer as melhorias na “situação fiscal” e na balança externa do país. 

    Em consequência, a bolsa de Buenos Aires opera em alta nesta quarta-feira (6). Porém, para o economista Paulo Gala, isso não muda o quadro geral da economia argentina.

    Imprensa

    Em meio a esse contexto, o governo Milei tem escolhido a imprensa como um dos seus alvos. No final de abril, o governo proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada, prejudicando cerca de 60 profissionais que cobriam o Poder Executivo, em Buenos Aires.

    Algumas emissoras foram acusadas de filmarem áreas do edifício sem autorização, o que foi negado pelas empresas de mídia.

    Após críticas contra a medida, apontada como uma violação à liberdade de imprensa na Argentina, o governo reabriu a Casa Rosada para imprensa nesta segunda-feira (3), mantendo ainda restrições à circulação na sede do poder do país vizinho.

    Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

  • Após pressão sobre Trump, EUA autorizam primeiros vapes com sabor de frutas

    Após pressão sobre Trump, EUA autorizam primeiros vapes com sabor de frutas

    Autorização ocorre após meses de pressão do setor sobre Donald Trump, que descartou a proibição em campanha

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A agência reguladora de comidas e remédios autorizou pela primeira vez cigarros eletrônicos com sabor de frutas para venda nos EUA, em uma mudança que deve enfrentar resistência de grupos de saúde, informou com exclusividade a Associated Press.

    Autorização inclui quatro versões de um mesmo produto, com sabores de frutas e mentol. A agência liberou dispositivos da Glas Inc. nos sabores manga, mirtilo e duas variações de mentol, que a empresa pretende vender como Gold, Sapphire, Classic Menthol e Fresh Menthol.

    Decisão marca uma inflexão porque, até agora, o órgão só permitia vapes com sabor de tabaco ou mentol. A agência ressaltou que a autorização não é um endosso e que os produtos são destinados a adultos que querem parar de fumar ou reduzir o consumo de cigarros.

    Agência citou mecanismos de verificação de idade para sustentar que a compra por menores tende a ser mais difícil. Para usar o dispositivo, o consumidor precisa validar a idade no celular com documento oficial, e o vape só funciona quando conectado por Bluetooth ao telefone verificado.

    Organizações antitabaco dizem que a medida vira um atrativo no consumo entre jovens. “Em última análise, é fundamental que permaneçamos vigilantes na proteção dos jovens, incluindo o monitoramento rigoroso do uso de produtos autorizados”, afirmou Kathy Crosby, da Truth Initiative, em comunicado enviado por e-mail à agência de notícias.

    Já a indústria defende que os cigarros eletrônicos podem reduzir danos do tabagismo em adultos. O tabaco é associado a cerca de 480 mil mortes por ano nos EUA, por doenças como câncer e problemas pulmonares e cardíacos, de acordo com a reportagem.

    Autorização ocorre após meses de pressão do setor sobre Donald Trump, que descartou a proibição em campanha. O texto aponta que fabricantes e entidades do setor vinham pedindo ao governo republicano a flexibilização de restrições para seus produtos.

    Uso de cigarros eletrônicos por adolescentes caiu ao menor nível em dez anos, segundo dados citados pela AP. Ainda assim, grupos de pais e de saúde costumam apontar os sabores como um dos principais fatores de atração para menores de idade.

    Governo Biden negou mais de um milhão de pedidos de produtos com sabores doces ou de frutas. A repressão, iniciada após um pico em 2019, é creditada por ter ajudado a reduzir o cigarro eletrônico entre estudantes do ensino fundamental e médio.

    Produtos autorizados são minoria diante do que circula entre adolescentes, segundo dados do governo dos EUA. A maior parte dos jovens que usa vape consome itens não autorizados com sabores de frutas e doces, que são tecnicamente ilegais, mas seguem disponíveis.

    Reportagem aponta que esses produtos ilegais aparecem com frequência em versões baratas e descartáveis, muitas vezes importadas da China. O cenário reforça o desafio de fiscalização e de controle de acesso por menores, mesmo com autorizações formais.

    Após pressão sobre Trump, EUA autorizam primeiros vapes com sabor de frutas

  • Tribunal israelense rejeita libertação do brasileiro Thiago Ávila

    Tribunal israelense rejeita libertação do brasileiro Thiago Ávila

    Tribunal israelense rejeitou um recurso contra prolongamento de detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek

    A justiça israelense validou a extensão até domingo da detenção dos dois ativistas da Flotilha Global Sumud presos ao largo da costa da Grécia, rejeitando um recurso contra este prolongamento, disse à AFP o advogado de defesa.

    “O tribunal de Berseba rejeitou o nosso recurso e aceitou todos os argumentos do Estado”, disse Hadeel Abu Salih, advogado do espanhol Saif Abu Keshek e do brasileiro Thiago Ávila, que integraram a flotilha que pretendia levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.

    Os dois detidos compareceram hoje a tribunal para contestar o prolongamento da sua detenção, após a justiça ter decidido na terça-feira que Saif e Thiago ficariam mais seis dias na prisão.

    Na decisão de terça-feira, o juiz do tribunal de Ashkelon (sul) alegou que se trata de uma “investigação complexa” com fundamentos para a continuidade do inquérito, mas que também enfrenta “interferência e destruição de provas”.

    Os detidos ainda não foram indiciados, mas Israel os acusa de ligações ao movimento islâmico palestino Hamas e, portanto, de “afiliação a uma organização terrorista”.

    Os dois homens negam veementemente e dizem que só queriam levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, enclave palestino que foi devastado por mais de dois anos de guerra.

    Segundo o Governo de Madrid, Israel não forneceu “nenhuma evidência” de qualquer ligação com o movimento islâmico palestino.

    Brasil e Espanha têm apelado repetidamente à libertação dos dois ativistas.

    Tratou-se de uma “detenção ilegal, que ocorreu em águas internacionais, onde os ativistas foram raptados pela marinha israelense sem qualquer autoridade”, disse a advogada.

    Hadeel Abu Salih descreveu a prisão como uma “carta branca” dada às autoridades, considerando-a “muito preocupante”.

    Isto poderia dar ao país “a legitimidade para o fazer repetidamente e raptar cidadãos internacionais”, disse.

    A interceptação da flotilha pelo exército israelense levou à condenação de muitos países, incluindo Itália, Alemanha e Turquia, que tinham nacionais a bordo.

    Antes da audiência de hoje, a ONU apelou à libertação “imediata” e “incondicional” de Thiago Ávila e Saif Abukeshek.

    Os dois homens foram detidos na última quinta-feira em águas internacionais e foram acusados de crimes de terrorismo pelas autoridades israelenses.

    Foram detidos juntamente com outros cerca de 170 ativistas, quando o Exército israelense interceptou cerca de metade dos navios pertencentes à Flotilha Global Sumud, a cerca de 100 quilômetros a oeste da ilha grega de Creta, em águas internacionais.

    No entanto, no caso destes dois, Israel decidiu extraditá-los para o seu território para serem julgados. Os demais ativistas foram levados para a Grécia e libertados.

    Saif Abukeshek e Thiago Ávila estão em greve de fome desde a detenção e têm estado a ser interrogados por agentes israelenses.

    A organização de direitos humanos israelense Adalah, que representa os dois detidos, denunciou os “maus-tratos” e “abusos psicológicos” infligidos a Saif Abukeshek e Thiago Ávila na prisão, citando interrogatórios de oito horas, iluminação intensa nas celas 24 horas por dia, isolamento total e movimentos sistematicamente vendados, mesmo durante exames médicos.

    A Flotilha Global Sumud para Gaza era inicialmente composta por cerca de cinquenta barcos e, segundo os seus organizadores, visava quebrar o bloqueio de Israel ao território palestino devastado pela guerra e levar ajuda humanitária, que permanece severamente restringida.

    Tribunal israelense rejeita libertação do brasileiro Thiago Ávila

  • Chanceler do Irã viaja à China às vésperas de encontro entre Trump e Xi

    Chanceler do Irã viaja à China às vésperas de encontro entre Trump e Xi

    A reunião entre os chefes das relações diplomáticas ocorre a convite de Pequim, que vê risco de sua matriz energética ser prejudicada em decorrência da guerra no Irã. A maior parte do petróleo que passa pelo estreito de Hormuz, que se tornou o epicentro da tensão devido ao fechamento pelo país persa, tem como destino a China.

    VICTORIA DAMASCENO
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, chegou à China para um encontro com seu homólogo, Wang Yi, nesta quarta-feira (6), cerca de uma semana antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também viajar ao país asiático para um encontro com o líder do regime, Xi Jinping.

    A reunião entre os chefes das relações diplomáticas ocorre a convite de Pequim, que vê risco de sua matriz energética ser prejudicada em decorrência da guerra no Irã. A maior parte do petróleo que passa pelo estreito de Hormuz, que se tornou o epicentro da tensão devido ao fechamento pelo país persa, tem como destino a China.

    É a primeira visita de Araghchi ao país desde o início do conflito. O Ministério das Relações Exteriores do país persa afirmou que a ida do iraniano ocorre para “dar continuidade a consultas diplomáticas” e conversar sobre as relações bilaterais e internacionais.

    Segundo da agência iraniana Isna, Araghchi falou sobre o andamento das negociações com os EUA, e declarou que o país só aceitará “um acordo justo e abrangente”. “Faremos todo o possível para proteger nossos direitos e interesses legítimos nas negociações”, disse.

    Já o chanceler chinês, segundo relato de Pequim, declarou que o fim das hostilidades é “imperativo”, e que “apoia o Irã na salvaguarda de sua soberania e segurança nacionais”. As autoridades teriam ainda discutido a questão nuclear, com Wang reconhecendo o direito do país persa do desenvolvimento pacífico de energia atômica.

    A nota chinesa diz ainda que Araghchi teria afirmado que a reabertura do estreito está próxima de acontecer, uma afirmação que não se repetiu no relato da agência iraniana.

    A China tem se colocado como imparcial no conflito, ao passo que condenou em diversas ocasiões as ações conjuntas dos EUA e de Israel contra a soberania iraniana. Pequim se apresenta como ator capaz de auxiliar na desescalada da guerra, afirmando que apoia as negociações entre os envolvidos.

    Nesta segunda-feira (6), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, pediu à China que intensifique seus esforços diplomáticos para que o país persa abra Ormuz à navegação internacional.

    Pequim tem grande influência sobre o Irã, uma vez que é um dos poucos países que mantêm relações diplomáticas com Teerã, com ampliação da cooperação política e econômica nos últimos anos. O Irã, por sua vez, é parte estratégica da expansão do programa chinês Cinturão e Rota, visto que está posicionado em uma região que conecta a Ásia a outros países do Oriente Médio e à Europa.

    Os movimentos de Washington tentam fazer com que a China também se responsabilize pelas negociações pela reabertura do trecho, sob o argumento de que as refinarias do país ignoram sanções e recebem petróleo iraniano, da dependência do abastecimento da cadeia energética chinesa em relação ao óleo que passa por Ormuz e das trocas entre os regimes.

    Como instrumento de pressão, em abril, os EUA impuseram sanções à refinaria independente chinesa Hengli Petrochemical, acusada de comprar petróleo iraniano, ampliando a lista de empresas chinesas sancionadas em decorrência da negociação com os persas.

    Em contrapartida, a China utilizou pela primeira vez um instrumento criado para neutralizar imposições que considera violações das leis internacionais ou restrições ao comércio, fazendo com que as empresas não tenham obrigação de cumprir a decisão americana contra as refinarias.

    A expectativa é que Wang e Araghchi tenham discutido o fechamento de Hormuz e que o lado chinês tenha feito a consulta para preparar Pequim para a chegada de Trump na próxima semana.

    Bessent já havia adiantado que o fechamento do estreito faria parte da mesa de negociação entre Trump e Xi no encontro entre os dois, previsto para 14 e 15 de maio. O americano vai ao país em mais um capítulo da trégua comercial entre China e EUA, iniciada na última reunião entre eles, em outubro, na Coreia do Sul.

    Chanceler do Irã viaja à China às vésperas de encontro entre Trump e Xi

  • Navio de cruzeiro atingido por hantavírus retira passageiros doentes

    Navio de cruzeiro atingido por hantavírus retira passageiros doentes

    O MV Hondius, que tem quase 150 pessoas a bordo, deve seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha, disse a operadora Oceanwide Expeditions. Até o momento, três pessoas morreram atingidas pela doença.

    Três pessoas, duas delas gravemente doentes, foram retiradas nesta quarta-feira (6) de um navio de cruzeiro de luxo atingido por um surto de hantavírus e retido por dias na costa de Cabo Verde, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    O MV Hondius, que tem quase 150 pessoas a bordo, deve seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha, disse a operadora Oceanwide Expeditions. Até o momento, três pessoas morreram atingidas pela doença.

    A África do Sul confirmou que havia identificado entre as vítimas a cepa andina do vírus que pode — em casos raros — se espalhar entre seres humanos. Desde o início do surto, a OMS disse que o risco para a população em geral é baixo. 

     

    O governo suíço informou que um homem que retornou ao país, depois de ser passageiro do Hondius, foi infectado com o hantavírus e está sendo tratado em Zurique. Acrescentou que não há perigo para a população em geral.

    “Três pacientes com suspeita de hantavírus acabaram de ser retirados do navio e estão a caminho de receber cuidados médicos na Holanda”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em mensagem no X.

    O Ministério das Relações Exteriores da Holanda afirmou que os passageiros retirados são um holandês, um alemão e um britânico. Eles serão transportados para hospitais especializados na Europa, acrescentou, sem dar mais detalhes.

    *(Reportagem adicional de Sfundo Parakozov, David Latona, Madeline Chambers, Makini Brice e Olivia Le Poidevinebra em Genebra)

    *É proibida a reprodução deste conteúdo.

    Navio de cruzeiro atingido por hantavírus retira passageiros doentes

  • Estreito de Ormuz é liberado para navegação, diz Irã

    Estreito de Ormuz é liberado para navegação, diz Irã

    No comunicado, as autoridades iranianas afirmaram: “Agradecemos aos capitães e armadores do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações iranianas do Estreito de Ormuz e por contribuírem para a segurança marítima regional. Com as ameaças do agressor neutralizadas e novos protocolos em vigor, será garantida a passagem segura e estável pelo estreito”.

    A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã declarou nesta quarta-feira (5) que o Estreito de Ormuz voltou a estar liberado para uma navegação considerada “segura”. O posicionamento foi divulgado um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a suspensão temporária da operação militar norte-americana na região. A mensagem foi publicada nas redes sociais e também repercutida pela mídia estatal iraniana.

    No comunicado, as autoridades iranianas afirmaram: “Agradecemos aos capitães e armadores do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações iranianas do Estreito de Ormuz e por contribuírem para a segurança marítima regional. Com as ameaças do agressor neutralizadas e novos protocolos em vigor, será garantida a passagem segura e estável pelo estreito”.

    Ao anunciar a pausa na chamada “Operação Liberdade”, Trump explicou que a decisão foi tomada após solicitações do Paquistão, que atua como mediador no conflito, e destacou um “grande progresso” nas negociações com representantes do Irã.

    Segundo informações da imprensa iraniana, cerca de 1.500 embarcações aguardam atualmente autorização para atravessar o estreito. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a circulação na região — responsável por cerca de 20% do petróleo mundial — vinha sendo afetada. O clima de tensão, marcado por ameaças e disputas narrativas entre EUA e Irã, levou muitos navios a evitarem a travessia por receio de ataques ou de minas supostamente instaladas na área.

    Enquanto isso, cresce a expectativa por um possível acordo. De acordo com o site Axios, os dois países estariam próximos de fechar um memorando para encerrar a guerra no Oriente Médio. Uma fonte paquistanesa ouvida pela Reuters afirmou: “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá”.

    O documento em discussão prevê uma moratória sobre limitações ao enriquecimento de urânio por parte do Irã, em troca da suspensão de sanções econômicas pelos EUA e da liberação de ativos iranianos congelados. A proposta também inclui a retirada dos bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz.

    Apesar do avanço nas negociações, ainda não há acordo oficial. O governo dos EUA não comentou formalmente o memorando, e, segundo o Axios, há ceticismo dentro da Casa Branca quanto à possibilidade de consenso, devido à complexa estrutura de poder no Irã e às brechas existentes no texto, que poderiam permitir a retomada do conflito no futuro.

    Estreito de Ormuz é liberado para navegação, diz Irã

  • Hantavírus transmissível entre humanos; Novo caso é confirmado na Suíça

    Hantavírus transmissível entre humanos; Novo caso é confirmado na Suíça

    A embarcação, com 149 pessoas a bordo (88 passageiros) de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde partiu em 20 de março, e as Ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

    O navio de cruzeiro Hondius parou na entrada do porto da Praia, em Cabo Verde, devido a um surto de hantavírus, que já provocou três mortes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há registro de outros cinco casos.

    A embarcação, com 149 pessoas a bordo (88 passageiros) de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde partiu em 20 de março, e as Ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

    De acordo com a OMS, os relatos de doença a bordo foram registrados entre 6 e 28 de abril, principalmente com febre e sintomas gastrointestinais, evoluindo rapidamente para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.

    Suspeita-se que a variante do hantavírus envolvida seja a andina, a única transmissível entre humanos. Até esta quarta-feira, 6 de maio, “foram registrados oito casos, dos quais três foram confirmados como hantavírus por meio de testes laboratoriais”.

    Suíça confirma caso de homem infectado com hantavírus após cruzeiro

    O Escritório Federal de Saúde Pública da Suíça confirmou, nesta quarta-feira, que “uma pessoa infectada com hantavírus está sendo tratada no Hospital Universitário de Zurique”. Trata-se de um homem que voltou recentemente do cruzeiro Hondius, onde há um surto do vírus.

    Em comunicado, a Suíça informou que o hospital “está preparado” para tratar esses casos e tem capacidade para “cuidar do paciente garantindo a segurança” da equipe médica e dos demais pacientes.

    “Atualmente, não há risco para a população suíça”, destacou a nota.

    O homem havia retornado recentemente de “uma viagem à América do Sul” com a esposa no fim de abril e, “após apresentar sintomas, entrou em contato com seu médico por telefone e foi ao Hospital Universitário de Zurique para realizar o teste”, onde foi “imediatamente isolado”.

    “Um teste realizado no laboratório de referência do Hospital Universitário de Genebra confirmou o resultado positivo para hantavírus. Especificamente, trata-se do vírus Andes, um hantavírus encontrado na América do Sul”, informou o órgão de saúde suíço.

    Paciente procurou hospital após receber e-mail sobre o surto

    A OMS revelou que o homem infectado e internado em Zurique decidiu procurar ajuda médica após receber um e-mail da Oceanwide, operadora do navio Hondius.

    “As autoridades suíças confirmaram um caso de hantavírus identificado em um passageiro do navio MV Hondius. Ele respondeu a um e-mail da operadora informando os passageiros sobre o evento de saúde e compareceu a um hospital em Zurique, na Suíça, onde está recebendo tratamento”, informou a OMS em publicação nas redes sociais.

    A organização afirmou ainda que está “trabalhando com os países envolvidos para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que pessoas potencialmente expostas sejam monitoradas e que qualquer propagação adicional da doença seja contida”.

    Até esta quarta-feira, 6 de maio, “foram registrados oito casos, dos quais três confirmados como hantavírus por testes laboratoriais”.

    Hantavírus transmissível entre humanos; Novo caso é confirmado na Suíça

  • Ucrânia diz que Rússia violou cessar-fogo: "Cinismo absoluto"

    Ucrânia diz que Rússia violou cessar-fogo: "Cinismo absoluto"

    O chefe militar da região de Zaporíjia, Ivan Fedorov, relatou hoje um ataque russo contra instalações industriais da região, enquanto a Ucrânia anunciou que, desde a meia-noite, está cumprindo um cessar-fogo unilateral.

    O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky alertou que Kiev responderá “de forma simétrica” a qualquer violação do cessar-fogo iniciado às 00h de hoje, que antecipa em 48 horas uma trégua anunciada por Moscou. A Rússia pediu uma pausa nos dias 8 e 9 de maio, durante as celebrações da vitória contra a Alemanha nazista em 9 de maio de 1945.

    O cessar-fogo anunciado unilateralmente por Kiev entrou em vigor depois que, na véspera, uma série de ataques russos deixou pelo menos 28 mortos na Ucrânia.

    Ás 00h (Horário de Brasília), seis horas após o início da trégua ucraniana, as autoridades russas não haviam registrado nenhum ataque vindo da Ucrânia.

    Do lado ucraniano, no entanto, foram emitidos alertas nas regiões de Kherson, Zaporíjia, Donetsk, Kharkiv, Sumy e Mykolaiv.

    Zelensky anunciou a trégua, de duração indefinida, na segunda-feira, em resposta à proposta do presidente russo Vladimir Putin para as celebrações de 9 de maio, mas condicionou sua continuidade ao cumprimento por parte de Moscou.

    “Precisamos que esses ataques e todos os outros do mesmo tipo parem todos os dias, e não apenas por algumas horas em algum lugar, em nome de ‘celebrações’”, afirmou Zelensky.

    “É um cinismo absoluto pedir um cessar-fogo para organizar celebrações de propaganda, enquanto ataques como esses acontecem todos os dias”, criticou o presidente, referindo-se aos bombardeios de terça-feira.

    Os ataques russos de terça-feira mataram 12 pessoas em Zaporíjia, seis em Kramatorsk, quatro em Dnipro, quatro em Poltava, uma em Kharkiv e uma em Nikopol.

    Por outro lado, um ataque ucraniano com drones na península da Crimeia — anexada unilateralmente pela Rússia em 2014 — deixou cinco mortos na noite de terça-feira, na cidade de Dzhankoi, segundo autoridades russas.

    “A poucas horas da entrada em vigor da proposta de cessar-fogo da Ucrânia, a Rússia não demonstra qualquer sinal de que pretende encerrar as hostilidades. Pelo contrário, Moscou intensifica o terror”, acusou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, na rede social X, na noite de terça-feira.

    A Ucrânia há muito pede uma trégua prolongada para facilitar negociações com o objetivo de encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022 — o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

    A guerra na Ucrânia também foi tema de uma conversa telefônica na terça-feira entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, segundo o Departamento de Estado norte-americano.

    O analista político ucraniano Volodymyr Fesenko afirmou à agência France-Presse (AFP) que o anúncio da trégua por Kiev é uma manobra tática nos campos “informativo e político”.

    “Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o dela. Isso anula a iniciativa de Putin”, disse Fesenko, considerando “quase certo” que nenhuma das tréguas será totalmente respeitada.

    Em abril, um cessar-fogo de 32 horas durante a Páscoa ortodoxa foi violado várias vezes na linha de frente, embora tenha havido uma redução nos ataques aéreos de longo alcance.

    Moscou rejeita um cessar-fogo duradouro, argumentando que isso permitiria a Kiev reforçar suas defesas. A Rússia exige, antes de qualquer interrupção dos combates, que a Ucrânia ceda a região de Donetsk (leste), atualmente sob controle parcial das forças russas.

    A área controlada pela Rússia na Ucrânia diminuiu cerca de 120 quilômetros quadrados em abril, a primeira redução desde o verão de 2023, segundo análise da AFP com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra.

    Ucrânia diz que Rússia violou cessar-fogo: "Cinismo absoluto"

  • Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

    Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

    Ministério da Saúde espanhol respondeu positivamente ao pedido da OMS para o desembarque nas Canárias dos passageiros do navio Hundius, onde foi detectado um surto de Hantavírus. Se se vier a concretizar, saiba como se desenrolará o processo.

    O Ministério da Saúde da Espanha confirmou que decidiu receber os passageiros do navio de cruzeiro Hondius, onde já foram confirmados pelo menos sete casos de hantavírus.

    A decisão, segundo o governo espanhol, foi tomada com base no cumprimento do Direito Internacional e em um espírito humanitário.

    O processo, no entanto, será realizado seguindo procedimentos e regras específicas, em uma operação que gera algumas preocupações.

    Vale lembrar que, a bordo do navio, várias pessoas podem estar infectadas com a síndrome respiratória por hantavírus, que já causou três mortes.

    Por que Espanha?

    O navio partiu da Argentina com destino a Cabo Verde, com mais de 140 pessoas a bordo. Foi lá que os primeiros casos da doença foram diagnosticados, embora se acredite que a infecção original tenha ocorrido fora da embarcação.

    A OMS considera que Cabo Verde não tem condições para realizar essa operação, e a escolha das Ilhas Canárias se deve ao fato de ser o local mais próximo com a infraestrutura necessária.

    “A Espanha tem a obrigação moral e legal de ajudar essas pessoas, entre as quais também há cidadãos espanhóis”, afirmou a OMS.

    Como será feito o desembarque?

    A operação de desembarque será realizada em coordenação com a União Europeia. O governo espanhol divulgará os detalhes do protocolo assim que forem definidos pela OMS e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

    Por enquanto, sabe-se, segundo o ABC, que está sendo feita uma inspeção detalhada no navio para identificar quais pessoas precisam ser retiradas com urgência em Cabo Verde — como é o caso de um médico em estado grave.

    Os demais passageiros seguirão viagem até as Ilhas Canárias, onde a chegada é esperada dentro de três ou quatro dias. O porto específico ainda não foi definido, informou o Ministério da Saúde. Ao chegarem, tripulação e passageiros serão devidamente examinados, atendidos e transferidos para seus respectivos países.

    O processo será coordenado por meio de um protocolo comum de gestão de casos e contatos elaborado pela OMS e pelo ECDC.

    Tanto o atendimento médico quanto o transporte serão realizados em locais e meios especiais preparados para essa situação, evitando qualquer contato com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde, segundo a imprensa espanhola.

    Antes disso, os casos suspeitos que ainda estão a bordo serão retirados em aeronaves médicas para tratamento em unidades de alta contenção. Os dois casos sintomáticos serão encaminhados para os Países Baixos a partir de Cabo Verde. Um contato de alto risco será colocado em quarentena na Alemanha, informou o ministério liderado pela ministra Mónica García.

    O desembarque vai acontecer?

    Apesar da confirmação do Ministério da Saúde espanhol sobre o recebimento do navio nas Ilhas Canárias, o líder do governo regional já se posicionou contra a decisão e pediu uma reunião urgente com o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

    Fernando Clavijo quer evitar que o cruzeiro com o surto de hantavírus faça escala nas ilhas, argumentando que a decisão não segue “nenhum critério técnico” e que não há “informações suficientes para transmitir uma mensagem de tranquilidade e garantir a segurança da população canária”.

    O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde partiu em 20 de março, e as Ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

    A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.

    Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contato próximo com o passageiro que morreu em 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e levado para Joanesburgo, onde está em estado grave na UTI.

    Os cinco casos suspeitos incluem dois passageiros que morreram (um homem em 11 de abril e uma mulher em 2 de maio) e três pessoas que continuam a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, sendo dois membros da tripulação.

    O que é o hantavírus?

    Os hantavírus podem ser transmitidos de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou partículas liberadas pela urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados ou mal ventilados.

    Nas Américas, alguns tipos de hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.

    A maioria dos hantavírus não é transmitida de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, registrado principalmente em partes da América do Sul e que já demonstrou capacidade de transmissão entre humanos.

    Ainda não se conhece a origem da infecção neste cruzeiro, nem qual variante específica do hantavírus está envolvida.

    A OMS avalia, no momento, que o risco desse surto para a população global é baixo.

    Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias