Categoria: MUNDO

  • Trump envia tropas para Portland para lidar com "terroristas domésticos"

    Trump envia tropas para Portland para lidar com "terroristas domésticos"

    O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje o envio de tropas para Portland, no estado do Oregon, para lidar com “terroristas domésticos”.

    O anúncio foi feito nas redes sociais, com a mensagem de que estava instruindo o Departamento de Defesa a “fornecer todas as tropas necessárias para proteger Portland, devastada pela guerra”.

    “Também estou autorizando o uso de força total, se necessário”, acrescentou.

    Trump justificou a decisão afirmando que era necessária para proteger as instalações da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA, que, segundo ele, estariam “sob cerco de ataques da Antifa [movimento antifascista] e de outros terroristas domésticos”.

    Desde o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, o presidente republicano intensificou os esforços para enfrentar o que chama de “esquerda radical”, à qual ele atribui os problemas do país com a violência política.

    No início de setembro, Trump descreveu a vida em Portland “como viver no inferno” e disse estar considerando o envio de tropas federais, como já havia ameaçado fazer para combater o crime em outras cidades, incluindo Chicago e Baltimore.

    No verão, ele destacou a Guarda Nacional para Los Angeles como parte de sua intervenção policial no distrito de Columbia.

    No Tennessee, Memphis vem se preparando para um reforço de tropas da Guarda Nacional e, na sexta-feira, o governador republicano Bill Lee afirmou que elas farão parte do aumento de recursos para combater o crime na cidade.

    Trump envia tropas para Portland para lidar com "terroristas domésticos"

  • Responsável da Otan compara ação russa com violações soviéticas de 1939

    Responsável da Otan compara ação russa com violações soviéticas de 1939

    O principal responsável militar da Otan comparou hoje as violações soviéticas do espaço aéreo do Báltico de há 86 anos com as intrusões de drones russos dos últimos dias, considerando que os incidentes são mais do que provocações.

    No dia 25 de setembro de 1939, bombardeiros e aviões de reconhecimento soviéticos violaram o espaço aéreo dos três Estados Bálticos: Letônia, Lituânia e Estônia. Essas incursões foram mais do que uma mera provocação. Foram o sinal inicial da determinação de Moscou em impor sua vontade”, afirmou o almirante italiano Giuseppe Cavo Dragone na abertura de uma reunião do Comitê Militar da OTAN, realizada em Riga.

    “Esse momento deve ressoar profundamente em nós hoje”, defendeu ele, diante dos principais comandantes militares dos 32 países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

    As principais violações soviéticas de 1939 incluíram a invasão da Polônia, após a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, que dividia o país em esferas de influência com a Alemanha nazista.

    “Por duas vezes, no espaço de duas semanas, o Conselho do Atlântico Norte se reuniu sob o Artigo 4º [consultas mútuas quando os Estados-membros da OTAN consideram que a integridade territorial, a independência política ou a segurança de uma das Partes está ameaçada]”, lembrou o presidente do Comitê Militar da Aliança.

    “Vários aliados, incluindo Estônia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega, Polônia e Romênia, sofreram violações do espaço aéreo russo”, acrescentou.

    Outros participantes da sessão de abertura ressaltaram que a invasão da Ucrânia pela Rússia e as ações de guerra híbrida contra seus vizinhos constituem atualmente a principal ameaça à segurança da Aliança.

    O presidente da Letônia, Edgars Rinkevics, disse aos líderes militares reunidos que, na perspectiva de Riga, a avaliação da situação “é clara” e que a Rússia representa “uma ameaça de longo prazo à segurança euro-atlântica”.

    Rinkevics também mencionou a “pressão diária da migração ilegal” que seu país enfrenta como parte das táticas híbridas da Rússia e da Bielorrússia, que, segundo ele, já levaram à rejeição de cerca de 10.000 migrantes e solicitantes de asilo na fronteira com a Bielorrússia somente neste ano.

    Para o comandante-chefe das Forças Armadas da Letônia, major-general Kaspars Pudans, a agressão russa vai além da Ucrânia e faz “parte de uma campanha mais ampla contra o continente europeu, cujo impacto é sentido em nível global”, incluindo tentativas de coerção energética e econômica e esforços para reformular as normas internacionais.

    “Estamos testemunhando ameaças de 360 graus, que incluem invasões do espaço aéreo, campanhas de desinformação, ataques cibernéticos e manipulação de instituições democráticas”, afirmou Pudans.

    O comandante letão também destacou que a Ucrânia “não está apenas defendendo sua soberania, mas também a credibilidade da ordem internacional”, e defendeu que o conflito se tornou um “laboratório da guerra moderna”, onde a força convencional se mistura com ataques cibernéticos, desinformação e novas tecnologias.

    A reunião do Comitê Militar da OTAN, a mais alta autoridade militar da Aliança, tem como objetivo debater questões levantadas na cúpula de líderes em Haia, especialmente o reforço da dissuasão e da defesa coletiva, de acordo com comunicado da instituição.

    Também participam da reunião o Comandante Supremo Aliado da Europa (SACEUR), general Alexus G. Grynkewich, e o Comandante Supremo Aliado da Transformação (SACT), almirante Pierre Vandier.

    O encontro termina hoje com uma coletiva de imprensa de Cavo Dragone e Pudans.

    As consultas entre os membros da OTAN foram convocadas após a invocação do Artigo 4º pelo primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, depois que o espaço aéreo do país foi invadido por drones russos.

    Nos últimos dias, foram registradas dezenas de intrusões em espaços aéreos de vários países — além da Polônia, também da Estônia, Romênia, Lituânia e Dinamarca. O caso mais grave ocorreu na Estônia, onde três caças russos MiG-31 permaneceram no espaço aéreo da OTAN por 12 minutos.

    O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, defendeu as ações da organização no incidente na Estônia, no qual os caças russos foram escoltados por forças da Itália, Suécia e Finlândia, mas garantiu que aquelas aeronaves não representavam uma ameaça direta à segurança dos aliados.

    Ainda assim, o caso gerou debate sobre se a OTAN deveria abater todas as aeronaves que invadissem seu espaço aéreo, após a Polônia ter avisado que agiria sem hesitação.

    Rutte admitiu a possibilidade de abater aviões russos “se necessário”, mas esclareceu que essas ações seguem uma série de protocolos e avaliações. “Isso não significa que sempre vamos abater um avião imediatamente”, ressaltou.

    Desde a assinatura do Tratado do Atlântico Norte, em 1949, esta é a oitava vez que o Artigo 4º é acionado. Após as consultas, os países podem recorrer ao Artigo 5º, que estabelece que um ataque armado contra um ou mais membros da organização é considerado um ataque contra todos.

    Até hoje, esse artigo só foi invocado uma vez: após os atentados contra as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001.

    Responsável da Otan compara ação russa com violações soviéticas de 1939

  • Alemanha promete que vai reagir a invasões de drones

    Alemanha promete que vai reagir a invasões de drones

    O episódio, ocorrido na base aérea de Karup, é o mais recente de uma série de sobrevoos de aeronaves não identificadas sobre instalações estratégicas na Dinamarca e em outros países da Europa nas últimas semanas, gerando suspeitas de um possível ataque coordenado.

    Drones de origem desconhecida foram avistados na noite de sexta-feira (26) sobre a maior base militar da Dinamarca, localizada no norte do país, segundo informou a polícia neste sábado (27).

    O episódio, ocorrido na base aérea de Karup, é o mais recente de uma série de sobrevoos de aeronaves não identificadas sobre instalações estratégicas na Dinamarca e em outros países da Europa nas últimas semanas, gerando suspeitas de um possível ataque coordenado.

    O policial Simon Skelsjaer detalhou que os drones foram vistos por volta das 20h15 (15h15 em Brasília) e permaneceram no espaço aéreo da base por várias horas. “Um ou dois drones foram avistados do lado de fora e também sobre a base”, afirmou à agência AFP. Skelsjaer acrescentou que os dispositivos não foram derrubados e que a investigação ocorre em conjunto com o Exército dinamarquês.

    A base de Karup, que agora compartilha sua pista com o aeroporto de Midtjylland, chegou a interromper temporariamente as operações aéreas por segurança. Até o momento, não há informações sobre a origem ou a finalidade dos drones.

    O caso ocorre dias depois de a Dinamarca anunciar a compra de armas de precisão de longo alcance, justificando a decisão com o aumento da ameaça representada pela Rússia “nos próximos anos”. O governo russo nega qualquer envolvimento.

    Crescente preocupação na Europa
    Neste sábado (27), o ministro da Defesa da Alemanha, Alexander Dobrindt, declarou que a ameaça de drones sobrevoando pontos estratégicos na Europa alcançou um nível elevado. Ele afirmou que o Exército alemão — um dos mais poderosos da União Europeia — tomará medidas para reforçar a segurança.

    Somente em setembro, foram registrados incidentes semelhantes na Polônia e na Romênia. O ministro da Justiça dinamarquês, Peter Hummelgaard, disse que o país está adquirindo novas tecnologias para detectar e neutralizar drones e confirmou que a Dinamarca aceitou a oferta da Suécia para fornecer equipamentos antidrones.

    A questão deve ganhar destaque ainda maior na próxima semana, quando Copenhague sediará uma cúpula europeia nos dias 1º e 2 de outubro, reunindo líderes de vários países do continente.

    Na sexta-feira (26), ministros da Defesa da União Europeia concordaram que a criação de um “muro antidrones” é prioridade para proteger fronteiras e pontos estratégicos. “Precisamos agir rapidamente e aprender todas as lições da Ucrânia”, afirmou Andrius Kubilius, comissário europeu de Defesa.

    Acusações e respostas
    A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, declarou na quinta-feira (25) que o país foi alvo de “ataques híbridos”, uma forma de guerra não convencional que combina ações militares e cibernéticas. “Há um país que representa uma ameaça à segurança da Europa, e esse país é a Rússia”, afirmou Frederiksen.

    Moscou, no entanto, rejeitou categoricamente qualquer participação. A embaixada russa em Copenhague classificou os episódios como uma “provocação encenada” em publicação nas redes sociais.

    O ministro da Justiça dinamarquês reforçou que o objetivo dos incidentes é “semear o medo, criar divisões e nos assustar”. Com as investigações em andamento, os governos europeus prometem aumentar a vigilância e acelerar a construção de barreiras tecnológicas para evitar novos ataques.

    Alemanha promete que vai reagir a invasões de drones

  • Rússia anuncia conquista de três cidades no leste ucraniano

    Rússia anuncia conquista de três cidades no leste ucraniano

    A Rússia anunciou hoje ter conquistado três cidades do leste da Ucrânia, numa região onde as forças de Moscou estão promovendo combates ferozes e ganhando terreno.

    O exército russo informou em comunicado que as cidades de Derylove e Maiske, na região de Donetsk, e Stepove, na região de Dnipropetrovsk, foram conquistadas e agora estão sob controle das forças russas.

    O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter tomado cerca de 0,8% do território total da Ucrânia desde o início do ano.

    A Ucrânia relatou que uma pessoa morreu na noite de sexta-feira e outras 12 ficaram feridas em um ataque aéreo russo na região de Kherson, no sudeste do país, acrescentando que outro ataque também danificou as linhas ferroviárias da vizinha região de Odessa.

    Moscou informou que uma refinaria de petróleo na região russa de Chuváchia suspendeu as operações após ser atingida por um drone ucraniano.

    Em resposta aos ataques, a Ucrânia tem como alvos frequentes as indústrias militares e instalações energéticas russas, incluindo refinarias de petróleo.

    As tentativas diplomáticas de encerrar o conflito, que agora se aproxima do quarto ano, fracassaram, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a Ucrânia poderia ter sucesso na recuperação de todo o seu território da Rússia, que, por sua vez, reafirmou sua determinação em continuar a ofensiva.

    Rússia anuncia conquista de três cidades no leste ucraniano

  • Irã volta a sofrer sanções por programa nuclear e convoca embaixadores em países europeus

    Irã volta a sofrer sanções por programa nuclear e convoca embaixadores em países europeus

    Na última sexta (26), Rússia e China tinham proposto estender por seis meses o prazo da ativação automática das sanções relativas ao programa nuclear iraniano. A resolução foi bloqueada por Reino Unido, França e Alemanha.

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Sanções contra o Irã estão previstas para serem restabelecidas neste sábado (27), após o Conselho de Segurança da ONU vetar uma resolução que pedia adiamento da punição aos persas.

    Na última sexta (26), Rússia e China tinham proposto estender por seis meses o prazo da ativação automática das sanções relativas ao programa nuclear iraniano. A resolução foi bloqueada por Reino Unido, França e Alemanha.

    Com a decisão, todas as sanções da ONU contra o Irã voltam a valer às 21h. Elas incluem embargo a vendas de armas, proibição de enriquecimento e reprocessamento de urânio, veto a atividades com mísseis balísticos de potencial nuclear, congelamento global de ativos, restrições de viagem a indivíduos e entidades iranianas.

    Segundo Barbara Wood, representante do Reino Unido no Conselho de Segurança, não havia garantias suficientes do Irã para uma solução diplomática rápida.

    “Este conselho cumpriu todas as etapas exigidas pelo processo de reimposição automática estabelecida na resolução 2231”, afirmou.
    Reino Unido, França e Alemanha acusam Teerã de violar o acordo de 2015 que visa impedir o desenvolvimento de armas nucleares. O Irã nega a intenção de fabricar esse tipo de armamento.

    Em resposta à decisão do Conselho, Irã convocou neste sábado seus embaixadores no Reino Unido, França e Alemanha para consultas, segundo a imprensa estatal.

    O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou a jornalistas que o Irã não pretende deixar o Tratado de Não Proliferação como reação à restauração das sanções da ONU.

    “O Irã nunca buscará armas nucleares. Estamos totalmente preparados para ser transparentes em relação ao nosso urânio altamente enriquecido”, disse.

    Pezeshkian ainda afirmou que considera a ativação automática das sanções um dispositivo nulo e politicamente irresponsável. “A diplomacia nunca morre, mas ficará mais difícil e complexa daqui para frente”, declarou.

    Irã volta a sofrer sanções por programa nuclear e convoca embaixadores em países europeus

  • Novo bombardeamento de Israel em Gaza mata pelo menos 26 pessoas

    Novo bombardeamento de Israel em Gaza mata pelo menos 26 pessoas

    Pelo menos 26 habitantes da Faixa de Gaza morreram hoje devido a bombardeamentos israelenses, na sua maioria contra residências familiares no norte e centro do enclave, confirmaram fontes locais à agência de notícias EFE.

    De acordo com o Hospital Al Shifa, seis pessoas morreram em um ataque contra a casa da família Bakr, no campo de refugiados de Al Shati, a oeste da cidade de Gaza, no norte da Faixa.

    A Defesa Civil de Gaza informou sobre outras cinco mortes em um bombardeio à casa da família Al Shurafa, no bairro de Rimal, na cidade de Gaza, onde pelo menos 13 pessoas ainda estão soterradas sob os escombros.

    Na localidade de Al Zawaida, no centro do enclave, um ataque à casa da família Abu Rukab deixou três mortos, segundo a mesma fonte.

    No campo de refugiados de Nuseirat, também na região central, o Hospital Al Awda confirmou a morte de 12 pessoas em um bombardeio contra a casa da família Al Jamal.

    Desde o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro de 2023, mais de 65.500 palestinos morreram em ataques israelenses, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo movimento islâmico Hamas.

    Novo bombardeamento de Israel em Gaza mata pelo menos 26 pessoas

  • Estados Unidos revogam visto do presidente da Colômbia

    Estados Unidos revogam visto do presidente da Colômbia

    O Departamento de Estado dos Estados Unidos garantiu que revogará o visto do Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, alegando que o líder colombiano apelou aos soldados do Exército norte-americano para desobedecerem ao Presidente dos EUA, Donald Trump.

    Na manhã de sexta-feira, o presidente colombiano Gustavo Petro parou em uma rua de Nova York e exortou os soldados americanos a desobedecerem às ordens e a incitarem à violência. “Revogaremos o visto de Petro devido às suas ações imprudentes e incendiárias”, afirmou o Departamento de Estado em uma mensagem na rede social X.

    O líder colombiano participou na sexta-feira de uma manifestação pró-Palestina que ocorreu em Nova York, coincidindo com a realização da 80ª Assembleia Geral da ONU. Nessa marcha — na qual caminhou ao lado do cofundador da banda britânica Pink Floyd, Roger Waters — Petro dirigiu-se aos soldados norte-americanos pedindo que não obedeçam às ordens.

    “Peço a todos os soldados do Exército dos Estados Unidos que não apontem suas armas contra a humanidade. Desobedeçam à ordem de Trump. Obedeçam à ordem da humanidade”, declarou com um megafone diante da multidão reunida nas ruas da cidade.

    Ao longo do dia, Petro também afirmou que tentará aprovar uma resolução para formar um “exército de salvação” que vá à Faixa de Gaza lutar pelos palestinos. Nesse sentido, abrirá uma lista de voluntários colombianos que queiram ir lutar, incluindo ele próprio.

    “E, assim como ocorreu na Primeira Guerra Mundial, quero que os jovens, filhos de trabalhadores tanto de Israel quanto dos Estados Unidos, apontem suas armas não contra a humanidade, mas contra os tiranos e os fascistas”, concluiu o político colombiano.

    Estados Unidos revogam visto do presidente da Colômbia

  • Júri indicia ex-diretor do FBI crítico a Trump após pressão do governo

    Júri indicia ex-diretor do FBI crítico a Trump após pressão do governo

    James Comey (foto) é acusado de falso testemunho e de tentativa de obstruir investigação no Congresso; ele se diz inocente; ele investigou suposta interferência russa na eleição de 2016, vencida pelo republicano

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Depois de pressão feita pelo governo de Donald Trump, um júri federal indiciou na noite de quinta-feira (25) o ex-diretor do FBI James Comey por acusações criminais de falso testemunho e obstrução de investigação no Congresso. Segundo críticos, a decisão é mais uma iniciativa do presidente americano para retaliar pessoas que determinaram investigações contra ele ou criticaram seus atos.

    Comey, que chefiou o FBI de 2013 a 2017, foi demitido por Trump ainda no início do primeiro mandato. À época, ele chefiava investigações sobre integrantes da campanha do republicano e a suposta interferência da Rússia na campanha presidencial de 2016, em que Trump venceu Hillary Clinton.

    Desde então, ele se tornou crítico do atual presidente, a quem já chamou de “moralmente inapto” para o cargo. Ainda na quinta, após a formalização do indiciamento, Comey publicou um vídeo nas redes sociais em que se diz inocente. “Meu coração está partido pelo Departamento de Justiça, mas tenho grande confiança no sistema judicial federal e sou inocente. Então, vamos a julgamento e manter a fé”, afirmou.

    O caso atual contra Comey tem origem em seu depoimento de 2020 ao Comitê Judiciário do Senado, no qual ele respondeu a críticas republicanas sobre a investigação da suposta interferência russa e negou ter autorizado vazamentos de informações à imprensa. A Promotoria afirma que ele enganou o Congresso.

    A acusação, contudo, é considerada mais um exemplo de uso do aparato judicial do governo para atingir um crítico de Trump, que prometeu vingança contra desafetos ainda durante a campanha de 2024.

    O indiciamento foi formalizado pelo júri pouco depois de Trump cobrar publicamente mais rapidez da secretária de Justiça, Pam Bondi, em processar opositores. “A JUSTIÇA DEVE SER FEITA, AGORA”, escreveu o presidente em sua plataforma, a Truth Social, com as habituais maiúsculas.

    Bondi, por sua vez, escreveu também em uma rede social que ninguém está acima da lei. “A acusação de hoje reflete o compromisso deste Departamento de Justiça em responsabilizar aqueles que abusam de posições de poder para enganar o povo americano. Acompanharemos os fatos neste caso.”

    Nos bastidores, entretanto, a iniciativa enfrenta resistência. O procurador federal Erik Siebert, que chefiava o distrito da Virgínia Oriental responsável pelo caso, renunciou na semana passada após manifestar dúvidas sobre a consistência das provas.

    Sua substituta, Lindsey Halligan, ex-assessora da Casa Branca e antiga advogada pessoal do presidente, assumiu o comando do processo. Outros promotores da região também manifestaram preocupação sobre a fragilidade das acusações.

    Um sorteio eletrônico nesta sexta-feira (26) definiu que Comey será julgado pelo juiz federal Michael Nachmanoff, nomeado em 2021 pelo então presidente democrata, Joe Biden. O ex-diretor do FBI deverá comparecer ao tribunal em 9 de outubro, quando será formalmente acusado. Se condenado, poderá pegar até cinco anos de prisão.

    Trump lamentou o sorteio. Na Truth Social, escreveu que o processo caiu nas mãos de um “juiz indicado pelo corrupto Joe Biden”, sugerindo que Comey teria vantagem. A corte não comentou as declarações.

    Também nesta sexta, Trump disse esperar mais processos contra os seus antigos desafetos, embora tenha negado a existência de uma lista de inimigos internos. O Departamento de Justiça investiga outros adversários do atual presidente, incluindo a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e John Bolton, que atuou como oficial de segurança nacional no primeiro mandato do republicano.

    Republicanos há anos acusam a investigação russa de ter sido concebida para enfraquecer o primeiro governo de Trump. Em 2019, um relatório interno do Departamento de Justiça apontou falhas e erros na abertura do inquérito, mas não encontrou indícios de motivação política. O documento também criticou Comey por ter pedido a um amigo que entregasse ao jornal The New York Times memorandos que descrevem reuniões privadas com Trump -episódio que, à época, não resultou em acusação formal.

    Após a saída de Comey do FBI, Robert Mueller foi nomeado para conduzir a investigação sobre a Rússia. Ele identificou interações entre a campanha de Trump e Moscou, mas não encontrou provas suficientes para caracterizar uma conspiração criminosa.

    Nomeado por Trump, o atual diretor do FBI, Kash Patel, negou nesta sexta as acusações de que as denúncias contra Comey têm motivações políticas: “As acusações totalmente falsas que atacam o FBI por politizar a aplicação da lei vêm dos mesmos meios de comunicação falidos que venderam ao mundo o ‘RussiaGate’: é hipocrisia em estado puro”, escreveu no X.

    Segundo críticos, o próprio Patel tem conduzido o FBI a uma instrumentalização histórica pelo governo.

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  • ONG suspende atuação na Cidade de Gaza após 'implacável ofensiva' de Israel

    ONG suspende atuação na Cidade de Gaza após 'implacável ofensiva' de Israel

    A organização ‘Médicos Sem Fronteiras’ afirma que a decisão foi inevitável apesar do impacto sobre a população mais vulnerável: “É a última coisa que queríamos”

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou nesta sexta-feira (26) a suspensão de suas atividades na Cidade de Gaza, a maior da faixa homônima, depois que os centros de atendimento da organização no local ficaram cercados por tropas de Israel durante uma “implacável ofensiva” militar para tomar a região.

    A organização afirma que a decisão foi inevitável apesar do impacto sobre a população mais vulnerável. “É a última coisa que queríamos, pois as necessidades são enormes, e as pessoas mais vulneráveis, incluindo bebês em cuidados neonatais, feridos graves e pacientes em estado terminal, não conseguem se movimentar e correm grave perigo”, afirmou Jacob Granger, coordenador de emergência da MSF em Gaza.

    Na última semana, as equipes da ONG fizeram mais de 3.600 consultas e atenderam 1.655 pacientes com desnutrição. Em um cenário de crise sem precedentes, a organização pede o “fim imediato da violência” e o “acesso sem obstáculos” para trabalhadores humanitários.

    Apesar da suspensão das operações na cidade, a MSF informou que continuará prestando apoio a serviços essenciais em hospitais administrados pelo Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, incluindo o Al-Helou e o Al-Shifa, enquanto permanecerem em funcionamento. Em outro comunicado, a organização afirma que continuará atuando nas regiões sul e central da Faixa de Gaza.

    Israel intensificou as ofensivas na Cidade de Gaza nos últimos dias. A Defesa Civil do território, controlado pelo Hamas, informou que pelo menos 22 pessoas morreram nesta sexta-feira em todo o território palestino, sendo 11 delas na maior cidade. Em comunicado, o Exército israelense disse ter atingido mais de 140 alvos nas últimas 24 horas, incluindo terroristas, túneis e estruturas militares.

    A MSF, por sua vez, falou em nível inaceitável de risco. “A implacável ofensiva israelense na Cidade de Gaza forçou a MSF a suspender suas atividades médicas vitais na região devido à rápida deterioração da situação de segurança, incluindo ataques aéreos contínuos e tanques avançando a menos de um quilômetro de nossas instalações de saúde. Os ataques crescentes das forças israelenses criaram um nível inaceitável de risco para nossa equipe, resultando na interrupção de serviços médicos vitais”, diz.

    “O acesso e o fornecimento de água potável, alimentos, abrigo e cuidados são cada vez mais restritos. Os palestinos na Cidade de Gaza estão sendo alvo de bombardeios implacáveis. Eles estão exaustos e estão sendo deliberadamente privados de itens básicos de sobrevivência”, continua o comunicado. “Apelamos pelo fim imediato da violência e por medidas concretas para proteger os civis.”

    Os ataques também provocaram um novo fluxo de deslocados. O Exército de Israel informou na quinta que 700 mil palestinos deixaram a Cidade de Gaza desde o fim de agosto. Já o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) estima que 388,4 mil pessoas fugiram para o sul da faixa nesse período, a maioria proveniente da Cidade de Gaza.

    As ofensivas de Israel em resposta aos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 já mataram mais de 65 mil palestinos, a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza. Entretanto, o ex-comandante do Exército de Israel Herzi Halevi disse que o número de mortos ou feridos já supera 200 mil, cerca de 10% da população do território.

    Em dezembro do ano passado, a MSF afirmou que os ataques israelenses configuram um processo de “limpeza étnica” e genocídio em Gaza.

    ONG suspende atuação na Cidade de Gaza após 'implacável ofensiva' de Israel

  • Campanha de deportações de Trump causa onda de cancelamentos de festivais latinos nos EUA

    Campanha de deportações de Trump causa onda de cancelamentos de festivais latinos nos EUA

    Brazil Fest em Massachusetts foi adiada e depois, cancelada, assim como evento que celebrava mês da cultura hispânica; em Los Angeles, moradores escondem imigrantes em carros para escapar de batidas do ICE, o serviço de imigração

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A campanha de deportações do governo Donald Trump vem causando um clima de medo entre comunidades de imigrantes em diferentes cidades dos Estados Unidos, causando uma onda de cancelamento de eventos em Massachusetts e cenas tensas na Califórnia.

    Um dos cancelamentos atingiu a comunidade brasileira em Martha’s Vineyard, conhecida ilha na costa leste americana que abriga mansões de famosos e possui grande contingente de trabalhadores migrantes.

    Em junho, organizadores adiaram a Brazil Fest, que celebra a cultra do país, depois que 40 pessoas foram detidas pelo ICE, o serviço de imigração americano. Remarcada para 12 de outubro, Dia das Crianças, o evento foi definitivamente cancelado no último dia 15 por medo de que agentes de imigração invadissem o festival.

    Já a Fiesta del Rio, que comemora o Mês da Cultura Hispânica na cidade de Everett, também em Massachusetts, foi cancelada nove dias antes da data prevista para acontecer, no último dia 20. De acordo com o jornal The Boston Globe, o prefeito de Everett, Carlo DeMaria, disse que “não seria certo ter uma celebração” em um momento em que membros da comunidade não se sentem seguros de sair na rua.

    Dados do censo americano mostram que 50% da população da cidade, que faz parte da região metropolitana de Boston, é composta por pessoas nascidas fora dos EUA -a maioria vinda da América Latina.

    Bostou, que tem uma grande comunidade brasileira, vem sendo alvo de ações cada vez mais ostensivas do ICE. Além de aguardar que pessoas se apresentem em tribunais de imigração para prendê-las, prática que virou comum em todo o país, agentes federais têm realizado batidas em estacionamentos de supermercados e lojas de construção, onde imigrantes se reúnem em busca de trabalho diário.

    Como resultado, a campanha de deportações de Trump acaba tendo como alvo imigrantes em situação irregular, mas sem histórico criminal.

    A mesma estratégia se repete do outro lado do país, na Califórnia. Moradores de Los Angeles ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que, quando veem acontecer uma batida do ICE em um estacionamento, por exemplo, abrigam imigrantes dentro dos seus próprios carros para tentar protegê-los de prisão e deportação.

    Os relatos evidenciam uma dinâmica que aumenta a tensão nos EUA: grandes centros urbanos, que costumam ter mais eleitores à esquerda e serem governados pelo Partido Democrata, se opõem fortemente à campanha de deportação da Casa Branca. Em alguns casos, essa oposição é lei: em vários locais do país, democratas aprovaram leis que proíbem a cooperação de autoridades locais com agentes de imigração federais.

    Essas são as chamadas “cidades santuário”, que argumentam que, se boa parte da sua população vive com medo de sair à rua, crimes graves acabam não sendo reportados, como assassinato e tráfico de pessoas, e a própria economia sofre. Segundo o Boston Globe, o comércio em cidades como Everett vem sofrendo com a menor circulação de pessoas na rua, e até mesmo escolas e consultórios médicos relatam menor demanda.

    Campanha de deportações de Trump causa onda de cancelamentos de festivais latinos nos EUA