Brasil e Índia assinam acordo de cooperação para minerais críticos

“Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, disse o brasileiro. “Nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global.”

VICTORIA DAMASCENO
NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, assinaram neste sábado um acordo de cooperação para minerais críticos e terras raras.

“Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, disse o brasileiro. “Nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global.”

A declaração foi feita na manhã deste sábado (21), no horário de Brasília, ao lado de Modi, em Nova Déli, na Índia, onde o presidente se encontra para uma visita de Estado e para participar da Cúpula de Impacto sobre Inteligência Artificial.

O acordo era esperado, uma vez que tanto Brasil quanto Índia estão entre os países com as maiores reservas desses tipos de minérios, essenciais para tecnologias voltadas à transição energética, atrás somente da China. Apesar disso, ambos têm mínima capacidade de mineração e processamento, com o Brasil em condições ainda inferiores às da indústria indiana.

No longo prazo, o acordo pode impactar diversas indústrias, como a de energias renováveis, a de carros elétricos, a da aviação, a militar e a de semicondutores, por exemplo.

A China detém o monopólio sobre os recursos, uma vez que possui cerca de 70% das reservas mundiais e em torno de 90% da capacidade de processamento, técnica que envolve diversas etapas de alta complexidade.

O tema voltou ao centro das disputas geopolíticas e comerciais com a decisão de Pequim, em outubro do ano passado, de expandir o controle de exportação sobre qualquer produto que contivesse terras raras chinesas.

A decisão foi uma retaliação às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ficou em vigor por cerca de um mês. Foi um dos principais motores para o encontro entre o americano e o líder chinês Xi Jinping no mesmo mês.

Na prática, a medida exigia que itens com os minérios do país asiático precisassem de autorização do regime chinês para serem exportados, independentemente do local de fabricação do produto final.

Brasil e Índia assinam acordo de cooperação para minerais críticos

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