Categoria: Uncategorized

  • Tarcísio é criticado por promessa de indultar Bolsonaro em primeiro ato

    Tarcísio é criticado por promessa de indultar Bolsonaro em primeiro ato

    Uma suposta anistia que seria dada por Tarcísio de Freitas, caso fosse eleito presidente, é apontada como uma afronta ao apelo popular que é contra ao Estado em conceder um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A defesa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a Jair Bolsonaro (PL), com a promessa de conceder um indulto ao ex-presidente caso seja eleito à Presidência da República, virou uma munição para a esquerda explorar em uma eventual campanha do governador de São Paulo ao Palácio do Planalto em 2026.

    Segundo parlamentares e dirigentes do PT e do PSOL, partidos de oposição ao governo Tarcísio no estado, a promessa do governador atenta contra a vontade popular, soa como admissão de culpa e o coloca na mira de bolsonaristas mais radicais, contrários à ideia de uma possível candidatura do ex-ministro de Bolsonaro.

    “Na hora. Primeiro ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, disse Tarcísio na sexta-feira (29) ao ser questionado se concederia o indulto a Bolsonaro.

    Em junho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que, para receber o apoio do pai, um presidenciável deveria não só conceder indulto a ele, mas brigar com o STF (Supremo Tribunal Federal) por isso, se necessário.

    Os partidos de esquerda calculam que a promessa pode gerar um desgaste para Tarcísio entre eleitores mais ao centro no espectro político, já que o último Datafolha mostrou que 61% dos brasileiros não votariam em um candidato que prometesse livrar Bolsonaro de punições pela atuação na trama golpista.

    Para a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, a promessa de Tarcísio, apesar do que foi mostrado pela pesquisa, “demonstra sua completa desconexão com as preocupações da população brasileira”.

    “Declarações como essa revelam que seu principal objetivo é se consolidar como o candidato do bolsonarismo, custe o que custar. Isso faz com que a fachada de moderado desmorone, expondo sua verdadeira face: a de um político autoritário, com claro desprezo pela democracia”, disse à reportagem.

    Já o líder da bancada do PT na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), Antônio Donato (PT), disse que “quanto mais subserviente a Bolsonaro, mais Tarcísio se apequena”.

    Na rede social X, ex-Twitter, dois dos ministros de Lula fizeram críticas à fala de Tarcísio. Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) apresentou a tese de que falar em indulto seria uma forma de admitir que Bolsonaro teria, de fato, cometido os crimes pelos quais é investigado -algo que o ex-presidente nega.

    “Ao anunciar que seu primeiro ato se fosse presidente seria indultar Bolsonaro, Tarcísio confirma que seu chefe é culpado e que eles não respeitam o estado de direito nem a Justiça”, escreveu Gleisi no domingo (31).

    O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) disse que a declaração “é só mais um pedágio que ele [Tarcísio] paga para a família Bolsonaro”.

    Embora negue publicamente interesse em disputar a Presidência no próximo ano, Tarcísio vem sendo tratado como presidenciável por aliados, empresários e presidentes de partidos de direita e centro-direita. Em uma conversa com banqueiros em julho, ele já havia admitido a possibilidade de indultar Bolsonaro caso fosse eleito presidente.

    O governador já anunciou ao seu entorno que só sairá candidato ao Palácio do Planalto caso Bolsonaro peça. No entanto, o fato de ser tratado como presidenciável por diversos setores tem levantado criticas de bolsonaristas radicais, a começar por Eduardo, filho de Bolsonaro, que busca ser o candidato da direita à Presidência na ausência do pai -que está inelegível, em prisão domiciliar e prestes a ser julgado pela trama golpista.

    “Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF”, escreveu Eduardo a Jair, em troca de mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente. Na mesma troca de mensagens, o filho do ex-presidente diz que o governador está “se aquecendo para 2026”.

    Eduardo também disse ao pai que trabalhou para desfazer a “ideia plantada” por aliados do governador paulista de que “Tarcísio = Bolsonaro.

    Para parlamentares e dirigentes da esquerda, o fato de o governador paulista prometer o indulto, apesar de soar como apoio ao ex-presidente, pode servir para inflamar ainda mais bolsonaristas descontentes com o posto de herdeiro político de Bolsonaro ao qual Tarcísio é alçado.

    Tarcísio é criticado por promessa de indultar Bolsonaro em primeiro ato

  • Stellantis anuncia recall de Peugeot, Fiat e Citroën; veja os modelos

    Stellantis anuncia recall de Peugeot, Fiat e Citroën; veja os modelos

    Modelos da Peugeot Citroën terão troca do corpo do coletor de admissão No caso do Fiat Titano, há risco de princípio de incêndio, acionamento de airbag e acidente fatal

    (FOLHAPRESS) A Stellantis anunciou um recall no Brasil para modelos da Peugeot, Fiat e Citroën. Nos veículos da Citroën (Basalt e C3 Aircross, ano/modelo 2025) e da Peugeot (2008, ano/modelo 2025), o problema está relacionado à possibilidade de obstrução no coletor de admissão.

    Segundo a montadora, a falha pode causar a evaporação de gases e, em casos extremos, resultar em não conformidade com as normas vigentes. Para esses modelos, será feita a substituição do corpo do coletor de admissão.

    No caso da Fiat, no modelo Titano (anos/modelo 2024 e 2025), a falha está ligada à possibilidade de atrito do chicote central dianteiro com o suporte do painel de instrumentos. De acordo com a Stellantis, isso pode gerar princípio de incêndio e acionamento involuntário do airbag lateral e do airbag de cortina do lado do passageiro, aumentando o risco de acidentes, com danos materiais, ferimentos graves ou até fatais aos ocupantes.

    Nessa situação, será feita a instalação de proteção no chicote central dianteiro e, se necessário, a sua reparação. Desde segunda-feira (25), os proprietários já podem agendar o atendimento em uma das concessionárias da rede da marca de seu veículo.

    Citroën Basalt Feel, modelo de entrada do Bassalt Divulgação Um carro SUV vermelho está estacionado em uma área externa, com vegetação ao fundo. O veículo possui um design moderno, com linhas suaves e rodas de liga leve. O céu está claro e ensolarado, proporcionando uma boa iluminação para a imagem. ** Todos os serviços serão realizados mediante agendamento prévio.

    Por esse motivo, o consumidor deve contatar a concessionária de sua preferência para ser informado sobre a previsão do seu atendimento.

    Para os modelos da Citroën e da Peugeot, o tempo estimado de reparo é de quatro horas, enquanto para o modelo da Fiat o conserto deve ser feito em aproximadamente uma hora.

    “Com esta iniciativa, a Stellantis visa assegurar a satisfação dos seus clientes, garantindo a qualidade, a segurança e a confiabilidade dos veículos da marca”, diz a montadora.

    Lista – CHASSIS ENVOLVIDOS

    PEUGEOT

    Os chassis envolvidos (não sequenciais) são os de final SG559007 a SG576773.
    Para obter mais informações, a Stellantis indica o acesso ao site da Peugeot ou o contato ao SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente), pelo telefone 0800 703 24 24, de segunda a sexta-feira das 8h às 20h.
    CITROËN

    Os últimos oito números de chassis envolvidos (não sequenciais) são SB547003 a SB547150 para o Basalt e SB546266 a SB546303 para o Aircross.

    Outras informações podem ser obtidas pelo site da Citroën ou pelo SAC por meio do telefone 0800 011 8088, de segunda a sexta-feira das 8h às 20h.

    FIAT

    Os chassis envolvidos (não sequenciais) são os de final RA805001 a SA818961.

    Para obter mais informações, os consumidores devem acessar o site da Fiat ou contatar a Central de Serviços ao Cliente Fiat pelo WhatsApp (31) 2123 6000 ou pelo telefone 0800 707 1000.

    Stellantis anuncia recall de Peugeot, Fiat e Citroën; veja os modelos

  • Motta nega que Lula tenha falado sobre cassação de Eduardo Bolsonaro

    Motta nega que Lula tenha falado sobre cassação de Eduardo Bolsonaro

    Eduardo tirou licença de 120 dias do mandato e viajou, em março, para os Estados Unidos, de onde articula punições a autoridades brasileiras com o objetivo de anistiar o pai

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou, nesta segunda-feira (1º), que tenha falado com o presidente Lula (PT) a respeito da cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que está autoexilado nos Estados Unidos.

    “Tenho uma ótima relação com o presidente Lula. Todas as vezes em que nos encontramos, tratamos de diversos assuntos de interesse do país, mas esse especificamente não foi um assunto tratado entre nós. Até porque, quando o presidente da Câmara encontra o presidente da República, existem outras pautas muito mais importantes a serem tratadas”, disse em evento no Recife ao jornalista Ricco Viana.

    A informação de que a cassação de Eduardo tratada por eles foi dada pelo próprio presidente Lula, na sexta-feira (29). A Folha de S.Paulo já havia adiantado que o petista defendeu a cassação do filho do ex-presidente em dois encontros com Motta.

    “Eu já falei com o presidente Hugo Motta, já falei com vários deputados que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro, porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país”, disse Lula em entrevista à rádio Itatiaia.

    Ainda no Recife, Motta afirmou que a anistia, pauta defendida pelos bolsonaristas, segue em discussão como outras pautas na Casa.

    “Nós temos procurado decidir a favor de pautas que possam dialogar com o momento, mas acima de tudo com a necessidade do nosso país, então vamos continuar tratando a pauta com o respeito devido e, no momento certo, nós vamos deliberar sobre esses assuntos”, disse.

    Na última sexta, Eduardo enviou um ofício a Motta em que pede para exercer seu mandato à distância na tentativa de evitar sua cassação por faltas. Segundo o deputado, sua permanência no exterior é forçada e se deve a perseguições políticas.

    Eduardo tirou licença de 120 dias do mandato e viajou, em março, para os Estados Unidos, de onde articula punições a autoridades brasileiras com o objetivo de anistiar o pai, que começará a ser julgado pelo Supremo nesta terça-feira (2).

    A licença terminou em 20 de julho e, desde então, Eduardo tem faltado às sessões plenárias. A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano, salvo licença ou missão oficial.

    Porém, como mostrou a Folha de S.Paulo, Eduardo não perderá o mandato em 2025 por excesso de faltas mesmo que deixe de comparecer sem justificativa a todas as sessões até o fim do ano. A punição só é possível a partir de março de 2026, quando a Câmara analisa as faltas do ano anterior.

    No último dia 20, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro sob suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista, em curso no STF. No ofício, o deputado diz que o indiciamento é indevido e se deu “em razão da atividade parlamentar legítima que exerço no exterior”.

    O presidente da Câmara já afirmou que Eduardo Bolsonaro terá o mesmo tratamento que qualquer outro deputado na análise sobre sua cassação.

    No último dia 15, Motta enviou quatro denúncias contra Eduardo, que estavam paradas na Mesa Diretora, para o Conselho de Ética, seguindo o trâmite regular da Casa. Motta também vinha criticando Eduardo Bolsonaro em entrevistas à imprensa.

    “Não posso concordar com a atitude de um parlamentar que está fora do país, trabalhando muitas vezes para que medidas tragam danos à economia do país [de origem]. Isso não pode ser admitido”, afirmou, referindo-se ao tarifaço, em entrevista à Veja.

    Motta nega que Lula tenha falado sobre cassação de Eduardo Bolsonaro

  • UE fatia acordo com Mercosul e deve apresentá-lo nesta semana

    UE fatia acordo com Mercosul e deve apresentá-lo nesta semana

    O acordo UE-Mercosul, gestado há mais de duas décadas, criaria um mercado de 750 milhões, responsável por um quinto do comércio global

    BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – A Comissão Europeia deve apresentar nesta semana o rascunho do acordo União Europeia-Mercosul nove meses após a sua assinatura, com a parte comercial destacada de outros itens do tratado, para superar resistências. Salvo recuos de última hora, o documento revisado e traduzido para as 24 línguas oficiais do bloco dará início ao processo de ratificação do tratado que, neste ano, ganhou ainda mais importância após Donald Trump decidir impor seu tarifaço ao planeta.

    Na quarta-feira (3), a intenção da Comissão é apresentar o documento ao Colégio de Comissários, órgão responsável pelo Orçamento da UE e por propor legislações. Além do acordo com os países sul-americanos, o órgão deve receber também uma proposta de livre comércio semelhante com o México.

    A Comissão Europeia não confirmou a apresentação do projeto, mas ela é dada como certa pela imprensa europeia e por diplomatas.

    O que estará em análise é a parte comercial do acordo, manobra que permitirá uma tramitação mais simples, dependente apenas de maioria qualificada. Isso significa aprovação no Conselho Europeu por ao menos 15 dos 27 ministros de países-membros representando o equivalente a 65% da população. Depois, no Parlamento Europeu, uma maioria simples seria suficiente.

    Se os tópicos do acordo fossem integralmente a debate, a legislação teria que passar pelos Parlamentos de cada nação da UE, algo inviável na atualidade.

    A França lidera uma pequena e barulhenta oposição ao acordo, preocupada com a repercussão do tratado em sua política interna. Os ruralistas franceses tratam o tema como questão existencial e preveem uma enxurrada de produtos sul-americanos no mercado europeu, o que Bruxelas nega que irá ocorrer -há um mecanismo de quotas em tese projetado para preservar os produtores locais.

    Com forte influência sobre os deputados, à semelhança do que ocorre no Brasil, os fazendeiros chegaram a obter da Assembleia Nacional francesa uma reprovação simbólica do acordo com o Mercosul, dias antes da assinatura do documento no Uruguai, em dezembro do ano passado. Meses depois, em abril, após encontro com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seu colega francês, Éric Lombard, amenizou o discurso para dizer que o país continuava contra o acordo, apesar de entendê-lo necessário diante da guerra comercial iniciada pelos EUA.

    Emmanuel Macron, que também vocalizou diversas vezes sua oposição ao tratado, inclusive para o governo brasileiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discutiu o tema na última sexta-feira (29) com Friedrich Merz.

    O presidente francês recepcionava o premiê alemão em Toulon. Na entrevista coletiva que concederam juntos, falaram de segurança europeia, a defesa nuclear do continente, as negociações de paz na Ucrânia e da guerra comercial com os EUA. O assunto Mercosul passou ao largo, provavelmente pelo fato de França e Alemanha estarem em lados opostos na discussão.

    Caminhando para o terceiro ano de recessão e com um começo de governo impopular em termos domésticos, Merz vem pressionando a UE e economias vizinhas a fechar o máximo de acordos possíveis. Segundo a imprensa europeia, o conservador alemão foi um dos maiores responsáveis pelo acerto ainda precário entre o bloco e Washington tido como muito concessivo aos americanos.

    Um dos setores mais prejudicados pela agressiva política tarifária de Trump é o setor automotivo alemão, que até o ano passado despejava 445 mil veículos no mercado americano, no valor de US$ 24,8 bilhões (R$ 128,6 bilhões). Desde que tomou posse em maio, Merz tem buscado acesso a mais mercados, e o acordo com os países do Mercosul seria um raro momento positivo de sua até aqui contestada política econômica.

    Além da França, a Irlanda também se preocupa com a questão agrária. Outras possíveis adesões à oposição ao projeto, de Holanda, Áustria e Itália, pareciam encaminhadas até o advento do tarifaço de Trump, que embaralhou as prioridades em diversos países europeus.

    A estratégia de Bruxelas de juntar os acordos do Mercosul e o de livre comércio com o México serve para reforçar a argumentação em torno de uma solução pragmática. Por seu turno, o Brasil intensificou a negociação diplomática com a Europa e outros países desde a ofensiva tarifária de Trump em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O acordo UE-Mercosul, gestado há mais de duas décadas, criaria um mercado de 750 milhões, responsável por um quinto do comércio global.

    UE fatia acordo com Mercosul e deve apresentá-lo nesta semana

  • STF começa julgamento sobre trama golpista que deve sacramentar destino de Bolsonaro

    STF começa julgamento sobre trama golpista que deve sacramentar destino de Bolsonaro

    A denúncia da PGR diz que a organização criminosa foi criada em 29 de julho de 2021; o julgamento só deve acabar em 12 de setembro, após cerca de 36 horas em cinco sessões

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começa nesta terça-feira (2) o julgamento sobre a trama golpista de 2022 que pode condenar, pela primeira vez na história do país, um ex-presidente e generais por uma tentativa frustrada de golpe de Estado.

    Jair Bolsonaro (PL) é acusado de ser o líder de uma organização criminosa instalada no Palácio do Planalto que lançou ataques contra as urnas eletrônicas, incitou as Forças Armadas à insurreição e planejou um golpe contra a eleição de Lula (PT) à Presidência da República.

    O julgamento que se inicia nesta semana deve sacramentar um desfecho já considerado certo há meses por ministros do Supremo, advogados dos réus e políticos -a condenação do ex-presidente por crimes contra a democracia.

    Além de Bolsonaro, o banco dos réus conta com sete integrantes da cúpula de seu governo (2019-2022): Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil).

    Todos são acusados dos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.
    No caso de Ramagem, a Câmara suspendeu parte do processo. Ele só deve responder pelos crimes do 8 de Janeiro após o fim de seu mandato parlamentar.

    O julgamento vai se dividir em quatro etapas. Na primeira, o ministro Alexandre de Moraes lerá o relatório do processo. É um relato sobre como se deu cada etapa da instrução penal até o julgamento. Logo depois, começam as sustentações orais. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá duas horas para falar pela acusação, e cada defesa, uma hora para pedir a absolvição dos réus.

    A expectativa é que as duas primeiras etapas tomem os dois primeiros dias de julgamento (2 e 3 de setembro). Na semana que vem, as sessões devem ser retomadas com o voto de Moraes e dos demais ministros da Primeira Turma: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, nesta ordem.

    Depois do voto de cada ministro será discutida a dosimetria das penas. Este será o momento em que os condenados devem descobrir o tempo de prisão a ser cumprido. As penas podem chegar a até 43 anos de reclusão.

    O julgamento só deve acabar em 12 de setembro, após cerca de 36 horas em cinco sessões.

    A denúncia da PGR diz que a organização criminosa foi criada em 29 de julho de 2021. Naquele dia, Bolsonaro reuniu integrantes do governo para fazer uma live nas redes sociais com seu principal ataque contra as urnas eletrônicas.

    Depois, diz Gonet, o ex-presidente prosseguiu com discursos públicos para “inculcar sentimento de indignação e revolta nos seus apoiadores com o propósito de tornar aceitável e até esperável o recurso à força contra um resultado eleitoral em que o seu adversário político mais consistente triunfasse”.

    A denúncia destaca que Bolsonaro exortou à desobediência de decisões judiciais, espalhou informações falsas sobre as eleições, atacou ministros do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e incitou as Forças Armadas contra seus adversários.

    “O que parecia, à época, um lance eleitoreiro, em si mesmo ilícito e causador de sanções eleitorais, mostrou-se, a partir da trama desvendada no inquérito policial, um passo a mais de execução do plano de solapar o resultado previsto e temido do sufrágio a acontecer logo adiante”, diz Gonet na denúncia.

    Bolsonaro acabou derrotado nas eleições de 2022 pelo seu principal oponente, Lula (PT).

    A acusação sustenta que o ex-presidente tentou reverter o resultado eleitoral com uma busca por indícios de fraude nas eleições. O relatório de fiscalização das Forças Armadas não encontrou suspeitas.

    O Partido Liberal tentou anular os votos depositados nas urnas eletrônicas de versão anterior a 2020, sob a falsa justificativa de que havia mau funcionamento. A sigla acabou multada por inépcia da denúncia e falta de indícios.

    Sem sucesso na Justiça Eleitoral, Bolsonaro passou a se reunir com chefes das Forças Armadas para discutir alternativas para reverter a derrota. Em depoimento ao STF, o ex-presidente confirmou que se reuniu com os comandantes militares para estudar “possibilidades outras dentro da Constituição, ou seja, jamais saindo das quatro linhas”.

    “Em poucas reuniões, abandonamos qualquer possibilidade de uma ação constitucional”, disse Bolsonaro. “Abandonamos e enfrentamos o ocaso do nosso governo”.

    Gonet diz que o golpe de Estado só não foi possível graças às recusas dos comandantes do Exército, general Freire Gomes, e da Aeronáutica, Baptista Júnior.

    A última tentativa do grupo de voltar à Presidência, segundo a PGR, foi no ataque às sedes dos Poderes em 8 de janeiro. Ela diz que o episódio foi “fomentado e facilitado pela organização denunciada”.

    A defesa do ex-presidente nega a trama golpista. Diz que a Procuradoria inventou uma narrativa que ganhou a imprensa e resultou em um “processo tão histórico quanto inusitado.

    Os advogados de Bolsonaro dizem que a acusação não conseguiu reunir provas sobre as minutas de decreto golpistas nem estabelecer vínculos concretos entre o ex-presidente e os ataques de 8 de janeiro.

    “Não há como condenar Jair Bolsonaro com base na prova produzida nos autos, que demonstrou fartamente que ele determinou a transição, evitou o caos com os caminhoneiros [que bloquearam estradas após sua derrota eleitoral] e atestou aos seus eleitores que o mundo não acabaria em 31 de dezembro, que o povo perceberia que o novo governo não faria bem ao país”, diz a defesa em suas alegações finais.

    STF começa julgamento sobre trama golpista que deve sacramentar destino de Bolsonaro

  • Dólar opera em alta e vai a R$ 5,44 nesta segunda-feira (1º)

    Dólar opera em alta e vai a R$ 5,44 nesta segunda-feira (1º)

    A Bolsa, que bateu o recorde histórico nominal de fechamento do Ibovespa aos 141.422 pontos na última sexta-feira (29), hoje recuou 0,34%, a 140.945 pontos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar opera em leve alta nesta segunda-feira (1º), com os investidores esperando a divulgação dos dados do PIB e também o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos estão previstos para ocorrer nesta terça-feira (2).

    Às 14h40, a moeda norte-americana subia 0,43%, cotada a R$ 5,4454. Na sexta-feira (29), o dólar fechou com alta de 0,29%, cotado a R$ 5,421. Já a Bolsa bateu o recorde histórico nominal de fechamento do Ibovespa ao fechar aos 141.422 pontos, uma alta de 0,36%.

    Nesta segunda, o Ibovespa recuava 0,34%, a 140.945 pontos.

    O volume de negociação deste pregão é reduzido, por conta do feriado do dia do Trabalho nos Estados Unidos.

    No entanto, investidores acompanham a guerra comercial de Donald Trump. Desta vez, as investidas são sobre a Índia.

    “Eles nos vendem grandes quantidades de produtos, seu maior ‘cliente’, mas nós vendemos muito pouco a eles. Até agora, um relacionamento totalmente unilateral, e tem sido assim há muitas décadas”, postou Trump em sua rede social, nesta segunda.

    O governo americano também enfrenta a Justiça do país, que julgou a maior parte das tarifas como ilegais.

    No cenário doméstico, o mercado permanece atento ao cenário eleitoral. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputam quem irá capitalizar politicamente a megaoperação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) da última quinta.

    A operação mirou mais de 350 alvos, pessoas físicas e jurídicas, que são utilizadas pelo PCC em operação do mercado financeiro formal.

    Pelas estimativas dos investigadores, o conjunto de negócios que foi alvo da operação movimentou cerca de R$ 30 bilhões para o crime organizado. Os agentes têm mandados para bloquear R$ 1,4 bilhão.

    Nesta sexta, em entrevista à rádio Itatiaia, o presidente Lula afirmou que Tarcísio não seria nada sem Jair Bolsonaro (PL) e que fará o que o ex-presidente quiser.

    “Nós temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor de extrema direita muito forte. O Tarcísio vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Até porque, sem o Bolsonaro, ele não é nada. Ele sabe disso”, afirmou Lula na entrevista.

    Pesquisa Atlas/Intel da última quinta mostrou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um cenário hipotético de segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

    O levantamento realizado pela Atlas/Intel indica Tarcísio marcando 48,4% contra 46,6% de Lula na disputa presidencial do ano que vem.

    Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o ritmo é de otimismo com a candidatura de Tarcísio, visto como mais pró-mercado. “Segue o bom momento da Bolsa com o Tarcísio. O mercado já começa a antecipar as eleições do ano que vem, e podemos esperar a volatilidade em cima dessas pesquisas que se tornarão mais recorrentes”.

    O impasse comercial envolvendo Brasil e EUA também permaneceu no radar. Os canais de conversa entre os países para negociar a tarifa de 50% imposta por Washington sobre produtos brasileiros continuam fechados.

    O presidente Lula (PT) autorizou no final da ultima quinta (28) que o Itamaraty dê início ao processo para adoção de medidas da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos.

    A pasta comandada pelo ministro Mauro Vieira acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que tem 30 dias para analisar os argumentos sobre a legalidade de acionar instrumentos de retaliação.

    Além disso, há um temor de que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado para a próxima semana, intensifique as tensões entre os países.

    Integrantes do governo Lula (PT) e do STF (Supremo Tribunal Federal) consideram real a possibilidade de Trump aplicar novas sanções econômicas contra o Brasil e outras restrições a autoridades do país com o julgamento de Bolsonaro.

    Na cena internacional, o destaque ficou para a inflação dos EUA, medida pelo índice de preços PCE, métrica preferida do Fed (Federal Reserve, banco central americano) para sua meta inflacionária de 2%.

    Segundo o Departamento de Comércio dos EUA nesta sexta, o PCE subiu 0,2% em julho na comparação com o mês anterior, após registrar alta de 0,3% em junho. Nos 12 meses até julho, o índice PCE avançou 2,6%, igualando o resultado de junho.

    Os dados fizeram com que operadores aumentassem de 85% para 90% a probabilidade de que o Fed iniciará uma série de cortes graduais na taxa de juros em setembro.

    Jerome Powell, presidente do BC americano, sinalizou um possível corte durante discurso na última sexta. O Fed vem mantendo a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% desde dezembro do ano passado.

    Para os mercados de renda variável e de câmbio, cortes nos juros do Fed são uma boa notícia, já que costumam vir acompanhados de uma injeção de recursos de investidores egressos da renda fixa norte-americana. Quando os juros por lá caem, os rendimentos dos títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos também caem.

    Entretanto, para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a resistência da economia norte-americana, com inflação persistindo acima da meta, sinaliza para um ritmo mais lento de cortes na taxa.

    “Juros mais altos nos Estados Unidos exercem uma pressão de alta sobre a taxa de câmbio do real, o que favorece o valor global do dólar”.

    Os agentes também continuaram monitorando os desdobramentos da demissão de Lisa Cook, do Fed. Segundo analistas, a tentativa de Trump demitir a diretora gera incertezas sobre a autonomia da autoridade monetária americana.

    Na quinta, a diretora entrou com uma ação judicial contra presidente Donald Trump, alegando que o republicano não tem poder para destituí-la do cargo.

    Uma juíza federal avaliou nesta sexta-feira (29) a possibilidade de bloquear temporariamente a demissão de Cook. A audiência judicial terminou sem decisão.

    A audiência perante a juíza distrital dos EUA Jia Cobb, em Washington, é o primeiro passo do que provavelmente será uma batalha judicial prolongada que poderá acabar com a independência histórica do banco central dos EUA e provavelmente será resolvida pela Suprema Corte.

    Dólar opera em alta e vai a R$ 5,44 nesta segunda-feira (1º)

  • Haddad: lei de reciprocidade prevê criação de comissão, que dirá o que convém ao Brasil fazer

    Haddad: lei de reciprocidade prevê criação de comissão, que dirá o que convém ao Brasil fazer

    Haddad destacou que a Lei da Reciprocidade prevê a instalação de uma comissão que observará o que convém ao Brasil fazer em relação a casos de comércio internacional

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou no período da noite do domingo, 31, que a Lei da Reciprocidade prevê a instalação de uma comissão que observará o que convém ao Brasil fazer em relação a casos de comércio internacional, como, por exemplo, o tarifaço dos Estados Unidos e a abertura de uma investigação sobre as atividades domésticas no setor.

    Na sexta-feira, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) registrou que a comunicação de abertura do processo de reciprocidade do Brasil para os Estados Unidos foi enviada oficialmente ao governo norte-americano pela embaixada do País em Washington. Com isso, foi aberto o espaço para consultas e trocas de informações entre os países sobre práticas comerciais.

    “Quais são os instrumentos que nós temos na nossa situação? Qual é a conveniência e até a oportunidade de fazer o trabalho?”, questionou o ministro, simulando as perguntas da comissão.

    Haddad ressaltou que a lei foi aprovada no Congresso pela situação e a oposição. “O próprio partido do (ex-presidente, Jair) Bolsonaro, o do governador de São Paulo (Tarcísio Freitas), votou a favor da lei de reciprocidade. Ela tem que ser cumprida porque o presidente exigiu”, frisou.

    O ministro voltou a dizer que não houve, da parte dos Estados Unidos, nenhuma manifestação de vontade de negociação.

    “Acredito que, depois das revelações da queda do sigilo, os Estados Unidos não vão fingir que não viram. Uma embaixada tem que informar ao chefe de Estado o que está acontecendo aqui. A embaixada, o secretário de Estado, vai ter que informar a Casa Branca o que está acontecendo aqui. E eu penso que aquela troca de mensagens, entre os filhos, o pai, de maneira como eles retratam a situação, eu penso que aquilo já deve ter chegado ao governo dos Estados Unidos, ao alto comando do governo”, disse Haddad, sobre conversas divulgadas entre membros da família Bolsonaro, inclusive do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os EUA, com o pai. “Se eu conheço bem ali, o Estado vai começar a operar no sentido de distensionar. Está muito grave o que está acontecendo. Inclusive, tem frases do Eduardo Bolsonaro que indicam uma tentativa de manipulação para as autoridades americanas por meio de desinformação. Então, ali tem indícios de que o governo dos Estados Unidos não está bem informado sobre o que está acontecendo aqui”, continuou, acrescentando que o Brasil não tem alternativas como a Lei e a entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque não cederá a chantagens.

    O ministro da Fazenda concedeu entrevista ao programa Canal Livre, da Band, que foi exibido na noite do domingo. Mais cedo, no mesmo dia, o Broadcast adiantou alguns trechos da apresentação, quando o ministro falou sobre juros e a Operação Carbono Oculto contra o crime organizado.

    Haddad: lei de reciprocidade prevê criação de comissão, que dirá o que convém ao Brasil fazer

  • Veja glossário para entender julgamento do STF sobre trama golpista e Bolsonaro

    Veja glossário para entender julgamento do STF sobre trama golpista e Bolsonaro

    Veja o glossário que explica os termos mais importantes para entender o caso e as expressões jurídicas que devem aparecer nas falas do advogados, do PGR e ministros do STF

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O julgamento do núcleo crucial da trama golpista começará nesta terça-feira (2) e deve durar até 12 de setembro, último dia com sessões reservadas pelo presidente da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin. O tribunal vai analisar a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus.

    O glossário abaixo explica os termos mais importantes para entender o caso e as expressões jurídicas que devem aparecer nas falas do advogados e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e nos votos dos ministros.
    ABOLIÇÃO VIOLENTA DE ESTADO DE DIREITO

    Um dos cinco crimes dos quais os réus do núcleo crucial são acusados. Previsto no artigo 359-L do Código Penal, passou a vigorar em 2021 em substituição aos crimes previstos na Lei de Segurança Nacional, editada no regime militar. Pune a tentativa de impedir o funcionamento dos Poderes.

    AÇÃO PENAL 2668

    Número de identificação do processo no qual são investigados e julgados os réus do núcleo crucial da trama golpista.

    ARREPENDIMENTO EFICAZ

    Ocorre quando, após executar os atos necessários para cometer um crime, o sujeito agiu para evitar que o mesmo seja consumado.

    ARTIGO 142

    Trecho da Constituição que define o papel das Forças Armadas. Segundo o artigo, Exército, Marinha e Aeronáutica são subordinadas ao presidente da República e servem para garantir a defesa da pátria, dos Poderes, da lei e da ordem. A leitura, rechaçada pelo STF e pela maioria dos juristas, de que artigo permitiria que as Forças atuassem como poder moderador foi usada por bolsonaristas como argumento para pedir intervenção militar.

    ATOS EXECUTÓRIOS

    Termo deve ser usado nos debates sobre a configuração de uma tentativa de ruptura institucional. Os executórios têm início no momento em que também se inicia a agressão ao bem jurídico protegido -no caso da trama golpista, o Estado democrático de Direito, por exemplo.

    As ações praticadas nessa etapa são aquelas que estão descritas nos artigos de cada crime. No caso do homicídio, por exemplo, é quando o assassinato da vítima começa a ser executado. A divisão entre o fim da preparação e o início da execução é um tema sempre muito debatido entre acusação e defesa.

    ATOS PREPARATÓRIOS

    São aqueles praticados pelo autor ou acusado antes que comece a executar qualquer dano ao bem jurídico protegido pelo crime em questão, como vida, honra, integridade física etc. Inclui a organização do plano e a aquisição de armas, por exemplo. Geralmente, essa etapa também não é passível de punição.

    COGITAÇÃO (‘COGITATIO’)
    Quando o autor ou suspeito de um crime apenas pensa sobre cometê-lo, mas não atua nesse sentido. Essa etapa não é punida pelo direito penal brasileiro.

    COPA 2022
    Dois elementos da investigação da trama golpista receberam o nome de “Copa 2022”. Esse era o nome de grupo criado no aplicativo de mensagens Signal para monitorar os alvos do plano de assassinato de autoridades descoberto pela Polícia Federal. Os participantes utilizavam nomes de países (Alemanha, Áustria, Brasil, Argentina, Japão e Gana) para não serem identificados. E Copa 2022 também é o nome de um documento protegido por senha que o “kid preto” Rafael Martins Oliveira enviou por WhatsApp a Mauro Cid. Segundo a PF, tratava-se de uma estimativa de gastos do plano Punhal Verde Amarelo.

    CRIME MULTITUDINÁRIO
    Também chamado de “crime de multidão”, foi a categoria usada na investigação e no julgamento dos envolvidos no 8 de Janeiro. É praticado por um grupo de pessoas envolvidas em situações de confusão. Nesses casos, não é necessária a descrição individualizada e minuciosa de cada ato praticado por cada envolvido.

    DANO QUALIFICADO
    O artigo 163 do Código Penal pune danos causados ao patrimônio de terceiros. A PGR acusa os envolvidos na trama golpista de praticar esse crime por insuflarem os participantes dos acampamentos bolsonaristas contra a ordem democrática, o que culminou no 8 de Janeiro. Se condenados, podem ser punidos com até três anos de detenção, além de multa.

    DELAÇÃO PREMIADA
    Regulamentada em 2013 pela Lei de Organizações Criminosas, é um meio de obtenção de provas no processo penal brasileiro e também recebe o nome de colaboração premiada. Nele, o juiz concede benefícios ao réu, como redução do tempo de pena ou mesmo perdão judicial, em troca de informações úteis para o processo. No caso da trama golpista, o delator é o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

    DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA
    Ocorre quando, durante os atos executórios, o autor do crime muda de ideia antes de concluir a ação. Para não acarretar punição, essa interrupção deve ocorrer sem interferência de terceiros.

    DETERIORAÇÃO DE PATRIMÔNIO TOMBADO
    Crime muito semelhante ao dano qualificado. A principal diferença é o objeto danificado que, neste caso, deve ser um patrimônio tombado. A pena de reclusão máxima é um pouco menor, chegando a dois anos. Está previsto no artigo 165 do Código Penal.

    ESTADO DE DEFESA
    A Constituição prevê que pode ser decretado pelo presidente da República após consulta aos Conselhos da República e de Defesa Nacional. O Congresso tem 24 horas para ratificar a decisão, que deve ser motivada por grave instabilidade institucional ou catástrofes naturais. O local onde será estabelecido o estado de defesa é determinado e restrito. Uma das versões de minuta golpista, encontrada com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, previa a instauração de estado de defesa na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

    ESTADO DE SÍTIO
    A Constituição prevê que tem prazo prorrogável de 30 dias e depende do aval do Congresso para ser decretado, o que pode acontecer caso o estado de defesa seja insuficiente. Pode ser instaurado durante conflito armado com país estrangeiro. Possibilita a adoção de medidas contra cidadãos que incluem requisição de bens e proibição do direito de reunião.

    GLO (GARANTIA DE LEI E DA ORDEM)
    Medida que dá às Forças Armadas poder de polícia em uma determinada unidade da federação quando as forças de seguranças estaduais ou distritais não são eficazes ou passam por crise. É uma prerrogativa do presidente, que deve editar um decreto de GLO.

    GOLPE DE ESTADO
    Um dos cinco crimes imputados aos réus pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Vigora desde 2021 e está previsto no artigo 359-M do Código Penal. A diferença em relação ao crime de tentativa de abolição do Estado de Direito é que, neste caso, há tentativa de impedir posse de governo eleito. A pena mínima para os dois crimes é de quatro anos. As penas máximas, por sua vez, vão até 12 anos para a tentativa de golpe e oito para a tentativa de abolir o Estado de Direito.

    ‘ITER CRIMINIS’
    Termo em latim que significa “caminho do crime”. No direito penal, designa o conjunto de etapas do cometimento ou não de um crime. A sucessão de fatos descritos vai desde o momento em que o autor cogita praticar o delito até a consumação.

    KIDS PRETOS
    Nome pelo qual são conhecidos os integrantes de divisão militar também chamada de “forças especiais”. Eles formam a tropa de elite do Exército e são especialistas em operações como infiltração em território inimigo e na formação de leigos em combatentes. O apelido tem origem na farda da divisão, que inclui um gorro preto. Com exceção de Mário Fernandes, todos os militares acusados de envolvimento no plano para matar Lula, Alckmin e Moraes eram “kids pretos”.

    LEI MAGNITSKY
    Lei dos Estados Unidos usada para aplicar sanções contra atores políticos que tenha violado direitos humanos ou praticado corrupção em larga escala. O governo de Donald Trump aplicou o dispositivo contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A medida foi tratada como uso político da Lei Magnitsky.

    MINUTA GOLPISTA
    Segundo investigação da Polícia Federal, Bolsonaro e outros réus elaboraram, debateram e revisaram um documento para dar base jurídica à tentativa de impedir Lula (PT) de assumir a Presidência. A primeira vez que o documento veio a público foi em janeiro de 2023, após operação de buscas na casa de Anderson Torres. O inquérito aponta que se tratava da terceira e última versão de um documento, que previa a instauração de estado de defesa no TSE.

    Segundo a PF, houve outras duas versões. A primeira, que previa a prisão de Moraes e do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), foi apresentada a Bolsonaro pelo assessor Felipe Martins em novembro de 2022. Também há uma segunda versão que instaurava estado de sítio e decretava a GLO. O ex-presidente teria apresentado a segunda minuta golpista aos chefes do Exército e da Marinha em dezembro de 2022.

    NÚCLEO CRUCIAL
    Com base na participação apontada na denúncia, os réus nas ações da trama golpista foram agrupados em diferentes grupos para viabilizar um julgamento mais rápido. O núcleo crucial é composto por Jair Bolsonaro, Mauro Cid (ex-ajudante de ordens e delator), Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional), Alexandre Ramagem (ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa).

    ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA
    O crime de participação em organização criminosa armada está previsto no artigo 288 do Código Penal e pune associações de três ou mais pessoas cuja finalidade é o cometimento de crimes. A pena vai de um a três anos de reclusão e pode ser elevada em até metade caso haja emprego de arma de fogo, como defende a PGR que foi o caso dos réus do núcleo crucial.

    PEDIDO DE ASILO
    Durante o inquérito que apurava as tentativas de interferência na ação penal da trama golpista por parte de Bolsonaro e de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a PF descobriu um documento com o ex-presidente. Trata-se de uma minuta de pedido de asilo político endereçado ao presidente da Argentina, Javier Milei. Para a Polícia Federal, havia risco de fuga.

    PRIMEIRA TURMA
    O STF, assim como outros tribunais, tem órgãos compostos por parte dos magistrados. O regimento interno das cortes delega funções específicas a esses órgãos. No caso do Supremo, são duas turmas. Uma das atribuições que possuem é processar e julgar ações penais cujo juízo natural é o STF, como a ação penal 2668. A Primeira Turma do STF é formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, atual presidente.

    PRISÃO PREVENTIVA
    Pode ser decretada antes do julgamento definitivo de um réu. Ela serve para garantir a ordem pública, evitar que um processo sofra interferências e aplicar uma pena quando as provas de autoria já são suficientes. O descumprimento de medidas cautelares anteriores também pode acarretar prisão preventiva.

    PROCURADORIA-GERAL REPÚBLICA
    O cargo máximo do Ministério Público Federal é exercido atualmente pelo procurador Paulo Gonet. É responsável pela atuação do órgão perante o STF, o que inclui a acusação contra réus em alguns tipos de ações penais, como a da trama golpista.

    PUNHAL VERDE E AMARELO
    Designa o plano para assassinar Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e Moraes descoberto a partir de um arquivo encontrado no computador do general da reserva Mário Fernandes. Segundo a investigação da PF, cinco pessoas (quatro militares, incluindo Fernandes, e um policial federal) estavam envolvidas no planejamento.

    RELATOR
    Em um colegiado, o relator é o juiz ou ministro responsável por analisar um processo, elaborar o relatório e dar o voto sobre o caso. É sempre o primeiro a votar, e os demais membros do tribunal podem acompanhá-lo integralmente, parcialmente ou discordar da decisão tomada. Na ação penal 2668, o ministro Alexandre de Moraes é o relator.

    TRAMA GOLPISTA
    O termo designa o conjunto de ações atribuídas a políticos e militares na acusação de tentativa de golpe de Estado após a vitória de Lula (PT) na eleição de 2022. A referência não inclui os manifestantes presentes nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, processados e julgados em outros processos.

    VOLUNTARIEDADE
    Um dos requisitos da delação premiada é a “voluntariedade da manifestação da vontade”. O delator deve aderir espontaneamente, e a validade do acordo depende dessa adesão. Essa questão é ainda mais latente quando um delator está em prisão preventiva, por exemplo. No caso de Mauro Cid, a voluntariedade do acordo foi questionada devido a mensagens trocadas entre ele e Luiz Eduardo Kuntz, advogado de um dos réus da trama golpista.

    Veja glossário para entender julgamento do STF sobre trama golpista e Bolsonaro

  • Tesla reduz preço de versão do Model 3 na China para enfrentar concorrência

    Tesla reduz preço de versão do Model 3 na China para enfrentar concorrência

    A empresa de Elon Musk cortou o preço da versão de maior autonomia e com tração traseira do Model 3

    A Tesla reduziu o preço de uma versão do Model 3 na China, em um momento de intensa concorrência e demanda mais fraca no país asiático. A fabricante norte-americana de veículos elétricos controlada por Elon Musk cortou o preço da versão de maior autonomia e com tração traseira do Model 3 para 259.500 yuans, o equivalente a quase US$ 36.400, de acordo com o site da empresa. O preço anterior era de 269.500 yuans. 

    A indústria automotiva chinesa vem enfrentando queda na demanda, com o acirramento da concorrência, a chegada de novos modelos e tentativas do governo chinês de limitar a concorrência por meio de preços.

    As vendas e a participação de mercado da Tesla na China têm caído à medida que rivais chineses lançam modelos em ritmo mais rápido e a preços mais atraentes.

    Em julho, as vendas da Tesla sofreram queda de 8,4% em relação a igual mês do ano passado, para 67.886 unidades, de acordo com os últimos dados da associação chinesa de carros de passeio.

    Em meados de agosto, a Tesla lançou uma nova versão de seu modelo principal, o Model Y, com preço inicial de 339.000 yuans. Fonte: Dow Jones Newswires.

    *Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

     

    Tesla reduz preço de versão do Model 3 na China para enfrentar concorrência

  • Mediana de IPCA 2025 cai de 4,86% para 4,85%, aponta Focus, ainda acima do teto da meta

    Mediana de IPCA 2025 cai de 4,86% para 4,85%, aponta Focus, ainda acima do teto da meta

    A projeção para o IPCA de 2026 caiu pela sétima vez consecutiva, de 4,33% para 4,31%

    A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 caiu de 4,86% para 4,85%, a 14ª baixa seguida. A taxa está 0,35 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Considerando apenas as 50 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida permaneceu em 4,84%.

    A projeção para o IPCA de 2026 caiu pela sétima vez consecutiva, de 4,33% para 4,31%. Considerando apenas as 50 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana recuou de 4,32% para 4,23%.

    O Banco Central espera que o IPCA some 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026, conforme a trajetória divulgada no último ciclo de comunicações do Comitê de Política Monetária (Copom). No horizonte relevante, o primeiro trimestre de 2027, o colegiado espera que a inflação em 12 meses seja de 3,4%.

    Na última decisão, o comitê manteve a taxa Selic em 15,0%, e afirmou que “antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros”, com o objetivo de examinar os impactos do ajuste que já foi realizado. A ideia é ver se esse nível de juros, mantido por período “bastante prolongado”, é suficiente para fazer a inflação convergir à meta.

    A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

    Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Isso aconteceu após a divulgação do IPCA de junho, no dia 10 de julho. A autoridade monetária publicou uma carta aberta informando que espera queda da taxa abaixo de 4,50% no fim do primeiro trimestre de 2026.

    A mediana do Focus para a inflação de 2027 caiu de 3,97% para 3,94%. A projeção para o IPCA de 2028 continuou em 3,80%.

    Mediana de IPCA 2025 cai de 4,86% para 4,85%, aponta Focus, ainda acima do teto da meta