Na pele de Candinha, ela conta que a trama tem como intuito dar holofote a temas que, infelizmente, ainda permanecem atuais.
LEONARDO VOLPATO
SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Um novelão para fazer refletir. É assim que a atriz Erika Januza, 40, acredita que “Dona Beja”, remake da HBO Max, vai impactar o telespectador. Na pele de Candinha, ela conta que a trama tem como intuito dar holofote a temas que, infelizmente, ainda permanecem atuais.
“Logo no primeiro capítulo, a Candinha sofre grande injustiça. Ela representa a voz da mulher negra silenciada e humilhada que perdura por tantos anos. Ela é arrastada em praça pública, sofre tentativa de abuso e vai para um prostíbulo”. A novela estreou na segunda-feira (2).
Para ela, é importante ser porta-voz de papéis desse tipo. “São cenas fortes. Mas minhas personagens sempre me permitem fazer denúncias por meio do audiovisual. A violência contra a mulher acontecia naquela época e ainda acontece hoje”, explica.
A partir desse momento, Candinha, uma figura influente da cidadezinha mineira de Araxá, acaba desamparada pela família e pela sociedade, e sua vida muda para sempre. Mas Erika explica que mesmo com dores e tudo o que ela carrega, continua acreditando no amor.
“Ela não vai se amargurar. Se envolve numa relação amorosa que não vai adiante, pois a pessoa ama outra. Se torna uma mulher negra preterida, algo que eu sempre debato”, afirma. “Tomara que os julgamentos e o preconceito sofridos pela personagem façam as pessoas pensarem mesmo.”
As cenas de sexo do folhetim são bastante picantes. Segundo a coordenadora de intimidade Roberta Serrado, serão cerca de 80 momentos do tipo. Para Erika, isso não é um problema.
“Hoje estou mais tranquila com cenas de nudez e sexo. Mas antes eu ficava imaginando o que minha família iria achar”, recorda. “Os diretores deixam no estúdio apenas quem precisa estar, mas precisamos nos concentrar. Apesar da vergonha, tento não transparecer”, reforça a atriz. Além dela, Grazi Massafera, a Beja, também será vista de forma ousada. A intérprete da protagonista disse à reportagem que a trama vai incomodar muta gente.
No enredo da novela original de 1986 (TV Manchete), passado em 1819, na cidade mineira de Araxá, Beja (Grazi) está apaixonada e prometida em casamento a Antônio (David Junior). Ele vai estudar na Inglaterra e deixa a cidade por um tempo. Num baile de sociedade, Beja vira o alvo da cobiça do Ouvidor de Dom Pedro, Joaquim Mota (Virgílio Castelo), que a rapta e leva à vizinha Paracatu.
O povo de Araxá acredita que Beja fugiu com o Ouvidor porque quis, um boato alimentado pela maléfica irmã de Antônio, Maria (Indira Nascimento). Enquanto Antônio é levado a se casar com sua irmã de criação, Angélica (Bianca Bin), Beja fica rica, retorna e choca ao abrir um bordel.
A história ficou dois anos engavetada, o que gerou bastante ansiedade do elenco. “A gente tinha um grupo [de WhatsApp] e sempre falava que queria que fosse logo ao ar. Lembro de muitas perguntas sobre como havia sido tal gravação e era até difícil de lembrar. Vivi tantas outras coisas nessa espera que fiquei impactada ao rever os primeiros capítulos”, completa Erika Januza.
CARNAVAL NA VIRADOURO
Após ser rainha de bateria da Viradouro por quatro anos (2022-2025), Erika Januza está de volta à agremiação. Em março do ano passado, ela havia anunciado que era sua despedida à frente dos ritmistas da escola de samba de Niterói. “Quando me tornei rainha, meus presidentes me disseram que não queriam um reinado muito longo. A Viradouro me pediu o cargo”, explicou na ocasião.
Mas o “tchau” virou um “até ano que vem”. O convite veio de surpresa. “A minha preparação física não existiu, porque foi tudo rápido. Vai ter de ser na base da alegria e energia mesmo. Nesse ano, vou estar num carro alegórico. Sou louca pelo Carnaval e estava triste por ficar de fora”, afirma.
O samba-enredo da Viradouro para essa temporada será sobre os 50 anos do mestre Ciça à frente da bateria da escola. “Eu aceitei pela história do Ciça, com quem pude trabalhar por quatro anos. Toda rainha sonha em estar ao lado dele.”

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