Categoria: MUNDO

  • Presidente de Portugal promulga pacote anti-imigração

    Presidente de Portugal promulga pacote anti-imigração

    Marcelo Rebelo de Sousa sancionou a nova Lei dos Estrangeiros, que endurece regras de imigração em Portugal e afeta diretamente os brasileiros. A norma exige visto obtido no país de origem e impõe restrições ao reagrupamento familiar, alinhando o país às diretrizes migratórias da União Europeia

    (CBS NEWS) – O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou nesta quinta-feira (16) a nova Lei dos Estrangeiros. “Considerando que o diploma agora revisto e aprovado por 70% dos deputados corresponde minimamente ao essencial das dúvidas de inconstitucionalidade suscitadas pelo presidente da República e confirmadas pelo Tribunal Constitucional, o presidente da República promulgou o diploma (…) que aprova o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional”, disse Rebelo de Sousa em nota.

    A restrição à imigração era uma das promessas de campanha da Aliança Democrática, coligação de centro-direita que governa Portugal, liderada pelo premiê Luís Montenegro. A primeira versão da nova Lei dos Estrangeiros tinha sido aprovada no parlamento em 17 de julho. No dia 24 do mesmo mês, Rebelo de Sousa a encaminhou ao Tribunal Constitucional para uma “fiscalização preventiva”. Em 8 de agosto a corte declarou a inconstitucionalidade de trechos da Lei -que foi vetada no mesmo dia pelo presidente.

    Foi preciso assim que o governo redigisse uma nova versão, que foi aprovada na Assembleia da República no dia 30 de setembro. A aprovação, por 160 votos contra 70, só foi possível por um acordo entre o governo e o Chega, partido da ultradireita portuguesa. A esquerda liderada pelo Partido Socialista votou contra. Faltava apenas a promulgação por parte do presidente, que veio nesta quinta.

    Embora mais branda que a versão anterior, a segunda redação da lei dificulta a vida dos brasileiros que moram ou pretendem morar em Portugal. Um estrangeiro que vive no país só pode trazer a família depois de um ano de residência legal, e precisa comprovar a coabitação com o cônjuge por pelo menos um ano antes da mudança. O reagrupamento familiar só é imediato em caso de família com filhos menores de idade ou declarados incapazes.

    O espírito da nova regulamentação é adequar Portugal às normas de imigração recomendadas pela União Europeia. Isso significa que, ao contrário do que ocorria antes, os imigrantes não poderão mais entrar como turistas em solo luso e obter a documentação a posteriori. Portanto, deverão obter visto de estudante ou de trabalhador no país de origem. Os vistos para procura de emprego serão restritos a profissionais considerados “altamente qualificados”.

    A nova lei abre brechas para acordos bilaterais entre os países, que poderão negociar canais específicos para seus cidadãos. Isso poderia beneficiar os milhares de brasileiros que trabalham na indústria do turismo portuguesa, em hotéis ou restaurantes.

    Em paralelo à Lei dos Estrangeiros o governo português deve apresentar à Assembleia da República, na semana que vem, o texto da nova Lei da Nacionalidade, que deverá igualmente afetar os brasileiros. Entre outras coisas, ela poderá aumentar o prazo para que estrangeiros residentes em Portugal possam reivindicar um passaporte português. Hoje brasileiros e cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) podem fazer isso depois de cinco anos de residência legal. Com a nova norma, o prazo pode subir para sete anos.

    A discussão sobre a Lei da Nacionalidade está prevista para a próxima quarta-feira (22).

    Presidente de Portugal promulga pacote anti-imigração

  • Maratonista descobre câncer após confundir sintomas com refluxo ácido

    Maratonista descobre câncer após confundir sintomas com refluxo ácido

    Zack Van Aarde, britânico de 41 anos e atleta de ultramaratonas, acreditava sofrer apenas de azia, mas exames revelaram um tumor de seis centímetros no esôfago em estágio avançado. Em tratamento, ele lançou uma campanha on-line para custear despesas e inspirar outras pessoas a não ignorarem sintomas persistentes

    O britânico Zack Van Aarde, de 41 anos, sempre levou uma vida ativa e saudável. Apaixonado por corrida, participava de ultramaratonas e mantinha uma rotina intensa de treinos. No início de 2024, começou a sentir crises frequentes de azia e queimação no peito. Os sintomas pareciam indicar apenas refluxo ácido, mas acabaram revelando um câncer agressivo no esôfago.

    Ao procurar um clínico geral, Zack recebeu um tratamento comum, com medicamentos de venda livre para aliviar a acidez estomacal. Acreditando que se tratava de algo passageiro, continuou com sua rotina de treinos. No entanto, o desconforto persistiu e foi acompanhado de fadiga e perda de peso. Ele só procurou atendimento de emergência quando começou a vomitar sangue.

    Os exames realizados revelaram um tumor de seis centímetros no esôfago. O diagnóstico confirmou um câncer em estágio quatro, já com metástase. A notícia surpreendeu a família, e os médicos iniciaram imediatamente o tratamento com sessões de quimioterapia a cada duas semanas. Zack também passou a realizar exames de sangue semanais e a relatar sua experiência nas redes sociais.

    Sem emprego desde o diagnóstico, o corredor criou uma campanha on-line para custear o tratamento. Ele prometeu correr uma milha, o equivalente a 1,6 quilômetro, para cada 10 libras doadas. A iniciativa mobilizou amigos e atletas de todo o Reino Unido. “Não quero desistir. Quero continuar me movimentando e mostrar aos meus filhos que vale a pena lutar”, escreveu em uma das postagens.

    O câncer de esôfago é mais comum em homens acima dos 50 anos, mas pode atingir pessoas mais jovens. Os sintomas iniciais, como azia, refluxo, dificuldade para engolir e perda de peso, costumam ser confundidos com problemas digestivos simples, o que atrasa o diagnóstico.

    Maratonista descobre câncer após confundir sintomas com refluxo ácido

  • Câmera registra policial resgatando mulher segundos antes de trem passar

    Câmera registra policial resgatando mulher segundos antes de trem passar

    Uma mulher distraída com fones de ouvido atravessou os trilhos fora da faixa de pedestres e não percebeu a aproximação do trem. Um policial que estava na estação de Kayseri agiu rapidamente e a puxou no último segundo, evitando que fosse atingida

    Uma mulher foi salva por um policial segundos antes de ser atropelada por um trem na estação de Kayseri, na Turquia, na terça-feira (14).

    De acordo com a imprensa turca, a mulher usava fones de ouvido e decidiu atravessar os trilhos sem olhar para os dois lados. Por causa do som alto, ela não percebeu a aproximação do trem.

    Imagens de segurança registraram o momento em que um policial que estava na estação percebe o perigo e puxa a mulher para trás no último instante, evitando a tragédia.

    Segundo as autoridades locais, a travessia ocorreu fora da faixa destinada a pedestres. O maquinista chegou a acionar os freios, mas, devido à velocidade, não teria conseguido parar a tempo de evitar o impacto.

    A Autoridade de Transportes de Kayseri informou que a mulher não se feriu e foi liberada após receber atendimento no local.

    Veja o vídeo acima.

    Câmera registra policial resgatando mulher segundos antes de trem passar

  • Uruguai aprova lei que autoriza eutanásia sob condições específicas

    Uruguai aprova lei que autoriza eutanásia sob condições específicas

    Após anos de debate, o Senado uruguaio aprovou a lei Morte Digna, que permite a eutanásia em casos de doenças incuráveis e sofrimento insuportável. A decisão torna o país o terceiro da América Latina a legalizar o procedimento, ao lado de Colômbia e Equador

    O Uruguai aprovou uma lei que permite a eutanásia em condições específicas, encerrando anos de debate no Parlamento. O Senado aprovou a proposta na quarta-feira, dia 15, por ampla maioria, com 20 votos favoráveis entre 31 parlamentares, após o aval prévio da Câmara dos Representantes em agosto.

    Batizada de Morte Digna, a nova legislação coloca o Uruguai entre os poucos países do mundo que autorizam a morte medicamente assistida, como Canadá, Holanda e Espanha. Na América Latina, apenas Colômbia, desde 1997, e Equador, desde 2024, haviam legalizado o procedimento.

    A sessão foi acompanhada por dezenas de pessoas, e o resultado gerou aplausos, abraços e também protestos de grupos contrários, que gritaram “assassinos” no plenário.

    A lei estabelece critérios rigorosos. O paciente deve ser maior de idade, cidadão ou residente no Uruguai, estar em plena capacidade mental e enfrentar uma doença incurável em fase terminal ou que cause sofrimento físico ou psíquico intolerável, com severa perda de qualidade de vida.

    Antes da autorização final, o paciente deverá formalizar por escrito seu desejo de encerrar a vida, após cumprir uma série de etapas médicas e legais.

    Beatriz Gelós, de 71 anos, que vive há quase duas décadas com esclerose lateral amiotrófica, disse à agência AFP, antes da votação, que chegou a hora de encerrar o debate. “Quem é contra não faz ideia do que é viver assim”, afirmou. “Quero ter a opção de acabar com o sofrimento.”

    Outro símbolo da causa, Pablo Cánepa, de 39 anos, sofre de uma doença rara e incurável que provoca espasmos constantes. “Pablo está morrendo há anos”, contou o irmão, Eduardo Cánepa. “O que ele tem não é uma vida”, acrescentou a mãe, Monica.

    Uma pesquisa do instituto Cifra, divulgada em maio, mostrou que mais de 60% dos uruguaios apoiam a legalização da eutanásia, enquanto apenas 24% se dizem contra.

    A Ordem dos Médicos do Uruguai não assumiu posição oficial, mas participou como consultora do processo legislativo para garantir o máximo de segurança jurídica e ética a pacientes e profissionais, segundo o presidente Álvaro Niggemeyer.

    A Igreja Católica expressou tristeza com a decisão, e mais de dez associações civis se manifestaram contra a medida, chamando-a de deficiente e perigosa.

    Uruguai aprova lei que autoriza eutanásia sob condições específicas

  • Madagascar é suspenso da União Africana após golpe orquestrado por militares

    Madagascar é suspenso da União Africana após golpe orquestrado por militares

    Os militares de Madagascar assumiram o controle da ilha no Oceano Índico; Michael Randrianirina será empossado líder do Madagascar na próxima sexta-feira (17)

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O coronel Michael Randrianirina será empossado líder do Madagascar na próxima sexta-feira (17), segundo comunicado divulgado pelo regime na televisão local, dias após comandar um golpe de Estado que depôs o presidente Andry Rajoelina. Todo o processo, bem como as instituições do país, serão supervisionados por um comitê militar.

    O movimento consolida o controle dos militares sobre o país da África, afundado numa crise política após duas semanas de protestos e deserções de integrantes das forças de segurança. Em represália, a União Africana, que reúne 55 países do continente, suspendeu Madagascar de suas atividades, em decisão que tem “efeito imediato”, disse o presidente da organização, o djibutiano Mahamoud Ali Youssouf, à agência de notícias AFP.

    Trata-se do mesmo padrão aplicado nos últimos anos pelo bloco africano contra outros países em que militares assumiram o poder à força, incluindo Burkina Fasso, Gabão e Níger. “O Estado de Direito deve prevalecer sobre o Estado de Força. Nossa abordagem se baseia na lei e no diálogo”, disse Youssouf em reunião da organização. A suspensão tem peso político e pode isolar a nova liderança do Madagascar.

    Rajoelina, que sofreu impeachment no Parlamento depois de deixar o país no fim de semana, vem denunciando o golpe e se recusa a formalizar sua renúncia. Ele fugiu de Madagascar no domingo (12) a bordo de um avião militar francês, segundo autoridades ouvidas pela agência de notícia Reuters, e agora estaria em Dubai. Em comunicado, justificou a viagem com o argumento de que sua vida estava em risco.

    Durante entrevista coletiva em Antananarivo, a capital de Madagascar, Randrianirina voltou a dizer que militares assumiram o poder e dissolveram todas as instituições, com exceção da Assembleia Nacional. “Seremos empossados em breve. Assumimos as responsabilidades”, disse ele. À agência de notícias Associated Press afirmou ainda que está “assumindo o cargo de presidente”.

    Segundo Randrianirina, a transição será conduzida por uma junta militar e deverá durar até dois anos, período em que um governo provisório será responsável por reestruturar as instituições e preparar novas eleições.

    Ex-comandante da unidade de elite Capsat, que também desempenhou papel decisivo no golpe de 2009 que levou Rajoelina ao poder, Randrianirina rompeu com o antigo aliado na semana passada, após pedir aos soldados que não reprimissem manifestantes durante os protestos de rua.

    Rajoelina, 51, o presidente destituído, é um ex-DJ e empresário que chegou ao poder em 2009 impulsionado por um movimento de jovens, tornando-se à época, aos 34 anos, um dos chefes de Estado mais novos em todo o mundo. No entanto, as promessas de combate à corrupção e de melhoria das condições de vida da população não se concretizaram.

    Além da unidade Capsat, tanto a polícia quanto outras forças de segurança também romperam com Rajoelina nos últimos dias, o que acelerou o colapso do governo.

    A crise preocupa a comunidade internacional. Nesta terça, a Rússia disse que monitora de perto a situação “com ansiedade”. Afirmou ainda esperar que o derramamento de sangue seja evitado.

    Nos últimos anos, a Rússia vem ampliando sua presença e influência na África, em parte com o grupo mercenário Wagner. Segundo o jornal americano The New York Times, o grupo esteve ativo em Madagascar durante a eleição presidencial de 2018, oferecendo apoio estratégico e operacional a candidatos alinhados aos interesses de Moscou.

    Com cerca de 30 milhões de habitantes, Madagascar é um dos países mais pobres do mundo: três quartos da população vivem na pobreza. Segundo o Banco Mundial, o PIB per capita do país caiu 45% entre a independência de 1960 e 2020.

    A saída de Rajoelina marcou a segunda vez em poucas semanas que jovens manifestantes derrubam um governo em meio a uma onda de revoltas da chamada geração Z pelo mundo. Em setembro, protestos massivos no Nepal começaram com a proibição das redes sociais pelo governo e, após violência nas ruas e dezenas de mortes, terminaram com a renúncia do então primeiro-ministro.

    Em seguida, a ex-chefe da Suprema Corte do país Sushila Karki foi nomeada governante interina com apoio dos manifestantes. O presidente do Nepal, então, dissolveu o Parlamento e marcou eleições para março de 2026.

    Madagascar é suspenso da União Africana após golpe orquestrado por militares

  • Governo Trump dá carta branca à CIA para derrubar Maduro na Venezuela

    Governo Trump dá carta branca à CIA para derrubar Maduro na Venezuela

    Operações letais, bombardeios contra o país e até mesmo plano para capturar ditador estariam sendo considerados; EUA aumentaram consideravelmente presença militar no Caribe nos últimos meses, e Caracas teme invasão

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governo Donald Trump autorizou oficialmente a CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos com longo histórico de interferência na América Latina, a realizar operações secretas e letais dentro da Venezuela com o objetivo de derrubar o ditador Nicolás Maduro do poder.

    A informação foi antecipada pelo jornal The New York Times e confirmada por Trump horas depois. Em conversa com a imprensa na Casa Branca, o republicano disse que a Venezuela “está sentindo a pressão”.

    A autorização formal da Casa Branca significa que a CIA tem agora permissão de agir unilateralmente ou em conjunto com uma operação militar de larga escala -isto é, uma invasão da Venezuela, cenário extremo temido por Caracas.
    O New York Times afirma que Trump decidiu autorizar as operações secretas da CIA depois de abandonar esforços diplomáticos com a ditadura venezuelana, avaliando que pouco progresso foi feito.

    A Casa Branca chegou a recusar um acordo que daria aos EUA participação dominante na indústria de petróleo da Venezuela, país com as maiores reservas de óleo do mundo, em favor de perseguir uma estratégia de derrubar Maduro do poder por meio da força. Essa seria a opção preferida pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo diretor da CIA, John Ratcliffe.

    Rubio, filho de cubanos exilados, fez carreira política como forte opositor de regimes de esquerda na América Latina, e defende há tempos a retirada de Maduro do poder. Recentemente, o chefe da diplomacia americana chamou o ditador de governante ilegítimo e narcoterrorista.

    Ainda não há informações indicando que Trump tenha tomado a decisão de invadir o país sul-americano. Nos últimos meses, seu governo aumentou consideravelmente a presença militar americana no Caribe, e o país hoje conta com mais de 10 mil soldados, oito navios de guerra e um submarino mobilizados na região. No total, é mais poder de fogo do que toda a Venezuela.

    Ainda segundo o New York Times, o governo Trump considera autorizar também bombardeios e ataques aéreos diretamente em território venezuelano, o que quase certamente significaria um estado de guerra aberta contra o país.

    Mas essa possibilidade pode esbarrar em questões jurídicas. A Constituição americana estabelece que o poder de declarar guerra é exclusivo do Congresso, o que exigiria apoio do Partido Democrata. Também por essa razão, a Casa Branca busca justificar ações contra a Venezuela afirmando que são parte de uma campanha contra o narcotráfico -como os ataques que mataram 27 pessoas nas águas internacionais próximas ao país desde setembro.

    Recentemente, de acordo com a imprensa americana, o governo Trump comunicou formalmente ao Congresso que os EUA estão “em situação de conflito armado” com narcotraficantes latino-americanos. Essa notificação permitiria ataques unilaterais em contextos em que não há perigo para forças americanas, como é o caso dos barcos destruídos.

    Nesta quarta, Trump disse que, se as embarcações estão carregando drogas, elas são “alvos legítimos”, mas o Pentágono não apresentou provas de que os barcos estavam levando substâncias ilícitas aos EUA. A principal rota do tráfico de cocaína em direção à América do Norte passa pelo Oceano Pacífico e pela fronteira com o México, não pelo Caribe.

    Também como parte da pressão exercida contra a Venezuela, o governo Trump diz que Maduro é o chefe do suposto Cartel de los Soles, que especialistas afirmam não existir, e sustenta que o ditador teria ligações com a facção Tren de Aragua, uma hipótese questionada por relatórios da própria inteligência americana.

    Além disso, em agosto, o Departamento de Justiça dos EUA dobrou a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, oferecendo agora US$ 50 milhões (R$ 272 milhões) e classificando o ditador de um dos maiores narcotraficantes do mundo e ameaça à segurança americana.

    A CIA e o governo dos EUA têm longo histórico de interferência e patrocínio a golpes na América Latina, incluindo aquele que removeu João Goulart da Presidência em 1964 e instalou a ditadura militar no Brasil, período marcado por tortura, assassinatos e desaparecimentos contra dissidentes políticos.

    Governo Trump dá carta branca à CIA para derrubar Maduro na Venezuela

  • Avião com secretário de Guerra de Trump faz pouso de emergência

    Avião com secretário de Guerra de Trump faz pouso de emergência

    O avião que estava o secretário de Guerra Pete Hegseth precisou fazer um pouso de emergência após uma rachadura no para-brisa causar perda de pressurização

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Um avião da Força Aérea dos EUA que levava o secretário de Guerra de Trump, Pete Hegseth, fez um pouso de emergência nesta quarta-feira (15) no Reino Unido.

    O avião precisou fazer um pouso de emergência após uma rachadura no para-brisa causar perda de pressurização. O Boeing C-32 havia decolado de Bruxelas e sobrevoava o Atlântico, ao sul da Irlanda, quando o piloto foi obrigado a retornar.

    O avião pousou em segurança na base de Mildenhall, perto de Cambridge, na Inglaterra. Em publicação no X, o assistente do Secretário de Guerra para Assuntos Públicos, Sean Parnell, disse que avião estava voltando dos Estados Unidos, após a reunião dos Ministros da Defesa da OTAN.

    O avião pousou com base em procedimentos padrão e todos a bordo, incluindo o secretário Hegseth, estão seguros. Sean Parnell, porta-voz do Pentágono em um post no X

    On the way back to the United States from NATO’s Defense Ministers meeting, Secretary of War Hegseth’s plane made an unscheduled landing in the United Kingdom due to a crack in the aircraft windshield. The plane landed based on standard procedures and everyone onboard, including?

    Não é a primeira vez que uma aeronave militar dos EUA transportando autoridades sofre problemas mecânicos. No início deste ano, um avião da Força Aérea dos EUA que transportava o secretário de Estado Marco Rubio para Munique foi forçado a retornar a Washington após um problema mecânico.

    Avião com secretário de Guerra de Trump faz pouso de emergência

  • Hamas anuncia que vai devolver corpos de mais dois reféns a Israel

    Hamas anuncia que vai devolver corpos de mais dois reféns a Israel

    Até o momento, o Hamas devolveu os restos mortais de quatro dos 28 reféns mortos; famílias estão preocupadas com a devolução de outros corpos

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O braço armado do Hamas anunciou que vai entregar os corpos de mais dois reféns mortos em Gaza às 22h (horário local 16h em Brasília) desta quarta-feira (15), como parte de um acordo de cessar-fogo entre o grupo extremista e Israel.

    Até o momento, o Hamas devolveu os restos mortais de quatro dos 28 reféns mortos. Famílias de reféns israelenses confirmaram as identidades de três dos quatro corpos entregues. Eles foram identificados como Tamir Nimrodi, de 20 anos, Eitan Levy, de 53 anos, e Uriel Baruch, de 35 anos, segundo o Fórum de Famílias de Reféns. Autoridades médicas concluíram que o quarto corpo entregue “não corresponde a nenhum dos reféns” cujos restos mortais estavam sob o poder do Hamas.

    O Hamas libertou na segunda-feira (13) 20 reféns vivos. Mas 24 corpos não foram entregues e ainda permanecem em Gaza. Com isso, Israel acusou o grupo de violar o acordo de trégua. O Hamas já havia alertado que a recuperação de alguns corpos poderia demorar, pois muitos locais de sepultamento estão sob escombros e ainda não foram localizados.

    Israel segura ajuda a Gaza até que Hamas entregue corpos de todos os reféns. O governo israelense anunciou que manterá fechada a passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, e limitará a ajuda humanitária, punindo o Hamas por “não ter cumprido a sua parte no tratado” de devolver os corpos de todos os reféns mortos, segundo o The Times of Israel.

    Medidas foram tomadas após autoridades concluírem que o Hamas não fez esforços reais para devolver os corpos dos reféns. A reabertura da passagem de Rafah estava prevista para os próximos dias, como parte da primeira fase da trégua. As autoridades não informaram por quanto tempo a medida vai durar.

    Famílias estão preocupadas com a devolução dos corpos. O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas enviou uma carta ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, expressando preocupação. “O que temíamos está acontecendo diante dos nossos olhos”, afirmou o fórum, que pediu ao enviado especial que “faça tudo o que estiver ao seu alcance e a exigir que o Hamas cumpra sua parte do acordo e traga todos os reféns restantes para casa”.

    Devolução dos restos mortais deve levar tempo, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A organização classificou a tarefa como um “enorme desafio” diante das dificuldades para localizar os restos mortais em meio aos escombros de Gaza. “Esse é um desafio ainda maior do que a libertação das pessoas vivas”, disse o porta-voz do CICV, Christian Cardon, acrescentando ainda que a devolução dos corpos pode levar dias ou semanas, ou talvez nunca aconteça.

    Hamas anuncia que vai devolver corpos de mais dois reféns a Israel

  • Lula confirma reunião com EUA para negociar tarifaço, nesta quinta

    Lula confirma reunião com EUA para negociar tarifaço, nesta quinta

    “Amanhã nós vamos ter a conversa de negociação”, contou Lula em evento no Rio de Janeiro; Marco Rubio e Mauro Vieira se reunirão em Washington, nos Estados Unidos

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou uma reunião entre Brasil e Estados Unidos, nesta quinta-feira (16), sobre a taxação extra aos produtos brasileiros exportados para aquele país.

    Este será o primeiro encontro entre as autoridades dos dois países após a conversa entre Lula e o presidente Donald Trump, no início deste mês.

    “Não pintou química, pintou uma indústria petroquímica”, disse Lula, nesta quarta-feira (15), ao comentar a videoconferência que manteve na semana passada com o estadunidense. Ele brincou com a fala de Trump sobre “a química excelente” entre os dois na ocasião em que se encontraram rapidamente nos bastidores da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.

    “Amanhã nós vamos ter a conversa de negociação”, contou Lula em evento no Rio de Janeiro.

    Após a química nas Nações Unidas e a conversa por telefone, Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações. Rubio, então, convidou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para liderar uma delegação brasileira a Washington.

    Reunião

    Vieira desembarcou nesta terça-feira (14) na capital dos Estados Unidos para a agenda de trabalho.

    Em entrevista recente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Brasil vai oferecer os melhores argumentos econômicos para os Estados Unidos, para reverter o tarifaço ao Brasil.

    O principal deles, segundo o ministro, é que a medida está encarecendo a vida do povo estadunidense.

    Haddad lembrou ainda que os Estados Unidos já têm superávit comercial em relação ao Brasil e muitas oportunidades de investimento no país, sobretudo voltado para transformação ecológica, terras raras, minerais críticos, energia limpa, eólica e solar.

    Tarifaço

    O tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas.

    No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%.

    Porém, em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.

    Entre os produtos tarifados pelos Estados Unidos estão café, frutas e carnes. Ficaram de fora da primeira lista cerca de 700 itens (45% das exportações do Brasil aos EUA) como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes.

    Depois, outros produtos também foram liberados das tarifas adicionais.

    Lula confirma reunião com EUA para negociar tarifaço, nesta quinta

  • Mortes por calor extremo vão dobrar na América Latina nas próximas décadas, projeta estudo

    Mortes por calor extremo vão dobrar na América Latina nas próximas décadas, projeta estudo

    Pesquisadores analisaram dados de cidades da Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Panamá e Peru; os óbitos relacionados ao frio tendem a diminuir em alguns países nas próximas décadas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A proporção de mortes causadas pelo calor extremo na América Latina deve mais que dobrar e passará de 0,87% para 2,06% do total entre 2045 e 2054. A conclusão é de um estudo que integra o projeto Mudanças Climáticas e Saúde Urbana na América Latina (Salurbal-Clima). Os resultados foram publicados na revista Environment International.

    Com a mudança no clima, as ondas de frio mais intensas vão diminuir em alguns países nas próximas décadas, e a tendência é que os óbitos por este motivo também caiam.

    O trabalho reúne pesquisadores de instituições de nove países latino-americanos com a participação da USP (Universidade de São Paulo) e da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e dos Estados Unidos.

    Eles analisaram dados de mortalidade e projeções climáticas em 326 cidades da Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Panamá e Peru.

    Os locais foram escolhidos a partir de um estudo anterior com cidades latino-americanas. “Fizemos um corte e escolhemos todas com mais de 100 mil habitantes. Nas muito pequenas é mais difícil de trabalhar: tem menos gente, você vai ter menos mortes e eventos, o que é ruim do ponto de vista estatístico”, explica o professor doutor Nelson Gouveia, titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP.

    “Temos que começar a agir hoje pensando no futuro. Devemos pensar nos nossos filhos e netos porque eles é que vão viver em 2054”, afirma.

    O estudo combinou contagens diárias de mortalidade em nível de cidade, dados de temperatura em grade, simulações de temperaturas reduzidas e corrigidas por viés e dados demográficos. Foram projetados os impactos da temperatura-mortalidade em dois cenários de mudança climática, ao mesmo tempo em que se considerou a mudança no tamanho da população, estrutura etária e as taxas de mortalidade específicas por idade.

    Segundo Nelson Gouveia, hoje é possível estimar para cada grau de aumento da temperatura o quanto impacta na população. Para o futuro, os pesquisadores estimam as mudanças de temperatura com base nos dados do próprio IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) -órgão das Nações Unidas para avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas- e estabelecem cenários.

    “Nesse artigo, utilizamos dois cenários de emissões [de gases de efeito estufa, maiores e mais moderados] para prever como as temperaturas estarão em torno de 2050. São projeções baseadas em estimativas do que a gente vem emitindo de gases de efeito estufa para estimar como estará o clima lá na frente. O estudo prevê dobrar a mortalidade em 2054 até no cenário até de emissões mais moderadas.”

    “Levamos em consideração que as pessoas estão envelhecendo e terão mais idosos no meio do século. Usando essa estimativa de quanto que as temperaturas impactam na saúde num ambiente onde você vai ter climas um pouco mais severos do que temos hoje, com uma população mais envelhecida, chegamos nesses números. São estimativas baseadas na ciência”, explica o pesquisador.

    Para a análise das 152 cidades brasileiras -entre elas, São Paulo e Rio de Janeiro- foram utilizados dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), do DataSUS, e do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010.

    Embora o estudo não forneça recortes por cidade ou grupo populacional, ele indica que as áreas urbanas densamente povoadas tendem a enfrentar maiores riscos diante do aquecimento no futuro.

    O trabalho concluiu, ainda, que os mais pobres também sofrerão os impactos do calor extremo. “Quem vive em áreas periféricas, em moradias precárias e sem acesso a ar-condicionado ou a espaços verdes terá mais dificuldade para enfrentar ondas de calor cada vez mais intensas”, diz o professor.

    “É a injustiça climática. Não temos a estimativa de quanto que essa parcela vai aumentar ou diminuir. Esperamos que a desigualdade social diminua, mas isso não foi levado em conta nesse estudo.”

    AGRAVAMENTO DE DOENÇAS

    O calor extremo aumenta o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas. Idosos e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis.

    “Quanto mais conseguirmos diminuir a emissão de gases de efeito estufa, a queima de combustíveis fósseis, de modo geral, menor será o impacto climático. Então, a perspectiva no futuro pode ser pode ser um pouco melhor, mas é preciso um esforço bastante grande e imediato. Não dá para esperar mais”, ressalta o pesquisador.

    Mortes por calor extremo vão dobrar na América Latina nas próximas décadas, projeta estudo