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  • Gonet rebate defesa de Cid e diz que não existe 'testemunha premiada'

    Gonet rebate defesa de Cid e diz que não existe 'testemunha premiada'

    Nas alegações finais, a PGR havia tratado das inconsistências na delação premiada de Mauro Cid e sugerido uma redução de apenas um terço da pena, e não dois terços como acordado

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Em sua manifestação no julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a validade do acordo de delação do tenente-coronel Mauro Cid, mas se opôs que se entenda que ele não participou da trama.

    “Não custa recordar que não existe entre nós a figura da mera ‘testemunha premiada’”, disse ele, ao refutar a tese da defesa de que Mauro Cid não tenha participado de atos criminosos.

    “A Procuradoria-Geral da República reafirmou a validade do acordo de colaboração premiada celebrada por Mauro Cid na Polícia Federal”, disse Gonet.

    Nas alegações finais, a PGR havia tratado das inconsistências na delação premiada de Mauro Cid e sugerido uma redução de apenas um terço da pena, e não dois terços a que ele teria direito pela colaboração.

    “Os relatos de Mauro Cid foram úteis para o esclarecimento dos fatos relacionados à investigação. Embora a Polícia Federal tenha descoberto a maior parte dos eventos descritos na denúncia de forma independente, a colaboração de Mauro Cid acrescentou-lhes profundidade.”

    Gonet diz que, no entanto, houve omissões nos relatos do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

    Gonet rebate defesa de Cid e diz que não existe 'testemunha premiada'

  • Ataque hacker desviou R$ 710 milhões, diz empresa que liga instituições financeiras ao Pix

    Ataque hacker desviou R$ 710 milhões, diz empresa que liga instituições financeiras ao Pix

    Banco Central conseguiu bloquear R$ 589 milhões, e restante do valor está coberto por seguro; criminosos exploraram acesso de fornecedores a sistema da Sinqia para furtar contas de HSBC e Artta

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ataque cibernético na última sexta-feira (29) desviou R$ 710 milhões da Sinqia, divulgou nesta terça (2) a empresa, que conecta instituições financeiras ao sistema Pix. Os criminosos subtraíram valores de contas de pagamento instantâneo de dois clientes -o HSBC e a fintech Artta, sediada em Curitiba-, mas parte das transações foi bloqueada.

    As informações constam de formulário do conglomerado que controla a Sinqia, a empresa porto-riquenha Evertec, entregue à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. A Evertec é uma companhia listada na bolsa de Nova York, que se declara a maior processadora de pagamentos da América Latina.

    Os dados foram obtidos por meio de análise forense contratada pela Sinqia, que, na ocasião do ataque, estava coberta por seguro contra incidentes cibernéticos, segundo as empresas vítimas dos ataques.

    Resultados preliminares da investigação forense indicam que os criminosos exploraram credenciais legítimas de fornecedores de TI da Sinqia. “A Sinqia encerrou o acesso a essas credenciais”, diz a companhia em comunicado.

    Segundo a Artta, R$ 40 milhões teriam saído de sua conta mantida junto ao BC com o intuito de liquidar pagamentos via Pix.

    Desde que comunicou o Banco Central do incidente ainda na sexta, a Sinqia está desconectada do Pix.

    No domingo (31), a provedora de serviços de tecnologia da informação (PSTI) apresentou um plano para retomada de serviços para seus dois clientes e para o BC. A proposta ainda está sob análise da autoridade monetária.

    A Sinqia atende 24 instituições, atuantes sobretudo no mercado financeiro e afetadas, por ora, pelo desligamento da empresa.

    Pessoas com acesso ao conteúdo das reuniões entre o regulador e as empresas disseram à reportagem que, do valor desviado, mais de R$ 589 milhões foram bloqueados pelo Banco Central.

    “Esforços adicionais de recuperação estão em andamento”, diz a Sinqia em nota.

    No caso da Sinqia, o alerta às autoridades ocorreu no mesmo dia e não houve um fluxo muito acima do padrão de compra de criptomoedas a curto prazo, como ocorreu no ataque bilionário à C&M Software, realizado em 30 de junho.

    Ainda de acordo com a Sinqia, o incidente se limitou à comunicação da Sinqia com o sistema Pix, e não deixou brechas para os criminosos acessarem a infraestrutura de seus clientes. A empresa também não tem indícios de que quaisquer dados pessoais tenham sido comprometidos.

    Além do Banco Central, a Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo também investigam o caso, após a Sinqia registrar boletim de ocorrência na sexta. Ainda não há informações sobre os autores dos ataques nem detalhes sobre quais fornecedores tiveram suas credenciais comprometidas.

    Em nota, o HSBC afirma ter identificado transações financeiras via Pix em conta de um provedor do banco e que nenhuma conta de clientes ou de fundos foi impactada, já que as operações aconteceram exclusivamente no sistema desse provedor.

    “O banco esclarece ainda que medidas foram tomadas para bloquear essas transações no ambiente do provedor. O HSBC reafirma o compromisso com a segurança de dados e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”, diz a instituição.

    A Artta comunicou que avisará seus clientes “assim que tiver uma posição oficial ou nova atualização sobre a retomada de conexão ao sistema Pix.

    A empresa ainda se dispôs a responder a dúvidas de clientes por meio do email suporte@artta.com.br. “Reafirmamos nosso compromisso com a transparência e com a segurança dos recursos de nossos clientes.”

    Ataque hacker desviou R$ 710 milhões, diz empresa que liga instituições financeiras ao Pix

  • Lula convoca reunião virtual do Brics para discutir comércio internacional e tarifas

    Lula convoca reunião virtual do Brics para discutir comércio internacional e tarifas

    O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula (PT) da Silva convocou para a próxima semana uma reunião virtual do Brics para debater o sistema multilateral de comércio. O objetivo de Lula é usar o encontro para fortalecer a posição do Brasil contra o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

    Lula havia anunciado sua intenção de chamar a reunião do Brics em 13 de agosto, durante lançamento do plano de socorro para as empresas afetadas pelas sobretaxas americanas. O grupo este ano é presidido pelo Brasil.

    “Junto aos Brics vamos fazer uma teleconferência que está sendo articulada para a gente discutir o que podemos fazer para melhorar nossa relação entre todos os países que foram afetados [pelas tarifas]”, disse Lula na ocasião.

    O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos. A Arábia Saudita foi convidada a se associar após a cúpula de Joanesburgo (África do Sul), em 2023, mas nunca respondeu oficialmente -ainda assim tem participado de reuniões do bloco.

    Entre os sócios do Brics, o Brasil e a Índia são os mais afetados pelas tarifas de Trump, ambos com 50%.

    De acordo com pessoas a par dos preparativos, a videoconferência não será especificamente sobre as tarifas de Trump, mas sobre multilateralismo e o sistema internacional de comércio. A ideia é coordenar posições entre os integrantes para importantes fóruns internacionais que ocorrem nos próximos meses, como a Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro.

    Trump impôs tarifas de 50% sobre o Brasil -com uma ampla lista de exceções- e condicionou qualquer negociação ao fim do julgamento por golpe de Estado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Tanto o Palácio do Planalto como o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitam essa exigência.

    Além das tarifas, Trump aplicou sanções contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro do STF Alexandre de Moraes -incluído na Lei Magnitsky, que limita operações financeiras que envolvam empresas americanas.

    Também foram cassados vistos do ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça, e de familiares de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, além dos de técnicos que trabalharam no programa Mais Médicos.

    Parte da estratégia de reação de Lula tem sido intensificar o diálogo com outros sócios do Brasil, entre eles membros do Brics. Logo depois da imposição do tarifaço ele realizou chamadas telefônicas com os líderes da Índia, Narendra Modi, da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, entre outros.

    Lula convoca reunião virtual do Brics para discutir comércio internacional e tarifas

  • Gonet diz que deixar de reprimir tentativas de golpe aumenta ímpetos de autoritarismo

    Gonet diz que deixar de reprimir tentativas de golpe aumenta ímpetos de autoritarismo

    Gonet se manifesta no primeiro dia de julgamento de Bolsonaro e dos outros sete réus do núcleo central da trama golpista; Moraes abriu a sessão com a leitura do relatório do processo

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse nesta terça-feira (2) que um Estado deve reprimir tentativas de golpe para evitar um aumento de ímpetos autoritários, ao se manifestar no julgamento que pode levar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à condenação por crimes que chegam a uma pena superior a 40 anos de prisão.

    Gonet se manifesta no primeiro dia de julgamento de Bolsonaro e dos outros sete réus do núcleo central da trama golpista, após a leitura do relatório do processo pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

    “Não reprimir criminalmente tentativas dessa ordem [golpista], como mostram relatos de fato aqui e no estrangeiro, recrudesce ímpetos de autoritarismo e põe em risco o modelo de vida civilizado”, disse Gonet.

    “Não se pode admitir que se puerilizem as tramas urdidas e postas em prática por meios de atos coordenados e sucessivos conducentes à perturbação social, à predisposição a medidas de força desautorizadas constitucionalmente, à restrição dos Poderes constitucionais e à ruptura com preceitos elementares da democracia, como o respeito à vontade do povo, expressa nos momentos eleitorais.”

    Antes de Gonet, Moraes abriu o julgamento com uma fala dura, em que cita “pressões internas ou externas” e tentativas de coação à corte durante o processo, afirmando ainda que a pacificação é um desejo de todos, mas que não pode ser alcançada com covardia ou impunidade.

    A PGR (Procuradoria-Geral da República) tem duas horas para expor os motivos pelos quais os réus deveriam ser condenados pelas acusações de tentarem um golpe de Estado após a derrota de Bolsonaro para o presidente Lula (PT), em 2022.

    Ele disse, em discurso introdutório, que em julgamento a “democracia assume a sua defesa ativa contra a tentativa de golpe apoiada em violência ameaçada e praticada.

    Também disse que, ao julgar esses casos, “a defesa da ordem democrática acha espaço para se reafirmar, avantajar e dignificar”.

    Em seu discurso, nesses casos, crime tentado é crime consumado -fazendo um contraponto às defesas dos réus, que afirmam que não houve golpe de Estado ou tentativa.

    O PGR disse que a denúncia da trama golpista “não se baseou em conjecturas ou suposições frágeis, os próprios integrantes da organização criminosa fizeram questão de documentar quase todas as fases da empreitada”.

    Ele destacou que diversos atos praticados pelos réus configuram violência e grave ameaça, como as blitzes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a reunião de Bolsonaro com os chefes das Forças Armadas.

    “Se qualifica no domínio do termo ‘violência’ a convocação de responsáveis por tropas militares para ultimar medidas de quebra da Constituição. A incitação ao movimento de repúdio ao resultado eleitoral, minuciosamente concatenada por longo tempo, acolhia a violência física que efetivamente se deu e de modo crescente a partir do resultado das urnas de 30 de outubro de 2022”, disse.

    Segundo Gonet, os ataques de 8 de janeiro foram o “apogeu violento desses atos”. A fala do PGR também tenta esvaziar parte da alegação das defesas que a tentativa de golpe de Estado só pode ser condenada se houver violência ou grave ameaça.

    “O 8 de janeiro de 2023, se não terá sido objeto ou objetivo principal do grupo, passou a ser desejado ou incentivado quando se tornou a derradeira opção disponível”, disse.

    Sua manifestação reitera argumentos do Ministério Público de que o ex-presidente deve ser condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

    Depois da manifestação de Gonet, as defesas dos acusados passam a se posicionar, cada uma com o tempo máximo de uma hora. A primeira defesa a se manifestar é a do tenente coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Bolsonaro.

    Ele é o primeiro porque firmou acordo de delação premiada. Em seguida, as demais defesas serão apresentadas por ordem alfabética dos réus.

    O julgamento tem a previsão de durar até o dia 12 de setembro. O primeiro voto, do relator Moraes, só deve acontecer na próxima terça-feira (9).

    Em seguida, votam os demais integrantes da primeira turma: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

    Bolsonaro foi denunciado pela PGR no dia 18 de fevereiro, sob acusação de liderar a tentativa de golpe de Estado após a derrota em 2022.

    Além de Bolsonaro, outras 33 pessoas foram denunciadas, entre eles o ex-ministro Walter Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente na chapa de 2022 e, atualmente, está preso preventivamente.

    A denúncia é julgada por núcleos, e o que envolve Bolsonaro é o considerado o mais importante deles. No fim de março, a Primeira Turma do STF recebeu a denúncia e tornou réus o ex-presidente e os demais acusados desse núcleo.

    Ao apresentar as alegações finais no processo, em julho, Gonet disse que “todos os personagens do processo em que a tentativa do golpe se desdobrou são responsáveis pelos eventos que se concatenam entre si”.

    A manifestação do procurador-geral da República acontece uma semana após ele ter sido indicado por Lula para ocupar o cargo por mais dois anos.

    Na Presidência, Bolsonaro acumulou uma série de declarações golpistas às claras, provocou crises entre os Poderes, colocou em xeque a realização das eleições de 2022, ameaçou não cumprir decisões do STF e estimulou com mentiras e ilações uma campanha para desacreditar o sistema eleitoral do país.

    Após a derrota para Lula, incentivou a criação e a manutenção dos acampamentos golpistas que se alastraram pelo país e deram origem aos ataques do 8 de Janeiro.

    Nesse mesmo período, adotou conduta que contribuiu para manter seus apoiadores esperançosos de que permaneceria no poder e, como ele mesmo admitiu publicamente, reuniu-se com militares e assessores próximos para discutir formas de intervir no TSE e anular as eleições.

    Gonet diz que deixar de reprimir tentativas de golpe aumenta ímpetos de autoritarismo

  • Defesas tiveram amplo e integral acesso ao processo, diz Moraes em relatório

    Defesas tiveram amplo e integral acesso ao processo, diz Moraes em relatório

    As declarações foram feitas antes de Moraes começar a leitura do relatório da ação penal sobre a trama golpista na manhã desta terça-feira (2)

    O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal da tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), deu início à leitura de seu relatório sobre o caso dando destaque ao amplo e integral acesso que as defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos outros sete réus, aliados do ex-chefe do Executivo, tiveram ao processo. Moraes ponderou que os advogados que representam os processados tiveram acesso às mesmas provas que o Ministério Público Federal, que denunciou Bolsonaro e seus ex-auxiliares. O relator também destacou que a delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, foi firmado dentro da legalidade.

    “O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo, atuando tanto no âmbito material e proteção ao direito de verdade quanto no âmbito formal, ao assegurar qualidade total de condições com estado persecutor e plenitude de defesa”, destacou o ministro ao ler a ementa de seu relatório.

    Moraes listou e resumiu, passo a passo, a instrução do processo, citando datas de pedidos e decisões, assim como lembrando de oitivas. O ministro destacou que 54 testemunhas foram ouvidas no curso do processo: quatro de acusação e 50 de defesa. Também foi citada a abertura da investigação contra o deputado Eduardo Bolsonaro por tentativa de obstrução da ação penal do golpe.

    Defesas tiveram amplo e integral acesso ao processo, diz Moraes em relatório

  • Lindbergh Farias diz não ver espaço para anistia: "É inconstitucional"

    Lindbergh Farias diz não ver espaço para anistia: "É inconstitucional"

    O líder do PT também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, por declarações favoráveis à anistia

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou nesta terça (2) que não vê espaço para anistia mesmo após o julgamento sobre a trama golpista. Além do petista, outros deputados da base aliada do governo Lula (PT) compareceram ao Supremo Tribunal Federal.

    “A gente não aceita discussão sobre anistia. Esse debate vai existir essa semana, mas vai crescer depois do julgamento. Vi a fala do ministro Barroso, mas pelas decisões que existem no STF não achamos que existe espaço nenhum. É inconstitucional”, afirmou Lindbergh, na entrada do STF para acompanhar o julgamento.

    O deputado também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, por declarações favoráveis à anistia.

    “Tarcísio agora começou a ser o defensor da anistia. A pessoa que diz que vai dar o indulto. No momento em que vai acontecer o julgamento do Supremo, isso parece até provocação. São declarações infelizes.”

    Outros petistas foram às redes sociais na manhã desta terça para comentar o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus da trama golpista.

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) afirmou que o processo representa um “encontro marcado com a democracia” e que a “Justiça terá a palavra final”.

    O líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE), celebrou o julgamento do ex-presidente e declarou: “Ninguém ficará impune por afrontar a democracia e as instituições”.

    A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) disse, ao chegar ao Supremo, que o julgamento da trama golpista no STF é histórico e lição para o mundo. Ela acompanha da corte o julgamento que pode condenar Bolsonaro a mais de 40 anos de prisão. Outros políticos também devem marcar presença.

    Todo processo mostra que tivemos risco irreversível para a democracia no Brasil. () As instituições brasileiras reagiram, povo brasileiro reagiu”, disse a jornalistas ao chegar no local. “É uma lição realmente pro mundo”, completou.
    Ao menos dois deputados do PSOL, Pastor Henrique Vieira (RJ) e Fernanda Melcchiona (RS), também acompanham a sessão na Primeira Turma do STF.

    Os parlamentares que se credenciaram podem comparecer a todos os cinco dias de sessões na Primeira Turma do STF. No plenário do colegiado fracionado, há assentos reservados para os parlamentares que se inscreveram previamente para acompanhar o julgamento.

     

    Lindbergh Farias diz não ver espaço para anistia: "É inconstitucional"

  • Serviços crescem 0,6% e sustentam PIB positivo no 2º trimestre

    Serviços crescem 0,6% e sustentam PIB positivo no 2º trimestre

    O setor é o que mais pesa na economia do lado da oferta, respondendo por quase 70% do cálculo do PIB

    RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O setor de serviços do Brasil avançou 0,6% no segundo trimestre de 2025, na comparação com os três meses imediatamente anteriores.

    É o que apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta terça-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
    O

     resultado dos serviços ficou levemente acima do desempenho da atividade no primeiro trimestre (0,4%).

    O setor é o que mais pesa na economia do lado da oferta, respondendo por quase 70% do cálculo do PIB. Abrange uma ampla variedade de negócios.

    Dentro de serviços, o IBGE apontou crescimento nas seguintes atividades no segundo trimestre: atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,1%), informação e comunicação (1,2%), transporte, armazenagem e correio (1%), outras atividades de serviços (0,7%) e atividades imobiliárias (0,3%).

    Houve estabilidade no comércio (0%) e variação negativa em administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%).

    Em termos gerais, o PIB teve variação de 0,4% no segundo trimestre ante o primeiro. O cálculo indicador também inclui a indústria e a agropecuária.

    Assim como os serviços, a indústria também cresceu no segundo trimestre. A alta foi de 0,5%, após estabilidade (0%) no primeiro trimestre.

    O desempenho positivo na indústria se deve ao crescimento de 5,4% nas indústrias extrativas. Por outro lado, houve retração nas atividades de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-2,7%), indústrias de transformação (-0,5%) e construção (-0,2%).

    Já a agropecuária teve variação negativa no segundo trimestre (-0,1%). O setor havia crescido 12,3% de janeiro a março, quando é registrado o impacto mais intenso da safra de grãos.

    A produção das lavouras fechará o ano em patamares recordes, de acordo com projeções.

    Enquanto isso, serviços e indústria lidam com os efeitos dos juros elevados. A taxa Selic de dois dígitos desafia o consumo e a produção, já que o crédito fica mais caro para famílias e empresas.

    O mercado de trabalho, por outro lado, seguiu mostrando sinais de força no segundo trimestre. A geração de emprego e renda é vista como estímulo para serviços e indústria em meio ao aperto dos juros.

    A taxa de desemprego caiu a 5,8% nos três meses até junho, o menor patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Foi a primeira vez que o indicador ficou abaixo de 6%.

    Serviços crescem 0,6% e sustentam PIB positivo no 2º trimestre

  • Pacificação é desejo de todos nós, mas não se confunde com covardia ou impunidade, diz Moraes

    Pacificação é desejo de todos nós, mas não se confunde com covardia ou impunidade, diz Moraes

    As declarações foram feitas antes de Moraes começar a leitura do relatório da ação penal sobre a trama golpista na manhã desta terça-feira (2)

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), abriu o julgamento da trama golpista com uma fala dura, em que cita “pressões internas ou externas” e tentativas de coação à corte durante o processo contra Jair Bolsonaro (PL) e outros réus.

    Moraes afirmou que a pacificação é um desejo de todos, mas pontuou que esse objetivo depende da aplicação das leis e não pode ser alcançado com covardia ou impunidade. Ele também antecipou sua posição, mais uma vez, do ponto central do julgamento, ao mencionar que houve uma tentativa de golpe de Estado.

    As declarações foram feitas antes de Moraes começar a leitura do relatório da ação penal sobre a trama golpista na manhã desta terça-feira (2), como primeira etapa para o julgamento que vai definir o destino de Bolsonaro e outros sete réus.

    “A pacificação do país depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições, não havendo possibilidade de se confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento, que significa impunidade e desrespeito à Constituição federal. E mais: significa incentivo a novas tentativas de golpe de Estado”, disse.

    Moraes afirmou que o tribunal julga o caso sem interferências e que ignora tentativas de obstrução.

    “Esse é o papel do Supremo Tribunal Federal: julgar com imparcialidade e aplicar a Justiça a cada um dos casos concretos, independentemente de ameaças ou coações, ignorando pressões internas ou externas”, declarou.

    Sem citar nomes ou casos concretos, ele se referiu ao inquérito em que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e outros atores foram indiciados por tentativa de coação.

    “Lamentavelmente, no curso dessa ação penal, se constatou a existência de condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais vista anteriormente em nosso país, passou a agir de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário e, em especial, este Supremo Tribunal Federal e submeter o funcionamento da corte ao ao crivo de outro Estado estrangeiro.”

    O relator antecipou o ponto central da ação, ao afirmar que houve uma tentativa de golpe de Estado, principal acusação que pesa contra os réus.

    “Um país e a Suprema Corte só têm a lamentar que se tenha tentado de novo um golpe de Estado, pretendendo-se um estado de exceção e uma verdadeira ditadura. As instituições mostraram sua força e sua resiliência em que pese uma radical polarização política, todos nós devemos afastar com todas as nossas forças e empenho a tentativa de qualquer quebra da institucionalidade”, disse.

    O ministro também declarou que “a soberania nacional não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida”, por ser um fundamento constitucional.

    “Coragem institucional e defesa da soberania nacional fazem parte do universo republicano dos membros desta Suprema Corte, que não aceitará coações ou obstruções no exercício de sua missão constitucional, conferida soberanamente pelo povo brasileiro, por meio de sua Assembleia Nacional Constituinte”, afirmou.

    A partir de então, Moraes passou a fazer a leitura do relatório do processo, que é o resumo e a descrição das principais informações da ação, incluindo argumentos das partes, provas apresentadas, fatos relevantes e o andamento do caso, como forma de contextualizar o caso e dar transparência a ele.

    Neste ponto, não é usual que o juiz emita suas posições sobre os crimes em análise. Moraes só dará seu voto depois de ouvir a PGR (Procuradoria-Geral da República) e as defesas dos oito réus. A depender do andamento das sessões, é possível que a manifestação de mérito do relator seja dada apenas na próxima semana.

    Aspectos como o caráter novo dos tipos penais em discussão e o estilo e a velocidade impostos pelo relator na condução do processo fazem com que o caso tenha vários elementos inéditos.

    Os componentes práticos, como o volume de materiais reunidos -os dados somam cerca de 80 terabytes- ou o esquema de segurança elaborado para as datas de sessões também representam pontos fora da curva, mesmo na comparação com outros casos rumorosos.

    Desde o início do processo, Moraes tomou decisões que foram questionadas e conduziu com velocidade a para evitar que o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fosse contaminado pelo calendário eleitoral de 2026.

    A denúncia da PGR foi apresentada em 18 de fevereiro. Em março, a Primeira Turma da corte analisou e recebeu a acusação e deu início à tramitação da ação penal.

    Em 2 de junho, o ministro terminou as oitivas das testemunhas do núcleo e, já no encerramento da sessão, marcou para a semana seguinte os interrogatórios dos réus.

    Em um dos pontos de crítica, ele foi apontado como suspeito para relatar e julgar o processo, por ser apontado nas investigações como um possível alvo da organização criminosa.

    Outra forte discordância estava na demora do envio da íntegra do material apreendido pela Polícia Federal aos advogados envolvidos no processo.

    Os advogados de Braga Netto acusaram Moraes de ser parcial e violar prerrogativas da advocacia. “Sua suspeição decorre do fato de a denúncia apontá-lo como a pessoa que seria vitimada pelos denunciados, sendo natural e evidente a contaminação subjetiva do julgador”, dizem nas alegações finais.

    Pacificação é desejo de todos nós, mas não se confunde com covardia ou impunidade, diz Moraes

  • Polícia do Senado faz varredura com cão farejador e agentes usam drone no STF

    Polícia do Senado faz varredura com cão farejador e agentes usam drone no STF

    A denúncia da PGR diz que a organização criminosa foi criada em 29 de julho de 2021; o julgamento só deve acabar em 12 de setembro, após cerca de 36 horas em cinco sessões

    A Polícia do Senado realizou na manhã desta terça-feira, 2, varredura com o apoio de cães farejadores em frente ao prédio da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), conhecido como “igrejinha”. A segurança foi reforçada na área em que serão realizadas as sessões de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus.

    Além da Polícia do Senado, dezenas de agentes da Polícia Judicial estão posicionados nas imediações do Anexo 2 do STF com armas de dissuasão de multidões. Foram convocados policiais que atuam em outros tribunais para reforçar a segurança no STF. A Polícia Judicial realiza concomitantemente varredura aérea com o apoio de drone.

    A área ao redor do Supremo está isolada. Há mais de uma semana toda a segurança do prédio foi reforçada.

    O julgamento de Bolsonaro se inicia nesta terça-feira. A última sessão está marcada para o dia 12.

    Polícia do Senado faz varredura com cão farejador e agentes usam drone no STF

  • 'Só hoje recebi 30 ligações': brasileiros reclamam de telemarketing após fim do 0303

    'Só hoje recebi 30 ligações': brasileiros reclamam de telemarketing após fim do 0303

    Agência aposta na Origem Verificada para autenticação de chamadas; diferenciar telemarketing de outras ligações ficou mais difícil sem identificação

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A retirada da obrigatoriedade do prefixo 0303 para ligações de telemarketing acendeu o alerta entre consumidores, que dizem já ter notado aumento de chamadas indesejadas, insistentes e difíceis de bloquear. O recurso, adotado em 2022, ajudava a identificar ofertas de produtos ou serviços antes mesmo de atender.

    Sem ele, as ligações voltam a ser feitas de números comuns, com DDD e nove dígitos, dificultando saber se é um contato legítimo ou telemarketing. “Só hoje recebi 30 ligações de números diferentes, que meu celular ainda não reconhece como spam”, afirma a dona de casa Shaianne Santos da Silva, 31.

    Autista, assim como o filho, ela diz que precisa estar sempre atenta ao telefone para acompanhar chamadas da escola e da clínica onde faz tratamento. “Cada vez que o celular toca meu coração acelera. Detesto ligações, me deixam desconfortável.”

    Em substituição ao 0303, empresas contratantes de serviços de telecomunicações que fizerem mais de 500 mil ligações por mês são obrigadas a utilizar a autenticação da chamada -que permite o rastreio pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). O sistema faz parte do Origem Verificada e serve para a prevenção a fraudes, uma das frentes que a agência promete priorizar.

    Luciana do Rocio Mallon, 51, vendedora e professora de dança, viu sua rotina profissional ser prejudicada. “Perdi ligações de freguesas por medo de telemarketing e trotes”, afirma. Para evitar cair em golpes, deixou de atender chamadas de números desconhecidos. “Só que muitas clientes ligaram para mim e eu não atendi.”

    O bartender Marcelo de Oliveira Azevedo, 37, diz que o fim da obrigatoriedade do 0303 coincidiu com um aumento expressivo de chamadas oferecendo produtos que não havia solicitado -no caso dele, um cartão de crédito. “Parece que as empresas dobraram a aposta. É um verdadeiro assédio”, afirma.

    “Nas últimas semanas, tenho recebido ligações de um jeito que, posso afirmar tranquilamente, nunca antes na minha vida aconteceu”, comenta.

    Já Luiz Brito, 30, publicitário, utiliza ferramentas de bloqueio do celular e chegou a se cadastrar no “Não Me Perturbe” da Anatel, mas diz que ainda recebe ligações. “Algumas vezes, ao retornar, o número nem existe. É muito inseguro”, diz.

    A plataforma é uma base de cadastro com mais de 13,5 milhões de números. Segundo a Anatel, ela funciona apenas para barrar ligações de operadoras de telecomunicações e crédito consignado, e não para as demais.

    Os Procons (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) regionais também costumam ter suas próprias bases de cadastro, sob o nome de “Não Me Ligue”. Em São Paulo, a plataforma acumula 443 mil reclamações e 3,5 milhões de telefones cadastrados até julho deste ano.

    Para a advogada Camila Leite Contri, coordenadora do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), os avanços na prevenção de chamadas de spam não foram suficientes.

    “O Brasil é tetracampeão mundial no recebimento de contatos abusivos. Tivemos medidas paliativas, como o 0303, mas precisamos de soluções estruturais. A mais eficaz seria o consentimento prévio do consumidor, como já ocorre na Espanha”, diz.

    “O prefixo [0303] era uma tentativa importante de garantir o direito à informação, embora houvesse descumprimentos. Revogar não resolve, o consumidor continua desprotegido, sem saber como seus dados são obtidos e expostos a riscos.”

    ORIGEM VERIFICADA PROMETE SUBSTITUIR PREFIXO 0303

    Thiago Oliveira, CEO da Ótima Digital, que atende empresas para distribuir mensageria desde 2001, explica que o Origem Verificada é baseado no protocolo internacional stir shaken, que autentica chamadas em milésimos de segundo. “O que ele faz é garantir que quem está ligando realmente é dono daquela linha. Assim, evita-se que golpistas se passem por grandes marcas”, afirma.

    Outro elemento do Origem Verificada, além da autentificação, seria a identificação da chamada, que mostra o nome, logo e motivo da ligação. Este ponto, porém, ainda não é obrigatório para as operadoras.

    Segundo Oliveira, o modelo de identificação é mais eficiente e amigável para as companhias do que o prefixo. “O 0303 acabou ficando rotulado como telemarketing. As empresas não usavam ou burlavam. Já o Origem Verificada pode até fortalecer a imagem de quem trata bem seus clientes, porque a marca aparece claramente no celular.”

    Ele defende a importância do setor para a economia. “Muitas famílias dependem do telemarketing. O setor movimenta o Brasil”, diz. Para ele, ao colocar no mesmo pacote fraudes, televendas e telecobranças, a Anatel acaba penalizando empresas que prestam serviços legítimos, como a intermediação de dívidas.

    “Essas empresas ajudam milhões de pessoas a negociar e resolver pendências financeiras. Quando são tratadas da mesma forma que golpes ou spam agressivo, todos perdem. Consumidores, companhias e a economia”, afirma Oliveira.

    A Anatel diz que atua intensamente no combate às chamadas inoportunas desde 2019, com a adoção de diversas ações para combater práticas inadequadas. Estima-se que cerca de 209,65 bilhões de ligações deixaram de ser geradas na rede das prestadoras monitoradas, representando uma redução de mais de mil chamadas para cada brasileiro, de acordo com a agência reguladora. .

    'Só hoje recebi 30 ligações': brasileiros reclamam de telemarketing após fim do 0303