Torcidas de Corinthians e Flamengo romperam aliança com avanço da violência

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Corinthians e Flamengo se enfrentam neste domingo (1º), pela Supercopa Rei, no estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF). A decisão marca o encontro das duas maiores torcidas do Brasil, que um dia já foram aliadas.

RELAÇÃO RENDEU ROMANCES

O ápice da aliança ocorreu nas décadas de 1970 e 1980, antes das organizadas se “profissionalizarem” e a violência eclodir nos estádios.

Eu fui dessa geração. Até os anos 1980, 1990 era uma aliança. Levávamos as bandeiras juntos. Todos circulavam à vontade pelas torcidas. O pessoal da liderança deles tinha as namoradas em São Paulo, nós tínhamos as namoradas no Rio. Era de ver o jogo junto e tinha até o grito: Timão e Mengão, amizade de irmão’Douglas Deúngaro, o Metaleiro, presidente da Gaviões entre 1997 a 1999, ao UOL, em 2018

TORCIDA DO SÃO PAULO E AVANÇO DA VIOLÊNCIA ROMPERAM ALIANÇA

O rompimento da aliança das organizadas das duas maiores torcidas do Brasil se deu na década de 90. Até então, a Gaviões da Fiel e a Independente, do São Paulo, possuíam uma relação cordial. Mas os atritos com a Mancha Verde, do Palmeiras, e a amizade entre ela e os vascaínos da Força Jovem fizeram com que as peças do tabuleiro se modificassem.

Em agosto de 1987, houve um seminário de torcidas organizadas, realizado no antigo Beira-Rio (RS), estádio do Internacional.

No evento, Leonardo Ribeiro -conhecido como Capitão Léo e então presidente da Torcida Jovem do Flamengo- conheceu Reginaldo Tadeu de Souza, o Adamastor, então mandatário da Independente.

“As torcidas do Flamengo sempre tiveram rivalidade com as torcidas do Palmeiras. Quando fui para o congresso, eles [Jovem Fla] já tinham o entendimento que nós não tínhamos aliança com o pessoal do Palmeiras, e isso nos deu identidade. Criamos um vínculo neutro”, contou Adamastor, ao UOL, em 2023.

Com uma relação cordial já estabelecida, o presidente da Independente resolveu ir, dois anos depois, para a partida entre Brasil e Chile, no Maracanã, pelas Eliminatórias, que entrou para a história por ter sido o “jogo da fogueteira”, quando a torcedora Rosenery Mello jogou um rojão em campo e Rojas, goleiro chileno, usou uma gilete para se cortar e forjar lesão causada pelo artefato.

“Peguei a faixa da Independente, fui sozinho para o Maracanã e fiquei no lado da torcida do Flamengo. O outro lado era do Vasco. O pessoal da Jovem Flamengo já estava vendo na televisão o que estávamos fazendo com a torcida do Palmeiras e falaram: ‘o Adamastor é o cara que está batendo de frente com eles’, então o Capitão Léo me convidou para ficar com eles. Fizemos primeiro uma amizade pessoal, e essa amizade se estendeu para a aliança das torcidas”, disse Adamastor.

Para Metaleiro, o estopim do rompimento aconteceu quando houve uma briga entre Gaviões da Fiel e Independente, em 1992, e as organizadas do Flamengo ficaram ao lado dos são-paulinos.

“Apresentamos a torcida do Flamengo para a do São Paulo. A Gaviões não tinha briga com a Independente. Quando tivemos problema com os são-paulinos por conta da morte do Rodrigo de Gasperi, em 1992, fomos cobrar e as torcidas do Flamengo ficaram ao lado da Independente. Saiu essa confusão, eles tomaram partido”, disse Metaleiro, em 2018.

GAVIÕES SE APROXIMOU DE ORGANIZADA DO BOTAFOGO

A partir dos anos 2000, a Gaviões da Fiel se aproximou da organizada Fúria Jovem, do Botafogo. A aliança, porém, trouxe desdobramentos dentro da própria torcida do clube carioca.

A Torcida Jovem do Botafogo, fundada há mais tempo, carrega um histórico de conflito com os corintianos e de amizade com a Mancha Verde.

O cenário confuso fez com que, algumas vezes, quando o Corinthians veio ao Rio de Janeiro enfrentar o Botafogo, ocorressem brigas entre organizadas no estádio Nilton Santos.

Já a Independente possui uma aliança mais sólida com a Torcida Jovem do Flamengo. Porém, em meados de 2023, firmou um pacto de paz com a Raça Rubro-Negra, outra organizada flamenguista e que, em alguns momentos, entrou em conflito com as coirmãs.

Torcidas de Corinthians e Flamengo romperam aliança com avanço da violência

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