Protocolo teve a duração de 15 minutos, nos quais foram administrados três fármacos a Noelia. A jovem prescindiu da presença dos pais no momento de receber a eutanásia. Antes, contudo, estiveram juntos – para se despedirem.
A espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, morreu nesta quinta-feira (26) após passar por um procedimento de eutanásia realizado no Hospital Sant Camil, em Sant Pere de Ribes, na região de Barcelona. A decisão ocorreu após quase dois anos de disputa judicial.
De acordo com a emissora Telecinco, o procedimento durou cerca de 15 minutos e envolveu a administração de três medicamentos. Noelia optou por não ter os pais presentes no momento final, embora tenha se despedido deles previamente.
Horas antes da execução da eutanásia, a Justiça voltou a negar pela terceira vez um pedido da Fundación Española de Abogados Cristianos, entidade de perfil ultraconservador, que tentava suspender o procedimento.
Histórico de agressões sexuais
A história de Noelia remonta a 2022, quando ela tentou tirar a própria vida após sofrer uma agressão sexual coletiva. Ela se jogou do quinto andar de um prédio, sobreviveu, mas ficou paraplégica e passou a conviver com dores crônicas intensas, que comprometeram sua qualidade de vida.
Em abril de 2024, a jovem formalizou o pedido de eutanásia, alegando estar em uma condição “grave, crônica e incapacitante”. O caso, no entanto, ganhou um obstáculo inesperado com a oposição do próprio pai.
A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha considerou que o pedido atendia aos requisitos legais. A legislação espanhola permite a eutanásia para pessoas com plena capacidade mental que enfrentem doença grave e incurável ou sofrimento crônico e debilitante.
Mesmo assim, poucos dias antes da data inicialmente prevista para o procedimento, em agosto de 2024, a Justiça aceitou um recurso apresentado pelo pai de Noelia, que alegava que a filha poderia não estar em condições psicológicas de tomar uma decisão consciente.
Desejo de morrer
Em março de 2025, Noelia reafirmou o desejo de morrer durante uma audiência reservada. O pedido voltou a ser autorizado, mas o pai continuou recorrendo na Justiça com o apoio da organização ultraconservadora, prolongando o caso por meses.
Em entrevista ao programa “Y ahora Sonsoles”, da emissora Antena 3, exibida dias antes da morte, Noelia afirmou: “Quero ir em paz e parar de sofrer”.
Ela também comentou a resistência da família: “Ninguém da minha família é a favor da eutanásia. Eu entendo, porque faço parte da base deles. Eu vou embora e eles ficam com a dor. Mas e eu, com toda a dor que senti esses anos? Quero partir em paz e parar de sofrer, ponto final”.
A jovem ainda declarou que “a felicidade de um pai, de uma mãe ou de uma irmã não pode ser mais importante do que a vida de uma filha”.
A Espanha legalizou a eutanásia em 2021, tornando-se um dos poucos países a permitir o procedimento em casos de sofrimento considerado insuportável. Até o fim de 2024, mais de 1.100 pessoas haviam recorrido à prática, segundo dados do Ministério da Saúde espanhol.

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