Categoria: MUNDO

  • Senado dos EUA rejeita proposta e crise do governo se prolonga

    Senado dos EUA rejeita proposta e crise do governo se prolonga

    Com 49 votos contrários e 45 favoráveis, o Senado não atingiu o mínimo para aprovar o financiamento temporário do governo. O impasse entre democratas e republicanos mantém a paralisação federal, já na quarta semana, e Trump ameaça cortar programas sociais se o bloqueio continuar

    A votação no Senado dos Estados Unidos, realizada na tarde de terça-feira (14) em Washington, terminou com 49 votos contrários e 45 favoráveis, ficando abaixo dos 60 necessários para aprovar o avanço da proposta.

    O projeto, de autoria republicana e já aprovado pela Câmara dos Representantes, previa o financiamento temporário do governo federal até 21 de novembro. Os democratas votaram em bloco contra a medida, defendendo que a aprovação deveria estar condicionada à ampliação dos programas de saúde pública que expiram ainda neste ano.

    Os republicanos se recusaram a renegociar o texto, alegando que o programa de saúde conhecido como Obamacare beneficia imigrantes em situação irregular, embora não tenham apresentado provas.

    Seis senadores não participaram da votação, entre eles John Fetterman, da Pensilvânia, um dos poucos democratas que havia apoiado o projeto em votações anteriores.

    Ainda não há data definida para uma nova tentativa de votação no Senado. O recesso de fim de ano se aproxima e a Câmara, sob controle republicano, não convocou novas sessões.

    Antes da votação, o presidente Donald Trump ameaçou cortar programas de assistência pública caso a paralisação do governo se prolongue por mais uma semana. Em conversa com jornalistas na Casa Branca, o republicano disse estar pronto para divulgar, na sexta-feira (17), uma lista de projetos apoiados pelos democratas que pretende suspender, chamando-os de ultrajantes e semicomunistas.

    A paralisação já levou à demissão de centenas de servidores federais e provocou atrasos em aeroportos e nas fronteiras com o México. Democratas e republicanos continuam sem acordo sobre as medidas emergenciais de financiamento, deixando o país na quarta semana consecutiva de paralisação desde 1º de outubro.

     

    Senado dos EUA rejeita proposta e crise do governo se prolonga

  • Palestino libertado por Israel descobre que família morreu em Gaza

    Palestino libertado por Israel descobre que família morreu em Gaza

    Após quase dois anos preso e torturado, Naseem al-Radee saiu da prisão israelense acreditando que reencontraria a esposa e os filhos. Ao tentar ligar para casa, descobriu que todos haviam morrido nos bombardeios em Gaza. “Minha alegria foi embora com eles”, disse

    Naseem al-Radee foi um dos quase dois mil prisioneiros palestinos libertados por Israel na segunda-feira (13). Antes de deixar a prisão, no entanto, ele diz ter recebido uma “despedida à altura dos últimos dois anos”: um espancamento dentro de uma cela imunda.

    Radee, de 33 anos, contou ao The Guardian que foi detido por soldados israelenses em uma escola que havia sido transformada em abrigo para refugiados em Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza. A captura, em 9 de dezembro de 2023, dois meses após o início da guerra, foi violenta, ele levou um golpe de bota no rosto e até hoje tem sequelas no olho.

    Durante 22 meses, Radee passou por diferentes centros de detenção israelenses, incluindo cem dias em uma cela subterrânea. Ele relata ter vivido sob espancamentos, torturas e fome. “As condições eram extremamente duras. Ficávamos com as mãos e os pés amarrados e éramos submetidos às formas mais cruéis de tortura”, disse, ao lembrar o período na prisão de Nafha, no deserto de Negev.

    Segundo o palestino, as agressões eram constantes e faziam parte de um “sistema cronometrado” de abusos. “Eles usavam gás lacrimogêneo, balas de borracha e cães para nos intimidar. Gritavam para deitarmos no chão e começavam a nos espancar sem piedade”, relatou.

    As celas, segundo ele, eram superlotadas, até 14 pessoas em um espaço para cinco. As condições insalubres causavam doenças de pele e infecções que não eram tratadas.

    A libertação de Radee coincidiu com o aniversário de três anos de sua filha mais nova, Saba. “Planejei fazer o melhor presente de todos, para compensar o aniversário que não pudemos celebrar por causa da guerra”, contou. Mas, ao tentar ligar para a família, descobriu que a esposa e quase todos os filhos haviam morrido em Gaza. “Tentei sentir alegria pela liberdade, mas ela morreu junto com a minha filha.”

    Prisões sem acusação formal

    O caso de Radee reflete a situação de milhares de palestinos detidos por Israel desde 7 de outubro de 2023, muitos sem acusação formal. Uma mudança na lei israelense, em dezembro daquele ano, passou a permitir a detenção administrativa quando houver “motivos razoáveis para acreditar” que a pessoa é um “combatente ilegal”  na prática, suspeita de ligação com o Hamas.

    Essas detenções podem ser renovadas indefinidamente. Segundo o Comitê Público contra a Tortura em Israel (PCATI), em junho de 2025 havia 11 mil palestinos presos, dos quais 2.780 eram residentes da Faixa de Gaza. “O nível de tortura e abuso aumentou drasticamente desde outubro de 2023”, afirmou Tal Steiner, diretor do PCATI, responsabilizando o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que chegou a se vangloriar nas redes sociais de fornecer “o mínimo de comida” aos detidos.

    Perda de peso e tortura

    Radee perdeu 30 quilos durante a prisão, caindo de 93 para 63. Outro detido, Mohammed al-Asaliya, de 22 anos, relatou ter emagrecido de 75 para 42 quilos. Ele descreve torturas como ser pendurado nas paredes, molhado e exposto ao frio, além de ouvir música em volume máximo por dois dias seguidos. “Às vezes jogavam pimenta em pó sobre nós”, contou.

    Sem assistência médica, os prisioneiros tentavam tratar ferimentos com desinfetante de chão. As celas eram sujas, a comida contaminada e as doenças de pele, comuns.

    O hospital Nasser, em Gaza, que recebeu os libertados, informou ter precisado transferir vários ex-detentos para tratamento de emergência devido ao estado crítico de saúde.
     

    Palestino libertado por Israel descobre que família morreu em Gaza

  • EUA batem recorde de execuções em 2025, com 37 mortes no ano

    EUA batem recorde de execuções em 2025, com 37 mortes no ano

    A Flórida lidera o país com 14 execuções, o maior número em uma década. Entre os casos mais recentes está o de Samuel Smithers, de 72 anos, morto por injeção letal. O método segue cercado de polêmicas por falhas e questionamentos éticos sobre o sofrimento dos condenados

    Os Estados Unidos já registram um recorde histórico de execuções em 2025, com 37 penas de morte aplicadas até o momento, superando o antigo máximo de 35, registrado em 2014. A Flórida lidera o ranking nacional, com 14 execuções neste ano, o maior número no estado em mais de uma década.

    Na terça-feira (14), o estado executou Samuel Smithers, de 72 anos, condenado pelo assassinato de duas mulheres em 1996, em Tampa. Ele foi morto por injeção letal na Prisão Estadual da Flórida, em Raiford, tornando-se um dos presos mais idosos a serem executados no estado.

    De acordo com documentos judiciais, Smithers trabalhava como jardineiro quando matou as vítimas, a quem havia pago por sexo. Ele as espancou, estrangulou e jogou os corpos em um lago. O Supremo Tribunal da Flórida rejeitou na semana passada um recurso da defesa, que alegava que a idade avançada do condenado o tornava inelegível para a pena de morte por violar a proibição constitucional de punições “cruéis e incomuns”.

    A execução foi feita com o protocolo padrão da Flórida, que utiliza três substâncias: um sedativo, um paralisante e um fármaco que causa parada cardíaca. O método segue cercado de polêmicas por falhas relatadas em outros casos e por questionamentos éticos sobre o sofrimento dos condenados.

    Desde 1976, quando a Suprema Corte dos EUA restabeleceu a pena de morte, a Flórida não havia ultrapassado oito execuções em um único ano. O governador republicano Ron DeSantis autorizou, até agora, 16 execuções em 2025.

    Outros estados também seguem aplicando o castigo máximo. No mesmo dia, o Missouri executou Lance Shockley, de 48 anos, condenado pelo assassinato de um sargento da patrulha rodoviária em 2005.

    Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte, o Texas ocupa o segundo lugar no ranking de execuções em 2025, com cinco casos, seguido por Carolina do Sul e Alabama, com quatro cada. Já em Ohio, onde há 27 execuções agendadas, o governador Mike DeWine afirmou que elas não serão realizadas enquanto não houver um novo método, classificando a injeção letal como “inviável na prática”.
     
     

     

    EUA batem recorde de execuções em 2025, com 37 mortes no ano

  • Um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém, diz Israel

    Um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém, diz Israel

    Exames realizados pelas forças israelenses mostraram que um dos quatro corpos entregues pelo Hamas pertence a um morador de Gaza, e não a um refém. A descoberta gerou desconfiança sobre os números divulgados pelo grupo e pressão das famílias por respostas do governo

    Um dos corpos entregues pelo Hamas a Israel na terça-feira (14) não pertence a um refém israelense, informou o governo israelense nesta quarta-feira (15), segundo o jornal The Times of Israel.

    De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), exames realizados nos quatro corpos devolvidos pelo grupo palestino revelaram que um deles era, na verdade, de um morador da Faixa de Gaza. As outras três vítimas foram identificadas como Tamir Nimrodi, Eitan Levy e Uriel Baruch.

    O Hamas havia entregue os corpos à Cruz Vermelha, elevando para oito o total devolvido desde o início do cessar-fogo, em vigor desde sexta-feira (10). O grupo havia prometido entregar os restos mortais de 28 reféns mortos, mas admitiu na segunda-feira (13) não saber a localização de parte deles, o que atrasou o cumprimento do acordo.

    A descoberta levou o presidente dos Estados Unidos a questionar a veracidade dos números apresentados pelo Hamas. “Disseram que tinham 26 ou 24 reféns mortos, mas parece que nem isso é verdade, porque estamos falando de um número bem menor”, afirmou, após reunião com o presidente argentino, Javier Milei, na Casa Branca. “Quero todos os corpos de volta”, acrescentou.

    O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas exigiu uma reunião com o comando das IDF para cobrar explicações sobre a continuidade do acordo, mesmo após a violação cometida pelo Hamas.

    “As famílias querem saber por que as Forças de Defesa de Israel continuam a cumprir o acordo enquanto o Hamas o descumpre abertamente. O grupo segue mantendo reféns e provando ser uma organização terrorista mentirosa e repugnante”, diz o comunicado citado pelo The Times of Israel.
     
     

    Um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém, diz Israel

  • Hamas diz ter matado supostos 'colaboradores de Israel' enquanto tenta retomar Gaza

    Hamas diz ter matado supostos 'colaboradores de Israel' enquanto tenta retomar Gaza

    Vídeo divulgado pelo grupo terrorista mostra combatentes atirando nas costas de homens ajoelhados em um círculo; facção acusa outros clãs do território palestino, com os quais disputa poder, de serem apoiados por Tel Aviv

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A retirada das tropas de Israel de parte da Faixa de Gaza, um dos compromissos do cessar-fogo assinado na segunda-feira (13), abriu espaço para o grupo terrorista Hamas avançar sobre as ruínas da guerra de dois anos na tentativa de retomar o controle do território palestino.

    A ação tem rendido cenas brutais, como a que mostra o assassinato de sete pessoas em uma rua da Cidade de Gaza. Em uma clara demonstração do retorno do grupo, os combatentes arrastam homens acusados de colaborarem com Israel, forçam-nos a se ajoelhar e atiraram neles pelas costas.

    O vídeo foi publicado pela TV do Hamas no Telegram, e sua autenticidade foi confirmada por um membro do grupo à agência de notícias Reuters.

    Antes disso, no domingo (12), o Ministério do Interior de Gaza já havia afirmado que confrontos entre o Hamas e outro grupo armado haviam matado ao menos 27 pessoas, incluindo oito membros da facção que controlava o território até o início da guerra.

    Nesta terça-feira (14), moradores de Gaza disseram que os combatentes estavam sendo vistos com mais frequência. Testemunhas relataram à agência de notícias AFP intensos combates no bairro de Shejaia, na Cidade de Gaza, perto da fronteira atrás da qual as unidades israelenses seguem controlando cerca de metade do território. Segundo elas, os confrontos envolviam uma unidade afiliada ao Hamas e grupos armados, incluindo alguns supostamente apoiados por Israel.

    Jornalistas da AFP dizem que, desde que o cessar-fogo entrou em vigor, têm observado a presença de membros do grupo terrorista em mercados e rodovias de várias cidades da Faixa de Gaza. Uma fonte da segurança palestina da facção declarou à agência que o corpo de segurança do Hamas, uma unidade criada recentemente e batizada de “Força de Dissuasão”, estava realizando operações para garantir “segurança e estabilidade”.

    Embora o desarmamento do Hamas seja uma exigência da trégua -algo que a facção se nega a fazer sem a garantia da criação de um Estado palestino–, os Estados Unidos, um dos principais mediadores do acordo, parecem ter autorizado o grupo a policiar temporariamente o território.

    Questionado por um jornalista na segunda sobre os relatos de que o Hamas estava agindo para derrotar rivais em Gaza, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o grupo agia dentro dos parâmetros do acordo.

    “Eles querem acabar com os problemas e têm sido abertos sobre isso, e nós lhes demos aprovação por um período de tempo”, disse Trump. “Temos quase 2 milhões de pessoas voltando para prédios que foram demolidos, e muitas coisas ruins podem acontecer. Então, queremos que seja seguro. Acho que vai ficar tudo bem. Quem sabe com certeza?”

    Enquanto era praticamente aniquilado por Israel nos últimos dois anos, o Hamas enfrentava crescentes desafios internos vindos de rivais de longa data. As principais facções que operam no território são Abu Shabab, Doghmosh, Al-Majayda e Rami Hellis.

    A primeira é acusada pelo Hamas de colaborar com Israel, o que o grupo nega. A última opera na Cidade de Gaza e tem sua sede no subúrbio de Shejaia, onde foram registrados confrontos nesta terça. Há alguns meses, a facção se juntou com outro grupo para operar em partes do bairro que ainda estão sob controle do Exército israelense, em desafio ao Hamas.

    Para muitos palestinos que tentam reconstruir seus lares e suas vidas em meio aos escombros, a presença do Hamas é tranquilizadora. “Começamos a nos sentir seguros”, afirmou Abu Fadi al Banna, 34, em Deir al-Balah, no centro de Gaza, à AFP. “Começaram a organizar o trânsito e a desobstruir os mercados. Nos sentimos protegidos dos delinquentes e dos ladrões.”

    Hamas diz ter matado supostos 'colaboradores de Israel' enquanto tenta retomar Gaza

  • Macron cede, e França suspende reforma da Previdência até eleição presidencial de 2027

    Macron cede, e França suspende reforma da Previdência até eleição presidencial de 2027

    Reconduzido ao cargo, Sébastien Lecornu anuncia suspensão de medida controversa para tentar aplacar crise política; Assembleia Nacional demonstra ceticismo quanto à capacidade do governo de se manter no poder

    PARIS, FRANÇA (CBS NEWS) – Reconduzido na semana passada ao cargo de primeiro-ministro da França, depois de ter renunciado com apenas um mês no cargo, Sébastien Lecornu propôs nesta terça-feira (14) uma suspensão da reforma das aposentadorias até a próxima eleição presidencial, prevista para 2027, em seu primeiro discurso diante da Assembleia Nacional.

    O anúncio é uma forma de garantir que seu governo não será vítima de uma moção de censura da oposição. “Eis incontestavelmente uma ruptura”, discursou aos deputados.

    Para demonstrar sua disposição ao diálogo com os deputados, o premiê prometeu não recorrer a um controverso dispositivo que lhe permitiria aprovar o orçamento de 2026 sem votação parlamentar, o artigo 49.3 da Constituição -o mesmo que Macron e a ex-primeira-ministra, Élisabeth Borne, usaram para atropelar a oposição e impor a reforma da aposentadoria aos franceses.

    Lecornu também se comprometeu a propor a criação de uma “contribuição excepcional” sobre grandes fortunas -outra forma de contentar a oposição de esquerda. Ele se recusa, porém, a adotar a “taxa Zucman”, um imposto de 2% sobre os patrimônios acima de € 100 milhões (cerca de R$ 640 milhões). O economista que propôs a taxa, Gabriel Zucman, acusou o premiê de poupar os bilionários em seu plano.

    O primeiro-ministro também propôs que até o final do ano seja incluído na Constituição o novo estatuto da Nova Caledônia, arquipélago do oceano Pacífico que pertence à França. Conforme acordo assinado em julho para pôr fim à disputa com os separatistas, será criado um “Estado da Nova Caledônia”, que pode ser reconhecido por outros países, mas continua a fazer parte da França.

    “Não vamos censurar o governo a princípio e não faremos parte dos que derrubam primeiros-ministros. A França precisa de um mínimo de estabilidade, de governo, de orçamento”, disse Laurient Wauquiez, dos Republicanos, de direita.

    Já a ultraesquerda, representada principalmente por Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa, criticou a suspensão da reforma como apenas uma postergação da medida. “E agora todos vão fingir que não ouviram que a suspensão da reforma tem uma data limite, e então volta a vigorar. Além disso, quem for eleito em 2027 pode compensar o atraso ou propor uma reforma pior”, disse

    A ultradireita aproveitou para criticar Macron. “Na Assembleia Nacional, dos Republicanos [direita] ao Partido Socialista [centro-esquerda], é o ciclo amigável dos salvadores de Emmanuel Macron que se sucedem falando no púlpito”, afirmou Jordan Bardella, líder da Reunião Nacional (RN). “O único denominador comum dessa maioria sem sentido, pronto para qualquer tipo de barganha, é o medo das urnas e o medo do povo.”

    Lecornu é o quarto primeiro-ministro em um ano, sintoma da instabilidade da política francesa desde as eleições legislativas de 2024, que produziu um Parlamento dividido em três grandes grupos, nenhum deles com uma maioria confortável no Legislativo e disposto a fazer concessões.

    Caso o gabinete de Lecornu caia, Macron sofrerá uma pressão ainda maior para renunciar ao cargo ou dissolver a Assembleia e convocar novas eleições legislativas, em que a ultradireita seria favorita.

    A questão central para a sobrevivência do segundo gabinete montado por Lecornu é o número de votos necessário para derrubá-lo. Para aprovar uma moção de censura, são necessários 288 dos 575 deputados com mandato em vigor.

    Já anunciaram que vão votar contra Lecornu a ala mais à esquerda do Parlamento e a ala mais à direita. Isso representa cerca de 210 deputados. O fiel da balança, portanto, são a esquerda moderada (o Partido Socialista) e o que resta da direita gaullista tradicional (Republicanos), cada vez mais próxima da ultradireita.

    O gabinete tem seis ministros do Republicanos. Por isso, o partido ainda hesita em censurar Lecornu. Os socialistas, por sua vez, mesmo sem participação no governo, afirmam aguardar o anúncio das primeiras medidas antes de tomar uma decisão. Reivindicam, sobretudo, a suspensão da reforma das aposentadorias promulgada em 2023.

    Essa reforma prevê o aumento progressivo da idade mínima para se aposentar, de 62 para 64 anos. Parte da oposição de esquerda, e até economistas como Philippe Aghion, agraciado na segunda-feira com o Prêmio Nobel, propunham que a reforma seja congelada no patamar atual -62 anos e 9 meses- até a eleição presidencial de abril de 2027.

    Esse debate evidencia o que realmente está por trás do cálculo de todos os políticos -a corrida para suceder Macron. O atual presidente não pode concorrer de novo, por já estar no segundo quinquênio.

    A impopularidade de Macron -uma pesquisa recente lhe atribuiu apenas 19% de opiniões favoráveis- faz dele um péssimo cabo eleitoral, o que o fez ser abandonado até por antigos aliados fiéis, como o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe.

    Macron cede, e França suspende reforma da Previdência até eleição presidencial de 2027

  • Opositor declara vitória em Camarões e insta ditador a reconhecer derrota

    Opositor declara vitória em Camarões e insta ditador a reconhecer derrota

    O político é um ex-porta-voz do governo e ministro do Emprego que rompeu com o ditador Paul Biya, líder do país desde 1982, no início deste ano

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O candidato da oposição de Camarões Issa Tchiroma, 79, se declarou vitorioso das eleições à Presidência do país na noite desta segunda-feira (13), embora o órgão eleitoral oficial (Elecam) não tenha divulgado resultados. Tchiroma instou Paul Biya, 92, o líder do país desde 1982 e seu antigo aliado, a aceitar a derrota e “honrar a verdade das urnas”.

    “Nossa vitória é clara. Ela deve ser respeitada. O povo escolheu”, disse Tchiroma em um discurso em perfil no Facebook.

    O político é um ex-porta-voz do governo e ministro do Emprego que rompeu com Biya no início deste ano e montou uma campanha atraindo multidões e o endosso de uma coalizão de partidos de oposição e grupos civis.

    Sem nomear Tchiroma, o Movimento Democrático do Povo de Camarões (CPDM), partido de Biya, condenou nesta terça-feira (14) a declaração de vitória do rival como um “embuste grotesco”, acrescentando que apenas o Conselho Constitucional está habilitado a proclamar resultados.

    O órgão, no entanto, cuja criação estava prevista na Constituição de 1996 e é a instância máxima de interpretação de leis e de regulação eleitoral do país, foi criado apenas em 2018 e tem todos os seus 11 membros nomeados por Biya.

    O ditador camaronês, o chefe de Estado mais velho do mundo em exercício, busca um oitavo mandato após 43 anos no poder -se vitorioso, ele pode chegar aos 99 anos de idade ainda no cargo. Até a publicação desta reportagem, Biya, que aparece raramente em público, não havia se pronunciado.

    Analistas esperavam que seu controle sobre as instituições estatais e uma oposição fragmentada lhe dessem vantagem na eleição, apesar do crescente descontentamento público com a estagnação econômica e a uma grave crise de segurança relativa principalmente a um conflito separatista no oeste do país e a ameaças de grupos radicais islâmicos como o Boko Haram no norte.

    Tchiroma elogiou os eleitores por desafiarem o que chamou de intimidação e por permanecerem nas seções eleitorais até tarde da noite para proteger seus votos. “Também agradeço aos candidatos que já me enviaram suas congratulações e reconheceram a vontade do povo”, disse.

    “Colocamos o regime diante de suas responsabilidades: ou ele mostra grandeza aceitando a verdade das urnas, ou escolhe mergulhar o país em turbulência que deixará uma cicatriz indelével no coração de nossa nação”, afirmou o opositor.

    A lei eleitoral de Camarões permite que os resultados sejam publicados e afixados nas seções eleitorais, mas as contagens finais devem ser validadas pelo Conselho Constitucional, que tem até 26 de outubro para anunciar o resultado.

    Tchiroma disse que em breve divulgará uma análise independente em cada região dos totais de votos compilados a partir dos resultados. “Esta vitória não é de um homem, nem de um partido. É a vitória de um povo”, disse.

    O opositor também pediu aos militares, forças de segurança e funcionários públicos que permanecessem leais à “república, não ao regime”.

    O Ministro da Administração Territorial, Paul Atanga Nji, advertiu no fim de semana que qualquer publicação unilateral de resultados seria considerada “alta traição”.

    O sistema eleitoral de turno único de Camarões concede a Presidência ao candidato com mais votos, mesmo que não seja a maioria. Mais de 8 milhões de pessoas estavam registradas para votar na eleição.

    Opositor declara vitória em Camarões e insta ditador a reconhecer derrota

  • Trump cita encontro na ONU e diz que teve 'ótima conversa' com Lula

    Trump cita encontro na ONU e diz que teve 'ótima conversa' com Lula

    “Eu tive uma ótima conversa com o presidente [Lula]. Eu encontrei com ele na ONU, antes de eu discursar”, disse Donald Trump

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a citar o encontro que teve com Lula (PT) na Assembleia Geral da ONU e afirmou que teve uma “ótima conversa” com o presidente brasileiro.

    Declaração foi feita nesta terça-feira (14) durante reunião com o presidente argentino, Javier Milei. Questionado por jornalistas sobre o motivo de ajudar a Argentina, Trump declarou que os EUA não precisam ajudar países da América do Sul, mas que apesar disso, sabe que pode fazer diferença para o continente. “Se a Argentina for bem, outros vão seguir o exemplo. E muitos outros já estão seguindo”, afirmou.

    Trump citou a conversa com o presidente do Brasil como um bom exemplo de aproximação durante a reunião. “Eu tive uma ótima conversa com o presidente [Lula]. Eu encontrei com ele na ONU, antes de eu discursar”, disse.

    Essa não é a primeira vez que Trump elogia uma conversa com Lula. No último dia 6 de setembro, o presidente dos Estados Unidos afirmou em sua rede social, a Truth Social, que teve um “bom telefonema” com o presidente Lula. “Gostei muito da conversa, nossos países vão se dar muito bem juntos”, escreveu Trump.

    TRUMP RECEBE MILEI NA CASA BRANCA PARA NEGOCIAR SOCORRO FINANCEIRO

    Milei chegou à Casa Branca por volta das 14h38 (horário de Brasília). Os dois líderes posaram rapidamente para a imprensa e entraram para a sede do governo.

    Presidente argentino tenta selar apoio financeiro antes de eleições legislativas. Milei viajou a Washington para se reunir com seu aliado ideológico Donald Trump, após os Estados Unidos anunciarem um apoio financeiro para estabilizar o mercado argentino antes das eleições legislativas de 26 de outubro. A reunião acontece a 12 dias das eleições legislativas na Argentina, cujo resultado é crucial para a governabilidade do líder argentino nos últimos dois anos de seu mandato

    Viagem busca blindar os detalhes do auxílio após semanas de volatilidade cambial e reveses no Congresso. Movimentações colocaram em dúvida a viabilidade do plano de reformas de Milei, que conseguiu reduzir drasticamente a inflação às custas de um duro ajuste fiscal. “Os Estados Unidos perceberam esse ataque contra a Argentina, contra as ideias de liberdade, contra um aliado estratégico e por isso que nos deram o apoio”, disse o presidente ultraliberal à rádio na segunda-feira (13).

    Em troca, Trump deve tentar costurar acesso privilegiado às terras raras e aos minerais críticos do país sul-americano. Essa prioridade dos Estados Unidos visa ainda fazer da Argentina um exemplo para os demais países da região em detrimento da presença da China.

    Redução da tarifa imposta pelos EUA também deve ser pauta. Os dois países também devem anunciar um acordo comercial no qual Donald Trump reduziria a tarifa de importação de produtos argentinos, especialmente o aço e o alumínio, atualmente sobretaxados em 50%. Os demais produtos têm tarifa de 10%. Outra possibilidade é de um acordo para investimentos de empresas norte-americanas na Argentina, especialmente em setores estratégicos.

    Trump cita encontro na ONU e diz que teve 'ótima conversa' com Lula

  • Israel segura ajuda a Gaza até que Hamas entregue corpos de reféns

    Israel segura ajuda a Gaza até que Hamas entregue corpos de reféns

    O Hamas libertou nesta segunda-feira (13) 20 reféns vivos e entregou os corpos de quatro, mas 24 ainda permanecem em Gaza

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Israel manterá fechada a passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, e limitará a ajuda humanitária, punindo o Hamas por “não ter cumprido a sua parte no tratado” de devolver os corpos de todos os reféns mortos, segundo o The Times of Israel.

    Medidas foram tomadas após autoridades da FDI (Forças Armadas israelenses) concluírem que o Hamas não fez esforços reais para devolver os corpos dos reféns. A reabertura da passagem de Rafah estava prevista para os próximos dias, como parte da primeira fase da trégua.

    A passagem de Rafah deve permanecer fechada, pelo menos, até quarta-feira, segundo a Reuters. As autoridades não informaram por quanto tempo a medida vai durar.

    O Hamas libertou nesta segunda-feira (13) 20 reféns vivos e entregou os corpos de quatro, mas 24 ainda permanecem em Gaza. Com isso, Israel acusou o grupo de violar o acordo de trégua. O grupo já havia alertado que a recuperação de alguns corpos pode demorar, pois muitos locais de sepultamento estão sob escombros e ainda não foram localizados.

    Nesta terça-feira (14), o Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas enviou uma carta ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, expressando preocupação com a devolução dos corpos dos reféns. “O que temíamos está acontecendo diante dos nossos olhos”, afirmou o fórum, que pediu ao enviado especial que “faça tudo o que estiver ao seu alcance e a exigir que o Hamas cumpra sua parte do acordo e traga todos os reféns restantes para casa”.

    A devolução dos restos mortais de reféns e detidos mortos durante a guerra deve levar tempo, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A organização classificou a tarefa como um “enorme desafio” diante das dificuldades para localizar os restos mortais em meio aos escombros de Gaza. “Esse é um desafio ainda maior do que a libertação das pessoas vivas”, disse o porta-voz do CICV, Christian Cardon, acrescentando ainda que a devolução dos corpos pode levar dias ou semanas, ou talvez nunca aconteça.

    O primeiro grupo de corpos de palestinos mortos durante a guerra em Gaza chegou ao enclave após ser liberado por Israel. Ao todo, 45 corpos foram encaminhados ao Hospital Nasser, em Gaza, segundo informações da Reuters.

    TRUMP REUNIU ONTEM AUTORIDADES EM CÚPULA

    O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira no Egito o acordo de cessar-fogo em Gaza durante a cúpula que discute os próximos passos do acordo de paz. Sobre um forte esquema de segurança, ele e dezenas de outros líderes mundiais foram à cidade de Sharm el-Sheikh, no litoral egípcio. O conteúdo do documento não foi divulgado.

    Cúpula discutiu como será a fase dois do acordo, que, segundo Trump, já começou. A primeira fase foi cumprida com a troca de reféns.

    Benjamin Netanyahu não foi ao evento. O primeiro-ministro israelense alegou que a reunião ocorreu em um feriado judaico.

    Após a cúpula, Trump confirmou o fim da guerra. “Após anos de banho de sangue e sofrimento, a guerra em Gaza chegou ao fim. A ajuda humanitária e centenas de caminhões com alimentos, equipamentos médicos e recursos pagos pelas pessoas nessa sala estão sendo enviados. Os civis estão voltando para casa, os reféns voltando para casa”.

    Israel segura ajuda a Gaza até que Hamas entregue corpos de reféns

  • Novo ataque contra barco saindo da Venezuela mata seis pessoas, diz Trump

    Novo ataque contra barco saindo da Venezuela mata seis pessoas, diz Trump

    É a sexta vez que o governo Trump destrói uma embarcação que acusa de transportar drogas aos EUA; a Casa Branca afirma que os barcos são ligados à facção Tren de Aragua

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Um novo ataque das Forças Armadas dos Estados Unidos contra um barco próximo à costa da Venezuela matou seis pessoas nesta terça-feira (14), disse o presidente Donald Trump por meio de sua rede social, a Truth Social. Essa é a sexta vez que o governo Trump destrói uma embarcação que acusa de transportar drogas aos EUA.

    “Sob minha autoridade como comandante-em-chefe, o secretário da Guerra [Pete Hegseth] ordenou um ataque cinético letal contra uma embarcação afiliada a uma organização terrorista que realizava narcotráfico” nas águas internacionais próximas à Venezuela, escreveu Trump.

    “Nossa inteligência confirmou que o barco carregava drogas, estava associado com redes narcotraficantes ilegais, e transitava por uma rota conhecida”, prosseguiu o presidente. “Seis narcoterroristas homens que estava na embarcação foram mortos, e nenhum militar dos EUA foi ferido.”

    A Casa Branca afirma que os barcos são ligados à facção Tren de Aragua, classificada por Trump de uma organização terrorista internacional.

    Especialistas dizem que o Caribe, onde os ataques ocorreram, não é a principal rota de tráfico de drogas em direção aos EUA, sendo responsável por cerca de 10% da cocaína e por uma quantidade irrisória do fentanil que entra no país. Essa última droga é a principal responsável por mortes de overdose nos EUA hoje.

    Em uma tentativa de legitimar os ataques contra as embarcações, criticados por juristas e especialistas em direito internacional como sendo ilegais, o governo Trump comunicou formalmente ao Congresso americano que os EUA estão “em situação de conflito armado” com narcotraficantes. Isso daria às Forças Armadas direito de atacar membros de organizações como o Tren de Aragua mesmo quando não há risco iminente a cidadãos americanos.

     

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