Categoria: POLÍTICA

  • Racha fragiliza aliança entre grupo de Hugo Motta e ala do centrão na Paraíba

    Racha fragiliza aliança entre grupo de Hugo Motta e ala do centrão na Paraíba

    Pai do presidente da Câmara é pré-candidato ao Senado contra aliados de Lula e Bolsonaro; prefeito de João Pessoa quer enfrentar vice-governador na eleição para governo do estado

    RECIFE, PE (CBS NEWS) – O arco de alianças do grupo político do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sofreu uma cisão após o anúncio do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, de que se filiará ao MDB.

    Com a mudança, ele deverá se lançar candidato ao Governo da Paraíba em 2026 contra o atual vice-governador, Lucas Ribeiro (PP), sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), uma das principais lideranças do centrão no Congresso.

    O movimento do gestor da capital paraibana derrubou a unidade pregada por Motta e outros integrantes da base aliada do governador João Azevêdo (PSB), que deverá deixar o cargo em abril para ser candidato ao Senado.

    A chapa acordada na base governista prevê também o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta, como candidato a senador junto com João Azevêdo.

    Até meados do ano passado, a articulação do grupo era para que Motta fosse o candidato ao Senado, mas, como ele assumiu a presidência da Câmara, prefere agora disputar a reeleição e buscar a recondução ao comando da Casa.

    Aliados de Motta reconhecem nos bastidores que o pai dele deverá enfrentar uma disputa acirrada.

    O governador João Azevêdo é tido como favorito para se eleger a uma vaga, restando apenas a outra em disputa. Os principais concorrentes de Nabor Wanderley são o atual senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), derrotado no segundo turno para a Prefeitura de João Pessoa em 2024.

    Veneziano é aliado do presidente Lula (PT), que costuma ter votações expressivas na Paraíba. Em 2022, o petista foi eleito com 66,62% dos votos no estado, enquanto Jair Bolsonaro (PL) teve 33,38%. O parlamentar, porém, terá que quebrar um tabu de quase 30 anos, já que, desde 1998, um senador não se reelege no estado.

    Ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano estava com dificuldades para montar um palanque próprio, já que é oposição ao atual governador e também não é próximo do bolsonarismo. A salvação foi a ida do prefeito de João Pessoa para o MDB, em evento que acontece na próxima segunda-feira (17). A tendência é que Lula apoie Veneziano e João Azevêdo, mesmo os dois sendo adversários locais.

    Cícero será o candidato a governador na chapa do MDB. Ele foi reeleito prefeito de João Pessoa em 2024 e decidiu, neste ano, fazer o movimento em prol da postulação ao governo ao deixar o PP, que manteve Lucas Ribeiro como pré-candidato.

    A articulação de Cícero irritou Aguinaldo Ribeiro, que disse a aliados ter sido traído. O deputado lembrou, segundo pessoas próximas, que o prefeito estava afastado da política em 2020, quando o PP o lançou como candidato.

    Novo aliado de Cícero, Veneziano tem articulado ações dos prefeitos paraibanos junto ao governo federal, enquanto Nabor aposta na força política do filho para conseguir êxito.

    Queiroga, por sua vez, aposta no voto ideológico do bolsonarismo. Bolsonaro tem a eleição do Senado como uma das prioridades do seu grupo político no próximo ano para fazer frente ao Supremo Tribunal Federal.

    Queiroga diz acreditar que é possível vencer e alfineta Veneziano e Nabor. “Eles comandam um trem da alegria de emendas, que são instrumento de troca de posicionamento político. São os candidatos da verba. E eu sou do verbo. Eles vão se destruir entre eles”, diz.

    O candidato a governador apoiado pelo PL deverá ser o senador Efraim Filho (União Brasil), que entregou os cargos que tinha indicado no governo Lula. A aproximação do parlamentar com o bolsonarismo teve o aval da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante visita a João Pessoa.

    A aposta da direita é que a divisão do campo governista poderá ajudar Efraim a ir ao segundo turno da eleição. Há possibilidade de ele migrar para o PL, se a federação entre União e PP for concretizada e o comando na Paraíba ficar com o grupo de Aguinaldo e Lucas Ribeiro.

    Outro partido cobiçado pelas oposições é o PSD, comandado no estado pelo ex-deputado federal Pedro Cunha Lima, derrotado em 2022 no segundo turno por João Azevêdo em disputa acirrada.

    Aliados de Cícero dizem que há possibilidade de Pedro ser o candidato a vice na chapa. Também há intenção de Efraim de fazer composição com Pedro. O ex-deputado pretende tomar a decisão de forma conjunta com o primo e prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União Brasil), até janeiro.

    “Não abro mão de fazer um necessário debate e com foco imenso na educação. Mais do que qualquer composição, o mais importante é uma agenda para colocar em primeiro plano”, diz Pedro, que apoiará Veneziano para uma das vagas ao Senado.

    Com Pedro em sua chapa, Cícero teria apoio das máquinas públicas das duas maiores cidades paraibanas: Campina Grande e João Pessoa -já que o atual vice-prefeito da capital, Léo Bezerra (PSB), que herdará o cargo de Cícero, o apoia para o governo.

    Lucas Ribeiro, por sua vez, tem como principal capital político a estrutura do governo estadual, já que estará como governador durante a campanha eleitoral. Juntos, o PP de Lucas, o PSB de João Azevêdo e o Republicanos de Hugo Motta elegeram 139 dos 223 prefeitos da Paraíba nas eleições de 2024.

    Tanto Cícero Lucena como Lucas Ribeiro disputam o apoio do PT no próximo ano. Há possibilidade de o partido de Lula ocupar a vaga de vice em uma das chapas. Apesar de ter apenas um prefeito no estado, a legenda é cobiçada por ser do presidente e ter um dos maiores tempos de propaganda no rádio e na televisão.

    O principal foco dos petistas é eleger dois deputados federais para ajudar a ampliar a base aliada de Lula num eventual quarto mandato -um dos candidatos será o ex-governador Ricardo Coutinho. Atualmente, há apenas um deputado federal do PT no estado.

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  • STF tem maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu sob acusação de coação ao atuar nos EUA

    STF tem maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu sob acusação de coação ao atuar nos EUA

    Julgamento ocorre no plenário virtual do STF, entre ministros da Primeira Turma, até dia 25 de novembro

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta sexta-feira (14) para receber a denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sob a acusação de coação.

    Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin apresentaram seu votos no primeiro dia de julgamento no plenário virtual do colegiado. Cármen Lúcia tem até o dia 25 para apresentar sua posição.

    Nessa fase do processo, os ministros analisam se a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) traz indícios mínimos de autoria e materialidade que justificam a abertura de um processo penal contra Eduardo. Com a confirmação do resultado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se tornará réu e responderá ao Supremo pelos crimes de que foi acusado.

    Em seu voto, o relator Alexandre de Moraes disse que a PGR levantou diversos indícios de que Eduardo atuou nos Estados Unidos para pressionar o Judiciário a suspender o processo contra seu pai na trama golpista.

    O crime de coação, para ser configurado, exige que a ação tenha grave ameaça. Para o ministro, ela se materializou na “articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América, com a aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos de entradas de diversas autoridades brasileiras nos Estados Unidos da América e a aplicação dos efeitos da Lei Magnitsky a este ministro relator”.

    “Há relevantes indícios de que as condutas de Eduardo Nantes Bolsonaro tinham como objetivo a criação de um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil, como modo de coagir os ministros do Supremo Tribunal Federal a decidir favoravelmente ao réu Jair Messias Bolsonaro, em total desrespeito ao devido processo legal”, completou.

    Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo foram acusados pela PGR de articularem ações junto ao governo do Estados Unidos com o objetivo de intervir nos processos contra Jair Bolsonaro no Brasil.

    O procurador-geral Paulo Gonet viu na ação da dupla o crime de coação, que consiste em “usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial”.

    O processo contra os dois acabou desmembrado. Moraes determinou que Eduardo fosse intimado por edital, sob alegação de que ele dificultava o andamento do processo; já Figueiredo mora nos Estados Unidos há mais de dez anos e será notificado pessoalmente, por meio de cooperação jurídica internacional.

    A acusação da PGR diz que Eduardo e Figueiredo, desde o recebimento da denúncia contra Bolsonaro no Supremo, passaram a articular sucessivas e continuadas ações para intervir no processo penal.

    “O propósito foi o de livrar Jair Bolsonaro, e também o próprio Paulo Figueiredo, da condenação penal pelos crimes que ensejaram a abertura de procedimentos criminais”, afirmou o procurador-geral, Paulo Gonet na denúncia de coação. “As ameaças foram reiteradas várias vezes, em diferentes ocasiões”, acrescentou.

    O procurador afirma que Eduardo e Figueiredo tentaram explorar o relacionamento que mantêm com integrantes do governo americano e assessores e conselheiros do presidente Donald Trump e que se valeram dessa rede de contatos para constranger a atuação do Supremo.

    Eles induziram, diz a peça acusatória, “a adoção de medidas retaliatórias pelo governo norte-americano contra o Brasil e contra autoridades brasileiras, no intuito de compelir o Supremo Tribunal a encerrar os processos sem condenações, especialmente de Jair Bolsonaro”.

    Essa pressão tinha, também, o objetivo de que o Congresso Nacional aprovasse um projeto de anistia que abrangesse Bolsonaro, diz Gonet.

    “Os denunciados ameaçavam as autoridades judiciárias e de outros Poderes com a promessa de que conseguiriam de autoridades norte-americanas sanções dispostas para dificultar e arruinar suas vidas civis, mesmo no Brasil, se o processo criminal não tivesse o fim que desejavam ou se a anistia -extensiva necessária e prioritariamente a Jair Bolsonaro- não fosse pautada e conseguida no Congresso Nacional.”

    Um dos efeitos práticos da atuação de Eduardo e Figueiredo nos Estados Unidos foi a aplicação, pelo governo americano, de sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa.

    Em nota conjunto divulgada após a denúncia, a dupla disse que a acusação revelava a “perseguição política em curso”. Eles ainda dizem que a acusação é “fajuta” e chamam a equipe de Paulo Gonet na PGR de “lacaios de Moraes”.

    Já o defensor público Antonio Ezequiel Inácio Barbosa, responsável pelo caso, pede ao Supremo que a acusação por coação não seja levada à frente porque o tipo penal exige violência ou grave ameaça para ser configurado.

    “Declarações sobre fatos políticos, ainda que críticas, ácidas ou contundentes, não constituem violência nem grave ameaça. Especificamente, esta última pressupõe promessa de mal futuro que dependa da vontade e do poder de quem ameaça. Se o agente não tem poder de concretizar o mal anunciado, não há grave ameaça, mas mera opinião ou prognóstico sobre eventos futuros”, afirma.

    STF tem maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu sob acusação de coação ao atuar nos EUA

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  • PF sugere que Mauro Cid seja incluído em programa de proteção a testemunhas

    PF sugere que Mauro Cid seja incluído em programa de proteção a testemunhas

    A proteção a Cid e seus familiares era um dos pontos acertados no acordo de colaboração premiada do militar com a Polícia Federal

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Polícia Federal disse ao STF (Supremo Tribunal Federal) que pode incluir o tenente-coronel Mauro Cid no programa de proteção a testemunhas ameaçadas para garantir a segurança do militar.

    O ministro Alexandre de Moraes enviou a sugestão da PF à PGR (Procuradoria-Geral da República), para manifestação em cinco dias.

    A proteção a Cid e seus familiares era um dos pontos acertados no acordo de colaboração premiada do militar com a Polícia Federal. Em trecho do documento, o tenente-coronel pedia “ação da Polícia Federal visando garantir a segurança do colaborador e seus familiares”.

    A sugestão da Polícia Federal foi citada por Moraes em despacho nesta sexta-feira (14). “A Polícia Federal, a seu turno, informou que, como ação indispensável à preservação da integridade física do réu e de seus familiares, revela-se possível a inclusão destes no Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas”, diz.

    Segundo a Polícia Federal, o programa de proteção a testemunhas consiste no “conjunto de medidas adotadas pela União com o objetivo de proporcionar proteção e assistência a pessoas ameaçadas ou coagidas devido à sua colaboração com investigações ou processos criminais”.

    Têm direito ao programa vítimas, testemunhas e réus colaboradores que estejam coagidos os expostos a grave ameaça em razão de colaborarem com investigação ou processo criminal.

    O tenente-coronel Mauro Cid foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto, por participação no núcleo central da trama golpista. Na última semana, o militar retirou a tornozeleira eletrônica e passou a cumprir a pena.

    Ele precisa cumprir uma série de procedimentos em sua pena em regime aberto. São elas:

    • Proibição de ausentar-se da comarca e recolhimento domiciliar no período noturno (entre 20h e 6h) e integralmente nos finais de semana;
    • Obrigação de comparecer semanalmente perante o Juízo da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, às segundas-feiras, ou dia útil subsequente, em caso de feriado, para informar e justificar suas atividades;
    • Proibição de se ausentar do país, mantido o cancelamento dos passaportes emitidos pela República Federativa do Brasil em nome do investigado, assim como a obrigação de entrega dos passaportes ao Juízo da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal;
    • Suspensão imediata de quaisquer documentos de porte de arma de fogo em nome do investigado, bem como de quaisquer Certificados de Registro para realizar atividades de colecionamento de armas de fogo, tiro desportivo e caça;
    • Proibição de portar armas;
    • Proibição de utilização de redes sociais;
    • Proibição de se comunicar com os réus das Ações Penais 2.668/DF, 2.693/DF, 2.694/DF e 2.696/DF e com os investigados na Pet 12.100/DF, qualquer que seja a fase em que se encontrem, por qualquer meio de comunicação.

    PF sugere que Mauro Cid seja incluído em programa de proteção a testemunhas

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  • STF avalia denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro nesta sexta

    STF avalia denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro nesta sexta

    A Primeira Turma do Supremo analisa se aceita a denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro por tentar interferir, nos Estados Unidos, em um processo que envolve o pai, Jair Bolsonaro. Se o tribunal aceitar a acusação, o deputado passará à condição de réu por coação no curso do processo.

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal inicia nesta sexta-feira (14) o julgamento que pode transformar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em réu. A Procuradoria-Geral da República acusa o parlamentar de coação no curso do processo, por supostamente tentar interferir, fora do país, no julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O caso é analisado no plenário virtual do STF, sistema em que os ministros registram seus votos eletronicamente. A votação segue até 25 de novembro, salvo pedido de vista ou destaque que leve o caso a sessão presencial.

    Se a denúncia for aceita, será aberta ação penal contra o deputado; se rejeitada, o processo será arquivado. A acusação aponta que Eduardo Bolsonaro teria atuado nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e criar constrangimento a ministros do Supremo.

    A PGR cita postagens e entrevistas em que o deputado defendia sanções a integrantes do Judiciário. Para os procuradores, as declarações configuraram tentativa de intimidação e interferência no processo que apura a trama golpista de 8 de janeiro, em que Jair Bolsonaro já foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

    As investigações começaram em maio e se ampliaram nos meses seguintes. Em julho, o inquérito passou a incluir o ex-presidente e o influenciador Paulo Figueiredo, e em agosto, o pastor Silas Malafaia. A Polícia Federal apontou indícios de que o grupo teria articulado ações e mensagens com o objetivo de pressionar o Judiciário e o Legislativo.

    Em setembro, a PGR apresentou denúncia formal contra Eduardo Bolsonaro e Figueiredo, alegando que ambos buscaram apoio do governo Donald Trump para retaliar autoridades brasileiras e impedir condenações no caso do golpe.

    O crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal, ocorre quando alguém usa violência ou ameaça para favorecer a si ou a terceiros em um processo judicial, administrativo ou policial. A pena varia de um a quatro anos de prisão.

    Durante o julgamento, os ministros vão avaliar se a denúncia apresenta elementos mínimos para instaurar ação penal, como a descrição dos fatos, indícios de autoria e provas iniciais. Caso a Primeira Turma aceite a acusação, o deputado se tornará réu e o processo seguirá para coleta de provas e depoimentos.

    Além de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, o inquérito ainda apura a conduta de Jair Bolsonaro e Silas Malafaia. O julgamento marca mais um capítulo da ofensiva do Supremo contra as ações de bastidores relacionadas ao caso do golpe de Estado.

    STF avalia denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro nesta sexta

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  • Moraes libera Tarcísio, Cláudio Castro e aliados para ver Bolsonaro

    Moraes libera Tarcísio, Cláudio Castro e aliados para ver Bolsonaro

    O ministro do STF liberou encontros de aliados com o ex-presidente, entre eles Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro e Ronaldo Caiado. A lista inclui ainda deputados, ex-ministros e líderes religiosos, com visitas monitoradas marcadas entre 24 de novembro e 11 de dezembro.

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba uma série de visitas políticas e pessoais nas próximas semanas. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (13) e atende a um pedido da defesa, que alegou a necessidade de “diálogo direto” com o ex-presidente.

    Entre os visitantes autorizados estão os governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que devem se encontrar com Bolsonaro nos dias 26 de novembro e 10 de dezembro. Também receberam autorização o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, cujas visitas estão marcadas para 9 e 1º de dezembro, respectivamente.

    A lista de pessoas liberadas por Moraes inclui ainda aliados próximos e apoiadores do ex-presidente. O ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida será o primeiro a visitá-lo, no dia 24 de novembro. Em seguida, Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia, no dia 25. No dia 27, o encontro será com o padre Cleidimar da Silva Moreira, seguido do deputado federal Evair de Melo (PP-ES), em 28 de novembro.

    Outros nomes também foram confirmados: o ex-deputado Odelmo Leão, no dia 3 de dezembro; o padre Pablo Henrique de Faria, em 4 de dezembro; Paulo M. Silva, em 5 de dezembro; e o deputado federal José Medeiros (PL-MT), em 2 de dezembro. O deputado federal Sanderson (PL-RS) encerrará a agenda no dia 11 de dezembro.

    Todas as visitas deverão ocorrer entre 9h e 18h e seguir protocolos de segurança e monitoramento. A decisão ocorre no contexto da condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, no julgamento do chamado “Núcleo 1” da trama golpista.

    A maioria dos visitantes mantém postura crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integra o grupo político que tenta preservar a articulação do bolsonarismo mesmo com o ex-presidente em prisão domiciliar. Entre eles estão aliados próximos, líderes religiosos e nomes com histórico de atuação em pautas conservadoras.

    Moraes já havia concedido autorizações semelhantes a visitas anteriores, mas esta é a mais ampla desde a condenação de Bolsonaro, refletindo a pressão política de aliados e a estratégia de permitir encontros supervisionados, sem abrir mão do controle institucional sobre o ex-presidente.

    Moraes libera Tarcísio, Cláudio Castro e aliados para ver Bolsonaro

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  • Proposta de Derrite para PL Antifacção retira R$ 360 milhões de fundos federais contra crime

    Proposta de Derrite para PL Antifacção retira R$ 360 milhões de fundos federais contra crime

    A proposta apresentada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), em sua quarta versão, é considerada por juristas e especialistas em seguraça pública como inconsistente

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A quarta versão do projeto antifacção, apresentada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), pode retirar mais de R$ 360 milhões ao ano de fundos federais de combate ao crime e redirecioná-los para governos estaduais.

    Pelo texto de Derrite, a permanência de recursos com a União só ocorreria nos casos em que a investigação da atividade ilícita tivesse participação direta da Polícia Federal.

    Atualmente, quando o estado toma bens obtidos com atividade criminosa (como tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro) ou usados para cometer o crime (como veículos, imóveis, aeronaves, equipamentos), os bens passam a integrar o patrimônio público. Entre as destinações está o Funad (Fundo Nacional Antidrogas).

    A alteração proposta por Derrite em seu parecer mais recente, divulgado na quarta-feira (12), gerou apreensão entre integrantes do governo Lula (PT), que criticam a medida. Um documento elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, e obtido pela Folha de S.Paulo, mostra que apenas entre janeiro e outubro de 2025 essas receitas somaram cerca de R$ 367,48 milhões.

    O dinheiro foi destinado a fundos nacionais geridos pela pasta da Justiça.

    O Funad concentrou a maior parte dos recursos, recebendo 74% do total, o equivalente a R$ 271,9 milhões. Na sequência, aparece o Funpen (Fundo Penitenciário Nacional), com R$ 65,1 milhões. O Funapol (Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal) ficou com R$ 27,2 milhões, enquanto o fundo da Polícia Rodoviária Federal recebeu R$ 3 milhões. Já o Fundo Nacional de Segurança Pública foi o que obteve menos recursos: apenas R$ 14,8 mil.

    A terceira versão do projeto apresentada por Derrite destinava esse tipo de receita exclusivamente aos fundos estaduais, medida que, segundo o Ministério da Justiça, poderia descapitalizar investimentos já realizados com recursos federais, inclusive aqueles voltados à Polícia Federal. Na quarta versão, o deputado passou a incluir também o Funapol com destinação dos valores obtidos com confisco.

    Apesar da mudança, técnicos da pasta avaliam que o ajuste ainda é insuficiente. Eles argumentam que o principal fundo atualmente é o Funad, que financia parte relevante das políticas públicas para o setor, inclusive da própria Polícia Federal, e que sua exclusão poderia comprometer essas ações.

    No documento, a pasta aponta que, embora a intenção dessas proposições possa ser legítima, a alteração das fontes de financiamento desses fundos traria consequências graves e imediatas para as políticas públicas de segurança, de enfrentamento às drogas e de administração penitenciária.

    Além disso, haveria riscos jurídicos e institucionais tendo em vista que a redução das receitas provenientes do confisco de bens afetaria diretamente o cumprimento de decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), que reconhecem a essencialidade e a vinculação desses recursos.

    O STF reconheceu a existência de um “estado de coisas inconstitucional” no sistema carcerário brasileiro e determinou que os recursos do Funpen sejam integralmente aplicados em ações de melhoria do sistema, incluindo o Plano Nacional Pena Justa.

    “Reduzir as receitas do Funpen significaria fragilizar o cumprimento de decisão judicial vinculante e agravar o quadro de superlotação e violação de direitos fundamentais”, aponta o documento.

    Outro efeito previsto, ainda de acordo com o texto da Justiça, seria o enfraquecimento da atuação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, que teriam menos recursos para investir em equipamentos, tecnologia e logística.

    A mudança também poderia comprometer a política nacional de combate às drogas, em um momento em que o STF redefiniu o marco jurídico sobre o tema e reforçou obrigações para a União.

    Como a Folha de S.Paulo mostrou, o parecer apresentado por Derrite não agradou nem governistas nem oposicionistas. Diante desse cenário, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou o adiamento da votação da proposta, que estava prevista para ocorrer na quarta.

    Proposta de Derrite para PL Antifacção retira R$ 360 milhões de fundos federais contra crime

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  • TCU ignora acúmulo de cargos e arquiva representação contra Motta por funcionárias fantasmas

    TCU ignora acúmulo de cargos e arquiva representação contra Motta por funcionárias fantasmas

    Por unanimidade, Tribunal de Contas da União rejeita representação do Ministério Público de Contas contra presidente da Câmara por falta de provas

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A Primeira Câmara do TCU (Tribunal de Contas da União) rejeitou representação contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pela contratação de funcionárias fantasmas em seu gabinete. A ação foi arquivada por unanimidade, sem solicitação de informações ao parlamentar, com o argumento de que o Ministério Público de Contas não apresentou indícios suficientes.

    Como relevou o jornal Folha de S.Paulo, três assessoras de Motta tinham rotinas incompatíveis com as funções que deveriam exercer no Legislativo: uma fisioterapeuta, uma estudante de medicina (que depois se formou e passou a acumulare a assistente social de uma prefeitura na Paraíba.

    Na representação, o Ministério Público junto ao TCU defendeu que “tais condutas geram prejuízo ao erário e comprometem a credibilidade das instituições públicas” e solicitou a investigação do parlamentar e a abertura de uma tomada de contas especial para apuração do dano ao erário e devolução dos valores indevidamente recebidos em salários.

    “A contratação de funcionários fantasmas e o favorecimento de parentes de servidores configuram práticas que ferem os princípios da moralidade, eficiência e economicidade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal”, afirmou o subprocurador-geral, Lucas Rocha Furtado, em representação ao TCU.

    O ministro Jonathan de Jesus, no entanto, afirmou que a representação foi fundamentada em matérias jornalísticas “sem, contudo, vir acompanhada de elementos probatórios mínimos ou indícios suficientes concernentes aos fatos alegados”. O julgamento ocorreu na terça-feira (11), mas o acórdão só foi publicado nesta quinta (13).

    Ele disse que “não havia indícios concretos de irregularidade ou ilegalidade” e defendeu o arquivamento, o que foi apoiado por unanimidade pelos ministros da turma. Ele ignorou a sugestão da área técnica, que defendeu que fossem solicitadas informações complementares ao presidente da Câmara sobre a denúncia.

    Jonathan de Jesus é ex-deputado federal e foi companheiro de Motta no Republicanos antes de ser eleito pela Câmara para o cargo de ministro do TCU, em 2023.

    Conforme a Folha de S.Paulo revelou em julho, a fisioterapeuta Gabriela Pagidis era contratada com salário de R$ 11,4 mil no gabinete, mas dava expediente em clínicas de Brasília quatro vezes por semana. A reportagem acompanhou a rotina dela e verificou que, nas terças e quintas de manhã, turno no qual não trabalha como fisioterapeuta, ela vai a uma academia ao lado de casa.

    Monique Agra acumulava a função no escritório com um cargo de assistente social na Prefeitura de João Pessoa. Ela ficou nos dois empregos durante mais de quatro anos, embora a legislação e o regimento interno da Câmara proíbam o acúmulo de funções públicas e as jornadas de trabalho fossem incompatíveis.

    Após a publicação da reportagem, ambas foram demitidas por Motta.

    Louise Lacerda estudava medicina em período integral e chegou a morar no Rio Grande do Norte, embora fosse contratada para atuar na Paraíba. Ela é filha do ex-vereador Marcílio Lacerda (Republicanos-PB), do município de Conceição (PB).

    Inicialmente, ela foi mantida no gabinete, mesmo após as reportagens, mas foi demitida após a Folha de S.Paulo revelar que, após se formar em julho, ela passou a trabalhar como médica em duas prefeituras enquanto continuava contratada pelo gabinete de Motta.

    Procurado na época, Motta afirmou por meio de sua assessoria que “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara”, mas se recusou a fornecer o registro de comparecimento das funcionárias ou divulgar provas das atividades desempenhadas no gabinete.

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  • Ex-assessor de Moraes vira réu no Supremo

    Ex-assessor de Moraes vira réu no Supremo

    Eduardo Tagliaferro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo e obstrução de investigação penal

    Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (13), em Brasília, tornar réu o ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro.

    Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo e obstrução de investigação penal.

    O ex-assessor foi investigado pela Polícia Federal pelo vazamento de conversas com outros funcionários do gabinete do ministro.  

    Segundo Tagliaferro, as conversas revelariam supostas ilegalidades que teriam sido cometidas quando Moraes ocupou o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022. O ministro sempre negou qualquer irregularidade. 

    Tagliaferro foi contratado pelo próprio ministro para trabalhar na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), seção que funcionou no TSE durante as eleições presidenciais.

    Em 2023, o ex-assessor foi demitido pelo ministro após ser acusado de violência doméstica. Julgamento
    Além de Alexandre de Moraes, relator do caso, os ministros Cristiano Zanin, Flavio Dino e Cármen Lúcia votaram para tornar o acusado réu. 

    No entendimento de Moraes, Tagliaferro divulgou informações sigilosas, por meio de entrevistas à imprensa, e repassou diálogos mantidos com servidores do TSE sobre processos que estavam em andamento no tribunal.

    Sobre o fato de julgar seu ex-assessor, o ministro rejeitou se declarar impedido para analisar o processo.

    “Não há qualquer elemento concreto que demonstre interesse pessoal deste relator no desfecho da causa, tampouco situação que se enquadre nas hipóteses legais de impedimento. A mera vinculação institucional ou hierárquica entre o órgão presidido e servidores investigados não caracteriza interesse direto ou indireto no feito, sendo insuficiente para afastar a competência regularmente estabelecida”, afirmou.

    Tagliaferro tem dupla cidadania e está na Itália. Ele é alvo de um pedido de extradição feito pelo governo brasileiro. 

    Ex-assessor de Moraes vira réu no Supremo

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  • Lula pede empenho a ministros na tramitação de projetos de segurança

    Lula pede empenho a ministros na tramitação de projetos de segurança

    Presidente reuniu ministros com a intenção de ouvir a experiência dos governos sobre o tema e sobre a tramitação dos projetos

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, nesta quinta-feira (13), seus ministros que já foram governadores para tratar dos projetos sobre segurança pública em tramitação na Câmara dos Deputados. Lula pediu empenho desses ministros na articulação política para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo governo em abril, e do projeto de lei (PL) Antifacção, encaminhado no final de outubro.

    “Os ministros, claro, foram governadores, têm relação com os deputados das suas bancadas, conversam. Então, acho que isso também nos ajuda muito na articulação lá dentro do Congresso”, disse a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto, após a reunião com Lula.

    De acordo com a ministra, a intenção da reunião era ouvir a experiência dos governos sobre o tema e sobre a tramitação dos projetos. 

    “Foi uma reunião muito interessante e produtiva porque os nossos ministros ex-governadores reiteraram a importância da aprovação desses marcos legais”, acrescentou a ministra.

    Entre os pontos principais da PEC da Segurança Pública, o governo defende a integração das forças federais com as estaduais e municipais para “combater efetivamente” o crime organizado. “Isso dá condições de integrar o trabalho das forças de segurança desde o planejamento à ação”, disse Gleisi.

    Sobre o último relatório do PL Antifacção, apresentado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), a ministra afirmou que ainda há questões que preocupam o governo, como a apreensão de bens apenas após o trânsito em julgado do processo e a tipificação penal. Segundo ela, o texto precisa deixar claro o tipo penal de facção criminosa – que é um conceito mais complexo de domínio territorial e econômico – diferente de organização criminosa.

    Em meio a esse cenário de divergências, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, adiou para a próxima terça-feira (18), como pauta única, a discussão e votação do texto.

    Para Gleisi, o governo tem um “acúmulo grande de discussão dessa matéria” e está preparado para fazer a defesa do projeto em plenário.

    “O governo se dedicou por seis meses para elaborar esse projeto, esse projeto não nasceu em dois dias. Foi um projeto discutido com especialistas, com a universidade, com autoridades da área de segurança dos estados. Enfim, foi um projeto bastante robusto e bastante estudado. Então nós temos condições de fazer esse debate”, afirmou.

    Os ministros ex-governadores que participaram da reunião foram Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente); Rui Costa (Casa Civil); Renan Filho (Transportes); Camilo Santana (Educação); Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome); e Waldez Góes (Integração e do Desenvolvimento Regional).

    Também estiveram presentes a ministra Gleisi e os ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e da Fazenda, Fernando Haddad.

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  • Bolsonaristas veem derrapada de Derrite e avanço de vice de Nunes por vaga ao Senado

    Bolsonaristas veem derrapada de Derrite e avanço de vice de Nunes por vaga ao Senado

    Relator de proposta contra facções vira alvo de aliados e reacende disputa por vaga no Senado; fiel a Bolsonaro, coronel Mello Araújo defende que vaga é de Eduardo, que está nos EUA

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A atuação de Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei contra facções criminosas desagradou bolsonaristas e, na avaliação deles, abriu espaço a outro nome do grupo na disputa ao Senado em 2026, o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL).

    Aliados de Jair Bolsonaro (PL) afirmam que Derrite derrapou ao não costurar consenso sobre a viabilidade jurídica de seu projeto antes de apresentá-lo à sociedade, o que abriu margem a críticas e levou-o a recuar.

    O aumento de penas a criminosos e de garantias legais a forças de segurança são bandeiras históricas da direita e havia, no grupo, expectativa de que Derrite aproveitasse o projeto como ativo eleitoral para buscar a vaga no Senado.

    O momento era considerado favorável, especialmente após o apoio popular à operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, em 28 de outubro, que deixou 121 mortos.

    Um bolsonarista relatou, sob reserva, que, na sexta (7), Derrite foi aconselhado a procurar especialistas próximos ao grupo para validar tecnicamente o texto. Um dos nomes citados foi o do promotor de Justiça paulista Lincoln Gakiya, reconhecido pelo enfrentamento ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que acabou criticando a proposta.

    O secretário, porém, descartou a sugestão e ressaltou sua experiência no combate ao crime organizado – ele foi oficial da Polícia Militar por mais de 20 anos.

    Derrite discursou no plenário da Câmara nesta quarta (12) e defendeu o projeto. “Agora, sabe por que o governo federal e alguns políticos estão dizendo isso [criticando a proposta]? Porque eles não conseguem debater o texto comigo”, afirmou. Ele terminou chorando ao se dirigir a familiares de policiais mortos na operação do Rio, que eram homenageados na sessão.

    Entre bolsonaristas, há críticas também ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), diante da percepção de que o governador não articulou com parlamentares nem manifestou apoio público ao auxiliar após o início das críticas.

    O Palácio dos Bandeirantes discorda dessa avaliação. A interlocutores, nesta quarta (12), Tarcísio disse que a aprovação do PL está costurada, que há muita gente ajudando e que a ideia é ter um texto que atenda ao interesse nacional -acima de questões eleitorais.

    No início do ano, os planos da centro-direita eram eleger Derrite e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao Senado em 2026, dentro da estratégia de ampliar a presença bolsonarista na Casa, responsável por analisar pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Como parte do plano, Derrite deixou o PL, partido pelo qual se elegeu em 2022, e migrou para o PP, para que cada sigla tivesse um candidato.

    Eduardo, porém, foi para os Estados Unidos em março, em meio a ataques ao ministro Alexandre de Moraes (STF). Tanto seu retorno ao Brasil quanto a candidatura são considerados improváveis atualmente pelos dirigentes partidários do grupo.

    Conforme a Folha mostrou em junho, com o afastamento de Eduardo, o nome do vice do prefeito Ricardo Nunes (MDB) passou a circular como alternativa para a chapa ao Senado. Agora, ganha força, segundo aliados de Bolsonaro ouvidos pela reportagem.

    Na ocasião em que o tema foi noticiado, Mello Araújo negou participar de articulações, mas admitiu que poderia concorrer se Bolsonaro assim decidisse.

    Nesta quarta, ele voltou a defender o filho do ex-presidente: “Espero que o Brasil volte ao rumo. País democrático tem que ter o presidente Bolsonaro nas eleições e Eduardo Bolsonaro para o Senado. Isso é democracia. O que estão fazendo com eles hoje farão com os outros amanhã”, disse, sem mais detalhes.
    Derrite foi procurado, mas preferiu não comentar, segundo sua assessoria.

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