De socialite perseguida por paparazzi a empresária multimilionária e artista, Paris Hilton revisita a própria trajetória, fala sobre música, traumas, fama nos anos 2000 e revela quem é por trás das imagens que marcaram uma geração.
(CBS NEWS) -“A primeira vez que me apresentei como DJ na vida foi em São Paulo, em 2012. Fiz o encerramento de um show de Jennifer Lopez”, diz Paris Hilton à repórter, numa sala decorada com móveis e almofadas com estampa de oncinha. A entrevista por videoconferência, no mês passado, aconteceu em um intervalo das gravações de seu próximo álbum, o terceiro de sua carreira musical.
Socialite, personalidade da mídia, famosa por ser famosa. Quem nunca leu ou ouviu o nome Paris Hilton associado a um desses adjetivos depreciativos? Foi assim que ela surgiu, ao lado da irmã mais nova, Nicky, no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, em fotografias tiradas, quase sempre, chegando ou saindo de baladas frequentadas por outros jovens famosos, ricos ou ambos.
Ela era linda, loira e tinha um nome que funcionava como endereço e também como um robusto cartão de visitas. Não era preciso muito contexto para entender quem era aquela garota nas imagens.
“Minha vida acontecia nas pistas dos clubes, mas as pessoas só viam o que rolava do lado de fora, onde estavam os paparazzi”, afirma a hoje mãe de dois meninos e dona de um império chamado 11:11 Media, um grande guarda-chuva que reúne seus muitos negócios, como perfumes, produtos para a pele, roupas, acessórios, conteúdos, licenciamentos e investimentos.
Atualmente, Paris Hilton tem uma fortuna estimada em US$ 300 milhões, valor semelhante ao de seus pais, construída de forma independente.
Hilton, talvez por herança familiar, tem um apreço especial por imóveis de alto padrão. Para ter uma ideia de como ela gosta de viver bem e organizar seus inúmeros sapatos de salto por cor, vale rever o filme “Bling Ring: A Gangue de Hollywood”, de Sofia Coppola, que usou a casa da estrela em Los Angeles como locação.
Inspirado em fatos reais, o longa acompanha um grupo de jovens obcecados por celebridades que monitorava a rotina de famosos pela internet e, ao perceber que algum deles estava fora da cidade, invadia as residências para roubar roupas e objetos de valor, como joias e relógios.
Na época, Paris Hilton tinha pouco mais de 20 anos e já contava com uma assistente contratada para cuidar de seus contratos como modelo, dos looks para festas e da produção necessária para que estivesse sempre no lugar certo, na hora certa, com uma roupa inédita. O nome dessa assistente era Kim Kardashian.
Quase duas décadas após o lançamento de seu primeiro álbum, a estrela decidiu voltar aos estúdios e lançou, há dois anos, o disco “Infinite Icon”, ao mesmo tempo em que uma equipe de documentaristas acompanhava a preparação para o primeiro show da turnê. O resultado é o longa-metragem “Infinite Icon: Uma Memória Visual”, que chega aos cinemas brasileiros no fim deste mês.
Dirigido por J.J. Duncan e Bruce Robertson, com uma direção de arte ousada e estilizada, o filme promete revelar quem é a pessoa por trás dos inúmeros cliques, dos flashes e das capas de tabloides.
Paris Hilton conta que o longo intervalo entre um álbum e outro não se deveu à falta de inspiração, mas de prioridade. “Viajei mais de 250 dias por ano durante duas décadas. Eu administro todo o meu império de negócios e todas as minhas linhas de produtos. Simplesmente não tinha tempo”, afirma.
O filme revisita toda a sua trajetória, da infância aos maiores desafios do início da adolescência, período em que estudou em um colégio interno, onde diz ter sofrido abusos psicológicos e sexuais.
Hilton saiu desse período traumático direto para as pistas de dança, em busca da liberdade e do poder prometidos pelas noites. No caminho, porém, enfrentou a fase mais nociva da cultura dos tabloides dos anos 2000, quando imagens digitais de fácil acesso, vendidas por muito dinheiro a revistas de fofoca, transformaram juventude e excessos em mercadoria.
“No começo era tudo divertido. Comecei a ser reconhecida na noite, e as pessoas publicavam fotos minhas nas revistas. O tratamento comigo e com minhas amigas não foi cruel logo no início, isso foi piorando com o tempo”, relata.
“No começo dos anos 2000, a mídia e o mundo tratavam as mulheres jovens dessa forma, e isso era considerado normal. As revistas focaram em um pequeno grupo de nós. Deixamos de ser socialites retratadas em colunas sociais e viramos entretenimento. Mas ninguém nos avisou que isso ia acontecer. Não houve uma conversa prévia. Tudo era muito normalizado. Foi doloroso e difícil, especialmente porque eu já tinha vivido muitos traumas na adolescência e ninguém sabia”, diz.
“De certa forma, isso me preparou para Hollywood. Fiquei muito forte depois de passar por tanta coisa. Acho que esse foi um dos motivos que me permitiram sobreviver. Vi muitas pessoas desistirem no caminho porque a pressão é enorme e muito traumática”, relembra.
Hilton fazia parte do mesmo grupo de jovens ricas, solteiras e dispostas a se divertir que incluía Nicole Richie, Britney Spears e Lindsay Lohan, e cada uma enfrentou esse tsunami de atenção da maneira que conseguiu.
“Nicole está incrível. Ela tem o negócio dela, é uma mãe maravilhosa e nos divertimos muito juntas. Lindsay está indo muito bem, com filmes novos a caminho. Ela também é mãe. E estive com a Britney há alguns dias, fizemos um jantar de aniversário para ela”, conta.
“Britney, especialmente, precisou ser muito forte para passar por tudo o que passou. Tenho muito orgulho das minhas meninas. Todas nós somos ícones e muito resilientes. Se você conseguiu sobreviver aos anos 2000, consegue sobreviver a qualquer coisa.”
INFINITE ICON: UMA MEMÓRIA VISUAL
– Quando Estreia em 29 de janeiro nos cinemas
– Classificação Não informada
– Produção Estados Unidos, 2026
– Direção J.J. Duncan e Bruce Robertson

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