Volume de pesquisas sobre a agência federal supera o do primeiro mandato do republicano; no Brasil, pesquisas sobre o órgão também cresceram
SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O uso ostensivo do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, durante o governo de Donald Trump também aumentou o interesse pela agência federal. Segundo dados do Google Trends, as buscas pelo termo no país atingiram na última semana o nível mais alto registrado pela ferramenta.
Criado em 2003, o ICE já havia despertado interesse no primeiro mandato de Trump (2017 – 2021). Ainda assim, o volume de buscas daquele período fica bem abaixo do registrado nos últimos dias em diferentes regiões dos EUA.
O movimento não se restringiu apenas entre os americanos. No Brasil, por exemplo, as pesquisas sobre o órgão também cresceram e atingiram níveis inéditos recentemente. Entre as dúvidas mais frequentes estão “O que é o ICE?” e “O que a sigla significa nos EUA?”.
O QUE É O ICE?
O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) é a agência federal responsável por fiscalizar a imigração e combater a permanência irregular de estrangeiros. O órgão foi criado em 2003 no Departamento de Segurança Interna, durante o governo de George W. Bush, em meio às mudanças adotadas após os atentados do 11 de Setembro.
Segundo a própria instituição, sua missão é “promover a segurança interna e a segurança pública com a aplicação das leis federais que regem o controle de fronteiras, alfândega, comércio e imigração, tanto na esfera criminal quanto na civil”.
Ainda de acordo com a agência, eles contam atualmente com mais de 20 mil agentes da lei e funcionários de apoio em mais de 400 escritórios nos EUA e em todo o mundo.
HISTÓRICO DO ICE DURANTE OS GOVERNOS OBAMA, BIDEN E TRUMP
Ao longo de duas décadas, o ICE foi acionado por diferentes presidentes, mas sua presença ganhou maior visibilidade em momentos de endurecimento da política migratória, como durante as gestões de Trump.
Desde o início do atual mandato, o tema voltou ao centro do debate após a morte de dois cidadãos americanos em Minneapolis durante ações de agentes federais, em meio a uma política de deportação em larga escala, repressão a protestos e detenções que chegaram a atingir crianças.
O governo também tem usado as redes sociais para divulgar operações, com vídeos em tom de meme e publicações com fotos de procurados.
Análise de dados do governo dos EUA feita pela Folha aponta que, de janeiro a setembro de 2025, o ICE deportou ao menos 113 mil imigrantes, alta de 126% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o democrata Joe Biden estava no poder.
No passado, a agência realizava grande parte das prisões em parceria com cadeias e prisões locais, detendo de forma mais discreta imigrantes já presos por outras forças policiais.
Esse padrão mudou nos últimos anos, em parte porque o governo Trump avançou para encerrar programas da gestão anterior que protegiam parte dessas pessoas da deportação, como o Status de Proteção Temporária, que permite a permanência de estrangeiros nos EUA por períodos limitados, geralmente de cerca de 18 meses, quando crises como terremotos ou conflitos armados tornam inseguro o retorno ao país de origem.
Sob Biden, a orientação oficial buscou concentrar recursos em casos considerados prioritários. Em 2021, o presidente publicou diretrizes sobre quais imigrantes em situação irregular deveriam ter prioridade para detenção e deportação, como a gravidade de uma infração anterior, o tipo de dano causado e se uma arma de fogo estava envolvida.
Essas diretrizes também davam aos agentes maior margem para avaliar quem representava ameaças à segurança pública e nacional do país.
Na última terça-feira (27), Biden criticou a atuação do ICE, em Minneapolis, e disse que os episódios representam uma traição aos “valores mais básicos” da sociedade americana.
Já sob Trump, o endurecimento das operações não é novidade. No primeiro mandato, as ações do ICE foram ampliadas e o foco se expandiu para além de pessoas com condenações por crimes graves. Naquele período, os EUA também adotaram medidas mais rígidas na agenda migratória, incluindo iniciativas para restringir programas de proteção a jovens imigrantes criados na era Barack Obama.
Obama, por sua vez, priorizava a prisão e a deportação de imigrantes que tivessem cometido crimes graves. Em seu governo, foi implementado no ICE o Programa de Aplicação Prioritária (vigente de 2015 a 2017), voltado a identificar imigrantes que pudessem representar risco à segurança pública.
Ainda assim, as expulsões no período atingiram níveis elevados. Ao deixar o cargo, dados oficiais indicavam que nenhum outro presidente na história dos EUA havia deportado tantas pessoas quanto Obama, o que lhe rendeu, entre líderes da comunidade latina, o apelido de “deportador-chefe”.

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