Sob pressão dos EUA, Israel abre negociação com Líbano

Netanyahu afirma que aceitou pedido do governo em Beirute e que objetivo é desarmar o grupo pró-Irã; segundo relatos, Trump quer pausa nos ataques que a teocracia dizia inviabilizar as conversas de paz

SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Sob pressão dos Estados Unidos para não descarrilar o processo de paz que ainda nem começou com o Irã, o governo de Israel anunciou nesta quinta-feira (9) que vai abrir negociações para estabelecer relações com o Líbano.

“À luz dos repetidos pedidos do Líbano, eu instruí o gabinete ontem a começar negociações diretas o mais rapidamente possível. Elas vão focar em desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas entre Israel e o Líbano”, disse em nota o premiê Binyamin Netanyahu.

Com isso, o único parceiro de Donald Trump na guerra de cinco semanas paralisada na terça (7) para uma trégua visando negociações parece atender a uma demanda da Casa Branca.

Segundo múltiplos relatos na imprensa americana, o republicano pediu para que Israel suspendesse os ataques ao Líbano. Tanto Washington quanto Tel Aviv disseram que a luta contra o Hezbollah não está coberta no cessar-fogo, mas isso fez com que o Irã ameaçasse romper a trégua.

O comunicado de Netanyahu não deixa claro se os ataques irão parar, de todo modo, e o Hezbollah seguiu lançando foguetes e drones contra o Estado judeu nesta quinta. O grupo fundamentalista apoiado por Teerã não se pronunciou sobre o anúncio israelense.

Já uma autoridade libanesa que conversou com a agência Reuters diz que seu governo quer um cessar-fogo para começar a negociar, e pediu para que os EUA sejam os garantidores do processo. Segundo o site americano Axios, a primeira reunião pode ocorrer já na próxima semana.

O governo libanês é o elo mais fraco nessa corrente, com força militar inferior à do Hezbollah. O grupo também é um partido político importante no Parlamento e tem grande capilaridade social quanto mais ao sul do Líbano se vai.

A pressão cresceu justamente no primeiro dia do acordo, na quarta (8), quando Netanyahu promoveu o maior ataque do atual conflito contra Beirute e outros pontos do vizinho. Ao menos 254 pessoas morreram, o maior número até aqui na guerra que matou cerca de 1.400 libaneses.

Em resposta aos ataques israelenses, os iranianos reforçaram sua posição de controlar o estratégico estreito de Hormuz, que Trump quer ver reaberto para os 20% do petróleo e gás natural liquefeito que costumavam escoar por ali, e atacaram vizinhos árabes no golfo Pérsico.

Nesta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reafirmou que as negociações de paz marcadas para começar no sábado (11) no Paquistão não terão sentido se os ataques ao Líbano continuarem.

Ao mesmo tempo, após realizar bombardeios pela manhã, as Forças de Defesa de Israel emitiram um alerta para que a população dos subúrbios dominados pelo Hezbollah no sul da capital libanesa deixassem a região.

“Depois do horror de ontem [quarta], achei que ia parar um pouco. É um pesadelo diário, um prédio inteiro a dois quarteirões da minha casa foi ao chão. Não apoio o Hezbollah, mas não é certo punir o país todo”, disse por telefone o professor de literatura Michel Najm, que é cristão maronita e mora na região central da capital.

Najm conta que já deixou Beirute três vezes nas últimas semanas. O anúncio de Netanyahu ocorreu após seu contato com a reportagem, mas ele dizia não acreditar em paz rápida.

“A ocupação do sul do Líbano pelos israelenses é um fato. Da última vez, durou 18 anos”, afirmou, em referência à invasão terrestre em curso para criar uma área tampão entre a região e o Estado judeu. “Duvido que o governo esteja em condições de negociar isso”, completou.

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