Categoria: MUNDO

  • Presidente do México lamenta vitimas de explosão em supermercado no norte

    Presidente do México lamenta vitimas de explosão em supermercado no norte

    A presidente do México, Claudia Sheinbaum, lamentou este sábado a morte de 23 pessoas numa explosão seguida de incêndio num supermercado em Hermosillo, capital do estado de Sonora, no norte do país, garantindo ajuda às vítimas e familiares.

    “Minhas sinceras condolências às famílias e aos entes queridos das pessoas que faleceram no incêndio ocorrido em uma loja [da rede Waldo’s] no centro de Hermosillo”, afirmou a presidente em uma mensagem publicada nas redes sociais.

    A governante mexicana garantiu que tem mantido contato com o governador do estado, Alfonso Durazo, “para oferecer todo o apoio necessário”.

    Sheinbaum informou ainda que orientou a secretária do Interior, Rosa Icela Rodríguez, “a enviar uma equipe de apoio para atender as famílias e os feridos”.

    O governador de Sonora, Alfonso Durazo, afirmou que sua administração “tomará todas as medidas necessárias” para ajudar as famílias e as pessoas afetadas.

    De acordo com o relatório oficial, o incêndio começou por volta das 15h (hora local, 21h GMT), na loja localizada no centro de Hermosillo, em um momento em que o supermercado estava cheio de clientes devido ao pagamento dos salários quinzenais e às compras antecipadas para o Dia dos Mortos.

    “A explosão ocorrida na loja Waldo’s, no centro, deixou uma profunda tristeza em todos os habitantes de Sonora (…). Até o momento, há registro de 23 mortos e 11 feridos”, informou Durazo.

    O procurador-geral do estado, responsável pela investigação, declarou que a maioria das vítimas morreu por inalação de gases tóxicos.

    “Até o momento, não há indícios de que o incêndio tenha sido provocado intencionalmente”, informou o procurador.

    Também há registro de pelo menos 12 pessoas feridas.

    Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Municipal e da Defesa Civil continuam na área afetada pelo incêndio, realizando trabalhos de resgate e avaliação dos danos no local, que permanece isolado enquanto as causas do incidente são investigadas.

    Presidente do México lamenta vitimas de explosão em supermercado no norte

  • EUA e China estabelecem canais de comunicação entre forças armadas

    EUA e China estabelecem canais de comunicação entre forças armadas

    O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou hoje que Washington e Pequim vão estabelecer canais de comunicação entre as forças armadas, acrescentando que as relações bilaterais entre os dois países “nunca estiveram melhores”.

    Hegseth disse que conversou com seu homólogo chinês, o almirante Dong Jun, na noite de sábado, à margem de uma reunião de segurança regional, e que ambos concordaram que “a paz, a estabilidade e as boas relações são o melhor caminho para dois grandes e fortes países”.

    As declarações de Hegseth, publicadas na rede social X, foram divulgadas poucas horas depois de ele ter exortado as nações do Sudeste Asiático a manterem-se firmes e fortalecerem suas forças marítimas para combater as ações cada vez mais “desestabilizadoras” da China no Mar do Sul da China.

    “As reivindicações territoriais e marítimas da China no Mar do Sul da China vão contra os compromissos de resolver disputas de forma pacífica”, afirmou Hegseth durante uma reunião com seus homólogos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no sábado.

    “Buscamos a paz. Não buscamos conflitos. Mas precisamos garantir que a China não esteja tentando dominá-los”, acrescentou.

    O Mar do Sul da China continua sendo um dos pontos mais voláteis da Ásia. Pequim reivindica quase toda a região, enquanto membros da ASEAN — especialmente Filipinas, Vietnã, Malásia e Brunei — também reivindicam soberania sobre áreas costeiras e várias ilhas.

    As Filipinas, um importante aliado dos Estados Unidos, têm protagonizado frequentes confrontos com as forças marítimas chinesas.

    Manila tem repetidamente pedido uma resposta regional mais firme, mas a ASEAN tradicionalmente tenta equilibrar a cautela com os laços econômicos com Pequim, o maior parceiro comercial da região.

    Hegseth afirmou na rede X que conversou com o presidente norte-americano Donald Trump e que ambos concordaram que “as relações entre os EUA e a China nunca estiveram melhores”.

    A reunião de Trump com o presidente chinês Xi Jinping, realizada na Coreia do Sul na semana passada, “definiu o tom para uma paz e sucesso duradouros entre os Estados Unidos e a China”, acrescentou o secretário de Defesa, que deixou a Malásia neste domingo rumo ao Vietnã.

    As mensagens contrastantes — uma advertência severa na reunião da ASEAN seguida de uma linguagem conciliatória nas redes sociais — destacam o esforço de Washington para equilibrar dissuasão e diplomacia em meio às crescentes tensões com Pequim.

    “Trata-se de controle de danos. Mais importante ainda, reflete duas correntes diferentes nas relações entre Estados Unidos e China — uma que vê a China como uma ameaça e outra que a considera um possível parceiro”, afirmou a analista política do Sudeste Asiático Bridget Welsh, citada pela agência Associated Press.

    Hegseth instou a ASEAN, no sábado, a acelerar a conclusão de um Código de Conduta — há muito adiado — que vem sendo negociado com a China para regulamentar o comportamento no mar. O secretário também propôs o desenvolvimento de sistemas compartilhados de vigilância marítima e resposta rápida para dissuadir provocações.

    Uma rede de “consciência marítima compartilhada” garantiria que qualquer membro que enfrentasse “agressão ou provocação não estivesse sozinho”, justificou.

    Hegseth também elogiou os planos para um exercício marítimo conjunto ASEAN-EUA em dezembro, destinado a fortalecer a coordenação regional e defender a liberdade de navegação.

    A China rejeita as críticas dos Estados Unidos sobre sua conduta marítima, acusando Washington de interferir em assuntos regionais e provocar tensões com sua presença militar. Autoridades chinesas afirmam que suas patrulhas e atividades no mar são legais e têm como objetivo manter a segurança em território que consideram chinês.

    Autoridades chinesas também criticaram as Filipinas no sábado, chamando o país de “elemento desordeiro”, após Manila ter realizado exercícios navais e aéreos com os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia no Mar do Sul da China.

    O exercício de dois dias, que terminou na sexta-feira, foi o 12º realizado pelas Filipinas com nações parceiras desde o ano passado, com o objetivo de proteger seus direitos nas águas disputadas.

    Tian Junli, porta-voz do Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação Popular da China, afirmou que o exercício prejudicou gravemente a paz e a estabilidade regionais. “Isso prova ainda mais que as Filipinas são o causador de problemas na questão do Mar do Sul da China e um sabotador da estabilidade regional”, declarou.

    EUA e China estabelecem canais de comunicação entre forças armadas

  • Homem devolve crânio que roubou de catedral em Viena após 60 anos

    Homem devolve crânio que roubou de catedral em Viena após 60 anos

    Um alemão enviou por correio o crânio que havia levado da Catedral de Santo Estêvão quando era jovem turista. O caso surpreendeu o arquivista da igreja e reacendeu o interesse pela história das catacumbas que guardam restos de 11 mil pessoas em Viena

    Um homem do norte da Alemanha devolveu um crânio que havia roubado da Catedral de Santo Estêvão, em Viena, na Áustria, sessenta anos depois do furto. A ossada foi enviada por correio e descoberta pelo arquivista da igreja, Franz Zehetner, que se surpreendeu ao abrir o pacote.

    “Não é algo que se espere encontrar”, disse Zehetner à BBC.

    Dentro da caixa havia também uma carta. Nela, o remetente confessava ter levado o crânio quando era um jovem turista, cerca de seis décadas atrás, e explicava que decidiu devolvê-lo para aliviar a consciência. Segundo o relato, ele retirou o osso durante uma visita guiada às catacumbas da catedral, que abrigam os restos mortais de aproximadamente 11 mil pessoas, entre vítimas da peste negra e de guerras dos séculos 17 e 18.

    “Foi comovente perceber que alguém quis reparar um erro da juventude”, afirmou o arquivista. “Ele cuidou do crânio por todos esses anos, em vez de simplesmente descartá-lo de qualquer maneira.”

    A Catedral de Santo Estêvão é um dos marcos mais emblemáticos de Viena e um símbolo nacional da Áustria. Localizada no centro histórico da capital, a construção começou em 1147 e passou por várias reformas e ampliações, assumindo o estilo gótico que a caracteriza hoje.

    O templo foi palco de momentos marcantes, como o casamento e o funeral de Wolfgang Amadeus Mozart, e sofreu graves danos no fim da Segunda Guerra Mundial, sendo restaurado e reaberto ao público em 1952. Atualmente, é um dos monumentos mais visitados do país.
     
     

    Homem devolve crânio que roubou de catedral em Viena após 60 anos

  • Professora baleada por aluno de 6 anos diz que achou que já tinha morrido

    Professora baleada por aluno de 6 anos diz que achou que já tinha morrido

    Abigail Zwerner, atingida por um disparo dentro de uma escola na Virgínia, relatou ao júri que acreditou estar morta após o ataque. Ela processa a instituição por negligência e pede US$ 40 milhões. A mãe do menino foi condenada a 21 meses de prisão

    Abigail Zwerner, a professora norte-americana que foi baleada por um aluno de seis anos no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, afirmou diante do júri que acreditou estar morrendo logo após o ataque. “Pensei que estava morrendo, pensei que já tinha morrido. Achei que estava a caminho do céu ou já estava lá. Depois, tudo ficou escuro”, relatou à corte, segundo a NBC News.

    A ex-professora, hoje com 27 anos, ficou gravemente ferida depois de ser atingida por um disparo dentro da Escola Primária Richneck, em Newport News, no dia 6 de janeiro de 2023.

    A bala disparada pela criança atravessou a mão de Zwerner antes de atingir seu peito, onde ainda permanece. De acordo com o médico que a atendeu, remover o projétil seria mais arriscado do que deixá-lo onde está.

    Em seu depoimento, Zwerner contou que ainda enfrenta dificuldades com tarefas simples do dia a dia. “Estava almoçando com meu advogado e não consegui abrir um pacote de batatas fritas. Pedi para ele abrir. Aconteceu o mesmo com as garrafas de água”, disse. Ela ressaltou que as sequelas físicas e emocionais continuam intensas, mesmo quase três anos após o ataque.

    A professora depôs como parte do processo em que pede US$ 40 milhões (cerca de R$ 230 milhões) em indenização, acusando os administradores da escola de negligência. Segundo ela, o ataque poderia ter sido evitado se a então vice-diretora, Ebony Parker, tivesse agido diante dos sinais de que o menino representava uma ameaça.

    Outras professoras também afirmaram que avisaram Parker diversas vezes sobre o risco. Uma delas disse ter relatado três vezes que o aluno estava com uma arma na mochila, após ser alertada por outras crianças. Outra professora confirmou ter informado a vice-diretora após receber relatos semelhantes.

    Durante o interrogatório, o advogado de defesa de Parker tentou responsabilizar a própria vítima, afirmando que Zwerner poderia ter tomado medidas para se proteger. Ela rebateu dizendo que confiou na colega, que havia prometido informar a administração escolar sobre o caso.

    “Não fiz mais nada porque acreditei que a direção da escola agiria imediatamente diante de uma ameaça como essa”, explicou.

    Mãe do aluno foi condenada

    A mãe do menino, Deja Taylor, foi condenada em 2023 a 21 meses de prisão por negligência e uso indevido de arma de fogo. Ela admitiu que o filho teve acesso à arma em casa sem supervisão e sem qualquer mecanismo de segurança.

    O menino, por ser menor de idade, não foi acusado criminalmente. Ele segue fora do sistema escolar e está em acompanhamento psicológico desde o incidente.

    Professora baleada por aluno de 6 anos diz que achou que já tinha morrido

  • Explosão de bomba da II Guerra Mundial faz um ferido nas Ilhas Salomão

    Explosão de bomba da II Guerra Mundial faz um ferido nas Ilhas Salomão

    Artefato enterrado há mais de 80 anos detonou perto de um estádio de rúgbi em Honiara. O fogo em uma árvore próxima pode ter provocado a explosão, que reacende o alerta sobre bombas remanescentes no Pacífico

    Uma explosão causada por uma bomba da Segunda Guerra Mundial deixou um ferido e provocou pânico na noite de quinta-feira (31) em Honiara, capital das Ilhas Salomão, no Pacífico Sul. O artefato, que estava enterrado há mais de 80 anos, detonou nas proximidades de um estádio de rúgbi, na zona oeste da cidade.

    Segundo a Polícia Real das Ilhas Salomão, um jovem ficou ferido e foi levado ao hospital local, onde permanece em estado estável.

    Moradores relataram momentos de desespero após o forte estrondo. “Eram cerca de 18h30, quando uma enorme explosão aconteceu bem em frente ao estádio, causando muito pânico”, contou Robert Iroga, editor da Solomon Business Magazine Online, à emissora ABC News Australia. Ele mora próximo ao local e disse que a explosão foi “chocante e muito assustadora”.

    De acordo com Iroga, o artefato pode ter explodido após o fogo de uma árvore atingir o solo onde a bomba estava enterrada. “O fogo estava queimando há alguns dias e acabou alcançando as raízes da árvore e o ponto onde o explosivo estava”, explicou.

    O jornalista lembrou que o país já registrou outros acidentes semelhantes. Em 2021, uma explosão de outro artefato da Segunda Guerra matou uma pessoa e deixou três feridas durante um evento beneficente, quando moradores acenderam uma fogueira sem saber que havia uma bomba no local.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, a ilha de Guadalcanal, onde fica Honiara, foi palco de batalhas intensas entre forças dos Estados Unidos e do Japão. Toneladas de granadas, minas e munições foram deixadas para trás após o conflito.

    Até hoje, milhares de artefatos explosivos não detonados permanecem espalhados pelas Ilhas Salomão e por outras nações do Pacífico. Autoridades locais e equipes internacionais trabalham na identificação e remoção desses materiais, mas especialistas afirmam que o risco de novas explosões ainda é alto, especialmente em áreas rurais e florestadas.

    Explosão de bomba da II Guerra Mundial faz um ferido nas Ilhas Salomão

  • Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz irmão de Joesley

    Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz irmão de Joesley

    Júnior Friboi diz ter visto prós e contras nos desdobramentos do tarifaço; primogênito dos irmãos Batista avalia que polarização teve impacto na crise entre EUA e Brasil

    LONDRES, REINO UNIDO (CBS NEWS) – Passadas as conversas que levaram à abertura de diálogo entre os governos americano e brasileiro sobre o tarifaço de Donald Trump, José Batista Junior, o primogênito dos irmãos Batista, avalia que a polarização teve impacto na crise.

    Júnior Friboi, como é conhecido o empresário da família gigante do setor de carnes, diz que ainda não se encontrou com Joesley depois que o irmão esteve pessoalmente com Trump para tratar do tema em setembro.

    Em entrevista concedida nesta sexta-feira (31), durante evento do Lide, que reuniu empresários em Londres, Júnior fez um relato sobre o encontro de Joesley com Trump. Ele afirmou que a ideia era falar do tamanho das operações que a família possui nos Estados Unidos. Com isso, relatou Júnior, Joesley também conversou com o presidente americano sobre a realidade brasileira.

    “Tem muita conversa distorcida, e nós fomos falar a verdade, a realidade do que está acontecendo no Brasil. E ele escutou e deu toda a atenção. E achou que seria muito favorável encontrar com o presidente do Brasil para que os dois países continuassem a conversar e a fazer bons negócios e voltar a ter um bom relacionamento. Tem muita coisa que estão dizendo para o governo americano que não é verdade”, disse Júnior aos jornalistas.

    Quando anunciou o tarifaço contra o Brasil, em julho, Trump citou expressamente entre as justificativas o caso de Jair Bolsonaro na Justiça brasileira em meio às movimentações do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, em Washington.

    Questionado se Trump foi enganado antes de decidir sobretaxar o Brasil, Júnior afirma que algumas palavras podem ter sido incompatíveis.

    “Eu não digo que enganou, mas eu acredito que, em função da polarização em que o Brasil está hoje, da divisão política em que o Brasil está hoje, algumas informações para alcançar o poder, para tentar voltar ao poder, eu acredito que faz toda influência. Eu acho que tem algumas palavras, algumas conversas, que não são compatíveis com a realidade do que nós estamos passando hoje. É basicamente isso, nada diferente do que nós falamos para eles, que o Brasil é um país pacífico”, relatou Júnior.

    Do ponto de vista econômico, ele afirma ter visto prós e contras nos desdobramentos do tarifaço.

    “Por um lado, é ruim porque você deixa de vender. Por outro lado, foi muito bom, porque nós abrimos outros mercados que não tínhamos. Deu uma grande oportunidade. Essas tarifas impostas pelos Estados Unidos fizeram com que o mundo procurasse o Brasil”, disse Júnior.

    “Abrimos [mercado em] China, Indonésia, Vietnã, abrimos tantos outros mercados. Os mercados asiáticos que nós começamos a buscar estão buscando o Brasil para substituir alguns produtos americanos por causa dessas condições de taxação americana”, afirmou.

    Júnior afirmou que, a despeito da taxação imposta por Trump, a exportação ainda compensa. “Ainda é viável exportarmos para os EUA por causa da diferença do preço que está no mercado interno americano para o mercado interno brasileiro.

    “Para se ter uma ideia, o boi nos EUA hoje está a US$ 120 a arroba. No Brasil é US$ 60”, disse.

    Ele argumenta que os Estados Unidos estão reduzindo a produção de rebanho, o que eleva a necessidade de carne brasileira para a indústria.

    Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz irmão de Joesley

  • Número de mortos pelo furacão Melissa no Caribe sobe para 50

    Número de mortos pelo furacão Melissa no Caribe sobe para 50

    Haiti diz que há 20 desaparecidos; tempestade passa pela região das Bermudas, com ventos máximos de 155 km/h; segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA, o fenômeno deve se transformar em um ciclone extratropical

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O número de mortos pelo furacão Melissa subiu para 50, segundo balanços oficiais divulgados nesta sexta-feira (31), enquanto continuava avançando pela região das Bermudas, com ventos máximos de 155 km/h. A tempestade, porém, perdeu força. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês), o fenômeno deve se transformar em ciclone extratropical.

    No Haiti, o balanço de vítimas subiu para 31, com outras 20 pessoas ainda desaparecidas. Do total de mortes, dez eram crianças. O país, o mais populoso do Caribe, não foi atingido diretamente, mas sofreu dias de chuvas torrenciais com a passagem do furacão.

    A maioria dos óbitos ocorreu em Petit-Goâve, uma cidade costeira a 64 km a oeste da capital, onde um rio transbordou, arrastando casas e destruindo estradas e plantações.

    Na Jamaica, o número de mortes foi de 5 para 19, segundo o governo. Os trabalhos de busca e de resgate continuam. Centenas de estradas foram bloqueadas por quedas de árvores e postes, deixando áreas inteiras isoladas.

    O Exército jamaicano convocou reservistas para atuar nas operações para limpar as vias e alcançar pessoas nessas regiões pouco acessíveis. Mais de 70% da população ficou sem luz elétrica, segundo o ministro de Energia, Daryl Vaz.

    A capital, Kingston, foi poupada dos piores danos, e o principal aeroporto internacional reabriu para permitir o pouso de voos com ajuda humanitária. Autoridades disseram que algumas cidades estavam submersas.

    O Melissa chegou a alcançar a categoria 5, o nível máximo na escala de intensidade, e, na Jamaica, tornou-se o furacão mais forte a atingir o solo na costa do Atlântico em 90 anos na terça-feira (28), com ventos próximos de 300 km/h, segundo análise da agência de notícias AFP com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

    Em Cuba, o furacão deixou um rastro de destruição nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo, com ventos de categoria 3. Cerca de 735 mil pessoas foram deslocadas para abrigos ou casas de familiares. Apesar dos danos, o líder cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que não foram registradas mortes.

    Nas Bahamas, por onde o fenômeno passou na quarta-feira (29), os alertas de furacão foram suspensos, mas autoridades mantêm regiões esvaziadas de forma preventiva.

    O Melissa foi rebaixado para a categoria 2 e, na noite de quinta, estava a 264 km das Bermudas. Uma tempestade tropical atingiu o país, mas os moradores permaneciam calmos. As autoridades anunciaram o fechamento da ponte principal da ilha e a suspensão das aulas e balsas nesta sexta.

    Os Estados Unidos enviaram equipes de busca e resgate à Jamaica, ao Haiti, à República Dominicana e a Bahamas, e ofereceram ajuda a Cuba. Outros países também anunciaram apoio. O Reino Unido prometeu US$ 3,3 milhões (R$ 17,7 milhões) em ajuda emergencial e iniciou voos de repatriação para britânicos na Jamaica. A Venezuela enviou 26 toneladas de suprimentos a Cuba, e El Salvador anunciou que enviaria três aviões de ajuda humanitária para a Jamaica.

    Cientistas do Imperial College de Londres afirmaram que a intensidade e o poder destrutivo de Melissa foram amplificados pelas mudanças climáticas. Especialistas alertam que o aquecimento dos oceanos tem tornado furacões mais frequentes e intensos.

    O serviço meteorológico AccuWeather classificou o Melissa como o terceiro furacão mais intenso já registrado no Caribe e também o mais lento, o que aumentou o impacto destrutivo nas áreas afetadas.

    Número de mortos pelo furacão Melissa no Caribe sobe para 50

  • Trump diz não considerar ataques dentro da Venezuela após pressão sobre Maduro

    Trump diz não considerar ataques dentro da Venezuela após pressão sobre Maduro

    Presidente americano autorizou operações secretas no país da América do Sul com objetivo de derrubar o ditador; Washington reforça presença militar nas águas internacionais sul-americanas sob pretexto de combater tráfico

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que não considera ordenar ataques dentro da Venezuela. A declaração ocorre após semanas de tensão nas águas internacionais da América do Sul e de pressão sobre o regime do ditador Nicolás Maduro.

    É, ainda, um recuo retórico de Trump. O presidente americano havia insinuado na semana passada que poderia ordenar bombardeios em solo contra cartéis de drogas latino-americanos -necessariamente, isso implicaria em violações da soberania de países como México, Colômbia e Venezuela.

    Nos últimos meses, os EUA reforçaram a presença militar na região com o envio de caças, navios de guerra e milhares de soldados, superando o poder de fogo de toda a Venezuela. Washington devem expandir essa presença ainda mais com os deslocamentos do USS Gerald R. Ford, o maior e mais poderoso porta-aviões do mundo, e outras embarcações que o acompanham.

    Questionado nesta sexta por jornalistas a bordo do avião presidencial americano se avalia a possibilidade de ataques dentro da Venezuela, Trump foi monossilábico: “Não”.

    Em outubro, Trump confirmou ter autorizado a CIA, a agência de espionagem dos EUA com histórico de interferência na América Latina, a fazer operações secretas e letais dentro da Venezuela com o objetivo de derrubar Maduro do poder. Em conversa com a imprensa na Casa Branca, no último dia 15, o republicano disse que o país sul-americano “está sentindo a pressão” e, na ocasião, não descartou operações em terra.

    Nesta quinta-feira (30), o Wall Street Journal disse em reportagem que as Forças Armadas americanas já identificaram alvos do Exército da Venezuela supostamente relacionados ao tráfico de drogas que poderiam ser atacados caso Trump dê a ordem. Um ataque direto contra solo venezuelano seria uma mensagem inequívoca de que Maduro precisa renunciar, segundo autoridades ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato.

    O ditador é acusado pelos EUA de tráfico internacional e de corrupção, o que ele nega. Ele diz que Trump tenta mudar o regime, mas que o povo e as Forças Armadas do país impedirão qualquer tentativa de derrubá-lo. O líder chavista foi empossado para um terceiro mandato neste ano, apesar de organizações internacionais independentes indicarem a vitória da oposição nas eleições que ocorreram no ano passado.

    Trump tem justificado ataques contra embarcações na América Latina, desde setembro, com o argumento de combate ao narcotráfico. Segundo dados divulgados por Washington, 62 pessoas morreram em 16 ações do tipo. No entanto, nenhuma evidência foi apresentada de que os barcos estivessem ligados ao tráfico de drogas.

    Mesmo que estivessem, a justificativa da Casa Branca é considerada vaga e controversa por especialistas em direito internacional, e o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse nesta sexta que os ataques são inaceitáveis. “Os EUA devem interrompê-los e tomar todas as medidas necessárias para impedir a matança extrajudicial das pessoas a bordo dessas embarcações, não importa os crimes dos quais são acusadas”, afirmou.

    A campanha militar também é questionada por parlamentares americanos, que se movimentam há semanas para aprovar uma legislação a fim de restringir os ataques. Membros do comitê das Forças Armadas do Senado, que fiscaliza os militares americanos, disseram não ter recebido informações detalhadas sobre os bombardeios ou sobre os supostos traficantes mortos.

    A Casa Branca afirma que, tendo classificado os cartéis de drogas latino-americanos como grupos terroristas, está autorizada a agir contra eles mesmo quando não há ameaça iminente, assim como os EUA fizeram em países como a Líbia, a Somália e o Iraque durante a Guerra ao Terror.

    Senadores democratas e alguns republicanos, entretanto, citam o fato de que os supostos traficantes poderiam ter sido capturados, que facções criminosas não são comparáveis a grupos terroristas com objetivos políticos, e que não há provas suficientes de que os mortos de fato eram traficantes de drogas.

    Diante da crescente presença militar americana na região, a oposição na Venezuela se divide sobre como reagir. O grupo liderado pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, apoia o governo Trump e defende o reforço americano na região. Já a ala comandada por Henrique Capriles, duas vezes candidato à Presidência, rejeita qualquer intervenção armada e propõe retomar negociações com Maduro e Washington, apesar do histórico de impasses.

    Já o regime em Caracas teria pedido assistência militar a aliados como China, Rússia e Irã em preparação para uma escalada militar, de acordo com documentos da inteligência americana aos quais o jornal The Washington Post teve acesso. Segundo o veículo, a Venezuela teria solicitado radares, peças de reposição de aviões e mísseis a Pequim, Moscou e Teerã.

    Trump diz não considerar ataques dentro da Venezuela após pressão sobre Maduro

  • Não é só Rússia e Estados Unidos: saiba quais países têm armas nucleares

    Não é só Rússia e Estados Unidos: saiba quais países têm armas nucleares

    Estima-se que existam atualmente cerca de 12.500 armas nucleares no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU)

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (30) que o país estava retomando em caráter imediato os testes de seu arsenal nuclear. Trump justificou a decisão afirmando que Rússia e China devem supostamente equiparar o número de armas americanas em cinco anos.

    QUAIS PAÍSES TÊM ARMAS NUCLEARES?

    Há cerca de 12.500 armas nucleares no mundo, estima a ONU (Organização das Nações Unidas). Além disso, mais de 2.000 testes já foram conduzidos desde a invenção das armas mais perigosas do mundo.

    Nove países possuem armas nucleares atualmente: Rússia, EUA, China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte. A informação é de levantamentos de 2025 da Ican (Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares) e da FAS (Federação de Cientistas Americanos), organização fundada em 1945 por cientistas que participaram do Projeto Manhattan, criador da primeira bomba atômica.

    Nenhum dos nove assinou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, firmado na ONU em 2017. O documento entrou em vigor em 2021.

    Irã é ponto de interrogação potencialmente ameaçador. O país do Oriente Médio assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, entre outros compromissos de interrupção de seu programa nuclear, mas teria violado os termos. A acusação formal foi feita por representantes da França, do Reino Unido e da Alemanha na ONU em setembro. Por isso, o Irã volta a enfrentar sanções ocidentais. Não se sabe, contudo, qual é o seu “poder de fogo”.

    EUA é o único país do “grupo dos nove” cujo arsenal encolheu, segundo a FAS. Em 2025, os EUA perderam 1.477 armas nucleares, mas não incrementaram o portifólio. Os russos também aposentaram 1.150 armas, mas seu arsenal estaria em fase de expansão. Os arsenais de Reino Unido, China, Coreia do Norte, Índia e Paquistão também crescem, enquanto França e Israel se mantêm estáveis.

    Há países que apenas armazenam armas nucleares para outras nações. Atualmente, a Bielorrússia ainda guarda armamentos para a Rússia, segundo o Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo, na tradução da sigla em inglês). Cazaquistão e Ucrânia, no entanto, entregaram seus arsenais à antiga União Soviética ao se separarem do antigo país.

    OS ARSENAIS DO “G9 NUCLEAR”

    1º: Rússia

    Número de armas nucleares: 5.459, que podem ser lançadas de mísseis, submarinos e aeronaves, segundo a Ican. Já a FAS estima que o número hoje seja menor, de cerca de 4.309, mas ainda, sim, em franco crescimento. 1.150 foram “aposentadas” recentemente.

    Estratégia: Os EUA já acusaram a Rússia de manter armas nucleares também no espaço, enquanto o país confirmou que ainda mantém a “Mão Morta”, o sistema soviético semiautomático de armas nucleares que tem fama de “apocalíptico”.

    Histórico: Em 2024, a Rússia gastou cerca de US$ 8,1 bilhões para construir e manter forças nucleares. Entre 1949 e 1990, a ex-URSS testou 715 armas nucleares no Cazaquistão, na Ucrânia e no território russo atual.

    2º: EUA

    Número de armas nucleares: 5.177, que podem ser lançadas de mísseis, submarinos e aeronaves, segundo a Ican. Já a FAS estima que o número hoje seja menor, de cerca de 3.700, após 1.477 terem sido “aposentadas”.

    Estratégia: Seus mísseis balísticos intercontinentais estão situados em silos em Montana, Dakota do Norte e Wyoming. Outras bases com mísseis importantes também estão espalhadas pelo meio-oeste, como no Missouri, por questões estratégicas: de lá, é possível chegar rapidamente a qualquer uma das duas costas do país.

    Histórico: Em 2024, os EUA gastaram cerca de US$ 56,8 bilhões para construir e manter forças nucleares. Entre 1945 e 1992, o único país a já ter usado bombas atômicas conduziu 1.030 testes nucleares, a maioria no estado de Nevada e nas Ilhas Marshall, mas alguns nas ilhas Malden e Kiritimati, no Alasca, Colorado, Mississippi, Novo México e no Oceano Atlântico.

    3º: China

    Número de armas nucleares: Cerca de 600, que podem ser lançadas de mísseis, submarinos e aeronaves, segundo a Ican.

    Histórico: Em 2024, a China gastou US$ 12,5 bilhões para construir e manter suas forças nucleares. Entre 1960 e 1996, o país conduziu um total de 45 testes nucleares em seu território.

    4º: França

    Número de armas nucleares: 290, que podem ser lançadas de submarinos ou mísseis lançados de aeronaves, segundo a Ican.

    Estratégia: Sua frota de submarinos está situada na península de Île Longue, ao sul de Brest, na região francesa da Bretanha.

    Histórico: Em 2024, a França gastou US$ 6,9 bilhões para construir e manter suas forças nucleares. Entre 1960 e 1996, o país conduziu um total de 210 testes nucleares na Argélia e na Polinésia Francesa.

    5º: Reino Unido

    Número de armas nucleares: 225, que podem ser lançadas de submarinos, segundo a Ican.

    Estratégia: Seus submarinos nucleares estão localizados na costa da Escócia; um se mantém de patrulha o tempo inteiro. Em 2021, o Reino Unido anunciou que aumentaria o limite de seu arsenal nuclear pela primeira vez em décadas, em vez de diminuir para o antigo alvo de 180 ogivas na década de 2020. O objetivo atual é chegar a 260.

    Histórico: Em 2024, o Reino Unido gastou cerca de US$ 10,4 bilhões para construir e manter forças nucleares. Entre 1952 e 1991, o país conduziu 45 testes nucleares, além de 12 explosões e 600 testes “menores” entre 1952 e 1963 na Austrália. Entre 1957 e 1962, realizou ainda 33 testes com os EUA em Malden e Kiribati.

    6º: Índia

    Número de armas nucleares: 180, que podem ser lançadas de mísseis ou aeronaves, segundo a Ican. Não está claro se o país possui submarinos com estas habilidades.

    Histórico: Em 2024, a Índia gastou US$ 2,6 bilhões para construir e manter suas forças nucleares. Entre 1971 e 1998, o país conduziu três testes nucleares.

    7º: Paquistão

    Número de armas nucleares: 170, que podem ser lançadas de mísseis ou aeronaves, segundo a Ican. Ainda está em desenvolvimento o lançamento de submarinos.

    Histórico: Em 2024, o Paquistão gastou US$ 1,1 bilhão para construir e manter suas forças nucleares. O país só realizou dois testes até nesta hoje, em 1998.

    8º: Israel

    Número de armas nucleares: 90. Não há informações oficiais sobre este arsenal, que Israel não confirma nem nega ter. Mas a Ican estima que o país seja capaz de lançamentos de submarinos, mísseis e aeronaves.

    Histórico: Em 2024, Israel teria gasto US$ 1,1 bilhão para construir e manter suas forças nucleares. O país ainda teria conduzido um teste nuclear com a África do Sul, que já aposentou seu programa nuclear, em 1979. O lançamento foi feito no oceano, entre o sul da África e a Antártida.

    9º: Coreia do Norte

    Número de armas nucleares: 50, que podem ser lançadas de mísseis, segundo a Ican.

    Histórico: Em 2023, os parlamentares norte-coreanos votaram para garantir o programa nuclear em sua constituição, como política básica de Estado. O país é o único a ter realizado testes nucleares no século 21, com seis conduzidos entre 2006 e 2017.

    Não é só Rússia e Estados Unidos: saiba quais países têm armas nucleares

  • Trump não descarta explodir ogiva nuclear em teste

    Trump não descarta explodir ogiva nuclear em teste

    Presidente foi questionado porque não deixou claro se a retomada de ensaios que ordenou incluía a bomba em si; EUA divulgam alerta de perigo de navegação que sugere teste com míssil desarmado no Pacífico em 5 ou 6 de novembro

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente Donald Trump não descartou que a retomada dos testes com armas nucleares dos Estados Unidos inclua a detonação subterrânea de uma ogiva atômica, algo que o país parou de fazer há 33 anos.

    Falando a jornalistas no Air Force One nesta sexta-feira (31), o americano voltou a jogar na confusão, dois dias após ter dito que iria retomar testes com essas armas de destruição em massa em resposta aos recentes ensaios de novos armamentos russos e ao crescimento do arsenal chinês.

    Como não ficou claro se ele falava em testar mísseis desarmados, por exemplo, ele foi questionado se seu anúncio na visita à Coreia do Sul incluía a explosão de um artefato nuclear. “Você vai descobrir logo, mas nós vamos ter que fazer algum teste”, disse, com a usual imprecisão.

    “Outros países fazem. Se eles estão fazendo, nós vamos fazer, OK?”, completou. O mais recente teste nuclear conhecido de uma das nove potências atômicas do mundo ocorreu em 2017, na Coreia do Norte.

    Os testes feitos pela Rússia, anunciados com pompa pelo presidente Vladimir Putin, foram de duas novas armas capazes de transportar ogivas atômicas que são movidas por reatores nucleares miniaturizados, o que lhes dá autonomia quase ilimitada.

    São elas o torpedo autônomo Poseidon e o míssil de cruzeiro Burevestnik.

    Como não foram apresentadas imagens ou dados dos testes, especialistas no setor receberam o sucesso dos ensaios com ceticismo, mas bem mais moderado do que quando Putin anunciou que as produziria, no famoso discurso das “armas invencíveis” de 2018.

    Após os anúncios de Putin, Trump retomou o tema. O Kremlin reagiu dizendo o óbvio, que não havia explodido nenhuma bomba, mas voltou a dizer que o faria se os EUA o fizessem, dando início a uma marcha da insensatez retórica, agora reforçada pelo americano novamente.

    “É difícil saber o que ele [Trump] quer dizer. Como de costume, é incerto, exagerado e errado”, afirmou no X o dinamarquês Hans Kristensen, um dos mais reconhecidos especialistas em armas nucleares, da FAS (Federação dos Cientistas Americanos).

    “Espero que fique apenas em alguns testes de Minuteman”, escreveu por sua vez o russo Pavel Podvig, pesquisador do centro da ONU que estuda questões de desarmamento, em referência ao míssil padrão para lançamento de silos terrestres dos EUA.

    Ele pode estar certo. Nesta sexta, os americanos emitiram um alerta de perigo à navegação na região do campo de testes Ronald Reagan, no oceano Pacífico.

    É lá que caem os mísseis Minuteman-3 lançados em testes da base de Vandenberg, na Califórnia. A previsão é de bloqueio da região a navios nos dias 5 e 6 de novembro.

    Além da Rússia, a China também se queixou de Trump na quinta (9). O americano fizera seu primeiro anúncio na véspera, publicando em rede social a informação pouco antes de se encontrar com o líder Xi Jinping no porto sul-coreano de Busan.

    O Pentágono já expressou mais de uma vez preocupação com o crescimento do arsenal chinês, que mais que dobrou nos últimos anos, chegando segundo a FAS a 600 ogivas. Ainda é pálido ante as 5.459 russas e as 5.177 americanas, espólio da Guerra Fria, mas está aumentando.

    Os americanos também dizem temer a aliança existente entre Moscou, Pequim e Pyongyang, a potência com menor arsenal, cerca de 50 bombas, em uma hipotética guerra coordenada contra Washington.

    A preocupação com a ligeireza com que o tema da proliferação e dos riscos nucleares voltou ao noticiário nos últimos anos, mas acentuou-se com as ameaças nucleares de Putin depois de invadir a Ucrânia, a tensão na península coreana e com a volta de Trump ao poder. O assunto chegou a best-sellers (“Guerra Nuclear – Um cenário) e ao cinema (“Casa de Diamante”).

    A associação japonesa dos sobreviventes da bomba de Hiroshima, a primeira arma do tipo usada em guerra, em 1945, enviou carta pedindo ao americano para não fazer testes.

    Os EUA realizaram seu último teste de arma nuclear em 1992. A União Soviética promoveu a última detonação em 1990, o Reino Unido em 1991, França e China, em 1996, e o Paquistão em 1998. Já os belicosos norte-coreanos explodiram seis bombas entre 2006 e 2017.

    Existe um tratado banindo os testes nucleares completamente, de 1996, assinado por EUA, Rússia e China, mas ele não está valendo porque vários países, incluindo essas potências, ainda não o ratificaram.

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