Entenda a polêmica sobre expulsão de Carrascal na Supercopa

(UOL/FOLHAPRESS) – A expulsão de Carrascal na Supercopa entre Flamengo e Corinthians, que terminou com a vitória da equipe alvinegra por 2 a 0, gerou debate sobre uma suposta interferência externa na cabine do VAR.

VAR SOB HOLOFOTES

A polêmica central envolve Péricles Bassols, observador do VAR, e sua comunicação com a cabine durante a partida. O lance ocorreu no fim do primeiro tempo, mas o cartão vermelho foi aplicado ao atleta rubro-negro apenas antes do reinício da etapa final.

O áudio divulgado pela CBF revela o momento exato em que Bassols se comunica com os responsáveis pela tecnologia de vídeo. Na gravação, ele faz uma observação técnica direta sobre a possibilidade de revisão do lance em questão.

“É conduta violenta, pode ser revisada a qualquer momento”, disse Bassols, na cabine de VAR.

Procurada pela reportagem, a CBF defende que a intervenção de Bassols serviu apenas para garantir o cumprimento do protocolo e a correta aplicação das regras. Segundo nota, ele não participou da tomada de decisão final nem recomendou a expulsão do atleta.

“Ressalte-se que orientar sobre o procedimento é da natureza da função do Observador de VAR, e não configura interferência externa. Qualquer recomendação quanto à decisão final caracterizaria, esta sim, interferência indevida, o que não ocorreu. A decisão foi tomada exclusivamente pelo árbitro central, após a revisão das imagens na ARA, procedimento recomendado pelo árbitro assistente de vídeo, Rodolpho Toski”, afirma a CBF.

O Livro de Regras estabelece limites claros para a atuação de quem supervisiona os processos na sala de operações. No entanto, o cargo é totalmente optativo para as partidas. O texto define as responsabilidades em: avaliar o trabalho do VAR e impedir infrações de protocolo.

“Supervisor ou Observador do VAR – a tarefa é observar o processo de VAR, a fim de avaliar o trabalho do VAR e do(s) AVAR e para comentários para treinamentos. O Observador do VAR não poderá estar envolvido em qualquer tomada de decisões, com a exceção de impedir uma infração do protocolo”, diz trecho do protocolo oficial do VAR.

A imagem da cotovelada em Breno Bidon só foi detectada de forma conclusiva pela equipe técnica durante o intervalo do jogo. Como o segundo tempo ainda não havia começado, a revisão técnica do incidente grave estava amparada pelo protocolo.

CRÍTICAS À ESCALA DE ARBITRAGEM

Após a polêmica, comentaristas e especialistas questionaram a presença de Bassols na cabine de VAR, assim como a de Rodrigo Cintra, atual presidente de arbitragem da CBF, como inspetor da partida. O assunto foi abordado em programas esportivos e gerou repercussão nas redes sociais.

O ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho argumentou que a presença de “cargos políticos” e de comando em funções de campo gera um ambiente de insegurança.

Para o ex-juiz, a presença de Bassols reflete uma insegurança sistêmica, onde figuras do alto escalão se sentem na obrigação de intervir para evitar falhas que possam comprometer as suas posições perante a direção e, assim, minam a autoridade do árbitro central.

“[Rodrigo Cintra] foi para Brasília para ser inspetor de jogo? Bota outro, fica ‘quieto’ na dele, não vai se expor. E o Péricles Bassols [instrutor de VAR da CBF] também não tem que se expor. Então, é questão de bom senso. Não podem ser escolhidos, escalados, essas pessoas, porque estão se expondo demais. E com isso a arbitragem perde a credibilidad”, falou Arnaldo ao UOL.

As duas últimas rodadas da primeira fase serão verdadeiras finais para o Santos. A equipe enfrenta o Noroeste -que está uma posição acima- fora de casa, e encerra a etapa inicial do campeonato contra o Velo Clube, o primeiro time dentro do Z2, em casa

Folhapress | 09:30 – 03/02/2026

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