Categoria: ECONOMIA

  • Spirit Airlines cancela todos os voos e anuncia encerramento das atividades

    Spirit Airlines cancela todos os voos e anuncia encerramento das atividades

    O presidente dos EUA, Donald Trump, havia manifestado interesse em oferecer ajuda econômica para salvar milhares de empregos na empresa, que havia declarado falência duas vezes em 2025.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines, que atendia diversos destinos nos EUA e na América Latina, anunciou neste sábado (2) que cancelou todos os seus voos e iniciou o “encerramento ordenado de suas operações”, após o fracasso de um possível resgate financeiro por parte da Casa Branca.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, havia manifestado interesse em oferecer ajuda econômica para salvar milhares de empregos na empresa, que havia declarado falência duas vezes em 2025.

    A companhia aérea conectava os Estados Unidos, especialmente o estado da Flórida, com mais de 20 destinos na América Latina e no Caribe, entre eles México, Colômbia, Costa Rica, Honduras, Peru, Porto Rico e República Dominicana.

    A empresa tinha 4.119 voos nos EUA entre 1° e 15 de maio, com capacidade para 809.638 passageiros, de acordo com a empresa de dados de aviação Cirium. Especialistas acreditam que JetBlue Airways e Frontier Airlines devem ser beneficiadas com a medida.

    Em um comunicado, a dona da aérea, Spirit Aviation Holdings, anunciou “com pesar que a companhia iniciou o encerramento ordenado de suas operações, com efeito imediato. Os passageiros da Spirit não devem ir ao aeroporto”.
    O site da empresa exibe uma mensagem informando que “o serviço de atendimento ao cliente não está mais disponível”. A companhia aérea afirmou que processará os reembolsos dos voos já adquiridos.

    A empresa é conhecida por seus chamativos aviões amarelos, começou a oferecer voos em 1992 e se consolidou por seu baixo custo como uma forte concorrente das companhias aéreas tradicionais.

    Seu presidente e diretor executivo, Dave Davis, afirmou que em março havia chegado a um acordo com os credores para um plano de reestruturação que “teria permitido ressurgir como um negócio com futuro”.

    No entanto, o vertiginoso aumento dos preços do combustível desde a eclosão da guerra no Oriente Médio “nos deixou sem outra alternativa senão realizar um encerramento gradual da empresa”, afirmou no comunicado.

    Manter o negócio exigia centenas de milhões de dólares adicionais de liquidez que a Spirit simplesmente não tem e não conseguia obter. Isso é tremendamente decepcionante e não é o resultado que nenhum de nós desejava
    em comunicado

    FRACASSO EM FINANCIAMENTO

    Na sexta-feira (1°), Trump declarou que havia enviado uma “proposta final” de resgate à companhia aérea, que em 2024 empregava cerca de 11 mil pessoas. “Imagino que estamos analisando. Se pudermos fazer, faremos, mas apenas se for um bom negócio”, disse.

    Altos funcionários de sua administração criticaram o governo anterior de Joe Biden por ter bloqueado uma oferta de aquisição de US$ 3,8 bilhões por parte da JetBlue, argumentando que prejudicaria os consumidores.

    Em seu comunicado, a Spirit garantiu que houve “esforços amplos e exaustivos para reestruturar o negócio”, mas que a falta de financiamento adicional a deixava “sem outra opção senão empreender este encerramento”.
    Nas últimas semanas, a companhia vinha negociando uma linha de crédito emergencial de US$ 500 milhões com o governo Trump. Alguns dos investidores credores da Spirit se opuseram aos termos do resgate, segundo os quais o governo poderia acabar ficando com 90% da Spirit, porque isso os deixaria em uma situação financeira pior caso a companhia aérea eventualmente falisse. Alguns parlamentares republicanos também se opuseram a um resgate governamental da Spirit.

    Para Jan Brueckner, professor emérito de Economia da Universidade da Califórnia em Irvine, a alta do preço do combustível foi “a gota d’água”.

    AMERICAN E UNITED OFERECEM AJUDA A CLIENTES

    Após o anúncio do encerramento, American Airlines e United Airlines, duas das gigantes americanas do transporte aéreo, se ofereceram para ajudar os clientes da Spirit.

    A American garantiu que oferecia “tarifas de resgate” nas rotas da Spirit para “mitigar o impacto nas comunidades” e a United propôs “passagens só de ida com preço máximo a partir da maioria das cidades para onde voava” a empresa de baixo custo.

    A Associação de Comissários de Bordo, sindicato que representa cerca de 5.000 funcionários da Spirit, disse que estava em contato com outras companhias aéreas para apoiar o pessoal da Spirit.

    “A cada comissário de bordo em atividade será fornecido hotel e/ou um voo para retornar para casa”, acrescentou o sindicato. Este encerramento é “a notícia mais difícil de nossas vidas”, completou.

    REGULADOR DESCARTA RESGATE DE LOW COSTS

    O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, disse neste sábado que não acredita que o governo precise socorrer as companhias aéreas de baixo custo devido aos altos preços do combustível de aviação.

    “Eu diria que, neste momento, não acho que seja necessário. Elas têm acesso a dinheiro. Se quiserem recorrer ao governo dos EUA, seremos um credor de última instância. Se puderem encontrar dólares nos mercados privados, acho que será melhor para elas”, disse Duffy em uma coletiva de imprensa no aeroporto de Newark, após o colapso da companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines.

    Ele afirmou ainda que a perspectiva de resgate da Spirit foi vista como uma oportunidade por algumas outras companhias aéreas de obter dinheiro “não necessariamente com base na necessidade, mas com base na oportunidade”.

    Um grupo de companhias aéreas de baixo custo dos EUA, incluindo a Frontier e a Avelo, disse na segunda-feira que havia proposto a troca de bônus de subscrição que poderiam ser convertidos em participações acionárias por US$ 2,5 bilhões em assistência do governo dos EUA.

    A Association of Value Airlines confirmou que solicitou ao governo do presidente Donald Trump a criação de um pacote de liquidez de US$ 2,5 bilhões, a ser usado exclusivamente para compensar os custos maiores de combustível, “como uma medida necessária e direcionada para estabilizar as operações e manter as tarifas aéreas acessíveis durante esse período de volatilidade”.

    As empresas também pediram que o Congresso suspenda o imposto federal de 7,5% sobre as passagens aéreas e o imposto de US$ 5,30 por trecho. A isenção dessas taxas compensaria cerca de um terço do aumento do combustível de aviação.

    A proposta destaca uma das consequências não intencionais da guerra de EUA e Israel contra o Irã: um aumento nos preços do combustível de aviação que praticamente dobrou os custos, reduzindo as margens e empurrando as companhias aéreas mais fracas para a beira do abismo.

    Spirit Airlines cancela todos os voos e anuncia encerramento das atividades

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  • Warren Buffett: Investidores podem errar no julgamento de executivos

    Warren Buffett: Investidores podem errar no julgamento de executivos

    Em entrevista à CNBC, durante a conferência anual do grupo com analistas, neste sábado, 2, Buffett foi questionado sobre a saída de executivos de empresas relevantes do portfólio da Berkshire. A lista inclui Tim Cook (Apple), James Quincey (Coca-Cola) e Vicki Hollub (Occidental Petroleum). Também foi questionado se a troca de gestão poderia alterar sua visão sobre essas participações.

    O megainvestidor Warren Buffett afirmou que mudanças de liderança em grandes empresas exigem cautela por parte dos investidores e reconheceu que avaliações sobre executivos podem falhar, ao comentar sucessões recentes em companhias investidas pela Berkshire Hathaway.

    Em entrevista à CNBC, durante a conferência anual do grupo com analistas, neste sábado, 2, Buffett foi questionado sobre a saída de executivos de empresas relevantes do portfólio da Berkshire. A lista inclui Tim Cook (Apple), James Quincey (Coca-Cola) e Vicki Hollub (Occidental Petroleum). Também foi questionado se a troca de gestão poderia alterar sua visão sobre essas participações.

    Ao responder, Buffett destacou que erros de liderança podem persistir por longos períodos em empresas de consumo recorrente. \”Com um produto que as pessoas compram todos os dias, você consegue tomar uma decisão errada por muito tempo\”, afirmou, citando a experiência da Coca-Cola.

    O investidor também disse que ainda está conhecendo parte dos novos executivos que assumirão grandes companhias americanas e ponderou que avaliações sobre pessoas nem sempre são precisas. \”Você pode errar no julgamento sobre pessoas\”, afirmou.

    Em tom descontraído, Buffett comparou o processo de escolha de executivos à decisão de casamento. \”Quando eu era jovem, muita gente tomava uma decisão aos 20 ou 21 anos: casar. Agora as pessoas passam cinco anos e ainda cometem os mesmos erros\”, disse.

    Segundo Buffett, é difícil prever como os líderes irão se comportar ao assumir posições de comando. \”Talvez as pessoas se comportem de um jeito antes do casamento e de outro depois\”, afirmou.

    Sucesso dos EUA

    Na entrevista à CNBC, Warren Buffett afirmou que os Estados Unidos possuem um \”ingrediente secreto\” que transformou o país em um \”milagre absoluto\”, ao comentar imigração, valores americanos e sucessão na Berkshire Hathaway.

    Ao falar sobre o CEO da Berkshire, o canadense Greg Abel, Buffett destacou que o executivo está prestes a obter cidadania americana e disse considerar significativo o fato de pessoas continuarem buscando viver nos EUA. \”A América é especial. O que a América realizou é um milagre, um milagre absoluto\”, afirmou.

    Segundo Buffett, o país mantém há mais de dois séculos uma capacidade singular de atrair pessoas de diferentes partes do mundo. \”As pessoas querem vir para cá. Você não consegue \’comprar\’ esse sentimento em lugar nenhum\”, disse.

    O investidor reconheceu que nunca conseguiu identificar qual seria esse \”ingrediente secreto\” americano, mas avaliou que o sistema construído pelos EUA ao longo de sua história produziu \”resultados excepcionais\”. \”Esse país fez muitas coisas de forma diferente, e de algum jeito funcionou.\”

    Questionado sobre o que seria necessário para preservar esse modelo, Buffett respondeu que os Estados Unidos ainda possuem condições de evoluir e melhorar. \”Isso não significa que não possamos fazer melhor\”, disse.

    Ao encerrar a entrevista, Buffett deixou uma mensagem aos acionistas presentes na conferência anual da Berkshire e defendeu a chamada \”regra de ouro\” como princípio de vida. \”Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você\”, afirmou. Segundo ele, pessoas que seguem esse princípio tendem a construir relações mais sólidas ao longo do tempo. \”Eu nunca vi alguém que se comportasse assim se dar mal por isso\”, declarou.

    *Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Warren Buffett: Investidores podem errar no julgamento de executivos

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  • Guerra no Irã pressiona custos da construção civil no Brasil

    Guerra no Irã pressiona custos da construção civil no Brasil

    Dados recentes mostram que a alta já aparece nos indicadores. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou 1,04% em abril, após registrar alta de 0,36% em março, refletindo o encarecimento de insumos para as obras, em movimento associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e logística global.

    ANA PAULA BRANCO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escalada da guerra no Irã pressiona os custos da construção civil no Brasil, com impacto disseminado sobre materiais, fretes e planejamento das obras, mas sem sinais, por ora, de desabastecimento.

    Dados recentes mostram que a alta já aparece nos indicadores. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou 1,04% em abril, após registrar alta de 0,36% em março, refletindo o encarecimento de insumos para as obras, em movimento associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e logística global.

    A inflação preocupa construtores que vão da incorporação imobiliária às obras de infraestrutura. Para o mercado imobiliário, os preços mais altos chegam em um ano em quem especialistas projetavam um cenário de recuperação, impulsionado por um pacote de medidas governamentais e uma expectativa de queda gradual da taxa dos financiamentos.

    Esses aumentos também colidem com o esforço do governo Lula de ampliar o acesso ao financiamento imobiliário. Em março, o conselho curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou a ampliação da renda máxima das famílias elegíveis ao Minha Casa, Minha Vida e do teto dos imóveis que podem ser financiados pelo programa, que é uma vitrine eleitoral de gestões petistas.

    “O INCC de abril mostrou que [a guerra] já está impactando no preço dos produtos. A tendência parece ser um fato e o [INCC] de maio ser impactado também”, diz Dionysio Klavdianos, vice-presidente de inovação da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). “Temos ouvido relatos de aumentos de até 30%. Se isso persistir, haverá impacto no custo das obras e, posteriormente, no preço dos imóveis.”

    O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, se aproxima de US$ 115 (cerca de R$ 572) em meio à deterioração das relações entre Estados Unidos e Irã e às ameaças envolvendo o estreito de Hormuz -por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

    Os dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) apontam que os principais aumentos em abril ocorreram em itens como massa de concreto, cimento, tubos e conexões de PVC -derivados de petróleo-, além de vergalhões e arames de aço ao carbono.

    Em abril, o preço do alumínio atingiu o maior valor em quatro anos em meio à guerra no Irã. O Oriente Médio é responsável por cerca de 9% da oferta global do metal.

    Pelo menos três casas de análise de ações -BTG Pactual, Itaú BBA e Santander- disseram em relatórios divulgados recentemente que os custos pós-guerra podem mexer com as perspectivas do setor. Analistas do BTG Pactual afirmaram que os preços mais alto de materiais como concreto, PVC e alumínio ainda não foram integralmente incorporados aos índices de inflação do setor. O principal risco, de acordo com os analistas, é que as incorporadoras precisem elevar o preço dos imóveis, o que afetaria a demanda dos consumidores.

    “Estamos ficando mais cautelosos em relação a incorporadoras, particularmente com as de baixa renda”, afirmaram os analistas do BBA.
    No início de abril, dez entidades da construção civil enviaram ofícios à Casa Civil e aos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Institucionais pedindo medidas emergenciais diante da disparada dos preços de insumos.

    A proposta inclui a criação de um normativo temporário que estabeleça uma referência para a variação dos índices contratuais -em patamar considerado “justo e suportável”- e permita reajustes mensais enquanto durar o cenário de exceção.

    Além de derivados do petróleo, o preço dos combustíveis também está em alta, impactando diretamente no valor do frete e pressionando toda a cadeia da construção. “O impacto mais imediato é no frete, devido ao diesel. E o frete tem peso relevante, porque é assim que os materiais chegam às obras”, diz Klavdianos.

    Para tentar conter a alta do diesel, o governo federal criou uma série de medidas, incluindo isenção de impostos federais e incentivo à importação.

    Apesar da alta dos custos, a construção civil descarta, neste momento, uma crise de oferta semelhante à observada durante a pandemia. “Não há falta de materiais e não tem nada paralelo com o que houve na pandemia. Agora, as fábricas estão funcionando. Conseguimos trabalhar”, diz Klavdianos.

    O presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, afirma que o impacto atual é predominantemente de custo, não de oferta, ao longo da cadeia produtiva. Materiais como resinas, polímeros e tintas também já registram alta.

    O principal problema, segundo o setor, é a imprevisibilidade. A volatilidade internacional dificulta o planejamento financeiro das empresas, a formação de preços e a negociação com fornecedores. O setor, que opera com ciclos longos, depende de maior estabilidade para precificar lançamentos e contratos.

    Há ainda limitações estruturais que agravam a exposição ao cenário externo. Diferentemente de outros setores, a construção civil tem baixa capacidade de estocagem. Insumos como concreto e aço são adquiridos conforme o avanço das obras, o que reduz a possibilidade de antecipar compras e proteger margens.

    Mesmo assim, empresas com maior capacidade financeira vêm tentando se antecipar. “Quem tem caixa e consegue armazenar está antecipando compras para formar estoque”, afirma Klavdianos.

    Os custos mais recentes da construção ainda não aparecem nos imóveis que estão sendo entregues, porque esses empreendimentos foram orçados e vendidos há dois ou três anos, quando insumos, mão de obra e crédito estavam em patamares menores.

    A alta atual, porém, já altera a conta dos novos projetos. Com materiais mais caros, fretes pressionados e maior incerteza no planejamento, incorporadores tendem a rever lançamentos, enxugar margens ou repassar preços, o que pode encarecer as próximas entregas e reduzir o ritmo de obras se o cenário se mantiver por tempo prolongado.

    Segundo os analistas do Santander, os balanços das incorporadoras do primeiro trimestre, que começam a ser divulgados nesta semana, devem mostrar que as empresas começam a incluir o preço mais alto do petróleo em seus custos, até mesmo com revisão de orçamentos.

    Muitas empresas têm buscado se defender da escalada de preços. “As construtoras têm resistido a pedidos de reajuste sem comprovação clara de aumento nos custos de produção, solicitado esclarecimentos aos fornecedores e buscado trazer os reajustes para patamares mais equilibrados, além de redobrar a atenção ao planejamento diante da volatilidade”, diz Estefan, do SindusCon-SP.

    Guerra no Irã pressiona custos da construção civil no Brasil

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  • Conheça os trabalhadores que ganham até R$ 3.000 e têm o nome sujo

    Conheça os trabalhadores que ganham até R$ 3.000 e têm o nome sujo

    “Peguei um empréstimo de R$ 8.000 e logo depois fui demitida. Só consegui pagar a primeira parcela”, diz Ana Carla. A dívida existe há cerca de sete anos e ela diz continuar com o nome sujo, apesar de estar empregada.

    DANIELE MADUREIRA E GABRIEL GAMA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A vendedora Ana Carla Dias de Oliveira, 49, foi ao evento da Força Sindical neste 1º de maio, dia do Trabalho, atraída pelo sorteio de Pix: foram 27 ao todo, com valores de R$ 3.000 a R$ 10 mil. Saiu de mãos vazias. “Não foi dessa vez”, disse ela, que tirou a sorte grande no evento da Força em 2006, quando ganhou um “apertamento” de 38 m². Vendeu para reformar a casa própria onde mora.

    Hoje, porém, conta que está endividada e com o nome sujo. “Peguei um empréstimo de R$ 8.000 e logo depois fui demitida. Só consegui pagar a primeira parcela”, diz Ana Carla. A dívida existe há cerca de sete anos e ela diz continuar com o nome sujo, apesar de estar empregada.

    Quanto à jornada 6×1, um dos motes das centrais sindicais em atos do 1º de Maio de deste ano, reclama ser uma rotina cansativa, especialmente para mulheres, que acumulam jornadas. “No meu caso, trabalho domingo sim, domingo não. A gente que é mãe e dona de casa não tem tempo para nada.”

    O caso de Ana Carla é comum. Segundo a pesquisa “Radiografia da Inadimplência 2026”, da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil, a inadimplência do consumidor bateu recorde e chegou a 44,4% dos brasileiros adultos em março deste ano, o maior índice desde janeiro de 2015, quando o levantamento do birô de crédito SPC Brasil começou a ser feito. Mas o calote não está ligado à falta de emprego: 82% dos inadimplentes trabalham (48% são CLT, 23% autônomos e 11% empreendedores).

    É o que acontece com Fabiana de Oliveira França, 47, atendente de lanchonete. “Estou inadimplente com cartão de crédito”, diz ela, que veio de Mogi das Cruzes (SP) com o marido e a filha para o ato da Força. Fabiana ganha o salário mínimo para uma jornada de 8 horas por dia, de segunda a sexta-feira, sem benefícios. “A empresa só paga condução”, diz. “Ou a gente come ou paga as contas, esse setor de alimentação paga muito pouco, não reconhece nosso trabalho.”

    Embora seja eleitora do presidente Lula, não é a favor de usar o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagar as contas, como propôs o governo com o programa Desenrola 2 (que vai liberar o uso de até 20% do saldo). “O nosso Fundo de Garantia é um seguro para a gente, no caso de ficar desempregado.”

    Além dos Pix, foram sorteadas duas bicicletas e barris de chope. A organização explicou aos presentes que os sorteios seriam após a saída de Fernando Haddad, Simone Tebet e da ex-ministra Marina Silva, para evitar acusações de crime eleitoral.

    O marido de Fabiana, Tiago Romão de Assis, 39, já usou o saque-aniversário para quitar dívidas. “No governo anterior eu fiquei endividado”, disse. “É uma saída para quem está afogado”, diz ele, que é metalúrgico e ganha cerca de R$ 3.200 ao mês. Tiago gomeçou a vender acessórios, como óculos e relógios nas redes sociais, na tentativa de complementar renda. “A gente tem que buscar uma segunda alternativa, porque o que ganha não paga as contas.”

    Nilce Rosa Gomes da Silva, 45, auxiliar de produção em uma metalúrgica, também reclama da falta de reconhecimento, que se traduz na ausência de benefícios. “Não temos plano de saúde, cesta básica, vale-transporte, nada”, diz ela, que ganha menos de R$ 2.000 ao mês e trabalha na escala 5×2. “Chega ao fim do mês e não sobra nada. É só o cartão de crédito que salva”, diz a auxiliar, para quem o sorteio incentivou a participação no ato, mas afirma que a defesa dos direitos conta mais. “A gente quer melhorar as condições de trabalho, estão retirando as nossas conquistas. Já cansamos de ser a base.”

    Já Roberto Gualberto, 55, que trabalhava como caixa, está desempregado e recebe auxílio-acidente, depois de ter caído da laje de casa. Tem dificuldade de locomoção e cuida da filha, que é especial. A mulher trabalha como diarista e sustenta a casa. “Estou inadimplente, depois que fiquei desempregado, as dívidas acumularam e peguei empréstimo em banco”, diz ele. “Queria muito quitar. Vou ver se vale a pena aderir ao Desenrola.”

    SACAR FGTS É BOM PARA O GOVERNO, DIZ OPERÁRIO

    A dona de casa e pensionista Bernadete Teixeira, 54, diz estar com o nome sujo há seis anos. O motivo é o atraso no pagamento de carnês do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) do apartamento em que mora em São Bernardo do Campo.

    “Se eu não pagar, posso perder meu apartamento”, afirma. “Tenho que fazer empréstimo para sobreviver. Se ficou alguma conta pendente, faço empréstimo. Se tem que comprar alguma coisa para as crianças, também tenho que pegar.” Ela sustenta as filhas e netas com a pensão de R$ 1.600.

    O operário do setor de vidros Armando Alves também afirma ter dívidas, mas não pretende usar o Desenrola 2 para pagar as contas. “Pegar FGTS é bom para o governo. O trabalhador tem que ter consciência de que é um dinheiro para ficar guardado.”

    Djanira de Carvalho, 60, é consultora de cosméticos e diz que “todo mundo tem dividas”. Ela afirma que já sacou o FGTS e planeja usar novamente neste ano. “Eu gosto, me ajuda muito.”

    Conheça os trabalhadores que ganham até R$ 3.000 e têm o nome sujo

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  • Petróleo fecha em queda com nova proposta de paz do Irã, mas Brent sobe 9% na semana

    Petróleo fecha em queda com nova proposta de paz do Irã, mas Brent sobe 9% na semana

    Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho fechou em queda de 2,98% (US$ 3,13), a US$ 101,94 o barril. Já o Brent para julho fechou em baixa de 2,02% (US$ 2,23), a US$ 108,17 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Na semana, porém, ambos acumularam ganhos de 7,99% e 9,12%, respectivamente.

    Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta sexta-feira após informações de que o Irã entregou uma nova proposta de acordo ao Paquistão – mediador para negociações com os EUA – ontem. Uma nova rodada de conversas desperta otimismo dos investidores de que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve.

    Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho fechou em queda de 2,98% (US$ 3,13), a US$ 101,94 o barril. Já o Brent para julho fechou em baixa de 2,02% (US$ 2,23), a US$ 108,17 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Na semana, porém, ambos acumularam ganhos de 7,99% e 9,12%, respectivamente.

    Uma fonte iraniana disse à CNN que Teerã pode ver as negociações serem retomadas se os EUA suspenderem o bloqueio aos portos iranianos e o Irã reabrir completamente o Estreito de Ormuz. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país persa, Esmaeil Baqaei, enfatizou que encerrar a guerra e estabelecer uma paz sustentável continuam sendo as principais prioridades nas negociações.

    O presidente americano, Donald Trump, contudo, disse nesta tarde não estar satisfeito com o Irã, após conversas por telefone com a liderança persa e recentes negociações bilaterais. Washington tenta reinserir a questão nuclear no texto da proposta de paz, principal ponto de atrito com o lado iraniano, diz a Axios. Para Samer Hasn, do XS.com, Trump deve priorizar a erradicação do programa nuclear de Teerã em detrimento da reabertura total do estreito, já que os EUA são um exportador de energia.

    Em abril, o Brent terminou o mês acima de US$ 110 o barril, após ter tocado na quinta-feira seu nível mais alto desde 2022. \”O petróleo teve um desempenho em forma de \’U\’, terminando não muito longe de onde começou, mas com o Brent subindo mais de 25% em relação às mínimas do meio do mês\”, pontua o Deutsche Bank.

    Petróleo fecha em queda com nova proposta de paz do Irã, mas Brent sobe 9% na semana

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  • Novo salário mínimo projetado por Lula impacta idosos do BPC; entenda

    Novo salário mínimo projetado por Lula impacta idosos do BPC; entenda

    O BPC garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Assim, qualquer mudança no piso nacional impacta diretamente o valor recebido, já que não existe reajuste separado para esse benefício.

    A projeção do governo federal para o salário mínimo já acendeu um sinal de atenção entre milhões de brasileiros que dependem diretamente desse valor. A proposta enviada ao Congresso, dentro do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, aponta que o piso nacional pode alcançar R$ 1.717 em 2027, alterando o cenário financeiro de diversos beneficiários.

    O cálculo segue a regra atual: considera a inflação medida pelo INPC e inclui um ganho real limitado. Embora pareça um ajuste técnico, os efeitos vão além dos trabalhadores formais, atingindo aposentadorias, pensões e benefícios sociais pagos pelo INSS, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

    O BPC garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Assim, qualquer mudança no piso nacional impacta diretamente o valor recebido, já que não existe reajuste separado para esse benefício.

    A estimativa de R$ 1.717 representa um aumento de cerca de 5,9% em relação ao valor atual, próximo de R$ 1.621. Na prática, isso significa aproximadamente R$ 96 a mais por mês. Apesar disso, o número ainda não é definitivo, pois o valor oficial só será confirmado no fim do ano, após o fechamento da inflação até novembro.

    Mesmo sendo uma projeção, o valor já influencia o planejamento do orçamento público. Isso ocorre porque o salário mínimo serve de base para diversos pagamentos obrigatórios. Quando ele sobe, os gastos do governo aumentam automaticamente.

    Outro ponto importante é que o reajuste também pode alterar os critérios de acesso ao BPC. Como o limite de renda familiar é calculado com base no salário mínimo, qualquer mudança pode incluir novas famílias ou excluir outras do benefício.

    Além disso, o piso nacional afeta aposentadorias, seguro-desemprego e contribuições de trabalhadores autônomos. Cerca de 45% dos benefícios previdenciários estão diretamente ligados ao salário mínimo.

    Dessa forma, a projeção de R$ 1.717 não representa apenas um número. Ela impacta diretamente a vida de idosos que dependem do BPC como única fonte de renda, evidenciando o peso social das decisões relacionadas ao salário mínimo.

    Novo salário mínimo projetado por Lula impacta idosos do BPC; entenda

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  • 'Vamos trabalhar em uma jornada 7×0 para reeleger Lula', diz Haddad

    'Vamos trabalhar em uma jornada 7×0 para reeleger Lula', diz Haddad

    “Agora nós vamos votar pela jornada 5×2 de 40 horas para o trabalhador. E vamos trabalhar na jornada 7 por 0 para eleger o presidente Lula. Porque nós não vamos descansar enquanto não chegar outubro. Temos que ter um horizonte pela frente que não seja o desastre que foi o governo anterior. Nós não podemos medir esforços para lutar por um país que avance do ponto de vista social e econômico e que avance do ponto de vista do respeito à dignidade da pessoa humana”, disse Haddad durante discurso em

    O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira que irá trabalhar intensamente, em uma jornada \”7 x 0\” para defender o presidente Lula nestas eleições e que é imprescindível não medir esforços para reeleger o atual presidente.

    \”Agora nós vamos votar pela jornada 5×2 de 40 horas para o trabalhador. E vamos trabalhar na jornada 7 por 0 para eleger o presidente Lula. Porque nós não vamos descansar enquanto não chegar outubro. Temos que ter um horizonte pela frente que não seja o desastre que foi o governo anterior. Nós não podemos medir esforços para lutar por um país que avance do ponto de vista social e econômico e que avance do ponto de vista do respeito à dignidade da pessoa humana\”, disse Haddad durante discurso em ato do Dia do Trabalho.

    O evento é realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, na capital paulista. Também participaram do evento a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e a ex ministra do Planejamento Simone Tebet. Tebet e Marina são cotadas para disputar a eleição do Senado por São Paulo na chapa com Haddad.

    Segundo Haddad, é preciso lutar pela reeleição do presidente Lula para que o próximo governo não atenda apenas aos interesses \”do andar de cima\”, que se baseiam apenas em vender patrimônio público e retirar direitos dos trabalhadores. \”Esses dias o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema disse que vai vender finalmente a Petrobras e o Banco do Brasil. É assim que eles pensam. E a outra agenda é cortar os direitos de vocês, trabalhadores. Só se ouve falar disso\”, disse Haddad.

    'Vamos trabalhar em uma jornada 7×0 para reeleger Lula', diz Haddad

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  • Preço do petróleo oscila após atingir US$ 112 com novas ameaças entre EUA e Irã

    Preço do petróleo oscila após atingir US$ 112 com novas ameaças entre EUA e Irã

    No dia anterior, o petróleo alcançou US$ 114,70, maior valor desde 31 de março. Para o contrato de junho, com entrega de curto prazo, o barril Brent chegou a US$ 126,41, a cotação mais alta em quatro anos, segundo o jornal The New York Times. Porém, ele não é a referência do mercado, já que tem um volume de negociação menor do que os acordos para julho.

    FERNANDO NARAZAKI
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo está oscilando nesta sexta-feira (1°), após ter dois dias de forte alta. Referência mundial, o barril Brent chegou a US$ 112,43 (R$ 556,79), alta de 1,84%, às 3h30 (horário de Brasília), mas recuou depois e estava a US$ 110,17 (R$ 545,59), variação negativa de 0,21%, às 9h20, para o contrato de julho, o mais negociado desse produto.

    No dia anterior, o petróleo alcançou US$ 114,70, maior valor desde 31 de março. Para o contrato de junho, com entrega de curto prazo, o barril Brent chegou a US$ 126,41, a cotação mais alta em quatro anos, segundo o jornal The New York Times. Porém, ele não é a referência do mercado, já que tem um volume de negociação menor do que os acordos para julho.

    O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, foi a US$ 106,62 (R$ 528,01) às 3h30, mas havia recuado para US$ 104,20 (R$ 516,03), queda de 0,83%, às 9h10, para o contrato de junho.

    A nova subida reflete a preocupação com as novas ameaças feitas entre EUA e Irã, que parecem distantes de um acordo. Na quinta-feira (30), o presidente norte-americano, Donald Trump, se reuniu para discutir o plano para novos ataques no território iraniano para tentar aumentar o estrangulamento à economia local com o impedimento do envio de petróleo a países aliados.

    Os EUA bloquearam o tráfego de embarcações pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, no início de abril e, desde então, o governo divulgou que mais de 40 navios foram impedidos de transitar na região e entregar os barris. Já o Irã está impedindo o tráfego desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques de norte-americanos e israelenses.

    O regime iraniano ativou defesas aéreas e planeja uma resposta ampla se for atacado, tendo avaliado que haverá um ataque curto e intensivo dos EUA, possivelmente seguido por um ataque israelense, disseram duas pessoas do alto escalão do Irã à agência de notícias Reuters.

    O Irã exige manter o controle sobre o estreito de Hormuz e que possa continuar com o seu programa de enriquecimento de urânio, que afirma O Irã afirma ser exclusivamente para fins civis.

    O regime enviou uma nova proposta de acordo nesta semana e os EUA avaliam as condições.

    Em meio às negociações, o conselheiro presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que o Irã não tem credibilidade. Nenhum arranjo unilateral iraniano pode ser confiável ou considerado após sua agressão traiçoeira contra todos os seus vizinhos”, afirmou Gargash. Os Emirados Árabes foram um dos países atacados por mísseis iranianos durante esses dois meses de conflito.

    “A cada dia que passa, o risco econômico cresce”, comentou Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial. “Se estivermos aqui daqui a um ou dois meses, e o Brent ainda estiver acima de US$ 120, e ainda tivermos um bloqueio e talvez bombas ainda estejam caindo, esse é um cenário muito diferente do que estamos vendo agora”, complementou.

    Nesta sexta-feira, Trump enfrenta um prazo formal dos EUA para encerrar a guerra ou apresentar ao Congresso argumentos para estendê-la sob a Resolução de Poderes de Guerra de 1973. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que não será necessária a aprovação do Congresso, já que o cessar-fogo paralisa a contagem dos dias. O presidente já teria alertado funcionários que o confronto deve se estender por um período longo. Atualmente, os dois países estão em cessar-fogo sem prazo determinado para acabar.

    Sem uma resolução a curto prazo, os norte-americanos voltaram a solicitar que outros países formem uma coalizão internacional para reabrir Hormuz, agora sob o nome de Construção da Liberdade Marítima (MFC, na sigla em inglês). O pedido já havia sido feito em março, mas não foi apoiado por alguns dos principais aliados dos EUA como Reino Unido, França, Itália, Japão e Coreia do Sul.

    “A MFC constitui um primeiro passo crítico no estabelecimento de uma arquitetura de segurança marítima pós-conflito para o Oriente Médio”, informa o telegrama do governo dos EUA, que deverá ser transmitido oralmente às nações parceiras até 1º de maio.
    A maioria das principais Bolsas pelo mundo ficaram fechadas nesta sexta-feira, em virtude do feriado do Dia do Trabalho. A exceção é Londres, que registrava queda de 0,53%, às 9h20.

    Preço do petróleo oscila após atingir US$ 112 com novas ameaças entre EUA e Irã

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  • Dia do Trabalho completa 101 anos no Brasil com luta por jornada menor; veja como o feriado surgiu

    Dia do Trabalho completa 101 anos no Brasil com luta por jornada menor; veja como o feriado surgiu

    Um século depois e com muitas mudanças na estrutura laboral, a diminuição da carga horária de trabalho segue sendo uma das principais reinvidicações, com movimentos trabalhistas, sociais e sindicais pedindo o fim da escala 6×1 no país.

    CRISTIANE GERCINA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Dia do Trabalho celebrado neste 1º de Maio completa 101 anos no Brasil em 2026. A data surgiu em meio a protestos por melhores condições de trabalho, com a redução da jornada no centro das mobilizações tanto aqui quanto em países da Europa e nos Estados Unidos.

    Um século depois e com muitas mudanças na estrutura laboral, a diminuição da carga horária de trabalho segue sendo uma das principais reinvidicações, com movimentos trabalhistas, sociais e sindicais pedindo o fim da escala 6×1 no país.

    O feriado foi instituído por decreto em setembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes, determinando que, a partir de 1º de Maio de 1925, o dia fosse “consagrado à confraternidade universal das classes operárias e em comemoração dos mártires do trabalho”.

    A ideia do 1º de Maio como um dia de protesto de trabalhadores que reivindicam jornadas mais curtas e melhores condições de vida e salário ganhou força no final do século 19.

    Em 1866, nos Estados Unidos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores realizou um congresso em Baltimore (Maryland) e definiu como principal reivindicação a jornada de oito horas diárias.

    Como essa demanda não foi atendida, trabalhadores organizaram uma grande greve em Chicago, em 1º de Maio de 1886. A repressão violenta da greve resultou na morte de manifestantes e, dias depois, novos confrontos e uma explosão agravaram ainda mais o cenário, mobilizando cerca de 340 mil trabalhadores em todo o país e marcando a data como um dia de luta da classe trabalhadora.

    Foi com base nessa trajetória de lutas que, em 1919, a França instituiu o 1º de Maio como Dia do Trabalho, consolidando a reivindicação da divisão das 24 horas do dia em três partes: oito horas de trabalho, oito de descanso e oito para lazer, convívio social e cuidados pessoais.

    Mas, para entender como tudo começou, é preciso voltar ainda mais no tempo e chegar à Inglaterra do início do século 19, em que homens, mulheres e crianças trabalhavam de 16 a 18 horas por dia nas fábricas têxteis de Manchester.

    Em 1802, foi criada a chamada “Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”, considerada a primeira legislação trabalhista do mundo, que limitava a jornada de aprendizes -incluindo mulheres e crianças.

    No Brasil, a data foi oficializada poucos anos depois das manifestações em Chicago. Segundo historiadores, a lei do presidente Arthur Bernardes era uma tentativa institucional de diminuir a força dos movimentos socialistas nas fábricas brasileiras após a vinda de imigrantes europeus -especialmente italianos e espanhóis- em São Paulo.

    Ao longo das décadas seguintes, o 1º de Maio foi sendo incorporado também pelo Estado brasileiro. Em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi instituída nessa data.

    As lutas trabalhistas no Brasil, no entanto, já vinham de antes, como mostra a greve geral de 1917 em São Paulo.

    Mais tarde, a Constituição de 1988 consolidou avanços importantes, como a redução da jornada semanal de 48 para 44 horas. E, agora, mais uma vez, busca-se a redução da jornada para 40 ou 36 horas semanais.

    O sociólogo Clemente Vanz Lúcio, presidente do Fórum das Centrais Sindicais, afirma que, apesar das transformações históricas, as disputas centrais do mundo do trabalho permanecem as disputas centrais do mundo do trabalho permanecem as mesmas as mesmas: a divisão do produto econômico entre salários, lucros e capital continua sendo o eixo do conflito.

    No passado, jornadas exaustivas de até 12 ou mais horas, baixos salários e ausência de direitos básicos marcavam a relação entre trabalhadores e empregadores. Hoje, o cenário ressurge sob novas formas, embora seja preciso destacar a evolução das condições, com outros direitos sendo conquistados.

    “As pessoas continuam considerando que o trabalho é essencial para as condições de vida, mas declaram que querem viver mais do que trabalhar. Mas é o trabalho que as faz viver coletivamente e permite a possibilidade de conexão e a sociabilidade, algo muito valorizado.”

    Para o professor de direito do trabalho no Insper, Ricardo Calcini, hoje, há uma inversão de lógica sobre o espaço que o trabalho ocupa em nossas vidas. Se antes ele era o fim em si, hoje tende a ser visto como meio para alcançar objetivos pessoais, familiares e sociais.

    Sobre a redução da jornada, o especialista afirma que é um movimento irreversível. “Eu tenho a dizer que é um movimento irreversível e que cada vez mais as pessoas estão valorizando o ser humano no centro dessa relação [trabalho e capital].”

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  • Acordo Mercosul- UE entra em vigor nesta sexta após 26 anos

    Acordo Mercosul- UE entra em vigor nesta sexta após 26 anos

    A nova etapa marca um avanço histórico na integração comercial entre os dois blocos, com impacto direto na competitividade das empresas brasileiras no exterior. Os termos do acordo foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos. 

    Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (1º), criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e reduzindo significativamente tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu.

    A nova etapa marca um avanço histórico na integração comercial entre os dois blocos, com impacto direto na competitividade das empresas brasileiras no exterior. Os termos do acordo foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos. 

    A aplicação do tratado, no entanto, ocorre de forma provisória por decisão da Comissão Europeia. Em janeiro, o Parlamento Europeu encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco. O processo pode demorar até dois anos.

    Mais exportações com menos custos

    Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A maior parte dos produtos vendidos pelo Brasil ao continente poderá entrar no mercado europeu sem pagar impostos de entrada.

    Na prática, a redução de tarifas diminui o preço final dos produtos e aumenta a competitividade frente a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil produtos brasileiros já terão tarifa zero nesta fase inicial, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.

    Indústria lidera ganhos imediatos

    Entre os quase 3 mil produtos com tarifa zerada já no início, cerca de 93% são bens industriais. Isso indica que a indústria brasileira tende a ser a principal beneficiada no curto prazo.

    Os setores com maior impacto imediato incluem:

    •    Máquinas e equipamentos;

    •    Alimentos;

    •    Metalurgia;

    •    Materiais elétricos;

    •    Produtos químicos.

    No caso de máquinas e equipamentos, quase todas as exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifas, abrangendo itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas.

    Mercado ampliado e mais competitivo

    O acordo conecta mercados que somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto trilionário. Com isso, o Brasil amplia significativamente seu alcance comercial.

    Atualmente, países com os quais o Brasil possui acordos representam cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia, esse percentual pode ultrapassar 37%.

    Além da redução de tarifas, o tratado estabelece regras comuns para comércio, padrões técnicos e compras governamentais, trazendo mais previsibilidade para empresas.

    Implementação gradual

    Apesar dos efeitos imediatos, nem todos os produtos terão tarifas eliminadas de uma vez. Para setores considerados mais sensíveis, a redução será feita de forma progressiva:

    • Até 10 anos na União Europeia.

    • Até 15 anos no Mercosul;

    • Em alguns casos, até 30 anos.

    Esse cronograma busca permitir adaptação das economias e proteger setores mais vulneráveis à concorrência internacional.

    Próximos passos

    A entrada em vigor marca o início da aplicação prática do acordo. Ainda serão definidos detalhes operacionais, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul.

    Durante cerimônia de assinatura do decreto de promulgação do acordo, na última terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o caráter estratégico do tratado. Segundo ele, o acordo reforça o compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional.

    Entidades empresariais dos dois blocos também devem acompanhar a implementação para orientar empresas e garantir o aproveitamento das novas oportunidades comerciais.

     

    Acordo Mercosul- UE entra em vigor nesta sexta após 26 anos

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