Autor: REDAÇÃO

  • Acusado de tentar matar Trump na Flórida é declarado culpado

    Acusado de tentar matar Trump na Flórida é declarado culpado

    Ryan Routh foi considerado culpado por conspiração contra a vida do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em setembro do ano passado

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A Justiça dos Estados Unidos declarou nesta terça-feira (23) Ryan Routh, 59, culpado por tentativa de assassinato contra Donald Trump, em setembro do ano passado.

    Ryan foi considerado culpado por conspiração contra a vida de Trump. Ele também foi julgado por agressão a um agente federal e posse de arma de fogo para praticar crime violento. A Justiça ainda não definiu a pena dele.

    Procuradores afirmaram que Ryan arquitetou o assassinato de Trump. O suposto atentado contra a vida do então candidato à presidência dos EUA ocorreu quando o republicano estava em um campo de golfe, em Palm Beach, na Flórida.

    Justiça não acatou a declaração de inocência feita por Routh. O réu rejeitou advogados e decidiu representar a si mesmo nos tribunais.

    Ao se defender, Routh afirmou que não houve crime “porque nenhum gatilho foi puxado”. Ele admitiu ter visto Trump se locomover pelo campo de golfe no dia da suposta tentativa de assassinato, mas disse que não disparou.

    Procuradora-geral dos EUA comemorou a decisão da Justiça em declarar Routh culpado. “Esta tentativa de assassinato não foi apenas um ataque ao nosso presidente, mas uma afronta à nossa própria nação”, declarou Pam Bondi.

    RELEMBRE O CASO

    Suposta tentativa de assassinato ocorreu no dia 15 de setembro de 2024. Na ocasião, o então candidato à presidência dos EUA estava em um clube de golfe na Flórida.

    Agente do Serviço Secreto alega ter visto o réu com um rifle escondido em uma área de mata do clube. O agente então disparou contra o suspeito, que teria fugido de carro, mas foi preso em seguida.

    Rifle supostamente usado por Routh foi encontrado no local onde ele teria se escondido para matar Trump. A arma tinha mira telescópica e estava com o número de série raspado.

    Réu teria escrito uma carta em que confessa seu plano de execução do republicano. Na carta, intitulada “Querido mundo”, ela teria escrito: “Esta foi uma tentativa de assassinato contra Donald Trump, mas eu falhei com vocês”, segundo informações da imprensa norte-americana.

    Ryan Routh possui antecedentes por crimes cometidos em 2002 e 2010, na Carolina do Norte. Ainda segundo a imprensa dos EUA, ele era apoiador de Trump em 2016, na primeira vitória do republicano à Casa Branca, mas teria deixado de apoiá-lo em 2020.

    Acusado de tentar matar Trump na Flórida é declarado culpado

  • Flávio Dino é eleito presidente da Primeira Turma do STF

    Flávio Dino é eleito presidente da Primeira Turma do STF

    Flávio Dino vai suceder Cristiano Zanin, atual presidente, e ficará no posto pelo prazo de um ano; o ministro ficará responsável pela definição das datas de julgamento dos réus nas ações penais sobre a tentativa de golpe

    O ministro Flávio Dino foi eleito nesta terça-feira (23) para ocupar a função de presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 1° de outubro. 

    A eleição ocorreu de forma simbólica. De acordo com o regimento interno da Corte, o cargo de presidente do colegiado deve ser ocupado em forma de rodízio. Dino vai suceder Cristiano Zanin, atual presidente, e ficará no posto pelo prazo de um ano.

    Além de Dino e Zanin, a turma também é composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Cármen Lúcia. 

    Trama golpista 

    Na condição de presidente, Flávio Dino ficará responsável pela definição das datas de julgamento dos réus nas ações penais sobre a trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro.

    Até o momento, somente o núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus, foi condenado.

    Ainda serão julgados neste ano os núcleos 2, 3, 4 e 5. 

    Perfil 

    Dino é formado em direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Foi juiz federal, atuou como presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e chefiou a Secretaria-Geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    Em 2006, entrou para a política e se elegeu deputado federal pelo Maranhão. Entre 2011 e 2014, ocupou o cargo de presidente da Embratur. 

    Nas eleições de 2014, Dino foi eleito governador do Maranhão e foi reeleito no pleito seguinte, em 2018. Em 2022, venceu as eleições para o Senado, mas deixou a cadeira de parlamentar para assumir o comando do Ministério da Justiça do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Dino tomou posse como ministro do Supremo em fevereiro de 2024, indicado pelo presidente Lula, e assumiu a vaga deixada por Rosa Weber. 

    Flávio Dino é eleito presidente da Primeira Turma do STF

  • Consultores da ONU pedem que Fifa suspenda Israel; país tenta vaga na copa

    Consultores da ONU pedem que Fifa suspenda Israel; país tenta vaga na copa

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Especialistas independentes nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU pediram nesta terça-feira (23) que Fifa e Uefa suspendam Israel das competições de futebol internacional por sua ofensiva em Gaza. A seleção israelense está atualmente em 3º lugar no Grupo I das Eliminatórias Europeias para a Copa.

    O QUE ACONTECEU

    Eles afirmaram que os “órgãos esportivos não devem fechar os olhos para graves violações dos direitos humanos.” Os oito especialistas acrescentaram que seleções representam Estados e devem ser suspensas -caso causem violações.

    Os órgãos esportivos não devem fechar os olhos para graves violações dos direitos humanos, especialmente quando suas plataformas são usadas para normalizar as injustiças.

    Os especialistas são contrários às punições individuais contra jogadores israelenses. “Estamos claros que o boicote deve ser dirigido ao Estado de Israel e não a jogadores individuais”, diz o comunicado.

    Texto ainda lembrou que a Comissão de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado concluiu que Israel está cometendo genocídio em Gaza. Veja, abaixo, quem assina o documento:

    • Alexandra Xanthaki, relatora especial no domínio dos direitos culturais
    • K.P. Ashwini, relator especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata
    • Francesca Albanese, relatora especial sobre a situação dos direitos humanos no território palestiniano ocupado desde 1967
    • Pichamon Yeophantong (Presidente), Damilola Olawuyi (Vice-Presidente),
    • Fernanda Hopenhaym, Lyra Jakulevi’ien e Robert McCorquodale, Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos

    ESPANHA COGITA BOICOTE À COPA 2026

    Espanha cogita não participar do Mundial em caso de classificação de Israel. A medida, inédita em competições da Fifa, abre uma série de questionamentos jurídicos e desportivos (clique e entenda o caso).

    Israel tem nove pontos no Grupo I. A liderança é da Noruega, que soma 15 pontos, com a Itália em segundo, também com nove. Estônia, com três pontos, e Moldávia, zerada, completam a chave.

    O melhor colocado de cada grupo garante vaga direta, enquanto os segundos colocados precisam passar por um playoff. Ao todo, 16 seleções do continente europeu vão disputar o Mundial.

    Israel volta a campo no dia 11 de outubro. O confronto será contra a líder Noruega, em Oslo.

    A seleção israelense está filiada à Uefa desde 1991. Mesmo pertencendo ao continente asiático, o país participa das ligas europeias de futebol por questões envolvendo política e religião.

    O desejo da comissão técnica de Carlo Ancelotti é aumentar o leque de enfrentamentos com as seleções mais complicadas, que estão no top do 10 do ranking da Fifa

    Folhapress | 14:24 – 23/09/2025

    Consultores da ONU pedem que Fifa suspenda Israel; país tenta vaga na copa

  • Elenco de 'Vale Tudo' entra em clima de despedida durante últimas gravações

    Elenco de 'Vale Tudo' entra em clima de despedida durante últimas gravações

    Encerramento da novela tem previsão de ir ao ar em outubro; atores já se despedem de cenários icônicos da trama, como o da empresa TCA da família Roitman

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O clima de fim de ciclo já tomou conta do elenco de “Vale Tudo”, que se prepara para a reta final da novela. Com o último capítulo previsto para ir ao ar em outubro, artistas e equipe técnica começaram a se despedir dos cenários que marcaram a produção.

    Na manhã desta terça-feira (23), Débora Bloch registrou um momento ao lado de Paolla Oliveira no set da TCA, companhia aérea fictícia administrada pela família Roitman na trama. Na história, as atrizes dão vida a Odete e Heleninha, mãe e filha que vivem uma relação conturbada.

    A foto, publicada nas redes sociais, também contou com a presença de parte da equipe técnica, em tom de confraternização.

    O adeus antecipado, no entanto, já havia começado no dia anterior. Na segunda-feira (22), Thiago Martins compartilhou registros de uma confraternização descontraída com colegas de elenco nos Estúdios Globo, na zona oeste do Rio. “Sentirei saudade”, escreveu o ator, que interpreta Vasco. O momento reuniu ainda Renato Góes (Ivan), Ingrid Gaigher (Lucimar), Luis Lobianco (Freitas), Letícia Vieira (Gilda) e Matheus Nachtergaele (Poliana), núcleo que movimenta a fictícia Vila Isabel.

    A despedida gradual reforça o impacto da novela, que revisita um clássico da televisão brasileira. Desde a estreia, o remake de “Vale Tudo” atraiu atenção ao atualizar temas como corrupção, ética e desigualdade social, além de despertar comparações com a versão original exibida em 1988.

    Elenco de 'Vale Tudo' entra em clima de despedida durante últimas gravações

  • Trump encontra Milei e declara apoio à reeleição do argentino

    Trump encontra Milei e declara apoio à reeleição do argentino

    Trump disse que a Argentina “não precisa de um plano de resgate”, como se especula que a Casa Branca oferecerá à Casa Rosada

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em encontro às margens da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, fizeram uma reunião na qual o americano declarou seu apoio à reeleição do ultraliberal -o próximo pleito para o cargo máximo do Executivo no país é em 2027, mas no final de outubro os argentinos vão às urnas em importantes eleições legislativas.

    “Eu queria me encontrar com o presidente da Argentina, nós dois queríamos nos encontrar, somos amigos”, disse Trump na reunião. “Ele vem fazendo um trabalho fantástico, e eu vou fazer algo que não costumo fazer: eu vou apoiá-lo para presidente.”

    “Como vocês sabem, tem uma eleição chegando, e tenho certeza que ele vai se sair bem, mas agora, espero, isso será uma garantia disso”, afirmou o presidente americano -não está claro se ele se referia ao pleito de 2027 ou ao do próximo mês, quando o governo Milei espera aumentar sua maioria no Congresso. “Acho que para concluir o trabalho, o excelente trabalho que ele vem fazendo, ele precisa de mais um mandato”, disse Trump, que segurava uma versão impressa de uma publicação que fez em sua rede social, a Truth Social, em apoio a Milei.

    Na publicação, divulgada também pelo presidente argentino no X, Trump escreveu que Milei é “um grande amigo, um lutador e um vencedor, e nunca vai decepcionar vocês”. “O altamente respeitado presidente [Milei] se mostrou ser um líder fantástico para o grande povo da Argentina”, disse o republicano.

    “Ele herdou uma bagunça total, com inflação terrível causada pelo presidente de esquerda radical anterior, muito parecido com o corrupto Joe Biden, o PIOR presidente da história da nossa nação. [Milei] elevou a Argentina a um novo nível de importância e respeito!”

    No vídeo publicado pela Casa Rosada, o republicano fala pela maior parte do tempo, com Milei se limitando a dizer, em inglês, “muito obrigado”. Em determinado momento da reunião, Trump promete ajudar a Argentina com sua dívida externa -na segunda (22), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que fará o possível para que Buenos Aires supere a forte escalada do dólar pela qual passa o país latino-americano.

    Questionado a respeito no encontro, Trump disse que a Argentina “não precisa de um plano de resgate”, como se especula que a Casa Branca oferecerá à Casa Rosada. Bessent se limitou a elogiar o plano econômico de Milei -também estavam presentes a irmã do presidente, Karina, pivô de um escândalo de corrupção que abala o governo, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

    Milei busca ajuda dos EUA para dar fôlego às reservas do país e conseguir cumprir com o vencimento de uma parcela da dívida de US$ 4 bilhões em janeiro de 2026 e de US$ 4,5 bilhões em julho. Na segunda, escreveu no X: “Um enorme obrigado ao secretário Scott Bessent e ao presidente Donald Trump pelo apoio incondicional ao povo argentino, que há dois anos optou por reverter um século de decadência com muito esforço. Aqueles que defendem as ideias de liberdade devem trabalhar juntos para o bem-estar de nossos povos”.

    A última semana foi de forte turbulência no mercado, com o dólar oficial estourando o teto das bandas de flutuação pela primeira vez desde a adoção do sistema, em abril. O BCRA (Banco Central da República Argentina) teve de intervir, com a venda de US$ 1,1 bilhão em três dias.

    Trump encontra Milei e declara apoio à reeleição do argentino

  • Motta elogia fala de Trump sobre diálogo e defende decisão de negar liderança a Eduardo Bolsonaro

    Motta elogia fala de Trump sobre diálogo e defende decisão de negar liderança a Eduardo Bolsonaro

    O filho de Jair Bolsonaro mora desde março nos Estados Unidos, onde articula com integrantes do governo Donald Trump a aplicação de pressões sobre o Brasil em resposta ao julgamento do ex-presidente

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta terça-feira (23) que a decisão de negar a nomeação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para a liderança da minoria foi “estritamente técnica”.

    A decisão de Motta, publicada nesta terça no Diário Oficial da Câmara, acontece após pressão nos bastidores por parte de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para que ele desse um desfecho à tentativa de manobra do PL de salvar o mandato de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

    “Decisão foi estritamente técnica, ouvimos o parecer da secretaria-geral da Mesa [Diretora] que decidiu por não haver a possibilidade do exercício do mandato parlamentar estando ausente do território nacional. Não há nenhum precedente da Casa [de exercer o mandato direto do exterior]”, disse Hugo Motta.

    O uso das tecnologias e a condição dada aos líderes para não ter suas faltas contabilizadas é justamente para que o líder possa exercer seu mandato em outras atividades, atendendo parlamentares, podendo propor projetos de lei, ouvindo vice-lideranças. A Câmara não foi comunicada previamente sobre sua saída do país. Por esse critério técnico, é incompatível sua assunção à liderança da minoria na Câmara”, acrescentou o presidente da Casa.

    O PL tinha feito a indicação pois, no cargo, Eduardo não teria obrigação de comparecer à Câmara para as sessões.

    O filho de Jair Bolsonaro mora desde março nos Estados Unidos, onde articula com integrantes do governo Donald Trump a aplicação de pressões sobre o Brasil em resposta ao julgamento do ex-presidente.

    Ao nomear Eduardo Bolsonaro como líder da minoria, o PL se baseou numa ata de uma reunião da Mesa Diretora da Casa publicada no dia 5 de março de 2015. O documento diz que a Mesa considerou, por unanimidade, na ocasião, que ficam justificadas ausências de registro de membros da Mesa e líderes de partido que, “em razão da natureza de suas atribuições, não precisavam registrar presença”.

    As declarações de Hugo Motta foram dadas durante entrevista coletiva à imprensa na tarde desta terça. Hugo Motta também disse que vê com “bons olhos” as falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

    “Sempre defendi que o diálogo e a diplomacia do país possam ajudar os dois países que têm relação histórica. Defendo sempre que o governo brasileiro possa dirimir as dúvidas, em diálogo com o governo americano, poder deixar para trás essa questão das tarifas, das sanções”, afirmou Motta.

    “A nossa soberania não está em discussão, o Brasil precisa defender isso, como o presidente Lula fez hoje.”

    Os presidentes Lula e Donald Trump tiveram um breve encontro nesta terça-feira (23), entre os discursos de ambos na Assembleia-Geral das Nações Unidas, e combinaram de realizar uma reunião na próxima semana. Os detalhes ainda não foram divulgados.

    Trump anunciou publicamente o encontro no fim de seu discurso no evento. O republicano disse que houve “excelente química” e que os dois vão se encontrar na próxima semana.

    “Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, disse o estadunidense, que discursou após o petista.

    Lula fez fala recheada de recados a ações dos Estados Unidos, da aplicação de sanções a ações militares no Caribe.

    Esta foi a primeira vez que Lula ficou no mesmo ambiente que Trump desde que o americano aplicou sanções ao Brasil, a partir do final de maio.

    Motta elogia fala de Trump sobre diálogo e defende decisão de negar liderança a Eduardo Bolsonaro

  • Família de Oruam diz que ele está sendo 'esquecido atrás das grades'

    Família de Oruam diz que ele está sendo 'esquecido atrás das grades'

    Oruam está preso desde 22 de julho, após ser detido por entrar em conflito com policiais que foram até a casa dele, noo Rio de Janeiro, para cumprir mandado de busca e apreensão contra um adolescente

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Oruam está preso há mais de dois meses. Em novo comunicado divulgado à imprensa, a família do rapper pede a liberdade dele e diz que não há “provas concretas” que justifiquem a detenção.

    Os familiares dizem viver um pesadelo. Ver alguém que sempre trabalhou pela sua música, pelo seu público e pela sua trajetória ser tratado como culpado sem que exista qualquer comprovação é uma dor que não pode ser descrita em palavras”, diz trecho do texto.

    “Mauro está sendo esquecido propositalmente atrás das grades, como se fosse mais um número no sistema prisional. Mas ele não é. Ele é um jovem artista, um ser humano, um irmão, um filho e tem uma família inteira que sofre com ele a cada dia que passa”, afirmou Lucca, irmão de Oruam.

    A carta pede justiça. “Não aceitaremos o silêncio diante dessa injustiça. Não aceitaremos que ele seja mantido encarcerado sem provas. Não vamos nos calar. Oruam merece justiça, merece ser ouvido, merece ter sua vida devolvida. Pedimos à imprensa, à sociedade e às autoridades: olhem para este caso com seriedade, responsabilidade e humanidade. Não podemos permitir que um inocente seja destruído pelo descaso. Liberdade para Oruam. Justiça já”, diz Lucca.

    A mãe de Oruam também lamentou a prisão. “Não existe dor maior do que ver um filho preso sem provas concretas, enquanto verdadeiros criminosos continuam soltos. Carrego comigo a fé e a esperança de que a justiça será feita e de que meu filho voltará a fazer o que sempre fez: transformar dor em arte, através da sua música e da sua voz”, afirmou.

    “Sinto um peso enorme de injustiça, o sofrimento tem sido enorme, mas também a força de todas as mães que já passaram ou passam por essa mesma luta. Meu filho não é só um número dentro do sistema, ele é um ser humano, um artista, um filho amado”, prosseguiu.

    Márcia tem esperança de o filho ser inocentado. “A minha esperança é que a verdade venha à tona e que Mauro possa sair pela porta da frente, com a cabeça erguida, mostrando que nenhum cárcere pode aprisionar o talento, a dignidade e o orgulho de quem nunca desistiu de sonhar”.

    PRISÃO

    Oruam está preso desde 22 de julho. Ele foi detido após entrar em conflito com policiais que foram até a casa dele, no bairro do Joá, na zona oeste do Rio de Janeiro, para cumprir mandado de busca e apreensão contra um adolescente que estava no endereço.

    Desde então, a defesa do rapper tem pedido à Justiça habeas corpus para que ele responda em liberdade. Entretanto, a 4º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, indeferiu o pedido nesta quinta-feira.

    Tribunal alegou que a prisão de Oruam é necessária para “garantir a ordem pública, resguardar a paz social e a tranquilidade social”. Defesa rebateu decisão do Tribunal e afirmou que a denúncia apresentada contra o rapper foi “fabricada” de modo a “induzir ao erro” desde o início do processo.

    Família de Oruam diz que ele está sendo 'esquecido atrás das grades'

  • Dólar aprofunda queda e vai a R$ 5,28 após Trump acenar para diálogo com Brasil

    Dólar aprofunda queda e vai a R$ 5,28 após Trump acenar para diálogo com Brasil

    No começo da tarde desta terça-feira (23), a Bolsa manteve forte alta de 1,05%, a 146.641 pontos, renovando a máxima histórica durante o período de negociações

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em forte queda nesta terça-feira (23) após os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), realizados pela manhã.

    Foi a primeira vez que ambos os líderes ficaram no mesmo ambiente desde que Trump aplicou sanções ao Brasil, em maio, e, antes de deixar o púlpito, o republicano afirmou que irá se encontrar com Lula na próxima semana.

    Os mercados agora recalibram expectativas em torno das tensões tarifárias, políticas e diplomáticas entre os dois países. Às 14h40, a moeda norte-americana recuava 0,95%, cotada a R$ 5,286. Na mínima do dia, chegou a tocar R$ 5,276. Já a Bolsa tinha forte alta de 1,05%, a 146.641 pontos, renovando a máxima histórica durante o período de negociações.

    Ao fim de seu discurso, marcado por críticas às Nações Unidas, Trump confirmou que se encontrou brevemente com Lula antes de subir ao palco e que houve “excelente química” entre os dois.

    “Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, disse o americano, que discursou após o petista. Ele afirmou que ambos os líderes vão se encontrar na próxima semana, em um aceno à desescalada de tensões entre os dois países.

    A sinalização deu fôlego para as cotações, levando o dólar à mínima em mais de um ano e a Bolsa a um novo recorde intradiário.

    Abre-se caminho para o que não tinha acontecido até agora: Trump sentando à mesa para conversar com o Brasil. Pode ter uma flexibilidade nas tarifas de 50%, aumento da lista de isenção… Ele disse pouco, mas é uma sinalização muito valiosa”, diz Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.

    O discurso de Trump sucedeu o de Lula. O presidente dos Estados Unidos estava em uma sala reservada da ONU e acompanhou todo o discurso do brasileiro, recheado de críticas a ações dos Estados Unidos. O petista entrou na sala ao deixar o púlpito. Trump tomou a iniciativa de falar com ele, porque já estava no local quando o presidente chegou, segundo integrantes do governo.

    Trump disse que eles precisavam conversar. Lula afirmou estar aberto a fazer conversas, que sempre esteve. O americano então sugeriu que poderia ser na próxima semana a reunião, ao que Lula confirmou.

    O encontro aconteceu um dia após o governo Trump ampliar as sanções a autoridades brasileiras e ao entorno do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em reação à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.

    Ao citar o julgamento do ex-presidente no discurso, Lula defendeu a legitimidade do processo. “Bolsonaro teve amplo direito de defesa. Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam”, disse, em alfinetada a Trump. Ele voltou a dizer que “nossa democracia e soberania são inegociáveis.

    Antes dos discursos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, endereçou a guerra comercial entre os dois países em entrevista ao ICL Notícias. Para ele, a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros, em especial commodities, foi um “tiro no pé”, uma vez que a medida, “impensada”, penaliza o consumidor americano ao encarecer “o café da manhã, o almoço e o jantar”.

    Haddad chamou a ação americana de “ingerência indevida” e “intromissão descabida”, mas que a guerra comercial é uma oportunidade para o Brasil avançar em mudanças estruturais. “É um momento auspicioso, em que podemos fazer o que nunca tivemos coragem de enfrentar”, afirmou.

    Ele ainda ponderou sobre a taxa de juros do Brasil, mantida em 15% pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na semana passada pela segunda reunião consecutiva.

    “Eu entendo que tem espaço para esse juro cair. Acredito que nem deveria estar em 15%. Mas enfim, está, mas tem espaço para cair”, disse, acrescentando que “boa parte do mercado financeiro” também vê espaço para queda de juros.

    A fala segue a esteira da divulgação nesta manhã da ata do Copom sobre última reunião. O documento que atestou que, para o BC (Banco Central), a política monetária entrou em uma nova fase após um “firme” ciclo de elevação dos juros.

    Com a taxa Selic estacionada em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas, o comitê pretende examinar os impactos acumulados da política de juros para avaliar se o plano de conservar a taxa no atual patamar por tempo “bastante prolongado” será suficiente para levar a inflação à meta.

    Para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a ata confirmou as intenções do BC em manter a taxa Selic inalterada e que o grande desafio, agora, “é ver sinais consistentes de estabilização inflacionária para que a trajetória da política monetária comece a mudar”.

    “Isso tende a pressionar a taxa de câmbio para baixo, embora a ata apenas expanda o que nós já vimos no comunicado divulgado após a decisão. Ainda que parte dessa conclusão já estivesse precificada, a ata reforça que os juros ficarão em um patamar estável por bastante tempo no momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) retoma seu ciclo de cortes”, avalia.

    No mercado cambial, essa dinâmica tende a ser uma boa notícia. Isso porque a manutenção pelo Copom e o corte pelo Fed aumentam a diferença entre os juros de lá e os daqui, e, quanto maior essa diferença, mais rentável é a estratégia conhecida como “carry trade”.

    Nela, pega-se dinheiro emprestado a taxas baixas, como a dos EUA, para investir em ativos com alta rentabilidade, como a renda fixa brasileira. Assim, quanto mais atrativo o carry trade, mais dólares tendem a entrar no Brasil, o que ajuda a valorizar o real.

    O mercado agora olha para frente, atento a novas sinalizações sobre a política monetária dos Estados Unidos. Em discurso nesta tarde, Jerome Powell, presidente do Fed, contrariou as expectativas de mais cortes nos próximos meses, afirmando que os formuladores de políticas enfrentam uma “situação desafiadora” ao decidir se priorizam o combate à inflação ou a proteção de empregos.

    Ele indicou que essas medidas estão longe de estarem garantidas, apesar de investidores estarem precificando mais dois cortes em 2025. O chefe do Fed disse que se os banqueiros centrais “afrouxarem de forma muito agressiva”, então eles “poderiam deixar o trabalho da inflação inacabado e precisariam reverter o curso” para restaurar a taxa à meta de 2%.

    O Fed cortou na semana passada (17) os juros americanos em um quarto de ponto para uma faixa de 4% a 4,25% em meio a sinais de fraqueza no mercado de trabalho e dados mostrando que o impacto das tarifas sobre as pressões de preços permaneceu modesto.

    Dólar aprofunda queda e vai a R$ 5,28 após Trump acenar para diálogo com Brasil

  • Conselho de Ética da Câmara instaura processo que pode cassar Eduardo Bolsonaro

    Conselho de Ética da Câmara instaura processo que pode cassar Eduardo Bolsonaro

    Sorteio de lista tríplice para escolha de relator tem dois nomes da esquerda e um do centrão; representação do PT acusa deputado de atacar o STF e incitar a ruptura democrática

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou, nesta terça-feira (23), um processo que pede a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ameaça à realização das eleições em 2026.

    O relator do processo será escolhido pelo presidente do conselho a partir de uma lista tríplice, sorteada nesta terça.

    Os nomes sorteados foram os de Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) -dois deputados de esquerda, portanto de oposição a Eduardo, e um do centrão.

    Este é o primeiro processo instaurado contra Eduardo neste ano no conselho. No total, o deputado é alvo de quatro representações no órgão. O processo instaurado nesta terça foi apresentado pelo PT, pelo senador Humberto Costa (PT-PE) e pelo deputado Paulão (PT-AL).

    A peça aponta que, morando nos Estados Unidos desde março, Eduardo Bolsonaro tem atuado a favor de sanções a autoridades brasileiras, como retirada de visto e aplicação da Lei Magnitisky, e que sua campanha resultou na imposição de tarifas discriminatórias ao país, o chamado tarifaço.

    A aplicação de novas sanções dos EUA nesta segunda (22), inclusive contra a mulher do ministro Alexandre de Moraes, agravou a situação de Eduardo. Em resposta, o STF ameaçou cancelar um acordo com o Congresso para votar uma redução de penas para condenados por golpismo, o que poderia beneficiar Jair Bolsonaro (PL). A votação, que era esperada nesta semana na Câmara, deve acabar adiada.

    Além disso, nesta terça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indeferiu a indicação do PL para que Eduardo se tornasse líder da minoria. A manobra do partido tinha o objetivo de blindá-lo da cassação por faltas, já que líderes têm a prerrogativa de poder faltar às sessões plenárias.

    As demais representações contra Eduardo também tratam de sua atuação nos Estados Unidos e foram apresentadas por partidos ou parlamentares de esquerda. A peça do PT foi protocolada assim que terminou a licença do deputado do seu mandato, em 21 de julho.

    A representação aponta que, em entrevista à CNN, Eduardo afirmou que “sem anistia a Jair Bolsonaro, não haverá eleições em 2026”. Além disso, argumenta que o deputado tem difamado as instituições brasileiras.

    “A imunidade parlamentar não é um salvo-conduto para a prática de atos atentatórios à ordem institucional, tampouco um manto protetor para discursos de incitação à ruptura democrática”, diz a acusação do PT.

    Conselho de Ética da Câmara instaura processo que pode cassar Eduardo Bolsonaro

  • Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

    Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

    Lula discursou na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde, por tradição, o Brasil é o primeiro país a ocupar a tribuna do evento, que acontece anualmente e em 2025 completa 80 edições

    Nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a ocupar a tribuna do evento, que acontece anualmente e em 2025 completa 80 edições. Em sua fala, o presidente do Brasil falou de questões internas e externas, como as sanções dos Estados Unidos à economia e ao judiciário brasileiros, o genocídio em Gaza, as mudanças climáticas, regulação das big techs, democracia e América Latina. 

     
    Confira abaixo a íntegra do discurso 

    “Senhora Presidenta da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, Senhor Secretário-Geral, António Guterres, Caros chefes de Estado e de Governo e representantes dos Estados-Membros aqui reunidos. Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas.

    Criada no fim da Guerra, a ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade.

    Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores em São Francisco estão ameaçados, como nunca estiveram em toda a sua história.

    O multilateralismo está diante de nova encruzilhada.

    A autoridade desta Organização está em xeque.

    Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder.

    Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.

    Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia.

    O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades.

    Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas.

    Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades.

    Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.

    Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais.

    Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. 

    A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável.

    Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias.

    Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil.

    Não há pacificação com impunidade.

    Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito.

    Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso.

    Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.

    Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.

    Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.

    Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.

    Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde.

    A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares.

    Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.

    A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo.

    Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAO a confirmação de que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome neste ano de 2025. 

    Mas no mundo, ainda há 670 milhões de pessoas famintas. Cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

    A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza.

    Esse é o objetivo da Aliança Global que lançamos no G20, que já conta com o apoio de 103 países.

    A comunidade internacional precisar rever as suas prioridades: 

    – Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento;

    – Aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos; e

    – Definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

    A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância.

    As plataformas digitais trazem possibilidades de nos aproximar como jamais havíamos imaginado.  

    Mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação.

    A internet não pode ser uma “terra sem lei”. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis.

    Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim no ambiente virtual.

    Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia.

    O Parlamento brasileiro corretamente apressou-se em abordar esse problema.

    Com orgulho, promulguei na última semana uma das leis mais avançadas do mundo para a proteção de crianças e adolescentes na esfera digital.

    Também enviamos ao Congresso Nacional projetos de lei para fomentar a concorrência nos mercados digitais e para incentivar a instalação de datacenters sustentáveis.

    Para mitigar os riscos da inteligência artificial, apostamos na construção de uma governança multilateral em linha com o Pacto Digital Global aprovado neste plenário no ano passado. 

    Senhoras e senhores,

    Na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade.

    Manter a região como zona de paz é nossa prioridade.

    Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.

    É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo.

    A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas.

    Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento.

    Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. 

    A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela.

    O Haiti tem direito a um futuro livre de violência.

    E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo.

    No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. 

    O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada.

    É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista.

    Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes.

    A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir para promover o diálogo.

    Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina.

    Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo.

    Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza.

    Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes.

    Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente.

    Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo.

    Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente.

    Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva.

    O povo palestino corre o risco de desaparecer.

    Só sobreviverá com um Estado independente e integrado à comunidade internacional.

    Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.

    É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico. 

    O alastramento desse conflito para o Líbano, a Síria, o Irã e o Catar fomenta escalada armamentista sem precedentes.

    Senhora presidenta,

    Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática.

    O ano de 2024 foi o mais quente já registrado.

    A COP30, em Belém, será a COP da verdade.

    Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta.

    Sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (as NDCs), caminharemos de olhos vendados para o abismo.

    O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

    Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios.

    Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões.

    Exigir maior ambição e maior acesso a recursos e tecnologias não é uma questão de caridade, mas de justiça.

    A corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos.

    Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia.

    O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos.

    Erradicá-lo requer garantir condições dignas de vida para seus milhões de habitantes.

    Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar para remunerar os países que mantêm suas florestas em pé.  

    É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa de implementação.

    O mundo deve muito ao regime criado pela Convenção do Clima.

    Mas é necessário trazer o combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece.

    Um Conselho vinculado à Assembleia Geral com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática.

    Trata-se de um passo fundamental na direção de uma reforma mais abrangente da Organização, que contemple também um Conselho de Segurança ampliado nas duas categorias de membros.

    Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio.

    Medidas unilaterais transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida.

    Desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação.

    É urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis.

    Senhoras e senhores,

    Este ano, o mundo perdeu duas personalidades excepcionais: o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o Papa Francisco.

    Ambos encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas.

    Suas vidas se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU.

    Se ainda estivessem entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar:

    – Que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis;

    – Que os únicos derrotados são os que cruzam os braços, resignados;

    – Que podemos vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio; e

    – Que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo.

    No futuro que o Brasil vislumbra não há espaço para a reedição de rivalidades ideológicas ou esferas de influência.

    A confrontação não é inevitável.

    Precisamos de lideranças com clareza de visão, que entendam que a ordem internacional não é um “jogo de soma zero”.

    O século 21 será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral.

    O Brasil confere crescente importância à União Europeia, à União Africana, à ASEAN, à CELAC, aos BRICS e ao G20.

    A voz do Sul Global deve ser ouvida.

    A ONU tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação.

    Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância.

    Que Deus nos abençoe a todos.

    Muito obrigado.”

    Assista ao vídeo com a íntegra do discurso

    https://www.youtube.com/watch?v=gB0-M0lpk10

     

    Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU