Trump ameaça Irã com envio de mais um porta-aviões

Em entrevista ao Canal 12 israelense e ao site americano Axios, o republicano afirmou também que está pronto para agir militarmente caso as discussões sobre o programa nuclear de Teerã não deem resultado. “Ou chegamos a um acordo, ou teremos de fazer algo muito duro.”

IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (10) que considera enviar um segundo grupo de porta-aviões para a região do Oriente Médio, uma forma de elevar a pressão sobre o Irã enquanto os rivais se preparam para retomar negociações.

Em entrevista ao Canal 12 israelense e ao site americano Axios, o republicano afirmou também que está pronto para agir militarmente caso as discussões sobre o programa nuclear de Teerã não deem resultado. “Ou chegamos a um acordo, ou teremos de fazer algo muito duro.”

Os EUA já haviam enviado um grupo de ataque de porta-aviões, centrado no USS Abraham Lincoln, para o mar da Arábia. O navio está em treino constante lá há quase duas semanas, um de seus caças F-35 já abateu um drone iraniano que se aproximava.

Quando enviou o Lincoln, em janeiro, a Marinha também mobilizou o USS George H. W. Bush, que estava na costa leste americana e passou a manobrar no Atlântico, ficando em posição para eventualmente ir ao teatro de operações por meio do Mediterrâneo oriental -fechando assim os flancos sul e oeste do Irã.

Ao longo das semanas, uma terceira opção se colocou com o deslocamento do USS George Washington, que está no Pacífico. Tanto esse navio quanto o George H. W. Bush estão a cerca de uma semana de posição de ataque contra o Irã.

Trump vem montando um grande cerco militar contra Teerã desde o começo do ano, quando disse que iria ajudar manifestantes que foram duramente reprimidos após os maiores atos contra o regime islâmico instaurado em 1979 no país.

Ele desconversou, insistiu no tema espinhoso da tomada da Groenlândia, mas logo depois deu um ultimato aos aiatolás. Parou de falar em apoiar protestos e voltou ao assunto que mais opõe os rivais, a possibilidade de o Irã se tornar a décima potência nuclear do mundo.

Em 2015, Washington, Teerã e outros atores fecharam um acordo no qual os iranianos prometiam só enriquecer urânio para fins pacíficos e de forma verificável, ganhando em troca o alívio de sanções econômicas.

Trump deixou o arranjo em 2018, alegando não sem razão que havia opacidade do lado do Irã. Mas não houve negociações, e sim escalada de tensões, com Teerã acumulando 400 kg de urânio enriquecido a 60%, menos do que é preciso para fazer bombas 100% eficazes, mas suficiente para gerar estragos grandes e espalhar radiação.

Em 2025, na esteira dos 12 dias de guerra aérea entre Israel e o Irã, Trump promoveu um bombardeio de instalações nucleares do país persa, levando a um cessar-fogo. Agora, busca uma negociação que começou de forma indireta na semana passada em Omã.

“Depois das conversas, nós sentimos que havia um entendimento e um consenso de continuar o processo diplomático”, disse nesta terça o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei. Não há data para a próxima reunião.

Trump quer o fim completo do programa nuclear, o que o líder supremo iraniano Ali Khamenei rejeita. O chefe do programa nuclear do aiatolá já levantou a hipótese de diluir o urânio existente, reduzindo seu potencial para uso militar. A Rússia sugere manda todo o estoque para seu território.

Enquanto nada disso ocorre, fica o jogo de tensões administradas a partir de declarações aqui e ali. O preço do petróleo, commodity de excelência do Oriente Médio e cuja rota de escoamento poderia ser afetada numa guerra, subiu da casa US$ 60 o barril Brent para quase US$ 70 nos últimos dias.

Nesta quarta (11), Trump receberá o aliado Binyamin Netanyahu, premiê israelense que havia pedido tempo para se preparar para um ataque no começo do ano -por motivos diversos, no caso o petróleo, sauditas e qataris haviam apelado pelas negociações.

Agora o cenário é outro. O israelense busca garantir que não só o programa nuclear seja discutido e eventualmente atacado por Trump, mas também as capacidade de Teerã de fabrica e lançar mísseis balísticos.

Segundo a imprensa do Estado judeu, Netanyahu poderá entrar num eventual conflito mesmo sem os EUA caso não haja avanço nesse sentido. Os negociadores do Irã já afirmaram que só aceitam debater o programa nuclear, não suas forças convencionais.

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