Categoria: MUNDO

  • ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

    ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

    Relatório denuncia redes internacionais que recrutam vítimas sob falsas promessas de emprego e as mantêm em condições degradantes para aplicar golpes online. Documento cita tortura, exploração sexual e mortes em tentativas de fuga, sobretudo no Sudeste Asiático

    Milhares de pessoas ao redor do mundo foram forçadas a trabalhar para redes de golpes digitais, muitas delas com base no Sudeste Asiático, vivendo em condições degradantes e submetidas a graves violações de direitos humanos. A denúncia consta em relatório divulgado nesta terça-feira pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

    O documento reúne centenas de depoimentos de vítimas e detalha casos de tortura, maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimentos e confinamento em isolamento. “A lista de abusos é avassaladora”, afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

    Segundo o relatório, os abusos ocorreram entre 2021 e 2025 em centros de fraude digital localizados no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos. A atuação dessas redes, porém, também foi identificada em países da África e das Américas.

    As vítimas são originárias de diferentes partes do mundo, com predominância de cidadãos asiáticos. Também há registros de recrutamento em países europeus como França, Alemanha e Reino Unido, além de nações da América Latina, entre elas Peru, Colômbia, Brasil e México.

    Após serem aliciadas, as pessoas eram obrigadas a aplicar golpes online, que incluíam roubo de identidade, extorsão, fraudes financeiras e outros tipos de estelionato digital.

    Relatos apontam que muitos eram mantidos em grandes complexos que funcionavam como “cidades autossuficientes”, com prédios fortificados, muros altos com arame farpado e vigilância de seguranças armados. Quem não atingia metas mensais de fraude era submetido a punições severas.

    Sobreviventes contaram ainda que colegas morreram ao tentar fugir, muitas vezes ao cair de sacadas e telhados. Aqueles capturados após tentativas de escape sofriam castigos físicos e psicológicos.

    De acordo com a ONU, nenhuma das vítimas entrevistadas recebeu o pagamento prometido pelos recrutadores. O relatório também menciona suspeitas de conivência de policiais e agentes de fronteira em alguns casos, inclusive com participação em abusos.

    Diante das denúncias, o órgão das Nações Unidas pediu a realização de operações coordenadas e seguras para resgatar as vítimas, além da implementação de programas de apoio e reabilitação para os sobreviventes.

    Volker Türk fez um apelo à comunidade internacional para enfrentar o avanço dessas redes criminosas, que têm como principal foco o Sudeste Asiático, mas vêm se expandindo para outras regiões.

    Em relatório anterior, divulgado em 2023, a ONU já estimava que centenas de milhares de pessoas haviam sido recrutadas à força para participar de esquemas de fraude online.
     

     
     

    ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

  • Irã ameaça atingir bases dos EUA e eleva tensão no Oriente Médio

    Irã ameaça atingir bases dos EUA e eleva tensão no Oriente Médio

    Em carta à ONU, Teerã afirma que responderá “de forma decisiva” a qualquer ataque e classificará instalações norte-americanas na região como alvos legítimos. Declarações ocorrem após ultimato de Donald Trump sobre acordo nuclear e em meio a reforço militar dos EUA

    O governo do Irã informou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que reagirá “de forma decisiva e proporcional” a qualquer ataque contra seu território e advertiu que bases dos Estados Unidos no Oriente Médio poderão ser consideradas alvos legítimos em caso de ação militar.

    Em carta enviada na quinta-feira à ONU, a Missão Permanente do Irã afirmou que declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, indicam “risco real de agressão militar”, embora tenha ressaltado que Teerã não pretende iniciar um conflito. O embaixador iraniano citou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que trata do direito à autodefesa, ao sustentar que o país responderá dentro dos princípios do direito internacional.

    O documento acrescenta que, diante de uma eventual ofensiva, “todas as bases, infraestruturas e ativos norte-americanos na região” poderão ser alvo de retaliação.

    Horas antes, Trump declarou em Washington que dará um prazo de dez dias para que haja avanço em um acordo com o Irã sobre o programa nuclear. Caso contrário, segundo ele, poderão ocorrer “coisas más”. O presidente afirmou que busca um entendimento “significativo”, mas sinalizou que o desfecho pode ser mais duro se não houver consenso.

    Na sequência das declarações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também elevou o tom e afirmou que o Irã enfrentará uma resposta severa caso ataque o território israelense. Em pronunciamento durante cerimônia militar, disse que o país está preparado para qualquer cenário.

    As trocas de ameaças ocorrem em meio ao reforço da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, com mobilização de meios navais e aéreos. Segundo a emissora CNN e o jornal The New York Times, forças norte-americanas estariam prontas para uma possível operação contra o Irã nos próximos dias, embora a decisão final ainda não tenha sido anunciada pela Casa Branca.

    Na terça-feira, representantes dos dois países concluíram uma segunda rodada de negociações na Suíça sem avanços concretos. Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica realiza exercícios militares no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo, em um movimento interpretado como demonstração de força diante da escalada de tensões.
     
     

     

    Irã ameaça atingir bases dos EUA e eleva tensão no Oriente Médio

  • Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

    Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

    Conselho da Paz anunciou envio de US$ 7 bi para reconstrução da região; Nações Unidas dizem ser necessários US$ 70 bi; comitê palestino apoiado por EUA diz que 2.000 pessoas já se candidataram para força policial no território

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – O Conselho da Paz criado por Donald Trump apresentou nesta quinta-feira (19) um plano de reconstrução da Faixa de Gaza que prevê arranha-céus à beira-mar, ferrovias, portos, aeroporto e exploração de gás natural no território palestino.

    O conselho, criado pelo presidente dos Estados Unidos, anunciou na reunião um investimento inicial de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) para ajudar na recuperação de Gaza, devastada por bombardeios de Israel durante dois anos de guerra contra o grupo terrorista Hamas.

    O valor, entretanto, corresponde a 10% dos US$ 70 bilhões que seriam necessários para reconstruir o território ao longo de décadas, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), dos quais US$ 20 bilhões precisariam ser gastos nos primeiros três anos para estabilizar a grave crise humanitária pela qual passam os palestinos de Gaza.

    O plano detalhado em Washington mostra que 85% dos prédios e construções de Gaza foram destruídos. Em outubro de 2025, as Nações Unidas disseram que o conflito gerou cerca de 55 milhões de toneladas de entulho, uma quantidade de escombros equivalente a 13 vezes o volume das pirâmides de Gizé, no Egito.

    O projeto apresentado na quinta, que não mencionou tempo ou custo de cada uma das suas fases, prevê que a curto prazo sejam removidos escombros e munições não explodidas, além de restabelecimento das cadeias de suprimento, fornecimento de água, saneamento e energia.

    Na sequência, virá a construção de habitação permanente, hospitais, clínicas, escolas e universidades. Por fim, a longo prazo, é esperada a construção de arranha-céus à beira-mar, com infraestrutura de transporte, exploração de recursos energéticos e desenvolvimento urbano avançado.

    Participaram da primeira reunião do Conselho da Paz líderes de 20 países que já aderiram à iniciativa de Trump, como a Argentina, o Egito e a Turquia. O Brasil ainda não respondeu ao convite do americano, e o governo Lula (PT) avalia que a organização tem risco de esvaziar a ONU.

    Trump anunciou que os EUA vão enviar US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para o Conselho da Paz, mas não detalhou qual será o uso desta verba. Alguns dos países presentes se comprometeram com aportes de dinheiro para o conselho, como os Emirados Árabes, que anunciaram US$ 1,2 bilhão para o grupo, o Qatar, com US$ 1 bilhão, e Arábia Saudita com US$ 1 bilhão -que devem ser pagos ao longos próximos anos.

    Outros países se comprometeram a ajudar a estabilizar Gaza com outros tipos de esforços. A Indonésia ofereceu enviar pelo menos 8.000 soldados para formar uma força de segurança na região, enquanto o Cazaquistão afirmou que vai enviar dinheiro e também trigo ao território palestino. O Bahrein vai ajudar com infraestrutura para serviços digitais e o Uzbequistão se prontificou a reconstruir escolas, creches e hospitais.

    O Egito afirma que vai continuar os esforços para treinar policiais palestinos a fim de manter a segurança na Faixa de Gaza. A Romênia vai atuar na construção de serviços de emergência, escolas e instituições, e a Turquia disse que vai contribuir no setor de saúde, educação e treinamento da polícia.

    O empreendedor imobiliário americano Marc Rowan, indicado por Trump a uma cadeira no conselho, detalhou que, em um primeiro momento, serão construídas 100 mil casas e, a longo prazo, 400 mil, número que comportaria toda a população da região. O valor total das construções das residências seria de US$ 30 bilhões.

    Não foram anunciadas datas ou previsões para isso. “O potencial é gigantesco, mas precisa começar em algum lugar. O começo é em Rafah, onde vai ser o primeiro local onde a segurança vai ser estabelecida”, disse Rowan, que afirmou que “não há um problema financeiro, há um problema de paz”.

    Ele afirmou ainda que a região é valiosa do ponto de vista imobiliário e vale o investimento. “Só a costa vale US$ 50 bilhões, as residências mais de US$ 30 bilhões, a infraestrutura US$ 30 bilhões”, disse o bilionário.

    A ideia de arranha-céus na região já tinha sido apresentada no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em janeiro. No evento, slides mostravam dezenas de prédios na costa do Meditarrêneo e conjuntos habitacionais na área de Rafah.

    No ano passado, Trump já tinha ventilado a ideia de usar a região de Gaza para construções luxuosas. Em fevereiro, ele sugeriu que a área deveria ser despovoada para ser reconstruída como uma espécie de resort ao gosto de suas propriedades na Flórida e no Mediterrâneo.

    Ele afirmou na ocasião que os Estados Unidos deveriam liderar o esforço, tomando para si o território e até enviando tropas. Na prática, o Conselho da Paz concretiza essa ideia, uma vez que o comitê tecnocrático palestino que governará Gaza está sob supervisão e controle de Trump.

    Além dos prédios luxuosos, foi anunciada também a implementação de internet de alta-velocidade para toda a população até julho deste ano com o objetivo de possibilitar pagamento com carteira digital, o que seria uma forma de retomar o comércio em Gaza.

    De acordo com o comitê palestino apoiado pelos EUA, foram abertas as inscrições para uma força policial em Gaza, que deverá suplantar o controle armado que os terroristas do Hamas hoje detém no território. O comitê afirmou que cerca de 2.000 palestinos se inscreveram para a força policial nas primeiras horas após o anúncio.

    Em publicação no X, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza afirma que um processo de recrutamento “está aberto a homens e mulheres qualificados que desejam servir na força policial”.

    O comunicado inclui um link para um site onde palestinos podem se candidatar. Os candidatos devem ser residentes de Gaza com idade entre 18 e 35 anos, não ter antecedentes criminais e estar em boa forma física.

    Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

  • Nono presidente do Peru em dez anos, José Balcázar já defendeu casamento infantil

    Nono presidente do Peru em dez anos, José Balcázar já defendeu casamento infantil

    Político de 83 anos tem histórico de polêmicas e deve sofrer pressão para perdoar Pedro Castillo, preso por autogolpe; professor e advogado foi apontado na quarta (18) pelo Parlamento para presidir o país de forma interina até julho

    BUENOS AIRES, ARGENTINA (CBS NEWS) – Não vai ser uma tarefa simples, e a figura escolhida é menos do que ideal. Com José Balcázar, político de 83 anos com histórico de corrupção e de defesa de teses como o casamento infantil, a esquerda volta ao poder no Peru.

    Terá o desafio de conduzir o país até as eleições, que acontecem em menos de dois meses, negociar com um Congresso cada vez mais poderoso e lidar com a sombra do ex-presidente Pedro Castillo. Balcázar foi selecionado pelo Parlamento e assume automaticamente a Presidência do país de forma interina, depois que os congressistas derrubaram o antecessor, José Jerí.

    Professor e advogado de 83 anos, ele venceu no segundo turno da votação a centro-direitista Maricarmen Alva, recebendo 60 votos dos parlamentares ante 46 de sua oponente, tornando-se o nono presidente do Peru desde 2016.

    Ele foi eleito como representante do partido Peru Livre, que elegeu Pedro Castillo em 2021. O ex-presidente perdeu o poder e foi condenado em 2025 por autogolpe -ele tentou dissolver o Congresso em 2022, sem sucesso.

    Uma dúvida agora é se Balcázar tentará indultar Castillo, como defendem políticos do Peru Livre. “Nenhum perdão está na pauta. O que sei é que o ex-presidente tem um processo criminal e que deve seguir seu curso correspondente”, garantiu ele à imprensa.

    A imprensa peruana também especula sobre o grau de influência que o líder do partido, Vladimir Cerrón, terá no novo governo. Barcázar afirma que buscará o consenso e que não tem nada contra a príncipal líder da oposição, Keiko Fujimori, da Força Popular.

    “É um dia muito triste para o país. Permitiram que a esquerda radical governasse novamente. Todos sabemos quem são os irresponsáveis que nos levaram ao caos. Nunca deveriam ter aberto essa porta”, escreveu Keiko, filha do ditador Alberto Fujimori, no X.

    Balcázar entrou no Congresso em 2021 como representante da província de Lambayeque, com mandato até 2026. Nascido em Cajamarca, formou-se na Universidade Nacional Pedro Ruíz Gallo. No Parlamento, atuou na comissão que elegeu novos magistrados do Tribunal Constitucional e é vice-presidente da Comissão de Justiça. Chegou a deixar o partido de Castillo para formar o Bicentenário do Peru com outros congressistas, mas depois retornou à sigla.

    Ainda como parlamentar, ele se envolveu em uma polêmica em 2023, ao defender o casamento infantil quando a proibição dessa prática era debatida na Comissão de Justiça e Direitos Humanos do Congresso. “Hoje em dia as pessoas não se casam, são todas uniões de fato. Desde os 14 anos, as meninas já estão grávidas. Com a lei que queremos, o que vamos fazer? Proibir aquelas pessoas que engravidam ainda menores?”, questionou.

    Ele depois tentou justificar sua posição, insistindo que pessoas com mais de 14 anos podem fazer contratos e enfatizou que as críticas contra ele tinham como objetivo desqualificá-lo.

    Balcázar também foi juiz e membro provisório da Suprema Corte de Justiça do país, mas sua carreira no Judiciário foi manchada por um suposto desvio de recursos, ainda investigado, de uma associação de magistrados, a Ordem dos Advogados de Lambayeque, que foi contra a sua candidatura à Presidência.

    O novo governo começa com o desafio de garantir as eleições gerais, em 12 de abril, e a transição até 28 de julho, com um histórico desfavorável: dos últimos 7 presidentes, 4 foram destituídos, e 2 renunciaram antes de serem afastados.

    O partido de Balcázar hoje tem 11 de 130 representantes no Congresso. Para vencer Maricarmen, ele precisou negociar com diferentes correntes políticas, inclusive com parlamentares que meses antes sustentavam o mandato de Jerí.

    Em seu discurso de posse na madrugada desta quinta-feira (19), o novo presidente dos peruanos afirmou que sua gestão garantirá eleições transparentes e assegurou que priorizará a luta contra a insegurança.

    “Antes de tudo, [vamos] garantir que haverá uma transição democrática, pacífica e transparente, que não haja dúvidas nas eleições; segundo, uma pacificação. […] Precisamos pacificar este país, é uma questão de começar a trabalhar”, disse ele.

    Além disso, garantiu que manterá uma linha econômica estável e que “não se pode conduzir o país através de provações”. “Não vamos dar saltos no vazio”, acrescentou.

    A rápida destituição de José Jerí no dia anterior acende um alerta sobre a dificuldade que os presidentes têm para manter apoio no Legislativo, e a facilidade com que o Congresso peruano pode destituir os chefes do Executivo.

    A Constituição de 1990 permite ao Congresso declarar a vacância da Presidência por “incapacidade moral”, e a tendência é que os atores políticos utilizem esse mecanismo como forma de pressão e uma moeda de troca contra os ocupantes da Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano.

    A dificuldade reside no fato de que “incapacidade moral” é um conceito vago, baseado na opinião de legisladores.

    A última década de instabilidade também enfraqueceu e fragmentou o conjunto de partidos políticos no país, facilitando a troca de cargos e permitindo que a destituição do presidente seja usada como ameaça.

    RELEMBRE OS PRESIDENTES DO PERU DESDE 2016

    Ollanta Humala
    (jul.11-jul.16) Último líder peruano a concluir o mandato

    Pedro Pablo Kuczynski
    (jul.16-mar.18) Eleito em 2016, renunciou antes de ser destituído por denúncias de corrupção

    Martín Vizcarra
    (mar.18-nov.20) Foi vice de PPK, destituído pelo Congresso por denúncias de corrupção

    Manuel Merino
    (10.nov.20-15.nov.20) Era presidente do Congresso, renunciou por falta de apoio

    Francisco Sagasti
    (nov.20-jul.21) Presidia o Congresso, assumiu para completar mandato

    Pedro Castillo
    (jul.21-dez.22) Eleito em 2021, foi destituído ao tentar um autogolpe

    Dina Boluarte
    (dez.22-out.25) Foi vice de Castillo, deposta pelo Congresso por ‘incapacidade moral

    José Jeri
    (out.25-fev.26) Presidia o Congresso, foi deposto por ‘má conduta’

    José Balcázar
    (desde 18.fev.26) Escolhido pelo Congresso para completar mandato até julho

     

    Nono presidente do Peru em dez anos, José Balcázar já defendeu casamento infantil

  • Itália centraliza análise de pedidos de cidadania em Roma

    Itália centraliza análise de pedidos de cidadania em Roma

    Pedido deve ser enviado diretamente à chancelaria italiana; novas regras ampliam de 24 para 36 meses o prazo para tramitação dos procedimentos para o pedido de cidadania italiana

    A partir desta quinta-feira (19), toda pessoa maior de idade não residente na Itália interessada em obter a cidadania italiana deverá encaminhar o pedido diretamente ao Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional, em Roma, onde as solicitações serão analisadas. 

    A transferência da avaliação de quem tem direito à cidadania italiana por direito de sangue para um órgão ministerial é parte da Lei nº 11, proposta pelo governo com a justificativa de desafogar os consulados italianos e aprovada pelos deputados e senadores italianos. 

    Segundo o texto da Lei nº 11, publicada no último dia 4 na Gazzetta Ufficialle della Repubblica (correspondente ao nosso Diário Oficial da União), os novos pedidos de reconhecimento de cidadania italiana para maiores de idade residentes no exterior deverão ser feitos exclusivamente pelos Correios, com envio da documentação original em papel, acompanhada pelo pagamento das taxas exigidas.  

    Por sua vez, os chefes das seções consulares mantêm a competência para tratar dos procedimentos envolvendo quem já obteve a cidadania italiana, incluindo os filhos, desde que residam na região sob sua responsabilidade – tarefa que inclui o poder de renovar ou emitir o Certificado de Cidadania. 

    De acordo com a Ansa, agência pública de notícias da Itália, o texto amplia de 24 para 36 meses o prazo para tramitação dos procedimentos, embora o órgão ministerial criado por força da lei para analisar os pedidos esteja previsto para funcionar plenamente apenas a partir do início de 2029. 

    Ainda de acordo com a Ansa, a mudança chega na esteira das restrições promovidas pela gestão da premiê Giorgia Meloni no princípio do jus sanguinis, que agora é reconhecido apenas para descendentes que tenham um dos pais ou um dos avós nascido na Itália e com cidadania exclusivamente italiana.

    Itália centraliza análise de pedidos de cidadania em Roma

  • Greve na Argentina provoca alteração nos voos da Latam

    Greve na Argentina provoca alteração nos voos da Latam

    A Latam avisou que alguns voos poderiam operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados; passageiros estão sendo avisados que devem conferir voos antes de se dirigir ao aeroporto

    A greve geral desta quarta-feira (19) na Argentina provocou a alteração das operações da Latam tanto para decolagens quanto para pousos no país. Segundo o grupo, a medida foi tomada depois da notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo (empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos da Argentina). A empresa avisou que alguns voos poderiam operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados.

    A recomendação da Latam é a de que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto e diz que os afetados pelos cancelamentos e/ou reprogramações podem optar por alteração sem custo para uma nova data dentro de um ano a partir da data original do voo ou reembolso integral da reserva.

    Greve Nacional

    A greve nacional, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), começou nesta quarta-feira (19) e vai se estender até a meia-noite de quinta-feira (20), como forma de protesto contra a reforma trabalhista aprovada pelo Senado argentino na semana passada. A Câmara dos Deputados começa a analisar o projeto hoje.

    Entre as mudanças, a proposta prevê a flexibilização das férias e jornadas de trabalho de até 12 horas, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas, ampliar a segurança jurídica e incentivar a criação de empregos formais, além de reduzir os custos de demissão para os empregadores, excluindo certos bônus da fórmula de compensação. A expectativa do governo argentino é a de aprovar o texto até 1º de março. Segundo a CGT, a reforma ameaça proteções trabalhistas antigas, incluindo o direito à greve.

    As atividades de exportação de grãos e derivados da Argentina já estavam paralisadas desde quarta-feira, devido a uma greve realizada por sindicatos marítimos contra a reforma prevista para durar 48 horas. A greve dos trabalhadores marítimos afetou a atracação e desatracação de navios, o transporte de práticos e os serviços a embarcações, principalmente na área portuária de Rosário, um dos maiores centros de exportação agrícola do mundo.

    “O objetivo é defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”, disse a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf).

    Além das greves anunciadas por diversas entidades, o sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo, o polo agroexportador localizado ao norte de Rosário, onde se concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país, aderiu à greve na quarta-feira. A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja.

    Greve na Argentina provoca alteração nos voos da Latam

  • Mãe de menino com coração 'queimado' diz: "Enquanto respirar, está vivo"

    Mãe de menino com coração 'queimado' diz: "Enquanto respirar, está vivo"

    Mãe do menino italiano que foi submetido ao transplante de um coração que estava “queimado” garantiu que, enquanto o seu filho “respirar”, não o deixará sozinho, uma vez que “está vivo”

    A mãe do menino de dois anos e três meses que foi submetido ao transplante de um coração que estava “queimado”, no último dia 23 de dezembro, assumiu que, enquanto o seu filho “respirar”, não o abandonará, uma vez que “está vivo”. Quando passou passou pela primeira cirurgia de emergência, a criança recebeu um órgão inadequado, que não estaria em boas condições devido ao mal armazenamento feito pelos especialistas.

    “Os especialistas decidiram que não, por isso não haverá um novo transplante. Mas, enquanto o meu filho respirar, está vivo, por isso não vou abandonar ele”, disse Patrizia, citada pelo Corriere della Sera.

    Depois da notícia de que tinha sido encontrado um coração compatível para Domenico, que se encontra internado no Hospital Monaldi, em Nápoles, Patrizia e o marido foram da esperança à decepção.

    “Não sei se pediremos outras opiniões. Agora a minha cabeça está em outro lugar, depois falarei com o meu advogado e avaliaremos”, confessou, na noite desta quarta-feira (18), após a negativa de uma nova cirurgia.

    Patrizia chegou à unidade hospitalar de manhã cedo, acompanhada pelo marido. O casal aguardou por novidades nos corredores, informando os advogados e os familiares em tempo real. A mulher recebeu a decisão negativa dos peritos com lágrimas contidas, abraçada ao marido. Mostrou-se, depois, resignada com a ideia de que o filho não sobreviverá, e frisou que tem de “ser forte, porque [tem] outros dois filhos”.

    “Pedi ao presidente Fico para que o meu filho seja lembrado e que tudo o que aconteceu não seja esquecido. Me devem isso, para que isto nunca mais aconteça”, disse, após a visita do governador de Campânia, Roberto Fico.

    O responsável, por outro lado, salientou que este “é um caso muito doloroso”, dando conta de que ativou “imediatamente os máximos poderes de vigilância, controle e inspeção da região”.

    “Recebi um relatório de 290 páginas que enviei ao ministro [da Saúde, Orazio] Schillaci, com quem também tive uma reunião que já estava agendada”, complementou.

    Já o tutelar da pasta da Saúde realçou que “o parecer negativo escreve um epílogo diferente daquele que todos esperávamo, mas é preciso seguir as indicações da ciência”.

    “Com o Centro Nacional de Transplantes, trabalhamos com empenho e seriedade para garantir novas oportunidades à criança. Estamos próximos da família e aguardamos os resultados das investigações. É o nosso dever esclarecer a situação”, disse.

    Domenico não sobreviveria a um novo transplante

    Ao final da tarde de quarta-feira, o comitê de especialistas que se reuniu na unidade de saúde napolitana para avaliar a viabilidade de um novo transplante emitiu um parecer negativo. Os profissionais de saúde tiveram em conta o fato de que o menino sofreu uma nova hemorragia cerebral, assim como uma crise séptica devido a uma infeção. Além disso, não respondeu os estímulos, apesar de a sedação ter sido reduzida.

    Em coma induzido há 58 dias, Domenico não sobreviveria a um novo transplante, na opinião dos médicos. Assim, foi comunicado ao Centro Nacional de Transplantes que o coração compatível que foi encontrado na terça-feira à noite deveria destinar-se a um dos dois outros pacientes considerados aptos para o procedimento.

    O Ministério Público de Nápoles apurou que a caixa de transporte utilizada para levaro coração (“queimado”) de Bolzano até Nápoles era de “geração antiga”, pelo que não cumpria as diretrizes em vigor. Tratava-se, aliás, de um modelo “ultrapassado”, composto por um recipiente isotérmico tradicional em plástico, sem termóstato, sondas e tela para controlar em tempo real a temperatura do órgão.

    Seis cirurgiões, médicos e paramédicos da instituição napolitana que participaram na remoção do coração do dador em Bolzano, assim como no acondicionamento do órgão, no transporte e no subsequente transplante, estão sob investigação por lesão corporal grave.

    Após a remoção do órgão, os profissionais de saúde do Hospital San Maurizio de Bolzano teriam fornecido gelo seco à equipa napolitana, em vez de gelo tradicional. Significa isso que o gelo seco, que atinge temperaturas significativamente mais baixas do que o tradicional, terá provocado danos irreparáveis às fibras do músculo cardíaco, tornando o coração inutilizável.

    O Ministério Público de Bolzano também abriu um inquérito ao caso.

    Mãe de menino com coração 'queimado' diz: "Enquanto respirar, está vivo"

  • Anistia do governo espanhol muda perspectiva de imigrantes em situação irregular

    Anistia do governo espanhol muda perspectiva de imigrantes em situação irregular

    Governo espanhol lança regularização extraordinária que pode beneficiar cerca de 800 mil imigrantes, incluindo brasileiros. Medida prevê autorização temporária de trabalho e busca integrar trabalhadores informais ao mercado formal em meio ao envelhecimento populacional do país.
     

    (CBS NEWS) – Vivendo em situação irregular na Espanha desde julho do ano passado, a brasileira Fátima pode ter a chance de regularizar sua permanência no país com a nova medida anunciada pelo governo espanhol.

    A curitibana de 45 anos entrou como turista, mas decidiu permanecer em Madri. Atualmente trabalha limpando casas e preparando comida brasileira. “Entrei na Espanha como turista, mas já sabia que queria ficar. Gostei muito daqui e pretendo continuar morando em Madri, só que legalmente”, afirma. Ela diz que pretende estudar espanhol e retomar a carreira de atriz.

    No fim de janeiro, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou um processo extraordinário de regularização para imigrantes e solicitantes de asilo que já vivem na Espanha.

    De acordo com relatório de 2025 da Fundação Espanhola de Pesquisa Econômica e Social, cerca de 800 mil pessoas poderão ser beneficiadas. A maioria é da América Latina, especialmente colombianos, peruanos e hondurenhos. Os pedidos poderão ser apresentados entre abril e 30 de junho.

    “Com a regularização, vou conseguir melhores oportunidades de emprego e poder viajar para outros países da Europa. Quero ficar aqui de forma legal e não correr mais riscos. Isso vai facilitar muito a minha vida”, diz Fátima.

    Para ter o pedido aceito, é preciso ter entrado na Espanha antes de 31 de dezembro de 2025, residir no país há pelo menos cinco meses e não possuir antecedentes criminais.

    A autorização concedida permitirá trabalhar legalmente em qualquer região espanhola por pelo menos um ano. Não garante cidadania, mas concede autorização temporária de trabalho. A medida não faz restrição por nacionalidade, o que inclui brasileiros em situação irregular.

    Felipe, mineiro que vive há dez anos na Espanha, também pretende solicitar a regularização. Ele tentou três vezes obter documentação, sem sucesso. Desde que chegou, acumulou trabalhos informais como garçom, babá, modelo e passeador de cães. “Depois de todo esse tempo sem poder voltar ao Brasil porque estou sem documentos aqui, estava até pensando em desistir de viver na Espanha”, diz. “Quero muito dar entrada nessa regularização para viajar ao Brasil e depois voltar sem problemas.”

    Para Thaís de Camargo, advogada brasileira especialista em imigração, a medida também traz vantagens para o governo espanhol. “Com esse decreto, milhares de imigrantes vão sair da informalidade pagando impostos e contribuindo para o crescimento da economia. Mais gente com contrato formal significa mais pessoas com condição financeira para consumir”, afirma.

    Ela avalia que a regularização também tem impacto social. “Ao viver legalmente em um país, os imigrantes podem andar na rua sem medo e de cabeça erguida. Todos terão seus direitos preservados e respeitados. É uma medida, acima de tudo, de direitos humanos”, diz.

    A presença de estrangeiros no mercado de trabalho espanhol cresceu nas últimas décadas. Segundo o Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações, em 2025 a mão de obra estrangeira representou mais de 14% dos trabalhadores registrados no país, um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

    “Esse balanço mostra que a contribuição dos estrangeiros é estrutural e decisiva para o crescimento do emprego, a sustentabilidade do sistema de aposentadorias e a prosperidade compartilhada do nosso país”, afirmou a ministra Elma Saiz.

    Dados dos Serviços Europeus de Emprego indicam alta demanda tanto por profissionais qualificados nas áreas de tecnologia, engenharia e saúde quanto por trabalhadores nos setores de serviços, hotelaria, transporte e construção.

    A medida foi aprovada por decreto real após acordo entre o governo de centro-esquerda de Pedro Sánchez e o partido Podemos, evitando votação tradicional no Parlamento, onde o premiê não tem maioria.

    Partidos de direita criticam a iniciativa. O Partido Popular argumenta que o decreto pode funcionar como incentivo à imigração irregular e pressionar os sistemas públicos.

    A Espanha já realizou regularizações migratórias em outros períodos, sob governos de diferentes orientações políticas.

    A política atual contrasta com o endurecimento das regras migratórias adotado por países como Reino Unido, Portugal, Itália e Grécia.

    Para Lucila Rodríguez Alarcón, diretora da Fundação Por Causa, a iniciativa pode fortalecer a posição política de Sánchez no cenário europeu. Ela destaca ainda o contexto demográfico. “Precisamos da imigração, já que nossa população está cada vez mais envelhecida e tem, a cada ano, menos filhos”, afirma.

     
     

    Anistia do governo espanhol muda perspectiva de imigrantes em situação irregular

  • Portuguesa é presa após corpos de bebês serem achados em freezer

    Portuguesa é presa após corpos de bebês serem achados em freezer

    A polícia francesa voltou, nesta quarta-feira, à casa localizada em Aillevillers-et-Lyaumont, na região de Haute-Saône, no leste da França, onde do…
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    Portuguesa é presa após corpos de bebês serem achados em freezer

  • Vulcão Kanlaon entra em erupção nas Filipinas; veja as imagens

    Vulcão Kanlaon entra em erupção nas Filipinas; veja as imagens

    Coluna de fumaça escura foi registrada por câmeras oficiais. Erupção durou cerca de dois minutos e autoridades alertaram para risco de cinzas e fluxos piroclásticos na ilha de Negros.

    O vulcão Mount Kanlaon, localizado na ilha de Negros Island, nas Filipinas, entrou em erupção nesta quinta-feira, segundo informou o Instituto de Vulcanologia e Sismologia do país.

    A atividade foi registrada por câmeras de monitoramento e mostrou o momento em que uma densa nuvem de fumaça escura foi expelida da cratera, formando uma coluna visível a longa distância.

    O alerta foi emitido às 16h54 no horário local. De acordo com as autoridades, a erupção teve duração aproximada de dois minutos.

    Em comunicado inicial, o órgão recomendou que a população permanecesse atenta aos riscos de fluxos piroclásticos e à queda de cinzas provocadas pela atividade vulcânica.

    O Kanlaon é considerado um dos vulcões mais ativos das Filipinas. Nas proximidades da montanha estão os municípios de Bago, La Carlota, San Carlos e Canlaon, que podem ser impactados em caso de novas emissões.

    Vulcão Kanlaon entra em erupção nas Filipinas; veja as imagens