Relatório apresentado ao Senado contradiz justificativa da Casa Branca para ataques de 2025 e afirma que Teerã não tentou reconstruir capacidade de enriquecimento nuclear desde os bombardeios
O serviço de inteligência dos Estados Unidos concluiu que o Irã não retomou o programa de enriquecimento nuclear, destruído após ataques realizados por EUA e Israel em 2025, contrariando justificativas apresentadas pela Casa Branca para a guerra.
A avaliação foi apresentada por escrito pela diretora de inteligência nacional, Tulsi Gabbard, durante uma audiência no Senado norte-americano. No entanto, a informação não foi mencionada em seu depoimento oral, o que gerou críticas de parlamentares.
De acordo com o documento, “não houve qualquer esforço” por parte de Teerã para reconstruir as capacidades de enriquecimento nuclear desde os bombardeios realizados em junho do ano passado. O relatório também aponta que as instalações subterrâneas atingidas foram seladas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido a intervenção militar alegando a existência de uma “ameaça nuclear iminente” por parte do Irã e afirmando que o programa foi “aniquilado”.
O senador democrata Mark Warner acusou Gabbard de omitir, em sua fala, informações que contradizem a posição do presidente, em uma audiência marcada por forte tensão política.
A sessão ocorreu um dia após a saída de um alto funcionário da área antiterrorismo, que havia declarado que o Irã não representava uma ameaça imediata aos Estados Unidos.
Durante a audiência, Gabbard também afirmou que a Rússia mantém vantagem significativa na guerra na Ucrânia e deve seguir com uma estratégia de conflito prolongado até alcançar um acordo.
Em relação à China, às vésperas de uma visita de Trump ao país asiático, os serviços de inteligência indicam que Pequim está modernizando rapidamente suas Forças Armadas, com foco em um possível ataque a Taiwan, embora ainda priorize uma reunificação por meios pacíficos.
O serviço norte-americanos também alertou para o aumento global da capacidade de mísseis, estimando que o número de sistemas capazes de atingir o território dos Estados Unidos pode ultrapassar 16 mil até 2035.

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