Processos encarecem passagem, diz presidente da Anac sobre limitar ações por atraso de voo

Proposta da Anac reforça que companhias aéreas não podem ser responsabilizadas por atrasos causados por força maior, como clima e fechamento de aeroportos. Idec vê risco de restrição de direitos, enquanto agência afirma que assistência ao passageiro continua obrigatória

(FOLHAPRESS) — O presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Tiago Faierstein, afirmou que a proposta do órgão para isentar companhias aéreas de responsabilidade civil em casos específicos de atraso ou cancelamento não retira direitos dos passageiros. Segundo ele, a medida apenas delimita situações em que as empresas não podem ser penalizadas por fatores fora de seu controle.

Faierstein citou dados da própria agência para sustentar o argumento. Em 2025, apenas 1,6% dos voos foram cancelados e outros 6,5% registraram atrasos superiores a 30 minutos. “É um dos maiores índices de pontualidade do mundo”, afirmou.

De acordo com o presidente da Anac, a proposta não impede a judicialização quando ela é necessária. “Se a companhia aérea não pagou hotel, não ofereceu alimentação ou se o atraso ocorreu por falha da aeronave, da tripulação ou do sistema, estamos dizendo claramente que a culpa é dela”, explicou.

A agência submeteu à consulta pública, na última quinta-feira (22), uma proposta de alteração da regulação civil que mantém a responsabilidade das empresas por danos decorrentes de atrasos significativos. O texto, porém, reforça que as companhias não podem ser responsabilizadas em situações de caso fortuito ou força maior.

Na prática, atrasos e cancelamentos provocados por tempestades, fechamento de aeroportos ou determinações de autoridades não dariam direito à indenização por dano moral. Essa previsão já constava em uma lei de 2020, mas seria reforçada caso a nova regulamentação entre em vigor.

O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) manifestou preocupação com a proposta. Em nota, a entidade afirmou que a regra pode desestimular o reconhecimento de danos morais e funcionar como uma barreira ao acesso à Justiça. “Qualquer revisão normativa deve fortalecer a qualidade do serviço e os mecanismos de prevenção de danos, e não restringir direitos já consolidados dos passageiros”, afirmou o instituto.

Faierstein disse que o texto ainda não é definitivo e que a consulta pública existe justamente para receber contribuições da sociedade, inclusive do Idec. Ele também se comprometeu a prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional antes da aprovação final da medida.

Defensores da proposta argumentam que há uma “indústria de ações judiciais” contra companhias aéreas, o que encarece as passagens. O presidente da Anac endossou essa avaliação e afirmou que cerca de 4,6% do preço dos bilhetes estaria relacionado aos custos com processos judiciais. “A gente brinca que existe advogado de porta de finger. Quando o passageiro pousa, já tem alguém com a procuração pronta. A coisa perdeu o controle”, disse.

A Anac prevê para março a implementação de uma plataforma virtual que permitirá ao Judiciário consultar os motivos de atrasos e cancelamentos de voos.

 

Processos encarecem passagem, diz presidente da Anac sobre limitar ações por atraso de voo

Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *