Categoria: MUNDO

  • Mortes por calor extremo vão dobrar na América Latina nas próximas décadas, projeta estudo

    Mortes por calor extremo vão dobrar na América Latina nas próximas décadas, projeta estudo

    Pesquisadores analisaram dados de cidades da Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Panamá e Peru; os óbitos relacionados ao frio tendem a diminuir em alguns países nas próximas décadas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A proporção de mortes causadas pelo calor extremo na América Latina deve mais que dobrar e passará de 0,87% para 2,06% do total entre 2045 e 2054. A conclusão é de um estudo que integra o projeto Mudanças Climáticas e Saúde Urbana na América Latina (Salurbal-Clima). Os resultados foram publicados na revista Environment International.

    Com a mudança no clima, as ondas de frio mais intensas vão diminuir em alguns países nas próximas décadas, e a tendência é que os óbitos por este motivo também caiam.

    O trabalho reúne pesquisadores de instituições de nove países latino-americanos com a participação da USP (Universidade de São Paulo) e da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e dos Estados Unidos.

    Eles analisaram dados de mortalidade e projeções climáticas em 326 cidades da Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Panamá e Peru.

    Os locais foram escolhidos a partir de um estudo anterior com cidades latino-americanas. “Fizemos um corte e escolhemos todas com mais de 100 mil habitantes. Nas muito pequenas é mais difícil de trabalhar: tem menos gente, você vai ter menos mortes e eventos, o que é ruim do ponto de vista estatístico”, explica o professor doutor Nelson Gouveia, titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP.

    “Temos que começar a agir hoje pensando no futuro. Devemos pensar nos nossos filhos e netos porque eles é que vão viver em 2054”, afirma.

    O estudo combinou contagens diárias de mortalidade em nível de cidade, dados de temperatura em grade, simulações de temperaturas reduzidas e corrigidas por viés e dados demográficos. Foram projetados os impactos da temperatura-mortalidade em dois cenários de mudança climática, ao mesmo tempo em que se considerou a mudança no tamanho da população, estrutura etária e as taxas de mortalidade específicas por idade.

    Segundo Nelson Gouveia, hoje é possível estimar para cada grau de aumento da temperatura o quanto impacta na população. Para o futuro, os pesquisadores estimam as mudanças de temperatura com base nos dados do próprio IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) -órgão das Nações Unidas para avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas- e estabelecem cenários.

    “Nesse artigo, utilizamos dois cenários de emissões [de gases de efeito estufa, maiores e mais moderados] para prever como as temperaturas estarão em torno de 2050. São projeções baseadas em estimativas do que a gente vem emitindo de gases de efeito estufa para estimar como estará o clima lá na frente. O estudo prevê dobrar a mortalidade em 2054 até no cenário até de emissões mais moderadas.”

    “Levamos em consideração que as pessoas estão envelhecendo e terão mais idosos no meio do século. Usando essa estimativa de quanto que as temperaturas impactam na saúde num ambiente onde você vai ter climas um pouco mais severos do que temos hoje, com uma população mais envelhecida, chegamos nesses números. São estimativas baseadas na ciência”, explica o pesquisador.

    Para a análise das 152 cidades brasileiras -entre elas, São Paulo e Rio de Janeiro- foram utilizados dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), do DataSUS, e do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010.

    Embora o estudo não forneça recortes por cidade ou grupo populacional, ele indica que as áreas urbanas densamente povoadas tendem a enfrentar maiores riscos diante do aquecimento no futuro.

    O trabalho concluiu, ainda, que os mais pobres também sofrerão os impactos do calor extremo. “Quem vive em áreas periféricas, em moradias precárias e sem acesso a ar-condicionado ou a espaços verdes terá mais dificuldade para enfrentar ondas de calor cada vez mais intensas”, diz o professor.

    “É a injustiça climática. Não temos a estimativa de quanto que essa parcela vai aumentar ou diminuir. Esperamos que a desigualdade social diminua, mas isso não foi levado em conta nesse estudo.”

    AGRAVAMENTO DE DOENÇAS

    O calor extremo aumenta o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas. Idosos e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis.

    “Quanto mais conseguirmos diminuir a emissão de gases de efeito estufa, a queima de combustíveis fósseis, de modo geral, menor será o impacto climático. Então, a perspectiva no futuro pode ser pode ser um pouco melhor, mas é preciso um esforço bastante grande e imediato. Não dá para esperar mais”, ressalta o pesquisador.

    Mortes por calor extremo vão dobrar na América Latina nas próximas décadas, projeta estudo

  • Enfermeira é estuprada na casa de Schumacher por amigo da família

    Enfermeira é estuprada na casa de Schumacher por amigo da família

    Vítima e agressor teriam se cruzado e bebidos alguns drinks com outros colegas, porém a mulher teria se sentido mal e perdido os sentidos, momento em que o homem a teria agredido sexualmente

    Uma das enfermeiras de Michael Schumacher teria sofrido um estupro na casa do famoso piloto de Fórmula 1 em Gland, na Suíça. O acusado é um homem de aproximadamente 30 anos, que trabalha na mesma área, e seria amigo próximo do filho do piloto.

    A informação foi divulgada pelo jornal suíço ’24heures’, que diz que os fatos ocorreram em 2019, mas só foram relatados às autoridades dois anos depois, em 2021, e, agora tornados públicos.

    A publicação relata que no dia do suposto crime, em 23 de novembro, o homem estaria hospedado na casa principal da propriedade.

    O acusado, de nacionalidade australiana, já teria tentado ser piloto e chegar às pistas da Fórmula 1, mas sem sucesso. Continuou, no entanto, a pilotar, mas neste momento se encontra suspenso por ‘doping’.

    Contudo, pelo menos durante algum período, visitava regularmente a casa dos Schumacher, para evitar estar constantemente viajando entre a Austrália e a Europa, durante a época de competições europeias. Teria sido em uma dessas situações que os fatos ocorreram.

    Notícias ao Minuto [Casa da família do piloto na Suíça]© X  

    Vítima e agressor teriam se cruzado já ao final do dia, que para a enfermeira de trinta anos terá sido intenso, na sala de bilhar da casa.

    Segundo a acusação, a jovem juntou-se a outras duas colegas e ao acusado para um jogo de ‘snooker’ que acabou por se alongar noite dentro com muita bebida à mistura. Aliás, o momento de descontração teria sido pesado para a enfermeira, que teria acabadose sentindo mal.

    O ’24heures’ contou que a mulher deixou de conseguir ficar de pé, e deitou-se no chão, momento em que as suas colegas decidiram que era melhor levá-la para uma sala reservada aos funcionários que estariam cumprindo o turno da noite, para ela descansar.

    Terá sido o homem, auxiliado por outra pessoa, que levou a suposta vítima para a sala, decidindo deitá-la na cama “sem a despir”, detalha a acusação. A mulher teria adormecido.

    Pouco depois, o suposto agressor, que estaria ficando em um quarto em outra área, teria regressado à sala onde a mulher estava dormindo e abusado dela duas vezes, aproveitando-se do estado de inconsciência da mesma.

    As colegas dizem não ter visto ou ouvido nada.

    No dia seguinte, a mulher acordou de ressaca, sem memória do que teria acontecido, mas levantaram-se suspeitas na sua mente devido a algumas evidências físicas e materiais.

    A mulher decidiu, então, enviar uma mensagem ao homem, que teria admitido indiretamente os fatos. Perante isto, a mulher disse para ele nunca mais a contactar ou se aproximar dela e tentar esquecer o assunto, sem contar a ninguém. Inicialmente, teria ponderado alertar a família Schumacher, mas decidiu manter a situação em segredo, com medo de perder o emprego.

    Clima tenso: o suposto agressor defende que ele e a enfermeira já tinham se encontrado antes em uma discoteca, em Genebra, e que ambos tinham se beijado. A mulher nega, dizendo que apenas o conhecia como um amigo da família Schumacher e nada mais.

    Só em janeiro de 2022, dois anos depois do suposto crime, é que a enfermeira apresenta queixa-crime nas autoridades. 

    A demora não é incomum neste tipo de crimes, especialmente quando o agressor é uma pessoa com algum ‘poder’ sobre a vítima. Mas, neste caso, foi também suscitado pela sua demissão dos cuidados ao piloto de F1.

    Quanto a esta situação, a vítima faz questão de salientar que tem um histórico de serviço irrepreensível e que, curiosamente, o acusado tinha visitado Gland pouco antes de a enfermeira ser demitida.

    A mulher fazia parte da equipe médica que cuida de Schumacher na sua casa, após o mesmo ter sofrido um acidente de esqui, nos Alpes Franceses, em 2013, onde sofreu um ferimento grave na cabeça.

    O julgamento estava marcado para esta quarta-feira (15). Contudo, havia receios de que não pudesse acontecer dado que o acusado está desaparecido há vários meses.

    Vale destacar que nem Schumacher nem qualquer membro da sua família está sendo visado nesta investigação. Aliás, segundo a acusação, nenhum deles estaria presente na casa na época do suposto crime.

    Enfermeira é estuprada na casa de Schumacher por amigo da família

  • Trump condiciona ajuda à Argentina a vitória de Milei nas legislativas locais

    Trump condiciona ajuda à Argentina a vitória de Milei nas legislativas locais

    A menos de duas semanas das eleições legislativas na Argentina, Javier Milei foi à Casa Branca em busca de apoio e recebeu de Donald Trump uma promessa condicionada ao resultado das urnas. O republicano afirmou que só será “generoso com a Argentina” se o aliado vencer o pleito

    DOUGLAS GAVRAS
    BUENOS AIRES, ARGENTINA (CBS NEWS) – Doze dias antes das eleições legislativas na Argentina, Javier Milei foi até a Casa Branca em busca de suporte e de uma foto de Donald Trump. O argentino garantiu a fotografia, no entanto, ouviu o americano condicionar seu apoio ao desempenho de A Liberdade Avança em 26 de outubro.

    “Se Milei não ganhar, não seremos generosos com a Argentina”, disse nesta terça-feira (14) o republicano aos jornalistas em frente ao colega do sul, que preferiu trocar o giro que fazia pelas províncias pela visita a Washington.

    A Argentina vai às urnas no próximo dia 26, para renovar parte da Câmara e do Senado. Um teste para o pleito nacional ocorreu na província de Buenos Aires (o maior colégio eleitoral do país) em setembro, e o partido de Milei ficou 13 pontos atrás dos peronistas.

    As semanas seguintes foram ruins para o governo, com perda de valor da moeda local e um estouro de um novo escândalo, que derrubou o principal candidato de Milei na província de Buenos Aires para a disputa nacional, por receber recursos de um argentino acusado de envolvimento com tráfico de drogas nos EUA. Apesar de um apelo do governo, a Justiça argentina decidiu não trocar as cédulas, e a foto de José Luis Espert vai aparecer para os eleitores.

    “Vocês têm uma eleição de metade de mandato, esperamos que continuem com as reformas. Obama teve uma oportunidade na América Latina, usaremos nosso poderio econômico para fazer uma ponte até os nossos aliados”, disse o secretário de Tesouro, Scott Bessent.

    “É uma eleição muito importante, [Milei] fez um grande trabalho e a vitória é muito importante”, disse Trump. “Avante, presidente Milei. É uma honra recebê-lo aqui e seguramente vai ganhar as eleições, nós te apoiamos completamente. Quero ver a Argentina bem-sucedida e acredito que a liderança de Milei pode fazer com que isso aconteça”, disse.

    O argentino respondeu que sentia honrado com a visita e por entender “a ameaça que o socialismo do século 21” representa. Ele também atribuiu a crise cambial que o país enfrentou nas últimas semanas a ataques de opositores. “Obrigado pelo que o senhor está fazendo pelo mundo livre e ao secretário Bessent, por nos ajudar a mostrar ao mundo que as ideias da liberdade funcionam.”

    A visita desta terça-feira ganhou dimensão de apoio eleitoral a Milei por parte de Washington. É a primeira reunião de Milei na Casa Branca (ele já havia participado de uma reunião na cidade, ainda no governo de Joe Biden) e o quarto encontro com Trump em menos de um ano.

    O primeiro deles foi ainda na posse do americano, em janeiro; também se viram em fevereiro, durante o fórum de políticos de direita CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora). O mais recente foi no mês passado, com uma conversa dos dois em paralelo à Assembleia das Nações Unidas, em Nova York.

    Ambos também foram ao Vaticano por ocasião da morte do papa Francisco, e o argentino viajou outras vezes aos Estados Unidos sem se encontrar com Trump. No início de abril, Milei viajou com o ministro da Economia, Luis Caputo, para a Flórida, como parte da cerimônia de premiação de uma fundação liberal. Ele iria se encontrar com o colega americano, mas Trump não apareceu.

    Milei também foi a Los Angeles em setembro, onde se reuniu com empresários e autoridades de bancos, financeiras, uma empresa petroleira e outras organizações dos EUA.

    Após uma agenda de viagens ao interior, na madrugada desta terça, o presidente argentino finalmente chegou a Washington. A comitiva de Milei desembarcou na Base Aérea Andrews e, em seguida, se dirigiu à Blair House, a residência oficial de hóspedes dos presidentes americanos.

    O encontro com Trump buscava avançar a relação entre Argentina e Estados Unidos, envolvendo temas de comércio, investimento e ajuda financeira. Os dois países estariam próximos de finalizar um acordo sobre tarifas, que poderia beneficiar produtos argentinos no mercado americano.

    No dia anterior, em uma de suas escassas entrevistas, Milei expressou otimismo em relação aos investimentos de empresas dos Estados Unidos na Argentina, afirmando que há várias propostas em andamento, mas cauteloso em relação aos resultados finais da reunião.

    Ele mencionou que o governo argentino está se preparando para uma “avalanche de dólares” com esses possíveis investimentos. “Vão sair dólares até das nossas orelhas”, disse o presidente a um programa de rádio.

    O encontro foi mais curto do que o previsto e já tinha sido atrasado devido à viagem que Trump fez a Israel e ao Egito. A agenda inclui um almoço, fechado à imprensa. A comitiva de Milei inclui outros altos funcionários, como o ministro da Segurança e o presidente do Banco Central da Argentina.

    O governo argentino tem dado poucas informações sobre os efeitos concretos do apoio americano, mas o Bessent especulou a jornalistas locais sobre possibilidade de investimentos significativos em setores estratégicos, como lítio e energia.

    Na prática, o governo americano comprou pesos argentinos no mercado e sinalizou com um acordo de troca de moedas pelos bancos centrais dos dois países. A equipe econômica de Milei ficou quase uma semana nos Estados Unidos em negociações com o governo local e com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e a possibilidade de uma aliança sólida com os Estados Unidos é vista como uma forma de garantir a liquidez da Argentina, minimizando o risco de inadimplência.

    O presidente argentino é o segundo líder latino-americano a se encontrar com Trump desde que ele assumiu seu segundo mandato -o outro é Nayib Bukele, de El Salvador, que esteve lá em janeiro.

    Antes mesmo da viagem, Milei elogiou a liderança de Trump, chamando-o de “amigo” e dizendo que iria apoiar o americano para receber o Nobel da Paz no ano que vem, honraria que o americano já disse desejar em mais de uma ocasião.

    Trump condiciona ajuda à Argentina a vitória de Milei nas legislativas locais

  • Senado dos EUA rejeita proposta e crise do governo se prolonga

    Senado dos EUA rejeita proposta e crise do governo se prolonga

    Com 49 votos contrários e 45 favoráveis, o Senado não atingiu o mínimo para aprovar o financiamento temporário do governo. O impasse entre democratas e republicanos mantém a paralisação federal, já na quarta semana, e Trump ameaça cortar programas sociais se o bloqueio continuar

    A votação no Senado dos Estados Unidos, realizada na tarde de terça-feira (14) em Washington, terminou com 49 votos contrários e 45 favoráveis, ficando abaixo dos 60 necessários para aprovar o avanço da proposta.

    O projeto, de autoria republicana e já aprovado pela Câmara dos Representantes, previa o financiamento temporário do governo federal até 21 de novembro. Os democratas votaram em bloco contra a medida, defendendo que a aprovação deveria estar condicionada à ampliação dos programas de saúde pública que expiram ainda neste ano.

    Os republicanos se recusaram a renegociar o texto, alegando que o programa de saúde conhecido como Obamacare beneficia imigrantes em situação irregular, embora não tenham apresentado provas.

    Seis senadores não participaram da votação, entre eles John Fetterman, da Pensilvânia, um dos poucos democratas que havia apoiado o projeto em votações anteriores.

    Ainda não há data definida para uma nova tentativa de votação no Senado. O recesso de fim de ano se aproxima e a Câmara, sob controle republicano, não convocou novas sessões.

    Antes da votação, o presidente Donald Trump ameaçou cortar programas de assistência pública caso a paralisação do governo se prolongue por mais uma semana. Em conversa com jornalistas na Casa Branca, o republicano disse estar pronto para divulgar, na sexta-feira (17), uma lista de projetos apoiados pelos democratas que pretende suspender, chamando-os de ultrajantes e semicomunistas.

    A paralisação já levou à demissão de centenas de servidores federais e provocou atrasos em aeroportos e nas fronteiras com o México. Democratas e republicanos continuam sem acordo sobre as medidas emergenciais de financiamento, deixando o país na quarta semana consecutiva de paralisação desde 1º de outubro.

     

    Senado dos EUA rejeita proposta e crise do governo se prolonga

  • Palestino libertado por Israel descobre que família morreu em Gaza

    Palestino libertado por Israel descobre que família morreu em Gaza

    Após quase dois anos preso e torturado, Naseem al-Radee saiu da prisão israelense acreditando que reencontraria a esposa e os filhos. Ao tentar ligar para casa, descobriu que todos haviam morrido nos bombardeios em Gaza. “Minha alegria foi embora com eles”, disse

    Naseem al-Radee foi um dos quase dois mil prisioneiros palestinos libertados por Israel na segunda-feira (13). Antes de deixar a prisão, no entanto, ele diz ter recebido uma “despedida à altura dos últimos dois anos”: um espancamento dentro de uma cela imunda.

    Radee, de 33 anos, contou ao The Guardian que foi detido por soldados israelenses em uma escola que havia sido transformada em abrigo para refugiados em Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza. A captura, em 9 de dezembro de 2023, dois meses após o início da guerra, foi violenta, ele levou um golpe de bota no rosto e até hoje tem sequelas no olho.

    Durante 22 meses, Radee passou por diferentes centros de detenção israelenses, incluindo cem dias em uma cela subterrânea. Ele relata ter vivido sob espancamentos, torturas e fome. “As condições eram extremamente duras. Ficávamos com as mãos e os pés amarrados e éramos submetidos às formas mais cruéis de tortura”, disse, ao lembrar o período na prisão de Nafha, no deserto de Negev.

    Segundo o palestino, as agressões eram constantes e faziam parte de um “sistema cronometrado” de abusos. “Eles usavam gás lacrimogêneo, balas de borracha e cães para nos intimidar. Gritavam para deitarmos no chão e começavam a nos espancar sem piedade”, relatou.

    As celas, segundo ele, eram superlotadas, até 14 pessoas em um espaço para cinco. As condições insalubres causavam doenças de pele e infecções que não eram tratadas.

    A libertação de Radee coincidiu com o aniversário de três anos de sua filha mais nova, Saba. “Planejei fazer o melhor presente de todos, para compensar o aniversário que não pudemos celebrar por causa da guerra”, contou. Mas, ao tentar ligar para a família, descobriu que a esposa e quase todos os filhos haviam morrido em Gaza. “Tentei sentir alegria pela liberdade, mas ela morreu junto com a minha filha.”

    Prisões sem acusação formal

    O caso de Radee reflete a situação de milhares de palestinos detidos por Israel desde 7 de outubro de 2023, muitos sem acusação formal. Uma mudança na lei israelense, em dezembro daquele ano, passou a permitir a detenção administrativa quando houver “motivos razoáveis para acreditar” que a pessoa é um “combatente ilegal”  na prática, suspeita de ligação com o Hamas.

    Essas detenções podem ser renovadas indefinidamente. Segundo o Comitê Público contra a Tortura em Israel (PCATI), em junho de 2025 havia 11 mil palestinos presos, dos quais 2.780 eram residentes da Faixa de Gaza. “O nível de tortura e abuso aumentou drasticamente desde outubro de 2023”, afirmou Tal Steiner, diretor do PCATI, responsabilizando o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que chegou a se vangloriar nas redes sociais de fornecer “o mínimo de comida” aos detidos.

    Perda de peso e tortura

    Radee perdeu 30 quilos durante a prisão, caindo de 93 para 63. Outro detido, Mohammed al-Asaliya, de 22 anos, relatou ter emagrecido de 75 para 42 quilos. Ele descreve torturas como ser pendurado nas paredes, molhado e exposto ao frio, além de ouvir música em volume máximo por dois dias seguidos. “Às vezes jogavam pimenta em pó sobre nós”, contou.

    Sem assistência médica, os prisioneiros tentavam tratar ferimentos com desinfetante de chão. As celas eram sujas, a comida contaminada e as doenças de pele, comuns.

    O hospital Nasser, em Gaza, que recebeu os libertados, informou ter precisado transferir vários ex-detentos para tratamento de emergência devido ao estado crítico de saúde.
     

    Palestino libertado por Israel descobre que família morreu em Gaza

  • EUA batem recorde de execuções em 2025, com 37 mortes no ano

    EUA batem recorde de execuções em 2025, com 37 mortes no ano

    A Flórida lidera o país com 14 execuções, o maior número em uma década. Entre os casos mais recentes está o de Samuel Smithers, de 72 anos, morto por injeção letal. O método segue cercado de polêmicas por falhas e questionamentos éticos sobre o sofrimento dos condenados

    Os Estados Unidos já registram um recorde histórico de execuções em 2025, com 37 penas de morte aplicadas até o momento, superando o antigo máximo de 35, registrado em 2014. A Flórida lidera o ranking nacional, com 14 execuções neste ano, o maior número no estado em mais de uma década.

    Na terça-feira (14), o estado executou Samuel Smithers, de 72 anos, condenado pelo assassinato de duas mulheres em 1996, em Tampa. Ele foi morto por injeção letal na Prisão Estadual da Flórida, em Raiford, tornando-se um dos presos mais idosos a serem executados no estado.

    De acordo com documentos judiciais, Smithers trabalhava como jardineiro quando matou as vítimas, a quem havia pago por sexo. Ele as espancou, estrangulou e jogou os corpos em um lago. O Supremo Tribunal da Flórida rejeitou na semana passada um recurso da defesa, que alegava que a idade avançada do condenado o tornava inelegível para a pena de morte por violar a proibição constitucional de punições “cruéis e incomuns”.

    A execução foi feita com o protocolo padrão da Flórida, que utiliza três substâncias: um sedativo, um paralisante e um fármaco que causa parada cardíaca. O método segue cercado de polêmicas por falhas relatadas em outros casos e por questionamentos éticos sobre o sofrimento dos condenados.

    Desde 1976, quando a Suprema Corte dos EUA restabeleceu a pena de morte, a Flórida não havia ultrapassado oito execuções em um único ano. O governador republicano Ron DeSantis autorizou, até agora, 16 execuções em 2025.

    Outros estados também seguem aplicando o castigo máximo. No mesmo dia, o Missouri executou Lance Shockley, de 48 anos, condenado pelo assassinato de um sargento da patrulha rodoviária em 2005.

    Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte, o Texas ocupa o segundo lugar no ranking de execuções em 2025, com cinco casos, seguido por Carolina do Sul e Alabama, com quatro cada. Já em Ohio, onde há 27 execuções agendadas, o governador Mike DeWine afirmou que elas não serão realizadas enquanto não houver um novo método, classificando a injeção letal como “inviável na prática”.
     
     

     

    EUA batem recorde de execuções em 2025, com 37 mortes no ano

  • Um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém, diz Israel

    Um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém, diz Israel

    Exames realizados pelas forças israelenses mostraram que um dos quatro corpos entregues pelo Hamas pertence a um morador de Gaza, e não a um refém. A descoberta gerou desconfiança sobre os números divulgados pelo grupo e pressão das famílias por respostas do governo

    Um dos corpos entregues pelo Hamas a Israel na terça-feira (14) não pertence a um refém israelense, informou o governo israelense nesta quarta-feira (15), segundo o jornal The Times of Israel.

    De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), exames realizados nos quatro corpos devolvidos pelo grupo palestino revelaram que um deles era, na verdade, de um morador da Faixa de Gaza. As outras três vítimas foram identificadas como Tamir Nimrodi, Eitan Levy e Uriel Baruch.

    O Hamas havia entregue os corpos à Cruz Vermelha, elevando para oito o total devolvido desde o início do cessar-fogo, em vigor desde sexta-feira (10). O grupo havia prometido entregar os restos mortais de 28 reféns mortos, mas admitiu na segunda-feira (13) não saber a localização de parte deles, o que atrasou o cumprimento do acordo.

    A descoberta levou o presidente dos Estados Unidos a questionar a veracidade dos números apresentados pelo Hamas. “Disseram que tinham 26 ou 24 reféns mortos, mas parece que nem isso é verdade, porque estamos falando de um número bem menor”, afirmou, após reunião com o presidente argentino, Javier Milei, na Casa Branca. “Quero todos os corpos de volta”, acrescentou.

    O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas exigiu uma reunião com o comando das IDF para cobrar explicações sobre a continuidade do acordo, mesmo após a violação cometida pelo Hamas.

    “As famílias querem saber por que as Forças de Defesa de Israel continuam a cumprir o acordo enquanto o Hamas o descumpre abertamente. O grupo segue mantendo reféns e provando ser uma organização terrorista mentirosa e repugnante”, diz o comunicado citado pelo The Times of Israel.
     
     

    Um dos corpos devolvidos pelo Hamas não é de refém, diz Israel

  • Hamas diz ter matado supostos 'colaboradores de Israel' enquanto tenta retomar Gaza

    Hamas diz ter matado supostos 'colaboradores de Israel' enquanto tenta retomar Gaza

    Vídeo divulgado pelo grupo terrorista mostra combatentes atirando nas costas de homens ajoelhados em um círculo; facção acusa outros clãs do território palestino, com os quais disputa poder, de serem apoiados por Tel Aviv

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A retirada das tropas de Israel de parte da Faixa de Gaza, um dos compromissos do cessar-fogo assinado na segunda-feira (13), abriu espaço para o grupo terrorista Hamas avançar sobre as ruínas da guerra de dois anos na tentativa de retomar o controle do território palestino.

    A ação tem rendido cenas brutais, como a que mostra o assassinato de sete pessoas em uma rua da Cidade de Gaza. Em uma clara demonstração do retorno do grupo, os combatentes arrastam homens acusados de colaborarem com Israel, forçam-nos a se ajoelhar e atiraram neles pelas costas.

    O vídeo foi publicado pela TV do Hamas no Telegram, e sua autenticidade foi confirmada por um membro do grupo à agência de notícias Reuters.

    Antes disso, no domingo (12), o Ministério do Interior de Gaza já havia afirmado que confrontos entre o Hamas e outro grupo armado haviam matado ao menos 27 pessoas, incluindo oito membros da facção que controlava o território até o início da guerra.

    Nesta terça-feira (14), moradores de Gaza disseram que os combatentes estavam sendo vistos com mais frequência. Testemunhas relataram à agência de notícias AFP intensos combates no bairro de Shejaia, na Cidade de Gaza, perto da fronteira atrás da qual as unidades israelenses seguem controlando cerca de metade do território. Segundo elas, os confrontos envolviam uma unidade afiliada ao Hamas e grupos armados, incluindo alguns supostamente apoiados por Israel.

    Jornalistas da AFP dizem que, desde que o cessar-fogo entrou em vigor, têm observado a presença de membros do grupo terrorista em mercados e rodovias de várias cidades da Faixa de Gaza. Uma fonte da segurança palestina da facção declarou à agência que o corpo de segurança do Hamas, uma unidade criada recentemente e batizada de “Força de Dissuasão”, estava realizando operações para garantir “segurança e estabilidade”.

    Embora o desarmamento do Hamas seja uma exigência da trégua -algo que a facção se nega a fazer sem a garantia da criação de um Estado palestino–, os Estados Unidos, um dos principais mediadores do acordo, parecem ter autorizado o grupo a policiar temporariamente o território.

    Questionado por um jornalista na segunda sobre os relatos de que o Hamas estava agindo para derrotar rivais em Gaza, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o grupo agia dentro dos parâmetros do acordo.

    “Eles querem acabar com os problemas e têm sido abertos sobre isso, e nós lhes demos aprovação por um período de tempo”, disse Trump. “Temos quase 2 milhões de pessoas voltando para prédios que foram demolidos, e muitas coisas ruins podem acontecer. Então, queremos que seja seguro. Acho que vai ficar tudo bem. Quem sabe com certeza?”

    Enquanto era praticamente aniquilado por Israel nos últimos dois anos, o Hamas enfrentava crescentes desafios internos vindos de rivais de longa data. As principais facções que operam no território são Abu Shabab, Doghmosh, Al-Majayda e Rami Hellis.

    A primeira é acusada pelo Hamas de colaborar com Israel, o que o grupo nega. A última opera na Cidade de Gaza e tem sua sede no subúrbio de Shejaia, onde foram registrados confrontos nesta terça. Há alguns meses, a facção se juntou com outro grupo para operar em partes do bairro que ainda estão sob controle do Exército israelense, em desafio ao Hamas.

    Para muitos palestinos que tentam reconstruir seus lares e suas vidas em meio aos escombros, a presença do Hamas é tranquilizadora. “Começamos a nos sentir seguros”, afirmou Abu Fadi al Banna, 34, em Deir al-Balah, no centro de Gaza, à AFP. “Começaram a organizar o trânsito e a desobstruir os mercados. Nos sentimos protegidos dos delinquentes e dos ladrões.”

    Hamas diz ter matado supostos 'colaboradores de Israel' enquanto tenta retomar Gaza

  • Macron cede, e França suspende reforma da Previdência até eleição presidencial de 2027

    Macron cede, e França suspende reforma da Previdência até eleição presidencial de 2027

    Reconduzido ao cargo, Sébastien Lecornu anuncia suspensão de medida controversa para tentar aplacar crise política; Assembleia Nacional demonstra ceticismo quanto à capacidade do governo de se manter no poder

    PARIS, FRANÇA (CBS NEWS) – Reconduzido na semana passada ao cargo de primeiro-ministro da França, depois de ter renunciado com apenas um mês no cargo, Sébastien Lecornu propôs nesta terça-feira (14) uma suspensão da reforma das aposentadorias até a próxima eleição presidencial, prevista para 2027, em seu primeiro discurso diante da Assembleia Nacional.

    O anúncio é uma forma de garantir que seu governo não será vítima de uma moção de censura da oposição. “Eis incontestavelmente uma ruptura”, discursou aos deputados.

    Para demonstrar sua disposição ao diálogo com os deputados, o premiê prometeu não recorrer a um controverso dispositivo que lhe permitiria aprovar o orçamento de 2026 sem votação parlamentar, o artigo 49.3 da Constituição -o mesmo que Macron e a ex-primeira-ministra, Élisabeth Borne, usaram para atropelar a oposição e impor a reforma da aposentadoria aos franceses.

    Lecornu também se comprometeu a propor a criação de uma “contribuição excepcional” sobre grandes fortunas -outra forma de contentar a oposição de esquerda. Ele se recusa, porém, a adotar a “taxa Zucman”, um imposto de 2% sobre os patrimônios acima de € 100 milhões (cerca de R$ 640 milhões). O economista que propôs a taxa, Gabriel Zucman, acusou o premiê de poupar os bilionários em seu plano.

    O primeiro-ministro também propôs que até o final do ano seja incluído na Constituição o novo estatuto da Nova Caledônia, arquipélago do oceano Pacífico que pertence à França. Conforme acordo assinado em julho para pôr fim à disputa com os separatistas, será criado um “Estado da Nova Caledônia”, que pode ser reconhecido por outros países, mas continua a fazer parte da França.

    “Não vamos censurar o governo a princípio e não faremos parte dos que derrubam primeiros-ministros. A França precisa de um mínimo de estabilidade, de governo, de orçamento”, disse Laurient Wauquiez, dos Republicanos, de direita.

    Já a ultraesquerda, representada principalmente por Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa, criticou a suspensão da reforma como apenas uma postergação da medida. “E agora todos vão fingir que não ouviram que a suspensão da reforma tem uma data limite, e então volta a vigorar. Além disso, quem for eleito em 2027 pode compensar o atraso ou propor uma reforma pior”, disse

    A ultradireita aproveitou para criticar Macron. “Na Assembleia Nacional, dos Republicanos [direita] ao Partido Socialista [centro-esquerda], é o ciclo amigável dos salvadores de Emmanuel Macron que se sucedem falando no púlpito”, afirmou Jordan Bardella, líder da Reunião Nacional (RN). “O único denominador comum dessa maioria sem sentido, pronto para qualquer tipo de barganha, é o medo das urnas e o medo do povo.”

    Lecornu é o quarto primeiro-ministro em um ano, sintoma da instabilidade da política francesa desde as eleições legislativas de 2024, que produziu um Parlamento dividido em três grandes grupos, nenhum deles com uma maioria confortável no Legislativo e disposto a fazer concessões.

    Caso o gabinete de Lecornu caia, Macron sofrerá uma pressão ainda maior para renunciar ao cargo ou dissolver a Assembleia e convocar novas eleições legislativas, em que a ultradireita seria favorita.

    A questão central para a sobrevivência do segundo gabinete montado por Lecornu é o número de votos necessário para derrubá-lo. Para aprovar uma moção de censura, são necessários 288 dos 575 deputados com mandato em vigor.

    Já anunciaram que vão votar contra Lecornu a ala mais à esquerda do Parlamento e a ala mais à direita. Isso representa cerca de 210 deputados. O fiel da balança, portanto, são a esquerda moderada (o Partido Socialista) e o que resta da direita gaullista tradicional (Republicanos), cada vez mais próxima da ultradireita.

    O gabinete tem seis ministros do Republicanos. Por isso, o partido ainda hesita em censurar Lecornu. Os socialistas, por sua vez, mesmo sem participação no governo, afirmam aguardar o anúncio das primeiras medidas antes de tomar uma decisão. Reivindicam, sobretudo, a suspensão da reforma das aposentadorias promulgada em 2023.

    Essa reforma prevê o aumento progressivo da idade mínima para se aposentar, de 62 para 64 anos. Parte da oposição de esquerda, e até economistas como Philippe Aghion, agraciado na segunda-feira com o Prêmio Nobel, propunham que a reforma seja congelada no patamar atual -62 anos e 9 meses- até a eleição presidencial de abril de 2027.

    Esse debate evidencia o que realmente está por trás do cálculo de todos os políticos -a corrida para suceder Macron. O atual presidente não pode concorrer de novo, por já estar no segundo quinquênio.

    A impopularidade de Macron -uma pesquisa recente lhe atribuiu apenas 19% de opiniões favoráveis- faz dele um péssimo cabo eleitoral, o que o fez ser abandonado até por antigos aliados fiéis, como o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe.

    Macron cede, e França suspende reforma da Previdência até eleição presidencial de 2027

  • Opositor declara vitória em Camarões e insta ditador a reconhecer derrota

    Opositor declara vitória em Camarões e insta ditador a reconhecer derrota

    O político é um ex-porta-voz do governo e ministro do Emprego que rompeu com o ditador Paul Biya, líder do país desde 1982, no início deste ano

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O candidato da oposição de Camarões Issa Tchiroma, 79, se declarou vitorioso das eleições à Presidência do país na noite desta segunda-feira (13), embora o órgão eleitoral oficial (Elecam) não tenha divulgado resultados. Tchiroma instou Paul Biya, 92, o líder do país desde 1982 e seu antigo aliado, a aceitar a derrota e “honrar a verdade das urnas”.

    “Nossa vitória é clara. Ela deve ser respeitada. O povo escolheu”, disse Tchiroma em um discurso em perfil no Facebook.

    O político é um ex-porta-voz do governo e ministro do Emprego que rompeu com Biya no início deste ano e montou uma campanha atraindo multidões e o endosso de uma coalizão de partidos de oposição e grupos civis.

    Sem nomear Tchiroma, o Movimento Democrático do Povo de Camarões (CPDM), partido de Biya, condenou nesta terça-feira (14) a declaração de vitória do rival como um “embuste grotesco”, acrescentando que apenas o Conselho Constitucional está habilitado a proclamar resultados.

    O órgão, no entanto, cuja criação estava prevista na Constituição de 1996 e é a instância máxima de interpretação de leis e de regulação eleitoral do país, foi criado apenas em 2018 e tem todos os seus 11 membros nomeados por Biya.

    O ditador camaronês, o chefe de Estado mais velho do mundo em exercício, busca um oitavo mandato após 43 anos no poder -se vitorioso, ele pode chegar aos 99 anos de idade ainda no cargo. Até a publicação desta reportagem, Biya, que aparece raramente em público, não havia se pronunciado.

    Analistas esperavam que seu controle sobre as instituições estatais e uma oposição fragmentada lhe dessem vantagem na eleição, apesar do crescente descontentamento público com a estagnação econômica e a uma grave crise de segurança relativa principalmente a um conflito separatista no oeste do país e a ameaças de grupos radicais islâmicos como o Boko Haram no norte.

    Tchiroma elogiou os eleitores por desafiarem o que chamou de intimidação e por permanecerem nas seções eleitorais até tarde da noite para proteger seus votos. “Também agradeço aos candidatos que já me enviaram suas congratulações e reconheceram a vontade do povo”, disse.

    “Colocamos o regime diante de suas responsabilidades: ou ele mostra grandeza aceitando a verdade das urnas, ou escolhe mergulhar o país em turbulência que deixará uma cicatriz indelével no coração de nossa nação”, afirmou o opositor.

    A lei eleitoral de Camarões permite que os resultados sejam publicados e afixados nas seções eleitorais, mas as contagens finais devem ser validadas pelo Conselho Constitucional, que tem até 26 de outubro para anunciar o resultado.

    Tchiroma disse que em breve divulgará uma análise independente em cada região dos totais de votos compilados a partir dos resultados. “Esta vitória não é de um homem, nem de um partido. É a vitória de um povo”, disse.

    O opositor também pediu aos militares, forças de segurança e funcionários públicos que permanecessem leais à “república, não ao regime”.

    O Ministro da Administração Territorial, Paul Atanga Nji, advertiu no fim de semana que qualquer publicação unilateral de resultados seria considerada “alta traição”.

    O sistema eleitoral de turno único de Camarões concede a Presidência ao candidato com mais votos, mesmo que não seja a maioria. Mais de 8 milhões de pessoas estavam registradas para votar na eleição.

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