Categoria: MUNDO

  • Protestos atingem todo o Irã, e líder supremo ameaça manifestantes

    Protestos atingem todo o Irã, e líder supremo ameaça manifestantes

    País segue isolado do mundo devido a corte de internet; atos começaram com crise econômica e se espalharam; Aiatolá Khamenei diz que ataques a prédios do regime foram orquestrados por mercenários a serviço de Trump e Israel

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Com as manifestações contra o governo atingindo todas as 31 províncias do Irã, o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, adotou a linha dura. Disse que Teerã “não irá tolerar cidadãos agindo como mercenários para estrangeiros”.

    Em discurso nesta sexta-feira (9), Khamenei apontou o dedo para Donald Trump, o presidente americano que havia prometido intervir militarmente no país caso houvesse mortes na repressão ao protestos -até quinta, segundo a ONG norueguesa Iran Human Rights, foram 45, além de dois policiais.

    “Na noite passada em Teerã, um bando de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertence ao Estado, ao povo, só para agradar o coração do presidente dos Estados Unidos”, disse. Trump deve “cuidar do próprio país”, completou o líder supremo.

    Foi uma rara admissão da escala dos problemas, que segundo redes de ativistas já atingiram 300 cidades. A capital teve sua noite mais agitada desde o começo da crise, no fim do ano, com carros queimados e multidões nas ruas.

    Enquanto ameaça a população, o regime manteve a rotina já observada nos dia anteriores de cortes na internet, para tentar coibir a organização de atos. Além disso, celulares e mesmo linhas terrestres pararam de funcionar de forma constante.

    Segundo disse à Folha de S.Paulo uma ativista iraniana chamada Noor, que pediu para omitir seu sobrenome, as manifestações não são centralizadas, sendo convocadas por aplicativos de mensagem.

    Os protestos começaram a engrossar em 28 de dezembro. A faísca, na expressão de Noor, foi a carestia: inflação de 42,5% ao ano e uma aceleração na desvalorização do rial ante o dólar, que fechou o ano tirando metade do valor da moeda local ante a americana.

    Isso encarece os bens de consumo importados a que a classe média tem acesso. Para piorar, uma crise hídrica sem precedentes fez o governo anunciar um plano para evacuar Teerã.

    Rapidamente, os atos passaram a mirar o governo, incorporando agendas de manifestações passadas: houve grandes jornadas de protestos em 2009, 2017, 2019 e 2022-23. A mais recente havia sido disparada pela morte na cadeia de uma jovem presa por usar o véu islâmico de forma que a polícia religiosa achou errada.

    Inicialmente, os protestos se concentraram no sensível oeste do país, onde há maioria étnica curda e a instável fronteira com o Iraque. A maioria das mortes ocorreu na quarta (7) na província de Ila, na região.

    Mas entre quinta e sexta houve um espraiamento ainda maior. Atos isolados em cidades grandes, como Teerã e Isfahan, viraram movimentos maiores e mais violentos, como vandalismo de que Khamenei se queixou, numa rara admissão de que o problema para o governo é sério.

    Na madrugada desta sexta, houve um grande protesto em Mashhad (leste), a segunda maior cidade do país e considerada o coração espiritual da República Islâmica.

    Na província sulista de Fars, manifestantes derrubaram uma estátua do general Qassem Suleimani, que foi o principal militar do país e é incensado pelo regime como herói nacional, morto em um ataque ordenado por Trump em 2020.

    Houve incêndios relatados na madrugada, nos momentos em que vídeos conseguiam escapar dos mecanismos de controle e atingir redes sociais, em diversas cidades. Na capital, além do prédio vandalizado, houve grandes concentrações em praças.

    Mesmo na TV estatal os relatos abundam. “Isso aqui parece uma zona de guerra, todos as lojas foram destruídas”, disse um jornalista em frente a incêndios no porto de Rasht, no mar Cáspio. Ao menos seis voos internos no país tiveram de ser cancelados.

    Como contou Noor, não há uma liderança oposicionista clara. Quem está tentando ocupar esse lugar é o filho do xá Reza Pahlavi, o líder que foi derrubado pela revolução islâmica em 1979. O príncipe herdeiro homônimo, que mora nos EUA, publicou vídeos pedindo manifestações pacíficas. “Vão às ruas”, disse.

    Sua fala tem tido ressonância em jovens como Noor, mas é incerto se ele teria densidade para entrar em campo no caso de um colapso da teocracia fundada por Ruhollah Khomeini, o aiatolá sucedido por Khamenei após sua morte em 1989.

    REGIME ESTÁ ACUADO

    Os atos, segundo os relatos, ainda não foram tão grandes quantos os do biênio 2022-23, mas estão crescendo em violência. Mas eles pegam a teocracia num momento de extrema fragilidade.

    Em 2024, o presidente Ebrahim Raisi, sucessor presumido de Khamenei, morreu numa nebulosa queda de helicóptero. O país trocou fogo em duas ocasiões naquele ano com Israel, na esteira do ataque de seu preposto Hamas ao Estado judeu, que levou a uma campanha que desarticulou a rede de proteção de Teerã na região.

    Os grupos palestinos Hamas e Jihad Islâmico, além do libanês Hezbollah, foram duramente atingidos pela guerra de Israel. Em junho de 2025, os rivais foram às vias de fato numa violenta guerra aérea de 12 dias que teve participação especial de Trump: o americano bombardeou as instalações do programa nuclear iraniano pela primeira vez.

    Um instável cessar-fogo se seguiu, mas a crise econômica só fez piorar. O Irã está sob sanções mais duras dos EUA desde que Trump, no primeiro mandato, abandonou o acordo no qual a teocracia abdicava de ter a bomba atômica em troca de comércio mais livre.

    Agora, o governo do presidente Masoud Pezeshkian tenta se equilibrar na crise. Ele demitiu o chefe do Banco Central e tem feito declarações mais amenas, contemporizando acerca da dureza da crise. Mas seu superior, Khamenei, manteve a linha mais dura e a poderosa Guarda Revolucionária, o verdadeiro poder no país, tem apertado a repressão.

    Protestos atingem todo o Irã, e líder supremo ameaça manifestantes

  • EUA capturam mais um petroleiro perto da Venezuela

    EUA capturam mais um petroleiro perto da Venezuela

    Navio com bandeira dO Timor Leste tentava furar bloqueio naval determinado por Trump, na quinta ação do tipo desde dezembro; americanos monitoram outros 15 navios, inclusive ao menos 3 que assumiram bandeira russa e estão no Atlântico

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Os Estados Unidos ampliaram nesta sexta-feira (9) o bloqueio naval contra a venda de petróleo da Venezuela, abordando e apreendendo mais um navio no Caribe. É a quinta ação do tipo desde que Donald Trump começou essa campanha, em dezembro.

    Segundo agências de notícias, forças americanas interceptaram o petroleiro Olina perto da costa de Trinidad e Tobago, perto do território venezuelano. Ele voltava de uma viagem à China na qual, suspeitam as autoridades dos EUA, havia transportado petróleo de Caracas.

    Segundo monitores de tráfego marítimo, o Olina tem bandeira do Timor Leste, o que sugere sua participação na chamada frota fantasma que usa identidades nebulosas para driblar sanções internacionais. O navio de 252 metros havia partido do porto chinês de Liuheng em 19 de dezembro.

    O americano Wall Street Journal disse que a embarcação havia feito transporte de petróleo e derivados russos diversas vezes e estava sob sanção.

    A operação ocorre dois dias depois da mais espetaculosa ação desta crise, quando forças dos EUA finalizaram uma perseguição de duas semanas ao petroleiro Marinera, que mudou de nome e assumiu a bandeira da Rússia na esperança de evitar a apreensão.

    Além de caçar, abordar e apreender o navio já perto da costa da Islândia, os americanos fecharam a porta na região ao deslocar para o Reino Unido vários aviões de patrulha e sensoriamento remoto, visando identificar embarcações no Atlântico Norte.

    A Rússia protestou contra o que chamou de pirataria, mas evitou reclamar o Marinera para si -ao menos três marinheiros do país no navio já foram libertados. Ao mesmo tempo, ao fazer o segundo uso na Guerra da Ucrânia do poderoso míssil Orechnik, nesta noite de quinta (8), Moscou também deu uma sinalização militar aos EUA.

    Segundo monitores marítimos, há ainda ao menos 15 embarcações que desligaram seus transponders, o equipamento que permite o rastreio via satélite, tentando fugir do bloqueio de Trump. Dessas, analistas russos estimam que ao menos três navegam com a bandeira do país de Vladimir Putin.

    Trump não dá sinais de que isso o irá demover. No sábado, sua campanha para tomar controle econômico da Venezuela teve uma etapa dramática, com o ataque militar e a captura do ditador Nicolás Maduro, e sua mulher Cilia Flores, em Caracas.

    Eles foram levados para Nova York, onde serão julgados sob a acusação de narcoterrorismo, ainda que os termos do indiciamento já tenham sido mudados. O ditador era o principal aliado de Putin no Hemisfério Ocidental, que Trump decretou como zona de influência exclusiva americana em sua nova Estratégia de Segurança Nacional.

    Antes do episódio do Olina, houve a apreensão do Marinera e do Sophia, este no Caribe, na quarta. Em 10 de dezembro, o Skipper, que levava petróleo venezuelano para Cuba, também foi interceptado. Em 20 de dezembro, foi a vez do Centuries.

    EUA capturam mais um petroleiro perto da Venezuela

  • Venezuela e EUA retomam contato diplomático limitado e avaliam reabertura de embaixadas

    Venezuela e EUA retomam contato diplomático limitado e avaliam reabertura de embaixadas

    Regime da líder interina Delcy Rodríguez busca restabelecer missões nos dois países quase uma semana após ataque; delegação americana chega a Caracas para avaliar condições de reaproximação; relações estão rompidas desde 2019

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Quase uma semana após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, Washington e Caracas retomaram os contatos diplomáticos, ainda que de forma limitada, e já avaliam a reabertura de embaixadas nos dois países.

    A Venezuela anunciou nesta sexta-feira (9) o início do que chamou de “processo exploratório” para retomar as relações com Washington, rompidas desde 2019. Os EUA, por sua vez, enviaram ao país sul-americano uma delegação liderada por John McNamara, encarregado de negócios americano na Colômbia, para fazer uma avaliação de uma possível volta gradual das operações diplomáticas.

    Segundo comunicado divulgado pelo chanceler venezuelano, Yván Gil, o regime da líder interina do país, Delcy Rodríguez, decidiu abrir um canal preliminar com Washington para restabelecer representações nos dois países. No texto, Caracas afirma que a medida tem o objetivo de avaliar as condições para a retomada formal das relações bilaterais.

    O regime venezuelano confirmou também a chegada da delegação dos EUA a Caracas e informou que enviará uma representação oficial a Washington como parte desse processo inicial de aproximação.

    Em comunicado separado, a Venezuela reiterou que a fase atual é de “caráter exploratório”, sem explicar o que isso significa, e voltada à reconstrução da presença diplomática mútua. Do lado americano, funcionários do Departamento de Estado disseram que farão avaliações técnicas e logísticas.

    A movimentação marca um gesto raro de diálogo direto entre os dois países após anos de ruptura diplomática. Ocorre também num contexto ainda de tensão política e militar entre Caracas e Washington.

    Apesar dos movimentos iniciais para reaproximação, diplomatas ouvidos pela agência de notícias AFP afirmam que Washington ainda não tomou uma decisão sobre a reabertura da embaixada. Segundo as autoridaades, questões logísticas continuam em análise, embora os EUA estejam preparados para retomar a missão diplomática assim que o presidente Donald Trump autorizar.

    Desde o fechamento da embaixada na Venezuela, as operações americanas relacionadas ao país passaram a ser conduzidas a partir da embaixada na Colômbia, que também funcionou sem um embaixador titular durante esse período.

    Venezuela e EUA retomam contato diplomático limitado e avaliam reabertura de embaixadas

  • Trump diz que suspendeu novos ataques contra a Venezuela após regime libertar presos políticos

    Trump diz que suspendeu novos ataques contra a Venezuela após regime libertar presos políticos

    Ao menos oito pessoas foram soltas; ativistas eram perseguidos pela ditadura de Nicolás Maduro; presidente americano diz que Washington e Caracas estão ‘trabalhando bem juntos’

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (8) que suspendeu novos ataques contra a Venezuela porque, em suas palavras, Washington e Caracas estão “trabalhando bem juntos”. O anúncio ocorre um dia após o regime anunciar a libertação de presos políticos no país.

    Ao menos oito pessoas foram soltas, segundo a ONG venezuelana Foro Penal. A ditadura de Nicolás Maduro realizava detenções arbitrárias como forma de perseguição política, e opositores eram detidos sob acusações de terrorismo, conspiração e traição à pátria.

    “A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como sinal de que está buscando a paz”, afirmou o republicano em um post em sua rede, a Truth Social. “Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que era anteriormente esperada, a qual tudo indica não será necessária.”

    A mobilização militar na região, porém, deve continuar, já que Trump afirmou que os navios de guerra enviados ao mar do Caribe permanecerão onde estão para garantir “ordem e proteção”.

    O número de pessoas liberadas ainda é menos de 1% do total de detenções realizadas nos últimos anos. A Foro Penal estima em 806 os presos por motivos políticos na Venezuela, mas o levantamento final pode ser ainda maior -a organização venezuelana Justiça, Encontro e Perdão, por exemplo, contabilizou mais de mil presos políticos no país em novembro do ano passado.

    O anúncio da liberação dos presos foi feito na quinta-feira (8) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez -irmão da líder interina, Delcy Rodríguez. Ele disse que a decisão foi um “gesto unilateral de paz” e que, portanto, não teria sido acordado com nenhuma outra parte.

    A renomada ativista Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania venezuelana e espanhola e que foi presa em fevereiro de 2024 ao tentar deixar a Venezuela, está entre os libertados. Ela estava detida no Helicoide, prisão rotulada por organizações de direitos humanos como “centro de tortura” da ditadura.

    Outro libertado foi Enrique Márquez, ex-candidato à Presidência da Venezuela detido após denunciar irregularidades nas eleições de 2024, que deram um terceiro mandato a Maduro apesar de diversas evidências de fraude.

    São as primeiras libertações sob Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA. Ambos estão presos em Nova York.

    Delcy participou na quinta-feira (8) de um ato em homenagem aos mortos durante a ação americana que levou Maduro. Numa aparente tentativa de afastar especulações de traição e de que a nova líder teria negociados com os EUA, ela disse que houve resistência das forças segurança da Venezuela.

    “Aqui ninguém se entregou. Aqui houve combate e houve combate por esta pátria”, disse ela durante a cerimônia. “Não estamos subordinados nem estamos submetidos. Temos dignidade histórica e temos compromisso e lealdade com o presidente Nicolás Maduro.”

    Trump diz que suspendeu novos ataques contra a Venezuela após regime libertar presos políticos

  • Polícia encontra centenas de ossadas em porão de homem: "Filme de terror"

    Polícia encontra centenas de ossadas em porão de homem: "Filme de terror"

    Homem de 34 anos tinha centenas de ossadas guardadas no porão de sua casa. Algumas tinham 200 anos, outras eram mais recentes

    Mais de 100 esqueletos humanos foram encontrados dentro da casa de um homem, de 34 anos, em Pensilvânia, nos Estados Unidos.

    Jonathan Gerlach enfrenta cerca de 500 acusações por, supostamente, ter colecionado ossadas humanas, que conseguiu através da profanação de túmulos e monumentos funerários, revela o Daily Mail.

    A sua coleção teria começado no Halloween e a polícia de Delaware County define toda a situação como um “verdadeiro filme de terror”.

    “Os detetives recuperaram um número lamentável de ossos até agora, e ainda estamos tentando juntar as peças para perceber a quem pertencem e de onde vêm”, disse o advogado Tanner Rouse.

    As autoridades encontraram crânios, ossos, pés mumificados e troncos em decomposição, que estavam armazenados no porão do homem.

    “Os detetives entraram em um filme de terror. É um cenário inimaginável”, disse. “Sinto muito por aqueles que estão tristes com isto, que estão passando por isso, que estão tentando descobrir se é, de fato, o seu ente querido ou o seu filho — porque encontramos restos mortais que acreditamos serem de bebés com meses de idade”, completa, referindo que alguns dos restos mortais teriam 200 anos enquanto outros são mais recentes. 

    “Estavam em vários estados. Alguns estavam pendurados, por assim dizer. Outros estavam reunidos em pedaços, outros eram apenas crânios em uma prateleira”, detalhou. 

    Os agentes afirmaram que a prisão de Jonathan Gerlach, que aconteceu na terça-feira à noite, foi o culminar de uma investigação de vários meses sobre arrombamentos no cemitério Mount Moriah, onde pelo menos 26 mausoléus e criptas foram abertos à força. Depois disso, as autoridades encontraram ossos e crânios no banco traseiro de um carro estacionado perto de um cemitério abandonado nos arredores de Filadélfia.

    O homem foi preso quando estava saindo do cemitério e agora é acusado de 500 crimes.

    Polícia encontra centenas de ossadas em porão de homem: "Filme de terror"

  • Parteira que queria mudar acesso à saúde nos EUA morre após dar à luz

    Parteira que queria mudar acesso à saúde nos EUA morre após dar à luz

    Janell Green Smith, de 31 anos, morava em Spartanburg, na Carolina do Sul, e era conhecida pelo trabalho em defesa de partos mais seguros e humanizados, especialmente para mulheres negras

    Janell Green Smith, médica parteira que acompanhou dezenas de partos ao longo da carreira, viveu ao mesmo tempo a realização de um sonho e uma tragédia pessoal. Após anos ajudando outras mulheres a dar à luz, ela morreu poucos dias depois do nascimento da própria filha, em um desfecho marcado por alegria, luto e alerta sobre a saúde materna.

    Janell Green Smith, de 31 anos, morava em Spartanburg, na Carolina do Sul, e era conhecida pelo trabalho em defesa de partos mais seguros e humanizados, especialmente para mulheres negras. Nos meses anteriores, ela vinha compartilhando a expectativa pela chegada da primeira filha, prevista inicialmente para fevereiro.

    Segundo a irmã, Janell também carregava preocupações. Ela tinha plena consciência de que mulheres negras têm um risco até três vezes maior de morrer durante o parto, realidade que motivou sua militância por igualdade no acesso à saúde. “O pior medo dela acabou se tornando realidade”, disse a familiar em entrevista à NBC.

    Durante a gestação, Janell desenvolveu pré-eclâmpsia, condição grave associada à pressão alta e que pode ser fatal. Por orientação médica, o parto foi antecipado, e ela passou por uma cesariana no dia 26 de dezembro, cerca de oito semanas antes do previsto.

    A princípio, a recuperação parecia evoluir bem, mas houve complicações no local da cirurgia. A incisão se rompeu, exigindo uma nova intervenção. O quadro se agravou rapidamente, e Janell sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ela morreu na virada do ano, menos de uma semana após dar à luz.

    O marido lamentou a perda nas redes sociais, descrevendo-a como “uma ausência inimaginável” e afirmando que o impacto de sua partida será sentido para sempre. A filha do casal permanece internada em uma unidade de terapia intensiva neonatal.

    Mesmo diante da tragédia, amigos e colegas afirmam que Janell deixou um legado. Para eles, ela cumpriu seu propósito ao levantar a voz em defesa de cuidados maternos mais seguros, respeitosos e justos, não apenas em sua comunidade, mas também como símbolo de uma luta que ultrapassa fronteiras.
     
     
     
     
     
     
     
     

     

     

     

    Janell Green Smith assistiu a dezenas de partos enquanto médica parteira. Após anos a ver os filhos de outros a nascerem, Janell deu à luz a filha, um momento da sua vida marcado por alegria e luto. 

    A mulher, que se celebrizou por querer melhorar as condições em que as mulheres, sobretudo negras, dão à luz, partilhou ao longo dos últimos meses o entusiasmo com que estava a preparar a vinda da sua primeira filha, cuja data de nascimento estava agendada para fevereiro.

    Porém, a mulher, de 31 anos, que vivia em Spartanburg, Carolina do Sul, estava também nervosa, revela agora a sua irmã.

    Segundo esta, Janell sabia bem que “uma mulher negra tem três vezes mais probabilidades de poder morrer durante o parto”, motivo aliás pelo qual regeu a sua luta pela igualdade no acesso a cuidados de saúde.

    “O seu pior pesadelo tornou-se real”, afirma a irmã, em declarações à NBC, revelando que Janell morreu no dia da Passagem de Ano, menos de uma semana depois de ter dado à luz. 

    A parteira desenvolveu pré-eclâmpsia durante a gravidez, uma condição caracterizada por hipertensão arterial que pode ser fatal. Devido aos riscos, é aconselhado que estas mães deem à luz antes de tempo, tendo Janell sido sujeita a uma cesariana no dia 26 de dezembro, oito semanas antes do previsto.

    Janell parecia estar a recuperar da cesariana, mas o local da incisão acabou por romper-se e a mulher teve de ser sujeita a uma cirurgia. A sua situação complicou-se a Janell acabou por entrar em paragem cardiorrespiratória.

    “Uma perda inimaginável”, escreveu o seu marido nas redes sociais, acrescentando que a sua ausência será sentida para sempre.

     
     
     

     
     
    Ver esta publicação no Instagram

     
     
     
     

     
     

     
     
     

     
     

    Uma publicação partilhada por Daiquan Vernez Smith (@dvs0928)

    Parteira que queria mudar acesso à saúde nos EUA morre após dar à luz

  • UE aprova acordo com Mercosul após impasse agrícola e tensão política

    UE aprova acordo com Mercosul após impasse agrícola e tensão política

    Após anos de negociações e semanas de tensão política, uma maioria qualificada de países da União Europeia deu aval ao acordo de livre-comércio com o Mercosul. O sinal verde abre caminho para a assinatura do tratado, mesmo diante de protestos de agricultores e críticas de governos como o francês.

    A União Europeia decidiu avançar com o acordo de livre-comércio com o Mercosul após formar uma maioria qualificada entre os Estados-membros, encerrando um impasse político que se arrastava há semanas em Bruxelas, de acordo com a AFP. A decisão abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje nos próximos dias ao Paraguai, país que ocupa a presidência rotativa do Mercosul em 2026, para formalizar a assinatura do tratado.

    O aval europeu ocorre depois de intensas negociações internas para contornar a resistência de países como França e Itália, que vinham bloqueando o acordo sob o argumento de que o texto não oferecia garantias suficientes ao setor agrícola do continente. A pressão de agricultores, que realizaram protestos e bloqueios em vários países, também pesou no debate.

    Para destravar o processo, a Comissão Europeia apresentou um pacote de medidas voltadas ao campo. Entre elas está o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum. O montante faz parte de um orçamento total de 293,7 bilhões de euros destinados ao setor, sinalização que foi decisiva para que a Itália recuasse de sua oposição.

    Com a mudança de posição italiana e apesar da continuidade das críticas francesas, os embaixadores dos 27 países da UE reunidos em Bruxelas consideraram que não havia mais uma minoria de bloqueio capaz de impedir o avanço do tratado.

    Negociado ao longo de 26 anos, o acordo é considerado um dos mais ambiciosos já firmados pela União Europeia. Ele prevê a criação de uma ampla zona de livre-comércio entre a UE e os países do Mercosul Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, reunindo um mercado potencial de mais de 720 milhões de consumidores e economias que, juntas, somam cerca de 22,3 trilhões de dólares em Produto Interno Bruto.

    A expectativa agora é de que a assinatura marque uma nova etapa nas relações comerciais entre Europa e América do Sul, embora o acordo ainda deva enfrentar debates políticos e pressões internas antes de sua plena implementação.

    UE aprova acordo com Mercosul após impasse agrícola e tensão política

  • Putin ataca Ucrânia com supermíssil, e Kiev convoca Otan

    Putin ataca Ucrânia com supermíssil, e Kiev convoca Otan

    Segundo o Ministério da Defesa russo, a ação foi uma vingança contra a tentativa de Kiev de alvejar uma residência de verão de Putin com aviões-robôs no fim de dezembro

    (CBS NEWS) – As forças de Vladimir Putin usaram o supermíssil Orechnik durante um grande ataque aéreo à Ucrânia na noite desta quinta-feira (8). O modelo balístico de alcance intermediário russo desenhado para guerras nucleares havia sido testado contra o país em novembro de 2024.

    Segundo o Ministério da Defesa russo, a ação foi uma vingança contra a tentativa de Kiev de alvejar uma residência de verão de Putin com aviões-robôs no fim de dezembro. O presidente Volodimir Zelenski negou a iniciativa e disse que Moscou queria tumultuar as negociações de paz que travava com os EUA e a Europa.

    O ataque também ocorre em meio à europeia por um acordo favorável a Kiev na guerra iniciada por Vladimir Putin em 2022, e um dia depois de forças dos Estados Unidos apreenderem um petroleiro de bandeira russa com óleo embargado venezuelano. Até aqui, Moscou havia reagido de forma discreta ao caso.

    Na manhã desta sexta (9), a chancelaria ucraniana convocou uma reunião de emergência com a Otan e do Conselho de Segurança da ONU. O alvo do Orechnik (aveleira, em russo) foi o maior depósito de gás subterâneo da Europa, em Strii. O local fica na região de Lviv, a principal cidade do oeste ucraniano, a menos de 100 km da fronteira da Polônia, país membro da aliança militar ocidental.

    Câmeras de segurança captaram os clarões às 23h46 (18h46 em Brasília), antecipando uma noite com diversos ataques em vários pontos do país. Foram empregados 36 mísseis e 242 drones. Em Kiev, ao menos quatro pessoas morreram.

    Na ocasião, o Kremlin havia dito que já tinha selecionado alvos para o ataque retaliatório, levando a temores de que o Orechnik fosse empregado. Em 2024, Putin havia chegado a dizer que poderia usar a arma contra “os centros de decisão” em Kiev, ou seja, matar Zelenski.

    Mais cedo nesta quinta, Zelenski havia dito em seu usual pronunciamento noturno que havia movimentações suspeitas no centro de lançamento de Kasputin Iar, em Astrakhan, de onde o Orechnik lançado contra Dnipro há pouco mais de um ano.

    O local fica a cerca de 1.800 km de Lviv. O supermíssil não tem alcance divulgado, mas se encaixa na categoria que pode variar de 550 km a 5.000 km, segundo as definições internacionais.

    Segundo o Comando Oeste da Força Aérea ucraniana, as ogivas atingiram o alvo a Mach 11 (13,5 mil km/h), exatamente o registrado no primeiro ataque do Orechnik, contra a cidade de Dnipro (leste).

    Vídeos gravados por moradores mostraram a reentrada na atmosfera de múltiplas ogivas em altíssima velocidade e envoltas em plasma incandescente, exatamente como ocorreu em Dnipro. Uma unidade de segurança nuclear de Lviv foi ao local procurar resíduos radioativos, mas não encontrou nada.

    Um alerta de lançamento de Kasputin Iar havia sido declarado 11 minutos antes das explosões. Houve apagões na região. O mesmo ocorrreu em outras regiões, como Kiev, onde cerca de metade da cidade ficou no escuro.

    O míssil, que emprega até seis ogivas independentes, uma formulação típica para o emprego de armas nucleares -que, por óbvio, não foram usadas agora. Quando atingiu Dnipro, um vídeo permitiu ver que cada ogiva tinha até seis submunições, que naquela ocasião não tinham explosivos, apenas sua força cinética.

    Ela é brutal: as cargas caem a 11 vezes a velocidade do som, ou 13,5 mil km/h. Como o míssil sai da atmosfera, sua detecção precisaria ter sido feita por sensores dos EUA ou da Europa inexistentes na Ucrânia. E Kiev não tem interceptadores capazes de atingir tais armas no espaço.

    Putin sempre que pode faz propaganda do míssil, considerado por ele invencível. Depois do alegado ataque à residência presidencial, a Rússia anunciou a abertura do primeiro batalhão operacional do Orechnik em Belarus, com alcance para atingir toda a Europa. Mas o lançamento desta quinta foi da base mais distante, na Rússia.

    Se o ataque for limitado à região de Lviv, cidade simbólica por ser distante das regiões de maioria étnica russa da Ucrânia e próxima da Polônia, foi uma sinalização de Putin ao Donald Trump.

    O Kremlin estava silente acerca das negociações de paz que ocorreram em Paris nesta semana, mas nesta quinta a chancelaria reafirmou que a proposta de envio de uma força de paz franco-britânica para monitorar na Ucrâsnia um eventual cessar-fogo tornaria as tropas “alvos legítimos”.

    Há diversos outros pontos que não estão claros nos termos, como a cessão territorial que Zelenski está disposto a aceitar. O foco na questão das garantias de segurança contra uma eventual agressão russa após a paz irritou o governo russo.

    Nesta quinta, o presidente ucraniano havia dito que estava tudo pronto para submeter o plano a Trump, o fiador das conversas. O negociador russo Kirill Dmitriev esteve nesta quinta em Paris e encontrou-se com o colega americano Steve Witkoff e o genro de Trump Jared Kushner, que participaram dos debates com Zelenski e europeus.

    O ataque com o Orechnik é uma demonstração de força de Putin para a hora em que for abordado pelo colega americano. Além disso, há a questão da apreensão do petroleiro de bandeira russa.

    Como a Folha mostrou, no governo russo há a impressão que o sucesso militar contra Nicolás Maduro no sábado (3) poderá fazer Trump endurecer sua posição, usualmente mais favorável a Moscou.

    O Orechnik foi desenvolvido a partir de um modelo anterior soviético. Em 2019, Trump em seu primeiro mandato determinou a saída dos EUA do tratado INF, sigla inglesa para Forças Nucleares Intermediárias, que proibia a instalação nos países da Europa de mísseis com o tal alcance: de 550 km a 5.500 km.

    O tratado era parte do tripé que sustentou o fim da Guerra Fria. O último acordo remanescente, de armas estratégicas, vence no dia 5 de fevereiro. Putin ofereceu uma extensão, mas Trump indicou nesta quinta que não topará. “Se expirar, expirou”, disse ao jornal New York Times.

    Putin ataca Ucrânia com supermíssil, e Kiev convoca Otan

  • Trump declara que EUA vão "iniciar ataques terrestres" contra cartéis

    Trump declara que EUA vão "iniciar ataques terrestres" contra cartéis

    Após bombardeios a embarcações no Caribe e no Pacífico, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o país ampliará a ofensiva contra o narcotráfico, com ações em terra contra cartéis. Trump citou o México, mas não detalhou locais nem prazos.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país planeja iniciar ataques terrestres contra cartéis de droga nas Américas, citando especialmente o México como um dos principais locais de atuação, sem, no entanto, especificar exatamente onde essas operações ocorreriam.

    Em entrevista à Fox News, Trump declarou que os cartéis “controlam o México” e que os Estados Unidos devem agir para enfrentar o narcotráfico com maior contundência, indo além dos bombardeios de embarcações nos mares do Caribe e do Oceano Pacífico que já vinham sendo realizados pelos EUA sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas.

    O presidente também pressionou o México a “retomar o controle” diante da atuação dos grupos criminosos e disse ter pedido à presidente mexicana Claudia Sheinbaum autorização para que forças dos Estados Unidos possam combater os cartéis em território mexicano — proposta que já havia sido rejeitada anteriormente pela governante.

    Trump tem defendido que as ações militares fazem parte de um esforço mais amplo para enfrentar o narcotráfico na região, em um momento em que os Estados Unidos ampliaram o uso das forças armadas após operações marítimas que visam embarcações supostamente ligadas ao tráfico, embora Washington ainda não tenha apresentado provas de que essas embarcações transportavam drogas.

    A postura de Trump ocorre poucos dias depois da operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, acusados pela Justiça americana de narcoterrorismo e tráfico de cocaína.

    O anúncio dos possíveis ataques terrestres contra cartéis amplia o debate sobre intervenções militares e soberania na região, recebendo reações contrárias de autoridades latino-americanas e gerando preocupações sobre o respeito ao direito internacional.

    Trump declara que EUA vão "iniciar ataques terrestres" contra cartéis

  • EUA considera pagar até US$ 100 mil a habitantes da Groenlândia para anexar ilha, diz agência

    EUA considera pagar até US$ 100 mil a habitantes da Groenlândia para anexar ilha, diz agência

    Governos da Groenlândia e da Dinamarca afirmam que território não esta à venda; vice-presidente dos EUA diz que Europa deve levar Trump a sério

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governo Trump discutiu o envio de pagamentos diretos aos habitantes da Groenlândia como parte de uma tentativa de convencê-los a se separarem da Dinamarca e se juntarem aos Estados Unidos, segundo uma reportagem publicada pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (8).

    De acordo com a agência, autoridades americanas, incluindo assessores da Casa Branca, discutiram valores entre US$10.000 (R$ 53.883,00, na cotação atual) e US$100.000 (R$ 538.960,00) por pessoa. O salário mensal médio na Groenlândia é de 30 mil coroas dinamarquesas (R$ 25 mil), segundo estimativas.

    A ideia é vista como uma tentativa de comprar o território ultramarino da Dinamarca, que tem 57 mil habitantes. Autoridades de Copenhague e da Groenlândia insistem que a ilha não está à venda.

    “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, em uma publicação no Facebook no domingo, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar novamente à imprensa que os EUA precisavam adquirir a ilha.

    Segundo a agência, a tática está entre vários planos discutidos pela Casa Branca para adquirir a Groenlândia, incluindo a possibilidade de intervenção militar. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, afirmou nesta quinta que líderes europeus deveriam levar Donald Trump a sério no que se refere à ilha.

    Uma autoridade americana afirmou à Reuters que os assessores da Casa Branca estavam ansiosos para manter o “impulso” da intervenção na Venezuela para realizar outros objetivos geopolíticos de longa data de Trump.

    Questionada sobre as discussões, a secretária de imprensa dos EUA Karoline Leavitt afirmou que Trump e seus assessores de segurança nacional analisam “uma potencial compra”.

    O secretário de Estado americano, Marco Rubio, planeja se reunir com seu homólogo dinamarquês na próxima semana, em Washington, para discutir a questão.

    Na terça-feira, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram uma declaração conjunta, afirmando que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir questões relacionadas às suas relações.

    EUA considera pagar até US$ 100 mil a habitantes da Groenlândia para anexar ilha, diz agência