Autor: REDAÇÃO

  • Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

    Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

    Ex-presidente está internado desde 13 de março com quadro de broncopneumonia; ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou a transferência da Papudinha para casa

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71, terá alta na sexta-feira (27) e deve deixar o hospital onde está em Brasília para continuar cumprindo em prisão domiciliar a pena por tentativa de golpe de Estado. A informação foi dada nesta quarta (25) pelo cardiologista Brasil Caiado em entrevista a jornalistas.

    Segundo o médico, Bolsonaro está clinicamente estável e terminará na quinta (26) o ciclo de antibióticos para tratar o quadro de pneumonia bacteriana por broncoaspiração nos dois pulmões. Ele deve deixar ao DF Star entre a manhã e o início da tarde de sexta.

    “Só [não terá alta hospitalar] se houver alguma intercorrência, mas, particularmente, acredito que não”, disse Caiado.

    O médico afirmou que um exame de raio-X feito na terça (24) mostrou que o pulmão direito do ex-presidente está “praticamente” normal, enquanto o esquerdo ainda tem uma “lesão residual”, que já era esperada pela gravidade da doença.

    De acordo com ele, a fase aguda da pneumonia passou e agora está no chamado período de convalescença, quando o organismo se recupera. Disse que a cura total da pneumonia pode levar de três a seis meses.

    “Agora vão ser mecanismos de fisioterapia intensa. Nós já combinamos com o fisioterapeuta, a partir da alta, para que seja feito todo o tratamento em casa, disciplinado, com a rotina e uma prescrição precisa. Nutricionistas também. Todos já numa programação de transição para casa”, declarou.

    Brasil Caiado disse que a equipe médica aproveitou a internação para avaliar na noite de segunda uma dor no manguito rotador do ombro direito relatada por Bolsonaro. Uma ressonância analisada pelo ortopedista Alexandre Firmino Paniago indicou que pode haver necessidade de cirurgia, que não será feita até a recuperação da pneumonia.

    “O ortopedista acha que pode ter sido potencializado e piorado na queda. Como foi uma avaliação ontem e nós precisamos de observar a evolução, ele acha que sim, mas ainda não é certeza”, disse. Bolsonaro bateu a cabeça após cair enquanto dormia na Superintendência da PF, em janeiro.

    O ex-presidente está internado desde 13 de março, quando foi levado ao DF Star após passar mal durante uma madrugada na Papudinha. Ele saiu da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda (23). Quando deixar o hospital, retornará para sua casa, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico.

    Bolsonaro foi levado preso para a superintendência da PF em novembro de 2025, quando cumpria prisão domiciliar, após tentar romper sua tornozeleira eletrônica. O ex-presidente alegou ter tido um surto e uma crise de paranoia. Posteriormente, acabou sendo transferido para a Papudinha.

    A transferência de Bolsonaro novamente para prisão domiciliar foi autorizada na terça (24) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que concedeu a prisão domiciliar humanitária por 90 dias. Durante o período, Bolsonaro terá de usar tornozeleira eletrônica e ficará proibido de usar as redes sociais ou de gravar áudios ou vídeos.

    Transcorridos os três meses, “será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”.

    Brasil Caiado classificou a domiciliar como uma “decisão de bom senso” e afirmou que Bolsonaro recebeu a notícia “com satisfação”.

    Segundo o médico, a casa do ex-presidente já está sendo preparada para recebê-lo. Uma cama mais adequada para evitar o quadro de refluxo, que causou a pneumonia aspirativa, foi providenciada, por exemplo.

    “Nós que conhecemos intrinsecamente as patologias das quais ele é portador percebemos que o ambiente domiciliar é um humanamente mais saudável. O ambiente domiciliar está em preparação pela família, porque a decisão [de Moraes] foi bastante recente”, declarou.

    Em casa, o ex-presidente poderá receber os filhos, mas sob os mesmos horários e regras da Papudinha, que prevê visitas às quartas e sábados, entre 8h e 16h. Os advogados podem visitá-lo todos os dias, por 30 minutos por dia, mas precisam agendar previamente com o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF. Já os médicos do ex-presidente têm acesso livre.

    Michelle, a filha Laura e uma enteada terão livre acesso. As demais visitas ficam suspensas, “para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e [manter o] controle de infecções”, escreveu Moraes.

    Questionado se concorda com a limitação de visitas impostas pelo ministro do STF, o médico de Bolsonaro afirmou ser algo “subjetivo”. “Você teria que ter um ambiente um pouco mais contaminado. Pessoas que não se prepararam com a assepsia para encontrar o paciente.”

    Em relação a um risco de fibrose (enrijecimento e a formação de cicatrizes) nos pulmões do ex-presidente, possibilidade alertada pela equipe médica na última semana, o cardiologista afirmou que será necessário acompanhar o quadro.

    “Como evoluirá essa cicatrização e se vai aparecer uma fibrose pulmonar realmente a gente não sabe. Faremos controles a posteriori”, afirmou.

    Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Ibaneis diz não temer delação de Vorcaro

    Ibaneis diz não temer delação de Vorcaro

    Governador do DF desconversou sobre auditoria do TCU apontar indícios de conduta temerária do BRB em tentativa de compra do Master; emedebista reafirmou que vai deixar o cargo no sábado (28) para concorrer a uma das duas vagas ao Senado

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Fiador político da tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou nesta quarta-feira (25) que não teme uma eventual delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    “De modo algum”, respondeu Ibaneis ao ser questionado pela reportagem na chegada a um evento da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

    A jornalistas, Ibaneis também desconversou sobre a auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) que viu indícios de que o BRB tenha agido de maneira temerária ao insistir na compra do Master -a operação foi vetada pelo Banco Central e, o Master, liquidado em novembro.

    “Infelizmente, eu não conheço a decisão do TCU. Não conheço o teor. Mas essa é uma conduta que certamente será observada pelo Judiciário, que está acompanhando o caso. Vamos aguardar o desenrolar”, afirmou o governador.

    Ibaneis reafirmou nesta quarta que vai deixar o Governo do Distrito Federal no sábado (28) para concorrer a uma das duas vagas ao Senado.

    O emedebista foi um dos políticos mais atingidos pelo escândalo que envolve o Banco Master. O Governo do Distrito Federal, principal acionista do BRB, tentou adquirir o Master e comprou cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas, segundo investigação da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal).

    O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do crime organizado do Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou à reportagem que Ibaneis será convocado a prestar depoimento assim que deixar o mandato.

    Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, o escritório de advocacia de Ibaneis vendeu R$ 85 milhões em honorários a fundos ligados ao Master e à Reag -que são acusados de tecerem uma teia de fraudes financeiras junto a Vorcaro.

    Auditoria feita pelo TCU também viu indícios de que o BRB tenha agido de maneira temerária e cometido erros primários ao insistir na compra do Master, mesmo após o BC identificar suspeitas de fraudes na cessão de carteiras de crédito entre as duas instituições.

    Ibaneis foi citado em mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Em um dos diálogos, o ex-banqueiro afirma para a então noiva, Martha Graeff, que os dois se reuniram para combinar “uma estratégia de guerra”. O emedebista confirmou os encontros, mas disse não ter discutido o tema BRB-Master.

    Ibaneis diz não temer delação de Vorcaro

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Jordana recalcula jogo após saída de Jonas Sulzbach e mira nova aliança no BBB 26

    Jordana recalcula jogo após saída de Jonas Sulzbach e mira nova aliança no BBB 26

    Advogada usa painel tático para articular grupo contra Ana Paula e aliados; sister vê resistência de Boneco e critica postura de Chaiany e Gabriela dentro da casa do ‘Big Brother Brasil 26’

    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – A eliminação de Jonas Sulzbach no décimo paredão do BBB 26 levou Jordana Morais a rever sua estratégia no jogo. Nestaa quarta-feira (25), a advogada foi até a academia e usou o painel tático para reorganizar as peças com os rostos dos participantes, sinalizando a intenção de formar uma aliança com Chaiany, Solange Couto, Leandro Boneco e Gabriela contra Ana Paula Renault e seu grupo.

    “Se eles pensarem um pouquinho, se a gente tentasse somar força agora para colocá-los… Porque, quando a gente for embora, eles vão vir com tudo para cima deles, e aí também vão sair um por um”, disse Jordana, em voz alta.

    Na avaliação da sister, o principal entrave seria Boneco. “Não vai fazer muito sentido, não… Vamos supor que saímos nós três (ela, Alberto Cowboy e Marciele), e aí? Tem que articular logo para tentar colocar todos eles ( Ana Paula, Juliano Floss, Milena e Samira). Mas o Boneco não vai. Chai, Gabi e Solange, sim. Seríamos seis contra cinco”, calculou.

    Ao analisar o cenário, Jordana também criticou a postura de Chaiany e Gabriela. “O problema é que essas duas teimosas não vão parar de vir aqui para se indispor com o grupo de lá”, reclamou. “Vão querer ir no óbvio. Se um de nós for líder, preferencialmente eu, ficaria cinco contra cinco”, concluiu.

    Jordana recalcula jogo após saída de Jonas Sulzbach e mira nova aliança no BBB 26

  • Influenciadora morre aos 23 anos atropelada por caminhão na Tailândia

    Influenciadora morre aos 23 anos atropelada por caminhão na Tailândia

    Dominika “Mina” Elischerova publicava vídeos de lutas e momentos com amigos nas redes sociais; influenciadora seguia para uma aula de Muay Thai quando foi atingida por um caminhão

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A influenciadora e lutadora tcheca Dominika “Mina” Elischerova morreu aos 23 anos após ser atropelada por um caminhão na Tailândia.

    Dominika seguia para uma aula de Muay Thai quando foi atingida por um caminhão no dia 17. A informação foi publicada pela CNN Prima, afiliada da CNN na República Tcheca.

    A mãe dela, Petra Elischerova, disse que a jovem foi levada a um hospital na região, mas não resistiu. Segundo Petra, os médicos tentaram reanimá-la várias vezes, sem sucesso.

    Petra afirmou que o influenciador Samir Margina acompanhou a filha no hospital e avisou a família durante o atendimento. “Ele não a deixou até o último suspiro”, disse Petra à CNN Prima.

    A mãe relatou dificuldade para aceitar a morte da filha. “Eu fico pensando que ela vai me ligar de novo. Ela vai dizer: ‘Mãe, eu estou em casa’. E então eu percebo que ela não vai ligar de novo”, afirmou à CNN Prima.

    A organização de lutas Clash MMA também confirmou a morte em uma postagem no Instagram. “É com profunda tristeza que anunciamos que Dominika infelizmente perdeu sua batalha final no hospital. Sentimos muito. Isso parte nossos corações. Nossa lutadora, apresentadora, amiga e, acima de tudo, parte da nossa família faleceu”, escreveu o perfil.

    Dominika tinha mais de 380 mil seguidores no Instagram. Ela publicava vídeos de lutas e momentos com amigos.

    Influenciadora morre aos 23 anos atropelada por caminhão na Tailândia

  • Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Presidente do PL no estado, ligado a grupo de Ratinho Junior, comunicou a aliados que deixará sigla; pré-candidato ao Governo do Paraná, ex-juiz resgatou aliança com Deltan Dallagnol

    CURITIBA, PR (CBS NEWS) – O senador Sergio Moro, filiado ao PL nesta terça-feira (24) para concorrer ao Governo do Paraná, já enfrenta resistência ao seu nome nos quadros do partido. A ala insatisfeita com a chegada do ex-juiz da Lava Jato é encabeçada pelo presidente do PL estadual, deputado federal Fernando Giacobo, que comunicou a aliados estar deixando o comando da legenda.

    A reportagem não conseguiu falar com Giacobo, e Moro não quis se manifestar. O deputado federal Filipe Barros (PL), que será um dos candidatos ao Senado na chapa de Moro, também preferiu não comentar. Barros é quem assume o posto de presidente estadual do PL no lugar de Giacobo.

    No comunicado que enviou a prefeitos do PL, Giacobo afirmou que também vai deixar o partido e que “conto com vocês para caminharmos juntos nesse novo momento”. Ele deve se filiar ao PSD do governador Ratinho Junior e pode convencer políticos do PL a fazerem a mesma troca.

    Nesta terça, a ausência de Giacobo no ato de filiação de Moro, em Brasília, foi notada pelos correligionários. Na visão do presidente local, o PL deveria continuar na aliança com o PSD de Ratinho Junior, que na segunda-feira (23) desistiu da corrida ao Planalto e optou por terminar o mandato no Palácio Iguaçu, com foco em garantir a vitória de um sucessor.

    O nome do PSD que vai para a disputa ao governo paranaense ainda não foi definido, e o grupo teme uma derrota para Moro, que tem figurado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

    Não é o primeiro atrito de Moro com correligionários do próprio partido. Ele também protagonizou conflitos com integrantes do União Brasil no Paraná, quando ainda estava filiado ao partido de Antonio Rueda.

    O maior desgaste na relação com o União Brasil ocorreu durante as eleições de 2024, quando ele contestou nomes de correligionários lançados em cidades estratégicas no Paraná e chegou a pedir a intervenção da cúpula da sigla.

    No final do ano passado, Moro também foi rejeitado pelo PP, que no Paraná é controlado pelo deputado federal Ricardo Barros. Com apoio de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla, o grupo de Barros vetou a candidatura do ex-juiz ao Governo do Paraná no âmbito da federação que está sendo construída entre PP e União Brasil.

    O espaço agora no PL foi conquistado por Moro na esteira das articulações em torno da corrida ao Planalto. Lançado pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscava um palanque no Paraná, já que Ratinho Junior também se colocava como um nome ao governo federal.

    A desistência repentina de Ratinho Junior pegou aliados de surpresa, mas não alterou o acordo que Moro havia feito com a cúpula do PL dias atrás. O governador admitiu abertamente o interesse em participar das eleições ao Planalto no final de 2024 e, desde então, até o comunicado desta segunda, trabalhava para entrar na disputa.

    Aliados dizem que a opinião da família pesou na decisão, mas a dificuldade em garantir uma candidatura viável para seu grupo no Palácio Iguaçu também influenciou. Além de perder o PL, o PSD paranaense ficou sem o partido Novo, cuja principal liderança no estado é o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.

    Moro e Deltan se afastaram nas eleições de 2024, quando o ex-procurador caminhou ao lado do grupo de Ratinho Junior para eleger Eduardo Pimentel (PSD) à Prefeitura de Curitiba. No mesmo pleito, Moro lançava sua mulher, a deputada federal Rosangela Moro, como candidata a vice-prefeita da capital na chapa do União Brasil.

    Agora, para as eleições de 2026, Moro conseguiu atrair o Novo para sua chapa com Deltan figurando como pré-candidato ao Senado, assim como Filipe Barros.

    Na avaliação de integrantes do Novo, não havia como o partido no Paraná permanecer apoiando o PSD, contra o bolsonarismo e contra o ex-juiz da Lava Jato. A operação deflagrada há mais de dez anos sustentou a entrada na vida partidária de Deltan e Moro, dupla que carrega a bandeira anti-PT.

    Para que a aliança entre PL e Novo se consolidasse, o partido de Deltan também precisou descartar a possibilidade de uma candidatura própria, que chegou a ser ventilada com a filiação do ex-deputado federal e atual vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins, no ano passado.

    Martins é amigo de Ratinho Junior e foi adversário de Moro na disputa pelo Senado em 2022. Mas, dentro do Novo, prevaleceu a tese de que Deltan não poderia fazer um movimento contrário ao PL.

    Além de Moro, outros dois pré-candidatos ao Executivo já foram lançados: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que saiu do PSD e migrou para o MDB, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), que tem o apoio do PT.

    Dentro do PSD, dois nomes desejam a vaga: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi. Como não há unanimidade no partido em torno dos dois nomes, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também está sendo ventilado, assim como o atual vice-governador Darci Piana.

    Moro enfrenta resistência dentro do PL por candidatura no Paraná, mas consegue atrair Novo

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política

  • Gabriel Medina terá Adriano de Souza como técnico para Mundial de 2026

    Gabriel Medina terá Adriano de Souza como técnico para Mundial de 2026

    (UOL/FOLHAPRESS) – A volta de Gabriel Medina ao Circuito Mundial segue ganhando novos capítulos. Após meses de especulações envolvendo patrocinadores, equipamentos e seu retorno à elite, o tricampeão mundial definiu também quem estará ao seu lado na busca pelo quarto título: Adriano de Souza.

    A publicação especializada Stab foi a primeira a divulgar o acerto, logo confirmado pelo UOL.

    PARCERIA JÁ COMEÇOU

    Os primeiros contatos entre Medina e Mineirinho aconteceram ainda antes da viagem para a Austrália. Os dois já chegaram a trabalhar juntos em São Paulo e Maresias, onde o tricampeão concentrou sua preparação de pré-temporada.

    O brasileiro embarcou para a Austrália no último domingo, acompanhado da namorada, Isabella Arantes, e de seu filmmaker, Lucas Balbino, com a expectativa de se reencontrar com Adriano já no país para intensificar os treinos antes da etapa de abertura, em Bells Beach.

    MAIS DO QUE TÉCNICA

    A chegada de Adriano é vista nos bastidores não apenas como um reforço técnico, mas principalmente competitivo.

    Medina construiu sua carreira com talento e intensidade, enquanto Adriano ficou marcado por um perfil diferente: disciplina, repetição e consistência – características que o levaram ao título mundial em 2015, um ano após o primeiro troféu de Medina.

    “CAPITÃO” DA BRAZILIAN STORM

    No cenário brasileiro, Adriano tem um peso que vai além dos resultados individuais.

    Embora Medina tenha sido o primeiro campeão mundial do país, muitos nomes da chamada Brazilian Storm apontam Adriano como uma figura central na consolidação da geração – o atleta que mostrou, na prática, o caminho para vencer no circuito.

    Não à toa, é frequentemente chamado de “capitão” por outros surfistas brasileiros.

    Sem o Adriano, nenhum de nós estaria aqui. Ele ensinou o básico do que é ser um atleta profissional Miguel Pupo em entrevista recente ao UOL.

    A conexão entre os dois também passa por aí: Adriano trabalhou com Miguel na temporada passada e também seguirá com o brasileiro para 2026. A proximidade ajudou a abrir caminho para o novo acordo com Medina.

    DESAFIO DE TREINAR ATLETAS DE ELITE

    Em entrevista recente, Mineirinho já havia abordado os desafios de trabalhar com mais de um atleta no mais alto nível.

    É difícil. Você ajuda um a vencer, depois eles se enfrentam e só um avança. Quando está tudo bem definido – o que você pode oferecer e o que espera do atleta – as coisas fluem melhor

    CONSTRUÇÃO COMO TREINADOR

    Desde que se aposentou das competições, em 2021, Adriano vem construindo sua trajetória como treinador.

    Ele passou pelo programa olímpico da Itália, trabalhando com atletas de diferentes níveis, desde a categoria de base até Leonardo Fioravanti, da elite mundial. Também teve experiências com nomes como Erin Brooks, Tatiana Weston-Webb e Alejo Muniz, além de Miguel, que viveu uma fase de retomada sob sua orientação.

    Além disso, Adriano frequentemente cita a influência de Leandro Dora, pai do campeão mundial Yago Dora, em sua formação como treinador, especialmente na forma de lidar com pressão e tomada de decisão.

    Aprendi muito com o Leandro: a forma como ele falava comigo, o que me acalmava, o que não funcionava. Tudo o que sei vem daqueles anos ao lado dele. É ali que acontece o verdadeiro aprendizado: vivendo aquilo no dia a dia Adriano de Souza

    ESTREIA MARCADA

    O retorno de Gabriel Medina ao Circuito Mundial já tem data e adversário definidos. A temporada 2026 começa no dia 1º de abril, na tradicional etapa de Bells Beach, e o tricampeão estreia na segunda rodada contra o mexicano Alan Cleland.

    Gabriel Medina terá Adriano de Souza como técnico para Mundial de 2026

  • 'Gabi é muito reativa, tem que agradar o tempo todo', diz Jonas após BBB 26

    'Gabi é muito reativa, tem que agradar o tempo todo', diz Jonas após BBB 26

    Sobre a relação com Ana Paula Renault, Jonas Sulzbach se divertiu ao lembrar os arranca-rabos divertidos com a sister no ‘Big Brother Brasil 26’

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – No café da manhã com Ana Maria Braga, Jonas Sulzbach, eliminado na última terça-feira (24), falou sobre a relação com Gabriela Saporito.

    Apesar de aliado de Gabi, o veterano falou que ela começou a irritá-lo. “Ela é muito reativa, muito difícil de agradar, tem que estar ali o tempo todo fazendo o que ela quer. Começou a me encher o saco”, desabafou Jonas.

    Sobre a relação com Ana Paula Renault, Jonas se divertiu ao lembrar os arranca-rabos divertidos. Questionado por Ana Maria se beijaria a rival, o veterano disse que se tratava apenas de provocação. “Por ela, não sei se passaria daquilo”, disse.

    Jonas também se divertiu vendo um VT sobre sua amizade com Alberto Cowboy. Ele disse que quer levar a amizade do veterano para além do BBB e relembrou o outro “caubói” que fez parte de sua vida, Fael, campeão do BBB 12.

    'Gabi é muito reativa, tem que agradar o tempo todo', diz Jonas após BBB 26

  • Dólar cai e Bolsa sobe mais de 1% após Trump citar progresso em negociações com o Irã

    Dólar cai e Bolsa sobe mais de 1% após Trump citar progresso em negociações com o Irã

    Às 13h05, a moeda norte-americana caía 0,63%, aos R$ 5,220. No mesmo horário, a Bolsa avançava 1,54%, a 185.325 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registra queda expressiva nesta quarta-feira (25), com investidores novamente atentos a uma possível trégua na guerra do Irã. O movimento acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o país está tendo progresso nas negociações com o Irã.

    No noticiário local, destaque para nova pesquisa AtlasIntel sobre a eleição presidencial de outubro, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT).

    Às 14h09, a moeda norte-americana caía 0,59%, aos R$ 5,223.

    No mesmo horário, a Bolsa avançava 1,56%, a 185.356 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco (na máxima, atingiu 186.401 pontos, alta de 2,13%). Nos Estados Unidos, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 subiam em bloco, com altas de até 0,89%.

    Na terça-feira (24), Trump falou em progresso nas negociações com o Irã. Segundo o presidente norte-americano, Teerã teria aceitado fazer uma importante concessão para firmar um acordo de paz.

    “Eles vão fazer um acordo. Na verdade, eles fizeram algo ontem que foi incrível, eles nos deram um presente, que chegou hoje, e foi um presente muito grande, com um valor monetário tremendo. Não vou dizer que presente é esse, mas foi um prêmio muito significativo, que eles falaram que iam nos dar e nos deram. Isso significou uma coisa para mim: que estamos lidando com as pessoas certas”, disse o republicano na Casa Branca.

    Segundo o jornal New York Times, autoridades do governo americano afirmaram que os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra. O documento foi entregue por meio do Paquistão.

    Em paralelo, Trump ordenou o envio de cerca de 2.000 paraquedistas ao Oriente Médio, segundo funcionários do Departamento de Defesa disseram ao mesmo jornal.

    Nesta quarta-feira, o Irã voltou a negar quaisquer negociações entre os países. Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari disse que uma trégua não está no horizonte e que Washington estaria “negociando consigo mesmo”.

    Apesar das negativas, os investidores se apegam à esperança de que a guerra possa ter um desfecho, com a retomada do transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial.

    O barril do petróleo Brent, referência internacional, chegou a cair 6,76% durante o pregão e se mantém estável abaixo dos US$ 100.

    Para a Ágora Investimentos, discussões sobre um eventual cessar-fogo na guerra no Irã impulsionam os mercados acionários mundo afora. “Entretanto, enquanto o conflito não termina efetivamente, persistem os temores inflacionários e juros elevados por mais tempo”, diz.

    Na visão do J.P. Morgan, o cenário do Brasil permanece positivo, se beneficiando mesmo em momento de aversão global ao risco. Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um ‘porto seguro’ e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado. Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês.

    O pregão carrega uma sensação de déjà vu para analistas. Na segunda-feira (23), em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que EUA e Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” sobre uma “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.

    Ele também recuou de ameaças de destruir usinas de energia iranianas, afirmando que deu instruções para adiar por cinco dias quaisquer ataques contra as instalações. No dia, o dólar fechou em forte recuo de 1,31%, a R$ 5,241, enquanto a Bolsa avançou 3,24%, a 181.931 pontos.

    Na terça-feira, contudo, o conflito no Oriente Médio voltou a escalar em meio a ataques de Israel a instalações de gás iranianas. Horas depois, Teerã lançou uma nova onda de mísseis contra Tel Aviv.

    A moeda americana encerrou o dia em alta de 0,24%, cotada a R$ 5,254.

    “A ausência de sinais concretos de desescalada, combinada com declarações mais duras por parte de autoridades iranianas e a continuidade dos ataques na região, leva o mercado a reprecificar um cenário de conflito mais prolongado, com impacto direto sobre os preços de energia”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

    Com a restrição da oferta de petróleo, o mercado precifica um repique na inflação global por causa do aumento dos preços de combustíveis. Essa percepção já afeta, inclusive, decisões de juros ao redor do mundo -inclusive no Brasil.

    Em ata divulgada nesta terça, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou que, diante do novo contexto imposto pela guerra, a duração e a intensidade do ciclo de queda da Selic serão decididas ao longo do tempo.

    O colegiado não sinalizou passos futuros e deixou a próxima decisão em aberto. A ideia do Copom é ter mais clareza da profundidade e da extensão do conflito antes de definir quais serão os movimentos seguintes. A próxima reunião está marcada para 28 e 29 de abril.

    “O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, afirmou.

    O Copom iniciou na última quarta-feira (18) o ciclo de queda de juros e reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano.

    Ainda no cenário doméstico, investidores seguem atentos ao cenário político.

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em intenções para um eventual segundo turno, revelou pesquisa AtlasIntel/Bloomberg nesta quarta. O petista segue na liderança nos cenários de primeiro turno.

    Nas quatro simulações de primeiro turno em que Lula e Flávio aparecem como candidatos, o petista soma 46% das intenções de voto em todas elas, ao passo que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem entre 36% e 42%.

    Na simulação de segundo turno, Flávio tem 47,6% e Lula soma 46,6%. A margem de erro do levantamento é de 1 ponto-percentual.

    Dólar cai e Bolsa sobe mais de 1% após Trump citar progresso em negociações com o Irã

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Vaticano autoriza xenotransplante para católicos, mas aponta ressalvas

    Vaticano autoriza xenotransplante para católicos, mas aponta ressalvas

    Vaticano afirma que a Igreja não tem objecções a tratamentos que envolvam tecidos ou órgãos oriundos de animais, desde que sigam as práticas médicas e não tratem os animais com crueldade

    O Vaticano anunciou na terça-feira, 24, que católicos podem receber transplantes de tecidos e órgãos de origem animal para tratar condições médicas, prática conhecida como xenotransplante. Mas há ressalvas.

    A Igreja Católica defende que a prática é aceitável, desde que respeite o bem-estar animal e não altere a “identidade biológica ou psicológica” do receptor.

    “(O xenotransplante) em princípio, não está em contraste com a ordem da criação. Ao contrário, representa para o homem uma oportunidade adicional de responsabilidade criativa em fazer um uso razoável do poder que Deus lhe deu”, diz o documento que estabelece as diretrizes éticas para a realização das operações.

    “O sacrifício dos animais pode ser justificado, mas apenas se exigido para alcance de um bem relevante para o homem: é este o caso da utilização de animais para a coleta de órgãos ou tecidos a transplantar”, acrescenta.

    Ressalvas

    O documento proíbe a realização de alguns tipos específicos de transplantes. São casos em que a Igreja Católica entende que o procedimento poderia alterar a identidade do indivíduo.

    Um deles é o transplante de encéfalo (cérebro), que a Igreja considera que “não poderia, em hipótese alguma, ser considerado moralmente permissível”.

    O mesmo se aplica ao transplante de gônadas com fins reprodutivos.

    “É importante salientar que, enquanto o cérebro se relaciona com a identidade pessoal do sujeito como o órgão que representa a ‘sede principal de sua consciência psicológica’, o ‘repositório’ de sua memória existencial, as gônadas se relacionam com ele como órgãos responsáveis pela gametogênese (produção de gametas); elas representam, por assim dizer, o ‘transmissor’, por meio da procriação, da identidade pessoal do sujeito (herança genética) para sua prole”, diz o texto.

    Mas existe uma exceção: o transplante de gônadas pode ser considerado aceitável se o objetivo for exclusivamente a restauração de funções hormonais.

    Xenotransplante

    O xenotransplante consiste em transplantar órgãos, tecidos ou células de animais para humanos. A principal fonte são porcos geneticamente modificados. A técnica é vista como alternativa à escassez de órgãos, mas a rejeição pelo organismo ainda é um obstáculo.

    Nos últimos anos, equipes têm realizado experimentos para entender a interação entre o material transplantado e o corpo dos pacientes, acumulando conhecimento para aprimorar as técnicas e medicações.

    Em março de 2024, por exemplo, um homem de 62 anos com doença renal em estágio terminal recebeu um rim de porco no Hospital Geral de Massachusetts, ligado à Harvard Medical School, em Boston. Ele foi o primeiro paciente vivo a passar pelo procedimento e morreu dois meses depois, por causas não relacionadas ao transplante.

    A cirurgia foi comandada pelo médico brasileiro Leonardo Riella, que conversou com o Estadão sobre o procedimento e as expectativas em relação ao xenotransplante.

    Vaticano autoriza xenotransplante para católicos, mas aponta ressalvas

  • Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

    Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

    Secretário do governo Tarcísio enxerga espaço para candidato de centro e diz que Flávio tem força; em livro de memórias que está lançando, ele lembra conversas com Silvio Santos e início de Kassab

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Guilherme Afif Domingos, 82, é secretário de Tarcísio de Freitas, foi assessor de Paulo Guedes, vice-governador de Geraldo Alckmin e ministro de Dilma Rousseff -cujo impeachment, que completa dez anos, ele diz ter lamentado.

    A trajetória camaleônica, segundo ele, tem uma linha estável, a defesa dos pequenos empresários e da desburocratização, desde que se tornou diretor da Associação Comercial de São Paulo, há exatos 50 anos.

    Deputado constituinte e um dos fundadores do PSD, ele está lançando “Juntos Chegaremos Lá” (editora Matrix, 152 pags, R$ 51), livro de memórias que tem como título o slogan de sua campanha na eleição presidencial de 1989, em que por um breve período foi a sensação.

    Na obra, Afif relembra conversas políticas com o apresentador Silvio Santos, o nascimento do centrão nos anos 1980 e as primeiras campanhas eleitorais na companhia de um jovem (e nerd) Gilberto Kassab.

    Para ele, o brasileiro é contra extremismos, o que abre a possibilidade de um candidato de centro na eleição. Afif vê Lula favorito pelo fato de ter a máquina na mão, mas considera Flávio Bolsonaro (PL) competitivo.

    “O Lula tem um poder de manipulação da massa muito forte. E com a máquina na mão, não é para desprezar. Só que a máquina está fazendo fumaça. Há toda uma crise fiscal”, afirma.

    O lançamento do livro ocorre nesta quarta-feira (25) a partir das 18h30, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

    PERGUNTA – No livro, o sr. se define como um radical de centro. Existe espaço ainda para o centro no Brasil?

    GUILHERME AFIF – A tendência do Brasil é centrista. O brasileiro não gosta de extremos. Em meados do século passado, você tinha pelo menos duas estruturas que sustentavam o centro. Uma era o PSD, partido do Juscelino. E o lado mais radical, a UDN, que era de direita, mas defendeu o monopólio da Petrobras. Era sempre o bipartidarismo no centro, não o pluripartidarismo extremo.

    P – Mas hoje parece que não mais, né?

    GA – Hoje está existindo uma radicalização. De um lado à direita, do outro à esquerda. E acho que tem um espaço aí no centro. Se vai ser preenchido ou não, só colocando o produto na prateleira.

    P – O tamanho desse espaço dá para ter uma ideia?

    GA – É só olhar 30% de um lado, 30% do outro, o resto não está nem com um, nem com o outro. Ele é expressivo.

    P – Nesses 50 anos de vida pública, outra bandeira que o senhor levantou é a do liberalismo. Durante muito tempo, defendê-la no Brasil foi pregar no deserto. Hoje há um campo mais fértil?

    GA – Eu sou liberal. Eu peguei uma vertente praticamente unânime, que era a defesa da democracia econômica, sem a qual a democracia política não subsistiria. Através do pequeno. O pequeno está no regime capitalista. Ele aplica os seus princípios e é vítima do centralismo de Estado, que está lá para beneficiar os que estão ao seu redor. O liberalismo que eu preguei é esse da democracia econômica, de ter um regime de mercado sem favorecimento, para que possa haver competitividade. Quando eu criei o Simples, era para poder dar competitividade para esse pequeno massacrado pela burocracia estatal, que até hoje nós não nos livramos.

    P – Deu para impregnar um pouco do liberalismo no brasileiro nessas últimas décadas?

    GA – Você hoje percebe um movimento importante. Quando eu criei o MEI [Microempreendedor Individual], era para dar formalização à economia informal. Hoje o MEI é a expressão daqueles que estão por conta própria, que eu chamo de batalhadores. Quem vai resolver essa eleição serão as mulheres, que são a boleira, a cabeleireira, a manicure, esse tipo de profissão que não é ideológica. O que ela quer é liberdade, crédito, pagar menos imposto. Não são bem bandeiras de esquerda.

    P – O sr. participou da histórica campanha presidencial de 1989. O que chama mais atenção na comparação com hoje?

    GA – Foi uma campanha de comunicação, não de máquina. Mesmo começando com 0,5%, tem espaço para o novo. Eu lia muita coisa de marketing, e uma que me chamou a atenção foi que falavam da [sandália] Melissa. Quem fez a Melissa foi a [empresa] Grendene, ou foi a Melissa que fez a Grendene? Quer dizer, o produto faz a fábrica, ou a fábrica faz o produto? A fábrica eram os grandes partidos, PMDB, PFL, cada um tinha os seus nomões. Eu falei, não vai ser. Vai ser produto. E vai ser de comunicação. Pensei, todos os produtos que estão aí são fora de especificação do mercado. Não é o que o consumidor quer.

    P – Naquela campanha, em determinado momento, o sr. foi a sensação.

    GA – Eu não era convidado no baile, era um outsider. Na hora que eu dei a crescida, o que que aconteceu? Eu comecei a crescer em cima do Collor. Nós éramos o mesmo perfil da renovação. Ele caiu de 43% para 28% e eu subi para 14%. E aí acendeu o sinal vermelho no sistema. O Afif chegou na classe média. E aí, tinha que tirar.

    P – O sr. relata ter sido um dos primeiros a falar com Silvio Santos naquela eleição.

    GA – Eu precisava ter um vice forte. Fui no Silvio Santos e disse a ele: “Vou te entregar meu programa, você leia. Se você se interessar, você me fala”. E, depois de uns 15 dias, voltamos a falar. O livro lá, tudo anotado, ele leu linha por linha. Perguntei: “Você topa? [ser vice]”. Ele respondeu: “Eu topo, [e perguntou] por que não ao contrário? Eu [Silvio] candidato a presidente e você [Afif] vice”. Eu falei “vou pensar”. E aí saí e não voltei mais.

    P – Hoje o sr. está com um governador bolsonarista [Tarcísio], já foi vice de um ex-tucano que hoje é lulista [Geraldo Alckmin] e ministro de uma petista [Dilma Rousseff]. Alguns dizem que o sr. teve uma trajetória de camaleão.

    GA – Tudo que nós conquistamos em 40 anos do movimento dos pequenos eu consegui por unanimidade. Tinha, inclusive, a posição do próprio Lula, concordando comigo, na Constituinte. Eu nunca tive obstáculos por onde passei, em função da coerência de uma linha de defesa dos pequenos, sem a qual democracia política não existe. Quem abriu a porta, quem meu filho beija minha boca adoça. Eu me dei muito bem com a Dilma.

    P – O sr. fala no livro que lamenta o impeachment dela.

    GA – Sim. Ela era uma mulher correta. Eu sou testemunha disso, não tenho medo de dizer.

    P – Qual é o ponto mais forte do Lula e qual é a maior vulnerabilidade dele?

    GA – O Lula tem um poder de manipulação da massa muito forte. Ele não tem razão para ter coerência. Ele pode ter uma opinião hoje, amanhã outra totalmente diferente, mas colocada de tal forma que as pessoas aplaudem. E com uma máquina na mão, não é para desprezar. Só que a máquina está fazendo fumaça. Há toda uma crise fiscal, é saber quando entra.

    P – E o Flávio?

    GA – Vou falar da franquia [Bolsonaro], que penetrou na população com o discurso pela tradição, família, tudo. Ele pega o conservador. Tem pontos muito positivos que foram negados o tempo todo. Falam que é herança maldita. Não. O Paulo Guedes fez um belíssimo trabalho, aguentou as contas, porque ele também foi levado para o mato, mas conseguiu manter o cavalo na trilha. Tem uma herança muito positiva que ele deixou e foi destruída agora, que é o desequilíbrio das contas.

    P – O sr. vê o Lula como favorito?

    GA – Vejo. Ele tem a máquina. Bolsonaro perdeu aquela eleição. Não foi o Lula que venceu. Ele [Bolsonaro] tinha a máquina na mão e fez muita besteira.

    P – Flávio está tentando se colocar como um moderado, diferente do pai. Isso pode emplacar?

    GA – Você tem um bolsonarismo fixo que está com ele. Falando besteira ou não falando besteira, está junto. Tem 20%, 21%, e tem que conquistar o dobro. E o Lula vai ter que conquistar outra parte com outro discurso. O da soberania é forte. Mas ele acabou se perdendo nos [Daniel] Vorcaro da vida.

    P – Tarcísio deveria ter sido o candidato a presidente?

    GA – Não. Ele vai ter um segundo mandato para completar a obra. Temos muita coisa para entregar numa segunda gestão. O Tarcísio não é de plantar couve, ele planta carvalho, não é para colher no seguinte. São projetos estruturais que ele está fazendo na mobilidade, no transporte, na mudança da sede para o centro, no Trem Intercidades. Ele tem que completar esse ciclo, que completa também a maturidade política dele.

    P – E aí ele estaria pronto para 2030 para presidente?

    GA – Sim, ele será um candidato a presidente muito real e que vai ser muito bem preparado. Esses quatro anos são de preparo para ser candidato.

    P – A candidatura do Haddad ameaça a reeleição?

    GA – Eleição e mineração, só depois da apuração. O Haddad, que sempre julgou a herança maldita do governo Bolsonaro, vai agora pagar o preço da herança maldita que ele está deixando. É só você ver o que aconteceu com o aumento de imposto. Isso vai pesar muito. O Haddad não terá o desempenho que teve na outra eleição.

    P – O sr. conta no livro uma passagem curiosa da campanha de 89, o sr. e o Kassab viajando o país com ficha telefônica. Depois de décadas de convivência, como o sr. definiria o Kassab?

    GA – O Kassab começou comigo. Eu era presidente da Associação Comercial e criei um grupo de jovens empresários. Ele me foi apresentado por um tio dele, que era meio contraparente do meu pai, e me falou que o sobrinho gostava de política. Isso em 1983. Chegou com óculos com fundo de garrafa, estilo nerd. Fomos trabalhando e ele mostrou gosto. Quando eu precisei montar o PL, em 1985, ele veio me ajudar. A eleição presidencial [de 1989] foi a formatura dele, passou estado por estado para conversar com as lideranças de então. Aí nunca mais parou.

    RAIO-X | GUILHERME AFIF DOMINGOS, 82

    É secretário especial de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo. Foi vice-governador (2011-14), ministro da Micro e Pequena Empresa (2013-15), presidente do Sebrae (2015-19), deputado federal Constituinte (1987-89). É formado em administração na Faculdade de Economia do Colégio São Luís.

    Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Política