Categoria: POLÍTICA

  • Áudio mostra Mario Frias agradecendo a Vorcaro por apoio a filme, diz site

    Áudio mostra Mario Frias agradecendo a Vorcaro por apoio a filme, diz site

    Frias afirma na gravação que queria agradecer e informar o então banqueiro sobre o andamento da produção. Ele chegou a dizer que o banqueiro não havia dado “um único centavo” para o longa

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Áudios e conversas mostram que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) manteve contato e agradeceu Daniel Vorcaro pelo apoio à produção de “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são do site Intercept Brasil.

    No trecho divulgado, Frias afirma que queria agradecer e informar o então banqueiro sobre o andamento da produção. “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”, diz o deputado.

    Mensagem teria sido enviada em 11 de dezembro de 2024. Segundo o Intercept, o áudio foi gravado pouco depois do horário em que estava previsto um encontro entre Flávio e Vorcaro, que não foi confirmado.

    Vorcaro responde pelo WhatsApp que retornaria em seguida. “Eu to numa ligação te chamo em seguida”, escreveu, e Frias respondeu: “Blz”. Segundo o site, os dois conversaram por ligação por cerca de dois minutos naquele dia.

    Mario Frias teria procurado Vorcaro novamente em 15 de dezembro de 2024.

    Ainda segundo a reportagem, o deputado enviou uma captura de tela que exibe uma troca de mensagens entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh. Em seguida, disse a Vorcaro: “Leia isso. Milagres só são possíveis quando a [há] fé. Vai ser a maior super produção de uma história brasileira”.

    Em 22 de dezembro, os dois voltaram a se falar. Vorcaro disse que estava na igreja e prometeu chamar o parlamentar quando saísse. Veja o diálogo:

    Vorcaro: Fala irmão. Na igreja. Qdo sair te chamo.

    Mario Frias: Ok irmão. Irmão Esse filme é o grande milagre, ele será capaz de tocar o coração de milhões de pessoas em todo mundo. O planeta está despertando e o filme terá um papel histórico imprescindível para as futuras gerações. Muito obrigado. Ele é uma questão de justiça divina. Será um filme de fé e superação!

    Daniel Vorcaro: Tenho certeza disso

    Mario Frias: Amém. JB [Jair Bolsonaro] precisa ter sua verdadeira história revelada. 2026 é do Brasil. Deus te abençoe meu Brother

    Frias é produtor-executivo do filme Dark Horse. Após a divulgação dos áudios entre Vorcaro e Flávio, ele disse que o banqueiro não havia dado “um único centavo” para a produção do longa. No dia seguinte, recuou e disse que havia “uma diferença de interpretação sobre a origem formal” do investimento.

    “Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, disse.

    O UOL procurou Mario Frias, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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  • Candidatura 'derrete' e Flávio Bolsonaro cai 6 pontos, aponta Atlas/Intel

    Candidatura 'derrete' e Flávio Bolsonaro cai 6 pontos, aponta Atlas/Intel

    Flávio Bolsonaro cai 6 pontos e perderia para Lula no 2º turno, aponta pesquisa Atlas/Intel. A rejeição do senador chegou a 52% e superou numericamente a de Lula (50,6%)

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caiu 6 pontos no cenário de segundo turno contra Lula (PT), mostra pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19).

    O levantamento indica que a divulgação dos áudios em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro impactou a candidadura do parlamentar.

    Flávio, que estava empatado tecnicamente com o petista, ficou com 41,8%, enquanto o presidente alcançou 48,9%. Na última pesquisa do instituto, a diferença entre eles era de 0,3%. Intenções de votos brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somam 9,3%.

    A rejeição do senador chegou a 52% e superou numericamente a de Lula (50,6%). Em abril, 51% dos eleitores não votariam no atual presidente de jeito nenhum, enquanto 49,8% rejeitavam o pré-candidato do PL.

    A Atlas/Intel ouviu 5.032 pessoas através do método Atlas RDR, sigla em inglês para recrutamento digital aleatório, do dia 13, quando foram divulgadas as conversas entre Flávio e o então dono do Banco Master Daniel Vorcaro, ao dia 18.

    A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-06939/2026 e tem nível de confiança de 95%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos.

    Após a repercussão, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro pediu à corte eleitoral que suspendesse a divulgação da pesquisa. O argumento é que o levantamento foi “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa”.

    No questionário aprentando pela Atlas/Intel ao TSE, o conteúdo dos áudios entre o senador e Daniel Vorcaro foi mostrado aos participantes ao final da entrevista, depois das perguntas sobre intenção de voto.

    Ao todo, foram testados três cenários de primeiro turno com Lula. No primeiro deles, o atual presidente tem 47%, e Flávio, 34,3%, uma queda de 5,4 pontos percentuais para o bolsonarista em relação a abril.

    Eles são seguidos por Renan Santos (Missão), com 6,9%, Romeu Zema (Novo), com 5,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,7%. Augusto Cury (Avante), tem 0,4%, e Aldo Rebelo, (DC), marca 0,2%. Brancos e nulos somam 1,4%, e 1,9% dizem não saber.

    No mês passado, Flávio tinha 39,7%, ante 46,6% de Lula nesse mesmo cenário.

    A pesquisa não considerou a possível pré-candidatura do ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa. O ex-magistrado foi anunciado pelo DC (Democracia Cristã) e causou atrito interno. Rebelo afirma que judicializará a disputa partidária caso seja preterido injustamente, segundo ele.

    As outras duas simulações projetam a disputa em primeiro turno sem o atual pré-candidato do PL. No cenário sem membros da família Bolsonaro, Lula lidera com 46,7%, seguido por Zema (17%), Caiado (13,8%), Renan Santos (8%), Rebelo (1,8%) e Augusto Cury (1,2%). Brancos e nulos chegam a 6,8%, e 4,6% não souberam responder.

    No cenário com Michelle Bolsonaro (PL), o atual presidente mantém a liderança, com 47%, contra 23,4% da ex-primeira-dama. Romeu Zema registra 10%, seguido por Renan Santos, com 7,8%, e Ronaldo Caiado, com 6%. Aldo Rebelo marca 0,7%, e Augusto Cury, 0,5%. Brancos, nulos e indecisos somam 4,6%.

    ÁUDIOS DE FLÁVIO A VORCARO

    As conversas entre o senador e o dono do Banco Master chegaram ao conhecimento de 95,6% dos entrevistados. O filho de ex-presidente cobrava o banqueiro pelo financiamento do filme ‘Dark Horse’, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro. Ao todo, Flávio pediu R$ 134 milhões

    O vazamento foi recebido com naturalidade pela maioria, com 65,2% dos entrevistados afirmando que as informações não causaram surpresa. Outros 20,5% disseram ter ficado um pouco surpresos, enquanto apenas 14,3% relataram forte espanto com o conteúdo revelado.

    Para a maioria dos que souberam do vazamento (51,7%), o diálogo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro traz evidências de envolvimento direto no escândalo do Master. Já 33,3% veem uma tentativa legítima de apoio financeiro a um filme. Outros 12,1% apontam proximidade sem ilegalidade e 2,9% não souberam opinar.

    Os eleitores também avaliaram o impacto do ‘Caso Dark Horse’ na candidatura do senador do PL. Para 45,1%, o episódio enfraqueceu muito sua pré-candidatura à Presidência, e 19% acham que enfraqueceu um pouco.O caso não trouxe efeitos para 15%, e 13,4% acreditam em fortalecimento. Não souberam responder 7,3%.

    ‘MEDO OU PREOCUPAÇÃO’

    “Pensando no futuro do país no contexto das eleições presidenciais deste ano, qual dos seguintes resultados possíveis te causa mais medo ou preocupação?”, também perguntou a Atlas/Intel aos participantes.

    A eleição de Flávio passou a ser o resultado eleitoral que causa maior medo ou preocupação nos entrevistados, atingindo 47,4%. Ele superou a reeleição de Lula, que caiu para 40,5%, enquanto 11% afirmaram ter o mesmo nível de temor por ambos os cenários.

    Em abril, a recondução do atual presidente era o resultado que causava maior preocupação, liderando com 47,3%. A eleição do filho de Jair Bolsonaro causava temor em 45,4% dos entrevistados, enquanto 7,2% responderam que ambos os cenários causavam o mesmo nível de medo.

    A AVALIAÇÃO DO GOVERNO

    Segundo o levantamento, a avaliação negativa do governo Lula oscilou para baixo e chegou a 48,4%, ante 51% em abril, queda de 2,6 pontos percentuais. Já a percepção positiva não variou: era 42% e foi para 42,9%. A avaliação regular, por sua vez, foi de 7% para 8,7%, avanço de 1,7 ponto percentual.

    A desaprovação ao presidente Lula caiu de 53% em abril para 51,3% em maio, recuo de 1,7 ponto percentual. Já a aprovação não mudou: era 47% e hoje está em 47,4%. Os que não souberam responder são 1,3%.

    Candidatura 'derrete' e Flávio Bolsonaro cai 6 pontos, aponta Atlas/Intel

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  • PF faz operação contra perito suspeito de vazar contrato de mulher de Moraes com Master

    PF faz operação contra perito suspeito de vazar contrato de mulher de Moraes com Master

    Nota do STF diz que investigado teria repassado a integrante da imprensa ‘informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início do caso’; associação disse que perito tem direito à ampla defesa e frisou necessidade de ‘evitar conclusões precipitadas’

    A Polícia Federal (PF) realiza operação nesta terça-feira, 19, contra o perito criminal federal João Cláudio Nabas por suspeita de vazamento de informações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes obtidas na investigação da Compliance Zero, que apura fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.

    A suspeita da PF nessa apuração é que Nabas teria vazado informações de Moraes apreendidas no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro, como o contrato do escritório de advocacia da mulher do ministro, a advogada Viviane Barci, com o Banco Master e diálogos do magistrado com o banqueiro.

    Segundo informações da Receita Federal, o escritório de Viviane Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Master em 2024 e 2025.

    A PF cumpriu mandados de busca e apreensão e suspensão das funções públicas do perito. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso.

    De acordo com comunicado do STF, “o investigado, na condição de perito criminal federal, teria repassado a integrante da imprensa informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero”. O Estadão tenta contato com a defesa de Nabas.

    Essa operação foi batizada como a sétima fase da Operação Compliance Zero e apura o crime de violação de sigilo funcional. Na nota, o STF ressaltou que não há investigação contra profissional de imprensa. “Nesse contexto, as medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”, diz a nota.

    O perito atuou nas fases inicias da investigação e foi responsável pela análise de materiais apreendidos.

     

    PF faz operação contra perito suspeito de vazar contrato de mulher de Moraes com Master

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  • AGU defende no STF suspensão da Lei da Dosimetria, que beneficia Bolsonaro

    AGU defende no STF suspensão da Lei da Dosimetria, que beneficia Bolsonaro

    Órgão ligado ao governo Lula diz que texto deve ser declarado inconstitucional; medida já foi suspensa por Moraes. Advocacia-Geral da União afirma que redução de penas inverte lógica e acaba premiando atos golpistas

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A AGU (Advocacia-Geral da União) se manifestou nesta terça-feira (19) pela suspensão da Lei da Dosimetria, que reduz a pena de condenados pelo 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e defendeu que o STF (Supremo Tribunal Federal) declare o texto inconstitucional.

    Em seu parecer, o órgão afirma que “premiar” a atuação dos condenados pelos atos golpistas com uma redução de até dois terços da pena “inverte a lógica de agravamento”, uma vez que o número de pessoas que participou dos atos potencializa o dano e dificulta a defesa das instituições.

    “A gravidade da proteção insuficiente gerada pela lei, outrora vetada pelo presidente da República, exige a atuação do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição, restaurando a coerência axiológica do sistema e garantindo que os atentados contra a democracia recebam a resposta firme, técnica e proporcional que a gravidade de suas condutas exige perante a história”, diz a AGU.

    A dosimetria foi aprovada pelo Congresso Nacional ainda no ano passado e já foi suspensa em 9 de maio pelo ministro Alexandre de Moraes, sorteado relator de ações na corte que questionam a validade da medida.

    Na decisão, o ministro diz que aguardará o julgamento do plenário da corte sobre a constitucionalidade da lei.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou a Lei da Dosimetria em 8 de maio, depois de o presidente Lula (PT) deixar vencer o prazo após seu veto integral ao texto ter sido derrubado pelo Congresso.

    Com isso, advogados dos réus acionaram o STF com pedidos de redução de pena com base na nova lei. Ainda na sexta, porém, a federação PSOL-Rede e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) também entraram com ações na corte para barrar a norma, pedindo que o texto fosse considerado inconstitucional e que uma medida cautelar (decisão urgente) suspendesse sua eficácia.

    A federação constituída por PT, PC do B e PV também acionou o STF com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade). Ela argumenta que a vigência da Lei da Dosimetria até o julgamento da ADI iria criar um “incentivo perverso para a organização de novos ataques às instituições democráticas”.

    Como mostrou a Folha, ao julgar a constitucionalidade da lei, o STF tende a validá-la, mas com recados sobre combate a atos antidemocráticos. Há um consenso de que a redução de penas é uma prerrogativa do Legislativo, mas parte dos ministros diz entender que a medida pode significar incentivo a novos atos antidemocráticos.

    AGU defende no STF suspensão da Lei da Dosimetria, que beneficia Bolsonaro

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  • Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro após prisão do ex-banqueiro por caso Master

    Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro após prisão do ex-banqueiro por caso Master

    Informação foi confirmada pelo senador e pré-candidato à Presidência nesta terça-feira (19). Filho de Jair Bolsonaro pediu dinheiro ao dono do Master para financiar filme sobre ex-presidente

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada por Flávio nesta terça-feira (19).

    Segundo o site, o encontro ocorreu na casa de Vorcaro em São Paulo depois que o ex-banqueiro foi liberado da prisão por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que determinou restrições como o uso de tornozeleira eletrônica.

    Na esteira do caso “Dark Horse”, Flávio se reuniu com as bancadas do PL na Câmara e no Senado para dar explicações sobre o escândalo e tratar de outros posicionamentos do grupo.

    Como revelou o site The Intercept Brasil, o senador pediu dinheiro ao dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Desde então, Flávio vem tentando conter os danos para a pré-campanha e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

    Na última sexta (15), o senador disse que poderia vazar informação sobre “algum encontro” entre ele e Vorcaro.

    “Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, declarou em entrevista à CNN Brasil.

    Na ocasião, ele disse que se encontrou pessoalmente “poucas vezes” com Vorcaro, todas para tratar da produção, e que o dono do Master ainda não era investigado.

    O ex-banqueiro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Segundo investigadores, ele tentava fugir do Brasil para evitar ser preso peloas fraudes no caso. A defesa do ex-banqueiro nega.

    No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central.

    Dez dias depois da primeira prisão, Vorcaro foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica. Em 4 de março de 2026, foi detido novamente.

    Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro após prisão do ex-banqueiro por caso Master

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  • 6 em cada 10 não souberam que Senado rejeitou indicado de Lula ao STF, aponta Datafolha

    6 em cada 10 não souberam que Senado rejeitou indicado de Lula ao STF, aponta Datafolha

    Pesquisa Datafolha mostra que 59% dos brasileiros não souberam da rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Entre os que acompanharam o caso, a maioria avaliou que o episódio enfraqueceu o governo de Luiz Inácio Lula da Silva

    (CBS NEWS) – Mais da metade dos brasileiros não ficou sabendo da rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta semana.

    O levantamento mostra que 59% da população desconheciam o episódio, considerado uma derrota histórica para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Outros 41% afirmaram ter tomado conhecimento da rejeição.

    Entre os entrevistados que souberam do caso, 19% disseram estar bem informados, 18% mais ou menos informados e 4% mal informados.

    A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros entre terça-feira (12) e quarta-feira (13). A margem de erro é de dois pontos percentuais.

    Entre os que acompanharam o episódio, 53% afirmaram que a rejeição de Messias enfraqueceu o governo federal. Apenas 7% disseram que o Planalto saiu fortalecido, enquanto 36% consideraram que não houve impacto político.

    Mesmo sendo vista como uma indicação voltada ao eleitorado evangélico, a rejeição teve o mesmo nível de desconhecimento entre evangélicos e população em geral: 59% em ambos os grupos disseram não saber do ocorrido.

    O desconhecimento foi maior entre eleitores de Lula, com 61%, do que entre apoiadores de Flávio Bolsonaro, grupo no qual 50% afirmaram não ter acompanhado o caso.

    Já entre eleitores que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, o índice sobe para 72%.

    A rejeição de Jorge Messias marcou a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao STF. Na época, cinco nomes escolhidos por Floriano Peixoto foram barrados.

    Messias recebeu 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação, enquanto 42 senadores votaram contra.

    Mesmo após a derrota, Lula teria afirmado a aliados que pretende reenviar o nome de Messias ao STF para reforçar a prerrogativa presidencial na escolha de ministros da Corte.

    A possibilidade pode abrir uma disputa jurídica, já que uma norma interna do Senado, em vigor desde 2010, impede que o mesmo nome seja indicado novamente no mesmo ano.

    Além disso, existe a hipótese de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dificultar a tramitação de uma nova indicação, mesmo que o governo escolha outro nome.

    Segundo bastidores políticos, Alcolumbre defendia outro candidato para a vaga e teria atuado pela derrota de Messias. O episódio também ganhou força entre parlamentares ligados ao bolsonarismo, que transformaram críticas ao STF em uma das principais bandeiras eleitorais.

    Durante a sabatina, o senador Sergio Moro chegou a defender que a vaga deixada por Luís Roberto Barroso fosse preenchida apenas após as eleições presidenciais.

    A fala provocou reação do senador Rogério Carvalho, que classificou o discurso como uma tentativa de esvaziar os poderes do presidente da República e fez referência aos atos golpistas de 8 de janeiro.
     

    6 em cada 10 não souberam que Senado rejeitou indicado de Lula ao STF, aponta Datafolha

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  • Ministro de Lula diz que 'taxa das blusinhas' foi erro e que elo Flávio-Master vai para campanha

    Ministro de Lula diz que 'taxa das blusinhas' foi erro e que elo Flávio-Master vai para campanha

    José Guimarães afirmou que a “taxa das blusinhas” foi um erro do governo e disse que o escândalo envolvendo o Banco Master estará no debate eleitoral de 2026 após revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

    (CBS NEWS) – A chamada “taxa das blusinhas” foi um erro do governo, e o escândalo do Banco Master estará na pauta do PT na campanha presidencial diante das relações agora conhecidas entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, segundo José Guimarães (PT), ministro das Relações Institucionais e articulador político do presidente Lula.

    Em entrevista à Folha de S.Paulo, Guimarães rebateu críticas da oposição sobre o alegado caráter eleitoreiro do “pacote de bondades” anunciado pelo Planalto, incluindo a derrubada da “taxa das blusinhas” que estava em vigor desde 2024.

    Lembrando que Flávio negava qualquer contato com Vorcaro até a aparição de áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro, o ministro disse que “o país precisa ser passado a limpo”.

    “Defendemos o devido processo legal: quem fez paga a conta. O eleitor será mais criterioso e avaliará o caráter dos candidatos. A imagem do Flávio como ‘moderno e ético’ ruiu; o rei está nu e será difícil ele se vestir novamente.”

    Conforme mensagens relevadas pelo Intercept Brasil, Flávio pediu a Vorcaro dinheiro para financiar o filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), sobre a vida do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O valor combinado seria de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente pagos à produção.

    RELAÇÃO COM CONGRESSO

    Guimarães tomou posse em abril, após ser escolhido por Lula para assumir o cargo de chefe da Secretaria de Relações Institucionais devido à saída de Gleisi Hoffmann (PT) para disputar as eleições ao Senado pelo Paraná.

    Assumiu com acenos a parlamentares, dizendo que “não tem governo que dê certo que não tenha diálogo com o Congresso”.

    Agora, afirma que “faltou estratégia política da nossa parte no Congresso para lidar com casos como a CPMI do INSS”, que envolveu Lulinha, filho do presidente da República, mas diz que “a situação está voltando à normalidade”, apesar da derrota histórica sofrida por Lula no Senado no final do mês passado, com a rejeição da indicação de Jorge Messias para ocupar uma vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Guimarães abordou o escândalo do Master ao responder se o governo se apressou para suspender a “taxa das blusinhas” por temer que uma iniciativa dessa natureza partisse do Congresso. A MP (Medida Provisória) zerando a cobrança federal foi assinada na semana passada.

    “Não importa de onde nasce a iniciativa, o que importa é o mérito. O que não queremos é que culpas que não são do governo caiam no nosso colo, como o caso do Banco Master. Não se pode sustentar uma candidatura com mentiras”, disse o ministro em alusão ao fato de Flávio ter negado relacionamento com Vorcaro.

    Guimarães rechaçou motivação eleitoreira para o fim do tributo federal sobre compras internacionais de até US$ 50 (R$ 245 em valores de hoje).
    “A ‘taxa das blusinhas’ não deveria ter sido feita e eu me penitencio porque eu era líder do governo no Congresso”, afirmou.

    ‘PACOTE DE BONDADES’

    O ministro listou as demais medidas do chamado “pacote de bondades”, que inclui a subvenção da gasolina e o Novo Desenrola, adotadas para redução de endividamento das famílias e contenção de alta de preços, “visando uma economia sem sobressaltos antes do processo eleitoral”.

    “O pacote não é eleitoral, mas o necessário para aquecer a economia e proteger os trabalhadores brasileiros dos impactos da guerra entre [o presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump e o Irã nos combustíveis e tirar um pouco do sufoco que as famílias estão sofrendo com o endividamento. O país não deixa de ter governo por causa do período eleitoral.”

    O ministro argumentou que a taxação das importações foi incluída no Congresso por um deputado do PP, durante a tramitação do projeto do programa automotivo Mover. Mas admitiu ter sido um erro o Planalto ter embarcado na cobrança. À época, um dos motivos elencados era a proteção e geração de empregos nacionais.

    Um dos principais defensores da revogação dentro do governo, Guimarães afirmou que a extinção da cobrança foi produto de um processo de convencimento que consumiu cerca de um mês. A oposição alardeia que o Planalto apenas se antecipou a um movimento que estava sendo ensaiado no Congresso, com capacidade para desgastar Lula às vésperas da eleição.

    “A emenda que isentou compras até US$ 50 foi votada por unanimidade, mas impactou as famílias de baixa renda que compram itens básicos como capinhas de celular e canetas. Por isso, foi necessário desonerar o consumidor”, justificou.

    “Ela atingiu setores populares e classe média baixa, e o impacto na arrecadação era mínimo. Foi uma medida que não deveria ter sido feita e eu me empenhei para reverter, pois prejudicava as famílias.”

    Guimarães minimizou o impacto das medidas para as contas públicas, afirmando que tudo isso foi feito “sem mexer nas regras fiscais ou desarranjo fiscal”.

    Ministro de Lula diz que 'taxa das blusinhas' foi erro e que elo Flávio-Master vai para campanha

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  • Flávio Bolsonaro lidera rejeição após áudio com Vorcaro, aponta pesquisa Atlas/Bloomberg

    Flávio Bolsonaro lidera rejeição após áudio com Vorcaro, aponta pesquisa Atlas/Bloomberg

    Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra que senador ultrapassou Lula no índice de rejeição após divulgação de áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar filme sobre Jair Bolsonaro. Levantamento aponta ainda crescimento do temor entre eleitores diante de eventual vitória do parlamentar

    O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser o pré-candidato à Presidência numericamente mais rejeitado após a divulgação do áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19).

    O porcentual de entrevistados que disseram não votar nele “de jeito nenhum” saiu de 49,8% em abril para 52% em maio. Lula, que até então liderava o ranking, oscilou de 51% para 50,6%.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é rejeitado por 49,1% dos entrevistados, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), cotada para substituir o enteado na corrida presidencial, aparece com 45,6%.

    Na sequência, estão os pré-candidatos Romeu Zema (Novo), com 42,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 38%. Renan Santos (Missão) registra a menor rejeição numérica: 37,8%.

    A maior parte dos eleitores, 47,4%, afirmou que o cenário que mais lhes causa medo é a possibilidade da eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 40,5% responderam que temem a reeleição de Lula, enquanto 11% disseram que ambos os resultados preocupam igualmente.

    Há um mês, havia empate técnico no limite da margem de erro: 47,3% diziam temer a reeleição do petista e 45,4% a eleição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros 7,2% temiam ambos os cenários.

    A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio. As entrevistas começaram no mesmo dia em que o site The Intercept divulgou o áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai.

    A margem de erro é de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos. Foram aplicados questionários pela internet a 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais, selecionados pela metodologia de recrutamento digital aleatório utilizada pelo instituto. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.

    Flávio Bolsonaro lidera rejeição após áudio com Vorcaro, aponta pesquisa Atlas/Bloomberg

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  • Polícia Federal transfere Daniel Vorcaro para cela comum

    Polícia Federal transfere Daniel Vorcaro para cela comum

    A Polícia Federal transferiu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum em Brasília após avanço das negociações da delação premiada. Investigadores cobram provas inéditas, recuperação de dinheiro e acusam o empresário de tentar proteger aliados no acordo

    (CBS NEWS) – A Polícia Federal decidiu transferir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para uma cela comum na superintendência do órgão, em Brasília. Até então, Vorcaro estava preso na cela preparada para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.

    No fim do mês passado, a PF pediu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que Vorcaro fosse levado de volta para o Presídio Federal de Brasília, na área do Complexo Penitenciário da Papuda.

    O ex-banqueiro está na superintendência da PF desde 19 de março, quando indicou ao ministro a intenção de assinar um acordo de delação premiada.

    Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da Folha, o ministro afirmou a interlocutores com quem mantém diálogo frequente que não pretende homologar a proposta de delação nos termos em que ela se apresenta.

    O magistrado está descontente com o que considera omissões do ex-banqueiro e tentativas de proteger aliados em sua proposta de colaboração premiada. Os anexos da delação foram apresentados às autoridades no último dia 6.

    A posição manifestada pelo magistrado, no entanto, foi feita antes ainda da entrega dos documentos, com base em informações prévias que ele recebeu. A negociação do acordo é feita entre a defesa de Vorcaro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal.

    A defesa de Vorcaro foi procurada nesta segunda-feira (18), mas não quis se manifestar sobre a mudança de cela.

    O ex-banqueiro terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta para conseguir que sua delação premiada seja aceita.

    Para que o acordo não seja enfraquecido, Vorcaro também deve se antecipar ao ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa. A expectativa é de que o termo de confidencialidade da delação premiada de Costa seja assinado até o fim desta semana.

    Costa está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, desde o dia 8. Ele foi alocado no mesmo cômodo onde Bolsonaro cumpria pena antes da decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a prisão domiciliar do ex-presidente.

    Polícia Federal transfere Daniel Vorcaro para cela comum

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  • Investigadores querem que Vorcaro devolva R$ 60 bi desviados sob risco de delação ser rejeitada

    Investigadores querem que Vorcaro devolva R$ 60 bi desviados sob risco de delação ser rejeitada

    Investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República pressionam Daniel Vorcaro a devolver bilhões ligados ao caso Banco Master em prazo mais curto. Autoridades avaliam rejeitar eventual delação premiada caso a proposta não apresente provas robustas e reparação considerada adequada

    (CBS NEWS) – Investigadores que apuram o caso do Banco Master afirmam que Daniel Vorcaro terá que devolver, em um curto período, cerca de R$ 60 bilhões que causou em prejuízos, sob o risco de o ex-banqueiro ter sua proposta de delação premiada recusada.

    Vorcaro propôs às autoridades, segundo pessoas que acompanham as apurações, a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos. Tanto o valor como o prazo desagradaram os integrantes da Polícia Federal, da PGR (Procuradoria-Geral da República) e do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Uma parte das autoridades aponta que o valor do dano é irredutível porque a legislação não permite que o prejuízo seja negociável, ao contrário dos Estados Unidos, por exemplo, onde há essa possibilidade.

    Além disso, a entrega dos valores em um prazo alongado é vista de forma negativa diante do precedente de acordos com empreiteiras da Operação Lava Jato e com a J&F, dos irmãos Batista.

    Depois desses acordos terem sido fechados, as empresas passaram a questionar as quantias negociadas ou trabalharam para reduzir ou suspender os pagamentos na Justiça. Alguns delatores também tiveram as provas decorrentes de suas colaborações anuladas, inclusive pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

    O ministro André Mendonça chegou a afirmar a advogados de Vorcaro que era contra o prazo de 10 anos proposto pelo banqueiro e indicou que, nesse cenário, prefere até que haja a devolução de um valor inferior aos R$ 60 bilhões, desde que seja num prazo mais curto.

    Outro problema que preocupa autoridades é que, ao contrário das outras empresas que fizeram grandes acordos, o Master foi liquidado. Ou seja, Vorcaro não tem mais uma fonte de entrada de recursos que banque esses pagamentos nos próximos anos.

    Para demonstrar boa-fé, ele teria que indicar exatamente onde tem dinheiro -em paraísos fiscais, fundos, bens como imóveis e aviões, ou obras de arte, por exemplo- e como pretende devolvê-lo.

    Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, e por isso as autoridades consideram que os termos aplicados a ele na negociação devem ser rígidos. Os custos da quebra do Master superam os R$ 57 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.

    Somente os recursos que terão de ser ressarcidos aos clientes pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mantido com recursos dos bancos, são estimados em R$ 51,8 bilhões.

    O valor exato da perda total ainda é desconhecido.

    A delação de Daniel Vorcaro é negociada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal. Os anexos da delação foram entregues pela defesa aos dois órgãos no último dia 6 e ainda serão analisados.

    A entrega desse conteúdo, que detalha episódios diferentes de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, precede a discussão sobre os benefícios da colaboração e a devolução de recursos.

    Procurada pela reportagem sobre o posicionamento dos investigadores a respeito da devolução dos recursos, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou.

    A restituição dos valores dos danos é apenas um dos entraves que podem afetar a negociação para a assinatura da colaboração premiada.

    Outro problema é a visão de autoridades de que, até agora, os fatos listados nos anexos da delação são fracos e não apontam irregularidades que vão além do material que a PF tem em mãos para conduzir suas próprias investigações.

    Como a Folha mostrou, a sequência de novas fases da operação Compliance Zero, que mira o Master, é vista por autoridades como uma pressão extra para que a delação apresente novos e robustos fatos para ser validada pelo Supremo.

    Na visão dessas pessoas, as novas fases mostram que a PF tem conseguido avançar bem nas apurações sem depender de acordos de colaboração. Além disso, há mais envolvidos no caso dispostos a negociar e colaborar com as investigações, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso -ele trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo.

    Um dos empecilhos que Vorcaro irá encontrar para emplacar a sua delação é a de uma restrição maior, especialmente da PGR, para fazer esses acordos.

    O entendimento interno é de que os fatos que têm que ser relatados devem ser mais precisos e com mais provas do que as delações feitas na Lava Jato.

    Além disso, descartam fechar uma delação como a de Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e colaborou nas ações da trama golpista.

    Os investigadores consideram que Cid trouxe pouca informação nova ao material que já existia nas provas obtidas anteriormente, por meio de buscas e apreensões.

    De acordo com esses investigadores, se Vorcaro apresentar apenas contexto sobre episódios já conhecidos pelas autoridades ou informações que já estão no material apreendido, ele correrá o risco de ter a sua delação rejeitada.

    Caberá ao ministro André Mendonça, do STF, validar os termos acordados entre Vorcaro e os investigadores.

    Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado, quando tentava embarcar para o exterior, no aeroporto de Guarulhos (SP). A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Master.

    Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central. Atualmente, Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal.

    Até então, a equipe de defesa que atuava no caso recusava a possibilidade de uma delação. Nos bastidores, a informação era a de que Vorcaro insistia que poderia explicar todas as acusações contra ele no mérito do processo, ou seja, sobre as fraudes e os crimes financeiros.

    Com a mudança de estratégia, ele terá de confessar condutas criminosas, explicá-las e indicar provas para embasar a narrativa feita aos investigadores.

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