Campeão mundial de rali, Lucas Moraes tem ‘obsessão’ por vitória no Dakar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apaixonado por esportes a motor desde a infância por influência do pai, o piloto paulistano Lucas Moraes, 36, participou de sua primeira prova de motocross aos quatro anos de idade. Uma lesão no quadril, porém, o forçou a abandonar as disputas em cima de duas rodas ainda no início de sua trajetória profissional.

Frustrado por não poder mais competir e buscando novos ares, o herdeiro do grupo Votorantim partiu então, aos 20 e poucos anos, para um período de estudos voltados à tecnologia no Vale do Silício, na Califórnia.

A fase nos Estados Unidos alimentou a veia empreendedora de Moraes, com a fundação, em meados de 2016, da fintech Olivia, junto com o sócio Cristiano Oliveira.

O app, que tinha como proposta ajudar os brasileiros a lidar melhor com as finanças pessoais se valendo do uso da inteligência artificial, foi vendido para o Nubank em 2021.

Com a venda do negócio e de volta ao Brasil, ele passou a participar, a princípio apenas de maneira recreativa, de provas de rali -seu pai, Marcos Moraes, foi o responsável por quase 30 anos pela organização do tradicional Rali dos Sertões.

Em 2019, quando ainda nem pensava em levar a carreira como piloto off-road como uma profissão, acabou sagrando-se o campeão do Sertões, ao lado do navegador Kaique Bentivoglio.

A vitória se repetiria em 2022, e novamente em 2024. Um ano antes do tricampeonato, Moraes já havia feito história para o automobilismo brasileiro ao conquistar a terceira colocação no Rali Dakar, principal prova da categoria -ele se tornou o primeiro piloto do país a chegar ao pódio.

Em uma ascensão meteórica, em outubro de 2025, Moraes conquistou o título mundial de rali na categoria W2RC pela Toyota, desbancando o grande favorito Nasser Al-Attiyah, do Qatar.

“O que passou na cabeça ali na hora foi um orgulho muito grande de poder estar representando o Brasil”, afirmou Moraes em entrevista à Folha em um dos escritórios do Votorantim, no Itaim Bibi, em São Paulo.

Considerada a F1 das disputas off-road, com os carros chegando a até 170 km/h em pistas irregulares e esburacadas de terra, Moraes defenderá seu título neste ano correndo pela fabricante Dacia, tendo como companheiro de equipe Al-Attiyah.

Ele ressalta, contudo, que o grande objetivo traçado para os próximos anos é alcançar o primeiro lugar no Dakar.

“Depois que fiz o pódio, o Dakar virou uma obsessão. O pódio é legal, o terceiro lugar foi espetacular, na minha primeira participação, o melhor resultado do Brasil, fui o mais novo a subir ao pódio. Mas é terceiro ainda, então tenho que tentar chegar ao topo”, afirmou Moraes.

Na edição de 2026, o brasileiro terminou a disputa do Dakar em Yanbu, na Arábia Saudita, em sétimo lugar. A vitória foi de Al-Attiyah.

“O Dakar leva todos os envolvidos a um limite extremo”, afirmou Moraes sobre a prova de 14 dias de duração e quase 8.000 quilômetros de percurso.

“Você realmente precisa se superar de tempos em tempos durante a prova, que é o que eu acho que faz o Dakar ser esse grande evento e um sonho para muita gente. Essa questão de enxergar o seu limite e tentar empurrar um pouquinho mais para cima é muito interessante”, disse o piloto.

Embora mergulhado hoje no universo dos ralis, Moraes ainda mantém também uma atuação no mercado financeiro -ele fez recentemente aportes na Outfield, plataforma de investimentos focada em esportes, e na zMatch, de assinatura de carros elétricos.

“Meu ciclo como empreendedor se fechou na Olivia, quando fizemos a transação com o Nubank”, afirmou. “Diria que estou mais do outro lado da mesa, no sentido de ser mais investidor do que empreendedor. Para mim, empreender é o esporte mais difícil do mundo”, acrescentou Moraes.

Ele disse ainda acreditar que seu histórico como empreendedor contribui para o sucesso que vem tendo nas provas de rali.

“Você ser um atleta de alto rendimento é um retrato muito fiel ao que é empreender. É preciso ter pensamento crítico, pensar em estratégia, em execução, uma coisa complementa a outra. O esporte retrata muito do empreendedorismo e vice-versa.”

Valendo-se de ferramentas de IA para monitorar o desempenho nas provas, Moras afirmou também que vê a nova tecnologia como uma aliada que pode levar o ser humano a um novo patamar.

“Quando as máquinas foram para a linha de produção nas fábricas, o ser humano teve de ir para um nível acima. Acho que com a IA pode ser algo parecido. Qual é o próximo passo que o ser humano pode atingir em termos de performance, de produtividade? Acho que vai ser um mundo mais produtivo, mais veloz e, claro, também vai requerer uma adaptação, uma sofisticação do ser humano.”

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Notícias ao Minuto | 14:48 – 18/03/2026

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