Autor: REDAÇÃO

  • Dólar aprofunda queda e vai a R$ 5,28 após Trump acenar para diálogo com Brasil

    Dólar aprofunda queda e vai a R$ 5,28 após Trump acenar para diálogo com Brasil

    No começo da tarde desta terça-feira (23), a Bolsa manteve forte alta de 1,05%, a 146.641 pontos, renovando a máxima histórica durante o período de negociações

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em forte queda nesta terça-feira (23) após os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), realizados pela manhã.

    Foi a primeira vez que ambos os líderes ficaram no mesmo ambiente desde que Trump aplicou sanções ao Brasil, em maio, e, antes de deixar o púlpito, o republicano afirmou que irá se encontrar com Lula na próxima semana.

    Os mercados agora recalibram expectativas em torno das tensões tarifárias, políticas e diplomáticas entre os dois países. Às 14h40, a moeda norte-americana recuava 0,95%, cotada a R$ 5,286. Na mínima do dia, chegou a tocar R$ 5,276. Já a Bolsa tinha forte alta de 1,05%, a 146.641 pontos, renovando a máxima histórica durante o período de negociações.

    Ao fim de seu discurso, marcado por críticas às Nações Unidas, Trump confirmou que se encontrou brevemente com Lula antes de subir ao palco e que houve “excelente química” entre os dois.

    “Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, disse o americano, que discursou após o petista. Ele afirmou que ambos os líderes vão se encontrar na próxima semana, em um aceno à desescalada de tensões entre os dois países.

    A sinalização deu fôlego para as cotações, levando o dólar à mínima em mais de um ano e a Bolsa a um novo recorde intradiário.

    Abre-se caminho para o que não tinha acontecido até agora: Trump sentando à mesa para conversar com o Brasil. Pode ter uma flexibilidade nas tarifas de 50%, aumento da lista de isenção… Ele disse pouco, mas é uma sinalização muito valiosa”, diz Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.

    O discurso de Trump sucedeu o de Lula. O presidente dos Estados Unidos estava em uma sala reservada da ONU e acompanhou todo o discurso do brasileiro, recheado de críticas a ações dos Estados Unidos. O petista entrou na sala ao deixar o púlpito. Trump tomou a iniciativa de falar com ele, porque já estava no local quando o presidente chegou, segundo integrantes do governo.

    Trump disse que eles precisavam conversar. Lula afirmou estar aberto a fazer conversas, que sempre esteve. O americano então sugeriu que poderia ser na próxima semana a reunião, ao que Lula confirmou.

    O encontro aconteceu um dia após o governo Trump ampliar as sanções a autoridades brasileiras e ao entorno do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em reação à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.

    Ao citar o julgamento do ex-presidente no discurso, Lula defendeu a legitimidade do processo. “Bolsonaro teve amplo direito de defesa. Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam”, disse, em alfinetada a Trump. Ele voltou a dizer que “nossa democracia e soberania são inegociáveis.

    Antes dos discursos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, endereçou a guerra comercial entre os dois países em entrevista ao ICL Notícias. Para ele, a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros, em especial commodities, foi um “tiro no pé”, uma vez que a medida, “impensada”, penaliza o consumidor americano ao encarecer “o café da manhã, o almoço e o jantar”.

    Haddad chamou a ação americana de “ingerência indevida” e “intromissão descabida”, mas que a guerra comercial é uma oportunidade para o Brasil avançar em mudanças estruturais. “É um momento auspicioso, em que podemos fazer o que nunca tivemos coragem de enfrentar”, afirmou.

    Ele ainda ponderou sobre a taxa de juros do Brasil, mantida em 15% pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na semana passada pela segunda reunião consecutiva.

    “Eu entendo que tem espaço para esse juro cair. Acredito que nem deveria estar em 15%. Mas enfim, está, mas tem espaço para cair”, disse, acrescentando que “boa parte do mercado financeiro” também vê espaço para queda de juros.

    A fala segue a esteira da divulgação nesta manhã da ata do Copom sobre última reunião. O documento que atestou que, para o BC (Banco Central), a política monetária entrou em uma nova fase após um “firme” ciclo de elevação dos juros.

    Com a taxa Selic estacionada em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas, o comitê pretende examinar os impactos acumulados da política de juros para avaliar se o plano de conservar a taxa no atual patamar por tempo “bastante prolongado” será suficiente para levar a inflação à meta.

    Para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a ata confirmou as intenções do BC em manter a taxa Selic inalterada e que o grande desafio, agora, “é ver sinais consistentes de estabilização inflacionária para que a trajetória da política monetária comece a mudar”.

    “Isso tende a pressionar a taxa de câmbio para baixo, embora a ata apenas expanda o que nós já vimos no comunicado divulgado após a decisão. Ainda que parte dessa conclusão já estivesse precificada, a ata reforça que os juros ficarão em um patamar estável por bastante tempo no momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) retoma seu ciclo de cortes”, avalia.

    No mercado cambial, essa dinâmica tende a ser uma boa notícia. Isso porque a manutenção pelo Copom e o corte pelo Fed aumentam a diferença entre os juros de lá e os daqui, e, quanto maior essa diferença, mais rentável é a estratégia conhecida como “carry trade”.

    Nela, pega-se dinheiro emprestado a taxas baixas, como a dos EUA, para investir em ativos com alta rentabilidade, como a renda fixa brasileira. Assim, quanto mais atrativo o carry trade, mais dólares tendem a entrar no Brasil, o que ajuda a valorizar o real.

    O mercado agora olha para frente, atento a novas sinalizações sobre a política monetária dos Estados Unidos. Em discurso nesta tarde, Jerome Powell, presidente do Fed, contrariou as expectativas de mais cortes nos próximos meses, afirmando que os formuladores de políticas enfrentam uma “situação desafiadora” ao decidir se priorizam o combate à inflação ou a proteção de empregos.

    Ele indicou que essas medidas estão longe de estarem garantidas, apesar de investidores estarem precificando mais dois cortes em 2025. O chefe do Fed disse que se os banqueiros centrais “afrouxarem de forma muito agressiva”, então eles “poderiam deixar o trabalho da inflação inacabado e precisariam reverter o curso” para restaurar a taxa à meta de 2%.

    O Fed cortou na semana passada (17) os juros americanos em um quarto de ponto para uma faixa de 4% a 4,25% em meio a sinais de fraqueza no mercado de trabalho e dados mostrando que o impacto das tarifas sobre as pressões de preços permaneceu modesto.

    Dólar aprofunda queda e vai a R$ 5,28 após Trump acenar para diálogo com Brasil

  • Conselho de Ética da Câmara instaura processo que pode cassar Eduardo Bolsonaro

    Conselho de Ética da Câmara instaura processo que pode cassar Eduardo Bolsonaro

    Sorteio de lista tríplice para escolha de relator tem dois nomes da esquerda e um do centrão; representação do PT acusa deputado de atacar o STF e incitar a ruptura democrática

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou, nesta terça-feira (23), um processo que pede a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ameaça à realização das eleições em 2026.

    O relator do processo será escolhido pelo presidente do conselho a partir de uma lista tríplice, sorteada nesta terça.

    Os nomes sorteados foram os de Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) -dois deputados de esquerda, portanto de oposição a Eduardo, e um do centrão.

    Este é o primeiro processo instaurado contra Eduardo neste ano no conselho. No total, o deputado é alvo de quatro representações no órgão. O processo instaurado nesta terça foi apresentado pelo PT, pelo senador Humberto Costa (PT-PE) e pelo deputado Paulão (PT-AL).

    A peça aponta que, morando nos Estados Unidos desde março, Eduardo Bolsonaro tem atuado a favor de sanções a autoridades brasileiras, como retirada de visto e aplicação da Lei Magnitisky, e que sua campanha resultou na imposição de tarifas discriminatórias ao país, o chamado tarifaço.

    A aplicação de novas sanções dos EUA nesta segunda (22), inclusive contra a mulher do ministro Alexandre de Moraes, agravou a situação de Eduardo. Em resposta, o STF ameaçou cancelar um acordo com o Congresso para votar uma redução de penas para condenados por golpismo, o que poderia beneficiar Jair Bolsonaro (PL). A votação, que era esperada nesta semana na Câmara, deve acabar adiada.

    Além disso, nesta terça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indeferiu a indicação do PL para que Eduardo se tornasse líder da minoria. A manobra do partido tinha o objetivo de blindá-lo da cassação por faltas, já que líderes têm a prerrogativa de poder faltar às sessões plenárias.

    As demais representações contra Eduardo também tratam de sua atuação nos Estados Unidos e foram apresentadas por partidos ou parlamentares de esquerda. A peça do PT foi protocolada assim que terminou a licença do deputado do seu mandato, em 21 de julho.

    A representação aponta que, em entrevista à CNN, Eduardo afirmou que “sem anistia a Jair Bolsonaro, não haverá eleições em 2026”. Além disso, argumenta que o deputado tem difamado as instituições brasileiras.

    “A imunidade parlamentar não é um salvo-conduto para a prática de atos atentatórios à ordem institucional, tampouco um manto protetor para discursos de incitação à ruptura democrática”, diz a acusação do PT.

    Conselho de Ética da Câmara instaura processo que pode cassar Eduardo Bolsonaro

  • Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

    Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

    Lula discursou na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde, por tradição, o Brasil é o primeiro país a ocupar a tribuna do evento, que acontece anualmente e em 2025 completa 80 edições

    Nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a ocupar a tribuna do evento, que acontece anualmente e em 2025 completa 80 edições. Em sua fala, o presidente do Brasil falou de questões internas e externas, como as sanções dos Estados Unidos à economia e ao judiciário brasileiros, o genocídio em Gaza, as mudanças climáticas, regulação das big techs, democracia e América Latina. 

     
    Confira abaixo a íntegra do discurso 

    “Senhora Presidenta da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, Senhor Secretário-Geral, António Guterres, Caros chefes de Estado e de Governo e representantes dos Estados-Membros aqui reunidos. Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas.

    Criada no fim da Guerra, a ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade.

    Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores em São Francisco estão ameaçados, como nunca estiveram em toda a sua história.

    O multilateralismo está diante de nova encruzilhada.

    A autoridade desta Organização está em xeque.

    Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder.

    Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.

    Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia.

    O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades.

    Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas.

    Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades.

    Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.

    Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais.

    Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. 

    A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável.

    Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias.

    Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil.

    Não há pacificação com impunidade.

    Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito.

    Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso.

    Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.

    Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.

    Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.

    Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.

    Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde.

    A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares.

    Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.

    A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo.

    Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAO a confirmação de que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome neste ano de 2025. 

    Mas no mundo, ainda há 670 milhões de pessoas famintas. Cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

    A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza.

    Esse é o objetivo da Aliança Global que lançamos no G20, que já conta com o apoio de 103 países.

    A comunidade internacional precisar rever as suas prioridades: 

    – Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento;

    – Aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos; e

    – Definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

    A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância.

    As plataformas digitais trazem possibilidades de nos aproximar como jamais havíamos imaginado.  

    Mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação.

    A internet não pode ser uma “terra sem lei”. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis.

    Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim no ambiente virtual.

    Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia.

    O Parlamento brasileiro corretamente apressou-se em abordar esse problema.

    Com orgulho, promulguei na última semana uma das leis mais avançadas do mundo para a proteção de crianças e adolescentes na esfera digital.

    Também enviamos ao Congresso Nacional projetos de lei para fomentar a concorrência nos mercados digitais e para incentivar a instalação de datacenters sustentáveis.

    Para mitigar os riscos da inteligência artificial, apostamos na construção de uma governança multilateral em linha com o Pacto Digital Global aprovado neste plenário no ano passado. 

    Senhoras e senhores,

    Na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade.

    Manter a região como zona de paz é nossa prioridade.

    Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.

    É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo.

    A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas.

    Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento.

    Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. 

    A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela.

    O Haiti tem direito a um futuro livre de violência.

    E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo.

    No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. 

    O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada.

    É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista.

    Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes.

    A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir para promover o diálogo.

    Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina.

    Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo.

    Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza.

    Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes.

    Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente.

    Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo.

    Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente.

    Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva.

    O povo palestino corre o risco de desaparecer.

    Só sobreviverá com um Estado independente e integrado à comunidade internacional.

    Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.

    É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico. 

    O alastramento desse conflito para o Líbano, a Síria, o Irã e o Catar fomenta escalada armamentista sem precedentes.

    Senhora presidenta,

    Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática.

    O ano de 2024 foi o mais quente já registrado.

    A COP30, em Belém, será a COP da verdade.

    Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta.

    Sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (as NDCs), caminharemos de olhos vendados para o abismo.

    O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

    Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios.

    Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões.

    Exigir maior ambição e maior acesso a recursos e tecnologias não é uma questão de caridade, mas de justiça.

    A corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos.

    Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia.

    O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos.

    Erradicá-lo requer garantir condições dignas de vida para seus milhões de habitantes.

    Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar para remunerar os países que mantêm suas florestas em pé.  

    É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa de implementação.

    O mundo deve muito ao regime criado pela Convenção do Clima.

    Mas é necessário trazer o combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece.

    Um Conselho vinculado à Assembleia Geral com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática.

    Trata-se de um passo fundamental na direção de uma reforma mais abrangente da Organização, que contemple também um Conselho de Segurança ampliado nas duas categorias de membros.

    Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio.

    Medidas unilaterais transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida.

    Desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação.

    É urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis.

    Senhoras e senhores,

    Este ano, o mundo perdeu duas personalidades excepcionais: o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o Papa Francisco.

    Ambos encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas.

    Suas vidas se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU.

    Se ainda estivessem entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar:

    – Que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis;

    – Que os únicos derrotados são os que cruzam os braços, resignados;

    – Que podemos vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio; e

    – Que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo.

    No futuro que o Brasil vislumbra não há espaço para a reedição de rivalidades ideológicas ou esferas de influência.

    A confrontação não é inevitável.

    Precisamos de lideranças com clareza de visão, que entendam que a ordem internacional não é um “jogo de soma zero”.

    O século 21 será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral.

    O Brasil confere crescente importância à União Europeia, à União Africana, à ASEAN, à CELAC, aos BRICS e ao G20.

    A voz do Sul Global deve ser ouvida.

    A ONU tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação.

    Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância.

    Que Deus nos abençoe a todos.

    Muito obrigado.”

    Assista ao vídeo com a íntegra do discurso

    https://www.youtube.com/watch?v=gB0-M0lpk10

     

    Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

  • Como o mundo do tênis reagiu à pausa de Bia Haddad

    Como o mundo do tênis reagiu à pausa de Bia Haddad

    SANTOS, SP (FOLHAPRESS) – O anúncio de Beatriz Haddad Maia, 29, de encerrar a temporada de forma antecipada e colocar a raquete de lado -ao menos por um tempo- foi recebido com compreensão e apoio por ex-atletas, técnicos e especialistas.

    A decisão, embora implique queda no ranking da WTA (Associação das Tenistas Profissionais), é vista como necessária para que a brasileira possa recuperar o equilíbrio físico e mental.

    “Acho que ela fez bem. O tênis é um estilo de vida que exige muito do lado mental. Se o momento é conturbado, fica difícil ter resultados expressivos. A parte emocional é tão importante quanto a física. Essas pausas, esse afastamento da rotina de tenista, podem fazer com que ela volte ainda mais forte. O ranking é secundário agora”, disse à reportagem Thomaz Bellucci, ex-número 21 do mundo em simples.

    Atualmente técnico de jovens promessas, Bellucci deixou oficialmente as quadras em fevereiro de 2023, no Rio Open, e já falou abertamente sobre a depressão enfrentada na reta final da carreira. Segundo ele, o momento durou cerca de cinco anos, tendo o seu auge em 2020.

    “Nos últimos anos da minha carreira estava em um momento muito difícil. Não conseguia aceitar os resultados que estava tendo. Foi forte o que houve em Seul, mas muito comum. A diferença é que alguns atletas disfarçam mais”, avalia.

    A decisão de parar por um período chega após meses de sinais de desgaste. Atual 40ª colocada, Bia alcançou o top 10 do mundo em 2023 e se firmou como referência no tênis sul-americano, mas enfrentou dois anos turbulentos, com lesões, derrotas inesperadas e crises emocionais em quadra.

    Na última delas, no WTA 500 de Seul, chamou a atenção do mundo do tênis a imagem da paulistana à beira da quadra, passando a toalha no rosto com visível dificuldade para respirar. Microfones captaram o esforço para puxar o ar. Durante o atendimento médico, as mãos da brasileira tremiam enquanto ela tentava segurar uma garrafa d’água.

    “O sistema nervoso central controla as emoções e interfere até na parte motora”, avalia a ex-tenista Patrícia Medrado, brasileira com mais tempo no top 100 da WTA e medalhista de prata no Pan de 1975. “A gente via que ela sabia o que fazer em quadra, mas não conseguia executar. Isso é sinal de que o desgaste mental ultrapassou todos os limites.”

    Para Medrado, a pausa pode ser um divisor de águas: “o ranking vai cair, claro, mas essa decisão tira um peso enorme das costas dela. Quando você está defendendo pontos, a pressão é gigante. Agora, ela pode voltar mais leve, sem a obrigação de defender nada, apenas mirar para cima. É uma chance de resetar tudo.”

    Casos semelhantes não são raros. Em janeiro deste ano, o russo Andrey Rublev, então número 9 da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), deu fortes declarações admitindo ter passado a tomar antidepressivos em 2024, após Wimbledon, e “ter perdido sentido em viver a vida”. Ele tratou a doença com sessões de terapia.

    “Era visível que ela [Bia] estava sofrendo”, disse Luís Stival, analista de desempenho de tênis profissional, responsável pelo canal de YouTube Tênis Além do Óbvio. “Foi um gesto corajoso admitir que precisava parar. O circuito de tênis é emocionalmente brutal, o que mais exige de todos os esportes. Você via uma Bia diferente, e isso mexe muito com qualquer atleta. Essa pausa é um ato de humanidade e grandeza”, afirma.

    Ex-número 2 do mundo nas duplas e vencedor de dois Grand Slams, Bruno Soares diz acreditar que, caso recuperada mentalmente, Bia “terá nível para estar novamente entre as 10 do mundo”, mas, para isso, precisa estar bem com ela mesma.

    “É muito mais importante voltar descansada e preparada para 2026 do que insistir agora e se desgastar ainda mais”, sintetizou.

    O experiente ex-tenista e técnico Ricardo Acioly, o Pardal, associa ao recente caso envolvendo a americana Amanda Anisimova, que parou de competir por quase um ano. Curiosamente, ela cruzou o caminho de Bia Haddad nas oitavas de final do US Open, no início deste mês.

    “O impacto no ranking existe, mas não será devastador. O fundamental é que ela terá tempo para ajustar seu jogo, analisar o que não funcionou nesta temporada e voltar mais competitiva. Vimos outras jogadoras, como a Anisimova, fazerem o mesmo e retornarem em altíssimo nível”, afirmou Pardal.

    A atleta, hoje com 22 anos, precisou paralisar a carreira duas vezes: pela perda precoce do pai e treinador, aos 17, e por burnout. Em seu Instagram, a tenista relatou que estava “lutando contra sua saúde mental” e que o tênis havia se tornado “insuportável”.

    “Ela não está fazendo isso porque quer tirar férias. Há um peso por carregar a tocha do tênis feminino brasileiro sozinha nos últimos anos”, completa Pardal.
    Em junho, foi a vez da tunisiana Ons Jabeur anunciar o afastamento das quadras pelo mesmo motivo. Ela seria a principal atração internacional da primeira edição do SP Open, WTA 250 jogado no país.

    Bia não estipulou um prazo para a sua volta, mas deu uma deixa de que isso ocorrerá em sua carta de afastamento: “tenis, eu te amo. Em breve nos vemos novamente”.

    Como o mundo do tênis reagiu à pausa de Bia Haddad

  • Cintia Dicker é anunciada como nova musa da Salgueiro

    Cintia Dicker é anunciada como nova musa da Salgueiro

    Estreando no Carnaval, top model brasileira já foi ranqueada entre as mais sexy do mundo

    Das passarelas da moda para a passarela da Sapucaí, a supermodelo brasileira Cintia Dicker foi eleita para o posto de musa da Acadêmicos do Salgueiro no Carnaval de 2026. Anunciada oficialmente pela agremiação nesta terça-feira, 23 de setembro, Cintia Dicker tem compartilhado empenho dedicada a aulas de samba com o professor Carlinhos do Salgueiro e intenso preparativo para desfilar pela primeira vez no Carnaval.

    Eleita da agremiação, Cintia Dicker iniciou carreira na moda aos 15 anos de idade e, desde então, consolidou-se entre as principais top models brasileiras, com importantes realizações no mercado fashion internacional.

    Nascida no pequeno município de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, Cintia foi revelada após ser vista por um caça-talentos enquanto passeava em um shopping de sua cidade natal. Desde então, iniciou meteórica atuação como modelo, com desfiles para Gucci, Lanvin, Jean Paul Gaultier, Moschino, Diane von Furstenberg, Anna Sui, Sonia Rykiel, Oscar de la Renta, Dsquared2, Jason Wu, Badgley Mischka, entre outras grifes infindáveis.

    No consagrado Models.com, despontou no ranking das modelos mais sexy do mundo. Cintia também estrelou campanhas para gigantes como Victoria’s Secret, L’Oreal Paris, Tom Ford Eyewear, DSquared2, Amazon, Gap e Banana Republic, além de brasileiras como Ellus e Animale. Recentemente, repercutiu ao estrelar campanha internacional ao lado da poderosa família Kardashian, ostentando posto de garota-propaganda da collab Skims & Roberto Cavalli.

    Com passagens por grandes mercados internacionais – de França, Itália e Estados Unidos, a Japão e Alemanha – Cintia Dicker estampou capas e editorias nas mais renomadas publicações do mundo, como Vogue, W Magazine, Allure, Elle, Interview, Marie Claire, Sports Illustrated, GQ, Glamour, Harper’s Bazaar e L’Officiel, entre outras. Ícones da fotografia como Steven Klein, Ellen von Unwerth e Greg Kadel a elegeram para estrelar imagens emblemáticas.

    Despontando além das passarelas, Cintia também atuou em telenovelas como ‘Meu Pedacinho de Chão’, ‘Pega-Pega’ e ‘Totalmente Demais’, da TV Globo, além da série ‘Correio Feminino’, exibida na mesma emissora, na programação do dominical Fantástico.

    Mãe da pequena Aurora, de 2 anos, e esposa do surfista Pedro Scooby, Cintia tem 38 anos e mora atualmente no Rio de Janeiro, onde concilia a carreira na moda com a maternidade, a paixão pela natureza e as iniciativas voltadas à saúde e ao bem-estar.

    “Essa experiência significa, primeiro de tudo, superação. É um desafio aprender uma coisa nova e sair da zona de conforto, e é também um prazer, porque eu realmente AMO o Carnaval. O Carnaval pra mim representa o maior show na terra, é a coisa mais linda toda a dedicação que acontece durante o ano inteiro, então representa amor, amor pela escola, se doar e ter dedicação. Quando eu era pequena, em Campo Bom, assistia na TV a Salgueiro com minha família, que se reunia pra ver. Estou focada, me dedicando o máximo possível, fazendo aulas três vezes por semana com o Carlinhos Salgueiro, pra dar o meu melhor, com a dedicação que a escola merece”, afirmou.

     
     
     

     
     
    Ver essa foto no Instagram

     
     
     
     

     
     

     
     
     

     
     

    Uma publicação compartilhada por cintiadicker (@cintiadicker)

    Cintia Dicker é anunciada como nova musa da Salgueiro

  • Lula critica na ONU 'sanções arbitrárias' e diz que agressão ao Judiciário brasileiro é inaceitável

    Lula critica na ONU 'sanções arbitrárias' e diz que agressão ao Judiciário brasileiro é inaceitável

    As declarações foram feitas um dia após o governo Donald Trump ampliar as sanções a autoridades brasileiras em reação à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes correlatos

    SÃO PAULO, SP, E NOVA YORK, EUA (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) abriu seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) com uma crítica a “sanções arbitrárias” e disse que “não há justificativa para a agressão contra a independência do Judiciário” no Brasil.

    As declarações foram feitas um dia após o governo Donald Trump ampliar as sanções a autoridades brasileiras e ao entorno do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em reação à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes correlatos.

    O governo americano anunciou na segunda-feira (22) uma nova rodada de revogação de vistos e a inclusão da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, e da empresa que pertence à família do magistrado na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, criada para punir pessoas envolvidas em corrupção ou graves violações de direitos humanos.

    “Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra. Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia”, afirmou Lula no início de seu discurso de 18 minutos na sede das Nações Unidas.

    Ele também defendeu a legitimidade do julgamento do ex-presidente e mandou indireta a Trump, sem citá-lo nominalmente.

    “Bolsonaro teve amplo direito de defesa. Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam”, disse. Lula também voltou a dizer que “nossa democracia e soberania são inegociáveis.

    Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA crítico a Moraes, chegou ao plenário da Assembleia Geral quando o petista condenava o que chamou de ingerências ao Judiciário brasileiro.

    “A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável”, afirmou Lula. A interferência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias”, acrescentou, em referência indireta à articulação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por sanções a autoridades brasileiras em reação ao julgamento de seu pai.

    “Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”, continuou o petista, acrescentando que, “pela primeira vez, em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentado contra o Estado democrático de Direito”.

    “Foi investigado, denunciado e julgado em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativas que ditaduras negam às suas vítimas”.

    “Diante dos olhos do mundo, o Brasil envia recado a todos os candidatos autocratas: Nossa democracia e soberania são inegociáveis”, seguiu, sendo aplaudido pelos presentes.

    VISTOS

    Segundo um integrante do Departamento de Estado, tiveram a permissão de entrada nos EUA revogada nesta segunda-feira o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias; os juízes Airton Vieira, Marco Antônio Vargas e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, que assessoraram Moraes em casos envolvendo Bolsonaro; o ex-presidente; José Levi, ex-advogado-geral da União e ex-secretário-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na gestão de Moraes; o ex-ministro do TSE e ex-corregedor Benedito Gonçalves, relator das ações que deixaram o ex-presidente inelegível; e a chefe de gabinete de Moraes, Cristina Yukiko Kusahara.

    De acordo com o integrante do Departamento de Estado, os familiares diretos dos sete atingidos também tiveram os vistos cancelados.

    A adoção das medidas em meio à viagem de Lula aos EUA impôs constrangimento à delegação brasileira.

    Lula critica na ONU 'sanções arbitrárias' e diz que agressão ao Judiciário brasileiro é inaceitável

  • Trump fala em 'excelente química' com Lula em encontro na ONU; os dois vão se reunir

    Trump fala em 'excelente química' com Lula em encontro na ONU; os dois vão se reunir

    O presidente Donald Trump disse que ficou impressionado com Lula, que o abraçou nos bastidores do plenário da ONU e que convidou o presidente brasileiro para um encontro na próxima semana

    NOVA YORK, EUA (CBS NEWS) – Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tiveram um breve encontro nesta terça-feira (23), entre os discursos de ambos na Assembleia-Geral das Nações Unidas, e combinaram de realizar uma reunião na próxima semana. Os detalhes ainda não foram divulgados.

    A aproximação ocorre em pleno tarifaço do republicano contra o Brasil e em meio a um novo pacote de sanções americanas.

    Trump estava na sala reservada da ONU e acompanhou todo o discurso de Lula, recheado de críticas a ações dos Estados Unidos. O petista entrou na sala ao deixar o púlpito. Trump tomou a iniciativa de falar com ele, porque já estava no local quando o presidente chegou, segundo integrantes do governo.

    Trump disse que eles precisavam conversar. Lula afirmou estar aberto a fazer conversas, que sempre esteve. O americano então sugeriu que poderia ser na próxima semana a reunião, ao que Lula confirmou. O chefe do cerimonial, Fernando Igreja, fez a tradução na hora.

    Trump anunciou publicamente o encontro no fim de seu discurso no evento. O republicano disse que houve “excelente química” e que os dois vão se encontrar na próxima semana.

    “Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, disse o americano, que discursou após o petista.

    A Presidência confirmou o encontro entre Lula e Trump e o agendamento da reunião entre os dois para a próxima semana, sem dar mais detalhes.

    Lula fez fala recheada de recados a ações dos Estados Unidos, da aplicação de sanções a ações militares no Caribe.

    Esta foi a primeira vez que Lula ficou no mesmo ambiente que Trump desde que o americano aplicou sanções ao Brasil, a partir do final de maio.

    Em abril, os dois foram à missa do funeral do papa Francisco, mas Lula afirmou nem ter visto Trump na ocasião. Depois, em meados de maio, havia expectativa de que eles pudessem se esbarrar na cúpula do G7, em meados de maio, no Canadá. Mas isso não ocorreu porque Trump antecipou sua volta aos EUA.

    No início da manhã, Lula fez o discurso de abertura no segmento de alto nível da Assembleia-Geral da ONU. Trump falou em seguida.

    O encontro entre Lula e Trump, embora tenha sido um rápido encontro, não estava na agenda de nenhum dos dois mandatários. Ela ocorre num momento de distanciamento inédito entre Brasil e EUA por causa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) -um aliado de Trump.

    O republicano classificou o processo contra Bolsonaro de caça às bruxas e, com base nisso, aplicou uma série de medidas punitivas contra o país. Entre elas, a cassação de vistos de autoridades, a imposição de sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.

    Na mais recente escalada, Trump incluiu a esposa de Moraes, Viviane Barci, em punições financeiras com base na Lei Magnitsky, e suspendeu os vistos de uma nova leva de autoridades brasileiras, entre elas o do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

    Trump fala em 'excelente química' com Lula em encontro na ONU; os dois vão se reunir

  • CBF mira seleções do Top 10 do ranking da Fifa para amistosos em março

    CBF mira seleções do Top 10 do ranking da Fifa para amistosos em março

    RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – A CBF trabalha para que o início da agenda da seleção brasileira em 2026 tenha jogos contra países que estão no top 10 do ranking da Fifa.

    O QUE ACONTECEU

    O foco para os amistosos de março está em tentar algum adversário europeu.

    O top 10 do ranking da Fifa atualmente tem Espanha, França, Argentina, Inglaterra, Portugal, Brasil, Holanda, Bélgica, Croácia e Itália.

    A possibilidade se abre porque essa data será para repescagem das Eliminatórias europeias. Logo, quem conseguir vaga direta para a Copa 2026 no seu respectivo grupo pode estar disponível para enfrentar o Brasil.

    O desejo da comissão técnica de Carlo Ancelotti é aumentar o leque de enfrentamentos com as seleções mais complicadas.

    Para novembro, a CBF tenta fechar com seleções africanas, com jogos em solo europeu, mas precisa esperar o desfecho das Eliminatórias em outubro.

    No mês que vem, o Brasil já terá pela frente os asiáticos Coreia do Sul e Japão. O anúncio da lista de convocados será no dia 1º.

    Ex-jogador chegou sorridente à cerimônia em Paris, evitou falar do momento da equipe brasileira, exaltou Neymar e revelou torcida por Raphinha, embora também tenha elogiado nomes como Lamine Yamal e Dembélé

    Notícias ao Minuto | 05:40 – 23/09/2025

    CBF mira seleções do Top 10 do ranking da Fifa para amistosos em março

  • Macron é 'barrado' pela polícia de Nova York por causa de… Trump

    Macron é 'barrado' pela polícia de Nova York por causa de… Trump

    O francês reagiu a situação com bom humor, ligou para o presidente norte-americano e depois disso seguiu tranquilamente a pé pelas ruas da cidade de Nova York

    O presidente da França, Emmanuel Macron, passou por um momento cômico durante a sua visita a Nova York, nos Estados Unidos, na noite desta segunda-feira (22).

    Macron saía da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) quando foi interpelado por um policial, que o impediu de atravessar uma rua.

    O agente fazia parte da equipe de segurança que seguia a comitiva de Donald Trump. O carro onde estava o presidente dos EUA ia passar momentos depois, estando por isso a vedação a circulação de pessoas na rua.

    Entre eles estava, contudo, uma figura igualmente importante e que acabou por encarar toda a situação com… bastante bom-humor.

    O presidente de França pegou no telefone e ligou diretamente para o responsável pela sua situação.

    Depois do fim de todo o aparato, Macron prosseguiu o seu caminho a pé, sendo parado por vários pedestres.

    Emmanuel Macron se encontra nos EUA, onde participou na Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e Implementação da Solução de Dois Estados.

     
    Nova Iorque acolhe Conferência para a Solução de Dois Estados 

    A Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e Implementação da Solução de Dois Estados, copresidida pela França e Arábia Saudita, decorreu em Nova York, na qual vários países reconhecerão o Estado palestino.

    Na conferência, a França reconheceu formalmente o Estado da Palestina, uma decisão para promover a paz entre israelitas e palestinos, anunciou o Presidente francês, Emmanuel Macron, perante as Nações Unidas.

    “Chegou o momento (…). Declaro que hoje a França reconhece o Estado da Palestina”, afirmou Macron, na abertura da conferência de alto nível sobre a solução dos dois Estados, copresidida por Paris e Riade. 

    Macron sublinhou que estava sendo “fiel ao compromisso histórico da França” no Médio Oriente, onde reconhece que Paris tem “uma responsabilidade histórica”.

    “Devemos fazer tudo para preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados, com Israel e a Palestina a viverem lado a lado em paz e segurança”, acrescentou.

    Macron anunciou também que será aberta uma embaixada francesa na Palestina condicionada à libertação de “todos os reféns” detidos pelo movimento islamita Hamas e a um “cessar-fogo” em Gaza.

    França reconhece formalmente o Estado da Palestina: “Chegou o momento” 

    A França reconheceu formalmente o Estado da Palestina, uma decisão para promover a paz entre israelitas e palestinos, anunciou o Presidente francês, Emmanuel Macron, perante as Nações Unidas.

    Macron acrescentou ainda que o reconhecimento é também “uma derrota para o Hamas, bem como para todos aqueles que promovem o antissemitismo e alimentam obsessões anti-sionistas e que querem a destruição do Estado de Israel”.

    A tomada de posição da França é significativa, uma vez que o país é o que tem a maior comunidade judaica da Europa, por ser historicamente um dos mais firmes aliados de Israel e por ter um lugar permanente (e portanto poder de veto) no Conselho de Segurança da ONU, para além de ser uma das principais economias do mundo.

    Macron anunciou também que mais cinco países se juntarão nas próximas horas ao reconhecimento do Estado palestino, como Bélgica, Malta, Luxemburgo, Andorra e São Marino.

    No domingo, Portugal, Reino Unido, Canadá e Austrália formalizaram o reconhecimento do Estado da Palestina.

    Macron é 'barrado' pela polícia de Nova York por causa de… Trump

  • Impeachment não é produto de prateleira para tirar quem você não gosta, diz Barroso

    Impeachment não é produto de prateleira para tirar quem você não gosta, diz Barroso

    Barroso afirmou no Roda Viva que impeachment de ministros do STF só cabe em casos graves e não pode ser usado como ferramenta política. Para ele, ameaças de bolsonaristas nesse sentido desrespeitam a democracia e distorcem o papel institucional da medida

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse que o “impeachment não é um produto de prateleira para você tirar da vida pública quem você não gosta\”, ao ser questionado sobre o plano de bolsonaristas de elegerem senadores em número suficiente para aprovar o impeachment de ministros da Corte, sobretudo de Alexandre de Moraes, a partir de 2027.

    “O impeachment é algo grave que você faz e que você aplica quando a pessoa cometeu um crime de responsabilidade, alguma coisa rara, excepcional, fora de padrão, e eu acho muito errado esse discurso”, disse o ministro, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

    Barroso afirmou também que “se o ex-presidente [Jair Bolsonaro] tem apoiadores e conseguir elegê-los para o Senado, faz parte da vida democrática”. Ainda de acordo com o ministro, um Congresso conservador não o assusta. “Fazer impeachment de ministro do Supremo não faz nenhum sentido e é uma forma feia de fazer política.”

    Em outra analogia, Barroso disse que o impeachment “é uma forma de você, em vez de jogar o jogo, você quer tirar de campo quem você não gosta.

    Custo do Judiciário

    O presidente do ST reconheceu que o Judiciário é caro – custa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas “é a instituição de maior capilaridade no país”, o que justificaria o alto custo. O Judiciário brasileiro custa o custo da presença do Estado em todo o País e uma presença que faz muita diferença na vida das pessoas”, disse o ministro na entrevista que ocorreu na noite desta segunda-feira, 22.

    Barroso destacou que eventuais abusos devem ser combatidos, mas defendeu os altos salários dos magistrados como forma de recrutar os melhores profissionais. “Se você não paga bem os juízes, você não recruta os melhores nomes para a magistratura, você fica com o que sobrou. Eu não quero o que sobrou. Tem que pagar bem, mas tem que pagar bem dentro da legislação”, disse.

    Impeachment não é produto de prateleira para tirar quem você não gosta, diz Barroso