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  • Julgamento da trama golpista é retomado com defesas de Heleno e Bolsonaro; veja próximos passos

    Julgamento da trama golpista é retomado com defesas de Heleno e Bolsonaro; veja próximos passos

    São réus também o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, o ex-ministro Anderson Torres, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ministro Walter Braga Netto e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ)

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta quarta-feira (3) o julgamento do núcleo central da trama golpista. A sessão será aberta com a defesa do general da reserva Augusto Heleno, ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), e terá em seguida a manifestação do advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Além de Bolsonaro e Heleno, são réus o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF Anderson Torres, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Braga Netto e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

    O grupo responde pelos crimes organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

    No caso de Ramagem, a Câmara dos Deputados suspendeu parte da ação penal, e ele só será julgado por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado, referentes a atos anteriores à sua diplomação no Legislativo.

    Na terça-feira (2), dia de abertura do julgamento, o ministro do STF Alexandre de Moraes afirmou que “pacificação não se confunde com covardia” e disse que o Supremo julga sem se curvar a pressões internas ou externas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou as acusações contra os oito réus, incluindo Bolsonaro, e pediu condenação por crimes que somam mais de 40 anos de pena máxima.

    Também falaram as defesas de Mauro Cid, que negou coação em sua delação e alegou ausência de atos diretos contra a democracia, de Alexandre Ramagem, que pediu para desconsiderar provas do caso da Abin paralela, de Almir Garnier, que enquadrou sua conduta como exercício da liberdade de expressão, e de Anderson Torres, que disse ter sofrido “linchamento moral” com acusações de forjar passagem aérea.

    Em alegações finais enviadas ao STF, a defesa de Bolsonaro sustenta que o ex-presidente não participou de qualquer tentativa de ruptura, classifica as acusações como “golpe imaginado” e contesta a validade da delação de Mauro Cid, apresentada como viciada e sem provas materiais.

    A defesa de Heleno já havia alegado anteriormente que não há provas de participação direta do general no plano de ruptura institucional e que ele teve atuação periférica, negando o uso da Abin para produzir relatórios contra as urnas eletrônicas.

    A defesa de Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, sustentou nas alegações finais que o réu atuou contra qualquer tentativa de golpe e teria entregue a Bolsonaro uma proposta de discurso reconhecendo o resultado eleitoral.

    Também falará a defesa do general Walter Braga Netto, que nega envolvimento e financiamento, ataca a delação de Cid por suposta coação e argumenta que sua trajetória de 40 anos no Exército afasta a acusação de participação em conspirações golpistas.

    O julgamento está previsto para se estender até a semana que vem. Na próxima terça-feira (9), Moraes deve apresentar o primeiro voto, seguido pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que preside a Primeira Turma. São necessários três votos para formar maioria e decidir pela condenação ou absolvição de cada acusado em cada crime.

    Após a fixação da pena, as defesas ainda podem apresentar embargos. O cumprimento da decisão costuma ocorrer depois da análise dos recursos, que podem ser apresentados em até duas rodadas.

    Julgamento da trama golpista é retomado com defesas de Heleno e Bolsonaro; veja próximos passos

  • Centrão quer poder para Congresso demitir comando do Banco Central

    Centrão quer poder para Congresso demitir comando do Banco Central

    A articulação dos deputados da oposição ocorre no momento em que o BC realiza a análise final da operação de compra do banco Master pelo BRB (Banco de Brasília)

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O PP e outros partidos do centrão desencadearam uma ofensiva na Câmara dos Deputados para aprovar um projeto de lei que dá poderes ao Congresso Nacional para demitir diretores e o presidente do Banco Central.

    A articulação ocorre no momento em que o BC realiza a análise final da operação de compra do banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Anunciada no final de março, a operação é cercada de desconfiança no mercado e aguarda a aprovação pela autoridade monetária.
    A expectativa é que a decisão da diretoria de aprovar ou negar ocorra nesta semana, o que aumentou a pressão sobre o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes.

    A sua estrutura é responsável por fazer ao colegiado de diretores do BC a recomendação sobre a operação. Ele é um dos mais resistentes à aprovação do negócio com o Master, cujo dono é o banqueiro Daniel Vorcaro, que tem relação próxima com políticos do centrão, principalmente o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ele é apontado com um dos articuladores do votação da urgência do projeto.

    O líder do PP na Câmara, deputado Doutor Luizinho (RJ), e o vice-presidente da legenda, Claudio Cajado (BA), recolheram assinaturas para aprovar a urgência de uma proposta de 2021 que muda a lei de autonomia da autoridade monetária.

    O projeto estabelece que diretores e presidentes do BC poderão ser exonerados mediante requerimento aprovado pela maioria absoluta da Câmara. Isso pode ocorrer “quando a condução das atividades do Banco Central for incompatível com os interesses nacionais” -não há qualquer detalhamento para definir o que seriam essas atividades incompatíveis.

    No caso de aprovação na Câmara, o impeachment teria que ser referendado pelo Senado, também por maioria absoluta.

    O projeto desengavetado pelos parlamentares do centrão foi apresentado originalmente pelo ex-deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), no âmbito das discussões sobre a autonomia da instituição.

    O requerimento de urgência é de autoria de Cajado. Além do PP, o texto recebeu apoio dos líderes de MDB, União Brasil, PSB, PL e Republicanos. Juntas, essas siglas reúnem 300 deputados, mais do que os 257 necessários para aprovar a urgência do projetos.

    Procurado pela reportagem, Luizinho disse que, “neste momento, desconhece qualquer motivo” para demitir diretores do Banco Central, mas que a proposta aumenta os poderes do Legislativo para isso. “Se o Congresso pode afastar o Presidente da República, por que não poderia afastar um diretor do Banco Central?”, questionou.

    Além da pressão do centrão, o BC também está tendo que lidar com ataques hackers em empresas financeiras.

    O ex-presidente do BC, Arminio Fraga, disse à Folha de S.Paulo que a tentativa de aprovação do projeto é uma “loucura completa” e “coisa de republiqueta”. Ele afirmou que nunca tinha visto uma pressão desse tipo sobre o BC.

    “A ideia de aprovar uma uma lei sobretudo em ritmo de emergência numa situação muito polêmica e pouco transparente, que é essa do Master, faz as suspeitas aumentarem”, justificou.

    Entre as suspeitas, ele citou a possibilidade de os problemas no Master serem muito maiores do que se imagina, e que há um esforço para que não apareçam diante dos muitos interesses em jogo.

    Para Arminio, a aprovação do projeto seria um tremendo retrocesso do ponto de vista institucional. “Os números que correm por aí são enormes. É tudo meio hipotético, mas a essa altura do jogo o ruído é tal que atrás dessa fumaça aí tem fogo.”

    O economista avaliou que os sinais são de que a operação de compra do Master pelo BRB está travada dentro do BC porque parte da autarquia avalia que o negócio não para de pé.

    Na sua avaliação, o BC não deveria aprovar o compra pelo banco do governo do Distrito Federal. “Eu estou falando porque é tanto ruído, tanto interesse, é tanta coisa, que eu fico desconfiado, mas eu não tenho os detalhes. Eu não sei o tamanho real do prejuízo, não sei as condições reais que o BRB tem para para para comprar esse esse buraco que parece ser gigante”, afirmou.

    Centrão quer poder para Congresso demitir comando do Banco Central

  • Defesa de Cid pede benefícios, e Ramagem e Torres negam envolvimento em trama golpista

    Defesa de Cid pede benefícios, e Ramagem e Torres negam envolvimento em trama golpista

    Advogados enfrentaram questões de mérito no primeiro dia do julgamento, além das alegações de ilegalidade na condução do processo

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – No primeiro dia do julgamento na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o núcleo central da trama golpista de 2022, a defesa do delator Mauro Cid pediu a manutenção dos benefícios, enquanto outros envolvidos negaram envolvimento.

    O grupo é composto por aqueles que teriam tido um papel crucial na tentativa de ruptura institucional após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas eleições presidenciais, de acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

    Após a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez a sustentação oral da acusação. Em seguida, começaram os argumentos dos advogados de defesa.

    O advogado Jair Alves Pereira, defensor de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, afirmou que uma eventual redução dos benefícios da delação do militar representaria na prática o fim da colaboração premiada. Ele criticou a sugestão da PGR de reduzir os benefícios de Cid de um possível perdão judicial para a redução de somente um terço da pena final.

    “Se a colaboração premiada dele é sólida, por que ele não teria os benefícios que ele ajustou? Não seria justo que o Estado, agora, depois de fazer tudo isso, com cautelares diversas da prisão há mais de dois anos, afastado de suas funções […], que agora chega no final e o Estado diz ‘você me ajudou, tudo certo, mas agora vou te condenar’. Se fizermos isso, acabou o instituto da colaboração premiada”, disse o advogado.

    O defensor disse que a descoberta de temas relevantes para a investigação só foi possível graças à delação de Mauro Cid, citando especificamente a reunião de Bolsonaro com os chefes das Forças Armadas, em dezembro de 2022.

    “Não há como dizer que ela [delação] não tem sustentação. Isso é impossível. Se nós dissermos que ela não tem sustentação, a ação penal também não tem, porque ela instrui e ajuda.”

    Também defensor de Cid, o advogado Cezar Bitencourt disse que a Polícia Federal não encontrou nenhuma mensagem de autoria do militar “propondo, incentivando ou validando qualquer atentado contra a democracia ou contra o sistema eleitoral”.

    Já a defesa de Alexandre Ramagem (PL-RJ) afirmou que a PGR cometeu erro na denúncia feita no caso da chamada “Abin paralela” e pediu que as informações desse outro processo não fossem usadas no julgamento da trama golpista.

    O advogado Paulo Renato Cintra Pinto disse que nem sequer a PGR teve tempo para lidar com o material reunido na petição e, como exemplo, disse ter identificado um “equívoco grave”.

    “O próprio MPF [Ministério Público Federal], diante deste extenso relatório, diante do reduzido prazo, não diria apressado, a PGR não teve tempo hábil para se debruçar. Tanto que houve um equívoco muito grave, sobre um suposto log de acesso ao FirstMile.”

    “Ocorre que a autoridade policial não fez alusão a log de acesso a sistema algum. Esse registro de 15 de maio de 2019 era de acesso às dependências físicas da Abin.”

    O advogado pediu, também, que o STF amplie o entendimento sobre a decisão da Câmara que suspendeu a tramitação da ação penal contra o parlamentar. A corte manteve a suspensão para dois crimes e a defesa quer que a decisão seja estendida também para o crime de organização criminosa.

    Na sustentação, a defesa afirma ainda que são quatro os documentos usados contra o deputado, mas que, em nenhum deles, há prova concreta de que tenham sido repassados a Bolsonaro.

    Em seguida, a defesa do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, usou o tempo de sustentação oral para uma defesa da liberdade de expressão.

    “Tudo insere-se no exercício da liberdade”, disse Demóstenes Torres. “A liberdade de expressão pode ser criminalizada? As coisas mais desagradáveis podem ser ditas em nome da liberdade de expressão. As pessoas mais detestáveis podem dizer o que elas pensam.”

    Depoimentos prestados pelo general Marco Antônio Freire Gomes e pelo tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, respectivamente, ex-comandantes do Exército e da Força Aérea, apontam que o almirante se colocou à disposição de Bolsonaro para seguir as ordens necessárias para o cumprimento do decreto do golpe.

    Demóstenes disse ainda não ser verossímil crer que os réus da trama golpista estavam planejando um golpe de Estado e que, mesmo se os ministros considerarem que isso aconteceu, os envolvidos desistiram da empreitada.

    A defesa do almirante aponta erro da PGR e diz que elementos citados na acusação sobre a tentativa de golpe de Estado não passam de coincidência.

    Na última argumentação da defesa dos envolvidos nesta terça, o defensor do ex-ministro Anderson Torres disse que a PGR fez seu cliente sofrer “linchamento moral” por ter dito, nas alegações finais, que ele tinha forjado a data da compra de uma passagem para os Estados Unidos durante os ataques golpistas do 8 de janeiro de 2023.

    A defesa juntou nos autos documentos da companhia aérea Gol que comprovariam a afirmação de que a passagem foi comprada com antecedência. “Foi uma tentativa de levar os julgadores a erro. O Ministério Público tinha consciência que toda a sua tese acusatória se baseava numa ausência deliberada, uma espécie de fuga para os Estados Unidos”, disse Eumar Novacki, advogado do ex-ministro.

    Torres é uma das figuras centrais no caso porque uma minuta que embasaria uma ruptura democrática foi achada na casa dele.

    Em interrogatório na ação penal, em junho, ele disse que a minuta de teor golpista encontrada pela PF foi parar em sua casa em decorrência de uma fatalidade. O texto, segundo ele, era um dos papéis que recebeu na rotina no ministério, tinha conteúdo corrente na sociedade na época e deveria ir para o lixo.

    Seu advogado disse nesta terça que uma perícia aponta que o texto encontrado em sua residência não é o mesmo que é citado pela PGR na acusação contra os réus do núcleo central da trama.

    Defesa de Cid pede benefícios, e Ramagem e Torres negam envolvimento em trama golpista

  • CGU abre processos para responsabilizar 40 entidades acusadas em fraude do INSS

    CGU abre processos para responsabilizar 40 entidades acusadas em fraude do INSS

    A auditoria da CGU revelou que, de 31 sindicatos e associações investigados pelo fraudes no INSS, 24 tiveram índices acima de 90% de descontos não reconhecidos por pelos beneficiários entre abril e julho de 2024

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A CGU (Controladoria-Geral da União) abriu nesta terça-feira (2) processos administrativos de responsabilização contra 40 entidades envolvidas na fraude de descontos indevidos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), incluindo empresas e associações.

    A CGU já estava sendo responsável por tocar os processos de 12 das instituições acusadas de desvio de verba de aposentados e pensionistas, mas ainda não tinha incluído todas as possíveis envolvidas. Entre elas, a Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical), que realizou uma série de descontos não reconhecidos. A entidade agora está na lista da CGU.

    O PAR (processo administrativo de responsabilização) visa investigar e, se for preciso, punir pessoas jurídicas envolvidas em crimes contra a administração pública.

    Outra entidade que também consta na lista de PAR divulgada hoje pela CGU é a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Segundo relatório do INSS, a entidade obteve, em 2022, autorização do governo para aplicar o desconto de mensalidades em um lota de 30.285 benefícios, mesmo sem autorização dos segurados.

    Quando a operação Sem Desconto foi exposta, auditoria da CGU revelou que, de 31 sindicatos e associações investigados pelo fraudes no INSS, 24 tiveram índices acima de 90% de descontos não reconhecidos por pelos beneficiários entre abril e julho de 2024.

    Além das entidades associativas, a CGU também abriu processos para investigar empresas de tecnologia: Soluções Power BI Software, Confia Tecnologia da Informação e Dataqualify Desenvolvimento, Assessoria e Dados. Essas empresas teriam desenvolvido fichas de filiação fraudulentas para os sindicatos e associações.

    A abertura dos processos surge uma semana após o início da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS. Em entrevista à Folha, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o objetivo será impedir um novo escândalo de descontos irregulares em aposentadorias e pensões. Ele disse que não permitirá que o colegiado se torne “palco eleitoral”.

    Até 28 de agosto, mais de 2 milhões de beneficiários aderiram ao acordo para receber de volta os descontos indevidos, segundo o governo federal. O número representa cerca de 70% do total de aposentados e pensionistas que estão aptos a receber.

    A reportagem procurou desde a manhã desta terça as entidades citadas. Parte delas não se manifestaram até a publicação deste texto. A reportagem não conseguiu contato com a empresa Confia e com a Abapen (Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação).

    Em nota, a Sindnapi afirma que não sofreu busca e apreensão da Polícia Federal e que não existem provas de seu envolvimento no caso do INSS. A entidade diz que adotou formas verificáveis de filiação dos associados e que repudia “qualquer ilação de que a arrecadação tenha sido usada de forma irregular”.

    O Cinaap (Círculo Nacional de Assistência dos Aposentados e Pensionistas) afirma, em nota, que todas as contestações efetuadas no portal do INSS foram atendidas. Segundo a entidade, os termos associativos foram assinados no sistema Dataprev após instrução normativa de 2024 do INSS.

    A APBRASIL afirma que o trabalho desenvolvido pela entidade é de representar seus associados e proporcionar benefícios que justifiquem o valor da mensalidade paga.

    Já ASABASP diz operar com transparência e observância dos termos estabelecidos nos acordos de cooperação técnica, com objetivo de garantir a regularidade de procedimentos.

    A Contag afirma ter recebido com surpresa sua inclusão na lista da CGU e que não foram apresentados fundamentos que justifiquem essa decisão. A entidade diz ainda que atua com base em acordos técnicos de cooperação firmados com o INSS.

    VEJA LISTA DE ENTIDADES QUE PASSARÃO POR PAR

    – Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista
    – Amar Brasil Clube de Benefícios
    – Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas
    – Central Nacional de Aposentados e Pensionistas (Associação Santo Antônio)
    – Master Prev Clube de Benefícios
    – Soluções Power BI Software Tecnologia e Internet Ltda
    – Casa de Apoio ao Beneficiário Previdenciário de Aposentadoria e Pensão do INSS
    – Associação Nacional de Benefícios para Aposentados e Pensionistas
    – Rede Ibero-Americana de Associações de Idosos do Brasil
    – Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas e Idosos
    – Associação Brasileira de Aposentados e Pensionistas do Instituto Nacional da Seguridade Social
    – Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da União Geral dos Trabalhadores
    – Sindicato Nacional dos Aposentados do Brasil
    – Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação
    – Associação de Amparo aos Aposentados e Pensionistas do Brasil
    – Associação dos Aposentados do Brasil
    – Associação Brasileira dos Contribuintes do Regime Geral da Previdência Social
    – Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos
    – União Nacional dos Aposentados e Pensionistas do Brasil
    – Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreend. Fami. Rurais do Brasil
    – Círculo Nacional de Assistência dos Aposentados e Pensionistas
    – Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical)
    – Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos
    – Confia Tecnologia da Informação S.A
    – União Brasileira de Aposentados da Previdência
    – Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil
    – Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil
    – Appn Benefícios
    – Caixa de Assistência aos Aposentados e Pensionistas
    – Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares)
    – Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas
    – Associação de Assistência Social a Pensionistas e Aposentados
    – Dataqualify Desenvolvimento, Assessoria e Dados Ltda
    – Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas
    – Associação de Proteção e Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas
    – Universo Associação dos Aposentados e Pensionistas do Regime Geral da Previdência Social
    – Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura
    – Associação no Brasil de Aposentados e Pensionistas da Previdência Social
    – Associação de Suporte Assistencial e Beneficente para Aposentados Servidores e Pensionistas do Brasil
    – Associação Brasileira dos Aposentados, Pensionistas e Idosos

    CGU abre processos para responsabilizar 40 entidades acusadas em fraude do INSS

  • Recados de Moraes e ofensiva da PGR: veja o que aconteceu no 1º dia do julgamento de Bolsonaro

    Recados de Moraes e ofensiva da PGR: veja o que aconteceu no 1º dia do julgamento de Bolsonaro

    Moraes abriu a sessão afirmando que o objetivo de pacificar o país depende do respeito à Constituição e da aplicação das leis

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O STF (Supremo Tribunal Federal) iniciou nesta terça-feira (2) o julgamento do núcleo central da trama golpista, em sessão marcada pelo reforço às acusações feitas na denúncia do procurador-geral Paulo Gonet e pela transmissão de recados por parte do ministro Alexandre de Moraes.

    Relator do processo, Moraes abriu a sessão afirmando que o objetivo de pacificar o país depende do respeito à Constituição e da aplicação das leis, “não havendo possibilidade de se confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento”. Disse que a Corte ignora ameaças, citou o inquérito em que Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi indiciado por coação e obstrução de Justiça e afirmou que “jamais faltará coragem para repudiar inimigos da soberania nacional”.

    Disse ainda que o tribunal julga sem se curvar a “pressões internas ou externas”. Relembrou que os ataques de 8 de janeiro de 2023 foram tentativa de golpe de Estado e apontou ações para “coagir” o Supremo, com alusões a ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil e ao STF.

    Após o pronunciamento, o relator iniciou a leitura do relatório da ação penal -espécie de resumo do caso, com teses das partes, fatos e provas. Essa etapa não antecipa o voto, mas a fala inicial de Moraes deixou sinais de como o ministro deve se posicionar no mérito, em sessão prevista para a próxima semana.

    Na sequência, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou a acusação. Em cerca de uma hora e dez minutos, Gonet defendeu que Estados devem reprimir tentativas de golpe para evitar “ímpetos de autoritarismo”. Disse que, “quando o presidente da República e depois o ministro da Defesa convocam a cúpula militar para apresentar documento de formalização de golpe de Estado, o processo criminoso já está em curso”, rebatendo a tese das defesas de que não houve golpe ou tentativa.

    Gonet afirmou que a denúncia não se baseia em conjecturas e que fases da empreitada foram documentadas pelos próprios investigados. Enquadrou como violência e grave ameaça atos como as blitzes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a reunião de Bolsonaro com os chefes militares, e definiu o 8 de Janeiro como “apogeu violento desses atos”. E reiterou o pedido de condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

    O PGR defendeu a validade do acordo de colaboração de Mauro Cid, embora tenha apontado omissões do militar. “Não existe entre nós a figura da mera ‘testemunha premiada’”, afirmou, sustentando redução de pena menor do que a máxima prevista para colaboradores. Segundo ele, a delação agregou “profundidade” a fatos apurados de forma independente pela PF.

    Encerrada a acusação, começaram as sustentações das defesas, com tempo de até uma hora para cada. A defesa de Cid abriu a rodada, pelo fato de ele ser o delator.

    O advogado Jair Alves Pereira negou coação e disse que sem a colaboração não se teriam conhecido temas relevantes, como a reunião de Bolsonaro com a cúpula das Forças. Leu mensagens do cliente para sustentar que houve discordâncias com a investigação, mas não constrangimento. Cezar Bitencourt, também defensor, afirmou que não há mensagens de autoria de Cid propondo ou incentivando atentados à democracia e que a acusação confunde vínculo funcional com conduta criminosa.

    A defesa do deputado Alexandre Ramagem pediu que o STF julgue o caso sem incorporar elementos do processo da chamada “Abin paralela. O advogado Paulo Renato Cintra Pinto alegou “equívoco grave” da PGR ao tratar como “log de acesso ao sistema FirstMile” um registro que, segundo ele, se referia à entrada física na agência. Reivindicou ainda que a decisão da Câmara que suspendeu parte da ação penal contra o parlamentar seja estendida ao crime de organização criminosa, por supostamente ter se prolongado após a diplomação.

    “O próprio MPF [Ministério Público Federal], diante deste extenso relatório, diante do reduzido prazo, não diria apressado, a PGR não teve tempo hábil para se debruçar. Tanto que houve um equívoco muito grave, sobre um suposto log de acesso ao FirstMile”, disse, numa referência ao sistema que permite monitorar a localização de celulares.

    A defesa do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, centrou sua fala na liberdade de expressão. O advogado Demóstenes Torres afirmou que “as coisas mais desagradáveis podem ser ditas em nome da liberdade” e que não se pode criminalizar o dissenso. Negou que o militar tenha aderido a planos golpistas em reuniões no Alvorada, dizendo que Garnier permaneceu em silêncio.

    Já a defesa do ex-ministro Anderson Torres acusou a PGR de promover “linchamento moral” ao levantar suspeitas sobre a compra de passagens para os EUA na véspera do 8 de Janeiro. O advogado Eumar Novacki disse ter comprovado que a viagem estava marcada desde novembro e classificou a tese acusatória como tentativa de induzir o tribunal a erro. A defesa sustenta que não há atos atribuíveis diretamente a Torres na trama e que a minuta golpista encontrada em sua casa foi recebida de forma circunstancial e sem valor.

    A análise da denúncia prossegue nesta quarta-feira (3). O debate será retomado, segundo definiu o tribunal, com a defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Na sequência, os advogados de Jair Bolsonaro apresentam os argumentos contra a acusação.

    Recados de Moraes e ofensiva da PGR: veja o que aconteceu no 1º dia do julgamento de Bolsonaro

  • Governo prevê criação e preenchimento de 89 mil vagas no Orçamento de 2026

    Governo prevê criação e preenchimento de 89 mil vagas no Orçamento de 2026

    A cifra de 89 mil inclui tanto funções efetivas, para servidores concursados, quanto cargos comissionados, que não exigem concurso público

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O PLOA 2026 (Projeto de Lei Orçamentária Anual) prevê a criação e o preenchimento de 89 mil vagas nos três Poderes, no texto enviado ao Congresso na última sexta-feira (29). A renovação no quadro de pessoal inclui a criação de novas vagas e concursos públicos para repor cargos.

    A cifra de 89 mil inclui tanto funções efetivas, para servidores concursados, quanto cargos comissionados, que não exigem concurso público. Do total, 81 mil são para o Executivo federal, sobretudo em funções na área de educação, como técnicos-administrativos e professores. O projeto estabelece o provimento de 22 mil vagas nessa área.

    Fora da área de educação, serão 11 mil cargos com provimento imediato. A cifra inclui as 3.652 vagas do CNU (Concurso Nacional Unificado), que vai ocorrer em outubro deste ano.

    O PLOA prevê ainda o preenchimento de 8.000 vagas para fixação de efetivo no Exército, na Marinha e na Aeronáutica, além de cargos para a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) e para o MRE (Ministério das Relações Exteriores).

    Também está prevista a criação e provimento de 6.000 vagas no poder Judiciário. A maior parte é para a Justiça Eleitoral, que terá seu trabalho intensificado no pleito presidencial em 2026.

    O PLOA determina ainda o provimento para cargos no Legislativo, no Ministério Público e na Defensoria Pública da União.

    O governo prevê gastos de quase R$ 1,8 bilhão com o provimento de cargos efetivos na educação, além de R$ 1,4 bilhão para as demais funções, fora dessa área. No Judiciário, os maiores gastos serão na Justiça Eleitoral, com custo de R$ 200 milhões para preenchimento de vagas.

    Além da reposição e criação de cargos, a proposta também estabelece despesas no exercício para concessão de vantagens, aumentos e reestruturação de carreiras. O total de despesas no exercício previsto para o ano que vem é de quase R$ 8 bilhões. Desse total, R$ 4,9 bilhões estão previstas para o Executivo federal, enquanto R$ 2,7 bilhões devem ir para o Judiciário.

    Governo prevê criação e preenchimento de 89 mil vagas no Orçamento de 2026

  • Petrobras tenta reverter lei que propõe fim de refinaria de Fortaleza

    Petrobras tenta reverter lei que propõe fim de refinaria de Fortaleza

    Estatal pode ser obrigada a desativar a Lubnor, por ser caracterizada como nociva ao meio ambiente; em junho, empresa anunciou investimento de R$ 1,5 bi para tornar a refinaria na 1ª zero carbono do Brasil

    FORTALEZA, CE (FOLHAPRESS) – A Petrobras está enfrentando um impasse jurídico para manter a Lubnor (Lubrificantes e Derivados do Nordeste) em Fortaleza. A Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo da capital do Ceará, de 2017, deu um prazo até agosto de 2027 para a saída de todas as empresas classificadas como “nocivas ao meio ambiente” do entorno do porto do Mucuripe, o que incluiria a estatal.

    A estatal tenta aproveitar o debate sobre o plano diretor para reverter o cenário. Em nota, a prefeitura reconheceu a importância da Lubnor e destacou que o plano diretor está sendo debatido em audiências públicas e será enviado ao Legislativo municipal para análise e aprovação até o final de 2025.

    Em nota, a Petrobras reforça que opera com os “mais rigorosos padrões internacionais de segurança” e que a Lubnor “está em dia com suas licenças”. O governo do Ceará confirmou que a Lubnor tem licença de operação emitida pela Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará), em março de 2025, válida até 16 de março de 2029, para o refino do petróleo.

    O prazo de saída é determinado no artigo 77 da lei de 2017, que proíbe a implantação de atividades industriais “nocivas ou perigosas” ao meio ambiente na zona de orla e dá prazo de dez anos para a retirada das empresas que já estejam instaladas. Após o término do prazo, a lei prevê a “retirada de todas as estruturas instaladas e a recomposição de áreas eventualmente degradadas”.

    No anexo, está definido o subgrupo indústrias nocivas ou perigosas ao meio urbano: “fabricação de produtos do refino do petróleo (gasolina, óleo diesel, querosene, gasóleo, GLP, nafta etc.)”.

    Em junho, a Petrobras foi recebida na comissão especial que analisa o documento na Câmara. No encontro, representantes da Lubnor anunciaram o plano para investir R$ 1,5 bilhão em quatro anos para tornar a unidade a primeira refinaria zero carbono do Brasil.

    A meta é reduzir em 100% a emissão direta e indireta de carbono, aumentar o consumo de energia renovável, o conteúdo renovável em seus produtos e as ações de desenvolvimento socioeconômico da população do entorno.

    O problema é que os 213 mil m² ocupados pela refinaria estão em área urbanizada de Fortaleza, cercada por uma população de 112 mil pessoas nos bairros Cais do Porto, Serviluz, Mucuripe, Vicente Pinzón e Praia do Futuro.

    A localização da refinaria é vista pelo Ipplan (Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza) como um “obstáculo” para a mobilidade.

    “É um desperdício do aspecto coletivo da cidade. A localização é imprópria, é impróprio sob o olhar urbanístico. Ela já foi instalada em uma área isolada, mas não é mais”, afirmou Parente, durante reunião da Comissão Especial.

    O presidente da comissão, vereador Benigno Júnior (Republicanos), disse que busca ouvir os envolvidos para construir uma proposta que garanta um consenso.

    Segundo a estatal, a busca pelos vereadores se deu para que sejam consideradas “todas as alternativas que visem garantir sua permanência”. A Petrobras reforçou sua contribuição anual de R$ 2,2 bilhões de ICMS, que representa 18% do total arrecadado pelo Estado. A refinaria é a maior contribuinte individual, com R$ 1,2 bilhão por ano.

    A Lubnor espera que os parlamentares e a gestão municipal construam uma solução para que a refinaria seja enquadrada “incômoda ao meio urbano” ou que seja criada uma zona industrial que permita sua permanência. Para ser classificada como “incômoda”, um nível mais brando que “nociva”, a Lubnor destaca que tem como principais produtos o asfalto e lubrificantes, não combustíveis leves, como gasolina.

    Caso as tratativas não deem resultado e a estatal seja obrigada a deixar o porto do Mucuripe em 2027, a refinaria ameaça deixar o Estado, pois a atividade seria “inviabilizada”, segundo um dos representantes.

    Outras empresas “nocivas” que estão instaladas no local, como SP e Ipiranga, estão de malas prontas para o porto do Pecém, a 160 km de distância. O Governo do Ceará deu início, em fevereiro deste ano, às obras estruturais para receber as empresas, incluindo um novo parque de tancagem.

    A saída da refinaria é vista como um desastre entre lideranças comunitárias, como Albetisa Ester, da Praia do Futuro, e Antônio José, do Titanzinho, pois muitos trabalham na empresa e são beneficiados pelas ações da estatal.

    As universidades Federal do Ceará (UFC) e Estadual do Ceará (Uece) também se manifestaram a favor da permanência da refinaria. As duas negociam a reativação de um núcleo de estudos desativado em 2022, quando a Lubnor quase foi privatizada.

    Petrobras tenta reverter lei que propõe fim de refinaria de Fortaleza

  • Centrão amplia gestos por anistia para viabilizar apoio de Bolsonaro a Tarcísio em 2026

    Centrão amplia gestos por anistia para viabilizar apoio de Bolsonaro a Tarcísio em 2026

    Com julgamento do ex-presidente em curso, deputados dizem que aceno ao clã é necessário

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e dirigentes do centrão ampliaram os discursos públicos pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é julgado por golpismo no STF (Supremo Tribunal Federal) a partir desta semana.

    Segundo deputados do bloco, é uma resposta às críticas da família, de que esses políticos estariam disputando o espólio eleitoral de Bolsonaro, sem um verdadeiro empenho em tirá-lo da prisão. O gesto seria necessário para viabilizar a candidatura presidencial do governador em 2026, que precisa do aval do ex-presidente.

    Tarcísio tem assumido o protagonismo da cobrança por anistia. Nesta terça-feira (2), primeiro dia do julgamento de Bolsonaro, ele viajou a Brasília e tinha previstas reuniões sobre anistia com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

    No dia anterior, tomou café da manhã com o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), e também tratou do assunto, o que foi explicitado numa publicação nas redes sociais. Ciro e Pereira defendem a anistia.

    Nesta terça (2), o assunto foi discutido durante uma reunião entre os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto; do União Brasil, Antônio Rueda; e Ciro Nogueira na sede do PL, ao mesmo tempo em que tinha início o julgamento de Bolsonaro no STF. O líder da oposição do Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também estava e disse que eles trataram “de agendas parlamentares, inclusive essa [da anistia]”.

    Do lado do centrão, a atuação em prol da anistia de Bolsonaro também é uma forma do grupo se cacifar para mais espaço na chapa presidencial. Ciro Nogueira alimenta o sonho de ser vice de Tarcísio, com apoio da federação entre União Brasil e PP.

    O governador é o nome de preferência de um bloco de partidos do centrão (PP, União Brasil, PL e Republicanos) para concorrer ao Palácio do Planalto no ano que vem. Tarcísio e o centrão, no entanto, têm sido alvos dos filhos de Bolsonaro conforme fica claro o plano de que o governador seja o herdeiro político da direita.

    Mensagens da família tornadas públicas mostraram que o clã busca manter o espólio político de Bolsonaro, que está inelegível e é pressionado a declarar apoio a Tarcísio. Hoje, a bênção de Bolsonaro é uma condição importante para que o governador troque a tentativa de reeleição, em que é favorito, por uma disputa que, segundo as pesquisas, seria apertada contra Lula (PT).

    Nesse sentido, alavancar a anistia seria uma resposta à crítica de que os partidos abandonaram o ex-presidente e se preocupam apenas com a eleição. Deputados do centrão argumentam que o perdão seria o meio para demonstrar lealdade ao ex-presidente.

    Ao contemplá-lo em sua maior preocupação, que é a de não ser preso, esses parlamentares têm a expectativa de que Bolsonaro, por sua vez, fique mais confortável para apoiar Tarcísio na disputa pela Presidência. A anistia não teria o poder de torná-lo novamente elegível, na visão dos políticos do centrão.

    A ideia é a de que a atuação a favor da liberdade do ex-presidente acalme a família e abra caminho para o governador no momento em que um dos filhos de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ameaça deixar o PL e se lançar ao Palácio do Planalto em resposta à mobilização política por Tarcísio.

    Tarcísio, por sua vez, tem negado a intenção de concorrer à Presidência e dito que a anistia é necessária para pacificar o país, que seria uma porta de saída para a crise entre os Poderes. Ele afirmou, na sexta (29), que caso eleito presidente seu primeiro ato seria um indulto a Bolsonaro.

    Em paralelo, alguns líderes de partidos e aliados de Motta defendem que a votação da anistia poderia destravar a pauta para a Câmara avançar em medidas de impacto, como a isenção do Imposto de Renda. Também abriria espaço para o presidente da Casa estabelecer uma agenda própria.

    A avaliação, porém, é de que a anistia não tem apoio da maioria dos deputados se for ampla, geral e irrestrita, como querem os bolsonaristas. Até agora, a proposta não tem sequer um texto claro. Motta, por exemplo, já declarou que não há clima para anistiar aqueles que planejaram mortes, em referência ao plano golpista de assassinar Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e Alexandre de Moraes.

    Parlamentares e ministros de esquerda dizem que a expectativa é que Motta barre a discussão sobre a anistia em pleno julgamento, para não enfrentar o STF.

    Nas últimas semanas, Tarcísio e Ciro vinham intensificando o pleito para que a anistia avance no Congresso. Eles avaliaram como positiva uma fala do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, de que uma anistia antes do julgamento é impossível, mas depois seria “uma questão política”. O julgamento de Bolsonaro deve terminar no próximo dia 12, sexta-feira.

    O governador defendeu a medida a dirigentes do centrão em visitas a Brasília em agosto. Em evento do Republicanos na semana passada, Tarcísio fez um discurso em que cobrou anistia ao falar em gestos de pacificação. Motta estava na plateia.

    Cardeais do centrão fecharam um acordo com o PL para, após o motim bolsonarista no plenário para pressionar pela anistia, alavancar propostas de seu interesse, como as PECs (proposta de emenda à Constituição) da blindagem e do fim do foro especial.

    O argumento para garantir o embarque bolsonarista foi o de que aprovar essas medidas primeiro abriria caminho para a anistia em seguida, ou seja, acabaria com o que eles classificam como chantagem do Supremo sobre o Congresso. Uma PEC necessita de 308 dos 513 votos para ser aprovada.

    O acerto entre PP, União Brasil e PL, fechado na sala do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), vem enfrentando percalços. Essa matéria busca dificultar processos contra parlamentares no STF e tem oposição da sociedade civil. Partidos de esquerda e o próprio relator da PEC se recusaram a abraçar propostas consideradas radicais e que teriam sido sugeridas por deputados do centrão.

    Até o PL, partido que defendia a medida com mais ênfase, recuou. Na quinta-feira (28), o líder Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou que a anistia, e não mais as PECs, seria a prioridade da bancada na Câmara.

    Centrão amplia gestos por anistia para viabilizar apoio de Bolsonaro a Tarcísio em 2026

  • Impunidade corrói a democracia: leia frases de Moraes no julgamento da trama golpista

    Impunidade corrói a democracia: leia frases de Moraes no julgamento da trama golpista

    Ministro cita pressões internas e externas em sessão que começa a selar destino de Bolsonaro no STF

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), iniciou o julgamento da trama golpista nesta terça-feira (2) com comentários a respeito do papel constitucional da corte, da democracia no Brasil e da defesa da soberania do país diante de pressões estrangeiras.

    As declarações foram dadas antes de Moraes começar a leitura do relatório da ação penal sobre a trama golpista, como primeira etapa para o julgamento que vai definir o destino do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus.
    Leia algumas frases ditas pelo ministro.
    CONSTITUIÇÃO

    Moraes afirmou que o Brasil tem democracia forte, instituições independentes, economia em crescimento e sociedade civil atuante e que as balizas definidas pela Constituição de 1988 impediram retrocessos no período.

    “O Brasil chega em 2025, quase 37 anos da Constituição de 1988 e 40 anos da redemocratização, com uma democracia forte, as instituições independentes, com uma economia em crescimento e a sociedade civil atuante. Obviamente, isso não significa que foram 37 anos de tranquilidade política, econômica ou social, mas significa que as balizas definidas pela Constituição Federal para nosso Estado democrático de Direito se mostraram acertadas e impediram inúmeros retrocessos.”

    “Estado democrático de Direito, estabilidade institucional, que é exatamente o momento em que vivemos, não significa necessariamente tranquilidade ou ausência de conflitos, mas sim respeito à Constituição, à aplicação da lei, com absoluto respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. Esse julgamento que se inicia do denominado núcleo crucial pela Procuradoria-Geral da República é mais um desdobramento do legítimo exercício pelo Supremo Tribunal Federal de sua competência penal conferida pelo legislador constituinte em 1988.”

    POLARIZAÇÃO, PACIFICAÇÃO E TENTATIVAS DE GOLPE DE ESTADO

    O ministro lamentou a polarização política no Brasil, disse que todos os brasileiros devem repudiar qualquer tentativa de quebra de institucionalidade e afirmou que pacificação por meio da impunidade deixa traumas na sociedade e serve como estímulo a novas tentativas de golpe de Estado.

    “A sociedade brasileira e as instituições mostraram sua força, mostraram sua resiliência e, em que pese a lamentável manutenção de uma nociva, radical e violenta polarização política com tristes reflexos, todos nós brasileiros e brasileiras devemos afastar com todas as nossas forças e empenho a tentativa de qualquer quebra da institucionalidade.”

    “Nesses momentos, a história nos ensina que a impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação, pois o caminho aparentemente mais fácil, só aparentemente, que é da impunidade e da omissão, deixa cicatrizes traumáticas na sociedade e corrói a democracia, como lamentavelmente o passado recente do Brasil demonstra.”

    “A pacificação do país, que é o desejo de todos nós, depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições, não havendo possibilidade de se confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento, que significa impunidade e desrespeito à Constituição federal, e mais: significa incentivo a novas tentativas de golpe do Estado.”

    PRESSÕES E SOBERANIA

    Alvo de sanções do governo dos Estados Unidos, Moraes disse que pressões internas e externas não afetarão a atuação dos membros do STF. Ele também chamou de “covarde e traiçoeira” a articulação para que os ministros fossem pressionados, sem citar nomes.

    “Esse é o papel do STF, julgar com imparcialidade e aplicar a Justiça a cada um dos casos concretos, independentemente de ameaças ou coações, ignorando pressões internas ou externas.”

    “Lamentavelmente, no curso dessa ação penal se constatou a existência de condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais vista anteriormente no nosso país, passou a agir de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário, em especial este STF, e submeter o funcionamento da corte ao crivo de outro estado estrangeiro.”

    “Essas tentativas de obstrução não afetarão a imparcialidade e a independência dos juízes desse STF, que darão, como estamos dando hoje, a normal sequência do devido processo legal que é acompanhado por toda a sociedade e toda a imprensa brasileira.”

    “Coragem institucional e defesa à soberania nacional fazem parte do universo republicano dos membros desta Suprema Corte, que não aceitará coações ou obstruções no exercício de sua missão constitucional conferida soberanamente pelo povo brasileiro por meio de sua Assembleia Nacional Constituinte. A soberania nacional não pode, não deve e jamais será impedida, negociada ou extorquida.”

    TRANSPARÊNCIA

    Moraes disse que não existe outro tribunal no mundo que dê tanta transparência a seus julgamentos como o STF. A atuação do ministro no caso foi criticada pelas defesas dos réus, que o acusam de conduzir a ação com velocidade, demorar no envio da íntegra do material apreendido pela Polícia Federal aos advogados envolvidos no processo e despejar volume excessivo e desorganizado de documentos com pouco tempo para análise.

    “Nenhuma corte ou tribunal do mundo dá tanta publicidade e tanta transparência aos seus julgamentos como o Supremo Tribunal Federal. As instituições brasileiras são fortes e sólidas e seus integrantes foram forjados no mais puro espírito democrático da Constituição de 1988.”

    Impunidade corrói a democracia: leia frases de Moraes no julgamento da trama golpista

  • Planos de saúde têm lucro líquido de R$ 12,4 bi no segundo trimestre de 2025

    Planos de saúde têm lucro líquido de R$ 12,4 bi no segundo trimestre de 2025

    O resultado deste ano é o maior para o intervalo de abril a junho na série histórica do painel, iniciada em 2018

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As operadoras de planos de saúde médico-hospitalares tiveram lucro líquido de R$ 12,4 bilhões no Brasil no segundo trimestre de 2025. É mais que o dobro de igual período de 2024 (R$ 5,1 bilhões), segundo dados de painel da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) divulgados nesta terça-feira (2).

    O resultado deste ano é o maior para o intervalo de abril a junho na série histórica do painel, iniciada em 2018. A máxima anterior do segundo trimestre havia sido registrada em 2020 (R$ 10,7 bilhões), nos primeiros meses da pandemia.

    Segundo o regulador, o setor vive momento de recuperação do resultado operacional -a diferença entre as receitas e as despesas diretamente relacionadas com as operações de assistência, excluindo ganhos financeiros.

    Esse indicador teve saldo positivo de R$ 6,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, contra um montante de R$ 2,4 bilhões no mesmo período de 2024.

    Considerando os planos médico-hospitalares, os odontológicos e as empresas administradoras de benefícios em conjunto, o lucro líquido foi de R$ 12,9 bilhões no segundo trimestre de 2025.

    Houve aumento de 130% em relação ao mesmo período do ano anterior (R$ 5,6 bilhões). Também é o maior patamar da série iniciada em 2018 para o primeiro trimestre. O painel da ANS considera dados nominais -sem ajuste pela inflação.

    As administradoras de benefícios não operam os planos. São intermediárias entre as operadoras e os contratantes dos serviços.

    O setor de planos de saúde é alvo de uma série de críticas de consumidores no país. As reclamações envolvem pontos diversos, desde o cancelamento de contratos até os reajustes das mensalidades.

    O setor, por sua vez, se queixa do aumento do custo médio dos serviços devido à incorporação de tecnologia. A situação ocorre em meio ao envelhecimento da população, que tende a elevar a demanda por atendimentos de saúde.

    Planos de saúde têm lucro líquido de R$ 12,4 bi no segundo trimestre de 2025