Categoria: MUNDO

  • Brasil e Portugal querem acelerar acordo Mercosul-União Europeia

    Brasil e Portugal querem acelerar acordo Mercosul-União Europeia

    Na conversa com Lula, de acordo com o Planalto, o primeiro-ministro cumprimentou o presidente brasileiro por seu empenho em favor da conclusão do acordo. Os dois também discutiram a necessidade que as novas regras possam entrar em vigor o mais rápido possíve

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira (13) com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Segundo comunicado do Palácio do Planalto, os dois líderes manifestaram satisfação com aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que deve ser assinado no próximo dia 17, no Paraguai. O novo tratado, que demorou 25 anos para ter suas negociações concluídas, ainda precisam passar por um processo de internalização dos países signatários.

    Na conversa com Lula, de acordo com o Planalto, o primeiro-ministro cumprimentou o presidente brasileiro por seu empenho em favor da conclusão do acordo. Os dois também discutiram a necessidade que as novas regras possam entrar em vigor o mais rápido possível.

    “Ambos coincidiram que a decisão dos dois blocos é um gesto muito importante de defesa do multilateralismo e do livre comércio, com grande dimensão política e estratégica neste momento histórico. Concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria firmada”, informou a Presidência da República, em nota. 

    Lula e Montenegro também trocaram impressões sobre a situação na Venezuela e destacaram a necessidade de se evitar um cenário de instabilidade na América do Sul.

    Brasil e Portugal querem acelerar acordo Mercosul-União Europeia

  • Trump insulta operário que o chamou "protetor de pedófilo"; veja

    Trump insulta operário que o chamou "protetor de pedófilo"; veja

    Gravado por celulares, Trump reagiu com xingamentos e mostrou o dedo do meio a um funcionário que o teria insultado. A Casa Branca saiu em defesa do presidente, enquanto a montadora decidiu suspender o trabalhador envolvido.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou um momento de tensão durante uma visita a uma fábrica da Ford Motor Company no estado de Michigan, na terça-feira. Gravado por celulares, Trump reagiu com xingamentos e mostrou o dedo do meio a um funcionário que o teria insultado. A Casa Branca saiu em defesa do presidente, enquanto a montadora decidiu suspender o trabalhador envolvido.

    As imagens, divulgadas inicialmente pelo TMZ, mostram Trump caminhando pelas instalações industriais quando interrompe a visita para responder ao funcionário, a quem dirige um gesto obsceno e uma ofensa verbal. De acordo com o site, o trabalhador teria chamado o presidente de “protetor de um pedófilo”, em referência ao caso de Jeffrey Epstein, empresário condenado por crimes sexuais e conhecido por manter relações com figuras influentes.

    A Casa Branca classificou a reação do presidente como adequada. Em declaração à CBS News, o diretor de Comunicação do governo, Steven Cheung, afirmou que “um lunático estava a gritar palavrões de forma descontrolada” e que Trump respondeu de maneira “adequada e inequívoca”.

    Após a repercussão do episódio, a Ford confirmou a suspensão do funcionário, identificado como membro do sindicato United Auto Workers. Em nota, o porta-voz da empresa, David Tovar, afirmou que a companhia não tolera comportamentos considerados inadequados dentro de suas instalações. “Um dos nossos valores fundamentais é o respeito. Quando isso é violado, temos procedimentos internos para lidar com a situação”, declarou, sem entrar em detalhes sobre o caso específico.

    A visita de Trump ao Michigan incluiu um discurso no Detroit Economic Club e uma passagem pela fábrica da Ford, localizada em Dearborn. Mais tarde, o presidente participou de um evento no Sound Board Theater, no complexo do MotorCity Casino, onde exaltou indicadores econômicos, celebrou a vitória no estado nas eleições de 2024 e voltou a defender a política de tarifas adotada por sua administração, dizendo que a palavra “tarifa” está entre as suas preferidas.

     

    Trump insulta operário que o chamou "protetor de pedófilo"; veja

  • Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

    Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

    Aos 26 anos, trabalhador do setor têxtil foi preso durante manifestações contra o regime, não teve acesso a advogado nem julgamento formal e pode se tornar o primeiro manifestante executado nesta nova onda de repressão no país.

    Erfan Soltani tem 26 anos, trabalha no setor têxtil e pode se tornar o primeiro manifestante executado pelo regime iraniano desde o início da nova onda de protestos no país. Organizações internacionais de direitos humanos afirmam que ele corre risco iminente de ser enforcado já nesta quarta-feira, após ter sido detido durante manifestações contra o governo.

    Erfan foi preso na noite de 8 de janeiro, nas proximidades de sua casa, no distrito de Fardis, na cidade de Karaj, região metropolitana de Teerã. Durante três dias, a família não recebeu qualquer informação sobre seu paradeiro. O contato só ocorreu no domingo seguinte, quando agentes de segurança confirmaram que o jovem estava sob custódia e já havia sido condenado à morte.

    Segundo relatos reunidos por entidades independentes, Erfan não teve acesso a advogado, não foi formalmente acusado e não passou por julgamento. A condenação teria sido baseada na acusação de “moharebeh”, termo usado pelo regime para classificar opositores como “inimigos de Deus”, crime que pode levar à pena capital no Irã.

    A família foi autorizada a um único encontro com o jovem, com duração de cerca de dez minutos. De acordo com fontes próximas, os agentes deixaram claro que se tratava de uma despedida final antes da execução da sentença. Parentes também teriam sido ameaçados para que não falassem com a imprensa nem denunciassem o caso publicamente.

    Erfan Soltani trabalhava na indústria do vestuário e havia começado recentemente em uma empresa privada. Pessoas próximas relatam que ele tinha interesse por moda, praticava musculação e levava uma vida discreta. Seu perfil em redes sociais, ainda ativo, mostra um jovem comum, distante de qualquer histórico de militância armada ou envolvimento violento.

    Organizações de direitos humanos alertam que o caso pode abrir caminho para uma escalada de execuções relacionadas aos protestos que tomam o país desde o fim de dezembro, motivados inicialmente pela inflação elevada e pelo colapso da moeda iraniana, o rial, e que rapidamente se transformaram em manifestações contra o regime.

    Segundo essas entidades, o Irã vive um cenário de repressão comparável ao dos anos 1980, período marcado por execuções em massa de opositores políticos. O temor é de que Erfan seja apenas o primeiro de muitos manifestantes a enfrentar punições extremas sem o devido processo legal.

    Grupos internacionais pedem pressão diplomática imediata e afirmam que a comunidade internacional tem a responsabilidade de agir para impedir execuções sumárias e proteger civis que protestam contra o governo iraniano.

    Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

  • Irã anuncia julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos

    Irã anuncia julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos

    Chefe do Judiciário defende condenações rápidas, sem garantias plenas de defesa, em meio à repressão que já deixou mais de 2.500 mortos. Medida eleva tensão internacional e provoca alertas de organizações de direitos humanos.

    O chefe do Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou nesta quarta-feira que pessoas detidas por participação nos protestos recentes contra o regime poderão ser submetidas a julgamentos sumários, com possibilidade de condenações rápidas e até execuções.

    Esse tipo de julgamento se caracteriza por processos acelerados, conduzidos sem as garantias básicas do devido processo legal, como direito pleno à defesa, tempo adequado para apresentação de provas e julgamento por um tribunal independente. Organizações internacionais de direitos humanos consideram esse procedimento uma grave violação das normas jurídicas internacionais.

    As manifestações, iniciadas em 28 de dezembro, se espalharam por todo o país e vêm sendo reprimidas com extrema violência. Segundo organizações não governamentais, mais de 2.500 pessoas já morreram desde o início dos protestos, número que pode ser ainda maior devido às dificuldades de comunicação no país.

    Ao justificar a adoção de julgamentos sumários, Mohseni-Ejei afirmou que a rapidez das punições seria essencial para conter os protestos. “Se quisermos fazer o trabalho, temos de fazê-lo agora. Se demorarmos dois ou três meses, não terá o mesmo efeito”, declarou, deixando claro o caráter punitivo e dissuasório das medidas.

    A escalada repressiva aumentou a tensão internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a alertar que Washington poderá adotar “medidas muito fortes” caso o regime iraniano avance com execuções de manifestantes. Trump já havia apoiado, em junho, a ofensiva militar de Israel contra Teerã.

    Paralelamente, ativistas contrários ao regime informaram que o serviço de internet via satélite Starlink, da empresa de Elon Musk, começou a oferecer acesso gratuito no Irã. A iniciativa ocorre após o governo bloquear quase totalmente a internet desde 8 de janeiro, como forma de dificultar a mobilização e a divulgação de informações sobre a repressão.

    Embora chamadas telefônicas internacionais a partir do Irã tenham sido parcialmente restabelecidas, contatos do exterior para dentro do país seguem restritos, o que mantém a população isolada em meio ao agravamento da crise política e humanitária.

    Irã anuncia julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos

  • 2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta centro europeu

    2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta centro europeu

    Planeta registrou o terceiro ano consecutivo com temperaturas acima do limite de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Relatório alerta que a meta do Acordo de Paris pode ser ultrapassada de forma permanente ainda nesta década.

    O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado no planeta e marcou o terceiro ano consecutivo em que a temperatura global ficou acima do limite de 1,5 °C em relação ao período pré-industrial. Os dados constam do relatório anual divulgado nesta terça-feira pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

    Segundo o levantamento, 2025 foi apenas 0,01 °C mais frio do que 2023 e 0,13 °C mais quente do que 2024, considerado o ano mais quente da história em escala global. A temperatura média do planeta no ano passado chegou a 14,97 °C, valor 0,59 °C acima da média registrada no período de referência entre 1991 e 2020.

    Na Europa, o cenário foi semelhante. O continente viveu o terceiro ano mais quente de sua série histórica, com temperatura média de 10,41 °C. O índice ficou 0,3 °C abaixo do recorde observado em 2024, mas ainda 1,17 °C acima da média de longo prazo.

    O relatório destaca ainda que o mundo já enfrenta três anos seguidos com temperaturas superiores a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, limite definido no Acordo de Paris, firmado em 2015, como meta para conter o aquecimento global no longo prazo. “Nenhum de nós queria chegar a esse marco”, afirmou Mauro Facchini, responsável pela área de Observação da Terra da Comissão Europeia.

    De acordo com os cientistas, o avanço das temperaturas é impulsionado principalmente pelo acúmulo contínuo de gases de efeito estufa na atmosfera e pelas temperaturas excepcionalmente elevadas da superfície dos oceanos. Esses fatores foram potencializados pelo fenômeno El Niño e por outras variações naturais do sistema oceânico, agravadas pelas mudanças climáticas.

    O estudo aponta que o aquecimento global de longo prazo já alcança cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais. Com esse ritmo, o limite estabelecido no Acordo de Paris pode ser atingido até o fim desta década, mais de dez anos antes do que se previa inicialmente.

    O ECMWF é responsável pela gestão do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) e do Serviço de Monitoramento Atmosférico da União Europeia. Para o diretor do C3S, Carlo Buontempo, o desafio agora não é mais evitar a ultrapassagem do limite, mas lidar com seus efeitos. “A escolha que enfrentamos é como gerenciar essa superação inevitável e suas consequências para a sociedade e para os sistemas naturais”, afirmou, lembrando que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.

    Em 2025, a Antártida registrou a maior temperatura média anual de sua história, enquanto o Ártico teve o segundo maior valor já observado. Outras regiões também bateram recordes, como o Pacífico Noroeste e Sudoeste, o Atlântico Nordeste, o extremo leste e noroeste da Europa e áreas da Ásia Central.

    A diretora de estratégia climática do C3S, Samantha Burgess, destacou que os impactos são globais. “Nenhum país ou cidade escapou das mudanças climáticas”, afirmou durante a apresentação do relatório.

    O documento também chama atenção para os efeitos diretos do calor extremo na saúde. Em 2025, cerca de metade da superfície terrestre enfrentou mais dias do que o normal com estresse térmico severo, definido por índice de calor igual ou superior a 32 °C. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esse tipo de exposição é hoje a principal causa de mortes relacionadas ao clima em todo o mundo.
     

    2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta centro europeu

  • Homem fica preso no porão de avião e passageiros ouvem gritos

    Homem fica preso no porão de avião e passageiros ouvem gritos

    Trabalhador foi trancado acidentalmente no compartimento de carga em voo da Air Canada Rouge, no aeroporto de Toronto. Situação só foi descoberta após passageiros ouvirem gritos, e ninguém ficou ferid

    Um funcionário de aeroporto viveu momentos de tensão ao ficar preso no porão de uma aeronave pouco antes da decolagem no Canadá. O incidente ocorreu nesta terça-feira no Aeroporto Internacional Pearson de Toronto, em um voo da Air Canada Rouge com destino a Moncton. A situação só foi percebida porque passageiros ouviram gritos vindos da parte inferior do avião.

    A aeronave já havia iniciado o deslocamento em direção à pista quando a tripulação passou a demonstrar agitação nos corredores. A passageira Gabrielle Caron, que retornava ao Canadá após férias no México, contou que percebeu algo fora do normal ao notar o nervosismo a bordo. “O avião já estava taxiando quando, de repente, parou”, relatou em entrevista à CBC.

    Pela janela, os passageiros viram funcionários se reunindo ao redor da aeronave. Na parte traseira do avião, Stephanie Cure também percebeu o clima de tensão. Segundo ela, alguns passageiros começaram a demonstrar ansiedade, até que foi possível ouvir um som abafado, semelhante a pedidos de socorro.

    A informação foi repassada à tripulação, que acionou imediatamente a segurança do aeroporto. Pouco depois, o piloto deixou a cabine e informou aos passageiros que havia um funcionário preso no porão da aeronave.

    Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o comandante afirmou nunca ter presenciado situação semelhante. “É a primeira vez que vejo algo assim e espero que seja a última”, disse. Em seguida, tranquilizou os passageiros ao informar que o funcionário estava bem e fora retirado em segurança.

    Para aliviar a apreensão, o próprio trabalhador entrou na cabine e se apresentou aos mais de 100 passageiros, demonstrando que não havia sofrido ferimentos e que o episódio não passou de um susto.

    Em nota, a Air Canada explicou que as portas do compartimento de carga foram fechadas inadvertidamente enquanto o funcionário ainda estava no local. Stephanie Cure relatou ainda que ouviu membros da tripulação comentarem que o trabalhador era um funcionário extra que auxiliava nas operações e, por isso, não constava na lista oficial da equipe designada para aquele voo.
     

     
     

    Homem fica preso no porão de avião e passageiros ouvem gritos

  • Após quatro anos de quimioterapia, mulher descobre que nunca teve câncer

    Após quatro anos de quimioterapia, mulher descobre que nunca teve câncer

    Paciente passou por tratamento agressivo na Itália após erro de diagnóstico. Justiça reconheceu negligência médica e fixou indenização de 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pelos danos físicos, psicológicos e pelo sofrimento causado ao longo de anos

    Uma mulher de 70 anos foi indenizada em 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pela Justiça italiana após passar quatro anos submetida a quimioterapia agressiva para tratar um câncer que, mais tarde, se comprovou inexistente. O caso, revelado pela imprensa local, é resultado de um erro de diagnóstico ocorrido em um hospital universitário de Pisa, no início dos anos 2000, e deixou sequelas físicas e psicológicas permanentes.

    Segundo o jornal Corriere Fiorentino, tudo começou em 2006, quando a paciente, então com 42 anos, realizou exames na unidade de saúde e recebeu o diagnóstico de linfoma terminal, um tipo grave de câncer do sistema linfático que afeta os intestinos. A partir daí, foi submetida a um tratamento considerado altamente invasivo.

    Entre janeiro de 2007 e maio de 2011, a italiana passou por ciclos intensos de quimioterapia e pelo uso prolongado de corticosteroides. O tratamento provocou um forte desequilíbrio hormonal, comprometeu o sistema imunológico e desencadeou quadros de depressão e ansiedade. Apenas em 2011, após a realização de uma biópsia óssea, os médicos constataram que a paciente nunca teve câncer.

    Diante da revelação, a mulher acionou a Justiça por negligência médica. Em primeira instância, recebeu uma indenização de 300 mil euros (R$ 1,89 milhão), valor que considerou insuficiente diante dos danos sofridos ao longo de anos de tratamento desnecessário. O caso voltou a ser analisado e, na última quinta-feira, o tribunal decidiu elevar a compensação para 500 mil euros (R$ 3,15 milhões).

    Na decisão, os magistrados afirmaram que o aumento é plenamente justificado pela “extraordinária angústia e sofrimento” enfrentados pela paciente, além das consequências irreversíveis para sua saúde física e mental.

    Em entrevista ao jornal Il Tirreno, a mulher relatou que ainda convive com os efeitos dos tratamentos. “Meu sistema imunológico foi destruído por terapias erradas, inúteis e prejudiciais”, afirmou. Ela disse que segue com a saúde fragilizada e que, apesar da decisão judicial, não consegue superar o impacto emocional do erro. “Sinto-me arrasada. Não encontro paz, mesmo depois dessa sentença”, desabafou.
     
     

     

    Após quatro anos de quimioterapia, mulher descobre que nunca teve câncer

  • Mortes em protestos no Irã passam de 2,5 mil, diz ONG de direitos humanos

    Mortes em protestos no Irã passam de 2,5 mil, diz ONG de direitos humanos

    Levantamento aponta que a maioria das vítimas era de manifestantes e inclui ao menos 12 crianças. Número de presos já supera 18 mil, em meio à repressão intensificada do regime e ao agravamento da crise econômica no país.

    O número de mortos nos protestos contra o regime do Irã chegou a pelo menos 2.571, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, conhecida pela sigla HDRANA. A organização, criada por iranianos no exílio e sediada nos Estados Unidos, afirma que 2.403 das vítimas eram manifestantes e 147 tinham ligação com o governo.

    De acordo com o levantamento mais recente, divulgado na terça-feira, ao menos 12 crianças morreram durante a repressão, além de nove civis que não participavam diretamente das manifestações. O número de pessoas detidas também aumentou e já ultrapassa 18.100.

    No balanço anterior, a HDRANA havia contabilizado pelo menos 2.003 mortes desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. O novo total supera amplamente o registrado em qualquer outra onda de manifestações no país nas últimas décadas e remete ao nível de violência observado durante a Revolução Islâmica de 1979.

    Em entrevista à Associated Press, Skylar Thompson, representante da HDRANA, classificou os números como chocantes. Segundo ele, em apenas duas semanas, o total de vítimas já é quatro vezes maior do que o registrado nos protestos de 2022, desencadeados após a morte de Mahsa Amini sob custódia da chamada polícia da moralidade. Thompson afirmou ainda que a organização considera o balanço conservador.

    A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez, na terça-feira, um elevado número de mortes, ao afirmar que houve “muitos mártires” durante os confrontos. Um apresentador leu um comunicado segundo o qual “grupos armados e terroristas” teriam levado o país a sacrificar vidas, sem divulgar dados oficiais.

    Veículos estatais também informaram que ao menos 121 integrantes das forças militares, policiais, de segurança e do Judiciário morreram durante os protestos, conforme dados atribuídos a outra organização, a Human Rights Iran.

    Com a internet amplamente bloqueada no Irã, a verificação independente dos acontecimentos se tornou ainda mais difícil, embora moradores tenham conseguido retomar chamadas internacionais na terça-feira. A Human Rights Iran estima que o número real de vítimas da repressão possa chegar a até 12 mil.

    Os protestos começaram em 28 de dezembro, em Teerã, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores econômicos afetados pela desvalorização do rial e pela inflação elevada. As manifestações rapidamente se espalharam para mais de 100 cidades.

    A inflação anual no país supera 42%, e, ao longo do último ano, a moeda iraniana perdeu cerca de 69% de seu valor frente ao dólar. O cenário econômico é agravado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU em razão do programa nuclear iraniano.

    As autoridades reagiram inicialmente de forma mais moderada às manifestações, mas passaram a adotar uma postura cada vez mais dura. Com o avanço da repressão, os manifestantes passaram a ser classificados como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel, e surgiram relatos de condenações à morte de pessoas detidas durante os protestos.

    Mortes em protestos no Irã passam de 2,5 mil, diz ONG de direitos humanos

  • Reunião nos EUA discute futuro da Groenlândia após pressão de Trump

    Reunião nos EUA discute futuro da Groenlândia após pressão de Trump

    Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se encontram com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, em meio a tensões diplomáticas e declarações de Donald Trump sobre assumir o controle do território ártico.

    Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se reúnem nesta quarta-feira, na Casa Branca, com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, em um encontro que ocorre em meio ao aumento das tensões em torno do futuro do território ártico. A delegação inclui os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia, além da conselheira de Política Externa do governo groenlandês, Vivian Motzfeldt.

    O anúncio da reunião foi feito nesta terça-feira pelo chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, no mesmo dia em que o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou o momento como uma “crise geopolítica”. Ele afirmou que, caso tivesse de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca, ficaria com Copenhague.

    A declaração provocou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que minimizou a fala do líder groenlandês e afirmou que a situação “será um grande problema”.

    A discussão sobre a Groenlândia ganhou força nos últimos dias após Trump voltar a afirmar que pretende assumir o controle da ilha “de uma forma ou de outra”. O presidente americano argumenta que a anexação seria necessária para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos diante da influência crescente da China e da Rússia no Ártico. Segundo ele, a Dinamarca teria negligenciado a defesa do território autônomo.

    As declarações ampliaram a preocupação em Copenhague e Nuuk. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que uma eventual anexação da Groenlândia significaria o fim da Aliança Atlântica, a Otan. Parlamentares americanos informaram que uma delegação do Congresso deve viajar a Copenhague nos próximos dias, antes de seguir para o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

    A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, possui vastos recursos minerais ainda pouco explorados e ocupa uma posição estratégica no Ártico. Os Estados Unidos mantêm uma base militar no território e chegaram a operar mais de dez instalações na região durante a Guerra Fria.

    O governo groenlandês reforçou que a ilha não está à venda nem aceita qualquer forma de controle externo. Em entrevista coletiva em Copenhague, Nielsen afirmou que a Groenlândia é um Estado de direito e que seu futuro deve ser decidido exclusivamente pelos groenlandeses, conforme previsto no Estatuto de Autonomia.

    A legislação de 2009 estabelece o caminho para uma eventual independência, condicionada à negociação de um acordo entre Nuuk e Copenhague. Um dos principais pontos seria a contribuição financeira anual da Dinamarca, hoje estimada em 4,5 bilhões de coroas dinamarquesas, o equivalente a mais de um quinto do PIB da ilha. Qualquer decisão precisaria ser aprovada pelos Parlamentos dos dois lados e ratificada por referendo na Groenlândia.

    Embora reconheça que o desejo de independência seja legítimo, Frederiksen afirmou que o momento exige unidade dentro do Reino da Dinamarca, que inclui também as Ilhas Faroé. “Não é hora de disputas internas”, afirmou Nielsen. “É hora de união diante de uma pressão externa que consideramos inaceitável.”

    Reunião nos EUA discute futuro da Groenlândia após pressão de Trump

  • EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

    EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

    Funcionários se opõem à decisão do Departamento de Segurança de investigar viúva em vez do oficial que atirou; Renee Nicole Good, 37, foi morta na quarta em operação do serviço de imigração americano em Minneapolis

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Seis promotores federais de Minnesota renunciaram nesta terça-feira (13) devido à pressão do Departamento de Justiça para investigar a viúva de Renee Nicole Good, morta por um agente do ICE, e à relutância do órgão em investigar o oficial que atirou, de acordo com pessoas próximas da decisão.

    Joseph H. Thompson, que era o segundo no comando do Ministério Público Federal e supervisionava uma ampla investigação de fraude que inflamou o cenário político de Minnesota, está entre os que se demitiram, de acordo com três pessoas com conhecimento da decisão.

    A demissão de Thompson ocorreu depois que funcionários de alto escalão do Departamento de Justiça pressionaram por uma investigação criminal sobre as ações de Becca Good, viúva de Renee Good, morta por um agente do serviço de imigração americano na quarta.

    Thompson, 47, um promotor de carreira, se opôs a essa abordagem, bem como à recusa do Departamento de Justiça em incluir autoridades estaduais na investigação sobre se o tiroteio em si foi legal, disseram pessoas próximas.

    O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse em uma entrevista que a renúncia de Thompson é um grande golpe para os esforços de erradicar roubos generalizados de agências estaduais.

    Os casos de fraude, que envolvem esquemas para burlar programas de segurança social, foram a principal razão citada pelo governo Trump para sua repressão à imigração no estado. A grande maioria dos réus acusados nos casos são cidadãos americanos de origem somali.

    “Quando você perde o líder responsável por conduzir os casos de fraude, isso mostra que não se trata realmente de processar fraudes”, disse O’Hara, em referência às suspotas justificativas do presidente.

    Os outros promotores de carreira sênior que renunciaram incluem Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez. Jacobs era o vice de Thompson e supervisionava a investigação de fraudes, que começou em 2022. Calhoun-Lopez era o chefe da unidade de crimes violentos.

    Thompson, Jacobs, Williams e Calhoun-Lopez se recusaram a discutir os motivos de suas demissões. O Departamento de Justiça não respondeu a um pedido de comentário.

    As demissões ocorrem após dias de tentativa dos promotores para controlar a indignação com o assassinato de Good, que provocou protestos em Minnesota e em todo o país.

    Depois que Renee Good foi morta, o Departamento de Justiça decidiu não realizar uma investigação de direitos civis que determinaria se o uso de força letal pelo agente do ICE foi justificado. Essa decisão levou vários promotores de carreira do departamento em Washington a se demitirem em protesto, segundo a mídia local.

    Em vez disso, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação para examinar os laços entre Renee Good e sua esposa, Becca, e vários grupos que têm monitorado e protestado contra a conduta dos agentes de imigração nas últimas semanas. Pouco depois da ação fatal na quarta-feira, Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, referiu-se a Good como uma “terrorista doméstica”.

    Thompson se opôs veementemente à decisão de não investigar o tiroteio como uma questão de direitos civis e ficou indignado com a exigência de iniciar uma investigação criminal contra Becca Good, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

    O promotor havia proposto inicialmente investigar o tiroteio em parceria com o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota, uma agência estadual que analisa tiroteios envolvendo a polícia. Altos funcionários do Departamento de Justiça, no entanto, rejeitaram a decisão de cooperar.

    Drew Evans, superintendente do órgão estadual de investigação, considerou a saída de Thompson um grande revés para os esforços de erradicação da fraude no estado e para a segurança pública. “Estamos perdendo um verdadeiro servidor público”, disse. “Precisamos muito de promotores profissionais.” A ausência de uma investigação confiável e abrangente sobre o assassinato de Good “prejudica a confiança em nossas agências de segurança pública”, acrescentou.

    O governo de Trump ainda anunciou nesta terça o fim do status que permitia a cidadãos da Somália residir e trabalhar temporariamente nos Estados Unidos, e anunciou que eles devem deixar o país até meados de março.

    A decisão foi tomada em meio ao movimento contra a comunidade somali em Minnesota. “Nossa mensagem é clara: voltem para seu país de origem ou vamos deportá-los”, publicou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) no X, ao anunciar a eliminação do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) para a Somália.

    Trump usou o escândalo de fraude na assistência social envolvendo a comunidade somali de Minnesota –a maior do país, com cerca de 80 mil pessoas– para atacá-la e endurecer sua política migratória no estado. As operações na cidade de Minneapolis já resultaram em cerca de 2 mil detenções.

    EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE