Categoria: ECONOMIA

  • IR 2026: confira o passo a passo para quem vai declarar pela primeira vez

    IR 2026: confira o passo a passo para quem vai declarar pela primeira vez

    Especialista orienta sobre regras, documentos e cuidados para evitar erros na Declaração do Imposto de Renda; vale lembrar que a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, só vale para declaração do ano que vem

    Entre os dias 23 de março e 29 de maio, contribuintes de todo o país poderão enviar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF 2026) à Receita Federal. Há situações em que existe a obrigatoriedade de entrega, mas há também a entrega espontânea da Declaração.

    Para quem vai prestar contas ao Leão pela primeira vez, o processo pode parecer complexo, mas, com organização e informação, é possível entregar a Declaração sem contratempos.

    É importante lembrar que a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, só vale para declaração do ano que vem, referente ao ano calendário 2026. A Declaração desse ano contempla apenas os rendimentos obtidos em 2025, antes da mudança.
     

    De acordo com Daniel de Paula, coordenador da área de Imposto de Renda da IOB, que une Inteligência em legislação e Tecnologia avançada para resolver os desafios de contadores e empresas, o primeiro passo é entender a finalidade da declaração. “O Imposto de Renda é um tributo federal que incide sobre a renda da pessoa física. Ao longo do ano, ele é recolhido de forma antecipada e, na declaração anual, é feito o acerto de contas com o Fisco”, explica. O especialista também diferencia dois conceitos que costumam gerar dúvidas na hora de declarar:

    • Ano-Calendário: é o ano em que os fatos a serem declarados aconteceram;
    • Ano-Base: é o ano em que você entrega a Declaração à Receita Federal, informando os fatos do ano-calendário anterior.

    Ou seja, em 2026, a declaração será realizada com base nos fatos ocorridos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025.

    Quem precisa declarar em 2026? 

    Para o ano-base de 2026, deve declarar quem:

    • Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 no ano-calendário;
    • Teve rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil;
    • Possuía, em 31 de dezembro de 2025, bens e direitos cuja soma ultrapasse R$ 800 mil;
    • Realizou operações em bolsa de valores ou obteve ganho de capital na venda de bens.

    Passo a passo para declarar pela primeira vez 

    1. Entenda se você está obrigado a declarar
    Antes de qualquer coisa, o contribuinte deve conferir se se enquadra em algum dos critérios de obrigatoriedade.
     

    2. Documentação necessária
    O contribuinte deve ter em mãos:

    • RG, CPF e comprovante de residência;
    • Informes de rendimentos fornecidos por empregadores, instituições financeiras e, se aposentado, o informe da previdência social;
    • Extratos bancários específicos para fins de Imposto de Renda;
    • Comprovantes de despesas médicas e gastos com instrução do titular e dos dependentes (com CPF ou CNPJ do prestador e nome do beneficiário);
    • Documentos de compra e venda de bens, e contratos de aluguel;
    • Dados bancários atualizados para restituição ou débito automático;
    • Informações completas de dependentes (nome, CPF, data de nascimento e grau de parentesco); e
    • Declaração e Recibo de Entrega do ano anterior.

    “Organizar os documentos com antecedência é metade do caminho. Isso reduz erros e torna o preenchimento muito mais rápido”, orienta Daniel. 

    3. Bens e rendimentos

    Devem ser declarados salários e 13º salário, férias, ajuda de custo, aposentadoria, aluguéis, prêmios, investimentos no Brasil e no exterior, além de bens imóveis, veículos e outros direitos existentes até 31 de dezembro de 2025.

    A omissão de rendimentos é um dos principais motivos de retenção em malha fina. Segundo o especialista da IOB, “hoje a Receita Federal cruza dados de diversas fontes. A declaração do contribuinte precisa estar em total conformidade com as informações prestadas pelas empresas e instituições financeiras”.
     

    4. Declaração pré-preenchida

    Disponível para quem possui conta nível prata ou ouro no portal Gov.br, a modalidade pré-preenchida importa automaticamente diversas informações e pode facilitar a vida de quem está declarando pela primeira vez, mas não dispensa a conferência manual. É fundamental revisar os dados apresentados na base da Receita Federal antes do envio final. A responsabilidade é do declarante.

    5. Declaração de dependentes

    O dependente pode declarar sozinho ou em conjunto com os pais. Porém, se declarar em conjunto, o titular deve informar o CPF de todos os dependentes, independentemente da idade. Caso o dependente tenha renda própria, também deverá ser incluída na declaração. “Nem sempre incluir dependente é vantajoso”, comenta Daniel. É importante simular a declaração com e sem dependentes e analisar o que melhor se aplica ao contribuinte.

    6. Não deixar para a última hora!

    O envio da Declaração fora do prazo gera multa mínima de R$ 165,74, podendo aumentar conforme o imposto devido. Além disso, “quem entrega mais cedo costuma receber a restituição nos primeiros lotes, se tiver direito”, lembra Daniel de Paula.

    Os lotes de restituição seguem o critério de prioridade:

    • Contribuintes acima de 80 anos;
    • Contribuintes acima de 60 anos, com deficiência ou moléstia grave;
    • Contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
    • Contribuintes que fizeram a declaração pré-preenchida e indicaram o Pix para restituição;
    • Contribuintes que fizeram a declaração pré-preenchida ou indicaram Pix para restituição;
    • Demais contribuintes.
       

    Informação e planejamento são aliados 

    Declarar o Imposto de Renda pela primeira vez pode parecer desafiador, mas o processo se torna mais simples com preparo. Entender as regras, reunir os documentos com antecedência e revisar tudo antes de enviar são atitudes que garantem a tranquilidade do contribuinte que irá declarar IR pela primeira vez.

    IR 2026: confira o passo a passo para quem vai declarar pela primeira vez

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Dólar recua com alívio em petróleo e esforços para liberar Estreito de Ormuz

    Dólar recua com alívio em petróleo e esforços para liberar Estreito de Ormuz

    Queda da moeda americana acompanha recuo do petróleo e dos juros dos Treasuries, em meio às tensões no Oriente Médio e às negociações internacionais sobre o Estreito de Ormuz. Dados de atividade e inflação no Brasil também influenciam as expectativas do mercado

    O dólar recua quase 1% frente ao real na manhã desta segunda-feira (16), movimento que contribui para aliviar a curva de juros futuros. O cenário externo também favorece a queda dos rendimentos dos Treasuries, em meio à mobilização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de apoio internacional para garantir a navegação no Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após ataques de EUA e Israel.

    O petróleo registra queda superior a 2% no barril do WTI e viés de baixa no Brent, que ainda se mantém acima de US$ 102 por volta das 9h30. Já o IBC-Br de janeiro, divulgado nesta manhã, ficou praticamente em linha com as expectativas do mercado e teve impacto limitado nos negócios.

    O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, avançou 0,78% em janeiro na comparação com dezembro, próximo da projeção de 0,80% do mercado, após recuo de 0,15% no mês anterior. O crescimento foi puxado pelos setores de serviços, que subiram 0,81%, e da indústria, com alta de 0,37%. A agropecuária, por outro lado, registrou queda de 1,49%. No acumulado de 12 meses, o indicador apresenta alta de 2,26%, sinalizando desaceleração em relação ao ritmo observado em 2025.

    No relatório Focus, a mediana das projeções para a inflação suavizada nos próximos 12 meses passou de 3,94% para 3,99%, ante 3,95% há um mês. Já a estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%, ainda 0,40 ponto percentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Para 2027, a projeção permaneceu estável em 3,80%.

    Os economistas também revisaram as expectativas para a próxima decisão de política monetária. Segundo o Focus, o mercado agora projeta que o Banco Central reduza a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para 14,75%, na reunião desta quarta-feira. É a primeira vez, desde dezembro de 2025, que a mediana das projeções deixa de indicar corte de 0,50 ponto.

    Outro dado divulgado nesta segunda-feira mostra aceleração da inflação de curto prazo. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da FGV, avançou 0,26% na segunda quadrissemana de março, após alta de 0,04% na primeira leitura do mês. Em 12 meses, o índice acumula elevação de 3,04%.

    No cenário internacional, a União Europeia discute o envio de navios para garantir a circulação de embarcações no Estreito de Ormuz, diante do agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já levou o petróleo Brent a subir mais de 40% ao longo de março.

    O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, minimizou os impactos do conflito e afirmou que a imprensa tenta transformar a ofensiva liderada por Washington e Tel Aviv “em uma crise que não existe”.

    Dados divulgados pela OCDE indicam que o PIB do G20 cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2025, desacelerando em relação à expansão de 0,9% registrada no trimestre anterior, com perda de ritmo especialmente na economia dos Estados Unidos.

    Relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) também aponta aumento da dívida global corporativa. Segundo a instituição, a dívida internacional emitida por empresas afiliadas fora de seus países de origem alcançou US$ 11 trilhões no terceiro trimestre de 2025, avanço de 40%. Nos mercados emergentes, o crescimento foi impulsionado principalmente por Brasil, Rússia e China.

     

    Dólar recua com alívio em petróleo e esforços para liberar Estreito de Ormuz

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Receita priorizará restituição nos 2 primeiros lotes, abrangendo quase todos que têm direito

    Receita priorizará restituição nos 2 primeiros lotes, abrangendo quase todos que têm direito

    Receita Federal terá quatro lotes de restituição em 2026 e quer concentrar pagamentos já em maio e junho. Expectativa é atender a maior parte dos contribuintes nessas duas primeiras datas

    O subsecretário de Arrecadação, Cadastros e Atendimento da Receita Federal, Gustavo Manrique, afirmou nesta segunda-feira (16) que o órgão pretende concentrar o pagamento das restituições do Imposto de Renda nos dois primeiros lotes deste ano, previstos para maio e junho de 2026. Segundo ele, a expectativa é atender quase todos os contribuintes com direito ao valor já nessas primeiras datas.

    “No ano passado foram cinco lotes. Este ano, a novidade são quatro lotes, com priorização nos dois primeiros, pagos em maio e junho. Nosso objetivo é conseguir realizar uma entrega prioritária da restituição nesses dois primeiros lotes, abrangendo quase a totalidade das pessoas que têm direito ao Imposto de Renda”, afirmou Manrique em entrevista à imprensa no Ministério da Fazenda.

    A Receita Federal também confirmou o calendário de pagamentos das restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) referentes ao ano-calendário de 2025.

    O primeiro lote será pago em 29 de maio. Os demais depósitos estão programados para 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto. As datas foram publicadas no Diário Oficial da União.

    Além disso, a Receita anunciou o retorno das transmissões ao vivo pela internet para esclarecer dúvidas sobre a declaração do Imposto de Renda. A primeira live está marcada para esta segunda-feira, às 15h.

    Receita priorizará restituição nos 2 primeiros lotes, abrangendo quase todos que têm direito

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Veja como conseguir os documentos para declarar o Imposto de Renda 2026

    Veja como conseguir os documentos para declarar o Imposto de Renda 2026

    Especialistas recomendam organizar informes de rendimentos, comprovantes de despesas e documentos de patrimônio antes de preencher a declaração do Imposto de Renda para evitar erros, inconsistências e o risco de cair na malha fina da Receita Federal

    (FOLHAPRESS) – O contribuinte que precisa declarar o Imposto de Renda deve reunir documentos que comprovem rendimentos, despesas dedutíveis e patrimônio. Esses dados são necessários tanto para preencher a declaração manualmente quanto para conferir as informações da versão pré-preenchida disponibilizada pela Receita Federal.

    Grande parte dessas informações é fornecida pelas próprias instituições com as quais o contribuinte teve relação financeira ao longo do ano. Empregadores enviam informes de rendimentos de salário, enquanto bancos e corretoras disponibilizam documentos com dados de investimentos e aplicações. Escolas, planos de saúde e profissionais da área médica também fornecem comprovantes que podem ser usados para deduções.

    O especialista em Imposto de Renda da King Contabilidade, Marcos Hangui, afirma que o ideal é separar toda a documentação antes de iniciar o preenchimento da declaração. Segundo ele, a organização evita interrupções e diminui o risco de esquecer informações importantes, o que pode gerar inconsistências e levar o contribuinte à malha fina.

    Entre os principais documentos exigidos estão informes de rendimentos de empregadores, bancos e corretoras; comprovantes de despesas médicas, como consultas, exames e planos de saúde; recibos de educação, como mensalidades escolares ou universitárias; comprovantes de previdência privada, especialmente do tipo PGBL; documentos de bens, como escritura de imóveis e registro de veículos; além de comprovantes de rendimentos extras, como aluguel ou trabalho autônomo.

    Especialistas recomendam seguir alguns passos para organizar os documentos. O primeiro é separar documentos pessoais e da família, incluindo CPF de dependentes. Em seguida, reunir todos os informes de rendimentos, que formam a base da declaração. Depois, organizar despesas dedutíveis, como gastos médicos e educacionais, além de informes de aplicações financeiras. Também é importante separar documentos de bens e direitos, como imóveis, veículos e investimentos, e verificar pagamentos ou recebimentos envolvendo terceiros, como pensão alimentícia ou aluguel.

    O informe de rendimentos do empregador é considerado um dos documentos mais importantes, pois reúne os dados que também são enviados à Receita Federal. Ele costuma trazer informações como dados da empresa pagadora, total de salários recebidos no ano, valor do Imposto de Renda retido na fonte, contribuições ao INSS e eventuais rendimentos adicionais, como participação nos lucros.

    Segundo Hangui, os valores precisam ser informados exatamente como aparecem no documento. Divergências entre os dados declarados pelo contribuinte e aqueles informados pela empresa à Receita podem levar a declaração para análise na malha fina.

    Os informes de rendimentos devem ser fornecidos pela fonte pagadora. Trabalhadores com carteira assinada recebem o documento da própria empresa, geralmente por meio do setor de recursos humanos ou de portais internos até o final de fevereiro. Já aposentados e pensionistas recebem o informe do órgão responsável pelo pagamento do benefício. No caso do INSS, o documento pode ser consultado no portal ou aplicativo Meu INSS.

    Quem teve mais de uma fonte de renda no ano deve organizar os rendimentos por tipo e origem. É o caso de quem recebe salário e também presta serviços como autônomo, recebe aluguel ou tem rendimentos de investimentos. Segundo Hangui, separar cada tipo de renda facilita o preenchimento da declaração e evita omissões.

    Para quem trabalha como autônomo ou freelancer, é fundamental guardar comprovantes de recebimentos e retenções ao longo do ano. A sócia-diretora da Attend Contabilidade, Dilma Rodrigues, explica que isso inclui recibos de pagamento a autônomos e notas fiscais de prestação de serviços. Quando os serviços são prestados para empresas, essas também podem emitir informes de rendimentos.

    A declaração pré-preenchida pode ajudar nesse processo, pois reúne informações enviadas por empregadores, bancos, hospitais e outras instituições. Entre os dados disponíveis estão rendimentos de trabalho, aplicações financeiras, algumas despesas médicas e informações da declaração anterior. Mesmo assim, especialistas recomendam conferir todos os dados antes do envio.

    Em relação às despesas médicas, desde janeiro de 2025 profissionais de saúde que atuam como pessoa física passaram a emitir recibos exclusivamente pelo sistema eletrônico Receita Saúde. O atendimento gera um recibo digital vinculado ao CPF do paciente e ao CPF do profissional, que é enviado diretamente para a base de dados da Receita.

    Esses recibos costumam aparecer automaticamente na declaração pré-preenchida como despesas dedutíveis. Para serem válidos, devem conter nome e CPF ou CNPJ do profissional, nome do paciente, data do atendimento, valor pago e descrição do serviço prestado.

    Nos gastos com educação, escolas e universidades geralmente emitem um informe anual com o total pago pelo aluno ao longo do ano. O documento costuma estar disponível no portal do estudante ou pode ser solicitado à instituição. São dedutíveis despesas com educação infantil, ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação. Já gastos com uniformes, materiais escolares, passeios e alimentação não entram na dedução.

    Investidores também precisam reunir informes de rendimentos fornecidos por bancos, corretoras ou plataformas de investimento. Esses documentos apresentam dados como saldo das aplicações em 31 de dezembro, rendimentos recebidos ao longo do ano e eventuais impostos retidos. As instituições costumam disponibilizar essas informações no internet banking ou em aplicativos.

    Entre os erros mais comuns na declaração estão deixar a organização para a última hora, esquecer informes de rendimentos de bancos ou corretoras, declarar despesas médicas sem guardar comprovantes, omitir rendimentos de trabalhos extras e digitar valores diferentes dos que aparecem nos documentos.

    Segundo especialistas, a melhor forma de evitar problemas é manter os documentos organizados ao longo do ano. Muitos contribuintes criam uma pasta física ou digital para guardar todos os comprovantes, prática que ajuda a reduzir erros e facilita o preenchimento da declaração.

    Veja como conseguir os documentos para declarar o Imposto de Renda 2026

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Bolsas da Europa recuam com incertezas da guerra e em semana de decisões de grandes BCs

    Bolsas da Europa recuam com incertezas da guerra e em semana de decisões de grandes BCs

    Mercados reagem às tensões no Oriente Médio, que pressionam os preços do petróleo, e aguardam decisões de juros do Federal Reserve, do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra ao longo da semana

    As bolsas europeias operavam em queda na manhã desta segunda-feira (16), após uma abertura positiva, em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito tem pressionado os preços do petróleo e aumenta a cautela dos investidores, que também aguardam decisões sobre juros de grandes bancos centrais nos próximos dias.

    Por volta das 6h20 (horário de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,14%, aos 595,00 pontos.

    A tensão geopolítica aumentou depois que o Irã retaliou ataques de Israel e dos Estados Unidos ao interromper, na prática, o transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. O cenário levou alguns grandes produtores a reduzir a oferta da commodity.

    Em entrevista ao Financial Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ajudem a garantir a reabertura da passagem marítima.

    Com isso, os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira. Há pouco, as cotações registravam alta entre 0,4% e 1,5%, após terem avançado mais de 11% na semana passada.

    Nos próximos dias, o foco do mercado também estará nas decisões de política monetária de importantes bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE).

    Investidores acompanham com atenção os possíveis impactos da alta do petróleo sobre a inflação, já que o aumento dos preços de energia pode adiar cortes de juros ou até levar a novas elevações das taxas.

    Entre as ações individuais, o destaque negativo era o banco italiano UniCredit, cujos papéis caíam cerca de 1,5% em Milão após a instituição anunciar uma oferta para aumentar sua participação no alemão Commerzbank, que avançava cerca de 4,7%.

    Por volta das 6h37 (horário de Brasília), a Bolsa de Londres operava próxima da estabilidade. Já as bolsas de Paris e Frankfurt registravam quedas de 0,56% e 0,32%, respectivamente. Em outras praças, Milão recuava 0,94%, Madri caía 0,70% e Lisboa apresentava perda de 0,24%.

    Bolsas da Europa recuam com incertezas da guerra e em semana de decisões de grandes BCs

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Receita anuncia nesta segunda as regras do Imposto de Renda 2026

    Receita anuncia nesta segunda as regras do Imposto de Renda 2026

    Prazo para entrega da declaração deve começar ainda nesta semana e seguir até 29 de maio. Contribuintes já podem organizar documentos e informes de rendimentos para evitar atrasos e aumentar as chances de receber a restituição mais rapidamente

    A Receita Federal apresenta nesta segunda-feira (16) as regras do Imposto de Renda 2026. O anúncio será feito às 10h, em coletiva de imprensa no auditório do Ministério da Fazenda, em Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da pasta no YouTube.

    A expectativa é que o prazo para envio das declarações comece ainda nesta semana e se estenda até 29 de maio. O programa utilizado para preencher e enviar o documento também deverá ser disponibilizado no mesmo dia em que a entrega for liberada.

    Um dos pontos aguardados pelos contribuintes é a disponibilidade da declaração pré-preenchida, recurso que facilita o preenchimento do documento ao reunir automaticamente dados fornecidos por empresas, bancos e outras instituições. No ano passado, essa modalidade só foi liberada em abril.

    A tendência é que as regras para a declaração deste ano não apresentem mudanças relevantes em relação às aplicadas em 2025. No ano passado, por exemplo, era obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 33.888 ao longo do ano.

    Também precisaram prestar contas ao Fisco os contribuintes que receberam rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, que obtiveram ganho de capital com venda de bens, que realizaram operações em bolsas de valores acima de R$ 40 mil ou que tiveram receita bruta superior a R$ 169.440 em atividades rurais.

    As mudanças aprovadas em 2025, como a ampliação da faixa de isenção para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil e os novos descontos para quem ganha até R$ 7.350, só terão impacto na declaração de 2027. Isso acontece porque a declaração entregue em 2026 se refere aos rendimentos obtidos ao longo de 2025.

    Especialistas recomendam que os contribuintes já comecem a organizar a documentação necessária para preencher a declaração. O prazo para que empresas e instituições financeiras enviassem os informes de rendimento terminou em 27 de fevereiro.

    Entre os documentos mais importantes estão os comprovantes de rendimentos de salários, aposentadorias e aplicações financeiras, recibos de despesas médicas e educacionais, informações sobre aluguéis recebidos e dados de dependentes.

    Também é necessário declarar bens e direitos, como imóveis, veículos, terrenos, embarcações, participações em empresas, investimentos financeiros e até criptomoedas.

    Na hora de preencher a declaração, o contribuinte pode escolher entre dois modelos. No modelo completo, é possível deduzir despesas como gastos com saúde e educação. Já no modelo simplificado é aplicado automaticamente um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis.

    A recomendação é avaliar qual das duas opções resulta em menor imposto a pagar ou maior restituição.

    Especialistas em contabilidade também orientam que, em caso de dúvidas, o contribuinte procure ajuda profissional para evitar erros no envio da declaração e possíveis problemas com o Fisco.
     
     

     

    Receita anuncia nesta segunda as regras do Imposto de Renda 2026

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Abono do PIS/Pasep começa a ser pago nesta segunda; veja quem recebe

    Abono do PIS/Pasep começa a ser pago nesta segunda; veja quem recebe

    Cerca de 2 milhões de trabalhadores nascidos em fevereiro terão acesso ao benefício. Pagamento pode chegar a R$ 1.621, dependendo do tempo trabalhado em 2024, e consulta pode ser feita pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital

    O Ministério do Trabalho e Emprego começa a pagar nesta segunda-feira (16) a segunda parcela do abono salarial do PIS/Pasep. Cerca de 2 milhões de trabalhadores devem receber o benefício, com um desembolso total estimado em aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

    Nesta etapa, serão contemplados os trabalhadores nascidos em fevereiro, conforme o calendário definido pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat).

    Além disso, o governo decidiu antecipar o pagamento para trabalhadores que têm direito ao benefício e vivem nas cidades mineiras de Juiz de Fora, Ubá e Matias Cardoso, na Zona da Mata, que foram afetadas por fortes chuvas no mês de fevereiro.

    Do total de beneficiários, cerca de 1,8 milhão são trabalhadores da iniciativa privada que recebem o PIS, pago pela Caixa Econômica Federal. Outros 203 mil são servidores públicos com direito ao Pasep, cujo pagamento é feito pelo Banco do Brasil.

    Quem recebe

    O abono salarial é destinado a trabalhadores que tiveram remuneração média mensal de até R$ 2.766 em 2024 e que trabalharam para empregadores que contribuem para o PIS ou Pasep. Quem trabalhou durante todo o ano-base pode receber o valor equivalente a um salário mínimo, atualmente de R$ 1.621.

    O pagamento é proporcional ao número de meses trabalhados no ano. Para calcular o valor, basta dividir o salário mínimo por 12 e multiplicar pelo número de meses trabalhados.

    Assim, quem trabalhou apenas um mês recebe R$ 136, enquanto quem trabalhou dez meses recebe cerca de R$ 1.351. O valor integral de R$ 1.621 é pago apenas a quem trabalhou durante os 12 meses do ano-base.

    Os trabalhadores podem verificar se têm direito ao benefício por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. Na plataforma, também é possível consultar o valor do abono, a data de pagamento e o banco responsável pelo depósito.

    A consulta também pode ser feita pelo portal gov.br ou pelo telefone 158, que oferece atendimento gratuito das 7h às 22h.

    Quem tem direito

    Para ter direito ao abono salarial, é necessário estar inscrito no PIS ou Pasep há pelo menos cinco anos, ter trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias no ano-base e ter recebido remuneração média mensal dentro do limite estabelecido. Também é preciso que os dados do trabalhador tenham sido informados corretamente pelo empregador no sistema eSocial.

    No caso do PIS, pago pela Caixa Econômica Federal, o valor é depositado preferencialmente em conta corrente, poupança ou conta digital do trabalhador. Quem não possui conta pode receber por meio do aplicativo Caixa Tem, em uma conta poupança social digital criada automaticamente.

    Também é possível sacar o benefício em agências da Caixa, casas lotéricas, terminais de autoatendimento ou correspondentes Caixa Aqui.

    Já o Pasep, pago pelo Banco do Brasil, é depositado prioritariamente em conta bancária do beneficiário. Caso o trabalhador não tenha conta no banco, o pagamento pode ser feito por transferência via TED, PIX ou presencialmente nas agências.

    Abono do PIS/Pasep começa a ser pago nesta segunda; veja quem recebe

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Governo prioriza abastecimento e segurar preço do diesel, diz Alckmin

    Governo prioriza abastecimento e segurar preço do diesel, diz Alckmin

    Vice-presidente afirma que prioridade do governo é evitar alta no preço do diesel diante do impacto da guerra no Oriente Médio. Medidas incluem zerar PIS/Cofins e criar subsídio de R$ 0,32 por litro para reduzir o valor do combustível e conter efeitos na inflação

    O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, que o governo federal prioriza, neste momento, garantir abastecimento e “segurar o preço” do diesel. Ele defendeu as ações anunciadas, nesta semana, de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e da criação de uma subvenção de mais R$ 0,32 por litro. Ao todo, a expectativa é reduzir, ao todo, pelo menos R$ 0,64 por litro na bomba.

    As medidas levam em conta que o Brasil importa 25% do diesel. Devido à guerra no Oriente Médio, houve aumento na cotação internacional do barril de petróleo, o que impacta os preços na bomba de combustíveis. 

     

    Notícias relacionadas:

    • Reajuste do diesel mostra limitações do mercado no Brasil, diz FUP.
    • Petrobras atribui aumento do diesel à guerra no Oriente Médio.
    • Petrobras reajusta preço do diesel em R$ 0,38 por litro.

    O vice-presidente contextualizou que a alta do diesel pode encarecer alimentos e transportes, além de elevar a inflação. Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), visitou concessionária da Scania em Santa Maria (DF) em função do andamento do programa Move Brasil (a política pública de estímulo à renovação da frota de caminhões).

     

    Alckmin considerou a ação do governo federal como “inteligente” e criticou medida do governo de Jair Bolsonaro (em 2022), que limitou a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis e ainda vetou compensação aos Estados. 

    “Os estados foram para a justiça porque perderam receita. Acabou tudo judicializado, virando aí um precatório gigantesco, afirmou.  O vice-presidente explicou que, embora o Brasil seja exportador de petróleo, é importador de diesel porque ainda não tem refino o suficiente para o mercado local.

    Incentivo à indústria

    Em relação ao programa Move Brasil, o vice-presidente defendeu a estratégia de impulsionamento da indústria com “depreciação acelerada” dos equipamentos.

    “Lançamos o Move Brasil colocando R$ 10 bilhões, e saímos de juros de média de 23% para 13%. A resposta foi espetacular”, avaliou. Ele disse que, com dois meses do programa, já foram aplicados R$ 6,2 bilhões dos recursos previstos.

    Ele acrescentou que o programa estimulou o caminhoneiro autônomo a comprar um veículo zero quilômetro ou semi-novo. O vice-presidente também defendeu a iniciativa de estimular a indústria do carro sustentável com a eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

    O carro sustentável é aquele que é fabricado no Brasil, flex, com 80% de reciclabilidade e que não pode emitir mais que 83 gramas por quilômetro rodado. Alckmin explica que essa medida vai ter impacto na poluição ambiental.

    O vice-presidente alertou também que melhores equipamentos nas estradas tende a reduzir os acidentes. “Quando se tem tecnologia, é como uma vacina. Isso vai evitar acidentes e mortes”.

     

     

    Governo prioriza abastecimento e segurar preço do diesel, diz Alckmin

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Estreito de Hormuz está aberto para todos, menos para aliados dos EUA, diz chanceler iraniano

    Estreito de Hormuz está aberto para todos, menos para aliados dos EUA, diz chanceler iraniano

    A travessia estria bloqueada “apenas para petroleiros e navios de inimigos e os aliados deles”, afirmou Araghchi para a mídia estatal iraniana. “Os outros navios têm passagem livres, mas podem optar desviar por questões de segurança”, acrescentou.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse, neste sábado (14), que o estreito de Hormuz está aberto para todos, menos para aliados dos Estados Unidos.

    A travessia estria bloqueada “apenas para petroleiros e navios de inimigos e os aliados deles”, afirmou Araghchi para a mídia estatal iraniana. “Os outros navios têm passagem livres, mas podem optar desviar por questões de segurança”, acrescentou.

    “Ainda há muitos petroleiros e navios que estão passando pelo estreito”, disse o chanceler.

    Ainda no sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou outros países a enviarem navios de guerra para manter o estreito de Hormuz aberto à navegação, enquanto as forças iranianas prosseguem com sua campanha de retaliação em resposta aos ataques americanos e israelenses contra o Irã.

    Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passa pelo estreito, um corredor marítimo estreito entre o Irã e Omã. A capacidade de Teerã de bloquear o tráfego pelo canal poderia conferir ao país enorme poder de pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados.

    “Os países do mundo que recebem petróleo pelo estreito de Hormuz precisam zelar por essa passagem, e nós vamos ajudar -E MUITO!”, escreveu Trump em publicação no Truth Social. “Os EUA também vão se coordenar com esses países para que tudo ocorra de forma rápida, tranquila e satisfatória.”

    Em uma publicação anterior, Trump previu que “muitos países, especialmente os afetados pela tentativa do Irã de fechar o estreito de Hormuz, enviarão navios de guerra em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o estreito aberto e seguro”.

    Trump disse que esperava que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros enviassem navios para a região.

    “Enquanto isso, os Estados Unidos bombardearão pesadamente a costa e continuarão a abater barcos e navios iranianos”, escreveu.

    Estreito de Hormuz está aberto para todos, menos para aliados dos EUA, diz chanceler iraniano

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Guerra no Oriente Médio impulsiona renda fixa e pressiona Bolsas

    Guerra no Oriente Médio impulsiona renda fixa e pressiona Bolsas

    Títulos públicos brasileiros e norte-americanos têm se valorizado diante do temor de que o conflito gere um repique inflacionário global. Outro exemplo é o dólar, novamente buscado por investidores como moeda de segurança.

    MATHEUS DOS SANTOS
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A guerra no Oriente Médio tem afetado o comportamento de investidores mundo afora. Com maior aversão ao risco, Bolsas e ativos de renda variável se desvalorizam, enquanto investimentos considerados seguros ganham destaque.

    Títulos públicos brasileiros e norte-americanos têm se valorizado diante do temor de que o conflito gere um repique inflacionário global. Outro exemplo é o dólar, novamente buscado por investidores como moeda de segurança.

    Segundo o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de seis moedas fortes, o dólar registra alta de 2,55% desde que o conflito escalou. No acumulado de 2026 antes do confronto, o índice registrava queda de 0,72%.

    “Em momentos de incerteza, costuma ocorrer o movimento chamado de ‘fuga para a qualidade’. Os investidores priorizam emissores considerados mais seguros. Nos Estados Unidos, são as Treasuries. No Brasil, títulos de renda fixa com alta liquidez e baixo risco também funcionam como proteção. Ações tendem a sofrer mais em períodos de turbulência”, afirma Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research.

    A recomendação é de ativos indexados à inflação, que acompanham o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e pagam uma taxa prefixada de juros, além dos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs.

    Investimentos atrelados ao IPCA tendem a preservar o poder de compra do investidor em momentos de pressão inflacionária, como no caso do conflito no Oriente Médio. Vencimentos mais longos, porém, ficam mais expostos à marcação a mercado (diferença entre o valor pago pelo título na contratação e o preço pelo qual ele é negociado no momento do resgate), caso sejam vendidos antes do prazo.

    “Dentro de uma estratégia de médio e longo prazo, os papéis atrelados ao IPCA continuam bastante atrativos, porque protegem contra o risco inflacionário e oferecem taxas reais elevadas”, afirma Guilherme Almeida.

    Ele também destaca os pós-fixados, que acompanham índices como CDI ou Selic e que “ajudam a reduzir a volatilidade da carteira por apresentar menor variação de preço diante dos movimentos da curva de juros”.

    A valorização dos ativos de renda fixa está relacionada à alta do petróleo. Os preços da commodity dispararam após o fechamento do estreito de Hormuz, localizado na fronteira do Irã e por onde passa cerca de 20% da produção global da commodity.

    Há preocupação de que, caso o petróleo continue em alta em razão do conflito, a inflação global seja pressionada e, consequentemente, bancos centrais sejam obrigados a manter as taxas de juros elevadas -o que favorece ativos de renda fixa.

    No Brasil, economistas já admitem a possibilidade de o BC (Banco Central) manter a taxa básica de juros em 15% por mais uma reunião. No primeiro Boletim Focus após o início do conflito, analistas voltaram a elevar a previsão para a Selic, a 12,13%, ante 12% na estimativa anterior.

    Nos EUA, também houve revisão nas projeções de juros. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os investidores veem uma chance de 99,2% de que o Fed (Federal Reserve) mantenha o patamar atual de juros, entre 3,5% e 3,75%, na reunião desta quarta-feira (18).

    As previsões também apontam maior probabilidade de manutenção da taxa nas reuniões subsequentes: 93% na reunião de abril e 71,7% na de junho. O quadro começa a mudar na reunião de julho, com 59,5% prevendo manutenção, mas 34,3% projetando redução para a faixa entre 3,25% e 3,5%.

    Para Luan Aral, especialista em câmbio e analista CNPI-P da Genial Investimentos, o cenário tende a manter os rendimentos dos títulos americanos elevados, atraindo capital para os EUA. “Para países emergentes, como o Brasil, isso pode significar pressão cambial, com dólar mais alto e juros domésticos também mais elevados.”

    BOLSAS PELO MUNDO CAEM, MAS AÇÕES DE ENERGIA RESISTEM

    A guerra no Irã também tem impactado o mercado acionário. No Brasil, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário nacional, registra alta acumulada de 11% no ano. O avanço, contudo, era maior -de 16%- até os ataques ao Irã. Após a escalada do conflito, a Bolsa passou a registrar queda de cerca de 5%.

    O mesmo movimento é observado em outros índices acionários. As Bolsas norte-americanas Nasdaq e S&P 500 registram quedas de 2,99% e 1,53%, respectivamente, desde o início do conflito. O índice Euro Stoxx 600, referência no continente europeu, recua 5,58%. Na Ásia, a Bolsa de Seul chegou a cair 12%, em seu pior dia da história.

    “Existe um ‘comportamento padrão de guerra’. Tradicionalmente, quando há conflitos -especialmente no Oriente Médio-, as Bolsas caem e o dólar tende a se valorizar com a busca por ativos mais seguros”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

    As exceções são ativos relacionados a energia e defesa. “Setores considerados mais defensivos, como saúde, consumo não discricionário e infraestrutura, acabam se beneficiando quando os investidores querem manter exposição a ações, mas com um posicionamento mais conservador”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    No caso do mercado de energia, ações vinculadas ao petróleo têm registrado alta, como a Petrobras. A ação preferencial da estatal, que dá prioridade no recebimento de dividendos, acumula avanço de 12,6% impulsionada pela alta da commodity.

    O setor, contudo, apresenta risco de volatilidade. “Assim como o petróleo teve altas expressivas recentemente, um eventual arrefecimento do conflito ou declarações relevantes de autoridades podem reverter essa tendência”, afirma Luan Aral.

    Segundo ele, o momento exige cautela. “Antes de aumentar a exposição ao setor de energia, o investidor deve priorizar a proteção do capital. Esse deve ser o principal objetivo em momentos de tensão.”

    Guerra no Oriente Médio impulsiona renda fixa e pressiona Bolsas

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia