Bill Clinton e Barack Obama pediram uma reação do povo norte-americano contra as mortes violentas que vem acontecendo pela polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês)
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton pediu aos norte-americanos para se manifestarem, denunciando as “cenas horríveis” em Minneapolis, onde duas pessoas foram mortas pela polícia de imigração, comandada por Donald Trump.
“Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia norte-americana manifestarmo-nos”, disse no domingo o ex-líder democrata, acusando o governo Trump de mentir sobre as duas mortes.
Também o ex-presidente norte-americano Barack Obama já tinha reagido, considerando a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) uma “tragédia desoladora” e apelando a uma reação face ao que considera serem ataques perpetrados contra os valores fundamentais dos Estados Unidos.
“Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso Governo”, refere Barack Obama, em um comunicado citado pela agência de notícias France Presse, no qual acusa a Administração de Donald Trump de estar “ansiosa por agravar a situação”.
Agentes da ICE mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota (centro-norte).
Mais tarde foi divulgado que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos ex-militares.
Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois (centro). Tal como Renee Good, morta em 07 de janeiro, Pretti não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press (AP) que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.
Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês) e “possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais”.
Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, em uma coletiva de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05, quando agentes realizavam uma operação contra um “imigrante indocumentado”, chamado José Huerta Chuma.
Durante a operação, “um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas ele resistiu violentamente”, relatou Bovino, acrescentando que, “temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa”.
Vários vídeos analisados pela AP desmentem a versão do governo Trump, mostrando um agente ICE disparando contra Pretti após uma confusão, onde ele segurava apenas um celular.
Nos vídeos, o cidadão é visto gravando uma discussão, descreve a agência. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.
De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.
A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de janeiro, de Renee Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente da ICE quando dirigia, embora o Governo de Donald Trump a acuse de “terrorismo doméstico”.
Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai em um centro de detenção em San Antonio, Texas (sul), aumentou a indignação de muitos cidadãos, que acusam a ICE de abuso.
O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O’Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações na cidade.

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