Alcaraz supera dores, bate Zverev em 5h27 e vai à final no Australian Open

(UOL/FOLHAPRESS) – Alexander Zverev teve suas chances nesta sexta-feira, na primeira semifinal do Australian Open. O alemão fez um bom começo de jogo e sacou para fechar o segundo set, mas cometeu erros que Carlos Alcaraz não perdoou.

O número 1 do mundo era superior em todos pontos importantes, mas teve problemas físicos a partir do terceiro set, e o jogo ganhou contornos dramáticos. Zverev reagiu, levou o jogo ao quinto set e esteve a um game de saque da vitória. Alcaraz, contudo, recuperou-se a tempo, conseguiu uma quebra de saque providencial e, no fim, despachou o alemão. Após 5h27min de jogo, o placar final registrou 6/4, 7/6, 6/7, 6/7 e 7/5 a favor do espanhol de 22 anos, que alcançou a final em Melbourne pela primeira vez na carreira.

A partida foi a terceira mais longa da história do torneio. O recorde ainda pertence à final de 2012, quando Novak Djokovic derrotou Rafael Nadal em 5h53min. Alcaraz agora aguarda para conhecer seu adversário na final. A outra semi terá Jannik Sinner, atual número 2 do mundo, e Novak Djokovic, quarto colocado no ranking. Caso o italiano leve a melhor, será a quarta final de slam consecutiva entre ele e o espanhol. Alcaraz levou a melhor nas decisões de Roland Garros e do US Open, enquanto Sinner foi campeão em cima do rival em Wimbledon.

MAIS JOVEM EM QUATRO FINAIS

Será a oitava final de slam na carreira de Alcaraz. Nas sete que disputou até agora, venceu seis: US Open em 2020 e 2025, Roland Garros em 2024 e 2025 e Wimbledon em 2023 e 2024. Se triunfar na Austrália, completará o career slam, feito em que um tenista conquista os quatro slams, mesmo que em temporadas diferentes.

De qualquer modo, ao alcançar a decisão em Melbourne, Alcaraz já quebrou um recorde: tornou-se o tenista mais jovem da Era Aberta (a partir de 1968) a estar nas finais dos quatro torneios do Grand Slam. Com 22 anos e 272 dias de vida, ele deixa para trás Jim Courier, que tinha 22 anos e 321 dias de vida quando estabeleceu a marca em Wimbledon/1993.

Carlitos também igualou uma importante marca compartilhada por Rafael Nadal e Bjorn Borg, os únicos que disputaram oito finais de slam com até 22 anos.

VANTAGEM SOBRE ZVEREV

Alcaraz agora tem vantagem no histórico de confrontos com Zverev. O espanhol soma sete vitórias contra seis do alemão. Em slams, Carlitos também lidera: três triunfos em cinco duelos.

COMO ACONTECEU

Zverev fez um bom começo de jogo, sacando bem e sendo agressivo do fundo de quadra. A coisa começou a mudar a partir do sétimo game, quando Alcaraz conquistou o primeiro break point do jogo a fazer uma bela passada de esquerda. O alemão se salvou, mas sucumbiu no nono game. Primeiro, errou uma esquerda simples e cedeu outro break point. Em seguida, cometeu uma dupla falta. Com a quebra, Alcaraz confirmou o saque pouco depois e fez 6/4.

Zverev começou o segundo set de forma errática, mas salvou um break point no primeiro game e manteve o placar equilibrado até conquistar três chances de quebra no sexto game, quando ganhou dois belos ralis. Alcaraz salvou os dois primeiros com ótimas direitas, mas errou um forehand no terceiro e perdeu o saque. Sascha teve a chance de sacar para o set, mas cometeu três erros não forçados e acabou quebrado quando Alcaraz atacou bem com uma esquerda. O jogo mudou, o alemão sentiu o momento, e o número 1 do mundo foi ao ataque. No 11º game, Alcaraz conquistou mais dois break points. Zverev salvou o primeiro indo à rede e o segundo com um ace. A decisão veio em um equilibrado tie-break, que não teve mini-breaks até o 11º ponto. Zverev perdeu a chance de abrir 6/5 quando errou um voleio nada complicado. Alcaraz, novamente, não perdoou um erro do oponente. Com um set point, disparou uma direita indefensável para fechar o set: 7/6.

PROBLEMA FÍSICO ASSUSTA

Tudo parecia apontar para uma vitória tranquila de Alcaraz, mas o espanhol começou a dar indícios de que sentia problemas físicos. Com o placar em 4/4, o espanhol deu duas curtinhas e escapou ao disparar mais uma direita vencedora. Na virada de lado, recebeu atendimento médico para tratar um desconforto na coxa direita. Enquanto isso, Zverev reclamava com o supervisor do torneio por acreditar que o espanhol tinha cãibras – e as regras não permitem atendimento para tratar cãibras.

Alcaraz voltou para o jogo sem se movimentar bem, mas conseguiu confirmar o saque duas vezes arriscando e executando mais bolas vencedoras, mas também contando com erros de Zverev. Sascha, então, confirmou seu serviço e forçou outro tie-break. Desta vez, o alemão saiu na frente e aproveitou a movimentação ruim do espanhol para abrir 5/2 com uma curtinha vencedora. Alcaraz errou uma esquerda e, pouco depois, Zverev fez 7/6, levando o jogo para o quarto set.

Alcaraz bebeu suco de picles (frequentemente usado contra cãibras) e recebeu massagem na outra coxa antes do quarto set. O espanhol seguiu lutando do jeito que dava e, no sexto game, salvou dois break points para manter a parcial sem quebras (3/3). O número 1, que aos poucos passava a se mexer melhor em quadra, também escapou da quebra no oitavo e no décimo games após sacar em 0/30 em ambos. Foi necessário outro tie-break e, mais uma vez, Zverev levou a melhor. Quando Alcaraz errou uma esquerda sacando em 4/5, deu dois set points para o alemão. Logo no primeiro, uma linda direita na cruzada definiu a parcial: 7/6.

Zverev abriu o quinto set com uma quebra, que veio após uma dupla falta de Alcaraz. Perto da derrota, o espanhol elevou o nível. No quarto game, conquistou dois break points, mas Sascha se salvou. No sexto, Alcaraz fez uma curtinha espetacular e uma devolução vencedora para obter nova chance de quebra, mas Zverev escapou mais uma vez. No oitavo, após três erros não forçados do alemão, o espanhol teve outros dois break point. Zverev escapou do primeiro vencendo um belo rali. No segundo, Alcaraz errou uma direita.

Assim, a duras penas, o número 3 do mundo teve a chance de sacar para o jogo no décimo game, com o placar em 5/4. O game começou com uma passada de Alcaraz, e uma direita vencedora deu mais dois break points ao número 1. Desta vez, não houve saída para Zverev, que cometeu um erro forçado e viu o placar ficar em 5/5. A torcida festejou, Alcaraz ganhou moral, e Sascha sucumbiu. No 12º game, foi quebrado outra vez e viu o rival celebrar

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