EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

Funcionários se opõem à decisão do Departamento de Segurança de investigar viúva em vez do oficial que atirou; Renee Nicole Good, 37, foi morta na quarta em operação do serviço de imigração americano em Minneapolis

SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Seis promotores federais de Minnesota renunciaram nesta terça-feira (13) devido à pressão do Departamento de Justiça para investigar a viúva de Renee Nicole Good, morta por um agente do ICE, e à relutância do órgão em investigar o oficial que atirou, de acordo com pessoas próximas da decisão.

Joseph H. Thompson, que era o segundo no comando do Ministério Público Federal e supervisionava uma ampla investigação de fraude que inflamou o cenário político de Minnesota, está entre os que se demitiram, de acordo com três pessoas com conhecimento da decisão.

A demissão de Thompson ocorreu depois que funcionários de alto escalão do Departamento de Justiça pressionaram por uma investigação criminal sobre as ações de Becca Good, viúva de Renee Good, morta por um agente do serviço de imigração americano na quarta.

Thompson, 47, um promotor de carreira, se opôs a essa abordagem, bem como à recusa do Departamento de Justiça em incluir autoridades estaduais na investigação sobre se o tiroteio em si foi legal, disseram pessoas próximas.

O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse em uma entrevista que a renúncia de Thompson é um grande golpe para os esforços de erradicar roubos generalizados de agências estaduais.

Os casos de fraude, que envolvem esquemas para burlar programas de segurança social, foram a principal razão citada pelo governo Trump para sua repressão à imigração no estado. A grande maioria dos réus acusados nos casos são cidadãos americanos de origem somali.

“Quando você perde o líder responsável por conduzir os casos de fraude, isso mostra que não se trata realmente de processar fraudes”, disse O’Hara, em referência às suspotas justificativas do presidente.

Os outros promotores de carreira sênior que renunciaram incluem Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez. Jacobs era o vice de Thompson e supervisionava a investigação de fraudes, que começou em 2022. Calhoun-Lopez era o chefe da unidade de crimes violentos.

Thompson, Jacobs, Williams e Calhoun-Lopez se recusaram a discutir os motivos de suas demissões. O Departamento de Justiça não respondeu a um pedido de comentário.

As demissões ocorrem após dias de tentativa dos promotores para controlar a indignação com o assassinato de Good, que provocou protestos em Minnesota e em todo o país.

Depois que Renee Good foi morta, o Departamento de Justiça decidiu não realizar uma investigação de direitos civis que determinaria se o uso de força letal pelo agente do ICE foi justificado. Essa decisão levou vários promotores de carreira do departamento em Washington a se demitirem em protesto, segundo a mídia local.

Em vez disso, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação para examinar os laços entre Renee Good e sua esposa, Becca, e vários grupos que têm monitorado e protestado contra a conduta dos agentes de imigração nas últimas semanas. Pouco depois da ação fatal na quarta-feira, Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, referiu-se a Good como uma “terrorista doméstica”.

Thompson se opôs veementemente à decisão de não investigar o tiroteio como uma questão de direitos civis e ficou indignado com a exigência de iniciar uma investigação criminal contra Becca Good, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

O promotor havia proposto inicialmente investigar o tiroteio em parceria com o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota, uma agência estadual que analisa tiroteios envolvendo a polícia. Altos funcionários do Departamento de Justiça, no entanto, rejeitaram a decisão de cooperar.

Drew Evans, superintendente do órgão estadual de investigação, considerou a saída de Thompson um grande revés para os esforços de erradicação da fraude no estado e para a segurança pública. “Estamos perdendo um verdadeiro servidor público”, disse. “Precisamos muito de promotores profissionais.” A ausência de uma investigação confiável e abrangente sobre o assassinato de Good “prejudica a confiança em nossas agências de segurança pública”, acrescentou.

O governo de Trump ainda anunciou nesta terça o fim do status que permitia a cidadãos da Somália residir e trabalhar temporariamente nos Estados Unidos, e anunciou que eles devem deixar o país até meados de março.

A decisão foi tomada em meio ao movimento contra a comunidade somali em Minnesota. “Nossa mensagem é clara: voltem para seu país de origem ou vamos deportá-los”, publicou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) no X, ao anunciar a eliminação do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) para a Somália.

Trump usou o escândalo de fraude na assistência social envolvendo a comunidade somali de Minnesota –a maior do país, com cerca de 80 mil pessoas– para atacá-la e endurecer sua política migratória no estado. As operações na cidade de Minneapolis já resultaram em cerca de 2 mil detenções.

EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *