Categoria: POLÍTICA

  • Governo Lula mapeia traições em votação sobre Messias, vê rasteira do MDB e prevê exonerações

    Governo Lula mapeia traições em votação sobre Messias, vê rasteira do MDB e prevê exonerações

    Aliados citam conluio entre Alcolumbre, Moraes e Pacheco; presidente reuniu ministros para discutir estratégia após Senado ter rejeitado AGU como indicado ao STF

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Horas depois da derrota no Senado, o presidente Lula (PT) e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição do nome de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de quarta-feira (29).

    Em reunião na residência oficial da Presidência, o Palácio da Alvorada, logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram dissidências no MDB e no PSD, em um conluio conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

    Além da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um pacto para impedir a nomeação de Messias.

    Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.

    O acordo, segundo interlocutores de Lula, teria sido selado durante um jantar na noite de terça-feira (28), na residência oficial do presidente do Senado, com intuito de evitar nova correlação de forças na corte. Messias teria contrariado ministros ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal.

    Entre aliados de Lula, suspeitas recaem sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança é que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.

    Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias.

    O AGU teve 34 votos a favor da indicação (sete a menos que o necessário) e 42 votos contrários. Essa foi a primeira rejeição a um indicado do presidente da República ao STF desde 1894.

    Entre o fim da votação no Senado e convocação da reunião entre os membros do governo, Lula e Messias se falaram por telefone. Além da preocupação com o estado emocional de Messias, aliados do presidente contam que ele costuma repetir que “não se deve tomar decisões a 39 graus de febre”.

    Por conta disso, qualquer reação é esperada para a semana que vem, após o feriado e a identificação dos responsáveis pela derrota.

    Ainda durante o encontro, a agenda do presidente com a programação para esta quinta-feira (30) foi publicada informando uma reunião com o Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, como primeiro compromisso do dia. Embora aliado de Hugo Motta (Republicanos-PB), Feliciano é um indicado do partido de Alcolumbre, o União Brasil.

    Na saída do Congresso, a caminho do Alvorada, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que o momento é de agir com inteligência, não com fígado. Ainda durante a sabatina, Guimarães esteve no Palácio da Alvorada para conversar com o presidente. No Congresso, chegou a dar como certa a aprovação do AGU com mais de 41 votos, o mínimo necessário.

    Com a rejeição de Messias, Guimarães enfrenta uma derrota em uma de suas principais missões desde que assumiu a chefia da articulação política do governo no lugar de Gleisi Hoffmann (PT).

    Durante a sabatina, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também visitou Lula. O presidente teria questionado ao senador como estaria o clima para a sabatina e para a aprovação, ao que Wagner informou que tudo corria bem.

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  • Rejeição de Messias implode relação entre Lula e Senado, e governistas discutem reação

    Rejeição de Messias implode relação entre Lula e Senado, e governistas discutem reação

    Setores no entorno do presidente avaliam declaração de guerra a Alcolumbre. outros grupos ponderam que governo federal ainda precisa aprovar projetos

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A derrota imposta pelo Senado ao presidente Lula (PT) com a rejeição da indicação de Jorge Messias como ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) despertou a fúria de governistas contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da Casa.

    Parte dos aliados de Lula falam em declaração de guerra entre o governo e a presidência do Senado. Uma das ideias defendidas nesse setor é uma ofensiva governista no Amapá, estado de Alcolumbre, para reduzir o poder de seu grupo político.

    Outra ala pondera que um rompimento não é viável porque o petista ainda precisa aprovar projetos no Congresso antes da eleição, como o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

    O consenso entre esses setores é que a relação entre o petista e Alcolumbre ficará péssima e sem confiança.

    Opositores avaliam que, com o resultado, o governo ficará irreversivelmente enfraquecido no Senado.

    Alcolumbre foi contra a indicação de Messias desde o fim do ano passado, quando o anúncio foi feito pelo governo. Ele queria que Lula tivesse escolhido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

    Logo no início da discussão, o presidente do Senado indicou nos bastidores que trabalharia contra o indicado e sugeriu a aliados a possibilidade de deixar a votação para depois da eleição presidencial.

    Nas últimas semanas, governistas avaliavam que a resistência de Alcolumbre havia arrefecido. A análise era de que ele não estava ajudando, mas havia parado de se esforçar pela rejeição.

    A interpretação não estava correta. Senadores relataram à Folha de S.Paulo que, em datas próximas à votação, Alcolumbre pediu a eles que se colocassem contra a nomeação de Messias como ministro do STF.

    Nos dias anteriores à votação, diversos senadores avaliavam que Messias corria o risco de ser rejeitado. Só o que poderia garantir uma aprovação, por esse raciocínio, seria um gesto de Alcolumbre em favor do indicado de Lula.

    Os ministros do STF são indicados pelo presidente da República, mas a nomeação só é concluída se houver aprovação pelo Senado. É necessário ao menos 41 votos favoráveis para um indicado ser aprovado.

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  • Celso de Mello chama rejeição de Messias de infeliz, grave e injustificável

    Celso de Mello chama rejeição de Messias de infeliz, grave e injustificável

    Ministro aposentado do STF vê motivação política do Senado e defende trajetória e reputação de AGU. Rejeição foi a primeira desde o século 19 e adiciona mais um capítulo à queda de braço entre governo e Congresso

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – “Lamento, profundamente, a grave e injustificável deliberação hoje adotada pelo Senado Federal”, afirmou o ministro aposentado e ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello, ao comentar a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga na corte.

    O indicado do presidente Lula (PT) no lugar de Luís Roberto Barroso, que renunciou em outubro de 2025, foi rejeitado por um placar de 42 votos a 34. Messias é o primeiro nome não aprovado em 132 anos, quando o Senado recusou indicação de Cândido Barata Ribeiro, escolhido pelo então presidente Floriano Peixoto, em 1894.

    Para Celso de Mello, o atual AGU possuía “estatura jurídica, a qualificação profissional e a trajetória pública” condizentes com a aprovação, além de cumprir os dois requisitos previstos na Constituição para investidura no cargo: notável saber jurídico e reputação ilibada. Messias é, para o ex-presidente do STF, um jurista “sério, preparado e experiente”.

    “A deliberação do Senado parece haver-se orientado por motivações de caráter marcadamente político, alheias à avaliação objetiva dos méritos pessoais, funcionais e jurídicos do indicado”, continua o ministro em texto enviado à Folha na noite desta quarta-feira (29).

    Ele reconhece, entretanto, que é prerrogativa do Senado aceitar ou rejeitar o nome indicado pelo presidente da República. Essa competência, afirma também, deve ser exercida com “espírito público, responsabilidade institucional e fidelidade aos parâmetros constitucionais”.

    A decisão da Casa revisora é mais um capítulo da queda de braço entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, que vota nesta quinta (30) a derrubada de vetos de Lula ao PL da Dosimetria e pode aumentar o desgaste do governo em ano eleitoral.

    Para Celso de Mello, não houve “causa legítima” que justificasse a rejeição pelo Senado, que “perdeu uma oportunidade” ao tomar uma decisão “infeliz”.

    Segundo ele, a rejeição do nome representa um momento em que a política está “dissociada da justiça e da razão institucional” e pode comprometer o funcionamento das instituições. “A história, estou certo, saberá distinguir entre a dignidade do indicado e a impropriedade da rejeição”, afirma.

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  • Alcolumbre deve enterrar CPI do Master em acordo com oposição por redução de pena de Bolsonaro

    Alcolumbre deve enterrar CPI do Master em acordo com oposição por redução de pena de Bolsonaro

    Presidente do Senado não pretende ler requerimento para investigar banco e deve colocar em pauta só redução de penas. Pedidos para investigar atuação do banco e relações de Vorcaro com autoridades foram engavetados por cúpula do Congresso

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve enterrar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Master e ignorar o requerimento da oposição para investigar os desvios no banco.

    Para a CPI sair do papel, a leitura é obrigatória na sessão do Congresso marcada para esta quinta-feira (30), a primeira desde o protocolo do requerimento. Alcolumbre, no entanto, quer evitar o tema e fez um acordo com a oposição para não haver contestações a essa decisão, segundo congressistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.

    Em troca, Alcolumbre pautou o veto ao projeto de lei da dosimetria, que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A tendência é que o veto seja derrubado pelo Congresso.

    Como a Folha de S.Paulo mostrou, Alcolumbre e o relator do projeto da dosimetria, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), empreenderam uma negociação com a oposição para que a votação do veto não implicasse na leitura do requerimento da CPI do Master.

    A cúpula do Congresso quer evitar a repercussão do caso Master, que pode expor a classe política ainda mais -parte dos líderes de partidos, deputados e senadores tinha relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, que se tornou uma figura pública altamente impopular.

    O acordo para analisar o veto da dosimetria sem a leitura da CPI foi selado quando Alcolumbre anunciou a sessão do Congresso há cerca de três semanas, junto com a sabatina e votação da indicação de Jorge Messias para a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que acabou rejeitada nesta quarta (29) pelo Senado.

    O governo Lula não deve fazer esforço para que a CPI do Master seja instalada, por entender que é uma pauta negativa, que mantém o tema da corrupção em debate e ofusca as entregas do governo -como a proposta de redução da jornada de trabalho e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

    O requerimento do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) para abertura de uma CPI mista, composta por deputados e senadores, foi protocolado em 3 de fevereiro com apoio de 281 parlamentares. O foco são as relações de ministros do STF com Daniel Vorcaro.

    Há também um pedido do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) na Câmara dos Deputados, que mira nos desvios do Master com o BRB (Banco de Brasília). Na Câmara, o requerimento está engavetado por enfrentar uma fila de pedidos de CPI protocolados anteriormente.

    O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também propôs uma CPI sobre o Master exclusiva no Senado ainda no ano passado, mas Alcolumbre tampouco fez a leitura desse requerimento. O parlamentar recorreu ao STF, e o caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, ainda sem decisão.

    Sem o andamento dessas CPIs específicas sobre o Master, parlamentares da base aliada e da oposição utilizaram outras duas comissões que estavam instaladas para acessar documentos, quebras de sigilo e relatórios de inteligência financeira envolvendo o banco de Vorcaro.

    No entanto, as CPIs dos desvios no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e do Crime Organizado foram encerradas sem prorrogação do prazo pelo presidente do Senado. Nos dois casos, não houve votação de um relatório final para a tomada de demais providências.

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  • “Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro”, diz Mendonça

    “Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro”, diz Mendonça

    André Mendonça lamentou a rejeição da indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF)

    O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi o primeiro integrante da Corte a se manifestar publicamente nesta quarta-feira (29) após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma ocupar uma vaga no STF.

    Em postagem nas redes sociais, Mendonça disse que respeita a decisão do Senado, mas pondera que o país perdeu a oportunidade de ter um “grande” ministro.

    “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais para ser ministro do STF”, declarou. 

    O ministro, que também pastor presbiteriano, citou uma referência bíblica para homenagear Messias.

    “Amigo verdadeiro não está presente nas festas. Está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate! Deus o abençoe! Deus abençoe nosso Brasil!”, completou.

    No início da noite, o plenário do Senado rejeitou a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que Messias assuma a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

    “Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro”, diz Mendonça

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  • Jorge Messias é rejeitado para vaga de ministro do STF

    Jorge Messias é rejeitado para vaga de ministro do STF

    De forma inédita, foi rejeita a indicação de Lula para vaga de ministro para o Supremo Tribunal Federal

    Nesta quarta-feira (29), o Senado rejeitou a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Atual Advogado-Geral da União foi indicado pelo presidente Lula para o STF e chegou a ter seu nome aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

    A indicação de Messias foi anunciada por Lula há cerca de cinco meses, mas a mensagem oficial com a indicação (MSF 7/2026) só chegou ao Senado no início de abril. Ele foi indicado pelo governo federal para assumir a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso.

    No plenário do Senado, Messias foi rejeitado por 42 votos a 34, sendo que o ministro precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta. A votação foi secreta.

    A derrota do indicado de Lula é a primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao Supremo.

    Com a rejeição, a mensagem com a indicação de Jorge Messias foi arquivada e o presidente Lula terá que enviar um novo nome para ocupar a vaga deixada por Luis Roberto Barroso no Supremo.

    A nova indicação precisará ser validado pelo Senado.

    Jorge Messias é rejeitado para vaga de ministro do STF

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  • CCJ do Senado aprova nome de Jorge Messias para o STF

    CCJ do Senado aprova nome de Jorge Messias para o STF

    Foram 16 votos favoráveis e 11 contrários pela indicação de Messias ao STF; indicação deve ser votada em plenário ainda hoje

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Foram 16 votos favoráveis e 11 contrários. Com a aprovação, a indicação segue para votação no plenário do Senado, onde precisa obter o voto favorável de pelo menos 41 dos 81 senadores.

    A CCJ aprovou ainda um pedido de urgência para a votação da indicação no plenário. De acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a indicação de Jorge Messias será levada para votação em plenário ainda hoje

    A sabatina do advogado-geral da União no colegiado teve início por volta das 9h. Pouco depois das 12h, o painel de votação foi aberto. A votação foi encerrada perto das 18h. Durante a sabatina, Messias respondeu a perguntas de senadores da base governista e da oposição. 

    A indicação de Jorge Messias foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de cinco meses, mas a mensagem oficial com a indicação (MSF 7/2026) só chegou ao Senado no início de abril. Ele foi indicado pelo governo federal para assumir a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso.

    CCJ do Senado aprova nome de Jorge Messias para o STF

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  • Messias diz que não tinha relação direta com Lula e nunca foi filiado ao PT

    Messias diz que não tinha relação direta com Lula e nunca foi filiado ao PT

    “Eu não tinha relação direta com o presidente Lula. Ele me escolheu por várias razões. Primeiro porque ele queria alguém de carreira comandando a AGU”, disse

    FOLHAPRESS – Ainda se concentrando em acenar para a oposição na sua sabatina, Jorge Messias afirmou que não tinha relação direta com o presidente Lula (PT) quando foi indicado advogado-geral da União pelo petista. Ele afirmou que teve seu nome sugerido a Lula por pessoas que conheceram seu trabalho, como Jaques Wagner e Aloizio Mercadante, ambos do PT.

    “Eu não tinha relação direta com o presidente Lula. Ele me escolheu por várias razões. Primeiro porque ele queria alguém de carreira comandando a AGU”, disse.

    “Eu nunca tive procuração pessoal do presidente Lula, nunca tive procuração pessoal do Partido dos Trabalhadores, nunca fui filiado. Sou um servidor do Estado brasileiro. Esse é o espírito que pretendo levar ao Supremo Tribunal Federal”, emendou.

    BANCO MASTER

    Sabatinado para uma vaga ao STF, Jorge Messias evitou responder especificamente sobre o caso do Banco Master, embora tenha defendido, de maneira geral, limites e um código de ética para a corte.

    O escândalo, que envolve ministros do STF, foi mencionado por diversos senadores. Na preparação para a sabatina, Messias foi aconselhado a ter cautela ao falar do assunto.

    Ao ser criticado por Jaime Bagattoli (PL-RO) pela falta de posição sobre o Master, Messias respondeu que a AGU não teve nenhuma participação nesse caso.

    “Não é da nossa competência, não participamos. Esse é um assunto afeto ao Banco Central e hoje à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal, com a participação da Procuradoria-Geral da República”, disse.

    Messias também foi questionado a respeito da prática de transformar laços familiares em ativos financeiros, em referência aos negócios mantidos por parentes de ministros diversos. O indicado respondeu que um magistrado não pode ter outras atividades econômicas e que não entrou no serviço público para enriquecer.

    JEJUM

    O jejum feito por Jorge Messias antes da sabatina é, provavelmente, um ato de sacrifício espiritual com o objetivo de se aproximar de Deus, afirma o apóstolo César Augusto, fundador da Igreja Fonte da Vida.

    “A pessoa fica mais livre no espírito para ter esse contato com Deus”, diz o religioso. Segundo ele, o jejum também é feito para alcançar uma graça. “Jorge Messias, por ser evangélico, deve ter feito jejum por um desses aspectos”.

    Evangélico, Messias também fez orações antes da sabatina desta quarta-feira (29). No discurso para os parlamentares, ele falou mais de vinte vezes sobre Deus e religião.

    Messias diz que não tinha relação direta com Lula e nunca foi filiado ao PT

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  • Messias diz que inquéritos precisam ter 'início, meio e fim' e chama Mendonça de 'irmão de fé'

    Messias diz que inquéritos precisam ter 'início, meio e fim' e chama Mendonça de 'irmão de fé'

    O indicado ao STF destacou sua relação com o ministro da corte André Mendonça; magistrado, que também é evangelico, fez articulação com senadores de oposição para arrefecer a resistência a Messias

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Questionado sobre o fim do inquérito das fake news, Jorge Messias defendeu que os processos precisam ter “início, meio e fim e prazo razoável”. Segundo ele, “ninguém pode ser investigado a vida inteira”.

    “Não posso antecipar voto, mas posso antecipar princípios. A duração razoável do processo é uma garantia constitucional de todo cidadão, porque a diferença disso é o inquérito eterno. O inquérito eterno é o arbítrio. O arbítrio é o que a democracia veio coibir”, disse.

    O indicado ao STF destacou ainda sua relação com o ministro da corte André Mendonça. O magistrado, que também é evangelico, fez articulação com senadores de oposição para arrefecer a resistência a Messias.

    O AGU afirmou que Mendonça é seu “irmão de fé” e que tem orgulho do apoio do ministro, classificado por ele como “um dos melhores” integrantes da Corte.
    Assim como Messias, o Mendonça enfrentou forte resistência de Alcolumbre, que presidia a CCJ em 2022 e segurou a indicação do atual ministro por mais de 4 meses.

    Atualmente presidente do Senado, Alcolumbre resiste a Messias e se tornou o principal obstáculo para o AGU chegar ao STF. O chefe do Legislativo preferia que o indicado para a Corte fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

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  • Entenda investigação da PF sobre entrada de malas de avião onde estavam Motta e Ciro Nogueira

    Entenda investigação da PF sobre entrada de malas de avião onde estavam Motta e Ciro Nogueira

    Voo com 16 passageiros e políticos é alvo de investigação após 5 bagagens passarem sem inspeção em São Paulo

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A Polícia Federal investiga a entrada no Brasil de cinco malas trazidas em um voo em que estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Como revelou a Folha, os volumes não passaram pelo raio-X ao chegar a São Paulo, quando um auditor fiscal autorizou que fossem liberados sem inspeção. O caso foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal).

    O presidente da Câmara confirmou a viagem, mas disse que “cumpriu todos os protocolos”, enquanto Ciro Nogueira não se manifestou.

    Entenda o que se sabe sobre o episódio.

    QUANDO OCORREU O CASO?

    Na noite do dia 20 de abril de 2025, no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho, em um avião particular.

    QUEM É O DONO DA AERONAVE PARTICULAR?

    O avião pertence ao empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger -popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”. Ele foi alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets.

    QUAIS POLÍTICOS ESTAVAM NO VOO?

    Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, a PF identificou a presença dos deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes de seus partidos na Câmara. Ao todo, o voo tinha 16 passageiros.

    O QUE ACONTECEU NO AEROPORTO, APÓS O RETORNO AO BRASIL?

    A aeronave chegou no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), na região metropolitana de Sorocaba, por volta das 21h.

    A PF relatou que, em um primeiro momento, o piloto José Jorge de Oliveira Júnior, comandante do voo e funcionário da empresa de Fernandin OIG, passou pelo detector de metais. Ele trocou algumas palavras com o auditor fiscal Marco Antônio Canella, retirou duas bagagens que haviam acabado de passar pelo raio-X e, contornando o pórtico, retornou à área restrita do desembarque.

    Segundo a PF, até 21h35 todas as bagagens haviam passado pela máquina de raio-X e todos os passageiros haviam sido submetidos à detecção de metais. Porém, por volta das 21h40, ainda de acordo com a polícia, o piloto retornou ao ponto de fiscalização carregando cinco volumes a mais, e nenhuma dessas malas passou pelo raio-X.

    COMO REAGIU O AUDITOR FISCAL?

    A operadora de raio-X do aeroporto teria questionado Marco Antônio Canella sobre o ocorrido. Segundo a corporação, ele gesticulou com as mãos “expressando banalidade e irrelevância”.

    QUEM É O AUDITOR FISCAL ENVOLVIDO NO CASO?

    Canella é um auditor lotado no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). Segundo a PF, ele já foi indiciado em outro processo sob suspeita dos crimes de corrupção passiva e facilitação de contrabando. A PF diz que sua atuação neste caso foi no mínimo irregular e deve ser apurada. Canella não respondeu às tentativas de contato da Folha de S. Paulo.

    A QUEM PERTENCEM OS VOLUMES QUE NÃO PASSARAM PELO RAIO-X?

    A PF diz que “não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo”. Por isso, segundo a corporação, não há como descartar “a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro nos delitos sob apuração”.

    O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS NO EPISÓDIO?

    Procurado pela Folha de S. Paulo, Motta confirmou que esteve no voo, mas disse que, ao desembarcar no aeroporto, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira”. A assessoria de imprensa do deputado também afirmou que ele aguardará a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

    Fernandin OIG afirmou que os itens pertenceriam ao comandante do voo e que o desembarque seguiu o processo normal. Já o piloto disse que não se lembra do dia da chegada, mas declarou que o processo aconteceu “em conformidade com as normas da legislação aduaneira vigente”.

    “Há um procedimento padrão: cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual”, afirmou Jorge Oliveira. “Sigo esse mesmo padrão, e cada piloto transporta apenas seus próprios itens, de modo que, em eventual fiscalização, responda exclusivamente pelo que carrega. Na empresa, é regra que nenhum membro da tripulação conduza pertences de passageiros, limitando-se aos seus”, continuou.

    Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões não se manifestaram.

    QUAIS CRIMES SÃO INVESTIGADOS PELA PF?

    O inquérito instaurado pela corporação apura os possíveis crimes de facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação.

    EM QUE FASE ESTÁ O CASO NA JUSTIÇA?

    Antes de chegar ao Supremo, o processo estava na 1ª Vara Federal de Sorocaba. A primeira movimentação no sistema naquela instância indica que ele foi distribuído em outubro de 2025. Em 18 de março, a juíza Carolina Castro Costa determinou o envio ao STF.

    A petição ao tribunal foi protocolada em 13 de abril. Em despacho de sexta-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes, sorteado relator, determinou que a PGR se manifeste sobre o processo em até cinco dias.

    Entenda investigação da PF sobre entrada de malas de avião onde estavam Motta e Ciro Nogueira

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