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  • Dólar mostra volatilidade em meio alta do petróleo por guerra sem trégua e fator técnico

    Dólar mostra volatilidade em meio alta do petróleo por guerra sem trégua e fator técnico

    Dólar oscila em meio à alta do petróleo e tensões no Oriente Médio, enquanto mercado reage a dados de inflação no Brasil e no exterior. Expectativas econômicas pioram e investidores ajustam posições diante de incertezas globais e cenário político

    O dólar mostra volatilidade no mercado à vista na manhã desta segunda-feira, 30. Retomava a queda, rodando em torno de R$ 5,23 por volta das 9h40, após oscilar nos primeiros negócios. A divisa americana pode estar sofrendo influência de fator técnico ligado à formação da taxa Ptax de fim de março e do primeiro trimestre, que será definida amanhã, pois acumula alta de perto de 2% no mês.

    O investidor ajusta posições de olho na alta do petróleo, com o Brent acima de US$ 107 o barril, por preocupações com a escalada da guerra no Oriente Médio, que completa um mês, e seus impactos na inflação e no crescimento global. No exterior, o dólar avança ante seis moedas fortes (DXY) e também frente à maioria das divisas emergentes, à exceção do peso colombiano, peso mexicano, rublo russo e do real.

    O presidente Donald Trump disse que os EUA negociam “seriamente” com um novo regime no Irã para encerrar as operações militares e afirmou haver “grandes progressos”. Porém, alertou que, sem acordo e com o Estreito de Ormuz fechado, Washington pode intensificar ataques, mirando infraestrutura energética, petróleo, a Ilha de Kharg e até usinas de dessalinização no Irã.

    Na Alemanha, a taxa anual de inflação ao consumidor (CPI) acelerou para 2,7% em março, ante 1,9% em fevereiro, segundo o Destatis.

    No mercado doméstico, o Boletim Focus trouxe piora nas expectativas de inflação até 2028. A projeção suavizada do IPCA para 12 meses à frente passou de 4,07% para 4,10%.

    As projeções de IPCA para 2026 subiram pela terceira semana seguida, de 4,17% para 4,31%, ante 3,91% há um mês e 0,19 ponto porcentual abaixo do teto da meta (4,50%). Para 2027, avançaram de 3,80% para 3,84%, ante 3,79% há um mês. Para 2028, passaram de 3,52% para 3,57%.

    O IGP-M subiu 0,52% em março, após queda de 0,73% em fevereiro, informou a FGV. O resultado ficou acima da mediana das projeções, que era de 0,46%.

    As concessões de crédito livre dos bancos caíram 6,8% em fevereiro ante janeiro, para R$ 551,6 bilhões. Em 12 meses, cresceram 8,3%, sem ajuste sazonal, segundo o Banco Central.

    O Índice de Confiança do Comércio (Icom) recuou 2,7 pontos de fevereiro para março, para 84,6 pontos, enquanto o Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 1,8 ponto no mesmo período, para 88,4 pontos, na série dessazonalizada, informou a FGV.

    No cenário eleitoral, a Paraná Pesquisas mostra o senador Flávio Bolsonaro com 45,2% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 44,1% no segundo turno. Brancos e nulos somaram 6,2%, e 4,5% não responderam.

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  • Bônus da Páscoa do INSS é liberado, veja quem recebe

    Bônus da Páscoa do INSS é liberado, veja quem recebe

    Antecipação do 13º salário começa a ser paga junto com calendário de março e abril. Benefício contempla aposentados, pensionistas e segurados de auxílios, garantindo reforço no orçamento de milhões de brasileiros

    O Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, já iniciou o calendário de pagamentos de 2026 e também confirmou a antecipação do chamado “bônus da Páscoa”, que corresponde ao pagamento da primeira parcela do 13º salário para milhões de beneficiários.

    A medida beneficia aposentados, pensionistas e pessoas que recebem auxílios previdenciários, como auxílio-doença, auxílio-acidente e auxílio-reclusão. Na prática, trata-se da antecipação de parte do 13º salário, que costuma ser paga em duas parcelas ao longo do ano.

    Quem tem direito ao bônus da Páscoa

    Recebem o valor todos os segurados que têm direito ao 13º do INSS. Isso inclui:

    Aposentados
    Pensionistas
    Beneficiários de auxílios previdenciários

    Ficam de fora apenas os beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada), já que esse tipo de benefício não dá direito ao 13º salário.

    Quando o pagamento será feito

    O pagamento segue o mesmo calendário regular do INSS, que começou no dia 25 de março e vai até o início de abril para quem recebe até um salário mínimo. Já os segurados que recebem acima do piso começam a receber a partir de 1º de abril.

    As datas são definidas de acordo com dois critérios:

    Número final do benefício
    Valor recebido, sendo priorizados os que ganham até um salário mínimo

    Esse modelo é repetido ao longo do ano, com pequenos ajustes mensais.

    Como funciona o calendário

    O cronograma é escalonado para evitar sobrecarga no sistema bancário e garantir organização nos pagamentos. A divisão também ajuda a reduzir filas e prioriza quem depende de valores menores.

    Atualmente, cerca de 35 milhões de benefícios são pagos todos os meses no Brasil, o que torna o INSS um dos principais responsáveis pela circulação de renda no país.

    Impacto na economia

    Os depósitos do INSS movimentam bilhões de reais e têm efeito direto no consumo, especialmente em cidades menores. O dinheiro costuma ser usado para despesas básicas, como alimentação, contas e medicamentos, além de impulsionar o comércio local.

    Como consultar o pagamento

    Os beneficiários podem conferir as datas e valores pelos canais oficiais:

    Aplicativo Meu INSS
    Site do INSS
    Telefone 135
    Extrato bancário

    Caso o valor não seja depositado na data prevista, a recomendação é verificar os dados no sistema ou entrar em contato com o banco ou com o próprio INSS.

    Com a antecipação do 13º, o chamado bônus da Páscoa surge como um reforço importante no orçamento de milhões de brasileiros neste período do ano.
     
     
     

    Bônus da Páscoa do INSS é liberado, veja quem recebe

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  • Fachin barra recurso de CPI contra decisão de Gilmar sobre quebra de sigilo de empresa de Toffoli

    Fachin barra recurso de CPI contra decisão de Gilmar sobre quebra de sigilo de empresa de Toffoli

    Fachin declarou que essa ferramenta não funciona como um recurso comum e não pode servir para revisar decisões individuais dentro do tribunal. O presidente da corte também afirmou que não cabe a ele, como uma espécie de instância superior, rever o que outro ministro decidiu

    (FOLHAPRESS) – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, negou um pedido da CPI do Crime Organizado do Senado que buscava suspender os efeitos de uma decisão do ministro Gilmar Mendes a respeito da empresa Maridt Participações, que tem o também ministro Dias Toffoli entre seus sócios.

    Fachin manteve válida a ordem de Gilmar de anular a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt. A CPI tinha aprovado medidas para acessar os dados da empresa, alegando haver indícios de irregularidades financeiras, possíveis práticas de lavagem de dinheiro e conexões com pessoas investigadas.

    A Maridt, porém, que tem irmãos de Toffoli como sócios, questionou a medida no STF, e o caso acabou nas mãos de Gilmar Mendes. O ministro concedeu, por iniciativa própria, um habeas corpus em favor da empresa, anulando as decisões da CPI, sob o argumento de que houve irregularidade na forma como as quebras de sigilo foram determinadas.

    Diante disso, a CPI pediu ao presidente do STF que suspendesse os efeitos da decisão de Gilmar, sob o argumento de que ela causava prejuízo às investigações e que poderia comprometer a coleta de provas.

    O presidente do STF não avaliou se a decisão de Gilmar estava correta ou não. Em vez disso, fez um apontamento técnico sobre a “suspensão de liminar” apresentada pela CPI, uma alternativa jurídica que é usada para situações específicas, que pretendam evitar que decisões judiciais possam causar danos graves à ordem pública, à economia ou à segurança, por exemplo.

    Fachin declarou que essa ferramenta não funciona como um recurso comum e não pode servir para revisar decisões individuais dentro do tribunal. O presidente da corte também afirmou que não cabe a ele, como uma espécie de instância superior, rever o que outro ministro decidiu.

    “Não se admite, como regra, pedido de suspensão de decisão proferida por Ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Fachin, ao negar o pleito, sem entrar na análise do mérito em si. A decisão de Gilmar Mendes, portanto, continua valendo integralmente.

    Em um procedimento paralelo, Fachin encaminhou outra petição da comissão ao próprio relator do caso, o ministro Gilmar Mendes, para que preste esclarecimentos.

    Os questionamentos sobre as conexões do ministro Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, crescem desde que a primeira relação entre os dois foi revelada pela Folha de S. Paulo, em janeiro, e podem ser respondidos ao longo da investigação da Polícia Federal sobre o caso.

    O ministro não é investigado pela PF -isso só poderia ocorrer com autorização do próprio Supremo. No entanto, como mostrou a Folha de S. Paulo, investigadores suspeitam de crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, do qual a família do magistrado é ex-sócia, e avançam na apuração.

    O senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI do Crime Organizado, afirmou neste sábado (28) que a decisão de Fachin “limita o avanço das investigações e impacta diretamente o exercício das prerrogativas constitucionais das CPIs, que dispõem de poderes próprios de autoridade judicial, conforme entendimento já consolidado pelo STF”.

    A CPI, segundo o senador, vai recorrer da decisão, com expectativa de que o plenário da corte restabeleça a decisão colegiada dos parlamentares. “No âmbito do pedido de redistribuição apresentado pela CPI (PET 15615), em que o ministro Edson Fachin determinou a manifestação do ministro Gilmar Mendes acerca da distribuição do processo, a Presidência da Comissão confia que o desvirtuamento do sistema de distribuição será devidamente corrigido”, afirmou Contarato.

    A PF elaborou um relatório de 200 páginas sobre as relações de Toffoli e Vorcaro e entregou o documento ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro. Os achados da PF não foram suficientes para Fachin autorizar uma investigação contra o ministro, mas provocaram a saída de Toffoli da relatoria do caso, que passou para o ministro André Mendonça. Agora, qualquer avanço nas investigações contra Toffoli dependerá de decisões de Mendonça.

    A parceria no resort localizado em Rio Claro (PR) começou em setembro de 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen. Esse fundo integra uma extensa cadeia de fundos utilizados pelo Master, de acordo com as investigações da PF e do Banco Central.

    A Maridt deixou a sociedade nas empresas que compõem o grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando o restante de sua participação foi adquirido pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.

    Barbosa é um advogado goiano que atuou diversas vezes para a JBS, empresa do grupo J&F. Quando ele comprou a participação do Arleen no Tayayá, o fundo não pertencia mais a Zettel, mas sim a Alberto Leite, empresário amigo de Toffoli que manteve as cotas do fundo por menos de um ano.

    Na época da revelação da Folha de S. Paulo, o ministro Dias Toffoli não disse que também era sócio da Maridt. Ele só fez a revelação em 12 de fevereiro, após a PF produzir um relatório sobre as relações entre Toffoli e Vorcaro.

    A Maridt, afirmou Toffoli em nota enviada à Folha de S. Paulo na semana passada, é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal.

    “Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas”, afirmou.

    “O ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do ministro”, acrescentou, o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura.

    Sobre as vendas de participações no Tayayá para o fundo Arleen e para Paulo Humberto, Toffoli afirmou que “tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro do valor de mercado”.

    Fachin barra recurso de CPI contra decisão de Gilmar sobre quebra de sigilo de empresa de Toffoli

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  • Petróleo já subiu cerca de 50% desde o início da guerra no Irã, há um mês

    Petróleo já subiu cerca de 50% desde o início da guerra no Irã, há um mês

    Alta do petróleo reflete escalada da guerra no Irã e ameaça ao abastecimento global, com bloqueios no Estreito de Ormuz elevando preços e pressionando combustíveis. Conflito também já impacta o Brasil, enquanto governos discutem medidas para conter reajustes.

    (FOLHAPRESS) – O petróleo abriu o segundo mês da guerra no Irã em alta, em meio à escalada do conflito.

    Por volta das 22h20 deste domingo (29), os contratos do barril Brent com vencimento em junho de 2026 eram negociados a US$ 108,74, em alta de 3,28%, segundo dados da plataforma Investing.com.

    Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, até a última sexta (27), os futuros da commodity já haviam avançado mais de 45%, em meio ao desabastecimento provocado pelas interrupções do fluxo de petróleo no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial. Antes dos ataques, o Brent estava a US$ 72,48.

    No contrato com vencimento em maio, a cotação chegou a US$ 115,33 por barril, com uma alta de 58% no mês.

    “Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução nos estoques de reserva, o que poderá desencadear aumentos expressivos no preço do petróleo bruto, do gás natural e de outras commodities”, afirmou Bruce Kasman, chefe global de economia do JPMorgan.

    “Um cenário em que o estreito permaneça fechado por mais um mês seria compatível com os preços do petróleo subindo em direção a US$ 150 por barril e com restrições aos consumidores industriais de energia.”

    Durante o fim de semana, rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, lançaram mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra, enquanto o exército israelense continuou com extensos ataques contra Teerã e expandiu sua invasão ao Líbano.

    No domingo, Mohammad Bagher Ghalibaf, um dos principais líderes militares do Irã, acusou os EUA de usar esforços diplomáticos como cobertura para se preparar para operações terrestres.

    No Brasil, os preços da gasolina e do diesel nos postos subiram após o início da guerra. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a gasolina foi vendida na semana passada, em média, a R$ 6,78 por litro, aumento de 8% em relação ao preço praticado antes do conflito, ou R$ 0,50 por litro.

    O litro do diesel S-10 custou, em média, R$ 7,57 na semana passada. O aumento acumulado desde a semana anterior à guerra é de 24%, ou R$ 1,48 por litro.

    No início desta semana, os governos estaduais devem tomar uma decisão sobre o subsídio ao diesel importado como forma de amortecer a alta nos preços do combustível.

    A proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para criar um subsídio extra de R$ 1,20 para compensar o aumento no preço do diesel importado já tem o apoio de alguns estados, mas a maioria dos governos locais deve definir sua posição nos próximos dias.

    A medida proposta pela União é bancar metade do benefício (R$ 0,60 por litro).

    A disparada dos preços dos combustíveis é motivo de preocupação no governo, que teme efeitos sobre a eleição de outubro. Na sexta-feira (27), a Polícia Federal realizou a operação Vem Diesel, para coibir supostos aumentos abusivos.

    A operação é parte de uma ofensiva do Planalto contra distribuidoras e postos, que inclui fiscalizações conjuntas entre a ANP e o Ministério da Justiça.

    Segundo o jornal Washington Post, que cita autoridades americanas sob anonimato, o Pentágono se prepara para realizar operações terrestres de várias semanas que não seriam uma invasão em grande escala, mas incursões em território iraniano por forças especiais.

    O comandante da Marinha do Irã, Shahram Irani, afirmou neste domingo que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln será atacado se entrar em uma área de alcance de tiro iraniano.

    “Assim que o grupo aeronaval do USS Abraham Lincol n estiver ao alcance, vingaremos o sangue dos mártires do navio Dena lançando diferentes tipos de mísseis”, afirmou, em declarações veiculadas pela televisão estatal. A embarcação à qual ele faz referência é a fragata iraniana afundada pelos EUA no início da guerra.

    Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval que inclui cerca de 3.500 fuzileiros navais e outros soldados, chegou na sexta à região de operações do Comando Central das Forças Armadas americanas.

    Representantes da Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem neste domingo e na segunda-feira (30) em Islamabad, capital paquistanesa, para conversas sobre o conflito. Segundo pessoas próximas das discussões ouvidas pela agência Reuters, os líderes tratam principalmente de propostas relativas ao estreito de Hormuz.

    Petróleo já subiu cerca de 50% desde o início da guerra no Irã, há um mês

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  • Preocupações com a economia global se aprofundam à medida que a guerra no Irã se arrasta

    Preocupações com a economia global se aprofundam à medida que a guerra no Irã se arrasta

    Ataques e contra-ataques em andamento a refinarias, oleodutos, campos de gás e terminais de petroleiros no Golfo Pérsico ameaçam prolongar a dor econômica global por meses, até anos.

    Ataques dos EUA e de Israel ao Irã elevaram os preços, pioraram as perspectivas para a economia mundial, derrubaram os mercados globais de ações e forçaram países em desenvolvimento a racionar combustível e subsidiar os custos de energia para proteger os mais pobres.

    Ataques e contra-ataques em andamento a refinarias, oleodutos, campos de gás e terminais de petroleiros no Golfo Pérsico ameaçam prolongar a dor econômica global por meses, até anos.

    \”Há uma semana, ou certamente duas semanas atrás, eu teria dito: se a guerra parasse naquele dia, as implicações de longo prazo seriam bem pequenas\”, diz Christopher Knittel, economista de energia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. \”Mas o que estamos vendo é infraestrutura sendo realmente destruída, o que significa que as consequências dessa guerra serão duradouras.\”

    O Irã atingiu o terminal de gás natural Ras Laffan, no Catar, que produz 20% do gás natural liquefeito do mundo. O ataque de 18 de março eliminou 17% da capacidade de exportação de GNL do Catar, e os reparos levarão até cinco anos, declarou a estatal QatarEnergy. A guerra causou um choque no petróleo desde o início. O Irã respondeu aos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro fechando, na prática, o Estreito de Ormuz – ponto de passagem de um quinto do petróleo mundial – ao ameaçar petroleiros que tentassem atravessá-lo.

    Exportadores de petróleo do Golfo, como Kuwait e Iraque, cortaram a produção porque não havia para onde enviar o petróleo sem acesso ao estreito. A perda de 20 milhões de barris de petróleo por dia provocou o que a Agência Internacional de Energia chama de “a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo.

    O preço do barril do petróleo Brent subiu 3,4% na sexta-feira, fechando a US$ 105,32. Antes da guerra, estava perto de US$ 70. O petróleo de referência dos EUA subiu 5,5%, fechando a US$ 99,64 por barril. \”Historicamente, choques no preço do petróleo como este levaram a recessões globais\”, observou Knittel.

    A guerra também trouxe à tona uma lembrança econômica ruim dos choques do petróleo dos anos 1970: a estagflação.

    \”Você está aumentando o risco de inflação mais alta e crescimento mais baixo\”, relata Carmen Reinhart, da Harvard Kennedy School e ex-economista-chefe do Banco Mundial.

    Gita Gopinath, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, escreveu recentemente que o crescimento econômico global, que antes da guerra era esperado em 3,3% neste ano, seria de 0,3 a 0,4 ponto percentual menor se os preços do petróleo atingirem média de US$ 85 por barril em 2026.

    Escassez e alta de fertilizantes prejudicam agricultores

    O Golfo Pérsico responde por uma grande parcela das exportações de dois fertilizantes essenciais: um terço da ureia e um quarto da amônia. Produtores da região têm vantagem: acesso fácil a gás natural barato, principal insumo dos fertilizantes nitrogenados.

    Até 40% das exportações mundiais de fertilizantes nitrogenados passam pelo Estreito de Ormuz.

    Agora que a passagem está bloqueada, os preços da ureia subiram 50% desde a guerra e os da amônia, 20%. O Brasil, grande produtor agrícola, é especialmente vulnerável porque obtém 85% de seus fertilizantes por importação, escreveu a estrategista de commodities Kelly Xu, da Alpine Macro. O Egito, grande produtor de fertilizantes, precisa de gás natural para fabricá-los, e a produção cai quando o abastecimento é insuficiente.

    Com o tempo, os preços mais altos de fertilizantes devem encarecer os alimentos e reduzir a oferta, à medida que agricultores economizam no uso e obtêm menores colheitas. O aperto na oferta de alimentos atingirá mais fortemente famílias de países mais pobres.

    A guerra também interrompeu o fornecimento global de hélio, subproduto do gás natural e insumo essencial para fabricação de chips, foguetes e exames de imagem médica. O Catar produz hélio na instalação de Ras Laffan e fornece um terço do hélio mundial.

    Racionamento de gás e limitação do ar-condicionado

    \”Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar nessa direção\”, afirmou Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, em 23 de março.

    Países mais pobres serão os mais afetados e enfrentarão as maiores escassezes de energia \”porque serão superados em lances ao competir pelo petróleo e gás natural restantes\”, afirma Lutz Kilian, diretor do Centro de Energia e Economia do Federal Reserve Bank de Dallas.

    A Ásia está especialmente exposta: mais de 80% do petróleo e do GNL que passam pelo Estreito de Ormuz seguem para lá.

    Nas Filipinas, repartições públicas agora funcionam apenas quatro dias por semana, e funcionários devem limitar o uso do ar-condicionado a, no máximo, 24°C. Na Tailândia, servidores foram orientados a usar escadas em vez de elevadores.

    A Índia é o segundo maior importador mundial de gás liquefeito de petróleo, usado para cozinhar. O governo indiano está priorizando as famílias em relação às empresas ao distribuir o suprimento limitado e absorvendo a maior parte dos aumentos de preço para manter os custos baixos para famílias pobres.

    Mas a escassez de GLP obrigou alguns restaurantes a reduzir horários, fechar temporariamente ou retirar pratos como curries e frituras, que exigem muita energia.

    A Coreia do Sul, dependente de importações de energia, está restringindo o uso de carros por servidores públicos e restabeleceu tetos para preços de combustíveis que haviam sido abandonados nos anos 1990.

    Crise atinge uma economia dos EUA vulnerável

    Os Estados Unidos, maior economia do mundo, estão relativamente protegidos.

    O país é exportador de petróleo, então empresas de energia podem se beneficiar dos preços mais altos. E os preços do GNL são menores nos EUA do que em outros lugares porque as instalações de liquefação para exportação já operam com 100% da capacidade. Os EUA não podem exportar mais GNL do que já exportam, então o gás permanece no país, mantendo a oferta doméstica abundante e os preços estáveis.

    Ainda assim, o aumento da gasolina pesa sobre consumidores americanos já frustrados com o alto custo de vida. Segundo a AAA, o preço médio do galão de gasolina subiu para quase US$ 4, ante US$ 2,98 há um mês. \”Nada pesa mais no psicológico coletivo dos consumidores do que ter de pagar mais na bomba\”, escreveu Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, com colegas.

    A economia dos EUA já dava sinais de fraqueza, crescendo a uma taxa anual de apenas 0,7% de outubro a dezembro, abaixo dos 4,4% de julho a setembro. Empregadores cortaram inesperadamente 92 mil vagas em fevereiro e criaram apenas 9.700 empregos por mês em 2025, o ritmo mais fraco fora de uma recessão desde 2002.

    Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, elevou a probabilidade de recessão nos EUA no próximo ano para 40%. Em tempos \”normais\”, o risco é de apenas 15%.

    A recuperação levará tempo

    A economia mundial tem se mostrado resiliente diante de choques sucessivos: pandemia, invasão da Ucrânia pela Rússia, retorno da inflação e juros altos necessários para controlá-la.

    Por isso, havia otimismo de que também poderia absorver os danos da guerra no Irã. Mas essas esperanças estão diminuindo à medida que persistem as ameaças à infraestrutura energética do Golfo.

    \”Parte dos danos às instalações de GNL do Catar provavelmente levará anos para ser reparada\”, diz Kilian, do Fed de Dallas, que também mencionou os reparos necessários em refinarias de países como o Kuwait e em petroleiros do Golfo que precisam ser reabastecidos com combustível marítimo. \”O processo de recuperação será lento mesmo nas melhores circunstâncias.\”

    \”Não há nenhum ganho econômico no conflito com o Irã\”, escreveram Zandi e colegas. \”Neste momento, as perguntas são por quanto tempo as hostilidades continuarão e quanta destruição econômica causarão.\”

    Preocupações com a economia global se aprofundam à medida que a guerra no Irã se arrasta

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  • Presidente da CPI do INSS comprou avião de R$ 1,5 milhão

    Presidente da CPI do INSS comprou avião de R$ 1,5 milhão

    Trata-se de um avião de modelo EMB-810D, fabricado pela Neiva em 1984, com prefixo PT-RVD. A aeronave é de pouso convencional, tem dois motores e capacidade para até cinco passageiros, além do piloto.

    AUGUSTO TENÓRIO E THAÍSA OLIVEIRA
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), senador Carlos Viana (Podemos-MG), comprou um avião avaliado em R$ 1,5 milhão em outubro do ano passado. O valor corresponde a 42% dos R$ 3,5 milhões em bens declarados pelo parlamentar em 2024.

    Trata-se de um avião de modelo EMB-810D, fabricado pela Neiva em 1984, com prefixo PT-RVD. A aeronave é de pouso convencional, tem dois motores e capacidade para até cinco passageiros, além do piloto.

    De acordo com dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), ele está sob propriedade única da Fazenda Salto Grande, que pertence a Viana. O empreendimento foi lançado pelo parlamentar em 2022, e declarado com valor de R$ 400 mil.

    “A aeronave mencionada foi adquirida por pessoa jurídica regularmente constituída, estando devidamente registrada conforme a legislação vigente. A Fazenda Salto Grande não se trata de propriedade rural em nome de pessoa física, mas sim de uma empresa do setor agropecuário, constituída em 2022”, afirmou o senador em nota.

    De acordo com o registro do QSA (Quadro de Sócios e Administradores) no portal da Receita Federal, a fazenda tem apenas Viana como sócio-administrador. Ela fica no município de Verdelândia (MG) e tem como principal atividade declarada a criação de bovinos para corte.

    “As quotas da empresa estão devidamente declaradas no Imposto de Renda desde 2022, regularmente informadas às autoridades fiscais. Todos os atos seguem integralmente a legislação fiscal, patrimonial e registral”, completou a equipe do senador.

    Viana foi eleito senador em 2018. Depois, concorreu ao governo de Minas Gerais em 2022 e à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024. Foi nessa última eleição que ele declarou ter R$ 3.566.739,62 em bens. Neste ano, é pré-candidato à reeleição.

    O senador foi eleito presidente da CPI do INSS em uma manobra da oposição durante a instalação da comissão, em agosto de 2025. O chefe do colegiado, porém, passou a ser alvo de denúncias da base governista quando a CPMI passou a se debruçar sobre o escândalo do Banco Master.

    O senador entrou em rota de colisão com a cúpula do Congresso ao tratar do escândalo financeiro, uma vez que o objeto inicial da CPI eram os descontos indevidos feitos por entidades no pagamento dos aposentados. Um segundo momento de desgaste ocorreu por causa do vazamento de informações sigilosas em posse do colegiado.

    Viana também passou a ser alvo de denúncias da base governista que apontam suposta ligação com o caso Master.

    O senador enviou emenda parlamentar de R$ 3,6 milhões à Igreja Batista da Lagoinha, instituição que tinha como um dos seus líderes o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O repasse foi feito a um braço da igreja chamado de Fundação Oásis.

    Deputados do PT pediram ao Congresso o afastamento de Viana da presidência da CPI. No documento, eles afirmam que surgiram fatos novos que revelariam conflito de interesse e comprometimento da imparcialidade do parlamentar na condução das ações do grupo.

    Os petistas sustentaram que as apurações avançaram sobre personagens e entidades que são próximas ao entorno político-religioso de Viana, especialmente o envolvimento do pastor André Valadão e de uma das unidades da Igreja Batista da Lagoinha.

    O senador ficou isolado junto à oposição no colegiado e não conseguiu convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a prorrogar a CPI, que só pode funcionar até este sábado (28). Dessa forma, ele entrou no STF (Supremo Tribunal Federal) e conseguiu, com o ministro André Mendonça, uma liminar para estender os trabalhos da comissão.

    Nesta quinta-feira (26), o plenário do STF impôs uma derrota a Viana e Mendonça e derrubou a liminar.

    Presidente da CPI do INSS comprou avião de R$ 1,5 milhão

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  • Com novos ajustes, governo vai turbinar Minha Casa, Minha Vida e o setor imobiliário

    Com novos ajustes, governo vai turbinar Minha Casa, Minha Vida e o setor imobiliário

    Na visão de analistas, as novas regras tendem a aumentar a quantidade de famílias com poder para comprar a casa própria, abrindo espaço para as construtoras ampliarem o volume de lançamentos e a velocidade de vendas, assim como o preço final das moradias, maximizando seus lucros.

    Uma das principais vitrines do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Minha Casa, Minha Vida passará por mais uma série de atualizações, agora em pleno ano eleitoral. As mudanças prometem turbinar o programa, que já responde por mais da metade das vendas de imóveis residenciais novos no País.

    Na visão de analistas, as novas regras tendem a aumentar a quantidade de famílias com poder para comprar a casa própria, abrindo espaço para as construtoras ampliarem o volume de lançamentos e a velocidade de vendas, assim como o preço final das moradias, maximizando seus lucros.

    O novo ajuste foi proposto menos de um ano após a última atualização e vem à tona em um momento em que as maiores construtoras do segmento têm registrado lucros crescentes, com margens acima da média histórica, conforme mostrou a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    As mudanças

    A atualização nas regras (veja informações abaixo) foi apresentada pelo Ministério das Cidades no início de março ao Grupo de Apoio Permanente (GAP), que assessora o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O fundo usa o dinheiro dos trabalhadores para financiar a compra dos imóveis com juros bem abaixo do mercado. Nesta terça-feira, 24, o Conselho Curador do FGTS se reunirá para aprovar a proposta do governo.

    O que se diz em Brasília é que a mudança foi proposta para acompanhar o valor do salário mínimo, reajustado neste ano para R$ 1.621. Assim, a subida da faixa 1 do MCVM para R$ 3.200 servirá para manter a sua equivalência a dois salários mínimos. Sem isso, as famílias passariam a ser enquadradas na faixa 2, que tem juros maiores. Consequentemente, as demais faixas também precisarão ser reajustadas. Procurado, o Ministério não concedeu entrevista.

    Visão do mercado

    Analistas notaram que o governo mudou sua postura e passou a fazer não só uma manutenção periódica, como também mudar as regras para ampliar o programa. \”Estamos vendo uma frequência um pouco maior de ajustes, ao contrário do que acontecia no passado, em que passavam dois a três anos sem alterações. Lá atrás, o programa ficava defasado, as margens de lucro ficavam deterioradas e as empresas iam deixando de começar novos projetos\”, observou o analista de mercado imobiliário do BTG Pactual, Gustavo Cambauva.

    Em sua visão, não havia necessidade de novos ajustes para assegurar a rentabilidade das grandes construtoras, que estão em patamares altos. Entretanto, há uma vontade explícita do governo em ampliar o programa, cuja meta de contratações foi elevada de 2 milhões para 3 milhões. Até o fim de 2025, estavam em 2,1 milhões. \”As contratações já foram muito boas em 2024 e em 2025. Se não fizessem nada, 2026 já seria mais um bom ano. Mas para atingir a nova meta, é preciso ampliar mais o tamanho do programa e acelerar”, apontou Cambauva.

    A Cury – uma das maiores no setor – se diz pronta para ampliar os lançamentos e as vendas de imóveis em 2026, tendo em vista as condições favoráveis de contratação. \”A perspectiva é muito boa. No passado, o programa tinha hiatos na atualização das regras, e as contratações davam \’barrigadas\’. Agora, o governo entendeu que precisa fazer ajustes de tempos em tempos\”, avaliou o copresidente da Cury, Leonardo Mesquita. Segundo ele, os novos ajustes servirão para ampliar o volume de projetos no ano, mas também para subir preços onde houver uma demanda mais aquecida. Outras empresas também avisaram investidores que seguirão o mesmo caminho, caso da MRV.

    A analista de construção do Santander, Fanny Oreng, disse esperar uma aceleração dos negócios com as novas atualizações. \”Isso ajudará muito o poder de compra, então esperamos uma aceleração nas vendas, crescimento dos lançamentos ou melhora da rentabilidade. O efeito vai depender muito do perfil da companhia\”, afirmou.

    Oreng também defendeu os ajustes periódicos como forma de evitar que as condições de contratação fiquem defasadas.

    A analista lembrou que as empresas do segmento fazem o repasse do cliente para o financiamento bancário logo após a venda do imóvel na planta – e não só após a entrega das chaves, como acontece fora do MCMV. Portanto, as construtoras do programa não contam com a correção monetária das parcelas ao longo das obras. As empresas precisam ter uma \”gordura\” no orçamento para lidar com disparada nos custos, algo que aconteceu na pandemia e derrubou o lucro na época.

    \”Somos um País que tem inflação relevante. Se o programa não faz ajustes, as condições de contratação vão se deteriorando. E pela frente, há receio de um choque de custos, dependendo do que irá acontecer com os preços de combustível e outras commodities\”, comentou a analista, citando as incertezas do cenário externo.

    A coordenadora de estudos da construção da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ana Maria Castelo, ponderou que será preciso monitorar se o aumento nas faixas de renda e no teto de preços dos imóveis não causará o efeito contrário, isto é, menos unidades contratadas. Isso porque as mudanças podem gerar subida no preço médio dos imóveis financiados. \”Na hora que aumenta o valor do imóvel, diminui o número de unidades que são contratadas, a menos que o orçamento do ano seja ampliado na mesma proporção\”, apontou.

    Castelo notou também que os ajustes têm superado a inflação setorial (INCC), que foi de 6,1% em 2025. Com isso, servirão para sustentar, de fato, o crescimento do Minha Casa, e cumprir o objetivo de atender mais famílias de classe média – que estão sofrendo para comprar a casa própria fora do programa, em que os financiamentos estão com juros elevados. \”A elevação das faixas de renda traz para o programa uma parcela da população de classe média. Isso foi algo deliberado. O presidente Lula já falou isso publicamente\”, destacou.

    Com tudo isso em vista, o setor se tornou uma espécie de \”porto seguro\” para o mercado imobiliário. Na cidade de São Paulo, o Minha Casa responde por 61% dos lançamentos e 64% das vendas de imóveis novos, segundo pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Já na média nacional, a participação fica um pouco acima de 50%, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

    Grandes números

    As contratações no Minha Casa, Minha Vida somaram 2,1 milhão de unidades neste governo até o fim do ano passado, sendo R$ 578,4 mil em 2023, 707,6 mil em 2024 e 813,9 mil em 2025.

    Para bater a meta de 3 milhões de unidades, será necessário ampliar as contratações para 900 mil neste ano.

    O orçamento, até o momento, está em R$ 178 bilhões, divididos da seguinte forma: R$ 8,9 bilhões do Orçamento Geral da União, que atende principalmente a faixa 1; R$ 24,8 bilhões do fundo social do pré-sal, destinado à faixa 4; e R$ 144,5 bilhões do FGTS, que atende as faixas 1 a 3. Esse orçamento ainda não computou os ajustes deliberados pelo conselho curador do FGTS na terça-feira. Em 2025, o orçamento total foi de cerca de R$ 180 bilhões, e em 2024, de R$ 132,5 bilhões.

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  • Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio em foco

    Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio em foco

    Dólar cai a R$ 5,23 com mercado ainda guiado pela guerra no Oriente Médio e e incerteza global pressionam bolsas. No Brasil, o Ibovespa caiu 0,64%, a 181.556 pontos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar caiu 0,33% nesta sexta-feira (27) e encerrou a semana cotado a R$ 5,238, com operadores ainda mantendo a guerra no Oriente Médio como principal norteador das decisões de investimentos.

    Em mais um capítulo da nebulosa negociação entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump adiou em 10 dias os ataques contra o sistema energético da teocracia. A expectativa segue sendo por um acordo que encerre o conflito, mas a falta de notícias concretas sobre um cessar-fogo motiva buscas por segurança entre os mercados.

    Nas praças acionárias, o dia foi de perdas. Os três principais índices de Wall Street -S&P500, Nasdaq e Dow Jones- encerraram com perdas entre 1,6% e 2,15%, e as Bolsas de Valores europeias também registraram queda. No Brasil, o Ibovespa caiu 0,64%, a 181.556 pontos.

    “A combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

    “Ao longo do dia, o fluxo foi ficando mais equilibrado, com menor convicção direcional, especialmente diante da proximidade do fim de semana.”

    A pausa dos ataques dos Estados Unidos às bases energéticas iranianas vai se estender até a segunda-feira após a Páscoa, 6 de abril. A medida foi anunciada pelo presidente na plataforma Truth Social e, segundo ele, as conversas com o Irã “vão muito bem, ao contrário do que diz a mídia das fake news”.

    Trump havia ameaçado atacar o sistema de energia do país persa, uma promessa para o caso de o Irã não reabrir o estreito de Hormuz. O ultimato foi feito no sábado (21) e suspenso na segunda (23), com pausa até então prevista para este sábado (28).

    Trump havia apresentado, por meio do Paquistão, um plano de 15 pontos que incluía itens já acomodados pelo Irã em negociações anteriores, como a renúncia à bomba atômica, mas também diversos temas inaceitáveis para o regime, como o total desmantelamento de suas capacidades nucleares e de seu programa de mísseis ofensivos. Na quinta, o Irã deixou claro que rejeita a proposta.

    Segundo a agência de notícias Reuters, Teerã considerou a proposta “unilateral e injusta”, mas deixou a porta aberta para negociações. Por sua vez, a iraniana Tasnim informou que a teocracia já enviou, por meio de turcos e paquistaneses, sua visão maximalista para o fim do conflito.

    “O mercado acompanha o desencontro de notícias: ora o cessar-fogo está avançando, ora não está. Isso traz muita incerteza e volatilidade”, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

    Com mais de 90% do tráfego no estreito de Hormuz interrompido, os preços do petróleo dispararam e voltaram a superar US$ 100 o barril na quinta. Nesta sessão, chegaram a ultrapassar o patamar de US$ 110.

    O repasse para combustíveis -e o possível repique inflacionário em decorrência disso- tem elevado a pressão econômica sobre Trump a poucos meses da eleição de meio de mandato. Ele tem feito repetitidas tentativas de acalmar o mercado com anúncios de negociações, mas as negativas do governo iraniano aumentam as incertezas entre os operadores.

    Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari disse, na quarta, que uma trégua não está no horizonte.

    Outro fator de incerteza despontou nesta sexta. Uma reportagem do Wall Street Journal apontou que o Pentágono avalia o envio de até 10 mil soldados adicionais ao Oriente Médio, para oferecer a Trump mais opções militares.

    Se confirmada a medida, o contingente mais que dobraria as 7.000 tropas anunciadas ou ainda examinadas pelo governo Trump para o deslocamento.

    Como de costume com o governo Trump, há muita nebulosidade a respeito das reais intenções de Washington, mas o contingente, somado ao que já está nas bases regionais e navios deslocados para a região, sugere que a pressão pode se transformar de fato em ação.

    Diante disso, “o sentimento predominante nos mercados é de cautela”, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, “com fluxos mais defensivos direcionados para ativos considerados seguros”.

    “A valorização do petróleo e as tensões no Oriente Médio seguem pressionando moedas emergentes, ao elevar preocupações com inflação global e política monetária.”

    Na visão do J.P. Morgan, o cenário do Brasil permanece positivo, se beneficiando mesmo com a instabilidade global. Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um ‘porto seguro’ e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado. Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês.

    Em relatório a clientes nesta manhã, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, citou o dólar em torno de R$5,20 ou menos como ponto de compra de moeda por importadores. No caso dos exportadores, o ponto de venda de dólares estaria em torno de R$5,28 ou um pouco mais.

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  • Receita recebe 4,4 milhões de declarações do IR na primeira semana

    Receita recebe 4,4 milhões de declarações do IR na primeira semana

    Número equivale a 10,1% do total de documentos esperados para este ano. Segundo a Receita Federal, 80% das declarações entregues até agora terão direito a receber restituição

    Cerca de 4,4 milhões de contribuintes acertaram as contas com o Leão na primeira semana de entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 (ano-base 2025). Até às 18h03 desta sexta-feira (27), 4.444.798 documentos foram enviados.

    O número equivale a 10,1% do total de declarações previstas para este ano. Em 2026, o Fisco espera receber 44 milhões de declarações. Tradicionalmente, o ritmo de entrega é maior na primeira semana por causa dos contribuintes que preencheram o documento com antecedência.

    Segundo a Receita Federal, 80% das declarações entregues até agora terão direito a receber restituição, enquanto 11,1% terão que pagar Imposto de Renda e 8,9% não têm imposto a pagar nem a receber.

    A maioria dos documentos foi preenchida a partir do programa de computador (69%), mas 19,2% dos contribuintes recorrem ao preenchimento on-line, que deixa o rascunho da declaração salvo nos computadores do Fisco (nuvem da Receita), e 11,8% declaram pelo aplicativo Meu Imposto de Renda para smartphones e tablets.

    Um total de 59,9% dos contribuintes que entregaram o documento à Receita Federal usaram a declaração pré-preenchida, por meio da qual o declarante baixa uma versão preliminar do documento, bastando confirmar as informações ou retificar os dados. A opção de desconto simplificado representa 57% dos envios.

    O prazo para entregar a declaração e termina às 23h59min59s de 29 do dia maio. O programa gerador da declaração está disponível desde 19 de março.

    Quem não enviar a declaração no prazo pagará multa de R$ 165,74 ou 1% do imposto devido, prevalecendo o maior valor.

    As pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584, assim como aquelas que obtiveram receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920, são obrigadas a declarar. As pessoas que receberam até dois salários mínimos mensais em 2025 estão dispensadas de fazer a declaração, salvo se se enquadrarem em outro critério de obrigatoriedade.

    Receita recebe 4,4 milhões de declarações do IR na primeira semana

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  • Governo reage à inclusão de Lulinha na CPI do INSS e pede indiciamento de Bolsonaro e Flávio

    Governo reage à inclusão de Lulinha na CPI do INSS e pede indiciamento de Bolsonaro e Flávio

    Parlamentares do Partido dos Trabalhadores afirmaram que o relatório paralelo redigido pela base do governo, a ser apresentado em breve pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vai propor o indiciamento de Flávio

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A base do governo na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) vai propor o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Trata-se de uma reação ao parecer oficial apresentado pelo relator, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que pediu indiciamento e prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Parlamentares do PT afirmaram que o relatório paralelo redigido pela base do governo, a ser apresentado em breve pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vai propor o indiciamento de Flávio. A informação sobre Jair Bolsonaro foi adiantada à reportagem por dois petistas, sob reserva. O documento ainda não foi apresentado formalmente.

    “A sócia de Flávio é irmã do contador do Careca, da empresa do contador do Careca. Por intermédio deste escritório, desta empresa, é que tem um indício forte, que nós queríamos comprovar através da quebra de sigilo do escritório Bolsonaro, do recurso passar da empresa do Careca para o escritório do Flávio”, explicou o deputado Rogério Correia (PT-MG) ao explicar o pedido de indiciamento.

    O Careca ao qual o parlamentar se refere é o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele é apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes que levou a descontos indevidos no pagamento de aposentados.

    O relatório petista também deve imputar a Bolsonaro parte da culpa pelo esquema de fraudes no INSS. O argumento é que o problema começou em 2019, durante o primeiro ano do governo passado.

    A ideia da base governista, que tem maioria na CPI do INSS, é derrotar o parecer apresentado por Alfredo Gaspar. O relatório oficial faz uma extensa ofensiva contra Lulinha e outros nomes próximos ao governo, enquanto poupou Jair Bolsonaro.

    Se conseguir rejeitar o relatório oficial, o PT vai pressionar o presidente da CPI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), a indicar um novo relator, alinhado à maioria. Caso isso não aconteça, o colegiado pode chegar ao fim neste sábado (28) sem a votação de um parecer conclusivo.

    Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas. Entre elas, estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), o Careca do INSS, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e Augusto Lima, que foi sócio da instituição financeira.

    Lulinha foi alvo da CPI por suposta relação com o Careca do INSS. As propostas de indiciamento, se aprovadas, são encaminhadas à PGR (Procuradoria-Geral da República), que decide se de fato indicia ou não os alvos.

    O relator pediu que a Advocacia do Senado Federal acione a Justiça pela prisão preventiva “dos indiciados neste relatório que ainda não se encontrem presos”. Nesse caso, Lulinha é o único citado nominalmente. O deputado defende a medida contra o filho do presidente “em razão de indícios concretos de evasão do distrito da culpa que comprometem a aplicação da lei penal”.

    “Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de Lulinha para a aquisição, por Careca do INSS, de passagens de primeira classe em voos internacionais, bem como hospedagens de luxo em países europeus”, escreveu Gaspar no relatório.

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