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  • Trump chama Petro de 'líder de drogas ilegais' e sugere ações contra cartéis na Colômbia

    Trump chama Petro de 'líder de drogas ilegais' e sugere ações contra cartéis na Colômbia

    “O presidente Gustavo Petro, da Colômbia, é um líder de drogas ilegais encorajando fortemente a produção massiva de drogas, em grandes e pequenos campos, por toda a Colômbia. Tornou-se o maior negócio da Colômbia, de longe, e Petro não faz nada para parar isso, apesar de pagamentos e subsídios em larga escala dos EUA que não são nada além de um roubo de longo prazo contra a América”, escreveu Trump.

    GUILHERME BOTACINI
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de “líder de drogas ilegais”, afirmou que vai cortar financiamento e subsídios dados a Bogotá e sugeriu que Washington pode realizar ações no país sul-americano, em publicação na rede Truth Social, neste domingo (19).

    “O presidente Gustavo Petro, da Colômbia, é um líder de drogas ilegais encorajando fortemente a produção massiva de drogas, em grandes e pequenos campos, por toda a Colômbia. Tornou-se o maior negócio da Colômbia, de longe, e Petro não faz nada para parar isso, apesar de pagamentos e subsídios em larga escala dos EUA que não são nada além de um roubo de longo prazo contra a América”, escreveu Trump.

    O americano sugeriu ainda que os EUA poderiam agir contra produtores de droga em território colombiano. “O propósito dessa produção de droga é a venda de quantidades massivas nos EUA, causando morte, destruição e caos. É melhor que Petro, um líder pouco qualificado e muito impopular, desrespeitoso com a América, feche esses campos de morte imediatamente, ou os EUA vão fechá-los por ele, e não será bacana”, afirmou.

    Até a publicação desta reportagem, Petro não havia comentado.

    A declaração de Trump coloca ainda mais tensão na América do Sul. Desde que voltou à Casa Branca, o presidente americano declarou cartéis latino-americanos como terroristas e tem feito pressão em governos da região para coibirem o tráfico de drogas.

    Além disso, a retórica de Trump têm mesclado as ideias de guerra às drogas e guerra ao terror, que guiaram a política externa militar americana nas últimas décadas, para justificar ataques a embarcações no mar do Caribe que supostamente seriam de narcotraficantes –as ações são criticadas por governos da região, opositores e especialistas jurídicos, que não enxergam legalidade na ofensiva.

    O resultado prático, até o momento, das tropas e navios de guerra americanos posicionados no Caribe é o de exercerem pressão contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, que também é classificado pelo presidente americano como um líder narcotraficante.

    Trump autorizou a CIA, a agência de inteligência americana, a realizar operações em solo venezuelano, inclusive terrestres, com o objetivo de derrubar Maduro. A autorização elevou ainda mais as tensões por ser a indicação mais clara de que os EUA poderiam eventualmente de fato invadir a Venezuela.

    O foco se volta agora brevemente para Petro, que tem sido um forte crítico de Trump –o colombiano é o primeiro líder de esquerda do país, vizinho da Venezuela.

    Petro rejeitou em setembro a decisão dos EUA de revogar seu visto enquanto ele estava em Nova York para a Assembleia-Geral da ONU, e acusou Washington de violar o direito internacional devido às suas críticas às ações de Israel em Gaza.

    Os EUA haviam dito que revogariam o visto de Petro depois que ele foi às ruas da cidade horas antes para participar de uma manifestação pró-Palestina e pediu aos soldados americanos que desobedecessem às ordens de Trump.

    Trump chama Petro de 'líder de drogas ilegais' e sugere ações contra cartéis na Colômbia

  • Com tarifaço, café do Brasil corre risco de perder espaço nos EUA

    Com tarifaço, café do Brasil corre risco de perder espaço nos EUA

    O impacto inflacionário do encarecimento do café, que registrou em agosto a maior alta no varejo americano desde 1997 nove vezes superior à média.

    Com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros, o Brasil corre o risco de perder espaço no maior mercado consumidor de café do mundo a partir das próximas safras e ser substituído por outros fornecedores. O alerta é do diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. \”O grande receio é perder o maior mercado global, onde estão as principais empresas. É um prejuízo enorme perder o acesso ao maior mercado global para seus concorrentes\”, afirmou Matos, em entrevista exclusiva ao Broadcast nas Redes.

    Diante da sobretaxa que atinge o café brasileiro, outros países, como México, Honduras e Colômbia, passaram a exportar maior volume aos Estados Unidos. \”Levamos muito tempo para conquistar o primeiro lugar no mercado americano. Com novas safras vindo e perspectiva de maior colheita em importantes players, o grande risco é o Brasil ser o maior fornecedor e depois ir para o fim da fila e perder espaço nos blends deste grande mercado, quando a produção mundial de café aumentar. O caminho é resolver isso o mais rápido possível\”, observou Matos. O Brasil, por sua vez, redirecionou parte do que deixou de vender aos EUA para países europeus, árabes e asiáticos, minimizando efeitos sobre a balança comercial do setor em movimento de realocação no mercado mundial. No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou 29,105 milhões de sacas, queda de 20,5% em relação aos nove meses de 2024, enquanto a receita gerada saltou 30%, para US$ 11,049 bilhões.

    Com a aplicação da alíquota , os Estados Unidos saíram de principal destino do café brasileiro em julho, antes da vigência da sobretaxa, para o terceiro destino em setembro, perdendo o posto de maior importador de cafés do Brasil para a Alemanha. Segundo o Cecafé, os impactos para os exportadores de café são \”incalculáveis\”. \”Há um prejuízo enorme com custo de postergação de contratos e suspensão e cancelamento de contratos, por isso, não temos outra estratégia se não a isenção total aos cafés brasileiros. Se não resolvermos isso o mais rápido possível, além dos exportadores, os impactos chegarão aos produtores\”, apontou o CEO do Cecafé.

    Dados do conselho apontam para queda de 52,8% nos embarques do grão ao mercado norte-americano em setembro, adquirindo 332.831 sacas. No ano passado, a exportação brasileira de café para os EUA somaram 8,1 milhões de sacas e US$ 2 bilhões, 16% de tudo o País exportou. \”O aumento de 40% no preço internacional do café somado à tarifa de 50% sobre o grão brasileiro inviabiliza os embarques\”, apontou. O Brasil responde por 34% de tudo que os Estados Unidos consome de café. \”76% dos americanos consomem café diariamente. São dois países insubstituíveis no comércio de café\”, pontuou o diretor-executivo do Cecafé.

    O setor exportador defende que o café seja incluído na lista de exceções ao tarifaço. As sinalizações dos importadores é de que o produto é o item número 1 na lista, segundo Matos, para potenciais novas exceções. A abertura de diálogo entre os países, que começou com a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, e a missão diplomática brasileira ao governo americano, pode contribuir nesse movimento, segundo Matos. \”Talvez seja factível a suspensão geral da tarifa ou a ampliação da lista. O importante é virar a página das tarifas\”, defendeu o CEO do Cecafé.

    O impacto inflacionário do encarecimento do café, que registrou em agosto a maior alta no varejo americano desde 1997 nove vezes superior à média, bem como os efeitos já sentidos pelos consumidores e o fim do estoque da indústria local influenciam ainda no convencimento das autoridades e na pressão da opinião pública para isenção do café, avalia o Cecafé.

    Em paralelo, o setor busca também a diversificação de mercados. Para Matos, os movimentos de preservação de mercados consolidados, como Estados Unidos e Europa, e a abertura de novos destinos são pautas distintas que não devem se sobrepor. China e Austrália despontam entre os países em crescimento do consumo do grão brasileiro. Nesse cenário de escalada tarifária, estoques mundiais baixos e incertezas quanto à nova safra, os preços do grão tendem a seguir elevados no mercado internacional pelo menos até o fim do ano.

    Com tarifaço, café do Brasil corre risco de perder espaço nos EUA

  • Sinner ganha raquete de ouro de R$ 1,5 milhão após título no Six Kings sobre Alcaraz

    Sinner ganha raquete de ouro de R$ 1,5 milhão após título no Six Kings sobre Alcaraz

    Jannik Sinner não saiu da Arábia Saudita apenas com a maior premiação da temporada no bolso. Campeão do Six Kings Slam, o italiano foi presenteado neste sábado com uma raquete de ouro avaliada em R$ 1,5 milhão, entregue por Turki Al-Sheikh, uma das figuras mais influentes no esporte saudita.

    O troféu é todo confeccionado em ouro, tem o tamanho de uma raquete real e pesa pouco mais de três quilos. O brilho da peça chamou atenção durante a cerimônia de premiação para o número 2 do ranking da ATP.

    Turki Al-Sheikh foi responsável por entregar a peça. Ex-presidente da Autoridade Esportiva Geral da Arábia Saudita, o dirigente também foi um dos principais articuladores da reestruturação do futebol no país, com a chegada de estrelas internacionais nas últimas temporadas.

    O gesto de presentear o campeão com uma raquete de ouro não é inédito no torneio. Em 2024, Rafael Nadal recebeu uma peça semelhante, num de seus últimos compromissos antes da aposentadoria.

    Sinner venceu Alcaraz por 2 sets a 0 (6/2 e 6/4) na decisão, disputada em Riade. Além da raquete de ouro, o italiano embolsou US$ 4,5 milhões pelo título (cerca de R$ 25 milhões), além de US$ 1,5 milhão (R$ 8 milhões) apenas por participar do evento amistoso mais lucrativo do circuito.

    Sinner ganha raquete de ouro de R$ 1,5 milhão após título no Six Kings sobre Alcaraz

  • Possível encontro de Lula e Trump na Ásia deverá ser rápido e 'para foto'

    Possível encontro de Lula e Trump na Ásia deverá ser rápido e 'para foto'

    A reunião ainda está sendo acertada. Os dois irão à cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur, nos dias 26 e 27, e os países estão alinhando um breve encontro.

    LUCAS BORGES TEIXEIRA
    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O possível encontro entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Malásia, na semana que vem, deverá ser rápido e mais simbólico.

    A reunião ainda está sendo acertada. Os dois irão à cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur, nos dias 26 e 27, e os países estão alinhando um breve encontro.

    Não será um compromisso para negociar detalhes. Integrantes do Itamaraty argumentam que a retomada das negociações sobre o tarifaço já está sendo feita e cabe, na prática, mais às equipes de governo do que aos chefes de Estado.

    A ideia é ter uma boa foto para “selar a paz”. Após troca de farpas públicas e a maior crise entre os dois países nos mais de 200 anos de relação, interlocutores apontam que a imagem dos dois de mãos apertadas seria importante para ambos e colocaria de vez um fim à rusga.

    Se ocorrer, este será o primeiro encontro formal entre os dois. Eles só se encontram uma vez, na antessala da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), quando Trump elogiou Lula e disse que “pintou uma química” -marco para a reaproximação- e conversaram por telefone pela primeira vez na semana passada.

    Desde então, os países têm dialogado. Do lado do Brasil, as negociações são tocadas pelo chanceler Mauro Vieira e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), enquanto do lado norte-americano a intermediação cabe ao secretário de Estado, Marco Rubio.

    Vieira se encontrou com Rubio nesta semana. Em Washington, o chanceler voltou a pedir pela retirada da sobretaxação de 40% em cima de produtos como carne e café e levou a mensagem de que o governo brasileiro está disposto a aumentar o câmbio comercial, já superavitário para os EUA.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não tem sido tema das conversas. Então motivo original para a extrataxação por parte dos Estados Unidos, o julgamento do ex-presidente foi substituído por pautas econômicas, segundo interlocutores do Planalto, e não tem sido lembrado nem pelos norte-americanos.

    Única pauta sensível deverá ser Venezuela. No telefonema, Lula já pediu ao republicano que resolvesse a questão por “vias diplomáticas”, mas a tensão tem escalado na última semana, com a admissão de que Trump autorizou a agência de inteligência CIA a interferir no país.

    Lula criticou a decisão na última quinta. Em congresso do PCdoB, ele defendeu a soberania venezuelana, e interlocutores pontuam que não há como escapar desse assunto. O presidente não deve, no entanto, entrar em conflito sobre o tema, dizem.

    Possível encontro de Lula e Trump na Ásia deverá ser rápido e 'para foto'

  • Ex-rainha de carnaval é presa acusada de matar o próprio noivo

    Ex-rainha de carnaval é presa acusada de matar o próprio noivo

    O crime aconteceu em fevereiro do ano passado, em San Diego, na Califórnia, e a investigação concluiu que a ex-modelo foi a responsável pela morte de “El Chato”. A prisão, entretanto, só foi divulgada em 16 de outubro, e Vanessa tem audiência marcada para o dia 20.

    A influenciadora e ex-rainha de carnaval Vanessa Gurrola Peraza, de 32 anos, foi presa nos Estados Unidos no dia 9 de outubro, acusada de assassinar o próprio noivo, Christian “El Chato” Espinoza Silver, que tinha ligações com o cartel Arellano-Félix, do México. Segundo o jornal Expreso, Vanessa foi detida ao retornar de uma viagem de luxo a Bali, na Indonésia.

    O crime aconteceu em fevereiro do ano passado, em San Diego, na Califórnia, e a investigação concluiu que a ex-modelo foi a responsável pela morte de “El Chato”. A prisão, entretanto, só foi divulgada em 16 de outubro, e Vanessa tem audiência marcada para o dia 20.

    Conhecida nas redes sociais como “La Sapa”, a mexicana também é suspeita de ligação com Los Chapitos, grupo dissidente do cartel de Sinaloa, comandado pelos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán. Investigadores acreditam que a relação com o grupo criminoso pode ter motivado o assassinato do noivo.

    Vanessa ganhou notoriedade em 2011, ao ser coroada rainha do carnaval de Mazatlán, no México. Depois do título, lançou uma linha de produtos para emagrecimento e manteve carreira como modelo e influenciadora.

    Em 2023, no auge dos conflitos internos do cartel de Sinaloa, Vanessa passou a ser acusada de atuar como agente de Los Chapitos, financiando seu estilo de vida luxuoso com negócios imobiliários ilegais e lavagem de dinheiro.

    A influenciadora, que soma 1,4 milhão de seguidores no Instagram, ganhou fama internacional em 2018, quando foi confundida com Emma Coronel Aispuro, esposa de “El Chapo”. A semelhança rendeu a ela o apelido de “sósia de Emma Coronel” na imprensa mexicana, impulsionando sua popularidade nas redes.

    De acordo com pessoas próximas, Vanessa começou a se relacionar com “El Chato” em 2017, e o casal teria ficado noivo em segredo. Mensagens e registros digitais reforçam a relação entre os dois, que terminou em tragédia e resultou na prisão da influenciadora, agora acusada de homicídio doloso.

    Ex-rainha de carnaval é presa acusada de matar o próprio noivo

  • Incêndio em bateria força pouso de emergência em voo da Air China; vídeo

    Incêndio em bateria força pouso de emergência em voo da Air China; vídeo

    Ainda não foi confirmado se a bateria que causou o fogo estava instalada em algum dispositivo eletrônico ou se era uma bateria reserva.

    Um voo da Air China precisou fazer um pouso de emergência neste sábado (11) após uma bateria de lítio pegar fogo na bagagem de mão de um passageiro. O avião partia de Hangzhou, na China, com destino a Incheon, na Coreia do Sul. O incidente ocorreu quando a bagagem, guardada no compartimento superior da cabine, entrou em combustão espontânea, segundo comunicado da companhia aérea.

    Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o compartimento de bagagens em chamas, com fumaça se espalhando rapidamente pela cabine e passageiros em pânico. A tripulação agiu rapidamente para controlar o incêndio, e o piloto desviou o trajeto, pousando de emergência no Aeroporto Internacional de Pudong, em Xangai. Ninguém ficou ferido, de acordo com a Air China.

     

     

     

    Ainda não foi confirmado se a bateria que causou o fogo estava instalada em algum dispositivo eletrônico ou se era uma bateria reserva.

    O caso ocorre poucos meses após o governo chinês proibir o transporte de algumas baterias portáteis a bordo de voos domésticos, medida adotada em junho após alertas sobre o risco crescente de incêndios causados por esse tipo de material. A regra impede o embarque de baterias que não possuam certificação de segurança chinesa, mas não se aplica a modelos removíveis — como o que teria causado o incêndio deste sábado.

    As baterias de lítio são amplamente utilizadas em celulares, laptops, carregadores e cigarros eletrônicos. Elas podem superaquecer e incendiar em caso de curto-circuito ou dano físico. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) registrou, até junho deste ano, 38 incidentes envolvendo baterias de lítio em voos de passageiros e de carga. Em 2023, foram 89 casos semelhantes.

    Diante dos riscos, governos e companhias aéreas vêm endurecendo as regras de transporte. Nos Estados Unidos, por exemplo, as baterias de lítio estão proibidas na bagagem despachada, a menos que os dispositivos estejam totalmente desligados.

    A Air China informou que colaborará com as autoridades para investigar o caso e reforçar os protocolos de segurança a bordo.

    Incêndio em bateria força pouso de emergência em voo da Air China; vídeo

  • Correios acumulam 12 trimestres de prejuízo

    Correios acumulam 12 trimestres de prejuízo

    Após um período no azul entre 2017 e 2021, que teve seu auge na pandemia de Covid-19 devido à expansão acelerada do comércio eletrônico, os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.

    IDIANA TOMAZELLI
    IBRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O plano de socorro aos Correios, ancorado em um empréstimo de R$ 20 bilhões com garantia soberana, tornou-se a saída de emergência para uma crise gestada por anos e que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) hesitou em reconhecer.

    Para além da chamada “taxa das blusinhas” (a cobrança de impostos sobre encomendas internacionais de até US$ 50 que, de fato, desfalcou suas receitas), a empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas.

    Após um período no azul entre 2017 e 2021, que teve seu auge na pandemia de Covid-19 devido à expansão acelerada do comércio eletrônico, os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.

    “A nossa empresa não se adaptou de forma ágil a uma nova realidade, e isso fez com que a gente sofresse em termos de resultado, de geração de caixa, da operação em si. A perda de competitividade vem fazendo com que a gente tenha perda de receita, e ao impactar o caixa, aí eu falo principalmente nos últimos meses, a gente vem afetando a operação”, disse o novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, em sua primeira entrevista, concedida 21 dias após ele assumir o cargo.

    No fim de julho de 2023, a Receita Federal lançou o Remessa Conforme, programa que criou uma esteira rápida para encomendas internacionais devidamente declaradas ao fisco. A mudança teria impacto direto nos Correios, que até então concentravam essa atividade.

    Hoje, técnicos da empresa avaliam que a companhia demorou a reagir, possivelmente confiando em algum recuo da equipe econômica. Quando o sistema já estava consolidado e a “taxa das blusinhas” entrou em vigor, em agosto de 2024, os Correios ainda não tinham se reposicionado nesse segmento.

    A companhia passou a atuar em novos mercados, como transporte de medicamentos para estados, mas as receitas ainda eram insuficientes para cobrir o buraco no caixa. Enquanto isso, o próprio Executivo minimizava os problemas da companhia e reagia com cobranças quando houve o primeiro aviso de que o socorro seria inevitável.

    A queda no faturamento deflagrou o que Rondon classificou de “ciclo negativo”: os Correios começaram a atrasar pagamentos de fornecedores, alguns dos quais interromperam a prestação de serviço. O impacto negativo na operação gerou insatisfação nos clientes e perda de contratos, agravando o declínio das receitas.

    Ironicamente, parte do ambiente de forte concorrência que se vê hoje perante gigantes como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza foi induzido pela crise dos Correios, já que as empresas privadas investiram em serviços próprios de logística para dar vazão às cargas retiradas da empresa estatal devido à perda de qualidade na operação.

    Hoje, algumas sinalizam que há espaço para retomar parte das parcerias, mas dificilmente na mesma magnitude de antes, o que impõe aos Correios a necessidade de diversificar seu negócio.
    O socorro via empréstimo de R$ 20 bilhões, revelado pela Folha, seria uma ponte até que a empresa consiga fazer essa virada, que leva tempo. Os detalhes do plano devem ser apresentados aos bancos na próxima semana, mas boa parte do dinheiro deve servir para regularizar passivos e manter a operação em 2025 e 2026.

    Até o fim de junho, havia uma diferença de R$ 5,6 bilhões entre os ativos da companhia e os compromissos a serem honrados nos 12 meses seguintes. Os Correios também precisam quitar o empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado neste ano e que vence em 2026.

    Além disso, a companhia opera hoje com um prejuízo mensal na casa dos R$ 700 milhões, valor que cresce mês a mês. Isso significa que ela precisa de até R$ 4,5 bilhões para cobrir o buraco do segundo semestre. Para 2026, os prejuízos mensais podem chegar a R$ 1 bilhão caso a empresa não tenha condições de investir para se reposicionar.

    “O plano projeta economia relevante de despesas operacionais, com redução gradual de passivos e aumento de produtividade. Os números serão apresentados no balanço de implementação, mas o objetivo é estabilidade estrutural e resultado operacional”, diz a empresa, em nota.

    O desequilíbrio crônico vem não só da perda de receitas, mas também de decisões tomadas nos últimos anos que, a despeito do cenário evidente de dificuldades, resultaram no aumento de despesas.

    Em 2024, realizou um concurso para preencher mais de 3.000 vagas de forma imediata, ao mesmo tempo em que lançava um PDV (programa de demissão voluntária). Ainda negociou um reajuste linear de 4,11% e a retomada de uma cláusula que concede um bônus de 70% calculado sobre o terço de férias.

    A empresa também queimou caixa próprio, já em declínio, para investir na aquisição de veículos elétricos e itens de tecnologia. O modelo de plano de saúde, patrocinado em grande parte pela companhia, é considerado oneroso, mas o problema não foi enfrentado.

    O descontrole sobre as ações judiciais agravou a situação. Os Correios são alvo de inúmeras ações, principalmente trabalhistas, mas a empresa não tinha um mapeamento adequado dos riscos.

    O tema foi motivo de ressalva da auditoria independente nas demonstrações de 2024. A Consult Auditores apontou “fragilidades” e “inconsistências” nas provisões, que impediam mensurar com precisão quanto o pagamento de precatórios afetaria o fluxo de caixa da empresa.

    Na prática, a estatal não fez as provisões adequadas para perdas judiciais, o que propiciava o aparecimento de esqueletos fora do planejamento da empresa. A companhia inclusive precisou republicar demonstrações de anos anteriores para incorporar esses passivos, que vêm de ações judiciais iniciadas muitas vezes há mais de cinco anos.

    A situação era tão grave que, em setembro deste ano, os Correios precisaram renegociar um empréstimo bilionário justamente porque a explosão inesperada de precatórios acionou uma cláusula do contrato que permitia aos bancos antecipar a cobrança das prestações, inicialmente previstas só para 2026. A companhia chegou a ter dinheiro bloqueado e ficou algumas horas sem caixa suficiente para pagar salários, até concluir a repactuação.

    A melhoria no monitoramento das ações judiciais foi alvo de reiteradas cobranças do conselho de administração ao longo de 2025. O colegiado autorizou a aquisição de software específico e cobrou “medidas voltadas à melhoria da atuação do jurídico próprio, especialmente no que tange à defesa técnica em ações do contencioso trabalhista”. Em 24 de setembro, pediu celeridade na contratação de uma consultoria jurídica especializada.

    Segundo representantes da estatal, a situação do passivo judicial já está, ao menos, melhor mapeada. Para este ano, a projeção é de um pagamento adicional de R$ 960 milhões em precatórios. Em 2026, a fatura deve ficar em R$ 1,27 bilhão. O valor do empréstimo também ajudará a cobrir esses pagamentos.

    A ressalva dos auditores e as cobranças do conselho de administração em relação às ações judiciais ocorreram ainda na gestão de Fabiano Silva dos Santos. Procurado, ele disse que “a área jurídica fez um trabalho de depuração de todos os processos ativos, revisando o risco processual e atualização dos andamentos, com a implementação de rotina interna para dar previsibilidade e controle das informações, mitigando o risco de inconsistência em razão da precariedade do atual sistema”.

    “Importante destacar que essas ações não foram geradas pela nossa gestão. São ações antigas e que transitaram em julgado recentemente”, afirmou.

    Correios acumulam 12 trimestres de prejuízo

  • EUA devolvem sobreviventes de ataque contra submarino de narcotráfico

    EUA devolvem sobreviventes de ataque contra submarino de narcotráfico

    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou que os dois sobreviventes de um ataque norte-americano contra um submarino que supostamente transportava drogas no mar do Caribe foram devolvidos aos países de origem.

    Quatro “narcoterroristas” estavam a bordo do submarino e dois foram mortos, escreveu Donald Trump na rede social que controla, a Truth Social, no sábado.

    O republicano acrescentou que os dois sobreviventes estavam “sendo devolvidos aos seus países de origem, Equador e Colômbia, onde serão detidos e levados à justiça”.

    O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, confirmou no sábado o retorno ao país de um cidadão colombiano, sobrevivente do ataque norte-americano.

    “Recebemos com satisfação o colombiano preso no narcossubmarino, estamos felizes por ele estar vivo e ele será julgado de acordo com as leis”, disse Petro, na rede social X, sem dar mais detalhes.

    Na sexta-feira, Donald Trump afirmou que o ataque mais recente das forças norte-americanas no Caribe teve como alvo um submarino que transportava grandes quantidades de drogas.

    Os serviços de inteligência dos EUA “confirmaram que essa embarcação estava carregada principalmente com fentanil e outras drogas ilegais”, acrescentou o presidente norte-americano no sábado.

    O novo ataque — no âmbito de uma campanha que Trump justifica como combate ao tráfico de drogas — foi pelo menos o sexto em águas próximas à Venezuela desde o início de setembro e o primeiro a deixar sobreviventes resgatados pelos militares norte-americanos.

    Desde o início de setembro, esses ataques em águas perto da Venezuela já deixaram pelo menos 27 mortos.

    Na quarta-feira, Trump declarou que naquela região “o mar está muito bem controlado” e que “certamente” estão sendo avaliados ataques em terra.

    Confrontado com uma reportagem do New York Times, que revelou que ele teria autorizado operações secretas da CIA na Venezuela contra o governo, incluindo a possibilidade de “neutralizar” o presidente Nicolás Maduro, Trump não negou.

    Trump apontou os alvos dos ataques norte-americanos como integrantes do cartel Tren de Aragua, um grupo criminoso venezuelano com presença em vários países e classificado por Washington como organização terrorista.

    Os Estados Unidos acusam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de liderar uma rede de narcotráfico e recentemente aumentaram para 50 milhões de dólares a recompensa por sua captura.

    Maduro, por sua vez, negou qualquer ligação com o tráfico de drogas.

    No Congresso dos EUA, democratas alegam que os ataques violam tanto a legislação norte-americana quanto o direito internacional. Já alguns congressistas republicanos têm cobrado mais informações da Casa Branca sobre a justificativa legal e os detalhes das operações.

    Na semana passada, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse a líderes militares que o governo norte-americano quer “forçar uma mudança de regime” no país sul-americano.

    EUA devolvem sobreviventes de ataque contra submarino de narcotráfico

  • Brigitte Bardot já está em casa após passar por cirurgia

    Brigitte Bardot já está em casa após passar por cirurgia

    Brigitte Bardot já está em casa depois de ter sido internada num hospital em Toulon, no sul de França, na última sexta-feira, 17 de outubro. Segundo a equipe da atriz, a cirurgia à qual se submeteu foi “realizada com sucesso”.

    Brigitte Bardot já está em casa após ter sido internada às pressas em um hospital em Toulon, no sul da França.

    A atriz, de 91 anos, passou por uma cirurgia que correu bem e já está em recuperação. A informação foi divulgada pela agência de notícias francesa AFP, que citou a equipe da artista.

    “[Brigitte] foi hospitalizada brevemente no hospital particular Saint-Jean, em Toulon, para uma pequena cirurgia, que foi realizada com sucesso”, informou o comunicado.

    “Ela agora está descansando em casa, não vai responder a nenhuma solicitação e agradece a todos por respeitarem sua privacidade e tranquilidade”, acrescentou a nota.

    Por fim, a atriz deixou seu “agradecimento a todos que se preocuparam com sua saúde”.

    Na última sexta-feira, o jornal The Sun havia informado que a artista tinha sido levada de urgência ao hospital, sugerindo que poderia se tratar de algo mais grave — hipótese que parece afastada com as declarações oficiais.

    Brigitte Bardot nasceu em 28 de setembro de 1934, em Paris, França. Estreou no cinema em 1952 com o icônico filme The Girl In The Bikini, sendo considerada um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 1950 e 1960.

    Brigitte Bardot e a luta pelos direitos dos animais
    Na década seguinte, antes de completar 40 anos e no auge da carreira, deixou o cinema para se dedicar à defesa dos animais. A artista já havia feito mais de 40 filmes e revelou que queria sair “de forma elegante” da profissão. Nos anos seguintes, recusou vários convites milionários para voltar a atuar.

    Em 1986, criou a Fundação Brigitte Bardot, dedicada à proteção dos animais, e apresentou na TV a série S.O.S. Animaux, entre 1989 e 1992. Também liderou campanhas contra a caça às baleias, testes laboratoriais com animais, rinhas de cães e o uso de casacos de pele. Bardot ainda se engajou na luta pela abolição do consumo de carne de cavalo.

    “O presente mais bonito que eu poderia receber, após 50 anos de apelos a governos e presidentes, seria a abolição do consumo de carne de cavalo. Quando saí do cinema, foi a primeira coisa que pedi: que os cavalos não fossem mortos ou comidos na França. Não recebi nada! Teria sido um presente maravilhoso para mim”, declarou à AFP durante as comemorações de seus 90 anos.

    Brigitte Bardot já está em casa após passar por cirurgia

  • "Crédito à OpenAI por terem lançado o ChatGPT primeiro"

    "Crédito à OpenAI por terem lançado o ChatGPT primeiro"

    O líder da Google, Sundar Pichai, reconheceu mérito à rival OpenAI por se ter antecipado com o lançamento de um ‘bot’ de conversação de Inteligência Artificial na reta final de 2022.

    O CEO do Google, Sundar Pichai, marcou presença no evento Dreamforce, da Salesforce, e explicou como se sentiu no final de 2022, quando a OpenAI se antecipou à gigante de tecnologia no lançamento de uma ferramenta de Inteligência Artificial.

    De acordo com o site Business Insider, o CEO da Salesforce, Marc Benioff, perguntou a Pichai como foi para o Google — na época considerado um “líder absoluto em Inteligência Artificial” — ver “uma pequena empresa de São Francisco chamada OpenAI surgir com esse produto chamado ChatGPT”.

    Pichai contou que o Google vinha trabalhando intensamente no desenvolvimento de Inteligência Artificial e que a empresa já tinha criado uma versão interna do seu próprio bot de conversação. No entanto, ele reconheceu o mérito da OpenAI por ter se adiantado e lançado o ChatGPT.

    “Você está certo, crédito para a OpenAI por ter lançado [o bot de conversação] primeiro”, afirmou o CEO do Google.

    “Sabíamos que, em outro cenário, provavelmente teríamos lançado nosso bot de conversação alguns meses depois. Não estávamos prontos para disponibilizá-lo de forma que as pessoas se sentissem confortáveis com o Google lançando aquele produto. Na época, ainda havia alguns problemas. Ao contrário do que muitos pensam, fiquei animado com o lançamento do ChatGPT”, contou Pichai, destacando que o Google tinha um risco reputacional maior do que a OpenAI ao lançar uma ferramenta desse tipo.

    "Crédito à OpenAI por terem lançado o ChatGPT primeiro"