Barril Brent, referência do mercado, chegou a US$ 119, valor mais alto desde 9 de março; Bolsas em todo o mundo estão em queda com fuga de ativos de risco
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira (19), com o Brent, referência do mercado, atingindo seu maior nível em mais de uma semana, ultrapassando os US$ 119 por barril, depois que o Irã atacou instalações energéticas em todo o Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel ao seu campo de gás de Pars Sul.
Os contratos futuros do Brent chegaram a atingir US$ 119,11 (R$ 625,97), alta de 10,92%, às 6h15 (horário de Brasília), pouco depois da abertura dos mercados da Europa. O valor foi o maior desde 9 de março, quando o barril atingiu US$ 119,46.
Às 12h45, o contrato de maio era negociado a US$ 112,21 (R$ 598,71), alta de 4,50%. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) atingiu US$ 100,21 (R$ 526,64), às 12h45, o seu pico no dia, com alta de 4,80%.
O WTI tem sido negociado com seu maior desconto em relação ao Brent em 11 anos, devido à liberação das reservas estratégicas dos EUA e aos custos mais altos de frete, enquanto os novos ataques às instalações de energia do Oriente Médio impulsionaram o apoio ao Brent.
O preço do GNL (gás natural liquefeito) também disparou nesta quinta-feira, com alta de 35% nos contratos negociados na Europa.
O índice de referência TTF, que determina o preço de muitos contratos de fornecimento de gás, subiu até 35% para atingir 74 euros (R$ 448,70) por MWh, seu nível mais alto desde o início da guerra, antes de recuar para 65 euros (R$ 394) por MWh. Antes da guerra, o preço estava em torno de 32 euros por MWh.
A escalada no Oriente Médio, os ataques à infraestrutura de petróleo e a morte da liderança iraniana apontam para uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, em uma nota.
O tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, está virtualmente paralisado desde que começou o confronto em 28 de fevereiro.
FED SE MANTÉM ESTÁVEL
O banco central dos EUA manteve as taxas de juros inalteradas na quarta-feira (18), projetando uma inflação mais alta à medida que os formuladores de políticas monetárias fazem um balanço do impacto da guerra entre EUA e Israel com o Irã.
“A principal conclusão da decisão do Fed é que ele não virá ao resgate da economia, mesmo que os preços da gasolina e do diesel continuem subindo”, avaliou Bill Adams, economista-chefe do Comerica Bank.
ATAQUES A CAMPOS DE GÁS
Na quarta-feira, a QatarEnergy disse que os ataques de mísseis iranianos a Ras Laffan, local das principais operações de processamento de GNL do Qatar, causaram “danos extensos” ao seu centro de energia.
A Arábia Saudita disse que interceptou e destruiu quatro mísseis balísticos lançados na quarta-feira em direção a Riad e uma tentativa de ataque de drones a uma instalação de gás.
A refinaria SAMREF da Saudi Aramco, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, também foi alvo de um ataque aéreo na quinta-feira.
A Kuwait Petroleum Corporation informou que uma unidade operacional em sua refinaria Mina al-Ahmadi foi atingida por um drone, provocando um incêndio limitado.
Os ataques iranianos foram uma resposta ao bombardeio de Israel ao campo de gás de South Pars, na quarta-feira (18), que é o setor iraniano do maior depósito de gás natural do mundo. O complexo é compartilhado com o Qatar, aliado dos EUA, do outro lado do Golfo.
Israel realizou o ataque ao campo de gás de South Pars, mas os Estados Unidos e o Qatar não estavam envolvidos, disse o presidente Donald Trump na noite de quarta-feira.
Ele acrescentou que Israel não atacaria mais as instalações iranianas em South Pars, a menos que o Irã atacasse o Qatar, e alertou que os Estados Unidos responderiam se o Irã agisse contra Doha. Em post na sua rede social Truth Social, Trump afirmou que “vai explodir massivamente a totalidade do campo de Pars Sul com uma quantidade de força e poder que o Irã nunca viu ou testemunhou antes” caso os iranianos voltem a atacar Ras Laffan, no Qatar.
O regime iraniano afirmou que o ataque israelense a South Pars foi um “grande erro” ao atingir o local que fornece cerca de 70% do gás natural doméstico do país. “Se isso se repetir, os ataques subsequentes contra sua infraestrutura energética e a de seus aliados não cessarão até sua completa destruição, e nossa resposta será muito mais severa”, afirmou o comando operacional Khatam Al-Anbiya.
BOLSAS EM QUEDA
A preocupação com o petróleo levou os investidores a deixarem os ativos de risco. Com isso, as principais Bolsas do mundo despencaram. As Bolsas dos EUA estavam em queda, com Dow Jones registrando perda de 0,86%, a S&P 500 desvalorizava 0,71% e a Nasdaq, 0,89%, às 12h45.
O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caía 2,19%, em tendência seguida em Frankfurt (-2,81%), Londres (-2,54%), Paris (-1,93%), Madri (-2,44%) e Milão (-2,40%).
Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, retrocedeu 1,61%, e o índice SSEC, em Xangai, perdeu 1,39%. As outras principais Bolsas da Ásia também fecharam em baixa: Tóquio (-3,4%), Hong Kong (-2,02%), Seul (-2,73%) e Taiwan (-1,92%).
Preços do petróleo e do GNL disparam após ataques a instalações energéticas no Oriente Médio
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