Autor: REDAÇÃO

  • Bolsa volta bater recorde e alcança marca de 154 mil pontos; dólar recua

    Bolsa volta bater recorde e alcança marca de 154 mil pontos; dólar recua

    O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,336, com queda de R$ 0,012 (0,22%)

    Após um dia de oscilações, a bolsa de valores voltou a bater recorde e atingiu a marca inédita de 154 mil pontos. O dólar recuou pela terceira vez seguida e fechou no menor valor em um mês.

    O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta sexta-feira (7) aos 154.063 pontos, com alta de 0,47%. O indicador chegou a cair 0,6% às 11h32, mas reagiu durante à tarde, amparado pelas ações da Petrobras, as mais negociadas.

    Essa foi a 13ª alta seguida do Ibovespa e o 10º recorde consecutivo da bolsa brasileira. O Ibovespa acumula ganhos de 3,02% na semana e 28,08% em 2025. A sequência atual de altas só está atrás das 15 valorizações seguidas registradas em maio e junho de 1994, pouco antes do Plano Real.

    Em relação à Petrobras, os investidores reagiram bem à divulgação do lucro de R$ 32,7 bilhões no terceiro trimestre e ao anúncio da distribuição de R$ 12,16 bilhões em dividendos.

    As ações ordinárias da estatal, com direito a voto em assembleia de acionistas, valorizaram 4,83% nesta sexta-feira. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) subiram 3,77%.

    Câmbio

    O mercado de câmbio também teve um dia de alívio. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,336, com queda de R$ 0,012 (0,22%). A cotação chegou a subir para R$ 5,36 por volta das 10h, mas caiu nas horas seguintes, até fechar próxima da mínima da sessão.

    No menor valor desde 6 de outubro, a moeda estadunidense caiu 0,83% na semana. A divisa acumula queda de 0,82% em novembro e de 13,66% em 2025.

    Sem grandes notícias externas, o câmbio acompanhou o movimento internacional, com o dólar caindo perante as principais moedas.

    Bolsa volta bater recorde e alcança marca de 154 mil pontos; dólar recua

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  • Tarcísio diz que gratidão a Bolsonaro não prescreve e exalta harmonia entre Poderes em SP

    Tarcísio diz que gratidão a Bolsonaro não prescreve e exalta harmonia entre Poderes em SP

    Fala do governador ocorreu durante posse de Wagner Rosário no Tribunal de Contas do Estado; novo conselheiro chorou ao falar de Bolsonaro e emocionou Flávio, também presente no evento

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse nesta sexta-feira (7) que a gratidão a Jair Bolsonaro (PL) “não prescreve” e elogiou o Judiciário paulista após ter feito duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes pela relatoria do processo da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal).

    Tarcísio discursou durante a posse de Wagner Rosário, ex-controlador-geral da União do governo Bolsonaro, como conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas de São Paulo). Também nesta sexta teve início o julgamento de recurso do ex-presidente na condenação pela tentativa de golpe de Estado.

    “Gratidão é algo que não prescreve, não vai prescrever nunca. Por isso sou muito grato a tudo, muito grato por tudo”, afirmou o governador, que é cotado para se candidatar a presidente com o vácuo aberto pela ausência de Bolsonaro na disputa eleitoral de 2026. Tarcísio nega a pretensão e diz que tentará a reeleição em São Paulo.

    Ao fim desta fase do processo no STF, Bolsonaro pode começar a cumprir a pena em regime fechado. Ele foi condenado a 37 anos de prisão. Desde agosto, está em prisão domiciliar por ter descumprido medidas cautelares impostas por Moraes.

    Filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compareceu à posse de Rosário e se emocionou quando o ex-CGU mencionou seu pai. Rosário chorou ao falar de Bolsonaro e precisou interromper sua fala três vezes.

    “Aqui, Flávio, faço uma homenagem ao seu pai, que me permitiu dar continuidade ao trabalho como ministro de Estado me concedendo todo apoio para a condução da CGU. Gostaria de contar hoje com a presença dele aqui nesse auditório, mas eu confio muito nas instituições brasileiras e sei que em breve ele estará conosco”, disse.

    Foi Tarcísio quem indicou Rosário à cadeira de conselheiro do TCE. Antes, Rosário ocupava o cargo de controlador-geral do Estado em São Paulo. Os dois foram colegas na mesma turma da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras).

    Último a discursar, o governador elogiou o a atuação do Judiciário paulista e disse que “São Paulo tem dado um grande exemplo de Poderes que são harmônicos”. Nas últimas semanas, ele tem buscado se reaproximar de ministros do STF após ter chamado Moraes de tirano no ato de 7 de Setembro na avenida Paulista.

    Indicado por Bolsonaro ao STF, o ministro André Mendonça também compareceu à cerimônia, no auditório do TCE na capital paulista, assim como o senador Rogério Marinho (PL-RN), outro ex-ministro do governo bolsonarista.

    Rosário pediu que Mendonça fizesse uma oração de agradecimento junto de outro padre. “Sabemos que o Estado é laico, mas não podemos deixar de agradecer a Deus pela vida”, disse o ministro do STF.

    Após o evento, Flávio seguiu para Atibaia, no interior paulista, para participar da inauguração da sede do PL regional, presidido por seu advogado no caso da “rachadinha” Frederick Wassef.

    Rosário assume no TCE a cadeira do ex-conselheiro Antônio Roque Citadini, que se aposentou em agosto deste ano. A indicação dele foi aprovada ao fim de setembro pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), após semanas de tentativas e obstrução pela oposição ao governo.

    O nome de Rosário foi enviado por Tarcísio à Alesp no mesmo dia em que teve o início do julgamento de Bolsonaro no STF. Rosário estava na reunião ministerial de julho de 2022, na qual o ex-presidente teria instruído os presentes a desacreditarem das urnas eletrônicas.

    Então CGU, Rosário defendeu auditar as urnas e criticou relatórios de fiscalização feitos por técnicos da própria controladoria.

    Tarcísio diz que gratidão a Bolsonaro não prescreve e exalta harmonia entre Poderes em SP

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  • Universidade Cornell aceita pagar governo Trump para reaver R$ 1,3 bilhão em verbas

    Universidade Cornell aceita pagar governo Trump para reaver R$ 1,3 bilhão em verbas

    Congelamento ocorreu sob justificativa de que instituição não estava adotando medidas para conter o antissemitismo; recursos tinham sido suspensos em abril após republicano aumentar pressão sobre instituições de ensino

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A Universidade Cornell, nos Estados Unidos, anunciou nesta sexta-feira (7) ter chegado a um acordo com o governo de Donald Trump para o restabelecimento imediato de mais de US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) em verbas para pesquisas que tinham sido congeladas em abril.

    Segundo o reitor da instituição, Michael Kotlikoff, o entendimento prevê o pagamento de US$ 30 milhões (R$ 160 milhões) ao governo e o investimento de outros US$ 30 milhões em pesquisas agrícolas ao longo de três anos para encerrar reivindicações pendentes.

    O congelamento dos recursos havia sido imposto sob a justificativa de que a instituição não estava adotando medidas suficientes para conter o antissemitismo em seu campus.

    Com o novo acordo, Washington se comprometeu a encerrar todas as investigações iniciadas para apurar eventuais violações por parte da universidade. “O governo também concordou em restaurar as concessões federais, liberar todos os fundos retidos de projetos em andamento e considerar Cornell elegível para novas bolsas e financiamentos, sem qualquer vantagem ou desvantagem”, afirmou Kotlikoff.

    O reitor acrescentou que nenhuma investigação concluiu que Cornell tenha violado leis de direitos civis. A universidade, uma das mais prestigiadas do país, está localizada em Ithaca, no estado de Nova York.

    A secretária de Educação, Linda McMahon, celebrou o acerto em publicação na plataforma X. Ela escreveu que o caso representa mais uma vitória na campanha para pôr fim às “políticas divisionistas de diversidade, equidade e inclusão”, conhecidas pela sigla em inglês DEI, em universidades americanas.

    O congelamento dos recursos ocorreu num contexto de pressão crescente do governo Trump sobre as principais universidades dos EUA, alvos de críticas devido a protestos estudantis pró-Palestina e de políticas de diversidade que o republicano considera discriminatórias. A ofensiva do presidente também tem se estendido a bancos, empresas e escritórios de advocacia com programas voltados à inclusão.

    Organizações que atuam com direitos humanos levantaram preocupações relacionadas à liberdade de expressão, privacidade e liberdade acadêmica após a determinação das investigações.

    Embora o presidente afirme que as instituições permitiram atos de antissemitismo durante protestos pró-palestinos, manifestantes, incluindo alguns grupos judaicos, afirmam que o governo equipara erroneamente as críticas aos ataques israelense contra a Faixa de Gaza à intolerância e ao extremismo. O governo não anunciou investigações sobre a islamofobia.

    Outras instituições de ponta, caso de Harvard e de Columbia, também tiveram verbas congeladas pelo governo. A primeira ainda busca um acordo, enquanto a segunda se comprometeu a pagar mais de US$ 200 milhões (R$ 1,07 bilhão) e a aceitar uma série de exigências, entre elas o monitoramento de departamentos que oferecem cursos sobre o Oriente Médio, para reaver os recursos.

    Universidade Cornell aceita pagar governo Trump para reaver R$ 1,3 bilhão em verbas

  • Lula defende tributação de super ricos para ação climática

    Lula defende tributação de super ricos para ação climática

    A taxação de grandes fortunas pode gerar de US$ 200 bilhões a US$ 1,3 trilhão, a depender do percentual de tributação aplicado

    BELÉM, PA (FOLHAPRESS) – Em discurso aos líderes mundiais nessa sexta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os mais ricos do mundo sejam taxados para bancar iniciativas para combater os impactos das mudanças climáticas.

    “As exigências crescentes de adaptação vão requerer esforços ainda maiores de financiamento. Sem incluir o capital privado, a conta não fechará”, disse. “Um imposto mínimo sobre corporações multinacionais e a tributação de super ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climática.”

    O presidente argumentou, ainda, que mercados de carbono também devem ser uma fonte de transferência de renda para ajudar no financiamento climático. Ele citou a coalizão lançada pelo Brasil na COP30, junto de União Europeia e China, para unificar os valores cobrados pelo carbono como uma ferramenta para tornar esse processo mais justo.

    “É possível pensar em um novo modelo de economia sem sacrificar a geração de riqueza. É viável trabalhar por uma transição justa que proporcionem ao Sul Global as oportunidades que lhe foram negadas no passado”, afirmou Lula.
    O presidente cobrou que os signatários do Acordo de Paris cumpram o que prometeram, em especial quanto ao repasse de verbas aos países mais pobres.

    O acordo se baseia no entendimento de que cada país fará o melhor que estiver ao seu alcance para evitar o aquecimento de mais de 1,5°C”, disse. “[Mas] sem meios de implementação adequados, exigir a implementação dos países em desenvolvimento é injusto e irrealista”.

    Lula ressaltou também que a maioria dos recursos são repassados em forma de empréstimo, aumentando o endividamento das nações em desenvolvimento. Assim, defendeu que sejam adotados mecanismos de troca de dívida -a partir dos quais investimentos climáticos podem ser descontados da dívida pública.

    Lula defende tributação de super ricos para ação climática

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  • Igualar facções a terrorismo prejudica inquéritos, diz relator de CPI

    Igualar facções a terrorismo prejudica inquéritos, diz relator de CPI

    “A mera transformação de facção criminosa violenta em terrorismo vai fazer com que os processos criminais dessas ações migrem da Justiça estadual para federal e isso significa matar as investigações”, disse Alessandro Vieira (MDB-SE)

    Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) argumenta que “simplesmente” equiparar as facções ao terrorismo pode prejudicar as investigações em curso, uma vez que o combate ao terrorismo é responsabilidade federal.  

    Em conversa com a Agência Brasil nesta sexta-feira (7), o senador falou sobre a expectativa com a CPI, sobre o papel das Forças Armadas no combate ao crime e avaliou que talvez seja necessário abrir exceções no teto de gastos para financiar a segurança pública.

    “A mera transformação de facção criminosa violenta em terrorismo vai fazer com que os processos criminais dessas ações migrem da Justiça estadual para federal e isso significa matar as investigações, jogar fora um conhecimento acumulado por profissionais qualificados por anos no combate ao crime grave”, destacou Vieira, que é delegado da Polícia Civil há 20 anos e está licenciado para exercer o mandato. 

    Vieira acrescentou, por outro lado, que é possível equiparar facções com terrorismo em relação ao tamanho e cumprimento das penas, mas “com os cuidados técnicos” para “não jogar fora todo um trabalho feito”.

    O senador defendeu que as Forças Armadas devem ter papel no controle das fronteiras e questionou a eficiência de operações de garantia da lei e da ordem feitas por militares.  

    “É mais um exemplo de providências que não funcionam, não geram resultados e só servem para efeitos midiáticos. Nós tivemos várias oportunidades de intervenção das Forças Armadas em território urbano e os resultados foram mínimos e absolutamente temporários”, destacou o senador Alessandro.

    O parlamentar sergipano disse ainda não concordar com a convocação de líderes de facções pela CPI, como pedem alguns requerimentos. Segundo ele, isso poderia ajudar o próprio crime.  

    Ainda segundo o relator da CPI instalada nesta semana, as operações Carbono Oculto – que teve como alvo a lavagem de dinheiro do crime via postos de combustíveis – e a Contenção – que resultou no assassinato de 121 pessoas no Rio de Janeiro  – são complementares, tendo cada uma um papel no combate ao crime.

    Confira a entrevista completa:

    Qual é o principal – ou os principais – erros da política de segurança pública no Brasil para combater o crime organizado e como a CPI pode ajudar?

    Senador Alessandro: A CPI vai viabilizar um diagnóstico completo. Com esse diagnóstico, daremos o encaminhamento de quais são as soluções que funcionam e aquelas que nunca funcionaram, embora sejam repetidas de tempos em tempos.

    Mas o que a gente pode apontar com muita clareza é a questão da insuficiência do financiamento, a ausência de planejamento e a ausência de continuidade na política de segurança.

    Porque a política de segurança, ela leva um tempo para poder gerar resultado consistente. Ela custa muito dinheiro, ela exige uma vontade política firme no sentido de combater o crime. Esses são os pontos principais.

    A questão da falta de integração entre as forças também é um ponto relevante, mas esses que eu citei antes me parecem mais importantes. Ouvindo os profissionais e ouvindo os especialistas, a gente, muito provavelmente, vai chegar a essas conclusões.

    Como encontrar dinheiro para segurança pública com as atuais regras fiscais que limitam os gastos da União e dos estados?

    Senador Alessandro: Da mesma forma como a gente acha espaço para todo gasto que a política considera importante. Um país que gasta R$ 5 bilhões para financiar a sua eleição, ele tem dinheiro, seguramente tem dinheiro para financiar a defesa da vida, do patrimônio, da segurança do cidadão. É uma questão de definição política.

    Com a CPI, esperamos conseguir juntar um volume de dados e de força política que viabilize, finalmente, a construção de um plano nacional de segurança pactuado entre estados, municípios e União, suficientemente financiado e estável para que ele tenha uma continuidade e gere os resultados que o Brasil precisa.

    O recurso poderia ficar por fora da meta fiscal do teto de gastos?

    Senador Alessandro: O formato vai ser definido. A primeira resposta não é essa. A primeira pergunta é qual é o volume necessário. O que a gente precisa fazer para gerar uma mudança significativa? A partir daí, viabilizar os espaços fiscais, seja com redirecionamento de recursos, que é sempre o ideal, seja com afastamento de algum limite específico de regra fiscal, desde que seja de forma pontual e técnica. Já fizemos isso dezenas de vezes.

    Qual sua avaliação sobre o debate de se rotular, ou não, essas facções e milícias como terroristas?

    Senador Alessandro: Tecnicamente falando, e não há divergência nisso, não são organizações terroristas, porque o terrorismo pressupõe um componente religioso, ideológico ou político. Essas facções têm como objetivo o lucro, o dinheiro.

    Mas é possível sim você avançar em alguma proposta de equiparação para fins de pena, cumprimento de pena, mas com os cuidados técnicos necessários para não jogar fora todo um trabalho feito.

    Porque a mera transformação de facção criminosa violenta em terrorismo vai fazer com que os processos criminais dessas ações migrem na Justiça estadual para federal e isso significa matar as investigações, jogar fora um conhecimento acumulado por profissionais qualificados por anos no combate ao crime grave.

    Nada feito na correria é solução. Existem bons caminhos e bons projetos que já estão no Senado e na Câmara. A gente vai tentar ajudar os colegas a fazerem essa peneira. Criar uma lógica processual, não dá para ser uma colcha de retalhos, e dentro de uma lógica que tem consenso.

    Podemos agravar muito as penas desse tipo de criminoso, mais ainda das suas lideranças, endurecer o cumprimento de pena.

    No plano de trabalho, o senhor cita a contribuição das Forças Armadas para atuarem nas fronteiras e rotas utilizadas pelo tráfico. Qual o papel dos militares no combate ao crime?  

    Senador Alessandro:  Precisamos, primeiro, ouvir os profissionais das Forças Armadas. O Ministro da Defesa já foi convidado, mas o desenho constitucional brasileiro e aquilo que efetivamente funciona aponta para a necessidade da atuação das Forças Armadas na região de fronteira.

    As Forças Armadas, só muito excepcionalmente, e com duração muito delimitada, podem ter papel numa atuação de GLO [Garantia da Lei e da Ordem] numa cidade, metrópole ou comunidade.

    Esse é mais um exemplo de providências que não funcionam, não geram resultados e só servem para efeitos midiáticos. Nós tivemos várias oportunidades de intervenção das Forças Armadas em território urbano e os resultados foram mínimos e absolutamente temporários.

    Se em contrapartida eu consigo, em parceria das forças de segurança, com as Forças Armadas, restringir o acesso de armas e drogas pelas nossas fronteiras, eu impacto diretamente o crime organizado, eu aumento o custo deles, reduzo a atratividade daquilo e reduzo, por consequência, a criminalidade. Então, cada um no seu quadrado, com liderança política da União e integração.

    Quando foi apresentado o plano de trabalho, o senhor destacou a necessidade de dar atenção especial para a penetração do crime organizado nos mercados legais. Por que isso é importante? 

    Senador Alessandro: Porque há um avanço muito acelerado do crime organizado em segmentos da economia formal. O que chamou mais atenção recentemente foi o segmento dos combustíveis e seus derivados. Mas isso acontece em outras áreas da economia formal.

    A gente precisa criar, primeiro, a mesma dinâmica de levantamento dos dados, a oitiva dos profissionais que trabalham no segmento e o encaminhamento de soluções. Em alguns casos, vão ser soluções legislativas, criando mais travas para esse acesso do crime organizado ou diminuindo o interesse potencial do crime organizado por esse segmento.

    Tenho projetos apresentados, há um ano talvez, na área de combustíveis para tentar fechar a porta da lavagem de dinheiro com o uso de postos de gasolina. A gente vai conseguir avançar em medidas desse tipo, protegendo a economia formal, a economia lícita, e inviabilizando os diversos mecanismos de lavagem de dinheiro que hoje são utilizados.

    Qual seria a melhor forma de reduzir o poder econômico e militar dessas organizações criminosas no Brasil?

    Senador Alessandro: Uma série de ações, não tem uma bala de prata, uma série de ações que se complementam. Muita gente comparou a Operação Carbono Zero e a Operação Contenção.

    São operações totalmente diversas, incomparáveis, mas que se conectam. Porque eu tenho que descapitalizar o crime, combater a lavagem de dinheiro, identificar e prender esses operadores e fechar essas portas de passagem de dinheiro sujo.

    Mas, ao mesmo tempo, tenho que retomar o território que hoje é ocupado pelo crime. Essa retomada do território exige o uso da violência pelo Estado. Não dá para comparar uma coisa com a outra, elas se complementam.

    A atividade de segurança pública é complexa, embora não seja segredo para ninguém, a gente sabe o que funciona e o que não funciona, mas ela tem todas essas camadas. Quando o traficante é descapitalizado com a apreensão de drogas, ele incide no roubo. Ele é bandido, ele quer dinheiro fácil, ele não para. Ele só para preso.

    Você tinha 2,5 mil homens da polícia do Rio de Janeiro no morro, num confronto violento que teve 120 mortos, e dentro do presídio, no mesmo Rio de Janeiro, a mesma facção determinava ações de retaliação ou de diversionismo pelo Estado, pela cidade do Rio de Janeiro. Isso mostra uma falência na gestão de um ponto fundamental e que está no nosso plano de trabalho, que é o sistema prisional.

    O senhor apoia convocar chefes de organizações criminosas presos, conforme pedem requerimentos do senador Marcos do Val? Por quê?

    Senador Alessandro: Não tem meu apoio, mas a CPI é um colegiado. A gente vai ouvir os colegas de forma respeitosa e pedir que eles expliquem qual é o objetivo de uma oitiva dessa natureza.

    Não há por que dar espaço, palco, microfone para bandido quando se tem já prévia consciência de que esse bandido não vai trazer nenhuma informação relevante que favoreça o combate ao crime. Ele vai usar esse espaço para tentar fortalecer o crime.

    Então a gente tem que ter essa clareza, a gente vai respeitosamente ouvir o autor do requerimento, mas vai encaminhar a votação contrária porque é improdutivo e prejudicial para os interesses do Brasil.

    Igualar facções a terrorismo prejudica inquéritos, diz relator de CPI

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  • Com 3.300 anos, tumba de faraó mais famosa do Egito está desmoronando

    Com 3.300 anos, tumba de faraó mais famosa do Egito está desmoronando

    Com 3.300 anos, tumba de faraó mais famosa do Egito está desmoronando

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A tumba do faraó Tutancâmon, no Vale dos Reis, em Luxor, está em seu estado mais frágil desde a descoberta, em 1922. Um estudo da Universidade do Cairo revela que rachaduras se espalham pelos tetos, enquanto a umidade e fungos corroem lentamente os murais de 3.300 anos.

    Alerta foi publicado em maio de 2025 na revista científica Nature. O autor, professor Sayed Hemeda, da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo, afirma que o local “tem sido submetido a impactos de longo prazo, tanto por enxurradas repentinas quanto por uma falha geológica principal”. Segundo ele, essas forças “têm causado diferentes graus de instabilidade e danos, que vêm piorando com o tempo”.

    Feita de xisto de Esna, rocha que se expande e contrai com a umidade, a tumba sofre com o avanço da umidade e da pressão interna. A pesquisa identificou uma falha estrutural que atravessa o teto da entrada e das câmaras funerárias, permitindo a infiltração de água da chuva. Essa fissura é o ponto crítico da instabilidade.

    “O túmulo desenvolveu uma falha que atravessa o teto da entrada e das câmaras funerárias. Essa rede de rachaduras permite que a água da chuva penetre, corroendo e comprometendo a integridade do local”, disse Hemeda, ao Daily Mail.

    Em 1994, uma enchente histórica submergiu várias tumbas do Vale dos Reis. As águas invadiram a tumba de Tutancâmon, elevaram a umidade e provocaram a proliferação de fungos. Desde então, a integridade estrutural do local se deteriora de forma contínua.

    Hemeda alertou que, embora o colapso total “não deva ocorrer tão cedo”, o dano acumulado pode comprometer a tumba antes do esperado. “Há riscos atuais e futuros que afetarão sua integridade estrutural a longo prazo, e o túmulo talvez não dure mais milhares de anos, como foi construído para durar”, afirmou ao Daily Mail.

    SIMULAÇÕES REVELAM RISCO

    As simulações realizadas pelo professor Sayed Hemeda revelam que o teto da câmara funerária está sob enorme pressão. A estrutura apresenta deformações e rachaduras milimétricas, resultado do peso das montanhas acima e da expansão do xisto com a umidade. Segundo o estudo, a tensão acumulada é tão grande que pode provocar novas fraturas se não houver intervenção.

    Umidade resultante das enxurradas tem reduzido a resistência do xisto. Isso favorece delaminações e descascamentos nas paredes.

    “O descolamento dos tetos da antecâmara e da câmara funerária é resultado da combinação entre o enfraquecimento do xisto pela água e o esforço desigual nas camadas inferiores”, disse Sayed Hemeda, na Nature.

    MEDIDAS URGENTES

    O pesquisador recomenda medidas imediatas para conter o avanço das fissuras. “O estudo conclui que reduzir as flutuações de umidade é essencial. Isso pode ser feito controlando a circulação de ar dentro e ao redor da tumba.”

    Plano técnico de conservação permanente é necessário. “As tumbas reais no Vale dos Reis exigem uma intervenção urgente e estudos científicos precisos para analisar os riscos e como mitigá-los”, declarou ao Daily Mail.

    Com 3.300 anos, tumba de faraó mais famosa do Egito está desmoronando

  • Primeira Turma do STF tem maioria para rejeitar recurso de Bolsonaro na trama golpista

    Primeira Turma do STF tem maioria para rejeitar recurso de Bolsonaro na trama golpista

    Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar trama golpista; defesa do ex-presidente apresentou embargos, mas 3 ministros já rejeitaram argumentos dos advogados

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta sexta-feira (7) para negar o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a sua condenação no julgamento da trama golpista.

    O relator, Alexandre de Moraes, foi o primeiro a votar e teve sua posição acompanhada pouco depois por Flávio Dino. À tarde, votou no mesmo sentido Cristiano Zanin.

    Falta o voto de Cármen Lúcia. O ministro Luiz Fux deixou a Primeira Turma do Supremo e não vai analisar os recursos do ex-presidente e dos demais réus da trama golpista.

    Segundo Moraes, os temas abordados pelos advogados de Bolsonaro no recurso já foram superados ao longo do processo, desde o recebimento da denúncia até o julgamento.

    O julgamento ocorre no plenário virtual -ambiente remoto por meio do qual os ministros registram suas posições e no qual não há espaço para debate. A sessão está prevista para seguir até a próxima sexta (14). Há a possibilidade de pedido de vista (mais tempo para análise) ou destaque (que leva o julgamento ao plenário físico), mas isso não deve ocorrer neste caso.

    Diferentemente da discussão presencial, não há ordem de manifestação, e os ministros podem votar em qualquer momento dentro do período previsto.

    A expectativa é que o resultado seja unânime contra o recurso apresentado por Bolsonaro.

    O julgamento dos embargos marca o início de uma nova fase no processo contra o ex-presidente. A previsão é que a ação seja encerrada em dezembro -com o início do cumprimento das prisões ainda em 2025.

    Bolsonaro está atualmente em prisão domiciliar e, depois do esgotamento dos recursos, Moraes definirá seu futuro. Já foi cogitada a possibilidade de ele permanecer em casa, ir para ala especial na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, a uma cela na superintendência da Polícia Federal em Brasília ou a alguma unidade militar.

    Primeira Turma do STF tem maioria para rejeitar recurso de Bolsonaro na trama golpista

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  • Trump agora diz que há 'boa chance' de encontrar Putin em Budapeste

    Trump agora diz que há 'boa chance' de encontrar Putin em Budapeste

    Ao lado de seu aliado Viktor Orbán, americano afirma que guerra na Ucrânia não acaba porque Rússia não quer; americano promete a húngaro examinar exceção nas sanções para que país europeu compre petróleo russo

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Após cancelar um encontro com Vladimir Putin em Budapeste, o presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (7) que a realização da cúpula tem “uma chance muito boa” de acontecer -e ele quer que seja na capital húngara.

    Foi uma deferência a seu convidado na Casa Branca, o premiê Viktor Orbán, 15 anos ininterruptos no cargo na Hungria. Ele é um dos maiores aliados de Trump na Europa, e ambos nutrem admiração mútua pelo populismo de direita que defendem.

    “Sempre há uma chance, uma chance muito boa”, disse Trump a repórteres ao receber Orbán. Ao mesmo tempo, afetou fleuma: “Eu gostaria de manter [a reunião] na Hungria, em Budapeste. Aquele encontro eu não quis porque achei que nada significativo iria ocorrer. Mas se formos ter, quero que seja em Budapeste”.

    Em 16 de outubro, na véspera de receber Volodimir Zelenski em Washington, Trump recebeu uma longa chamada telefônica de Putin. O russo o convenceu a não fornecer mísseis de cruzeiro Tomahawk a Kiev e ambos marcaram uma cúpula para em até duas semanas, a segunda em pouco mais de dois meses.

    As conversas subsequentes entre seus chefes diplomáticos, Marco Rubio e Serguei Lavrov, fracassaram pelos motivos de sempre: em resumo, o russo quer concessões maximalistas de saída para aceitar um cessar-fogo, enquanto os ucranianos querem negociar após a trégua.

    O impacto do fracasso foi tão grande que começou a correr em Moscou um boato de Lavrov, no cargo desde 2004, seria demitido. Segundo a Folha de S.Paulo ouviu de pessoas ligadas ao Kremlin, não é fato, apesar do mal-estar. Nesta sexta, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, negou a queda do ministro.

    “A guerra não acaba porque a Rússia não quer”, disse Trump a Orbán antes do almoço de trabalho entre eles, com a presença de jornalistas. Com efeito, Putin está jogando todas suas fichas na conquista da estratégica Pokrovsk, centro logístico das forças de Zelenski na região de Donetsk (leste), que foi invadida e está sob cerco.

    Orbán é o líder europeu mais próximo de Putin, e um crítico do governo de Kiev, a quem culpa pela guerra. Ao mesmo tempo, a Hungria é parte da União Europeia e da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, o que lhe vale acusações de traição por parte dos pares -isso fora medidas de erosão da democracia local e perseguição a minorias.

    Não na Casa Branca, onde suas política radicais contra imigração inspiraram as de Trump, que com efeito elogiou o premiê sobre o tema da imigração. Mais que isso, pareceu ávido a ouvir a principal demanda do húngaro: se excluído das sanções secundárias contra quem comprar petróleo das duas principais empresas russas, a Rosneft e a Lukoil.

    “Claro, nós vamos olhar isso, porque é muito difícil para ele conseguir óleo e gás de outras áreas. Como vocês sabem, eles não têm a vantagem de ter um mar. Então eles têm um problema difícil”, afirmou o americano.

    A Hungria é a principal cliente do petróleo russo na União Europeia, bloco que começou paulatinamente a restringir a compra do produto em dezembro de 2022, depois do começo da guerra. Em setembro, cerca de 2,5% do óleo cru e derivados que Moscou vende foram para o continente.

    Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, de Helsinque, desse total de € 311 milhões, € 166 milhões foram para Budapeste. Os eslovacos, cujo atual governo também tem relações estáveis com Moscou, vêm logo a seguir com € 145 milhões.

    Orbán e Putin têm longa relação. O húngaro, que esteve no poder de 1998 a 2002 e, desde 2010, é o primeiro-ministro do seu país, se tornou um prócer do que ele mesmo chama de democracia iliberal -uma contradição em termos espelhada no modo com que Putin governa a Rússia.

    Nos meios conservadores e populistas, o húngaro é uma estrela. Seus contatos vão além dos EUA: na véspera do encontro com Trump, esteve com Eduardo Bolsonaro, o deputado federal filho do ex-presidente Jair que está em campanha contra autoridades brasileiras baseado nos EUA.

    O próprio Bolsonaro pai teve como precedente para ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica, algo anterior à condenação por tentativa de golpe pelo Supremo, o temor de fuga: em 2024, ele passou dois dias na indevassável embaixada da Hungria em Brasília.

    Trump agora diz que há 'boa chance' de encontrar Putin em Budapeste

  • Aneel quer que preço da conta de luz mude conforme horário do dia

    Aneel quer que preço da conta de luz mude conforme horário do dia

    Proposta prevê aumento do valor em períodos de pico, para estimular consumo em outros horários; mudança está ligada à alteração do parque gerador, mais dependente de usinas solares e eólicas

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) pretende alterar a forma como boa parte dos brasileiros paga pela energia, fazendo com que o valor cobrado na conta de luz passe a variar conforme o horário diário em que se deu o consumo.

    O objetivo é incentivar pessoas e pequenas empresas com maior uso de eletricidade a deslocarem parte de seu consumo para fora do chamado “horário de pico”, normalmente no início da noite, entre 18h e 21h, quando o sistema elétrico enfrenta maior sobrecarga.

    A Folha de S.Paulo teve acesso a detalhes dessa proposta, que ainda deve ser objeto de uma audiência pública pelo prazo de 90 dias, para colher sugestões. A expectativa da agência reguladora é que o tema já esteja regulado no início do ano que vem, para entrar em vigor até o fim de 2026.

    Pela minuta elaborada, seriam alvo da medida os consumidores de baixa tensão que consomem mais de 1.000 kWh (quilo-watt-hora) por mês. Neste perfil podem entrar famílias maiores, que vivam em propriedades de grande porte, além de comércios em geral, como restaurantes e hotéis.

    Hoje, está em vigor um tipo de “tarifa horária” que é cobrada de grandes consumidores, como indústrias, que podem optar por aderir à chamada “Tarifa Branca”, que existe desde 2018 e prevê o mesmo tipo de incentivo para tentar reduzir a pressão sobre o abastecimento elétrico.

    O uso dessa tarifa, porém, depende da adesão de cada grande consumidor, que precisa fazer um pedido à sua distribuidora. Na avaliação da Aneel, essa regra acabou comprometendo o resultado da iniciativa.

    Por isso, a nova proposta acaba com a necessidade de adesão, fazendo com que qualquer consumidor que consuma mais de 1.000 kWh seja, automaticamente, enquadrado pela tarifa horária, podendo sair dela se achar que não compensa.

    “Essa medida permitirá ampliar a resposta da demanda, induzindo o deslocamento do consumo para horários de menor carregamento, contribuindo para a modicidade tarifária, eficiência na utilização da rede e maior integração das fontes renováveis, reduzindo os cortes de geração”, afirma a agência, em nota técnica que analisa a proposta.

    Nos cálculos da Aneel, o programa afetaria uma parcela pequena do consumidor residencial, equivalente a apenas 0,9% do total do país. Esse alcance subiria para 5,9% dos consumidores rurais e 17,1% do grupo formado pelo setor comercial, industrial e de serviços.

    Esses consumidores, quando somados, respondem por apenas 2,5% daqueles que usam as redes de baixa tensão. Por outro lado, são responsáveis por cerca de 25% de toda a energia consumida na baixa tensão do país.

    Para ampliar o interesse na proposta, a Aneel chega a sugerir nomes que possam resultar em maior “engajamento dos consumidores”. No lugar da “Tarifa Branca” dos grandes consumidores, é sugerido o uso de termos como “Tarifa Hora Certa”, “Tarifa Inteligente”, “Tarifa Flexível” e “Tarifa Sustentável”.

    A lógica que sustenta a proposta está ligada à mudança vivida na matriz de geração do setor elétrico, que atravessa uma fase de forte expansão da geração eólica, além dos painéis solares, usados tanto em grandes usinas quanto em telhados residenciais.

    O resultado é que, durante o dia, a oferta de energia é alta, mas ao anoitecer, quando o sol se põe, a geração cai rapidamente, enquanto o consumo sobe. Isso gera um engarrafamento elétrico, que pressiona o sistema e pode exigir o acionamento de usinas térmicas, mais caras e mais poluentes, mas que entregam energia na hora exata que se precisa.

    Para se ter uma ideia do crescimento da fonte solar, esta saltou de 793 MW (megawatts) em 2020 para 5.589 MW em 2024. Foi fonte de maior expansão no período, respondendo por 51,8% da potência adicionada em 2024.

    No caso das eólicas, a expansão saiu de 1.726 MW em 2020 para 4.239 MW em 2024, sustentada por políticas de leilões de energia, subsídios e novas tecnologias. O vento respondeu por 39,3% do crescimento da geração no ano passado.

    O resultado disso é que, somadas as fontes solar e eólica, 91,1% da potência instalada em 2024 veio dessas usinas. “A dominância evidente das fontes solar e eólica, turbinadas pelas políticas de subsídios anteriormente mencionadas, tornaram a operação do sistema bastante complexa, dada a redução da flexibilidade que o operador do sistema tem para modular a geração conforme o comportamento da carga”, afirma a Aneel no documento.

    Ao tornar a energia mais cara em horários de pico e mais barata nos demais, a agência espera estimular mudanças de comportamentos, como programar máquinas de lavar para outros períodos, ajustar horários de uso de ar-condicionado ou carregar carros elétricos de madrugada.

    “A tarifa horária atua como um instrumento regulatório que alinha o comportamento da demanda às condições reais de oferta, reduzindo riscos operativos e maximizando a eficiência da rede”, afirma a nota técnica. “Momentos de sobreoferta de energia devem resultar em menores custos, que devem ser percebidos pelos consumidores, para que se aproveitem disso e reduzam o custo médio de compra de energia.”

    A Folha de S.Paulo questionou a Aneel e o MME (Ministério de Minas e Energia sobre o assunto) sobre o assunto, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

    Aneel quer que preço da conta de luz mude conforme horário do dia

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Presidente espanhol diz que liderança do Brasil na COP30 é inspiradora

    Presidente espanhol diz que liderança do Brasil na COP30 é inspiradora

    Pedro Sánchez acredita que Europa cumprirá compromissos climáticos

    O presidente da Espanha, Pedro Sánchez, elogiou nesta sexta-feira (7) o papel exercido pelo Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém. O mandatário europeu disse, em coletiva de imprensa na Zona Azul, que o país sul-americano é um exemplo a ser seguido, por levar a sério os compromissos climáticos baseados na ciência.

    “A liderança do Brasil não é apenas inspiradora, mas também nos lembra de algo importante, que é de qual lado devemos estar. Do lado da razão, da ciência, e não do negacionismo e, portanto, do engano. Do lado da esperança diante do medo”, disse o presidente, que participa da Cúpula do Clima. O evento antecede a COP30 e reúne chefes de Estado, líderes de governos e representantes de alto nível de mais de 70 países.

    “Há dez anos, o mundo assinou um acordo muito importante, o Acordo de Paris, um pacto com o nosso próprio futuro como humanidade, um acordo que continua sendo a melhor ferramenta, o melhor instrumento que temos para enfrentar a emergência climática de forma solidária, eficaz e responsável. E hoje, mais do que nunca, precisamos retornar a esse espírito”, complementou. 
    Sánchez destacou os impactos da crise climática na Espanha e defendeu a urgência de implementar ações efetivas para evitar que esses eventos se repitam em todo o mundo.

    “Nos últimos 12 meses, vivenciamos inúmeras emergências climáticas: inundações, uma tempestade terrível, incêndios e ondas de calor sem precedentes. Até agora, nesta década, a emergência climática já ceifou mais de 20 mil vidas em nosso país”, disse Sánchez.

    “Tivemos consequências dramáticas neste verão, por exemplo, como a tempestade DANA [Depressão Isolada em Altos Níveis] em Valência. Trata-se também de um impacto econômico e social, pois muitos setores vitais foram afetados, como o turismo e o agronegócio em nosso país.”

    O presidente espanhol disse estar otimista com os resultados que poderão ser alcançados durante a COP30, desde que outros países sigam o caminho do multilateralismo. E não o exemplo isolacionista dos Estados Unidos.

    “A nova administração dos EUA está se retirando de grande parte da agenda multilateral. Acredito que, da perspectiva de outras potências, como a União Europeia, o compromisso é firme. Chegamos a um acordo para reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa em 90% até 2040 e alcançar a neutralidade climática até 2050”, disse Sánchez.

    “Acredito que o que a Europa precisa fazer é o que a Espanha vem defendendo: abrir-se, criar e construir pontes com outras sociedades, com outros blocos regionais e, com sorte, sob a presidência brasileira, poderemos assinar esse importante acordo entre a União Europeia e o Mercosul”, acrescentou.

    Presidente espanhol diz que liderança do Brasil na COP30 é inspiradora