Declaração consta em entrevista incluída nos novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. No material, Jeffrey Epstein também fala sobre dinheiro, ética e filantropia, enquanto arquivos revelam detalhes de sua prisão, morte e relações com figuras públicas
Em uma entrevista incluída nos documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Jeffrey Epstein afirmou ser um “predador sexual de categoria um”, que classificou como “o mais baixo”.
O material faz parte de um conjunto de arquivos que vêm sendo tornados públicos desde o ano passado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Na última sexta-feira, foram divulgadas cerca de três milhões de páginas, além de 180 mil imagens e dois mil vídeos relacionados ao caso.
Na entrevista, cuja data exata não foi informada, Epstein é questionado se seria um predador sexual de categoria três. Ele responde de forma direta: “Categoria um. Sou o mais baixo”.
Embora o entrevistador não apareça nas imagens, há indícios de que se trate de Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump durante os primeiros meses do primeiro mandato do republicano.
Em outro momento da conversa, Epstein é questionado se seria “o próprio diabo”. Ele responde: “Não, mas tenho um bom espelho”. O entrevistador insiste, afirmando que a pergunta era séria, antes de a gravação ser interrompida.
“Não sei. Porque você diria isso? […] O diabo me assusta”, disse o criminoso.
This newly released video of Jeffrey Epstein is part of a video file showing the late sex offender facing questions from an interviewer.
Watch how he nods his head while saying no when asked if he’s the devil. That’s a tell. pic.twitter.com/fWkoKDvcxG— King Arthur Fan (@brandilwells) February 2, 2026
Na mesma entrevista, Jeffrey Epstein também fala sobre a origem de sua fortuna. Questionado se o dinheiro que acumulou poderia ser considerado “dinheiro sujo”, ele respondeu de forma categórica: “Não, não é”.
“Eu mereci”, afirmou. O entrevistador rebateu dizendo que ele teria construído sua riqueza aconselhando “as piores pessoas do mundo, que fazem coisas terríveis, tudo para ganhar mais dinheiro”.
Epstein respondeu que “a ética é sempre um assunto complicado” e acrescentou que doou recursos para iniciativas voltadas à erradicação da poliomielite no Paquistão e na Índia.
Durante a conversa, o entrevistador o define como financista e propõe um cenário hipotético no qual Epstein entraria em um hospital e diria às pessoas mais pobres que o dinheiro disponível vinha de um criminoso. Em seguida, questiona qual seria a porcentagem de pessoas que recusariam os recursos. “Qual é a porcentagem de pessoas que diriam: ‘Não me importo, quero o dinheiro para os meus filhos?’”, perguntou.
“Eu diria que todos diriam: ‘Quero o dinheiro para os meus filhos’”, respondeu Epstein.
Na sexta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou novos documentos ligados ao caso de Jeffrey Epstein. O material inclui informações sobre o período em que ele esteve preso, como um relatório psicológico, além de registros relacionados às circunstâncias de sua morte e a investigações envolvendo Ghislaine Maxwell, condenada por ajudar no tráfico sexual de menores.
Os arquivos também reúnem páginas de e-mails trocados entre Epstein e diversas figuras públicas norte-americanas e internacionais, entre elas o então presidente Donald Trump. A maioria das mensagens é de mais de uma década atrás e expõe relações mantidas pelo financista ao longo dos anos.
Jeffrey Epstein, então com 66 anos, foi preso em 6 de julho de 2019 após ser acusado de tráfico sexual. Cerca de um mês depois, o multimilionário foi encontrado morto em sua cela. A autópsia concluiu que a morte foi causada por suicídio.

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