Caiado diz que quem está contaminado por Vorcaro não pode ser presidente

Pré-candidato afirma que não faz referência indireta: ‘Isso cabe a todos que venham a disputar a Presidência’. Ex-governador evitou se posicionar sobre fim da escala 6×1 e repetiu Flávio ao defender negociação entre empresário e trabalhador

BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Em meio ao caso Dark Horse, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) citou nesta quarta-feira (20) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e disse que “a pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência da República”.

“[Vemos] Vorcaro contaminando todos os poderes. E nós estamos vivendo essa desordem institucional do poder hoje”, afirmou Caiado na Marcha dos Prefeitos, que é organizada pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios).

Na última quarta-feira (13), o Intercept Brasil revelou áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra o pagamento de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia simpática ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Flávio admitiu ter tratado com o banqueiro, mas classificou a negociação como parte de uma relação de investimento privado, sem qualquer promessa de contrapartida. Nesta terça-feira (19), o senador admitiu ter encontrado pessoalmente o banqueiro no final de 2025, em São Paulo, quando Vorcaro já estava preso em regime de prisão domiciliar, acusado de fraude financeira e de outros crimes, para botar “um ponto final” na relação entre os dois.

Em coletiva de imprensa mais tarde na própria quarta-feira (20), Caiado negou que fizesse referência indireta ao senador em sua fala no evento. “Eu nunca falei nada de forma indireta na minha vida. Cada um tem o direito de se explicar sobre as acusações que pesam sobre ele”, disse.

“[O que falei] é que isso são condicionantes para o exercício da função de presidente. Quando você apresenta uma condição que não dá a você a condição do exemplo, da correção de rumos, o Brasil continuará da maneira como ele está. Isso cabe a todos que venham a disputar a Presidência”, disse o pré-candidato.

Caiado evitou se posicionar sobre o fim da escala 6×1, tema que está a todo vapor no Congresso Nacional, mas disse que a pauta caminha para ser aprovada com apoio quase unânime.

O ex-governador defendeu um modelo em que o trabalhador e o patrão negociam o número de horas trabalhadas -para o qual deu poucos detalhes. “Eu a vida toda defendi que cada cidadão tivesse o direito de trabalhar quantas horas ele quiser trabalhar”, afirmou. “[O trabalhador procura o empresário e diz] ‘olha eu me proponho a trabalhar na sua empresa; me comprometo tantos dias por semana, tantas horas por dia.”

Ao defender a proposta, Caiado repete o rival Flávio Bolsonaro, que nesta terça-feira (19) chamou a discussão sobre o fim da escala 6×1 de legítima, mas “inoportuna e eleitoreira”, e disse defender a negociação da carga horária entre trabalhador e empresário. “A remuneração por hora trabalhada traz liberdade, aumento da renda e proteção”, afirmou Flávio.

No plenário da Marcha dos Prefeitos, Caiado fez uma fala inicial de 42 minutos, apesar de o presidente da CNM, Paulo Roberto Ziulkoski, ter dado cinco minutos para que o presidenciável fizesse seu pronunciamento inicial.

A organização até tentou interromper o político ao final do tempo regulamentar, mas foi interrompida aos gritos de “deixa ele falar”. Com isso, o que deveria ser uma fala inicial seguida de respostas a perguntas se transformou num longo discurso, em que Caiado falou de combate a facções criminosas, saúde pública, alimentação escolar e construção de rodovias.

“Nós tínhamos 5 minutos iniciais e acabamos dando a liberdade, o senhor falou 42 minutos”, afirmou Ziulkoski, da CNM, ao final da fala de Caiado.

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