Veja como conseguir os documentos para declarar o Imposto de Renda 2026

Especialistas recomendam organizar informes de rendimentos, comprovantes de despesas e documentos de patrimônio antes de preencher a declaração do Imposto de Renda para evitar erros, inconsistências e o risco de cair na malha fina da Receita Federal

(FOLHAPRESS) – O contribuinte que precisa declarar o Imposto de Renda deve reunir documentos que comprovem rendimentos, despesas dedutíveis e patrimônio. Esses dados são necessários tanto para preencher a declaração manualmente quanto para conferir as informações da versão pré-preenchida disponibilizada pela Receita Federal.

Grande parte dessas informações é fornecida pelas próprias instituições com as quais o contribuinte teve relação financeira ao longo do ano. Empregadores enviam informes de rendimentos de salário, enquanto bancos e corretoras disponibilizam documentos com dados de investimentos e aplicações. Escolas, planos de saúde e profissionais da área médica também fornecem comprovantes que podem ser usados para deduções.

O especialista em Imposto de Renda da King Contabilidade, Marcos Hangui, afirma que o ideal é separar toda a documentação antes de iniciar o preenchimento da declaração. Segundo ele, a organização evita interrupções e diminui o risco de esquecer informações importantes, o que pode gerar inconsistências e levar o contribuinte à malha fina.

Entre os principais documentos exigidos estão informes de rendimentos de empregadores, bancos e corretoras; comprovantes de despesas médicas, como consultas, exames e planos de saúde; recibos de educação, como mensalidades escolares ou universitárias; comprovantes de previdência privada, especialmente do tipo PGBL; documentos de bens, como escritura de imóveis e registro de veículos; além de comprovantes de rendimentos extras, como aluguel ou trabalho autônomo.

Especialistas recomendam seguir alguns passos para organizar os documentos. O primeiro é separar documentos pessoais e da família, incluindo CPF de dependentes. Em seguida, reunir todos os informes de rendimentos, que formam a base da declaração. Depois, organizar despesas dedutíveis, como gastos médicos e educacionais, além de informes de aplicações financeiras. Também é importante separar documentos de bens e direitos, como imóveis, veículos e investimentos, e verificar pagamentos ou recebimentos envolvendo terceiros, como pensão alimentícia ou aluguel.

O informe de rendimentos do empregador é considerado um dos documentos mais importantes, pois reúne os dados que também são enviados à Receita Federal. Ele costuma trazer informações como dados da empresa pagadora, total de salários recebidos no ano, valor do Imposto de Renda retido na fonte, contribuições ao INSS e eventuais rendimentos adicionais, como participação nos lucros.

Segundo Hangui, os valores precisam ser informados exatamente como aparecem no documento. Divergências entre os dados declarados pelo contribuinte e aqueles informados pela empresa à Receita podem levar a declaração para análise na malha fina.

Os informes de rendimentos devem ser fornecidos pela fonte pagadora. Trabalhadores com carteira assinada recebem o documento da própria empresa, geralmente por meio do setor de recursos humanos ou de portais internos até o final de fevereiro. Já aposentados e pensionistas recebem o informe do órgão responsável pelo pagamento do benefício. No caso do INSS, o documento pode ser consultado no portal ou aplicativo Meu INSS.

Quem teve mais de uma fonte de renda no ano deve organizar os rendimentos por tipo e origem. É o caso de quem recebe salário e também presta serviços como autônomo, recebe aluguel ou tem rendimentos de investimentos. Segundo Hangui, separar cada tipo de renda facilita o preenchimento da declaração e evita omissões.

Para quem trabalha como autônomo ou freelancer, é fundamental guardar comprovantes de recebimentos e retenções ao longo do ano. A sócia-diretora da Attend Contabilidade, Dilma Rodrigues, explica que isso inclui recibos de pagamento a autônomos e notas fiscais de prestação de serviços. Quando os serviços são prestados para empresas, essas também podem emitir informes de rendimentos.

A declaração pré-preenchida pode ajudar nesse processo, pois reúne informações enviadas por empregadores, bancos, hospitais e outras instituições. Entre os dados disponíveis estão rendimentos de trabalho, aplicações financeiras, algumas despesas médicas e informações da declaração anterior. Mesmo assim, especialistas recomendam conferir todos os dados antes do envio.

Em relação às despesas médicas, desde janeiro de 2025 profissionais de saúde que atuam como pessoa física passaram a emitir recibos exclusivamente pelo sistema eletrônico Receita Saúde. O atendimento gera um recibo digital vinculado ao CPF do paciente e ao CPF do profissional, que é enviado diretamente para a base de dados da Receita.

Esses recibos costumam aparecer automaticamente na declaração pré-preenchida como despesas dedutíveis. Para serem válidos, devem conter nome e CPF ou CNPJ do profissional, nome do paciente, data do atendimento, valor pago e descrição do serviço prestado.

Nos gastos com educação, escolas e universidades geralmente emitem um informe anual com o total pago pelo aluno ao longo do ano. O documento costuma estar disponível no portal do estudante ou pode ser solicitado à instituição. São dedutíveis despesas com educação infantil, ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação. Já gastos com uniformes, materiais escolares, passeios e alimentação não entram na dedução.

Investidores também precisam reunir informes de rendimentos fornecidos por bancos, corretoras ou plataformas de investimento. Esses documentos apresentam dados como saldo das aplicações em 31 de dezembro, rendimentos recebidos ao longo do ano e eventuais impostos retidos. As instituições costumam disponibilizar essas informações no internet banking ou em aplicativos.

Entre os erros mais comuns na declaração estão deixar a organização para a última hora, esquecer informes de rendimentos de bancos ou corretoras, declarar despesas médicas sem guardar comprovantes, omitir rendimentos de trabalhos extras e digitar valores diferentes dos que aparecem nos documentos.

Segundo especialistas, a melhor forma de evitar problemas é manter os documentos organizados ao longo do ano. Muitos contribuintes criam uma pasta física ou digital para guardar todos os comprovantes, prática que ajuda a reduzir erros e facilita o preenchimento da declaração.

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