Ministra das Relações Exteriores acusa presidente colombiano de interferir em assuntos internos do país; ex-vice-presidente do Equador, Jorge Glas foi condenado por caso de corrupção em 2025
SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, convocou o embaixador equatoriano na Colômbia na quarta-feira (8) para consultas após comentários feitos no início desta semana pelo presidente colombiano Gustavo Petro.
A convocação de Arturo Félix é a mais recente retaliação na disputa entre Bogotá e Quito, que acusa Petro de se imiscuir em assuntos internos equatorianos. Na diplomacia, o gesto significa descontentamento com o país do qual o embaixador é convocado.
Petro disse nas redes sociais na segunda-feira (6) que o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, que está cumprindo pena por corrupção, é um preso político e pediu ao presidente do Equador, Daniel Noboa, que o libertasse ou o entregasse à Colômbia, citando a nacionalidade colombiana de Glas.
Em resposta a Petro, Noboa escreveu nas redes sociais que chamar Glas de preso político constitui um ataque à soberania e uma violação do princípio de não intervenção em assuntos internos.
“Há um funcionário corrupto na prisão que deve prestar contas ao Equador”, disse ele.
Glas, vice-presidente durante o governo de Rafael Correa, de 2013 a 2017, foi condenado em junho do ano passado por associação ilícita em caso de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Também foi condenado por suborno relacionado ao financiamento de campanhas entre 2012 e 2016 e uso indevido de fundos públicos após o terremoto de 2016 no país.
“Estamos tomando medidas para expressar, para reiterar, o forte protesto do Equador à Colômbia em relação aos termos usados pelo presidente Petro e à interferência em decisões tomadas por diferentes poderes do Estado equatoriano”, disse Sommerfeld a uma rádio local.
“Tentamos manter uma relação cordial com nossos vizinhos”, acrescentou. Mas “isso não exime o Equador da responsabilidade de exigir que a Colômbia resolva as questões de segurança e controle de fronteiras”.
O Equador, cujo líder de direita Noboa se alinhou estreitamente com os Estados Unidos, tem entrado em conflito frequentemente nos últimos meses com a Colômbia, liderada por Petro, esquerdista e adversário de Donald Trump.
Diferenças relacionadas à segurança de fronteira e abordagens quanto ao combate ao tráfico de drogas provocaram, uma disputa comercial em fevereiro, com ambos os governos impondo tarifas sobre importações de seu vizinho.
As tensões também aumentaram com as recentes queixas colombianas sobre uma bomba encontrada em seu território após um bombardeio militar apoiado pelos Estados Unidos no lado equatoriano da fronteira.

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