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  • Isenção do IR reduz desigualdade e incentiva consumo, diz especialista

    Isenção do IR reduz desigualdade e incentiva consumo, diz especialista

    Lula deve sancionar na próxima semana o projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil e reduz alíquotas para salários de até R$ 7.350. Especialistas afirmam que a medida pode impulsionar o consumo, reduzir dívidas e diminuir a desigualdade econômica

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar na próxima semana o Projeto de Lei nº 1.087/2025,  aprovado nas duas casas do Congresso Nacional.

    A expectativa é que a sanção ocorra a partir do dia 11 (terça-feira), após Lula retornar de Belém, onde participa da Cúpula do Clima. 

    A matéria – proposta pelo governo federal há cerca de um ano – isenta do imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz alíquotas do tributo para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. O projeto ainda aumenta a taxação de altas rendas, a partir de R$ 600 mil anuais (ou R$ 50 mil mensais) – esses recursos compensarão as perdas com as isenções.

    Consumo pode aumentar

    As medidas só entrarão em vigor no próximo ano. Para analistas de diversos setores ouvidos pela Agência Brasil, quando a futura lei terá potencial redistributivo, ela aumentará o consumo das famílias, poderá diminuir o endividamento e impactará positivamente no crescimento da economia.

    O economista João Leme, da Consultoria Tendências, estima que o Produto Interno Bruto (PIB) ganhará impulso de 0,15 a 0,2 ponto percentual. No bolso dos trabalhadores, o impacto será “de um 14º salário, mas distribuído todos os meses do ano.”

    Nas contas de Pedro Humberto de Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os estratos inferiores da classe média deverão dispor de mais R$ 350 a R$ 550 mensais, em média.

    “Vai ser uma folga orçamentária considerável”, opina.

    Inflação e desigualdade 

    Otimista, Carvalho não descarta, no entanto, a possibilidade de haver inflação localizada. “Toda vez  que há maior renda disponível para a população tem de se aumentar o consumo por serviços”, como comércio, educação, saúde, tecnologia da informação e turismo.

    “Serviços é um setor muito sensível à inflação”, observa, ao descartar que haja aumento vigoroso no preço dos alimentos.

    Na percepção do diretor técnico adjunto do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Victor Pagani, a inflação não será problema, pois “está sob controle” e em processo de “desaceleração.”

    Em sua opinião, outro efeito mais provável é bastante desejável: diminuição da desigualdade econômica ao isentar os menores rendimentos de impostos e passar a cobrar tributos dos mais ricos. “Essa medida resgata o princípio constitucional da tributação de acordo com a capacidade contributiva”, argumenta.

    O advogado Bruno Medeiros Durão, tributarista e especialista em finanças, acredita que a correção da tabela do Imposto de Renda é “um passo importante na direção da justiça fiscal”, mas não é o suficiente.

    “O problema do nosso Imposto de Renda não é fiscal, é de justiça social. Por isso, as medidas têm que ser estruturais”, diz. Para ele, a principal medida estrutural é “voltar a tributar lucros e dividendos.” Em sua avaliação, “é impensável um país manter a isenção sobre o rendimento de capital dos mais ricos, enquanto o trabalhador paga Imposto de Renda (IR) sobre o salário. O IR tem que incidir sobre toda a renda”, pondera.

    O advogado avalia que a tabela do Imposto de Renda está defasada e tem poucas alíquotas. “O ideal é corrigir a tabela anualmente, vincular essa correção à inflação, aumentar o número de faixas e, crucialmente, criar uma alíquota máxima mais alta para a altíssima renda, que hoje se esquiva de pagar o que deveria”, critica. 

    Dívidas

    Outro efeito assinalado pelos entrevistados pela Agência Brasil é o pagamento de dívidas contraídas pelas famílias. “O adimplemento de dívidas contratadas em pregresso com certeza vai ser uma das destinações possíveis e muito provavelmente das mais comuns”, prevê João Leme.

    De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), oito de cada dez famílias tinham alguma dívida a vencer em outubro.  Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que outubro foi o nono mês consecutivo que o percentual de endividados aumentou e seguiu como o maior patamar registrado na série histórica.

    Os entrevistados ainda consideram que a isenção do imposto de renda entre os trabalhadores de menor rendimento e o aumento da tributação sobre a fatia mais rica da sociedade serão assuntos debatidos durante a campanha eleitoral em 2026.

    “Candidatos que souberem traduzir a taxação de ‘super ricos’, de dividendos e de grandes fortunas em um alívio concreto para a vida da classe média terão uma narrativa poderosíssima. A pauta tem um forte alinhamento ideológico, forçando todos os presidenciáveis a se posicionar de maneira clara sobre a tributação de renda e patrimônio. Acredito que será um dos temas mais quentes e decisivos”, resume o advogado Bruno Medeiros Durão.

     

    Isenção do IR reduz desigualdade e incentiva consumo, diz especialista

  • Caixa abre inscrições para concurso público com salários de até R$ 14.915; veja como participar

    Caixa abre inscrições para concurso público com salários de até R$ 14.915; veja como participar

    A Caixa Econômica Federal abriu inscrições para concurso público com 184 vagas de nível superior e salários de até R$ 14.915. As oportunidades incluem cargos para engenheiros, arquitetos e médicos, com provas marcadas para 1º de fevereiro de 2026

    (FOLHAPRESS) – A Caixa Econômica Federal inicia nesta sexta-feira (7) as inscrições para o concurso público destinado a cargos de nível superior. Os interessados devem se inscrever até 8 de dezembro pelo site da Fundação Cesgranrio, banca organizadora do certame.

    A iniciativa busca preencher o total de 184 vagas, distribuídas em seis cargos, com a maior parte direcionada a Engenheiros Civis. Os salários iniciais variam de R$ 11.186,00 a R$ 14.915,00.

    Os aprovados terão pacote de benefícios incluindo assistência à saúde, previdência complementar, participação nos lucros e resultados, auxílio-alimentação, auxílio-refeição, vale-transporte e auxílio-creche.

    O concurso será realizado por meio de prova objetiva, com questões de conhecimentos gerais e específicos, além do teste discursivo e uma avaliação de títulos.

    Os candidatos com formação e experiência específicas poderão somar pontos na fase de títulos. A aplicação das provas está marcada para o dia 1º de fevereiro de 2026.

    VEJA QUADRO COM AS VAGAS, SALÁRIOS E CARGA HORÁRIA:

    Cargos – Vagas – Salário – Carga horária
    Engenheiro Civil – 103 – R$ 14.915,00 – 8 horas diárias – 40 horas semanais
    Engenheiro Elétrico – 13 – R$ 14.915,00 – 8 horas diárias – 40 horas semanais
    Médico do Trabalho – 24 – R$ 11.186,00 – 6 horas diárias – 30 horas semanais
    Engenheiro de Segurança – 3 – R$ 14.915,00 – 8 horas diárias – 40 horas semanais
    Arquiteto – 36 – R$ 14.915,00 – 8 horas diárias – 40 horas semanais
    Engenheiro Mecânico – 5 – R$ 14.915,00 – 8 horas diárias – 40 horas semanais

    A Caixa mantém políticas de inclusão, destinando percentuais de vagas para cotistas:

    – 25% para negros;
    – 5% para pessoas com deficiência (PCD);
    – 3% para indígenas;
    – 2% para quilombolas.

    O presidente da Caixa, Carlos Vieira, destacou que o concurso “reafirma o compromisso da Caixa com o fortalecimento de áreas estratégicas”.

    O cronograma previsto estipula que o resultado das provas e o prazo para envio de títulos ocorrem em 11 de março de 2026, com a verificação de cotas para negros, indígenas e quilombolas programada para 26 de abril.

    A divulgação dos resultados finais está prevista para 26 de maio. O concurso tem validade de dois anos, com possibilidade de prorrogação. Mais informações detalhadas podem ser obtidas no site da Caixa clicando na opção “Trabalhe na CAIXA”.

    Caixa abre inscrições para concurso público com salários de até R$ 14.915; veja como participar

  • STF julga recurso de Bolsonaro com incerteza de decisão de Moraes sobre local de prisão

    STF julga recurso de Bolsonaro com incerteza de decisão de Moraes sobre local de prisão

    O STF inicia nesta sexta-feira (7) o julgamento dos recursos de Jair Bolsonaro e aliados condenados pela tentativa de golpe de 2022. A análise, conduzida pela Primeira Turma, deve confirmar as penas e aproximar o ex-presidente do início do cumprimento da prisão em regime fechado

    FOLHAPRESS) – A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar nesta sexta-feira (7) o recurso de Jair Bolsonaro (PL) e outros seis condenados pela trama golpista. Trata-se de uma nova fase do processo, com o início do cumprimento da pena de prisão em regime fechado do ex-presidente cada vez mais próximo. O local da eventual prisão ainda é desconhecido.

    Os ministros do colegiado vão apresentar seus votos em julgamento virtual. O primeiro a votar é o ministro-relator, Alexandre de Moraes. Ele deve apresentar sua posição às 11h. Os demais ministros têm até o dia 14 de novembro para votar.

    A expectativa é que os ministros apresentem seus votos de forma rápida, segundo dois deles ouvidos pela Folha. O resultado deve ser unânime contra o recurso apresentado por Bolsonaro.

    O ministro Luiz Fux não formalizou à presidência do Supremo o pedido para participar dos julgamentos sobre a trama golpista. Ele anunciou que pretendia fazê-lo após trocar de colegiado e se estabelecer na Segunda Turma.

    Fux foi o único ministro a divergir das condenações impostas pela Primeira Turma do Supremo contra Bolsonaro e seus aliados. Com o colegiado desfalcado, um empate em 2 a 2 poderia levar à vitória dos réus ou à suspensão do julgamento, seguindo precedentes recentes do tribunal.

    O julgamento que começa nesta sexta se restringe ao embargos de declaração -um tipo de recurso em que as defesas apontam obscuridade, imprecisão, contradição ou omissão na decisão do Supremo.

    Esse tipo de embargo não altera o resultado do julgamento -condenação ou absolvição-, mas pode levantar questionamentos sobre a sentença e até reduzir o tamanho da pena dos réus.

    As defesas dos condenados ainda pretendem apresentar embargos infringentes, recurso que pode rediscutir questões de mérito que levaram à condenação dos réus. O prazo para a apresentação desses embargos é de 15 dias após a publicação do acórdão, mas a contagem do período foi suspensa à espera do julgamento dos primeiros recursos.

    O entendimento no Supremo, porém, é que os embargos infringentes só podem ser recebidos e discutidos quando há dois votos favoráveis ao réu no colegiado. Como este não é o caso de Bolsonaro e dos demais réus, Moraes pode rejeitar os recursos de forma individual, sem ouvir os colegas.

    Há incerteza no Supremo sobre o momento exato da prisão de Bolsonaro. A jurisprudência do tribunal segue o princípio da unirrecorribilidade, segundo o qual as partes de um processo só podem apresentar um recurso contra decisão judicial.

    Desde o Mensalão, o STF vem aplicando o entendimento de que o processo é encerrado após a rejeição do segundo recurso apresentado pela defesa. Nesse caso, Bolsonaro só começaria a cumprir a pena depois da negativa do segundo embargo de declaração -que deve ser levado a julgamento em janeiro.

    Políticos aliados de Bolsonaro acreditam, porém, que Moraes pode decretar o fim do processo e o início do cumprimento da pena logo após a rejeição do primeiro recurso. Os precedentes para esse tipo de decisão são poucos no tribunal.

    No recurso que será analisado nesta sexta, Bolsonaro diz que os ministros do Supremo foram imprecisos e omissos em diversos pontos. Eles não teriam discutido teses apontadas pela defesa nem debatido, com profundidade, pontos que poderiam levar à anulação do processo.

    Uma das teses levantadas pela defesa de Bolsonaro é que o ex-presidente, caso tenha avançado com planos golpistas, desistiu voluntariamente de aplicar um golpe de Estado no fim de 2022.

    “O voto divergente [de Luiz Fux], portanto, confirma a plausibilidade dogmática da tese defensiva, reforçando que, caso houvesse início de execução, o Embargante deliberadamente interrompeu o curso dos fatos, caracterizando a desistência voluntária”, diz a equipe comandada pelo advogado Celso Vilardi.

    “Ao não enfrentar tais fundamentos, o acórdão incorre em omissão relevante e qualificada, violando o dever constitucional de motivação”, completa.

    No recurso, os advogados de Bolsonaro listam oito omissões ou contradições que, na visão da defesa, prejudicaram o resultado do julgamento. Esses erros estariam ligados à vinculação da trama golpista com os atos de 8 de janeiro de 2023, ao cerceamento de defesa, à ausência de credibilidade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid e às contradições entre as provas da participação de Bolsonaro nos crimes.

    O resultado dessas omissões, segundo Vilardi, resultou em uma condenação e pena a Bolsonaro com “profundas injustiças”.

    Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista de 2022. É o primeiro ex-presidente da história do Brasil punido pelo crime de golpe de Estado.

    Também foram condenados pela tentativa de golpe de Estado Almir Garnier Santos (ex-chefe da Marinha), Mauro Cid (tenente-coronel do Exército), Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa), Paulo Sérgio (ex-ministro da Defesa), Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin e deputado federal), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI) e Anderson Torres (ex-ministro da Justiça).

    Como benefício de seu acordo de colaboração premiada, Mauro Cid é o único que não ficará preso pela participação na trama golpista, condenado a apenas dois anos de reclusão em regime aberto.

    Todos os demais devem ficar detidos em presídios comuns, como o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, ou em salas especiais dentro de quarteis do Exército e da Marinha em Brasília e no Rio de Janeiro.

    STF julga recurso de Bolsonaro com incerteza de decisão de Moraes sobre local de prisão

  • Shutdown: cancelamento de voos pode causar caos nos EUA nesta sexta

    Shutdown: cancelamento de voos pode causar caos nos EUA nesta sexta

    O Departamento de Transportes dos EUA ordenou o cancelamento de milhares de voos por falta de funcionários durante o shutdown, a paralisação mais longa da história americana. Aeroportos devem enfrentar atrasos, filas e risco de colapso em plena temporada pré-Ação de Graças

    Os Estados Unidos devem enfrentar um dia de caos aéreo nesta sexta-feira (7), com o cancelamento de ao menos 4% dos voos programados em todo o país. A medida foi determinada pelo Departamento de Transportes em resposta à escassez de funcionários provocada pela paralisação do governo federal, que já dura 38 dias, o shutdown mais longo da história americana.

    Sem verba aprovada pelo Congresso, parte dos serviços públicos foi suspensa e servidores essenciais, como os controladores de tráfego aéreo, continuam trabalhando sem receber. Muitos começaram a se ausentar, o que levou o secretário de Transportes, Sean Duffy, a ordenar o cancelamento inicial de 4% dos voos, número que pode chegar a 10% até 14 de novembro.

    De acordo com dados do FlightAware, mais de 650 voos já foram cancelados até a manhã desta sexta. A consultoria Cirium estima que cerca de 1.800 viagens possam ser suspensas diariamente, afetando mais de 260 mil passageiros. Além das cancelamentos, aeroportos registram longas filas e atrasos em razão da falta de pessoal de segurança.

    A crise ocorre às vésperas da temporada de férias e do feriado de Ação de Graças, quando o movimento aéreo nos EUA tradicionalmente aumenta. Entre os 40 aeroportos atingidos pela medida estão alguns dos principais do país, como os de Nova York, Los Angeles, Chicago, Dallas e Miami.

    Por enquanto, os voos internacionais, incluindo as rotas entre Brasil e Estados Unidos, devem seguir operando normalmente. Segundo o ex-investigador da FAA Jeff Guzzetti, a decisão de reduzir as operações tem como objetivo evitar riscos de acidentes diante do número insuficiente de controladores. Ele comparou o impacto da medida ao fechamento do espaço aéreo após os atentados de 11 de setembro de 2001.

    O impasse político no Congresso, que travou a aprovação do orçamento, continua sem solução. O governo precisa de 60 votos no Senado para encerrar o shutdown, mas apenas 53 parlamentares pertencem ao partido do presidente Donald Trump. Democratas condicionam o apoio à ampliação de programas de assistência médica, enquanto republicanos tentam negociar cortes e recomposição de verbas.

    Enquanto o fechamento paralisa serviços e agrava o caos aéreo, o governo e a oposição trocam acusações nas redes sociais. Trump atribui o bloqueio aos democratas, que, por sua vez, o acusam de negligência. O Senado deve votar nesta sexta-feira um novo texto orçamentário em uma tentativa de encerrar a crise que já ameaça a economia e a rotina de milhões de americanos.

    Shutdown: cancelamento de voos pode causar caos nos EUA nesta sexta

  • Shutdown nos EUA: uma em cada oito pessoas passa fome no país

    Shutdown nos EUA: uma em cada oito pessoas passa fome no país

    O shutdown mais longo da história dos Estados Unidos suspendeu o programa SNAP, que garante comida a milhões de famílias. Sem recursos federais, o país enfrenta aumento da fome, caos nos aeroportos e alta nos custos do sistema de saúde

    Com o governo dos Estados Unidos paralisado há semanas, o país enfrenta o maior shutdown de sua história e as consequências já atingem milhões de pessoas. Cerca de 42 milhões de americanos que dependem do programa de assistência alimentar SNAP, conhecido como vale-alimentação, estão sem acesso garantido ao benefício desde sábado (1º), quando o fundo que o sustenta ficou sem recursos.

    Sem o financiamento federal, famílias de baixa renda correm risco de passar fome. O governo anunciou que os beneficiários receberão apenas metade do valor habitual, após uma decisão judicial impedir a suspensão completa do programa.

    “Tenho que escolher entre pagar meus remédios, as contas ou comprar comida para mim e meus animais”, relatou um veterano de guerra do Missouri ao The Guardian.

    De acordo com a rede Feeding America, que administra centenas de bancos de alimentos no país, a demanda por ajuda cresceu de forma “sem precedentes”. “Uma em cada oito pessoas nos EUA não tem o suficiente para comer. Se você é uma das sete que têm, é hora de agir”, afirmou Linda Nageotte, presidente da organização.

    Além do impacto alimentar, o shutdown também afeta os programas de saúde pública. Com o fim dos subsídios criados em 2021, o custo das apólices do Obamacare aumentou, e muitos cidadãos de baixa renda perderam a cobertura gratuita. Há casos em que o valor dos planos dobrou.

    A crise também atinge o transporte aéreo. Cerca de 730 mil funcionários federais continuam trabalhando sem receber salário, entre eles os controladores de voo, que já alertaram que não voltarão ao trabalho até o fim da paralisação. Na sexta-feira (31), dois aeroportos de Nova York precisaram suspender temporariamente pousos por falta de pessoal.

    Durante a última paralisação federal, em 2018-2019, foi justamente o colapso parcial do tráfego aéreo que forçou democratas e republicanos a chegarem a um acordo.

    Enquanto milhões de americanos enfrentam insegurança alimentar e incertezas, o ex-presidente Donald Trump foi alvo de críticas por realizar uma festa luxuosa inspirada no universo de O Grande Gatsby, símbolo de ostentação e desigualdade social.

    Shutdown nos EUA: uma em cada oito pessoas passa fome no país

  • Bolsa renova recorde, e dólar fecha em queda após decisão do Copom

    Bolsa renova recorde, e dólar fecha em queda após decisão do Copom

    O dólar caiu 0,23% e fechou o dia cotado a R$ 5,348; o Ibovespa, principal índice da B3, superou pela primeira vez na história os 154 mil pontos, ao atingir 154.352 pontos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa brasileira renovou o recorde de fechamento nesta quinta-feira (6), ao encerrar o dia em leve alta de 0,02%, aos 153.339 pontos.

    No pico das negociações, o Ibovespa, principal índice da B3, superou pela primeira vez na história os 154 mil pontos, ao atingir 154.352 pontos. O índice perdeu fôlego ao longo da tarde, mas ainda assim completou o 12º pregão seguido de valorização.

    O dólar, por sua vez, caiu 0,23%, cotado a R$ 5,348. O movimento de enfraquecimento da moeda americana também foi observado no exterior: o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas, recuou 0,47%, a 99,70 pontos.

    Em um dia de agenda econômica esvaziada, os investidores repercutiram a decisão do Banco Central, anunciada na véspera, de manter a Selic em 15% ao ano e defender que a taxa permaneça nesse patamar por um “período bastante prolongado”.

    No mercado doméstico, os investidores reagiram a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, de segurar a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela terceira reunião seguida.

    A definição ocorreu apesar do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçar a pressão por cortes na última semana.

    Assim como em setembro, mês da última decisão do Copom, o colegiado do BC voltou a adotar um tom conservador e manteve a indefinição sobre o início dos cortes de juros à frente.

    No comunicado, o comitê demonstrou mais convicção em seu plano ao afirmar que avalia como suficiente a estratégia de manter a taxa no nível atual por período “bastante prolongado” para a convergência da inflação à meta. Parte dos economistas acreditava que o Copom retiraria o advérbio “bastante” da frase, abrindo espaço para ajustes mais cedo, o que não ocorreu.

    A decisão do Copom já era aposta praticamente unânime entre analistas, mas há dúvidas sobre o que vai acontecer daqui para frente.

    Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o comunicado sinalizou que o corte não deve vir tão cedo. “O Copom indicou que irá esperar o mercado interno e externo terem mais desdobramentos para definir uma política monetária menos restritiva”.

    Marcos Praça, diretor de análise na Zero Markets Brasil, classificou o comunicado do Copom como neutro. “O comitê fez um comunicado sem brechas para interpretação. Inclusive, mencionou que poderia elevar os juros, o que reforça o tom cauteloso. Basicamente, o BC preferiu deixar para as próximas decisões qualquer mudança”.

    De acordo com Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o comunicado do BC após a decisão ainda é conservador e firme, mas tem algumas sinalizações discretas. “O Comitê vê sinais de desaceleração da inflação, que se continuarem, darão maior confiança para a autoridade cortar a Selic”.

    Ele, contudo, afirma que o corte não deve acontecer na decisão de dezembro, mas sim em janeiro de 2026.

    Desde a reunião anterior, em setembro, as projeções para a inflação coletadas pelo boletim Focus recuaram de 4,3% para 4,2% para 2026 e de 3,93% para 3,8% para 2027 -janela de tempo na mira do BC devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia.

    O objetivo central perseguido pelo BC é de 3%. No modelo de meta contínua, o alvo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

    No mercado de câmbio, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, melhor para o real. Quando a taxa por lá cai -como ocorreu nas últimas duas reuniões do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano)- e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de “carry trade”.

    Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro. O aporte aqui implica na compra de reais, o que desvaloriza o dólar.

    Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a decisão do Banco Central, vista como sinal de independência e firmeza na condução da política monetária, “reforçou o carry trade do local e sustentou o real” durante o pregão.

    Investidores também permaneceram atentos a dados da economia norte-americana.

    A empresa global de recolocação Challenger, Gray & Christmas revelou nesta quinta que as demissões em massa anunciadas pelos empregadores dos EUA aumentaram em outubro, marcando o nível mais alto para o mês em 22 anos.

    Os dados contrastam com números da ADP, que mostraram que a abertura de vagas no setor privado se recuperou em outubro, marcando 42 mil novos postos de trabalho, acima da expectativa de 28 mil.

    Historicamente, a estimativa mensal da ADP tem se desviado da contagem do relatório de emprego do governo produzida pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho, e, por causa disso, economistas pedem cautela ao interpretar os números.

    Por causa da paralisação do governo federal dos Estados Unidos, agora a mais longa da história, a divulgação de dados oficiais sobre a economia americana está suspensa. O momento é particularmente sensível para o BC americano, que se vale dos números econômicos para decidir sobre a taxa de juros.

    Sem a referência das publicações oficiais do governo, a autoridade se abastece de relatórios laterais para decisões de política monetária, embora reconheça que a ausência de dados “padrão-ouro” limita a visibilidade sobre a atividade.

    Na reunião da semana passada, o Fed estendeu o ciclo de cortes de juros em mais uma redução de 0,25 ponto percentual, repetindo a dose do encontro anterior, e levou a taxa à banda de 3,75% e 4%.

    Novos cortes não estão garantidos. “Longe disso”, afirmou o presidente da autarquia, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a decisão. “Houve opiniões muito diferentes sobre como proceder em dezembro”, disse ele.

    De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, investidores veem uma chance de 67% de um corte de 0,25 ponto na reunião de 10 de dezembro

    Bolsa renova recorde, e dólar fecha em queda após decisão do Copom

  • Exportações brasileiras batem recorde em outubro, apesar de tarifaço

    Exportações brasileiras batem recorde em outubro, apesar de tarifaço

    Ásia e Europa compensaram queda de 37,9% nas vendas para EUA; dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic)

    A diversificação das exportações para a Ásia e a Europa compensou os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, três meses após a retaliação comercial do governo de Donald Trump. As vendas do Brasil para o exterior cresceram 9,1% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, batendo recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1989.

    O crescimento ocorreu mesmo com a forte queda de 37,9% nas vendas para os Estados Unidos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

    Segundo o levantamento, as exportações somaram US$ 31,97 bilhões no mês passado, enquanto as importações atingiram US$ 25,01 bilhões, resultando em superávit comercial de US$ 6,96 bilhões. 

    A retração nas exportações para os Estados Unidos, impactadas pelo tarifaço implementado pelo governo norte-americano, levou a uma queda de 24,1% nas vendas para a América do Norte. Essa foi a única região com redução nas exportações em outubro.

    O principal fator do encolhimento das vendas para a América do Norte foi a queda de 82,6% nos embarques de petróleo, equivalente a perda de US$ 500 milhões. Também recuaram as vendas de celulose (43,9%), óleos combustíveis (37,7%) e aeronaves e partes (19,8%).

    “Mesmo produtos que não foram tarifados, como óleo combustível e celulose, sofreram queda”, informou o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão.

    Outros mercados

    O recuo nas exportações para os Estados Unidos foi compensado pelo aumento das vendas para outras regiões, especialmente a Ásia, que teve alta de 21,2%, impulsionada pela China (33,4%), Índia (55,5%), Cingapura (29,2%) e Filipinas (22,4%).

    Entre os produtos, destacaram-se os aumentos nas exportações de soja (64,5%), óleos brutos de petróleo (43%), minério de ferro (31,7%) e carne bovina (44,7%).

    Na Europa, as vendas cresceram 7,6%, com forte avanço de minérios de cobre (823,6%), carne bovina (73,4%) e celulose (46,8%). Já a América do Sul apresentou alta de 12,6%, puxada pelos embarques de óleos brutos de petróleo (141,1%).

    Segundo Brandão, as exportações brasileiras para os Estados Unidos têm registrado redução constante nos últimos 3 meses. A queda foi de 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro.

    “Temos observado taxas de variação negativa cada vez maiores, na comparação com o mesmo mês do ano anterior”, explicou Brandão. 

    O diretor do Mdic destacou ainda que o movimento reflete não apenas os efeitos diretos das tarifas, mas também uma possível redução da demanda norte-americana.

    “A principal queda em termos absolutos foi no petróleo bruto, que não foi tarifado. Isso indica que há efeitos diversos influenciando a retração das exportações aos EUA”, completou.

    Exportações brasileiras batem recorde em outubro, apesar de tarifaço

  • TRE-SP aceita recurso de Marçal e rejeita ação que o tornou inelegível

    TRE-SP aceita recurso de Marçal e rejeita ação que o tornou inelegível

    Caso se refere a promessa de apoio feita por ex-candidato a quem enviasse Pix para sua campanha; pedido de vista interrompeu julgamento relativo a cortes monetizados em 2024

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) aceitou por unanimidade um recurso de Pablo Marçal (PRTB) hoje e rejeitou uma ação que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024.

    O ex-candidato à Prefeitura e São Paulo foi acusado após prometer gravar vídeos em apoio a candidatos a vereadores em troca de doações para sua campanha.

    Na ocasião, pediu Pix de R$ 5.000 para apoiar os candidatos. “Você conhece alguém que queira ser vereador e é candidato? Essa pessoa vai fazer o quê? Ela vai mandar um Pix para a minha campanha, de doação, Pix de R$ 5.000. Fez essa doação, eu mando o vídeo. Clicou aqui no formulário, cadastra, a equipe vai entrar em contato”, disse em vídeo publicado em setembro de 2024.

    Marçal foi condenado na primeira instância em fevereiro. A ação foi protocolada pelo PSB e pela coligação de Guilherme Boulos (PSOL), seu adversário na campanha.

    A Justiça Eleitoral na ocasião determinou pena de inelegibilidade por oito anos em razão de abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação social e captação ilícita de recursos, mas ele recorreu.

    No julgamento desta quinta-feira (6), o relator afirmou não haver prova suficiente para condenar o ex-candidato. O juiz Cláudio Langroiva Pereira afirmou que o vídeo em que Marçal pediu o Pix tem conteúdo ilícito, mas é insuficiente para justificar a condenação. Ele também considerou que a defesa comprovou a devolução dos valores recebidos.

    Segundo o magistrado, não foi possível identificar quantas doações foram realizadas para a campanha. “Embora o vídeo da campanha contenha a proposta ilícita, os elementos probatórios carregados aos autos não foram suficientes para demonstrar a amplitude da divulgação e o volume de recursos efetivamente movimentados em decorrência direta da oferta ou seu impacto concreto na campanha eleitoral de forma desequilibrada”, declarou Pereira.

    O TRE-SP também começou a analisar nesta quinta outro processo que tornou Marçal inelegível. Nessa segunda ação, também movida pelo PSB, ele foi acusado de criar um esquema de “cortes” de vídeos nas redes sociais. O partido afirmou à Justiça que Marçal monetizava eleitores que divulgassem os trechos nas redes sociais com brindes e prêmios em dinheiro. Neste caso, ele também recorreu após se tornar inelegível por oito anos.

    O relator aceitou parcialmente o recurso. Rejeitou a condenação por acusação captação ilícita de recursos e abuso do poder econômico, mas manteve a punição por uso indevido dos meios de comunicação social e a sanção de inelegibilidade de oito anos. O julgamento foi suspenso por pedido de vista do juiz Regis de Castilho e será retomado no dia 4 de dezembro.

    TRE-SP aceita recurso de Marçal e rejeita ação que o tornou inelegível

  • Problemas com descontos no INSS era recorrente, diz ministro de Bolsonaro

    Problemas com descontos no INSS era recorrente, diz ministro de Bolsonaro

    A CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social investiga as suspeitas de irregularidades nos descontos associativos; a Comissão ouviu Onyx Lorenzoni na condição de convidado

    O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que as suspeitas de irregularidades nos descontos associativos são antigas e atravessam diferentes gestões.

    “O problema com descontos associativos era recorrente. Tem denúncias de problemas com acordos ou com procedimentos dos mais diferentes governos desde 2010, registrados pela imprensa brasileira”, comentou Lorenzoni ao depor à comissão, na condição de convidado, nesta quinta-feira (6).

    Lorenzoni comandou a pasta à qual o INSS está vinculado por oito meses, do fim de julho de 2021 a março de 2022. Hoje, ao depor, ele admitiu que já estava ciente do problema ao assumir a pasta. Tanto porque, de acordo com ele, a imprensa vinha noticiando “problemas” relacionados a cobranças não autorizadas em benefícios previdenciários desde ao menos 2010, como porque o pai de um de seus assessores já tinha sido vítima de descontos não autorizados e passou meses tentando reaver os valores devidos. 

    “Durante a transição [entre as gestões do ex-presidente Michel Temer e Bolsonaro], este assessor me disse que tínhamos a oportunidade de mudar isso. Então, fomos ao grupo de trabalho [que discutia as prioridades do novo governo para a] Previdência, contamos a história [do pai do assessor], lembramos de um episódio de 2018 e pedimos que fossem estudados modelos de aperfeiçoamento e de combate a eventuais fraudes”, contou Lorenzoni.Segundo o ministro, este foi o motivo para que uma das primeiras iniciativas do governo Bolsonaro tenha sido enviar ao Congresso Nacional, logo no início de 2019, a Medida Provisória (MP) 871, que deu origem a Lei 13.846, aprovada com a justificativa de coibir fraudes em benefícios, “incluindo descontos indevidos”, e conter as despesas previdenciárias.

    De acordo com Lorenzoni, a proposta original previa que as entidades responsáveis por solicitar ao INSS o desconto das mensalidades de seus associados comprovassem as validades das autorizações anualmente, mas durante a tramitação da MP, o Congresso Nacional “usou de sua prerrogativa” e derrubou a proposta, aprovando a revalidação em três anos, a partir de 31 de dezembro de 2021. O então presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 13.846 em junho de 2019, sem vetar este ponto. Posteriormente, ao aprovarem outras MPs, os próprios parlamentares acabaram com a obrigatoriedade da revalidação, só retomada a partir de 2020, ainda no governo Bolsonaro.

    Em seu depoimento, Lorenzoni afirmou que, enquanto ministro do Trabalho e da Previdência, não tomou conhecimento de filiações em massa ou mesmo do desbloqueio em lotes de descontos de mensalidades associativas. “O INSS é uma autarquia autônoma. Isso não era da competência direta do ministro”, comentou, destacando que, já em 2019, o INSS adotou ações administrativas contra entidades denunciadas, cancelando as autorizações para que quatro associações investigadas oferecessem a possibilidade de associados pagarem suas mensalidades mediante descontos nos benefícios previdenciários. No ano seguinte, outras cinco entidades foram punidas.

    Questionado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Lorenzoni garantiu que jamais recebeu informações de que dirigentes do INSS tenham cometido desvios de conduta ou recebido vantagens indevidas durante o período em que ele esteve à frente do ministério. Admitiu, contudo, que, em 2022, recebeu R$ 60 mil do empresário Felipe Macedo Gomes, então presidente de umas das entidades investigadas no âmbito da Operação Sem Desconto, a Amar Brasil Clube de Benefícios, mas assegurou que, até então, não conhecia Gomes e que o dinheiro foi doado para sua campanha eleitoral ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022.

    Gaspar também perguntou sobre o fato do filho do ex-ministro, o advogado Pietro Lorenzoni, ter prestado serviços a outra das entidades investigadas por suposto envolvimento na fraude contra aposentados e pensionistas, a União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap). Lorenzoni negou tráfico de influência, afirmando que o escritório do qual o filho é um dos sócios foi contratado pela competência da equipe, e que desconhecia os negócios do filho.

    Ao fazerem uma pausa para o almoço, o relator da comissão disse que as informações prestadas por Lorenzoni serão confrontadas com as de outros depoentes e com toda a documentação já disponível. “[Ainda] não consigo fazer um juízo de valor se ele falou ou não a verdade. Vamos confrontar isto com os documentos. Ele passou oito meses à frente do ministério e estas fraudes já existiam. [Por isso] vamos analisar as condutas de todos os ministros para saber quais providências foram tomadas”, comentou Gaspar, destacando que, embora não tenha se esquivado das perguntas, não esclareceu a questão do dinheiro que recebeu do ex-presidente da Amar Brasil, nem o fato de seu filho advogar para uma das entidades investigadas.

    “Poderia ser um depoimento mais aprofundado, mas ele trouxe dados e falou que durante sua gestão, os descontos associativos diminuíram. Ainda vou confrontar isso com os documentos que temos. O que posso dizer é que, durante a gestão dele, foram assinados seis Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com entidades que se mostraram fraudulentas. Mas como ele disse, o INSS é uma autarquia e ele não conhece as entidades e não participou das assinaturas. Temos que analisar até que ponto ele e outros ministros tiveram conduta omissiva diante de tudo aquilo que está posto”.

    Convocações

    Antes de ouvir Lorenzoni, os integrantes da CPMI do INSS aprovaram as propostas de que o colegiado peça ao ministro André Mendonça, relator da ação sobre os descontos ilegais de mensalidades associativas no Supremo Tribunal Federal (STF), as prisões preventivas de mais cinco investigados: Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios; Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT); Silas Vaz, secretário da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e de Domingos Sávio de Castro e Rubens Oliveira Costa, ligados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado Careca do INSS, apontado como principal operador do esquema.

    A CPMI também aprovou a acareação entre Antunes e o advogado Eli Cohen, um dos primeiros a apontar as fraudes nos descontos associativos de aposentados e pensionistas do Regime Geral da Previdência Social. A data para que os dois sejam ouvidos, frente a frente, ainda vai ser definida.

    Problemas com descontos no INSS era recorrente, diz ministro de Bolsonaro

  • Saiba quem será contemplado e como funcionará a isenção do IR

    Saiba quem será contemplado e como funcionará a isenção do IR

    Quem ganha até R$ 7.350 por mês vai se beneficiar com a medida; a sanção deve ocorrer nos próximos dias para que a isenção possa valer já em 2026

    O plenário do Senado aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (5), o Projeto de Lei 1.087/2025, que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), contemplando quem ganha até R$ 5 mil. Encaminhado pelo governo federal em março ao Congresso, o texto foi aprovado em outubro pela Câmara e, após a votação pelo Senado, poderá ser sancionado. 

    A sanção deve ocorrer nos próximos dias para que a isenção possa valer já em 2026. A principal mudança é que o projeto isenta quem ganha até R$ 5 mil mensais e aumenta a taxação dos mais ricos.

    O governo calcula que cerca de 25 milhões de brasileiros vão pagar menos impostos, enquanto outros 200 mil contribuintes terão algum aumento na tributação.  

    Confira abaixo as principais mudanças a partir da aprovação do projeto:  

    Quem vai deixar de pagar o Imposto de Renda? 

    Atualmente, a isenção do IR alcança apenas quem ganha até R$ 3.076 (dois salários mínimos). A nova legislação isentará, a partir de janeiro do ano que vem, o imposto de renda sobre rendimentos mensais de até R$ 5 mil para pessoas físicas. 

    Quais faixas de renda vão passar a pagar menos imposto? 

    Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, haverá uma redução parcial dos valores a serem pagos – quanto menos ganhar, maior a redução.  

    Os contribuintes com rendimentos acima de R$ 7.350 não serão contemplados pela medida.  

    Quem vai pagar mais imposto? 

    Para compensar a perda de arrecadação com a isenção, o projeto prevê uma alíquota extra progressiva de até 10% para aqueles que recebem mais de R$ 600 mil por ano, o equivalente a R$ 50 mil por mês. O texto também estabelece a tributação para lucros e dividendos remetidos para o exterior com alíquota de 10%. 

    Contribuintes pessoas físicas de alta renda recolhem hoje, em média, uma alíquota efetiva de 2,5% de IR sobre seus rendimentos totais, incluindo distribuição de lucros e dividendos. Trabalhadores em geral pagam, em média, 9% a 11% de IR sobre seus ganhos. 

    A partir de quando vai valer a mudança? A nova regra vai valer a partir do ano que vem, caso seja sancionada até dia 11 de novembro. O governo já sinalizou que irá sancionar a medida até esta data.  

    Dessa forma, a partir de janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil deixa de pagar ter o imposto descontado e, quem ganha até R$ 7.350, pagará menos.

    Na prática, a isenção terá impacto na declaração do IRPF 2027, com o ano-base 2026.  

    Saiba quem será contemplado e como funcionará a isenção do IR