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  • Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz irmão de Joesley

    Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz irmão de Joesley

    Júnior Friboi diz ter visto prós e contras nos desdobramentos do tarifaço; primogênito dos irmãos Batista avalia que polarização teve impacto na crise entre EUA e Brasil

    LONDRES, REINO UNIDO (CBS NEWS) – Passadas as conversas que levaram à abertura de diálogo entre os governos americano e brasileiro sobre o tarifaço de Donald Trump, José Batista Junior, o primogênito dos irmãos Batista, avalia que a polarização teve impacto na crise.

    Júnior Friboi, como é conhecido o empresário da família gigante do setor de carnes, diz que ainda não se encontrou com Joesley depois que o irmão esteve pessoalmente com Trump para tratar do tema em setembro.

    Em entrevista concedida nesta sexta-feira (31), durante evento do Lide, que reuniu empresários em Londres, Júnior fez um relato sobre o encontro de Joesley com Trump. Ele afirmou que a ideia era falar do tamanho das operações que a família possui nos Estados Unidos. Com isso, relatou Júnior, Joesley também conversou com o presidente americano sobre a realidade brasileira.

    “Tem muita conversa distorcida, e nós fomos falar a verdade, a realidade do que está acontecendo no Brasil. E ele escutou e deu toda a atenção. E achou que seria muito favorável encontrar com o presidente do Brasil para que os dois países continuassem a conversar e a fazer bons negócios e voltar a ter um bom relacionamento. Tem muita coisa que estão dizendo para o governo americano que não é verdade”, disse Júnior aos jornalistas.

    Quando anunciou o tarifaço contra o Brasil, em julho, Trump citou expressamente entre as justificativas o caso de Jair Bolsonaro na Justiça brasileira em meio às movimentações do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, em Washington.

    Questionado se Trump foi enganado antes de decidir sobretaxar o Brasil, Júnior afirma que algumas palavras podem ter sido incompatíveis.

    “Eu não digo que enganou, mas eu acredito que, em função da polarização em que o Brasil está hoje, da divisão política em que o Brasil está hoje, algumas informações para alcançar o poder, para tentar voltar ao poder, eu acredito que faz toda influência. Eu acho que tem algumas palavras, algumas conversas, que não são compatíveis com a realidade do que nós estamos passando hoje. É basicamente isso, nada diferente do que nós falamos para eles, que o Brasil é um país pacífico”, relatou Júnior.

    Do ponto de vista econômico, ele afirma ter visto prós e contras nos desdobramentos do tarifaço.

    “Por um lado, é ruim porque você deixa de vender. Por outro lado, foi muito bom, porque nós abrimos outros mercados que não tínhamos. Deu uma grande oportunidade. Essas tarifas impostas pelos Estados Unidos fizeram com que o mundo procurasse o Brasil”, disse Júnior.

    “Abrimos [mercado em] China, Indonésia, Vietnã, abrimos tantos outros mercados. Os mercados asiáticos que nós começamos a buscar estão buscando o Brasil para substituir alguns produtos americanos por causa dessas condições de taxação americana”, afirmou.

    Júnior afirmou que, a despeito da taxação imposta por Trump, a exportação ainda compensa. “Ainda é viável exportarmos para os EUA por causa da diferença do preço que está no mercado interno americano para o mercado interno brasileiro.

    “Para se ter uma ideia, o boi nos EUA hoje está a US$ 120 a arroba. No Brasil é US$ 60”, disse.

    Ele argumenta que os Estados Unidos estão reduzindo a produção de rebanho, o que eleva a necessidade de carne brasileira para a indústria.

    Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz irmão de Joesley

  • Crime organizado: Haddad defende asfixiar fontes de financiamentos

    Crime organizado: Haddad defende asfixiar fontes de financiamentos

    “A gente tem falado muito para os governantes que, além da questão territorial e além de cumprir mandado de prisão, que são importantes, se não asfixiar o financiamento do crime organizado não vai dar certo”, disse o ministro

    É preciso “asfixiar as fontes de financiamento” para se combater adequadamente o crime organizado. Defendeu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista à imprensa para comentar sobre os resultados finais da Operação Fronteira da Receita Federal, na tarde desta sexta-feira (31), em São Paulo.

    “A gente tem falado muito para os governantes que, além da questão territorial e além de cumprir mandado de prisão, que são importantes, se não asfixiar o financiamento do crime organizado não vai dar certo. Nós temos que entrar por cima, combatendo e asfixiando o financiamento do crime organizado”, afirmou.

    “Não adianta só o chão de fábrica, nós precisamos chegar nos CEOs. Os CEOs do crime organizado precisam pagar também pelo que fazem. Se não chegar na gerência, na diretoria, no CEO, você terá esse dinheiro voltando a abastecer o crime organizado”, ressaltou, Haddad. 

    A fala do ministro ocorre na mesma semana em que foi desencadeada uma operação policial no Rio de Janeiro contra a organização criminosa Comando Vermelho e que terminou com a morte de mais de uma centena de pessoas, o que gerou críticas e repercussão internacional.

    Para o titular da Fazenda, não adianta realizar o combate somente dentro das comunidades se o comando do crime organizado não for asfixiado.

    “Você vai na comunidade imaginando que você está combatendo o crime organizado e o verdadeiro bandido está em outro lugar, está em outro país, usufruindo da riqueza acumulada ilicitamente, ao arrepio da lei brasileira e aliciando jovens, ceifando vidas, colocando a população em risco. É isso que nós precisamos compreender. Nós precisamos atuar em todas as camadas do crime”, disse.

    Pedido a Cláudio Castro

    Durante a entrevista, o ministro fez um pedido especial ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, falando que é preciso que o PL, partido do qual Castro faz parte, aprove a lei do devedor contumaz. Essa lei torna mais rígida as regras para os chamados devedores contumazes, como aquele que usa a inadimplência fiscal como estratégia de negócio, deixando de pagar os tributos de forma reiterada e sem justificativa.

    “Estou fazendo um apelo para que o governador convença a bancada do Rio de Janeiro do seu partido a votar a favor da lei do devedor contumaz, porque repito, nós temos que trabalhar em todas as camadas da atuação do crime organizado”, disse . “O PL precisa compreender a importância desse projeto que estava adormecido”, completou Haddad.

    Devedores contumazes

    Segundo Haddad, muitos desses devedores contumazes do país estão envolvidos com a criminalidade no Rio de Janeiro. “O devedor contumaz é uma palavra chique para falar do sonegador. E, por trás do sonegador, o que tem na verdade é o crime organizado”, destacou.

    No entendimento de Haddad, “o devedor contumaz é um tipo de sonegador que se vale de estratégias jurídicas e fraudulentas para evitar que a Receita Federal e as Polícias Federal e Civil cheguem nas pessoas que estão lavando dinheiro em supostas atividades lícitas”, explicou.

    “Em geral, a origem do dinheiro do crime organizado é ilícita e ele procura misturá-la com atividades lícitas para lavar dinheiro. É o que acontece com o posto de gasolina, com os motéis da região das Marginais [Pinheiros e Tietê] que foram interditados aqui em São Paulo”, completou o ministro.

    Fundos divulguem CPFs

    Para ajudar a combater esse crime organizado, Haddad informou que a Receita Federal publicou hoje uma portaria que obriga os fundos a divulgarem os CPFs dos beneficiários. “Agora todos os fundos vão ser obrigados a dizer até o CPF. Então, se houver um esquema aí de pirâmide, de fundo que controla fundo que controla fundo, você vai ter que chegar no CPF da pessoa”, disse.

    “Com essa determinação da Receita Federal, agora nós vamos saber o CPF que está por trás, a pessoa que está por trás. Vamos saber se é um laranja, se é um residente, se é um não-residente. Nós vamos saber exatamente quem é essa pessoa e vamos aumentar o nosso poder fiscalizador”, acrescentou Haddad.

    Operação Fronteira

    Ao falar dos resultados finais da Operação Fronteira, que teve início no dia 22 de outubro e, segundo a Receita Federal, foi a maior iniciativa de vigilância e repressão em pontos de fronteira terrestres, marítimos e aéreos utilizados em rotas de contrabando, descaminho e crimes como tráfico de drogas, de armas e de animais, Haddad informou que, nos últimos 15 dias, foram presas 27 pessoas, apreendidos 213 mil litros de bebida adulterada e mais de 3 toneladas de drogas.

    Isso foi feito com a ajuda dos governadores do Paraná, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e com todo o aparato federal combinado, integrados. Não teve tiro, não teve morte. Apreendemos mais de mil armas do crime organizado. Nós descobrimos um plano de furto dessas armas que agora estão sob guarda das Forças Armadas. Nós interditamos um prédio de 20 andares com mercadorias ilícitas em Belo Horizonte. Tudo isso foi feito com parceria federativa, sem olhar para partido político de quem quer que seja, fazendo com que os órgãos de estado trabalhassem cooperativamente nas regiões de fronteira”, destacou.

    A Receita Federal informou que a operação, concluída hoje, foi realizada em 60 municípios de 20 estados. Os agentes retiraram de circulação mais de R$ 160 milhões em mercadorias ilegais. Cumpriram também 27 prisões em flagrante de suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas e contrabando. Além disso, foi apreendida uma aeronave que levava mais de 500 smartphones de alto valor.

    Além da Receita Federal, participaram da Operação Fronteira diversas instituições de segurança pública, fiscalização e defesa, como o Exército Brasileiro, Marinha do Brasil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Rodoviárias Estaduais, Polícia Militar, Polícia Civil e Guardas Municipais. Outros órgãos de controle como Ibama, Mapa, Anac, Anatel e Anvisa também integram a iniciativa.

     

    Crime organizado: Haddad defende asfixiar fontes de financiamentos

  • Titular surpreso e reserva irritado mantêm Palmeiras na luta pelo tetra

    Titular surpreso e reserva irritado mantêm Palmeiras na luta pelo tetra

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A grande virada do Palmeiras sobre a LDU nas semifinais da Copa Libertadores começou com um cruzamento de Allan, 21, e terminou com um chute de Raphael Veiga, 30. Derrotado por 3 a 0 no jogo de ida, em Quito, o time alviverde fez 4 a 0 na partida de volta, em São Paulo, um resultado em grande parte explicado pelas atuações do jovem jogador e do experiente ídolo.

    A reviravolta da noite de quinta-feira (30) passou pelos pés de ambos e pelas decisões do técnico Abel Ferreira, a partir da escalação. O meia-atacante Allan, canhoto, ficou surpreso por ter sido posicionado na ala direita. O meia Raphael Veiga ficou irritado, dado seu histórico de gols decisivos, por ter sido deixado no banco de reservas.

    Todos terminaram a noite sorrindo.

    “Foi uma noite mágica”, disse Allan, repetindo o que se tornou o bordão da jornada. “Não é todo dia que acontece isto aqui no futebol”, afirmou Veiga.

    Allan levou ampla vantagem sobre a marcação e abriu a defesa da LDU. No primeiro tempo, criou a jogada do gol de Sosa e outras boas oportunidades. Na etapa final, teve a companhia de Veiga a partir dos 19 minutos e participou dos dois gols do companheiro -iniciando o ataque do primeiro e fazendo a ótima jogada individual que resultou no pênalti do segundo.

    Foi tudo uma surpresa para o garoto, que tem apenas dois gols em 46 partidas como profissional. “Fiquei sabendo que seria titular depois do último treino. Bateu ansiedade, nervosismo, mas o Abel conversa com a gente para deixar o jogo leve”, disse, ainda sem jeito para lidar com os microfones.

    Na visão do treinador, Allan “pode fazer o 8, pode fazer a ponta, tem uma verticalidade absurda”. Por isso, quando o Zenit, da Rússia, sinalizou recentemente a possibilidade de uma oferta de 15 milhões de euros (R$ 93,4 milhões) pelo futebol do garoto, o treinador avisou à direção que aceitá-la não seria uma boa ideia.

    “Falei com o [diretor Anderson] Barros: ‘Esse moleque não pode sair do Palmeiras’. Já vendemos muitos jogadores, não precisamos vender mais”, afirmou o técnico, antes de interromper afetadamente os elogios ao catarinense, que deu seus primeiros passos no esporte na base do Figueirense. “Não vou falar muito bem dele porque vai ser reconhecido.”

    Abel disse que solicitou à diretoria um aumento salarial ao jogador antes mesmo de seu desempenho contra a LDU. Listou entre os motivos sua “boa índole” e o fato de “entender o respeitar o treinador e o grupo de trabalho” nas ocasiões em que fica fora das partidas.

    Foram em outro tom seus elogios a Raphael Veiga, que foi substituído no intervalo do jogo de ida e ficou irritado. Também ficou incomodado com a reserva na partida de volta, antes de ser acionado e decidir.

    “Ele sofreu porque eu o substituí, passou dois ou três dias chateado comigo. Quando fez o gol, mandou-me para aquele lado, por seguro, mas não tem problema. Às vezes, tens que andar à procura de perceber que botão apertar para fazê-lo render. Pode ter certeza de que está chateado comigo”, sorriu Ferreira.

    Veiga, geralmente discreto em suas entrevistas, estava mesmo altivo ao apito final. Agora autor de 109 gols com a camisa alviverde, o que o faz o artilheiro do Palmeiras no século, recordou momentos anteriores em que foi decisivo -sua extensa lista de títulos no clube inclui dois da própria Libertadores, com gol marcado na final de 2021.

    Lembrou também os erros, como o cometido na decisão do Campeonato Paulista deste ano, um pênalti perdido contra o arquirrival Corinthians. A falha recente não o impediu de pegar a bola para mais um pênalti importante, convertido contra a LDU com um chute no meio.

    “Eu já acertei, já falhei em momentos decisivos, mas sempre vou ser o cara que dá a cara a tapa. Não interessa! Se for eu o cara para errar, vou errar. Mas, quando for para acertar, vou ser eu também”, bradou.

    Veiga acertou, com a ajuda de Allan, e está de novo na final da Libertadores.

    Titular surpreso e reserva irritado mantêm Palmeiras na luta pelo tetra

  • Angélica reage a rumores de harmonização facial

    Angélica reage a rumores de harmonização facial

    Apresentadora fala de autocuidado, maturidade e o peso das críticas sobre a aparência feminina; ela diz estar cansada da agressividade dos haters: ‘Um saco’

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Angélica, 52, fez um desabafo contundente durante o programa “Angélica Ao Vivo”, exibido nesta quinta-feira (30) no GNT, após ver seu nome envolvido em rumores sobre uma suposta harmonização facial. Ela apresentadora lamentou os comentários e destacou o quanto é incômodo ser alvo de especulações.

    A apresentadora começou contando o que a incomoda demais nos últimos tempos: a agressividade online. “Tem gente que parece hater profissional. Fiquei sabendo pelas redes sociais que eu tinha feito harmonização facial. Pois é, vou aproveitar para falar disso”, disse ela, ao lado de Xuxa Meneghel, 62, e Milton Cunha, 63, convidados da edição.

    Angélica negou o procedimento e aproveitou para refletir sobre o julgamento constante enfrentado pelas mulheres, especialmente as de sua faixa etária. “Não, eu não fiz. Poderia ter feito, por que não? Sou uma mulher de 52 anos, com o privilégio de poder me cuidar, e não escondo isso de ninguém. O que me espanta é abrir as redes e ver, todo santo dia, mulher sendo analisada”, afirmou, visivelmente incomodada.

    A mulher de Luciano Huck, 54, reforçou que sua fala vai além do caso pessoal: “Eu não sou um produto de prateleira. Estou falando de um grupo inteiro de mulheres da minha idade que trabalha, paga conta, cria filho, sustenta família e é julgada o tempo todo.”

    Por fim, Angélica criticou o duplo padrão imposto à aparência feminina: “Ou você é criticada porque envelheceu, ou porque não está tão velha quanto as pessoas esperam. Isso é um saco. Pronto, desabafei.” O comentário foi recebido com aplausos da plateia e dos convidados da atração do canal pago da Globo.

    Angélica reage a rumores de harmonização facial

  • Governo Tarcísio deixa deputados aliados sem emenda e gera incômodo na base

    Governo Tarcísio deixa deputados aliados sem emenda e gera incômodo na base

    Gestão diz que os 6 que votam com governador na Alesp ficaram de fora por questões administrativas; assessores conversam com deputados em evento para tentar explicar exclusão em remessa na saúde

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) deixou parte dos deputados da base na Alesp (Assembleia Legislativa) sem emendas parlamentares em uma remessa de R$ 380 milhões feita a municípios nesta semana e abriu uma nova frente de insatisfação com aliados.

    Embora o governo argumente que o grupo ficou sem recursos por questões administrativas, a atitude gerou desconfiança de deputados. Ficaram sem recursos a deputada Ana Carolina Serra (Cidadania) e os deputados Dirceu Dalben (Cidadania), Lucas Bove (PL), Oseias de Madureira (PRD) e Mauro Bragato (PSDB). Guto Zacarias (União Brasil) também ficou fora, mas não tinha indicado destinação de recursos.

    O repasse às prefeituras foi por meio de transferências fundo a fundo (quando o dinheiro sai da conta do fundo estadual de saúde direto para a conta dos fundos municipais). A liberação do dinheiro foi informada no Diário Oficial de quarta-feira (29), e os valores caíram nas contas municipais na quinta (30).

    Sob reserva, deputados estaduais da base buscaram relacionar a falta de repasses a Lucas Bove à denúncia feita pelo Ministério Público de agressão à ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas. A Promotoria chegou a pedir a prisão preventiva do deputado, que nega as acusações.

    No caso de Ana Carolina Serra, eles citam incômodo de aliados de Tarcísio com a atuação do marido dela, o ex-prefeito de Santo André Paulinho Serra (PSDB), que articula uma candidatura ao governo. No caso de Mauro Bragato, são citadas disputas eleitorais contra outros aliados do governador na região de Presidente Prudente.

    Nenhum dos deputados afetados quis manifestar suas críticas oficialmente. Em conversas reservadas, parte deles deixou clara à Folha a insatisfação.

    O governo paulista nega qualquer outro fator de influência além das questões administrativas. No evento, assessores especiais de Tarcísio ainda conversavam com parlamentares para evitar a perda de apoio e negar que a falta de repasse ao grupo estivesse relacionada a algum tipo de retaliação política.
    O argumento central da equipe de Tarcísio foi burocrático, no sentido de que havia um prazo para protocolar os pedidos de verbas, mas que as demandas feitas pelo grupo serão contempladas na próxima leva de repasses.
    “Às vezes, alguma prefeitura deixa de enviar alguma certidão, alguma documentação, mas não tem nenhuma crise. Todo mundo entendeu”, afirmou o presidente da Alesp, André do Prado (PL), um dos principais aliados políticos de Tarcísio no estado.
    Reconhecendo que não cumpriu o prazo para indicar as emendas, um deputado ouvido pela reportagem reclamou que a liberação de verba era uma promessa de Tarcísio que já estava atrasada e se queixou de que o repasse poderia ser feito a qualquer momento.
    Outro parlamentar afirmou que não se esforçaria para marcar presença nas sessões da Alesp com votação de projetos de Tarcísio.
    A Alesp tem 94 deputados. A oposição (PT, PSOL, PC do B, Rede e PSB) tem 28 assentos. Mesmo sem o grupo que ficou sem emendas, o governo ainda tem votos suficientes para aprovar com folga os projetos de lei de Tarcísio que tramitam na Casa -a maioria absoluta é de 48 votos.
    O anúncio da transferência foi feito em uma cerimônia com ares eleitorais no Palácio dos Bandeirantes, na tarde desta quinta, com entrega de cheque simbólico e filas para fotos com o governador.
    Os deputados têm feito queixas sobre demora na liberação das emendas. Até a semana passada, o governo havia repassado R$ 361,4 milhões por meio de transferências voluntárias às cidades. O total repassado em 2024 superou R$ 1 bilhão.
    A explicação para a liberação menor passa, segundo a versão dos deputados, por desentendimentos entre os dois encarregados do assunto na gestão Tarcísio: os secretários de Governo, Gilberto Kassab (PSD), e da Casa Civil, Arthur Lima. O governo nega desentendimentos.
    A negociação de bastidores previa que prefeitos e deputados divulgassem a chegada de recursos em suas redes sociais, fazendo propaganda de suas próprias gestões e também de Tarcísio.
    Desse modo, o governador ficou cerca de uma hora e meia no auditório do palácio tirando fotos com políticos do interior do estado –ele preferiu manter o ato com prefeitos a seguir para o Rio e participar da reunião com governadores da direita para tratar da crise de segurança pública.
    Segundo o secretário da Saúde, Eleuses Paiva, quando os parlamentares fizeram as indicações de repasse, a equipe de sua pasta observou que 140 cidades não receberiam nenhum recurso, uma vez que nenhum deputado tinha separado recursos para elas.
    A saída foi fazer transferências diretas do governo. “Então, os 645 municípios, no dia de hoje, estão recebendo o recurso”, disse o secretário, durante o evento.
    A reportagem não conseguiu contato com os dois deputados do Cidadania. Lucas Bove disse que suas emendas serão contempladas na próxima leva do governador -mesma declaração feita por Mauro Bragato- e negou haver descontentamento. Oseias de Madureira não respondeu.
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    Governo Tarcísio deixa deputados aliados sem emenda e gera incômodo na base

  • Número de mortos pelo furacão Melissa no Caribe sobe para 50

    Número de mortos pelo furacão Melissa no Caribe sobe para 50

    Haiti diz que há 20 desaparecidos; tempestade passa pela região das Bermudas, com ventos máximos de 155 km/h; segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA, o fenômeno deve se transformar em um ciclone extratropical

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O número de mortos pelo furacão Melissa subiu para 50, segundo balanços oficiais divulgados nesta sexta-feira (31), enquanto continuava avançando pela região das Bermudas, com ventos máximos de 155 km/h. A tempestade, porém, perdeu força. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês), o fenômeno deve se transformar em ciclone extratropical.

    No Haiti, o balanço de vítimas subiu para 31, com outras 20 pessoas ainda desaparecidas. Do total de mortes, dez eram crianças. O país, o mais populoso do Caribe, não foi atingido diretamente, mas sofreu dias de chuvas torrenciais com a passagem do furacão.

    A maioria dos óbitos ocorreu em Petit-Goâve, uma cidade costeira a 64 km a oeste da capital, onde um rio transbordou, arrastando casas e destruindo estradas e plantações.

    Na Jamaica, o número de mortes foi de 5 para 19, segundo o governo. Os trabalhos de busca e de resgate continuam. Centenas de estradas foram bloqueadas por quedas de árvores e postes, deixando áreas inteiras isoladas.

    O Exército jamaicano convocou reservistas para atuar nas operações para limpar as vias e alcançar pessoas nessas regiões pouco acessíveis. Mais de 70% da população ficou sem luz elétrica, segundo o ministro de Energia, Daryl Vaz.

    A capital, Kingston, foi poupada dos piores danos, e o principal aeroporto internacional reabriu para permitir o pouso de voos com ajuda humanitária. Autoridades disseram que algumas cidades estavam submersas.

    O Melissa chegou a alcançar a categoria 5, o nível máximo na escala de intensidade, e, na Jamaica, tornou-se o furacão mais forte a atingir o solo na costa do Atlântico em 90 anos na terça-feira (28), com ventos próximos de 300 km/h, segundo análise da agência de notícias AFP com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

    Em Cuba, o furacão deixou um rastro de destruição nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo, com ventos de categoria 3. Cerca de 735 mil pessoas foram deslocadas para abrigos ou casas de familiares. Apesar dos danos, o líder cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que não foram registradas mortes.

    Nas Bahamas, por onde o fenômeno passou na quarta-feira (29), os alertas de furacão foram suspensos, mas autoridades mantêm regiões esvaziadas de forma preventiva.

    O Melissa foi rebaixado para a categoria 2 e, na noite de quinta, estava a 264 km das Bermudas. Uma tempestade tropical atingiu o país, mas os moradores permaneciam calmos. As autoridades anunciaram o fechamento da ponte principal da ilha e a suspensão das aulas e balsas nesta sexta.

    Os Estados Unidos enviaram equipes de busca e resgate à Jamaica, ao Haiti, à República Dominicana e a Bahamas, e ofereceram ajuda a Cuba. Outros países também anunciaram apoio. O Reino Unido prometeu US$ 3,3 milhões (R$ 17,7 milhões) em ajuda emergencial e iniciou voos de repatriação para britânicos na Jamaica. A Venezuela enviou 26 toneladas de suprimentos a Cuba, e El Salvador anunciou que enviaria três aviões de ajuda humanitária para a Jamaica.

    Cientistas do Imperial College de Londres afirmaram que a intensidade e o poder destrutivo de Melissa foram amplificados pelas mudanças climáticas. Especialistas alertam que o aquecimento dos oceanos tem tornado furacões mais frequentes e intensos.

    O serviço meteorológico AccuWeather classificou o Melissa como o terceiro furacão mais intenso já registrado no Caribe e também o mais lento, o que aumentou o impacto destrutivo nas áreas afetadas.

    Número de mortos pelo furacão Melissa no Caribe sobe para 50

  • Ex-presidente do Cruzeiro critica modelo da SAFiel

    Ex-presidente do Cruzeiro critica modelo da SAFiel

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O ex-presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, criticou o modelo da SAFiel, projeto que visa transformar o Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol, com participação acionária de torcedores. O plano foi entregue pelos idealizadores ao Conselho Deliberativo do Timão na última quarta-feira.

    SAFIEL PODE ILUDIR O TORCEDOR

    O ex-dirigente, responsável pela venda da SAF da Raposa ao ex-jogador Ronaldo, em dezembro de 2021, questionou a viabilidade do projeto alvinegro. Na visão dele, não há segurança financeira para os torcedores que desejarem investir no clube.

    “Eu acho que é um pouco irreal iludir o torcedor de que você vai ter um pedaço do seu time. Eu não vislumbro como isso pode dar certo, porque é o que o mercado colocou. Ninguém gasta dinheiro para não ser majoritário, para não tomar decisão” – Sérgio Santos Rodrigues, ex-presidente do Cruzeiro

    Rodrigues alertou que, a partir do momento em que o torcedor adquire uma ação, ele se compromete com o sucesso e também com o insucesso do clube. O risco de comprometimento patrimonial é o ponto mais sensível.

    O advogado ressaltou que é alta a possibilidade de consequências financeiras acontecerem ao se tornar acionista em um clube já endividado, como é caso do Corinthians -e do Cruzeiro à época da venda da SAF.

    “Eu jamais recomendaria que alguém gastasse dinheiro, se tornasse sócio de uma empresa, se você não vai poder dar palpite nos rumos dela e ainda pode comprometer seu patrimônio. Se esse clube quebrado já tem R$ 2,5 bilhões, ele vai entrar com a cota a parte dele também?” – Sérgio Santos Rodrigues

    Além do risco financeiro, o ex-dirigente questionou o poder de influência real do acionista popular. Ele indagou se o torcedor vai “comprar sem poder dar palpite efetivo”, destacando que as pessoas costumam estar desinformadas ao pensar que poderão participar das decisões.

    TENTATIVA DO GALO FRACASSOU

    Neste contexto, o FIGA (Fundo de Investimentos do Galo), do Atlético-MG, tem semelhança com a SAFiel, mas não funcionou.

    “O próprio Atlético Mineiro seguiu um caminho onde os donos assumiram uma boa parte do investimento e criaram um fundo para vender cotas de R$ 1 milhão. Eles não chegaram nem perto de bater a meta de vendas dessas cotas. Eu acredito que a lógica é essa: independentemente do valor, quem é muito rico não vai desperdiçar dinheiro -ninguém fica rico fazendo isso. E quem tem pouco dinheiro, para comprometer o patrimônio com algo assim, precisa entender a repercussão que essa decisão pode ter” – Sérgio Santos Rodrigues.

    O fundo, que tinha como meta captar R$ 100 milhões junto a torcedores qualificados, conseguiu arrecadar até janeiro de 2025 apenas cerca de R$ 6,17 milhões, um valor que representa menos de 10% do esperado.

    O fracasso na captação do FIGA exigiu a intervenção do acionista majoritário do Atlético-MG, Rubens Menin, que se comprometeu a realizar o aporte total dos R$ 100 milhões até o final de 2026, garantindo a verba que o mercado de torcedores não entregou.

    O meia-atacante Allan teve participações importantes em 2025, mas nenhuma como a noite desta quinta-feira (30), contra o LDU

    Folhapress | 17:11 – 31/10/2025

    Ex-presidente do Cruzeiro critica modelo da SAFiel

  • Governo Lula envia ao Congresso PL Antifacção, três dias após operação no Rio

    Governo Lula envia ao Congresso PL Antifacção, três dias após operação no Rio

    Projeto elaborado pelo Ministério da Justiça cria novo tipo penal e prevê pena que pode chegar a 30 anos; deliberação da proposta foi acelerada após o novo episódio de crise na segurança fluminense

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou nesta sexta-feira (31) o PL Antifacção para a Câmara dos Deputados como uma resposta ao crime organizado no país. A apresentação da proposta foi acelerada após a megaoperação do Governo do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho, que matou 121 pessoas.

    A crise mobilizou integrantes do Palácio do Planalto e o próprio presidente a agilizar a análise na Casa Civil. O movimento tem como pano de fundo a disputa eleitoral do próximo ano, tendo em vista que essa crise poderá afetar a imagem da gestão petista.

    O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviou no dia 22 deste mês ao Palácio do Planalto o projeto de lei. Ele institui o tipo penal de “organização criminosa qualificada”, com pena que pode chegar a 30 anos de prisão.

    O anúncio do envio ocorreu após reunião entre o presidente e os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), José Múcio (Defesa) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União). A agenda entre eles só foi divulgada no início da tarde, pouco antes da reunião.

    Na véspera do anúncio, governadores de direita se reuniram na capital fluminense para demonstrar apoio ao governador Cláudio Castro (PL). Entre eles, estão os nomes de Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás.

    O episódio do Rio tem sido utilizado como objeto de embate entre governo e oposição. O governador do estado acusou o governo Lula de faltar com apoio à segurança local, o que foi negado pelo ministro da Justiça.

    Enquanto apoiadores de Castro elogiaram a operação e a classificaram como “bem-sucedida”, membros da gestão petista acusam Castro de usar a megaoperação como moeda de campanha e usaram o momento para pedir a aprovação da PEC da Segurança, proposta pela gestão para a área.

    O texto, inicialmente chamado de Lei Antimáfia, também endurece a punição para líderes dessas organizações e institui o Banco Nacional de Organizações Criminosas, destinado a reunir informações estratégicas para facilitar a investigação e o rastreamento das facções.

    Apesar de o projeto antifacção ser aposta do governo Lula para ajudar no combate ao crime organizado, alguns pontos já sofrem resistência dentro do Congresso. O senador Sergio Moro (União-PR) disse nas redes sociais que dois pontos vão na direção contrária do bom combate ao crime.

    Além disso, o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Paulo Bilynskyj (PL-SP), afirma que o texto ignora pontos centrais que dificultam a prisão efetiva dos criminosos.

    Na ocasião, ele cita a audiência de custódia e a progressão de pena, além da necessidade de tipificar e punir com mais rigor novas modalidades de crime, como o roubo de celulares em escala industrial.

    Há ainda deputados que defendem outros projetos, como o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) que quer tratar organizações criminosas como terroristas. A proposta ganhou força em meio à crise no Rio de Janeiro, equiparando facções criminosas a grupos terroristas.

    Especialistas afirmam que projeto é um avanço no combate ao crime organizado, mas não será uma “bala de prata”.

    Outra aposta do governo federal é a PEC da Segurança, que tramita em uma comissão especial na Câmara. A expectativa é que o texto seja levado ao plenário até o fim do ano.

    A ideia do Executivo é constitucionalizar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), estabelecendo diretrizes mínimas a serem seguidas por órgãos de segurança de todo o país.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já mencionou a PEC como um dos textos que terão atenção especial nessa legislatura.

    Ele indicou que pretende investir na aprovação de projetos sobre segurança pública e que quer tornar o tema um dos legados de sua gestão. A ideia dele é pautar projetos sobre o assunto toda semana.

    Governo Lula envia ao Congresso PL Antifacção, três dias após operação no Rio

  • Trump diz não considerar ataques dentro da Venezuela após pressão sobre Maduro

    Trump diz não considerar ataques dentro da Venezuela após pressão sobre Maduro

    Presidente americano autorizou operações secretas no país da América do Sul com objetivo de derrubar o ditador; Washington reforça presença militar nas águas internacionais sul-americanas sob pretexto de combater tráfico

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que não considera ordenar ataques dentro da Venezuela. A declaração ocorre após semanas de tensão nas águas internacionais da América do Sul e de pressão sobre o regime do ditador Nicolás Maduro.

    É, ainda, um recuo retórico de Trump. O presidente americano havia insinuado na semana passada que poderia ordenar bombardeios em solo contra cartéis de drogas latino-americanos -necessariamente, isso implicaria em violações da soberania de países como México, Colômbia e Venezuela.

    Nos últimos meses, os EUA reforçaram a presença militar na região com o envio de caças, navios de guerra e milhares de soldados, superando o poder de fogo de toda a Venezuela. Washington devem expandir essa presença ainda mais com os deslocamentos do USS Gerald R. Ford, o maior e mais poderoso porta-aviões do mundo, e outras embarcações que o acompanham.

    Questionado nesta sexta por jornalistas a bordo do avião presidencial americano se avalia a possibilidade de ataques dentro da Venezuela, Trump foi monossilábico: “Não”.

    Em outubro, Trump confirmou ter autorizado a CIA, a agência de espionagem dos EUA com histórico de interferência na América Latina, a fazer operações secretas e letais dentro da Venezuela com o objetivo de derrubar Maduro do poder. Em conversa com a imprensa na Casa Branca, no último dia 15, o republicano disse que o país sul-americano “está sentindo a pressão” e, na ocasião, não descartou operações em terra.

    Nesta quinta-feira (30), o Wall Street Journal disse em reportagem que as Forças Armadas americanas já identificaram alvos do Exército da Venezuela supostamente relacionados ao tráfico de drogas que poderiam ser atacados caso Trump dê a ordem. Um ataque direto contra solo venezuelano seria uma mensagem inequívoca de que Maduro precisa renunciar, segundo autoridades ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato.

    O ditador é acusado pelos EUA de tráfico internacional e de corrupção, o que ele nega. Ele diz que Trump tenta mudar o regime, mas que o povo e as Forças Armadas do país impedirão qualquer tentativa de derrubá-lo. O líder chavista foi empossado para um terceiro mandato neste ano, apesar de organizações internacionais independentes indicarem a vitória da oposição nas eleições que ocorreram no ano passado.

    Trump tem justificado ataques contra embarcações na América Latina, desde setembro, com o argumento de combate ao narcotráfico. Segundo dados divulgados por Washington, 62 pessoas morreram em 16 ações do tipo. No entanto, nenhuma evidência foi apresentada de que os barcos estivessem ligados ao tráfico de drogas.

    Mesmo que estivessem, a justificativa da Casa Branca é considerada vaga e controversa por especialistas em direito internacional, e o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse nesta sexta que os ataques são inaceitáveis. “Os EUA devem interrompê-los e tomar todas as medidas necessárias para impedir a matança extrajudicial das pessoas a bordo dessas embarcações, não importa os crimes dos quais são acusadas”, afirmou.

    A campanha militar também é questionada por parlamentares americanos, que se movimentam há semanas para aprovar uma legislação a fim de restringir os ataques. Membros do comitê das Forças Armadas do Senado, que fiscaliza os militares americanos, disseram não ter recebido informações detalhadas sobre os bombardeios ou sobre os supostos traficantes mortos.

    A Casa Branca afirma que, tendo classificado os cartéis de drogas latino-americanos como grupos terroristas, está autorizada a agir contra eles mesmo quando não há ameaça iminente, assim como os EUA fizeram em países como a Líbia, a Somália e o Iraque durante a Guerra ao Terror.

    Senadores democratas e alguns republicanos, entretanto, citam o fato de que os supostos traficantes poderiam ter sido capturados, que facções criminosas não são comparáveis a grupos terroristas com objetivos políticos, e que não há provas suficientes de que os mortos de fato eram traficantes de drogas.

    Diante da crescente presença militar americana na região, a oposição na Venezuela se divide sobre como reagir. O grupo liderado pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, apoia o governo Trump e defende o reforço americano na região. Já a ala comandada por Henrique Capriles, duas vezes candidato à Presidência, rejeita qualquer intervenção armada e propõe retomar negociações com Maduro e Washington, apesar do histórico de impasses.

    Já o regime em Caracas teria pedido assistência militar a aliados como China, Rússia e Irã em preparação para uma escalada militar, de acordo com documentos da inteligência americana aos quais o jornal The Washington Post teve acesso. Segundo o veículo, a Venezuela teria solicitado radares, peças de reposição de aviões e mísseis a Pequim, Moscou e Teerã.

    Trump diz não considerar ataques dentro da Venezuela após pressão sobre Maduro

  • Desemprego fica em 5,6% até setembro, menor taxa da série histórica

    Desemprego fica em 5,6% até setembro, menor taxa da série histórica

    A mínima de 5,6% já havia sido verificada nos trimestres até julho e agosto de 2025

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil foi de 5,6% no trimestre até setembro, levemente abaixo do patamar de 5,8% registrado nos três meses encerrados em junho, que servem de base de comparação.

    Com o resultado, o indicador voltou a marcar o menor nível da série histórica iniciada em 2012, de acordo com os dados divulgados nesta sexta (31) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    A mínima de 5,6% já havia sido verificada nos trimestres até julho e agosto de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre intervalos com meses repetidos, como é o caso dos finalizados em julho, agosto e setembro.

    O novo resultado ficou praticamente em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que estava em 5,5%, conforme a agência Bloomberg.

    Os dados do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O levantamento investiga tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.

    A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, foi questionada por jornalistas se a marca de 5,6% seria uma espécie de piso para o desemprego, já que a taxa não conseguiu ficar abaixo desse nível até o momento.

    A pesquisadora evitou fazer essa leitura. “É muito prematuro afirmar isso a essa altura do campeonato”, disse. “Tem algumas mobilizações setoriais para dar conta de uma demanda de consumo que ainda virá”, acrescentou.

    A fala da técnica é uma referência ao período de final de ano, que costuma mostrar queda no desemprego.

    O economista Igor Cadilhac, do PicPay, prevê taxa de 5,5% ao final de 2025.

    TEBET FURA IBGE

    A divulgação desta sexta foi antecipada por uma publicação da ministra do Planejamento, Simone Tebet.

    Ela se adiantou ao anúncio oficial do IBGE e divulgou às 8h35 uma postagem no X (ex-Twitter) com a taxa de desemprego, que só viria a público formalmente às 9h. A mensagem foi apagada.

    Dados como a taxa de desemprego são muito sensíveis porque podem ser utilizados por investidores em suas decisões.

    A informação é repassada antes pelo IBGE a um grupo restrito de autoridades, mas a divulgação oficial é feita pelo próprio instituto às 9h, a fim de evitar ruídos.

    O Ministério do Planejamento disse que houve um erro de publicação e que a falha foi corrigida em poucos segundos.

    A Folha de S.Paulo também procurou o IBGE, mas não recebeu retorno até a atualização desta reportagem.

    NÚMERO DE DESEMPREGADOS ATINGE MÍNIMA DE 6 MILHÕES

    O número de desempregados foi estimado em 6 milhões até setembro. É o menor já registrado na série do IBGE.

    O contingente à procura de trabalho recuou 3,3% na comparação com o trimestre até junho (menos 209 mil pessoas) e caiu 11,8% em um ano (menos 809 mil).

    Já a população ocupada, que tinha algum tipo de trabalho, foi calculada em 102,43 milhões até setembro.

    Isso significa uma leve variação positiva de 0,1% ante o intervalo até junho (mais 118 mil), dentro da margem de estabilidade da pesquisa.

    Em relação a um ano antes, a população ocupada cresceu 1,4% (mais 1,4 milhão).

    O novo resultado (102,43 milhões) está próximo do maior já registrado na série (102,44 milhões). A máxima foi encontrada no trimestre até julho deste ano.

    Em relatório, Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, afirma que os dados sinalizam acomodação do ritmo de crescimento da população ocupada.

    “O mercado de trabalho apresenta gradual perda de fôlego nos últimos meses impactado pelo aperto das condições financeiras e aumento das incertezas globais”, diz.

    Segundo o IBGE, o nível de ocupação foi de 58,7% nos três meses encerrados em setembro. Segue próximo da máxima da Pnad (58,8%).

    Esse indicador mede o percentual de pessoas que estão trabalhando (ocupadas) em relação ao total de 14 anos ou mais.

    Adriana Beringuy, do IBGE, disse que fatores como a renda em alta ajudam a estimular o consumo e a demanda por mão de obra, mesmo em um cenário de juros elevados.

    Assim, de acordo com a pesquisadora, a taxa de desemprego se mantém em patamares baixos.

    RENDA MÉDIA É RECORDE

    A renda média do trabalho alcançou R$ 3.507 por mês até setembro.

    É o recorde da série histórica, embora a variação ante o trimestre até junho tenha sido de apenas 0,3%, dentro da margem de estabilidade.

    Na comparação anual, com o período até setembro de 2024, o rendimento cresceu 4% em média.

    DESEMPENHO DOS SETORES

    O grupamento de atividades que inclui a agricultura e a pecuária teve acréscimo de 260 mil trabalhadores ocupados no trimestre até setembro, em relação aos três meses imediatamente anteriores. A alta foi de 3,4%.

    Outra contribuição veio da construção, com uma ampliação de 249 mil ocupados (+3,4%). Segundo Adriana, o segmento costuma ser aquecido por obras de edificações no segundo semestre.

    O grupamento que abrange a administração pública e atividades como saúde e educação também ampliou o número de ocupados. O acréscimo foi de 210 mil (+1,1%).

    Conforme o IBGE, esse segmento vem sendo estimulado por contratações temporárias em áreas como educação e saúde.

    Por outro lado, houve redução de ocupados em grupamentos como comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-1,4%, ou menos 274 mil) e serviços domésticos (-2,9%, ou menos 165 mil).

    O mercado de trabalho vem de uma trajetória de recuperação no país.

    Segundo analistas, o movimento refletiu o desempenho aquecido da economia em meio a medidas de estímulo do governo federal, além de mudanças demográficas e impactos da tecnologia.

    A população fora da força de trabalho, que não estava empregada (ocupada) nem à procura de vagas (desempregada), foi de 65,9 milhões até setembro. Houve alta de 0,6% (mais 423 mil) ante o trimestre até junho.

    Uma pessoa fora da força de trabalho não pressiona a taxa de desemprego. Para um profissional sem emprego ser considerado desocupado nas estatísticas oficiais, precisa estar em busca de oportunidades.

    Desemprego fica em 5,6% até setembro, menor taxa da série histórica