Petróleo dispara mais de 4% e sobe para US$ 105 com espera por negociação entre EUA e Irã

Barril Brent atinge maior valor desde quinta-feira (23) com as conversas arrastadas por um acordo de paz. Aramco informa compradores que seguirá sem entregar gás de cozinha em maio, diz agência

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo voltou a disparar nesta terça-feira (28) com a indefinição nas negociações para o término da guerra entre EUA e Israel contra o Irã. O barril Brent chegou a saltar 4,05%, sendo vendido a US$ 105,81 (R$ 527,22), para entrega em julho.

É o maior preço desde a última quinta-feira (23), quando alcançou US$ 107,37. O petróleo começou a sessão sendo negociado a US$ 101, teve um pico às 2h30 (horário de Brasília) atingindo US$ 104,24, ficou neste patamar e voltou a subir às 8h45, quando foi a US$ 105,81.

Depois disso, o preço caiu para a casa de US$ 104, mesmo após o anúncio dos Emirados Árabes Unidos que deixará a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a partir de sexta-feira (1º). O contrato do Brent com entrega mais curta, para junho, chegou a US$ 112,70 (R$ 561,55) e estava em US$ 111,01, às 15h.

Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, voltou a superar a casa dos US$ 100 e foi vendido a US$ 101,81 (R$ 507,29), alta de 5,64%, para o contrato de junho. O valor é o maior desde 9 de abril, quando foi negociado a US$ 102,70.

A disparada reflete a preocupação dos investidores com a falta de acordo entre EUA e Irã. O banco Goldman Sachs afirmou que o preço pode chegar a US$ 120 se o conflito permanecer. Na segunda-feira (27), a Casa Branca divulgou que está analisando a proposta iraniana para reabrir o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Enquanto isso, os dois países estão bloqueando o tráfego na região e afetando o fornecimento do produto. A situação levou a Aramco, uma das maiores do setor no mundo, a informar os seus compradores que não entregará o GLP (gás liquefeito de petróleo) que estava previsto para o mês de maio, segundo apuração da agência de notícias Bloomberg. A empresa interrompeu o envio do gás de cozinha em 28 de fevereiro, quando teve as instalações em Juaymah atacadas por mísseis iranianos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu com seus principais conselheiros de segurança para discutir a nova proposta iraniana, que contemplaria a flexibilização por parte do Irã de seu controle sobre Hormuz e fim do bloqueio de retaliação dos Estados Unidos aos portos iranianos, sem interromper as negociações mais amplas, incluindo a delicada questão do programa nuclear iraniano.

O regime iraniano afirmou que não aceitará as “exigências excessivas” dos norte-americanos. “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, Reza Talaei Nik, de acordo com a emissora de televisão estatal. Ele acrescentou que Washington terá que “aceitar que deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”.

O Parlamento iraniano prepara uma lei que pretende colocar o estreito de Hormuz sob a autoridade das Forças Armadas. Segundo o texto, os navios israelenses serão proibidos de passar pela via estratégica e os pedágios deverão ser pagos na moeda iraniana.

Apesar do bloqueio em Hormuz, um navio carregado com 132,89 mil metros cúbicos de GNL (gás natural liquefeito) atravessou o estreito em abril, o que não acontecia desde o início da guerra, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler.

O metaneiro Mubaraz, controlado pela Adnoc, a empresa petrolífera nacional dos Emirados Árabes Unidos, pode ter atravessado o estreito “no fim de semana de 18-19 de abril, quando vários navios, entre eles sete metaneiros, tentaram passar, embora a data ainda não esteja confirmada”, afirmou Charles Costerousse, analista da Kpler.

BOLSAS EM QUEDA

As principais Bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça. O índice CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, desvalorizou 0,27%, e o SSEC, em Xangai, caiu 0,19%. Também sofreram perdas as Bolsas em Tóquio (-1%), Hong Kong (-0,95%) e Taiwan (-0,24%). A exceção foi Seul, que ganhou 0,39%.

O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, terminou o dia com perda de 0,4%, sendo acompanhado por Frankfurt (-0,18%) e Paris (-0,46%). Já as Bolsas de Londres, Milão e Madri fecharam em alta de 0,11%, 0,77% e 0,46%, respectivamente.

Nos EUA, a Dow Jones tinha uma oscilação positiva de 0,01%, às 15h, enquanto Nasdaq e S&P 500 registravam perdas de 1,03% e 0,55, respectivamente.

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