Categoria: POLÍTICA

  • Relação de Vorcaro com políticos arrasta nomes de direita e esquerda para escândalo do Banco Master

    Relação de Vorcaro com políticos arrasta nomes de direita e esquerda para escândalo do Banco Master

    Desde o ano passado, quando o banco foi liquidado, já foram citadas no caso, direta ou indiretamente, lideranças políticas dos dois lados, incluindo nomes do Congresso, governadores, ex-ministros e prefeitos -sem falar nos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O escândalo do Banco Master tem provocado intensa troca de ataques entre governistas e opositores, que se acusam de envolvimento com os negócios suspeitos de Daniel Vorcaro, preso novamente na última quarta-feira (4).

    Desde o ano passado, quando o banco foi liquidado, já foram citadas no caso, direta ou indiretamente, lideranças políticas dos dois lados, incluindo nomes do Congresso, governadores, ex-ministros e prefeitos -sem falar nos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

    A proposta de uma CPI sobre a instituição financeira foi apresentada, mas o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já indicou que não vai abrir a comissão.

    Veja o que já se sabe sobre as relações do banqueiro com líderes políticos e autoridades à direita e à esquerda:
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    NOMES LIGADOS A VORCARO

    ANTÔNIO RUEDA
    A quebra de sigilo do telefone de Vorcaro revelou que ele ofereceu carona de helicóptero para Antônio Rueda, presidente do União Brasil, durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, em 2024, e também para o presidente do PP, Ciro Nogueira. Rueda não se manifestou sobre o tema.

    CIRO NOGUEIRA
    Vorcaro se referiu ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como “grande amigo de vida” em mensagem de celular. O parlamentar apresentou em 2024 no Congresso uma proposta que foi apelidada de “emenda Master”. Ela aumentaria a garantia de cobertura de correntistas no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em caso de liquidação da instituição financeira.
    O senador diz que “não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”.

    CLÁUDIO CASTRO
    O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi arrastado para o escândalo com a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, relativa a suspeitas no fundo de previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência, que aplicou recursos no Master.

    O TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) também instaurou apuração sobre os investimentos da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) no banco.

    Em janeiro, o governador exonerou Deivis Marcon Antunes, então diretor-presidente do Rioprevidência, disse que o governo realiza procedimento interno para apurar os fatos e que a intenção é reforçar o “compromisso com a proteção do patrimônio previdenciário do funcionalismo”.

    DAVI ALCOLUMBRE
    O dono do Banco Master disse em mensagens que teve uma reunião na residência oficial do Senado em agosto passado, sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

    Além disso, as investigações sobre o Master têm como um dos alvos Jocildo Silva Lemos, que dirigiu a Amprev (Amapá Previdência). Lemos foi nomeado para a instituição em 2023 pelo governador Clécio Luís (União Brasil), mas foi indicado por Alcolumbre, de quem foi tesoureiro na campanha das eleições de 2022.

    A Polícia Federal apura investimentos realizados pela autarquia estadual em letras financeiras emitidas pelo Master, com acusações de gestão temerária. Documentos mostram que, em menos de 20 dias, foram aprovadas e executadas três aplicações sucessivas, que totalizam quase R$ 400 milhões.
    Alcolumbre foi procurado por meio da assessoria, mas não se manifestou sobre o caso.

    GUIDO MANTEGA
    Ministro da Fazenda de 2006 a 2014 (governos Lula e Dilma Rousseff), Mantega foi contratado para ser consultor do Master. Segundo o próprio Lula afirmou, foi o ex-ministro quem intermediou um encontro entre o presidente e Vorcaro em 2024, no Palácio do Planalto.

    IBANEIS ROCHA
    Em março de 2025, o BRB (Banco de Brasília), vinculado ao Governo do Distrito Federal, anunciou a aquisição de 58% das ações do Master. A iniciativa acabou na mira de órgãos de controle, e, em novembro, foi deflagrada operação da PF para apurar a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas à instituição do DF.
    Vorcaro já afirmou ter discutido a compra do banco com Ibaneis Rocha (MDB), que confirmou ter se encontrado com o empresário, mas disse não ter debatido o tema.

    JAIR BOLSONARO
    O ex-presidente teve como maior doador na eleição de 2022 o pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que deu R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro.

    Zettel foi preso na última quarta-feira. Segundo a PF, ele integrava grupo de Vorcaro responsável por intimidar adversários e pessoas ligadas às investigações.

    O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou a importância do repasse, durante entrevista à GloboNews: “Todo mundo doa, esse pessoal doa pela força e pelo prestígio do Bolsonaro.”

    JAQUES WAGNER
    Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do Banco Master depois que o ex-ministro do STF deixou a corte.

    Além disso, o parlamentar era secretário de Desenvolvimento Econômico na Bahia quando conduziu a privatização da estatal Ebal. A partir de um dos ativos vendidos, Augusto Lima, que foi sócio do Master, criou o Credcesta, um cartão de benefício consignado usado pelo banco. Lima e Wagner se tornaram amigos.
    O senador tem afirmado que a privatização foi um bom negócio para a Bahia.

    JOÃO CARLOS BACELAR
    O deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) foi o elo que levou o caso Master ao Supremo, ainda em 2025. O parlamentar aparece em documento apreendido com Vorcaro sobre um negócio imobiliário em Trancoso, na Bahia.

    Segundo o deputado, o documento fazia referência à criação de um fundo destinado à construção do empreendimento.

    Vorcaro teria demonstrado interesse na aquisição de parte do projeto, mas a transação não avançou, de acordo com o deputado.

    JOÃO HENRIQUE CALDAS
    Há investigação em Maceió (AL), capital administrada por João Henrique Caldas (PL), em razão de aplicação, feita pelo instituto de previdência local, de R$ 97 milhões em letras financeiras do Master. O Maceió Previdência afirma que os investimentos são regulares e que, à época, o Master estava habilitado no Banco Central e no Ministério da Previdência.

    O Ministério Público também faz investigação em outras cidades, como Aparecida de Goiânia (GO). O fundo do município aplicou R$ 40 milhões no Master. A Folha de S.Paulo tentou contato com a prefeitura, de Leandro Vilela (MDB), e com o fundo, mas não teve retorno.

    LULA
    O presidente da República se encontrou com Vorcaro fora de sua agenda oficial em dezembro de 2024, antes de as acusações contra o banco virem a público.

    O mandatário justificou o encontro dizendo receber todos os bancos no mandato, sendo a reunião um pedido do ex-ministro Guido Mantega. Também afirmou que convidou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para a reunião.

    Segundo o presidente, na ocasião da conversa entre eles, o banqueiro disse que estava sendo alvo de “perseguição” e que “tinha gente interessada” em derrubá-lo.

    “O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa”, disse Lula, em entrevista em fevereiro.

    Em mensagens trocadas com a sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro elogiou a reunião: “Foi ótimo”.

    O dono do Master esteve outras vezes no Planalto. Há ao menos três registros de entrada do banqueiro na portaria da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo.

    NIKOLAS FERREIRA

    O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou um jatinho ligado a Vorcaro para fazer campanha pelo então presidente Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022. O avião passou por todas as capitais nordestinas e por cidades do interior mineiro entre 20 e 28 de outubro de 2022.

    Nikolas afirmou que não sabia quem era o dono da aeronave e que, naquela época, não existia suspeita sobre Vorcaro.

    RICARDO LEWANDOWSKI

    Ricardo Lewandowski prestou serviços ao banco, segundo ele, no hiato entre deixar o Supremo, em 2023, e virar ministro da Justiça de Lula, em 2024. Porém seu escritório de advocacia, a cargo da esposa e um filho, seguiu prestando serviços ao Master até agosto de 2025. O Ministério da Justiça é o responsável pela Polícia Federal, que investiga o banco.

    Na época em que a informação foi revelada, Lewandowski afirmou que, ao ser convidado para assumir a pasta de Lula, “retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”.

    ROBERTO CAMPOS NETO

    Foi na gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto que o Banco Master foi criado e cresceu em meio a fraudes, fato usado pela oposição para atrelar o escândalo a Bolsonaro, presidente que indicou Campos Neto para o cargo.

    O ex-presidente do BC nega inércia no caso e argumenta que a autoridade monetária fez alertas ao Master para que ajustasse as condutas às regras vigentes.

    Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados na casa do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, que cumpriu a função entre 2019 e 2023, na gestão Campos Neto. O ministro André Mendonça afirmou, ao autorizar os mandados, que Souza atuou como uma “espécie de empregado/consultor” de Vorcaro.

    RUI COSTA
    O nome de Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil, aparece na teia de relações do Banco Master porque o Credcesta, benefício consignado usado pelo banco, teve contrato de exclusividade de 15 anos durante a gestão do petista na Bahia, o que beneficiou o produto.

    O Credcesta se expandiu pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024. Agora, o benefício está envolto em acusações de irregularidade.

    TARCÍSIO DE FREITAS

    Fabiano Zettel também foi o maior doador da campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Zettel repassou R$ 2 milhões para a candidatura de Tarcísio.

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  • Conselheiro de Trump próximo a Eduardo Bolsonaro deve vir ao Brasil de olho nas eleições

    Conselheiro de Trump próximo a Eduardo Bolsonaro deve vir ao Brasil de olho nas eleições

    Darren Beattie terá agenda com o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro e deve discutir liberdade de expressão, minerais críticos e crime organizado; americano é crítico contumaz do governo Lula e do ministro do STF Alexandre de Moraes

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – O conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, Darren Beattie, deve viajar ao país na próxima semana para uma agenda que inclui reunião com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e compromissos voltados a acompanhar temas ligados ao processo eleitoral brasileiro.

    A informação foi confirmada por fontes ligadas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Crítico do governo Lula e do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Beattie pretende entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro. Esta será a primeira viagem dele ao Brasil como conselheiro do governo de Donald Trump.

    O americano mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro e com o influenciador Paulo Figueiredo. Aliados do bolsonarismo nos Estados Unidos, eles têm intensificado pedidos para que a comunidade internacional acompanhe o processo eleitoral brasileiro. A mobilização ocorre após o governo Trump recuar da aplicação de sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky.

    Beattie também vai tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre “fake news” e milícias digitais conduzidos pelo STF. Ele ainda deve ter uma ampla agenda com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a partir de junho será comandado por indicados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o ministro Kássio Nunes Marques na presidência e André Mendonça como vice.

    A confirmação do americano ao posto de Conselheiro Sênior de Política para o Brasil aconteceu no fim de fevereiro. O conselheiro americano já chamou Moraes de “principal arquiteto do complexo de censura e perseguição contra o (ex-presidente brasileiro Jair) Bolsonaro”. Após a imposição de sanções da Lei Magnitsky sobre Moraes, Eduardo Bolsonaro agradeceu a Beattie por seus esforços em uma publicação no X. O americano também é secretário assistente interino para assuntos culturais no departamento.

    Darren deve passar por Brasília e São Paulo. Na capital paulista, vai participar de um evento sobre minerais críticos. O governo americano vem negociando acordos de fornecimento preferencial desse tipo de recurso com diversos países.

    O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, tem resistido a acordos de exclusividade e busca contrapartidas em investimentos para o processamento local dos minérios -o Departamento do Estado já afirmou que os EUA têm interesse no processamentos das matérias-primas.

    Outro assunto que deve permear a primeira viagem de Beattie ao Brasil é o crime organizado. Como uma reportagem do UOL mostrou, os Estados Unidos devem declarar as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas nos próximos dias, decisão que contraria os esforços do governo brasileiro.

    O governo Lula entregou uma proposta de combate ao crime organizado no fim do ano passado para o Departamento do Estado, porém, segundo fontes próximas ao Departamento do Estado, a pasta considerou a proposta inadequada por, entre outros motivos, não conter a declaração de facções como grupos terroristas.

    Em fevereiro do ano passado, o governo americano designou facções do narcotráfico como a venezuelana Tren de Aragua e a mexicana Cartel de Sinaloa como “organizações terroristas estrangeiras”. Depois da designação, o governo Trump começou a atacar embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, afirmando que as tripulações eram compostas de “narcoterroristas”.

    Lula tenta planejar uma visita a Trump, em Washington -o próprio presidente brasileiro já havia anunciado essa intenção para meados de março. Porém, como uma reportagem da Folha de S. Paulo mostrou, com o início da guerra no Irã, o encontro pode ser adiado para abril. Lula já sinalizou que deve usar a reunião com o republicano para debater questões de segurança.

    Conselheiro de Trump próximo a Eduardo Bolsonaro deve vir ao Brasil de olho nas eleições

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  • Haddad deixa Fazenda na semana que vem para disputar Governo de SP

    Haddad deixa Fazenda na semana que vem para disputar Governo de SP

    Colaboradores, antes hesitantes, já dão como certo lançamento da candidatura do ministro Fernando Haddad ao governo de São Paulo; após descanso, petista se dedicará à montagem da chapa para Palácio dos Bandeirantes

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o governo Lula (PT) na semana que vem para concorrer ao Governo de São Paulo. Antes duvidosos sobre a disposição do ministro para a disputa, colaboradores diretos de Haddad já dão como certa sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

    A data da saída foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem.

    O ministro deverá dar uma pausa antes de se lançar oficialmente candidato ao governo. Uma de suas tarefas será a montagem de seu palanque. Haddad costuma dizer a aliados que o vice tem de ser da confiança do cabeça de chapa.

    Já no fim do mês passado, Haddad admitiu a aliados a hipótese de disputar o Governo de São Paulo. Ele teve um jantar com Lula para a discutir seu futuro político. Semanas antes, teve um café reservado com o presidente em São Paulo.

    Lula dizia a políticos próximos que a candidatura do ministro da Fazenda estava encaminhada. O presidente do PT, Edinho Silva, também repetia esse diagnóstico em suas conversas.

    Já os auxiliares do ministro mostravam-se incertos. Essa dúvida, no entanto, não existe mais. O mais provável é que as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) sejam candidatas ao Senado por São Paulo, na chapa de Haddad.

    As duas deverão mudar de partido para concorrer. A tendência é que Marina migre da Rede para o PT e Tebet, do MDB para o PSB. No caso da ministra do Planejamento, ela também terá de mudar seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.

    Haddad resistia, reclamando, em conversas, de um cansaço após batalhas travadas para aprovação no Congresso de medidas econômicas e de um desgaste provocado por integrantes do póprio partido, críticos à política de austeridade adotada por ele.

    O ministro também manifestava o desejo de se dedicar à vida acadêmica. Aliados apontavam ainda um receio de acumular mais uma derrota em sua trajetória em São Paulo, dado o favoritismo do governador nas pesquisas.

    Mas, segundo aliados, Lula defendia a importância de uma candidatura que lhe garanta um palanque sólido no maior colégio eleitoral do país. Na opinião de aliados do presidente, seria indispensável forçar ao menos um segundo turno na disputa paulista para ajudar na nacional. A ideia é ter um aliado popular fazendo campanha para o presidente em São Paulo até a votação decisiva, em 25 de outubro.

    Haddad, por sua vez, apostava na conversão de ações do governo em voto a ponto de dispensá-lo da missão.

    A ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de opinião, no entanto, levou o ministro a repensar a própria escolha. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no sábado (7), o senador fluminense se aproxima de Lula nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do petista.

    Pesa ainda o fato de Haddad ser, no campo de esquerda, o mais bem posicionado para a disputa paulista, como mostra o mais recente Datafolha.

    Quando a pergunta é sobre grau de conhecimento dos candidatos, o ministro da Fazenda está empatado, na margem de erro, com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Exatamente a metade (50%) disse conhecer bem Haddad e 47% responderam o mesmo sobre Tarcísio.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), quatro vezes governador de São Paulo, é conhecido muito bem por 54% e a ministra Simone Tebet (MDB), que é de Mato Grosso do Sul, por 22%.

    No cenário estimulado com cinco nomes, Tarcísio lidera com 44% das intenções de voto. Ele é seguido por Haddad, com 31%, pelo ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), com 5%, pelo deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil), com 5%, e pelo comentarista Felipe D’Avila (Novo), com 3%.

    Haddad deixa Fazenda na semana que vem para disputar Governo de SP

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  • CPMI do INSS: convocados não comparecem e depoimentos são adiados

    CPMI do INSS: convocados não comparecem e depoimentos são adiados

    Leila Mejdalani Pereira, Artur Ildefonso Azevedo, e Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção informaram, por motivos diversos, que não compareceriam a sessão desta segunda-feira (9); presidente da comissão ameaça usar condução coercitiva

    Os três depoimentos previstos para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foram cancelados. Os depoentes: Leila Mejdalani Pereira, presidente do Banco Crefisa; Artur Ildefonso Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção informaram, por motivos diversos, que não compareceriam.

    Com isso, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu fazer uma reunião de debates entre os integrantes da comissão e disse que poderá determinar condução coercitiva.

    À Comissão, as defesas de Leila e de Artur argumentaram que os clientes não compareceriam por entenderem que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também se estenderia aos requerimentos de convocação.

    No entendimento da defesa, a decisão de Dino se aplica a todos os requerimentos aprovados, inclusive os de convocação. No entanto, o presidente da CPMI disse que a decisão de Dino só vale para a quebra de sigilo e remarcou o depoimento de Leila e de Artur para a próxima quinta-feira (12).

    Já o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, esteve na CPMI na quinta-feira da semana passada, quando a reunião foi cancelada por motivos de saúde do relator Alfredo Gaspar (União-AL).

    Nesta segunda-feira, a justificativa da ausência de Assumpção foram exames médicos marcados anteriormente para hoje. A nova oitiva foi reagendada para o dia 23.

    Se não for prorrogada, a CPMI deve ser encerrada no dia 26 de março. A previsão é que a leitura do relatório final do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) seja feita dia 23 de março.

    CPMI do INSS: convocados não comparecem e depoimentos são adiados

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  • Lula: se a gente não preparar a defesa, qualquer dia alguém invade

    Lula: se a gente não preparar a defesa, qualquer dia alguém invade

    “Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, disse Lula sobre artigos militares para autodefesa

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neta segunda-feira (9) ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que os dois países devem focar na autonomia e no fortalecimento, por meio da produção de artigos militares para autodefesa.

    “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, disse Lula, ao receber Ramaphosa no Palácio do Planalto, em Brasília.

    “Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, pontuou.

    O presidente brasileiro defendeu que os dois países do Sul Global articulem uma parceria estratégica para se tornarem um mercado relevante para a indústria de defesa.

    A declaração de Lula foi dada após assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, de comércio exterior e da indústria, no Palácio do Planalto. A visita do presidente sul-africano ao Brasil vai até esta terça (10).

    Lula também reiterou o perfil pacífico da América do Sul e que as tecnologias têm uso civil.

    “Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não para a guerra.”

    Preço do petróleo

    Lula também manifestou sua “profunda preocupação” com a escalada de conflito no Oriente Médio que, segundo o presidente, representam uma grave ameaça à paz e à segurança internacional. “O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura.”

    O presidente Lula afirmou que, por conta da guerra contra o Irã, o preço do petróleo já vem subindo em quase todo mundo e deve encarecer ainda mais..

    Lula destacou também os impactos humanitário e econômico do conflito iniciado em 28 de fevereiro, após os Estados Unidos e Israel atacarem de forma coordenada o Irã. Os bombardeios matarem o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei e quase duas centenas de pessoas em Teerã.

    “Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos mais severos dessas crises”, declarou  Lula.

    Terras raras

    Durante a declaração à imprensa, o mandatário brasileiro explicou que o Brasil tem potencial para exploração de minerais críticos considerados essenciais para a transição energética e digital em curso.

    O presidente Lula disse ainda ao presidente da África do Sul que é preciso repensar o papel da exploração dos recursos naturais nos territórios.

    “Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito por minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro.”

    Para o presidente Lula o caminho é o fortalecimento das cadeias produtivas da mineração dos dois países, a partir do conhecimento do potencial mineral das duas nações.

    “Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar? Quando a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”, questionou.

    Lula enfatiza que não é questão de tomada de decisão política, mas que é preciso tirar proveito da exploração de minerais críticos para melhorar as condições de vida da população.

    Democracia

    O presidente Lula confirmou que em 18 de abril estará em Barcelona (ES) a convite do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, para quarta reunião Em defesa da Democracia.

    “Queremos aproximar nossos países nos temas de regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a valorização das fontes de informação de qualidade, incluindo tantas políticas domésticas quanto a articulação para fortalecer essa agenda no ambiente multilateral.”

    Por fim, Lula enfatizou que o Brasil e a África do Sul compartilham a convicção de que o Sul Global deve ter voz ativa nas grandes decisões internacionais.

    Lula: se a gente não preparar a defesa, qualquer dia alguém invade

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  • Pesquisa: 9 em cada 10 brasileiros não se arrependeram de votar em Lula ou Bolsonaro em 2022

    Pesquisa: 9 em cada 10 brasileiros não se arrependeram de votar em Lula ou Bolsonaro em 2022

    pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado, 7, mostra que nove em cada dez brasileiros dizem não se arrepender de terem votado no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022

    A menos de sete meses das eleições presidenciais de 2026, a maioria dos eleitores brasileiros diz não se arrepender do voto no último pleito, em 2022. A nova pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado, 7, mostra que nove em cada dez brasileiros dizem não se arrepender de terem votado no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) naquele ano.

    Nestas eleições, Lula venceu Bolsonaro em uma disputa acirrada, com 50,9% dos votos no segundo turno, contra 49,1% do adversário.

    Os entrevistados foram questionados pela pesquisa se há arrependimento ou não no voto para presidente em 2022. Do total, 90% dizem que não se arrependem da escolha na urna. Outros 10% afirmam o contrário.

    O levantamento também questionou especificamente quem votou em cada candidato, e os resultados foram semelhantes entre Lula e Bolsonaro.

    Separando a pesquisa pelos que votaram em cada candidato, 89% dos eleitores de Lula dizem não se arrepender do voto, enquanto 11% afirmam que se arrependeram e 1% não soube responder. Já entre os eleitores de Bolsonaro, 91% responderam que não se arrependem da escolha, ao passo que 8% afirmaram ter se arrependido. Outros 1% não souberam responder.

    O Datafolha entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 3 a 5 de março. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03715/2026.

    No pleito deste ano, Lula pretende disputar a reeleição, e irá concorrer a um quarto mandato. Seu maior adversário nas urnas deve ser o filho do ex-presidente Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que já se lançou como pré-candidato à presidência.

    Por decisão do TSE, Bolsonaro está inelegível por oito anos após a Justiça Eleitoral entender que ele cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao realizar, em julho de 2022, uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para questionar o sistema eleitoral brasileiro.

    Pesquisa: 9 em cada 10 brasileiros não se arrependeram de votar em Lula ou Bolsonaro em 2022

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  • Senador obtém assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master

    Senador obtém assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master

    Senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, recolheu as 27 assinaturas e vai apresentar pedido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem dito não querer investigar tentáculos de Daniel Vorcaro

    O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que reuniu, nesta segunda-feira, 9, o número mínimo de assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as condutas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no escândalo do Banco Master. São necessários 27 apoiamentos para protocolar o texto e, até a tarde desta segunda, já eram 29 assinaturas.

    Mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele mantinha conversas com Moraes. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, de Vorcaro.

    O senador diz que continuará a coleta dos apoios para protocolar o pedido quando tiver um “número mais seguro”.

    “Sem condenação antecipada, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, disse Vieira. “O Brasil só será uma verdadeira República democrática quando todos estiverem submetidos ao mesmo rigor da lei.”

    A oposição no Senado Federal é quem move a linha de frente contra os dois ministros do Supremo. Apesar disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, só assinou o requerimento depois que os 27 apoiamentos mínimos já haviam sido obtidos. A assinatura de Flávio foi a 29ª da lista. Flávio vinha sendo cobrado, sobretudo nas redes sociais, para que prestasse seu apoio ao requerimento.

    Nesta mesma segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) irá protocolar pedido de impeachment contra Moraes.

    Será o décimo pedido de impeachment de ministro do STF protocolado no Senado apenas neste ano. Moraes já foi alvo de um desses requerimentos, baseado na revelação do jornal O Globo sobre a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes.

    No dia seguinte deverá haver o décimo primeiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que irá protocolar outro pedido na terça-feira, 10.

    Os outros oito pedidos já protocolados no período pedem o impeachment de Dias Toffoli, também com acusações sobre a proximidade do ministro e o banco de Vorcaro.

    Segundo a lei brasileira, os pedidos de impeachments de ministros são analisados pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinar a abertura ou não do processo.

    Dados extraídos do celular de Vorcaro revelam que ele prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

    Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou o tema à organização do fórum.

    Para manter o sigilo, Vorcaro e Moraes usavam o recurso de visualização única. Por essa razão, as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas do dono do Master permaneceram acessíveis no histórico do aparelho celular do banqueiro.

    Veja quem assinou a lista pedindo a CPI:

    Alessandro Vieira (MDB-SE)

    Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)

    Eduardo Girão (Novo-CE)

    Magno Malta (PL-ES)

    Luis Carlos Heinze (PP-RS)

    Sergio Moro (União-PR)

    Esperidião Amin (PP-SC)

    Carlos portinho (PL-RJ)

    Styvenson Valentim (PSDB-RN)

    Marcio Bittar (PL-AC)

    Plínio Valério (PSDB-AM)

    Jaime Bagattoli (PL-RO)

    Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)

    Damares Alves (Republicanos-DF)

    Cleitinho (Republicanos-MG)

    Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

    Vanderlan Cardoso (PSD-GO)

    Jorge Kajuru (PSB-GO)

    Margareth BUzetti (PP-MT)

    Alan Rick (Republicanos-AC)

    Wilder Morais (PL-GO)

    Izalci Lucas (PL-DF)

    Mara Gabrilli (PSD-SP)

    Marcos do Val (Podemos-ES)

    Rogério Marinho (PL-RN)

    Flávio Arns (PSB-PR)

    Laércio Oliveira (PP-SE)

    Dr. Hian (PP-RR)

    Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

    Senador obtém assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master

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  • Panamá deporta ex-ministro Franklin Martins e depois pede desculpas

    Panamá deporta ex-ministro Franklin Martins e depois pede desculpas

    Agentes panamenhos o interrogaram, fotografaram e coletaram impressões digitais, colocando-o depois em um voo de volta para o Rio de Janeiro. Franklin atribuiu o incidente à sua prisão durante a ditadura militar e à colaboração intensa entre os governos panamenho e americano

    (CBS NEWS) – O governo do Panamá reteve e depois deportou para o Brasil, na última sexta-feira (6), o jornalista e ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social) Franklin Martins, quando este fazia uma escala com destino à Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário.

    Agentes panamenhos o interrogaram, fotografaram e coletaram impressões digitais, colocando-o depois em um voo de volta para o Rio de Janeiro. Franklin atribuiu o incidente à sua prisão durante a ditadura militar e à colaboração intensa entre os governos panamenho e americano.

    O governo brasileiro pediu explicações à chancelaria panamenha, que no domingo (8) emitiu um pedido formal de desculpas. “O sr. Franklin de Souza Martins será sempre bem-vindo ao Panamá e teremos o prazer de recebê-lo em nosso país”, diz a mensagem.

    Em relato enviado ao Itamaraty, Franklin afirma ter sido abordado no desembarque do aeroporto por dois policiais à paisana e conduzido até uma sala de interrogatório. Lá pediram que ele preenchesse dados pessoais e perguntaram se já havia sido preso.

    “[O policial] deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela -e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, diz o relato.

    Franklin foi detido no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna (SP), em 1968. Depois, integrou grupo guerrilheiro que participou do sequestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, trocado por presos políticos da ditadura militar.

    O ex-ministro relata que perguntou o motivo da prisão aos agentes panamenhos, e que estes teriam citado a Lei de Migração de 2008, que proíbe conexões via Panamá a passageiros que tenham cometido crimes graves, entre eles sequestros.

    Ele diz ter sido levado para outra sala, ao lado do guichê de imigração, onde foi fotografado de frente e de perfil e teve as impressões digitais coletadas.

    “Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hambúrguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os ‘retenidos’”, diz o relato.

    Franklin foi colocado em um voo para o Rio de Janeiro por volta das 14h. No Brasil, recebeu de volta o passaporte.

    Em resposta à consulta feita pela Folha de S.Paulo, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o ministro Mauro Vieira entrou em contato com o chanceler do Panamá e este mandou mensagem pedindo desculpas e dizendo que Franklin Martins é bem-vindo naquele país.

    “Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação, que ocorreu no âmbito da aplicação estritamente administrativa dos procedimentos automáticos de imigração”, diz a mensagem do chanceler panamenho.

    “Ao mesmo tempo, desejamos transmitir que o sr. Franklin de Souza Martins será sempre bem-vindo ao Panamá e teremos o prazer de recebê-lo em nosso país em uma data que ele julgar conveniente, em um espírito de respeito, amizade e consideração por sua carreira pessoal e profissional.”

    Veja abaixo o relato enviado pelo ex-ministro Franklin Martins ao Itamaraty e o pedido de desculpas do governo panamenho
    *
    RELATO DO EX-MINISTRO FRANKLIN MARTINS 

    “No dia 6 de março de 2026, pouco depois da 01:00 h da madrugada, deixei o aeroporto do Galeão a bordo de um avião da Copa Airlines. Meu destino final era a Cidade da Guatemala, onde participaria durante três dias de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar. No trajeto, faria uma conexão na Cidade do Panamá.

    Lá chegamos por volta das 06:00 da manhã. O voo para a capital da Guatemala deveria sair duas horas e meia depois. Ao desembarcar do avião, no final do ‘finger’ que dava para a entrada da área internacional do aeroporto, dois policiais à paisana pediam aos passageiros seus passaportes, que eram examinados rapidamente e devolvidos. Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo.

    Levou-me até as dependências de uma área fechada, ainda na parte internacional do aeroporto, que não possuía qualquer identificação. Ao chegarmos, pediu que eu me sentasse numa cadeira em frente à mesa e dirigiu-se à sala ao lado. Falou com alguém e voltou em poucos minutos. Os dois ambientes eram separados por uma grande parede de vidro. Através dela, os chefes dos interrogadores e outros policiais, sem serem vistos pelo interrogado, poderiam acompanhar tudo que estava acontecendo e sendo dito na sala ao lado.

    O agente pediu-me que preenchesse um documento com meus dados (nome, profissão, idade, endereço, motivo da viagem, se já tinha sido preso, motivo da prisão etc). Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações. E começou a fazer perguntas que, de um modo geral, apenas repetiam o que já estava informado no documento que eu havia preenchido. Pediu-me provas de que eu iria participar de um seminário numa universidade da Guatemala. Mostrei-lhe a programação, que ele fotografou. Tirou fotos minhas também e colheu minhas impressões digitais três vezes.

    Visivelmente, o policial estava querendo ganhar tempo. Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas. Depois de mais algumas perguntas sem importância, pediu-me que aguardasse. Entrou na sala ao lado, separada da dependência em que estávamos pela grande parede de vidro. E não voltou mais.

    Depois de uns 20 minutos sozinho na sala, preocupado com a possibilidade de perder o voo do Panamá para a Guatemala, que sairia às oito e pouco da manhã, bati na porta várias vezes. Não responderam. Pouco depois, outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso.
    Pedi então que eles entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou me permitissem fazer uma ligação telefônica para nossa representação diplomática. O policial respondeu que não fariam isso. Alegou que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva das autoridades panamenhas.

    Por volta das 10:00hs da manhã, deixei a sala acompanhado por dois policiais – sem identificação, mas provavelmente integrantes da Policía Nacional – e fui levado para o andar de baixo, sendo confinado numa sala de Migración de Panamá, ao lado dos guichês de controle dos passaportes dos viajantes. Lá fiquei por mais quatro horas sem qualquer explicação. Novamente, fui fotografado de frente e perfil. Colheram por duas vezes minhas impressões digitais.

    Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hamburguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os “retenidos”. Voltaram a falar na Lei de 2008, mas deixaram escapar que sua aplicação havia se tornado mais rígida depois de decretos recentes do governo. Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança.

    Pouco depois das 14:00hs, outro funcionário da Migración, levando meu passaporte e a passagem da Copa Airlines da Cidade do Panamá para o Rio de Janeiro, acompanhou-me até o portão de embarque. O documento foi entregue à chefe dos comissários de bordo, com a determinação de que só me fosse devolvido no Rio. Ao chegarmos na Cidade Maravilhosa, a aeromoça entregou-o a uma funcionária brasileira da Copa Airlines, que me acompanhou até a sala da Polícia Federal ao lado dos guichês de controle dos passaportes. Em um minuto, recebi de volta o documento.

    Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo.

    Será que quem lutou contra a ditadura militar no Brasil e, em algum momento, foi condenado pelos tribunais militares daquela época, não deve ser alertado se for visitar o Panamá ou mesmo fazer uma conexão para outro país? Não seria o caso do governo brasileiro, através de seus representantes diplomáticos, conversar sobre esses abusos com as autoridades panamenhas?”

    PEDIDO DE DESCULPAS DO GOVERNO DO PANAMÁ

    Sua Excelência
    Mauro Viera
    Saudações cordiais.

    Escrevo-lhe em relação ao recente incidente ocorrido no Aeroporto Internacional de Tocumen, envolvendo o cidadão brasileiro Franklin de Souza Martins, que estava em trânsito para a Guatemala e teve sua entrada negada devido à aplicação automática de procedimentos de imigração com base em informações dos sistemas automatizados de alerta utilizados pelas nossas autoridades.

    Após analisar o incidente, gostaria de expressar que este evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo sr. de Souza Martins, nem por sua distinta trajetória pública como jornalista e servidor público no Brasil durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação, que ocorreu no âmbito da aplicação estritamente administrativa dos procedimentos automáticos de imigração.

    Ao mesmo tempo, desejamos transmitir que o sr. Franklin de Souza Martins será sempre bem-vindo ao Panamá e teremos o prazer de recebê-lo em nosso país em uma data que ele julgar conveniente, em um espírito de respeito, amizade e consideração por sua carreira pessoal e profissional.

    Aproveito esta oportunidade para reiterar o profundo apreço do Panamá pela República Federativa do Brasil e por sua distinta liderança diplomática. As relações entre nossos dois países são excelentes, caracterizadas por estreita cooperação, diálogo político fluido e sincera amizade entre nossos governos e entre os presidentes de ambas as nações.

    Reiterando os meus mais altos e distintos cumprimentos, envio-lhe minhas mais cordiais saudações.

    Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez
    Ministro das Relações Exteriores
    República do Panamá

    Panamá deporta ex-ministro Franklin Martins e depois pede desculpas

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  • Defesa de Vorcaro pede ao STF que conversa com banqueiro na prisão não seja gravada

    Defesa de Vorcaro pede ao STF que conversa com banqueiro na prisão não seja gravada

    Segundo nota divulgada pelos advogados, a defesa protocolou um pedido solicitando providências para garantir o pleno exercício do direito de defesa durante o período de custódia do empresário na Penitenciária Federal de Brasília

    A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as conversas entre o banqueiro e seus advogados no presídio não sejam gravadas.

    Vorcaro está detido na Penitenciária Federal de Brasília, que integra o Complexo da Papuda. No local, ele cumpre prisão preventiva determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, para evitar possível obstrução das investigações sobre fraudes supostamente cometidas por ele e por seus aliados.

    Segundo nota divulgada pelos advogados, a defesa protocolou um pedido solicitando providências para garantir o pleno exercício do direito de defesa durante o período de custódia do empresário na Penitenciária Federal de Brasília.

    “Diante desse cenário, a defesa requereu ao Supremo Tribunal Federal que seja garantida a realização de visitas dos advogados regularmente constituídos sem qualquer tipo de monitoramento ou gravação, com a possibilidade de ingresso de cópias impressas dos autos e de registro de anotações durante os encontros”, afirmaram os advogados.

    O presídio onde o banqueiro está detido prevê que as visitas aos detentos ocorram por meio de interfone, com filmagem e gravação, ou por videoconferência, também com monitoramento.

    No pedido, a defesa afirma que, caso as visitas não possam ocorrer sem gravação, será solicitada a transferência de Vorcaro para outra unidade prisional.

    “A defesa destacou que a comunicação reservada entre advogado e cliente constitui garantia essencial do direito de defesa. Caso essas prerrogativas não possam ser asseguradas pela unidade prisional, foi solicitado que Daniel Vorcaro seja transferido para outro estabelecimento em Brasília capaz de garantir o pleno exercício dessas garantias legais”, disseram os advogados.

    O Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou sobre o pedido.

    Vorcaro foi preso na última quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. Desde a prisão, os advogados afirmam que ainda não conseguiram visitar o banqueiro.

    “Segundo informações prestadas pela direção da unidade prisional, a visita dos advogados não poderia ocorrer de imediato, dependendo de agendamento para alguma data da próxima semana. Foi informado ainda que os encontros seriam monitorados por áudio e vídeo e que os defensores não poderiam ingressar sequer com papel e caneta”, disseram.

    A Penitenciária Federal de Brasília é uma das cinco unidades de segurança máxima administradas pelo governo federal. Entre os detentos está, por exemplo, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, além de outros integrantes da facção.

    Vorcaro passará a maior parte do tempo sozinho na cela. Ele só poderá sair para tomar banho, receber visitas em salas separadas por vidro, com comunicação por interfone, e para o banho de sol. As visitas, tanto de familiares quanto de advogados, podem durar até três horas, e todas as conversas são gravadas.
     
     

     

    Defesa de Vorcaro pede ao STF que conversa com banqueiro na prisão não seja gravada

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  • Não acredito que Trump tenha interesse em interferir nas eleições brasileiras, diz Motta

    Não acredito que Trump tenha interesse em interferir nas eleições brasileiras, diz Motta

    Presidente da Câmara afirmou que o governo Lula mantém diálogo positivo com os Estados Unidos e destacou que o país tem defendido sua soberania nas relações com Washington, mesmo após medidas comerciais adotadas por Donald Trump

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou acreditar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem interesse em interferir nas eleições brasileiras.

    A declaração foi feita nesta segunda-feira (9), durante entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia. Na ocasião, Motta disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mantido um “bom diálogo” com o governo norte-americano.

    “O presidente Trump, na minha avaliação, tem buscado muito mais defender as relações comerciais dos países onde ele tem interesse com os Estados Unidos. Com relação ao Brasil, o presidente Lula tem conseguido implementar um bom diálogo com o presidente Trump depois das tarifas que ele decidiu impor ao Brasil”, afirmou Motta.

    O presidente da Câmara acrescentou que as conversas entre os dois países têm ocorrido de forma positiva.

    “Esse diálogo vem se dando de forma positiva. O Brasil demonstrou capacidade de diálogo, defendendo a sua soberania”, disse.

    Por fim, Motta reforçou que não acredita em qualquer tentativa de interferência nas eleições brasileiras.

    “O Brasil, neste ponto, está bem posicionado, e eu não acredito que o presidente Trump tenha interesse de interferir nas eleições brasileiras”, afirmou.
     

     
     

    Não acredito que Trump tenha interesse em interferir nas eleições brasileiras, diz Motta

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